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Projeto Qualigen leva genética de elite à pecuária familiar no Rio Grande do Sul

Em Caçapava do Sul, nove terneiros nascem após inseminação artificial com sêmen de reprodutores testados, marcando os primeiros resultados em campo da iniciativa.

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Foto: Vivian Timpani

Os primeiros resultados práticos do Projeto de Qualidade e Excelência em Genética Bovina Taurina para a Agricultura Familiar (Qualigen) já começaram a aparecer no campo. No município de Caçapava do Sul, na propriedade do produtor Lasier Garcia, nasceram nove terneiros oriundos de inseminação artificial, resultado de 11 vacas inseminadas com material genético do projeto.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul, Vivian Timpani, os animais já apresentam características fenotípicas que permitem identificar traços das raças utilizadas. No entanto, ela pondera que qualquer avaliação produtiva ainda exige tempo e acompanhamento. “Essas informações dependem da coleta e da análise de dados ao longo do tempo”, explica. “Somente com o acompanhamento do crescimento dos animais será possível verificar se eles atingirão os índices esperados”, completa.

Na propriedade, as diferenças entre os terneiros do Qualigen e aqueles gerados por monta natural já chamam a atenção do produtor. Lasier Garcia compara os resultados da inseminação artificial com o uso de seu próprio reprodutor. “Meu touro é puro, mas não é do mesmo nível de um reprodutor de elite, que passa por prova de desempenho e vai para uma central de coleta”, afirma.

De acordo com Garcia, os terneiros oriundos do projeto apresentam características mais definidas desde cedo. “Eles trazem mais comprimento corporal, perna mais grossa e couro mais solto, o que já mostra que o animal tem potencial produtivo para o futuro”, relata. “Isso a gente percebe no dia a dia, e é uma satisfação ver que realmente vale a pena inseminar”, acrescenta.

Para o produtor, o melhoramento genético deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade dentro da pecuária familiar. Ele defende a ampliação do Qualigen como estratégia para elevar o padrão dos rebanhos e a renda das pequenas propriedades. “Eu não vejo outra forma de promover o melhoramento genético nas pequenas propriedades que não seja por meio da inseminação, da forma como estamos oferecendo neste projeto, que é uma inovação”, afirma. “O Qualigen é um projeto que precisa ser ampliado para alcançar cada vez mais pecuaristas familiares”, menciona.

Projeto Qualigen

O Qualigen é voltado à pecuária familiar e tem como objetivo promover o melhoramento genético dos rebanhos por meio da inseminação artificial com sêmen de alta qualidade.

A iniciativa utiliza material genético de reprodutores testados e destacados em provas de desempenho das raças taurinas Angus, Ultrablack, Hereford, Braford, Brangus e Charolês.

O projeto é desenvolvido em parceria entre a Embrapa Pecuária Sul, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetag/RS) e os Sindicatos de Trabalhadores Rurais de Caçapava do Sul, Pinheiro Machado, Alegrete e Santo Antônio da Patrulha.

Fonte: O Presente Rural com Embrapa Pecuária Sul

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Reinserção de produtores ganha corpo como alternativa para manter pecuaristas no setor

Webinar da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável debate impactos práticos, critérios adotados e desafios para ampliar a requalificação comercial no setor.

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Foto: Freepik

A reinserção de produtores na cadeia formal da carne deixou de ser apenas um conceito e já começa a mostrar efeitos práticos no campo. Esse foi o principal ponto do segundo webinar da trilha de diálogos promovida pela Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável (MBPS), realizado na última quinta-feira (29), que reuniu representantes do setor privado, do poder público e de organizações técnicas para discutir onde o processo está hoje e quais resultados já vêm sendo observados.

O debate faz parte das ações do Grupo de Trabalho de Terra da entidade e teve como foco a reinserção como um caminho intermediário para produtores que enfrentam restrições comerciais, especialmente ligadas a critérios socioambientais. A proposta não substitui a regularização ambiental de longo prazo, mas busca oferecer uma alternativa mais rápida para o retorno ao mercado formal, com regras claras e acompanhamento contínuo.

