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Projetos sustentáveis norteiam a modernização na suinocultura brasileira

A necessidade de se ter um ambiente cada vez mais controlado, tanto relacionado a temperatura, umidade, pressão estática quanto ao nível dos gases internamente, requer uma gestão muito bem ajustada e, para isso, vem se trabalhando sistemas de controles e gerenciadores que são acessados remotamente pelos gestores das unidades, equipe técnica e proprietários das granjas. 

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A modernização registrada na suinocultura nos últimos anos deu suporte à expansão da produção, posicionando o Brasil entre os maiores produtores e exportadores mundiais. Com processos cada vez mais tecnificados, atualmente as principais modernizações estão focadas no controle do ambiente interno dos galpões.

A necessidade de se ter um ambiente cada vez mais controlado, tanto relacionado a temperatura, umidade, pressão estática quanto ao nível dos gases internamente, requer uma gestão muito bem ajustada e, para isso, vem se trabalhando sistemas de controles e gerenciadores que são acessados remotamente pelos gestores das unidades, equipe técnica e proprietários das granjas.

Em paralelo a isso, também vem sendo melhorado constantemente o entendimento e o dimensionamento dos sistemas de ventilação, com vistas a uma melhor uniformização e renovação do ar em toda a área alojada, por meio de exaustores e inlets, que, consorciados com os novos sistemas de controle, proporcionam o ambiente interno mais adequado em todas as fases de produção.

Engenheiro Agrícola e gerente Vendas Proteína, Paulo Verdi: “É necessário ter uma mudança de pensamento, entender que muitas vezes a viabilidade de um projeto não está somente no valor do investimento empregado versus tempo de retorno” – Foto: Tuche

Para aprimorar os atuais sistemas de controle de produção, o engenheiro agrícola e gerente de vendas, Paulo Verdi, elenca quatro pilares essenciais para melhorar os índices produtivos com base no modelo de projeto adotado em cada granja. O primeiro consiste na estrutura do galpão, uma vez que com os atuais níveis produtivos que estão sendo possíveis de serem atingidos com a evolução genética, exige uma atenção especial sobre as estruturas a serem montadas, visando além das questões de bem-estar animal, as capacidades de alojamento, automação e sustentabilidade.

O segundo é a tecnificação da atividade, visto que as novas tecnologias exigem constante aprimoramento do conhecimento técnico em todos os níveis, desde quem presta assistência – técnico ou veterinário – até o granjeiro que opera o sistema.

Na sequência, vem a automação de mão de obra empregada, que traz mais versatilidade e benefícios produtivos. E, por fim, o controle do ambiente é a chave para unir o conjunto de tudo que é aplicado em melhoramento, seja ele genético, sanitário, nutricional, técnico ou estrutural. “Fazer a gestão do controle ambiente facilita e agiliza a obtenção dos melhores resultados”, afirma Verdi, que foi um dos palestrantes da PorkExpo & Congresso Internacional de Suinocultura, realizada 26 a 27 de outubro, em Foz do Iguaçu, PR.

Em relação as tendências e perspectivas para a suinocultura brasileira, Verdi destaca que há várias oportunidades que podem ser exploradas, entre elas cita mercado, cadeia produtiva e cenário mundial. Mas, para isso, o profissional reforça que será preciso que a cadeia implemente cada vez mais projetos sustentáveis, que consigam ter custos de produção ajustados com a realidade e que maximizem os resultados, possibilitando que o Brasil continue sendo uma das principais – se não a principal – referência produtiva e de segurança alimentar mundial. “É necessário ter uma mudança de pensamento, entender que muitas vezes a viabilidade de um projeto não está somente no valor do investimento empregado versus tempo de retorno e, sim, muitas vezes, nos resultados que em um primeiro momento ficam no intangível da conta inicial, mas que ao elevar o nível de conhecimento técnico da equipe e de controles, sistema de gestão e automação, rapidamente se materializam em resultados satisfatórios, reduzindo o payback inicialmente calculado”, enfatiza o engenheiro agrícola.

Com um sistema sanitário rigoroso e invejável pelo mundo, Verdi frisa que dificilmente o plantel brasileiro será acometido de problemas zootécnicos como estão enfrentando os produtores da União Europeia e da Ásia, contudo, é preciso ficar em alerta constante e aperfeiçoar cada vez mais os sistemas de controle na produção. “Não tenho dúvidas que conforme formos evoluindo tecnicamente e no controle de ambiente dentro das granjas, automaticamente mitigaremos ainda mais todo e qualquer risco sanitário”, ressalta.

