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Prolificidade versus qualidade. Como ter os dois?

Mestre em Medicina Veterinária Thomas Bierhals, fala sobre as alternativas práticas para garantir a evolução contínua da qualidade e quantidade de leitões em granjas de alta produtividade

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Alternativas práticas para garantir a evolução contínua da qualidade e quantidade de leitões em granjas de alta produtividade. Esse foi o tema da palestra com o mestre em Medicina Veterinária Thomas Bierhals, uma das atrações do Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, que aconteceu em agosto, em Chapecó, SC. Para falar um pouco sobre a relação entre prolificidade e lucratividade, o expoente profissional concede entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural, mídia oficial do evento há dez anos. Aproveite a leitura.

O Presente Rural (OP Rural) – A prolificidade das matrizes tem aumentado consecutivamente. Conte um pouco dessa história e avalie como está esse cenário hoje?

Thomas Bierhals (TB) – Sem dúvida. Nas últimas décadas, muitas barreiras e paradigmas relacionados à prolificidade foram sendo quebrados, mundialmente, através do intenso trabalho de pesquisa e confirmada mediante dados zootécnicos e econômicos. O que outrora era tratado por muitos como uma incógnita e, aos mais céticos, com temor, hoje não há mais qualquer dúvida que a prolificidade foi determinante para os avanços em produtividade e lucratividade da atividade e continuará sendo. Atualmente, não existe, sob nosso conhecimento, nenhum programa de melhoramento genético em suínos que não trate a prolificidade como uma característica com grande participação na composição dos índices de seleção de linhas maternas, obviamente, em diferentes velocidades e patamares, entretanto, todos tratam essa característica como prioridade.

Considerando a produção brasileira, nos últimos nove anos, evoluímos 3,25 leitões vivos/fêmea/ano (27,22 vs 30,47) e 3,07 leitões desmamados/fêmea/ano (24,82 vs 27,89). Ou seja, o ganho em desmamados teve como principal determinante o ganho em nascidos vivos. Em outras palavras, a suinocultura brasileira conseguiu, de forma geral, absorver 95% do ganho em prolificidade, e o mais importante, esses ganhos têm demonstrado uma tendência positiva linear (+0,16 nascidos vivos/parto e +0,33 desmamados/fêmea/ano (DFA) (R2=0,98).

OP Rural – Nesse período, quais foram os desafios encontrados na genética?

TB – Encontrar a metodologia correta para evitar que os ganhos em prolificidade fossem acompanhados por perdas em qualidade. Esse foi o principal desafio das empresas de melhoramento nos últimos anos. Várias metodologias fracassaram ou não tiveram sucesso esperado nessa tentativa, algumas por falta de praticidade (eficiência placentária, por exemplo) outras por ganhos apenas em prolificidade (seleção por número de ovulações, maior sobrevivência embrionária, nascidos vivos ou totais) e outras, inclusive, por resultados inconsistentes em produtividade ou ganhos anuais muito baixos (biometria vaginal/uterina e associação de nascidos vivos com peso ao nascer, por exemplo).

Depois de anos de estudo, uma metodologia dinamarquesa se mostrou eficiente em contemplar o efeito materno, efeito do indivíduo, vitalidade, desempenho intra-uterino do leitão e prolificidade. Ela foi denominada de LP-5 (Live piglets at day 5), o que chamamos no Brasil de NV5 (número de vivos ao quinto dia).

Essa metodologia começou a ser implantada no início dos anos 2000 e, atualmente, não resta dúvida de que ela foi a principal responsável por elevar a suinocultura a novos patamares de produtividade e lucratividade.

OP Rural – E no manejo, quais foram os desafios encontrados com as mudanças?

TB – Principalmente aqueles relacionados à garantia da distribuição mais uniforme possível do colostro (foco em últimos a nascer e leitões com peso inferior a 1kg ao nascer), uniformização de leitegadas, nutrição de fêmeas no terço final da gestação e lactação e, também, adaptações relacionadas ao fluxo de produção e instalações para contemplar o maior número de nascidos e desmamados.

OP Rural – Quais as vantagens e desvantagens (se é que existem) de ter leitegadas maiores?

TB – Do ponto de vista econômico, apenas vantagens. Produzir mais leitões/matriz/ano significa diluir os custos de produção diretamente. Esse indicador traz reflexos em três principais fontes de custos das UPLs: nutrição, instalações e genética.