Durante o encontro, os participantes detalharam como a reinserção vem sendo estruturada na prática: definição de critérios objetivos, uso de evidências técnicas, monitoramento permanente e divisão de responsabilidades entre produtores, empresas compradoras e poder público. A avaliação é de que o modelo contribui para reduzir riscos na cadeia e apoiar o cumprimento gradual do Código Florestal.

Segundo a coordenadora técnica da MBPS, Beatriz Pressi, o processo tem mostrado ganhos para além do produtor individual. “A reinserção gera impactos positivos tanto para quem está no campo quanto para a cadeia como um todo, ao criar previsibilidade e critérios mais consistentes”, afirmou.

Representantes do setor privado apresentaram dados e experiências que indicam fortalecimento das relações comerciais com fornecedores reinseridos. Para Jay Neto, coordenador de pecuária sustentável da MBRF, o foco exclusivo na exclusão tende a fragilizar a cadeia. “Quando estruturamos caminhos de apoio ao produtor, conseguimos reduzir riscos, melhorar a governança e manter uma base de fornecimento alinhada aos compromissos socioambientais”, destacou.

Do lado do poder público, o debate reforçou a necessidade de integrar critérios ambientais com políticas de inclusão produtiva, especialmente em regiões com maior dificuldade de regularização. Para Indará Aguilar Roumiê, diretora da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas-PA), a reinserção transforma um bloqueio comercial em oportunidade. “Com acesso à informação, assistência técnica e incentivos, o produtor consegue retornar ao mercado formal, o que gera benefícios ambientais, econômicos e sociais”, avaliou.

Além das análises, o webinar trouxe exemplos concretos de produtores que retomaram a comercialização, ampliaram a previsibilidade da renda e passaram a ser mais valorizados dentro da cadeia. Entre os efeitos sistêmicos citados estão a redução de riscos socioambientais, maior consistência nos critérios de compra e avanço na governança do setor.

Para Stefannie Leffler, coordenadora do Grupo de Trabalho e gerente de produtos da Agrotools, o desafio agora é dar escala à iniciativa. “Reinserir é transformar exclusão em requalificação. Com critérios claros e acompanhamento ao longo do tempo, é possível garantir a permanência do produtor no mercado formal”, afirmou.

Como próximos passos, o grupo apontou a necessidade de ampliar a disseminação de informações, fortalecer a assistência técnica no campo, alinhar ações entre iniciativas públicas e privadas e dar maior visibilidade a casos de sucesso, para que o modelo possa ser replicado em outros territórios.

O diálogo completo está disponível no canal da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável no YouTube.

Fonte: O Presente Rural com Mesa Brasileira
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Demanda interna firme e avanço das exportações sustentam valorização do boi gordo

Levantamento do Cepea aponta que embarques de carne bovina já superam volumes registrados em janeiro do ano passado.

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Foto: Ana Maio

Em janeiro, os valores médios do boi gordo registraram apenas pequenas oscilações frente aos de dezembro/25, apontam pesquisas do Cepea. No entanto, agora em fevereiro, as médias parciais já estão acima das do mês anterior.

De acordo com pesquisadores do Cepea, ao longo de janeiro, os valores do boi gordo foram sustentados pelo bom desempenho das vendas internas e pelo expressivo avanço das externas. Ressalta-se que dados parciais da Secex apontam que as exportações brasileiras de carne in natura já superam as de janeiro do ano passado, quando os embarques haviam sido recordes para o mês.

Do lado da oferta, pesquisadores do Cepea indicam que chuvas favoreceram a recuperação de boa parte das pastagens, permitindo aos pecuaristas segurarem os animais no pasto por mais tempo.

Dessa forma, a oferta de animais permaneceu reduzida em janeiro, assim como as escalas de abate, que variaram entre 3 e 10 dias. Agora em fevereiro, compradores precisam ceder e ofertar preços mais elevados para conseguirem completar as escalas.