O profissional ainda frisa a importância de investir no conhecimento técnico e no treinamento das equipes que atuam na cadeia produtiva. “No final das contas, são eles que vão guinar todo o resultado produtivo da granja. Investimentos em infraestrutura e tecnologia são essenciais, mas se não tiver uma equipe capacitada e engajada, os resultados esperados não aparecerão”, expõe.

Principais tecnologias

A implementação de tecnologia nas granjas, aliada ao manejo de material genético para o desenvolvimento de linhagens mais produtivas e a formulação de dietas específicas, são técnicas cruciais na obtenção da eficiência produtiva no sistema de criação de suínos.

Sistemas com equipamentos modernos estão diretamente ligados à ambiência dos galpões, oferecendo condições ideais para que o rebanho tenha uma melhor performance, produzindo mais e melhor.

Entre as modernizações disponíveis no mercado para impulsionar o desempenho dos animais estão cochos automáticos, em que a ração fica disponível à vontade para os animais, evitando o desperdício do alimento; ventiladores para assegurar o conforto térmico e a renovação do ar nos galpões; escamoteadores, que são uma espécie de “casinha” com aquecimento artificial para os leitões em aleitamento, proporcionando aos animais conforto térmico sem a necessidade de gastar calorias para manter a temperatura corporal; programa de iluminação para suínos para melhorar o desempenho e o comportamento dos animais; assoalhos removíveis para facilitar a higienização, com encaixe simplificado e materiais que impedem proliferação de bactérias e protozoários;  sensores para avaliação da pressão sonora, que possibilitam intervenções para diminuir a irritação dos animais, além da automação de todas as etapas de produção através de equipamentos integrados via softwares inteligentes.

Por fim, Verdi diz que ainda há uma lacuna considerável a ser preenchida, que está correlacionada ao nível tecnológico de controle de ambiente a ser aplicado nos projetos atuais e nos novos, mas que ainda carece de um melhor entendimento de como dimensioná-los e utilizá-los, visando a melhora dos resultados produtivos.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Fonte: O Presente Rural

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A suinocultura brasileira sobe a bordo: Agriness reúne líderes do setor no Costa Diadema para celebrar 25 anos

Mais do que uma cerimônia de reconhecimento, o encontro proporcionou um ambiente de troca de experiências e reflexão sobre os rumos da atividade no Brasil.

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Foto: O Presente Rural

A suinocultura brasileira ganhou um cenário inusitado — e simbólico — para um de seus principais encontros: o navio de cruzeiro Costa Diadema.

Entre os dias 11 e 14 de abril, produtores e lideranças do setor estiveram reunidas a bordo para a realização da premiação Melhores da Suinocultura Agriness, evento que também marcou a celebração dos 25 anos da Agriness, referência em tecnologia e gestão para a produção suinícola.

Mais do que uma cerimônia de reconhecimento, o encontro proporcionou um ambiente de troca de experiências e reflexão sobre os rumos da atividade no Brasil.

Durante o evento, a reportagem conversou com o CEO da empresa, Everton Gubert, sobre a trajetória da companhia, os avanços tecnológicos no setor e as perspectivas para o futuro da suinocultura brasileira.

Para quem deseja conhecer mais sobre a história da Agriness, o conteúdo completo está disponível na edição especial de suínos de 2021 de O Presente Rural, acesse clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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ACCS cobra da CNA isenção de impostos no novo Plano Safra

Ofício enviado à CNA propõe zerar tributos na importação de grãos e revisar regras de crédito para socorrer produtores independentes.

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A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) e a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia protocolaram, nesta sexta-feira (17), um ofício direcionado à Comissão Nacional de Aves e Suínos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O documento, endereçado à vice-presidente da comissão, Deborah Gerda de Geus, apresenta demandas para o Plano Safra 2026/2027 com o objetivo de garantir a sustentabilidade da suinocultura independente. Atualmente, o setor enfrenta margens de lucro comprimidas, endividamento estrutural crônico e alto risco econômico.