A diluição do custo nutricional é estendida da UPL até o abate. O impacto de 5 leitões produzidos a mais/fêmea/ano na UPL gera uma redução direta de 60g na conversão de plantel, ou seja, para cada kg de suíno produzido há potencial de redução de 60g de ração. Além disso, o retorno sobre o investimento das matrizes é mais rápido.

OP Rural – Leitões muito leves ao nascer não demoram mais para atingir o peso ideal nas fases seguintes?

TB – Sim. O peso ao nascer tem relação direta com desempenho subsequente dos leitões, muitos trabalhos já confirmaram essa hipótese. É bem verdade que, ano após ano, a diferença de desempenho entre leitões com leves e pesados ao nascer diminuiu consideravelmente. Para atingir o mesmo peso de abate a diferença era de 29 dias em 1981. Trinta anos depois ela diminuiu para cerca de 8 dias.

O que sempre deve-se levar em consideração é que dentro de programas de melhoramento genético com metodologias que contemplem qualidade associada à prolificidade, como o NV5, por exemplo, com ganhos genéticos para prolificidade entre 0,2-0,3 leitão/ano, é possível aumentar o número de nascidos sem reflexos negativos ao peso ao nascer. Leitegadas de 18 leitões vivos a 10 anos atrás tinham peso menor do que essas mesmas leitegadas hoje, por exemplo.

Confirmando ainda mais essas informações estão os próprios resultados de terminação, os quais estão sendo melhorados a cada ano, dentro de vários sistemas brasileiros e mundiais, ao mesmo tempo em que a prolificidade segue acelerada. Obviamente isso também é reflexo do melhoramento genético que é feito para características de crescimento, como ganho de peso diário e conversão alimentar de creche e terminação, que compõe o índice de seleção das linhagens de interesse.

OP Rural – Falamos de quantidade. Agora, o que é um leitão de qualidade?

TB – Existem muitas definições possíveis para esse termo. Para nós, leitões de qualidade são aqueles que, durante toda cadeia de produção de suínos, dentro de diversos cenários de custos de produção, consigam deixar margem líquida positiva de maneira equilibrada para o produtor, a cooperativa/agroindústria e frigorífico. Vitalidade ao nascer, rusticidade, eficiência alimentar, ganho de peso, rendimento de carcaça e qualidade de carne fazem parte desse conceito.

OP Rural – Quais as alternativas práticas para garantir a evolução contínua da qualidade e quantidade de leitões em granjas de alta produtividade? Exemplifique.

TB – Ter um plantel que lhe proporcione esse potencial – fêmeas oriundas de programas de melhoramento genético com potencial para atingir essa produtividade com qualidade; utilização de avôs de alto valor genético (casos de granjas com avós); manter estrutura etária ideal, considerando aspectos reprodutivos, sanitários e econômicos (50-55% de fêmeas entre 3-6 partos e ≤ 7% de fêmeas acima de 6 partos).

Para tal, planejamento correto de reposições (mínimo 55% ao ano, considerando granjas com plantel reprodutivo estabilizado), estratégia de descartes e ações focadas na diminuição de perdas de fêmeas jovens (< ciclo 3) são decisivos.

Definir foco de trabalho em ações de maior reflexo em produtividade e qualidade – preparação de futuras matrizes: cerca de 50% do resultado em DFA de uma granja é explicado pelo número de nascidos totais das matrizes ao primeiro parto.

Será que dedicamos pelo menos 20% de nossas atenções para essa categoria de fêmeas? Temos que implantar manejos comprovadamente capazes de agregar produtividade e longevidade nessa fase; garantir que eles foram perfeitamente entendido pelos funcionários e, mais do que isso, criar ferramentas práticas para auditar periodicamente os procedimentos através de indicadores. Isso, nunca deve sair da prioridade dos gestores da produção.

Exemplifico auditoria de um ponto fundamental na preparação de leitoas:

Período real de permanência das leitoas no flushing: ideal: 100% entre 15-21 dias. Exemplo de uma granja que tomou nota do dia exato do início de flushing de cada leitoa (dados de 575 leitoas – granja em MG: 5100 mtz): 48% das leitoas estavam tendo período inadequado de flushing, mesmo com o protocolo definido corretamente. A consequência foi de 1,65 leitões a menos ao primeiro parto neste grupo de fêmeas.