Fonte: Assessoria Cepea
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Polo do Leite ganha protagonismo como hub de inovação do setor lácteo no Brasil

Agência atua desde 2007 conectando ciência, startups e indústria para impulsionar tecnologia, novos negócios e competitividade na cadeia do leite e derivados.

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Foto: Divulgação

A Agência de Inovação de Leite e Derivados (Polo do Leite), criada com o suporte do Governo de Minas Gerais, vem se consolidando como uma das principais estruturas de articulação tecnológica do setor lácteo brasileiro. Com atuação iniciada em 2007, a instituição tem como foco o desenvolvimento tecnológico, econômico e social da cadeia do leite e derivados, conectando competências técnicas, científicas e empresariais para fomentar inovação e novos negócios.

Foto: Isabele Kleim

A proposta da agência é atuar de forma integrada no Sistema Agroindustrial do Leite, promovendo o desenvolvimento local, regional e nacional, com base em princípios de inclusão e sustentabilidade. Ao longo de quase duas décadas, o Polo do Leite ampliou sua presença e fortaleceu parcerias estratégicas, tornando-se referência em inovação aplicada ao setor.

Entre as principais linhas de atuação, destaca-se o modelo de Open Innovation, que promove a interlocução com a comunidade científica e tecnológica por meio de iniciativas como o Sistema InovaLácteos, a Rede Ciência, Tecnologia e Inovação em Leite e Derivados e instituições parceiras. A agência também atua na elaboração e gestão de projetos voltados a editais de fomento, junto a instituições como Finep, Fapemig, Fapesp e Faperj, além de projetos de transferência tecnológica.

Outro eixo relevante é a conexão com o ecossistema de inovação, por meio de desafios tecnológicos e da aproximação com startups, buscando soluções para gargalos reais da indústria de leite e derivados e o aumento da competitividade do setor.

Foto: Wenderson Araujo

Estrutura

A estrutura do Polo do Leite inclui ainda uma ampla rede de análises laboratoriais e parcerias institucionais, com acesso a plataformas de inovação e pesquisa vinculadas a instituições como a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal de Lavras (UFLA), Instituto de Laticínios Cândido Tostes, Embrapa Gado de Leite, Parque Tecnológico de Uberaba e FAZU.

Na área tecnológica, a agência atua no desenvolvimento de sensores e instrumentação customizada, com aplicações de Internet das Coisas (IoT) e Inteligência Artificial, voltadas às necessidades específicas da cadeia láctea.

A presença acadêmica também é um diferencial da instituição, que integra a Rede Ciência, Tecnologia e Inovação em Leite e Derivados e participa do Mestrado Profissional em Leite e Derivados, fortalecendo a formação de recursos humanos e a aplicação prática do conhecimento científico.

Núcleos de Inovação

Atualmente, o Polo do Leite conta com quatro Núcleos de Inovação, localizados em Juiz de Fora, Viçosa, Lavras e Uberaba, envolvendo 15 instituições de ciência e tecnologia. O ecossistema já contabiliza 83 startups pré-aceleradas, mais de 160 empreendedores qualificados e 26 startups incubadas.

Um dos principais instrumentos dessa atuação é o Sistema InovaLácteos (SIL), hub de inovação que reúne parceiros institucionais e

Foto: Ari Dias

tecnológicos para promover soluções inovadoras em toda a cadeia agroalimentar do leite. O objetivo é ampliar o número de empresas de base tecnológica e gerar respostas concretas aos desafios dos diferentes segmentos do setor, com foco especial na competitividade da cadeia láctea de Minas Gerais.

O SIL é executado pelo Polo do Leite em parceria com o Governo de Minas Gerais, por meio das Secretarias de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e de Desenvolvimento Econômico (Sede), com apoio da Fapemig, além de parques tecnológicos e universidades vinculadas.

Com atuação integrada entre ciência, mercado e políticas públicas, o Polo do Leite se posiciona como um elo estratégico para transformar conhecimento em inovação, reforçando o papel do Brasil na modernização e no fortalecimento sustentável da cadeia do leite e derivados.

Fonte: O Presente Rural
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