O desafio dos custos de produção

O ofício destaca que a atividade sofre com intensa volatilidade e com ciclos de preços desfavoráveis, gerando uma forte assimetria entre as receitas do produtor e os custos operacionais. O principal desafio está na nutrição dos animais, fator que representa mais de 70% do custo total de produção nas granjas.

A região produtora enfrenta um déficit severo de grãos: o consumo atinge a marca de oito milhões de toneladas de milho, enquanto a produção local é de apenas dois milhões de toneladas. Essa diferença obriga os produtores a importarem insumos agrícolas do centro-oeste do Brasil e de países do Mercosul.

Principais propostas para o Plano Safra

Para mitigar a pressão financeira e estimular a continuidade da atividade, as lideranças de Santa Catarina listaram uma série de reivindicações técnicas para o próximo Plano Safra:

Isenção de impostos: A principal alternativa sugerida é zerar as alíquotas de PIS e COFINS na importação de grãos do Mercosul para cooperativas de produção, visando baratear os custos.

Crédito específico: O setor pede a criação de linhas de custeio exclusivas para a proteína animal. O objetivo é garantir recursos disponíveis durante todo o ano para a compra de ração, cuidados com sanidade, energia e reposição do plantel.

Limites de faturamento (Pronamp): A ACCS propõe a revisão dos critérios de Renda Bruta Agropecuária (RBA) para evitar que produtores de médio porte sejam excluídos automaticamente do crédito subsidiado. O documento alerta que um faturamento bruto elevado não significa, necessariamente, que a margem líquida de lucro do produtor seja alta.

Gestão de riscos e seguros: Há o pedido para inclusão do setor em instrumentos de gestão de risco, recomendando o estudo para a criação de seguros de margem e fundos de estabilização de renda que protejam o suinocultor de variações extremas.

Armazenagem e mercado de grãos: O documento sugere a oferta de crédito focado na formação de estoques de milho e construção de silos de armazenagem, além de incentivos para travas de preço e contratos de longo prazo (hedge).

Redução de custos cartorários: O setor reivindica a diminuição dos valores cobrados por cartórios no registro de contratos de crédito agrícola. O ofício argumenta que essas operações não configuram compra e venda de imóveis. A alta exigência de garantias físicas por parte dos bancos tem freado o crescimento dos produtores.

Importância econômica e segurança alimentar

Assinado por Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da ACCS, e Vinicius Cavalli Pozzo, secretário de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia, o ofício conclui ressaltando o papel estratégico do produtor independente. Segundo as autoridades, esses suinocultores são fundamentais para a geração de renda e manutenção da produção em pequenas e médias propriedades.

Além disso, eles desempenham um papel crucial no abastecimento de pequenos e médios frigoríficos registrados nos sistemas SIM, SIE, SISBI e SIF, que operam fora do modelo de integração dominado pelas grandes indústrias e cooperativas. A simplificação das normativas ambientais e o incentivo financeiro para adequações sanitárias e de bem-estar animal também foram citados como vitais para a modernização da cadeia produtiva.

Fonte: Assessoria ACCS
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Diarreia neonatal desafia produtividade na suinocultura brasileira

Estudos apontam Clostridioides difficile como principal agente em granjas, com impacto direto no desempenho e uso de antibióticos.

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Artigo escrito por Tatiana Carolina Gomes Dutra de Souza, médica-veterinária. PhD em Ciência Animal, gerente de Serviços Técnicos Suínos – Hipra e Rafael Cé Viott, médico veterinário, mestre em Ciência Animal Serviço Técnico Suínos – Hipra

Diarreia em leitões de maternidade são preocupantes para a suinocultura, por gerarem perdas por mortalidade, diminuírem o ganho de peso ao desmame, provocarem desuniformidade de lote e aumentarem o uso de antibióticos. Agentes infecciosos são amplamente conhecidos por ocasionarem as diarreias e eles podem estar associados aos fatores de risco ambientais.

Atualmente, Clostridioides difficile (C. difficile) tem sido relatado como o principal causador de diarreia neonatal em suínos em todo mundo. Em 2021, no Brasil, foram avaliadas 43 granjas (103 mil matrizes) em 8 estados (PR, SC, RS, MG, SP, GO, MA, CE) com casuística clínica de enterite em leitões do nascimento aos 12 dias de idade, em que C. difficile foi detectado em 72% (31/43) das granjas. Nestas granjas, havia co-infecção do C. difficile com E. coli em 6,4% (2/31) e com C. perfringens tipo A em 16,1% (5/31).