E ainda: atendimento ao parto e primeiros cuidados com os leitões – correto arraçoamento pré-parto: trabalhos dinamarqueses recentes têm demonstrado influência grande do período de jejum pré-parto na cinética do parto. Quando maior o período de jejum, menores são os níveis plasmáticos de glicose durante o parto refletindo em maior duração do parto, maior necessidade de intervenções e natimortalidade, portanto, reduzir o período de jejum deve ser buscado em granjas com alta prolificidade.

Foco da equipe: os primeiros cuidados com os leitões, dentre eles a secagem e o rápido acesso ao colostro, são mais emergenciais do que propriamente o atendimento ao parto em si. Uniformização da distribuição do colostro entre os leitões necessita ser prioridade para equipe de atendimento. Leitões com menos de 1kg e últimos a nascer tendem a consumir menores quantidades de colostro e imunoglobulinas. Manejos que priorizem estes logo após o nascimento, mas, também, no momento da uniformização das leitegadas são fundamentais.

É preciso possuir profissionais bem treinados e muito motivados ao parto e nos primeiros 3 dias de vida dos leitões. Geralmente, a mortalidade de leitões nessa fase é superior à do restante do ciclo dos leitões até o abate.

Também: garantir que esses profissionais estejam presentes nos momentos de maior número de partos e nos primeiros 3 dias de vida dos leitões. Dia do desmame impacta diretamente nesse planejamento.

É preciso trabalhar com idade ao desmame entre 23-25 dias: Além de maximizar o desempenho dos leitões pós-desmame (menor mortalidade, maior % de suínos de alto valor ao abate, maior GPD de creche e terminação, menor custo com medicação), entre 18-26 dias de lactação, cada dia a mais representa um ganho de 0,12-0,15 nascidos vivos no parto subsequente da matriz.

Outra estratégia é planejar o fluxo de produção e instalações para possibilitar o aproveitamento do máximo de leitões nascidos: Com o aumento de leitões nascidos vivos, aumenta-se também a necessidade de mães-de-leite para possibilitar o desmame de uma parcela desses leitões excedentes. O ganho genético para desmamados ao pé existe, no entanto, o ganho para nascidos o supera. Dessa forma, cada vez mais precisaremos lançar mão de alternativas para desmamar esses leitões com qualidade. Realizamos estudos para entender indicadores das granjas que mais se destacam em aproveitamento de leitões nascidos e em kg de desmamados/fêmea/ano e observamos influência considerável do espaço de maternidade nelas. Granjas com maior espaço de maternidade (<4,5 matrizes/gaiola de maternidade) apresentaram maior kg de desmamados/fêmea/ano (peso ao desmame ajustado para 21 dias). Isso porque: possuem espaço adequado para fazer mães-de-leite no momento correto; não desmamam leitegadas e fêmeas com idade inferior a 20 dias; evitam deixar leitegadas com mais de 14 leitões após a uniformização; possuem espaço para trabalhar com idade ao desmame entre 23-25 dias (ganho em nascidos no parto subsequente) e; possuem maior tempo de vazio sanitário pós limpeza e desinfecção.

Com base nesses dados, tomando uma granja de 1000 matrizes como exemplo, a diferença de instalação de 11% (203 vs 225 gaiolas) gerou uma diferença em kg desmamados total de 43% (141,7 vs 200,2 ton).

Considerando maior período de lactação das matrizes e seu impacto positivo em nascidos vivos no parto subsequente, auxílio na maior sobrevivência de leitões durante a lactação e consequente ganhos em kg de leitões desmamados, o “payback”, ou seja, o tempo necessário para termos o retorno total sobre o investimento inicial, para instalações de maternidade geralmente variam de 6-20 meses.

Outra alternativa prática para garantir a evolução contínua da qualidade e quantidade de leitões é transformar o desafio das mães-de-leite em oportunidade: Cada MDL que fazemos, agregamos 18-21 dias ao ciclo dessa fêmea. A cada 1% de mães-de-leite a mais, temos um impacto no parto/fêmea/ano (PFA) médio da granja de 0,15%. No entanto, devido ao maior período de lactação que as MDL são submetidas e melhor recuperação do ambiente uterino antes da próxima concepção, o número de nascidos subsequente é superior ao das fêmeas não submetidas a esse manejo. Geralmente o ganho no próximo parto é superior a 1,2 leitãos nascidos vivos. Ser assertivo na escolha da fêmea (preferência por fêmeas jovens com aptidão materna) e no momento correto para lançar mão desse manejo (logo no primeiro dia de vida dos leitões) são fundamentais para transformar o desafio em oportunidade. 

OP Rural – O que muda nos próximos anos na assistência técnica e no manejo com essa evolução constante?

TB – Os técnicos terão que ser cada vez mais comprometidos com análises técnicas/econômicas para identificar o caminho correto para cada sistema de produção ou granja usufruir o máximo possível da prolificidade. Aqueles que estiverem a frente nesse quesito certamente terão maior sucesso, afinal, como já dizia o famoso executivo americano Jonh Sculley, “o futuro pertence àqueles que veem as oportunidades antes que elas se tornem óbvias”. 

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Suínos / Peixes Suinocultura

Câmaras de conservação preservam a integridade do sêmen suíno e a eficácia das vacinas

Se pontos básicos como armazenamento de doses inseminantes não forem realizadas de maneira correta e segura à campo, o valor do incremento gerado pelo uso de novas tecnologias é mínimo

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julia Artigo escrito por Júlia Linck Moroni, médica Veterinária e mestranda em Fisiologia da Reprodução de Suínos

Nos últimos anos a demanda global por carne suína tem aumentado. Consequentemente, a necessidade da indústria suinícola de se reinventar para que a produção ocorra de maneira sustentável, tecnificada, eficiente e competitiva também aumentou. Claramente, o uso de novas tecnologias na suinocultura progrediu rapidamente nas últimas décadas, através de vários níveis de utilização de tecnologia. Neste cenário, o uso de animais geneticamente superiores reflete diretamente em uma maior produtividade e rentabilidade do sistema, assim como na qualidade superior da carne suína produzida. Biotecnologias reprodutivas como a inseminação artificial e disseminação de genética líquida permitiram a introdução de linhagens e animais de grande potencial produtivo em planteis reprodutivos.

Atualmente, mais de 90% dos sistemas comerciais suínos à nível global utiliza a inseminação artificial com sêmen suíno resfriado e armazenado de 15 a 18°C como forma de disseminação genética. O uso desta técnica possibilita a diluição e obtenção de múltiplas doses provenientes de um único ejaculado. Desta forma, o número de machos reprodutores pode ser reduzido, além de gerar uma redução de custos por fêmea suína inseminada, aceleração do melhoramento genético e maior segurança sanitária. De acordo com fornecedores comerciais, a diluição do ejaculado pode ser realizada com diluentes classificados em curta, média e longa duração baseado na habilidade de preservar o sêmen suíno de 1 a 2, 3 a 4 ou 7 a 10 dias após a coleta, respectivamente. Os diluentes têm como função prover nutrientes para o metabolismo espermático, neutralizar resíduos metabólicos, estabilizar as membranas espermáticas, manter o equilíbrio osmótico e retardar o crescimento bacteriano durante o armazenamento. No entanto, a capacidade de armazenamento é limitada, visto que o metabolismo da célula espermática não é inibido, o que torna o ambiente propício à multiplicação de bactérias e envelhecimento celular, especialmente quando as condições de armazenamento não são corretamente respeitadas.

De forma geral, as doses inseminantes são armazenadas de 15 a 18°C por até cinco dias após a coleta. A baixa temperatura de armazenamento tem como principal função desacelerar os processos metabólicos, ocasionando um menor consumo de energia celular. Esse baixo consumo, visa prolongar a viabilidade das células espermáticas e consequentemente, reduzir danos relacionados ao envelhecimento celular. Neste contexto, é fundamental que flutuações de temperatura durante o armazenamento sejam evitadas, principalmente temperaturas inferiores a 15°C, ou quedas bruscas de temperatura. Isso porque o espermatozoide suíno é especialmente sensível a baixas temperaturas, diferentemente de outras espécies como bovinos e humanos. Essa sensibilidade é explicada pelas características físico-químicas das membranas espermáticas, que quando expostas a baixas temperaturas levam à redução de movimentos espermáticos, ocasionando prejuízos à sua funcionalidade. Quando quedas superiores a 2°C ocorrem, os espermatozoides reajustam o próprio metabolismo visando se adaptar às mudanças impostas, gerando um dispêndio energético desnecessário. Além disso, nestas situações a composição do diluente é também alterada, o que consequentemente diminui a qualidade e vida útil das doses inseminantes, reduzindo por fim, o potencial fertilizante das doses produzidas e a eficiência reprodutiva de um plantel.