Em outro estudo brasileiro (205 mil matrizes), em 2024, foi observado que C. difficile esteve presente em 45% dos casos de diarreia do nascimento aos 8 dias de vida em leitões. Outro ponto interessante é que o rotavírus RVA e RVC apresentaram baixa prevalência, 4,1% e 10,4%, respectivamente, e que todos os leitões que tinham diarreia por RV tinham infecção prévia por C. difficile, sugerindo que a diarreia por rotavírus possa ser oportunista às infecções prévias por C. difficile. Isso pode ser explicado pelo fato da infecção por C. difficile ocasionar maior disbiose intestinal.

A maioria dos isolados de C. difficile produzem dois tipos de toxinas que danificam o epitélio intestinal do leitão: toxina A, uma enterotoxina e toxina B, uma citotoxina. A doença causada pelo C. difficile pode ser associada ao uso de antibióticos, que levam a uma alteração na microbiota entérica e oportunizam a colonização pelo agente. Assim, o uso de antibiótico para controle de diarreia em leitões pode predispor à diarreia por C. difficile.

Esporos de C. difficile são eliminados nas fezes das matrizes lactentes, e podem ser ingeridos pelos leitões, e ao chegarem no cólon se aderem e colonizam o epitélio e produzem principalmente as toxinas TcdA, TcdB. Com isso, ocorre colite e edema de mesocólon causado pelo aumento da permeabilidade vascular e a diarreia é resultado da má absorção de líquidos devido ao dano no epitélio.

Sinais clínicos

Os principais sinais clínicos em leitões acometidos por C. difficile são dispneia, distensão abdominal e diarreia. Também pode-se observar somente baixo ganho de peso. As lesões macroscópicas observadas na autopsia são enterite inflamatória, edema de mesocólon (Figura 1) e com auxílio da histopatologia pode-se observar na microscopia acúmulo de neutrófilos e fibrina na lâmina própria.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser realizado pelo isolamento das colônias do C. difficille, contudo, este processo é demorado, trabalhoso e difícil de ser realizado e ainda é necessário pesquisar as toxinas para identificar as cepas toxigênicas. As toxinas TcdA, TcdB são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença e a detecção delas nas amostras fecais podem sugerir que C. difficile esteja associado ao desafio entérico. A associação desta técnica com a histopatologia são importantes para excluir outros agentes como causador da diarreia.

Prevenção

A forma mais eficaz para prevenção de diarreia e mortalidade por C. difficile é a vacinação. É interessante salientar a importância de ela proteger contra as toxinas A e B do C. difficile, visto que estas toxinas são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença no leitão. Desta forma, vacinas contendo apenas o agente, como vacinas autógenas, podem não ser tão eficazes quanto ao uso de vacinas contendo toxóide A e B.

Recentemente, no Brasil, avaliou-se o uso de vacina contendo toxóide A e B do C. difficile em matrizes gestantes em granja com 10 mil matrizes. Neste estudo, a incidência de diarreia em leitões reduziu de 8% para 2% após a vacinação, a mortalidade total dos leitões reduziu de 7,98% para 5,68% e houve redução de 84% no uso de antibióticos injetáveis na fase de maternidade. Além disto, os leitões filhos de fêmeas vacinadas tiveram melhor uniformidade ao desmame e GPDm 250 gramas, comparado ao grupo não vacinado que foi de 233 gramas.

Em outro estudo brasileiro com a utilização da mesma vacina contendo toxóide A e B do C. difficile obteve melhora em 14,5 g/dia no ganho de peso diário dos leitões na fase de maternidade, as leitegadas desmamadas eram mais uniformes, a prevalência de diarreia e o uso de antibiótico foram menores comparado aos leitões filhos de fêmeas não vacinadas.

Nesse cenário, C. difficile está presente nas granjas brasileiras ocasionando diarreia, mortalidade, perda de desempenho e uso excessivo de antibióticos em leitões.

Os estudos e as observações de campo sugerem que a vacinação contendo toxóide A e B do C. difficile em fêmeas gestantes tem se mostrado eficaz no controle da doença e na redução de perdas ocasionadas por ela em granjas brasileiras.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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