Nas últimas décadas, inúmeros estudos têm esclarecido e desenvolvido novas técnicas para permitir o armazenamento de doses por longos períodos, redução do uso de antimicrobianos em doses inseminantes, técnicas mais precisas de inseminação artificial, seleção de animais resistentes a doenças ou animais com maior aptidão reprodutiva e produtiva, entre outros. No entanto, se pontos básicos como armazenamento de doses inseminantes não forem realizadas de maneira correta e segura à campo, o valor do incremento gerado pelo uso de novas tecnologias é mínimo e/ou subutilizado. Em conclusão, quando o assunto disseminação genética é abordado, a interação de fatores como qualidade espermática, diluente, macho utilizado, dias de armazenamento e qualidade do armazenamento influencia significativamente na qualidade da dose espermática e produtividade do rebanho. Neste contexto, é imprescindível que todos os fatores sejam criteriosamente respeitados para que o total potencial produtivo de animais geneticamente superiores possa ser usufruído em sua totalidade.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

5 pontos que você precisa saber sobre nutrição de suínos

Diante da proibição do uso de antibióticos como promotores de crescimento, cresce a busca por alternativas, com destaque para os aditivos

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Arquivo/OP Rural

A proibição do uso de antibióticos como promotores de crescimento já é realidade em muitos países e, ano a ano, vem ganhando força no Brasil. Diante deste contexto, cresce a busca por alternativas, com destaque para os aditivos.

De acordo com Silvano Bünzen, gerente de Serviços Técnicos da Wisium, é necessário conhecer e aplicar corretamente os conhecimentos dos nutrientes, e o quanto eles podem contribuir para a saúde intestinal. “O uso adequado de certas fibras, por exemplo, pode ajudar no melhor equilíbrio das bactérias presentes no trato gastrointestinal, aumentando a produção de ácidos locais e melhorando o desempenho dos animais”, observa.

Para que você se prepare melhor para este cenário, o gerente compartilha a seguir cinco pontos fundamentais. Confira:

1 – Planejamento

A substituição ou retirada dos antibióticos promotores de crescimento não pode ser feita simplesmente, sem um planejamento e preparo prévio. Na parte dos ingredientes utilizados, é preciso selecionar corretamente aqueles de alta digestibilidade para que “sobrem menos” frações não digeridas e que vão servir de substrato para crescimento de bactérias indesejáveis.

2 – Aditivos

Os aditivos, que ajudam no aproveitamento dos nutrientes e auxiliam na prevenção de desordens entéricas, são fundamentais para a nutrição de excelente qualidade. Diversos exemplos europeus mostram que o uso de dietas focado em nutrientes funcionais e aditivos específicos reduz a pressão de contaminação por bactérias patogênicas.

3 – Conjunto de estratégias

Um conjunto de estratégias focadas em melhorar o desempenho dos animais pode ser extremamente eficaz, uma vez que ajuda a contemplar o fornecimento adequado dos nutrientes, auxilia o controle mais natural das bactérias indesejáveis e podem ajudar na redução dos fatores que aumentam os desafios entéricos.

4 – Saúde pública

Uma nutrição adequada contribui para uma melhor saúde pública. Ao melhorarmos a digestibilidade e o aproveitamento dos alimentos pelos animais, conseguirmos favorecer a saúde intestinal. Isso é fundamental para reduzir pressões de infecção e, juntamente com a necessidade da melhora da ambiência e manejo, diminuir também o uso de antibióticos que hoje são utilizados na linha humana.

5 – Desempenho zootécnico

Estratégias alternativas ao uso dos antibióticos promotores de crescimento são importantíssimas e fundamentais. Atendem a legislação, somando o conceito de produção sustentável, ao proporcionar a produção de produtos de qualidade com respeito a saúde humana. Na medida que mantém a produtividade, ajudam a garantir o retorno sobre os investimentos.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Melhoramento genético para máxima eficiência alimentar: uma nova abordagem

O compromisso é produzir um animal com alto ganho de peso diário e ao mesmo tempo com alta eficiência alimentar

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 Artigo escrito por Mariana Anrain Andreis, Msc. em Melhoramento Genético Animal e geneticista chefe na DNA América do Sul

Na suinocultura tecnificada, a maior parte dos custos de produção estão ligados a alimentação, no Brasil essa participação varia entre 70-80%, dependendo do sistema de produção avaliado. Assim, a redução dos custos via aumento da eficiência em conversão alimentar se tornou essencial em nosso sistema de produção.

Consequentemente, a eficiência alimentar passou a ser uma das grandes preocupações dos programas de melhoramento genético de suínos em todo mundo, e tal característica ganhou grande relevância nos índices de seleção de linhagens. Os resultados foram surpreendentes e, em três décadas, foi possível produzir 1kg de carne suína com 600g a menos de ração.

Mas o que se está selecionando?

Quando o melhoramento genético de suínos passou a incluir a C.A. (Conversão Alimentar) no índice de seleção? Que característica foi essa? A C.A. é a razão entre o consumo de ração e o ganho de peso do animal, dentro de determinado período.

Cabe lembrar que, nos programas de melhoramento, todas as características são avaliadas dentro de intervalos de tempo e sabemos que o consumo e o ganho de peso são características altamente correlacionadas, tanto geneticamente quando fenotipicamente. Esta razão, portanto, que conhecemos como C.A., pode ser alterada de duas formas: reduzindo o numerador (Consumo alimentar) ou aumentando o denominador (Ganho de peso). De que forma isso pode impactar as populações de suínos que estão sendo melhoradas?

Acompanhemos dois exemplos

Na tabela abaixo pode-se notar que dois animais, apesar da mesma C.A., têm desempenhos distintos, entretanto, o Animal 02, com o maior G.P.D (Ganho de Peso Diário), é muito mais rentável, em situações normais de mercado, tanto ao produtor quanto à indústria, por conta do seu maior peso vivo para a mesma idade e, consequentemente, melhor rendimento.

Analisando com um pouco de atenção o modelo biológico, animais de alto GPD alongam seu tempo de crescimento de estrutura óssea e atrasam a deposição de gordura. Essa deposição de gordura tem um custo energético bem superior, fazendo com que a eficiência da conversão de alimento em kg de peso vivo seja pior nesta última fase. Ou seja, “atrasando” o período de deposição de gordura, o animal de maior G.P.D. permanece mais tempo na fase mais eficiente do seu crescimento.

Ao observarmos o Animal 01 na tabela acima, podemos supor que seu baixo G.P.D. pode ter sido consequência de um consumo inferior, falta de apetite ou por outros fatores. Com consumo baixo, mesmo com G.P.D. menor, sua C.A. será adequada, podendo “confundir” processos de seleção altamente pautados nesta variável.

Nesse contexto vale a seguinte reflexão: O que é melhor? Um animal de 160 dias com 110kg e C.A. de 2,0 ou outro com a mesma idade e C.A., porém com 130 kg de peso vivo?

Gráfico 1: modelo biológico de crescimento em animais com perfis de G.P.D. distintos

E como o melhoramento genético pode trabalhar essas características?

De maneira geral, as publicações científicas são consistentes em afirmar que a seleção baseada em um modelo multicaracterístico que inclua as duas características que compõe uma razão é mais eficiente do que a seleção diretamente aplicada sobre a razão. O modelo multicaracterístico é aquele que inclui duas ou mais características e suas correlações e realiza a estimação do valor genético de todas conjuntamente. Isso significa dizer que a seleção direta sobre a proporção – nesta discussão, sobre a C.A. – é complicada pela maneira desproporcional pela qual a pressão de seleção é exercida sobre as características que a compõe, ou seja, o consumo e o ganho de peso. Quando se trabalha com um modelo multicaracterístico usando um índice de seleção, pode-se colocar uma pressão de seleção determinada sobre cada característica, o que deve resultar, portanto, em uma quantidade previsível de ganho genético.

Além disso, usando um modelo multicaracterístico podemos aproveitar a correlação genética existente entre as duas características, aumentando a acurácia da predição do valor genético para as duas variáveis – Ganho de peso e Consumo – assim como das demais características de produção correlacionadas com estas.

Analisando os aspectos biológicos, genéticos e estatísticos, não há maneira mais efetiva de diminuir a C.A. do que se realizar o processo de seleção, dentro de um modelo multicaracterístico, para as duas variáveis que compõe esta razão: Consumo e ganho de peso.

Embasadas nessas análises, alguns programas de melhoramento modernos não fazem seleção direta para Conversão Alimentar. Ao contrário, buscam máxima eficiência alimentar otimizando o ganho genético das variáveis que determinam essa conversão. O compromisso é produzir um animal com alto ganho de peso diário e ao mesmo tempo com alta eficiência alimentar. A seleção individualizada para as variáveis ganho de peso diário e consumo alimentar (ao invés da seleção direta para a CA) é seguramente a melhor forma de alcançar esses objetivos, principalmente em mercados onde se busca alcançar pesos de abate mais elevados com eficiência de conversão e rendimento de carcaça.

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Fonte: O Presente Rural
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Dia Estadual do Porco – ACSURS

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