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Projeto piloto no Rio Grande do Sul antecipa nova fase da rastreabilidade bovina no Brasil

PNIB reúne produtores e frigoríficos, antecipa ajustes do chamado Sisbov 2.0 e prepara o setor para exigências do mercado internacional.

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Foto: Divulgação/Seapi

O Rio Grande do Sul deu passos concretos na implantação da rastreabilidade individual de bovinos, considerada estratégica para a manutenção da competitividade da carne brasileira no mercado internacional. O estado avança como laboratório do Programa Nacional de Identificação Individual de Bovinos (PNIB), com projeto piloto em andamento, aporte de recursos para aquisição de insumos e envolvimento direto de produtores, frigoríficos e do serviço veterinário oficial.

A iniciativa, conduzida em parceria entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul (Seapi) e o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), tem como foco preparar o setor produtivo para a transição do atual modelo de rastreabilidade em lote para a identificação individual dos animais, etapa considerada irreversível para o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina.

Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart, a adoção da identificação individual não é mais um diferencial competitivo, mas uma condição mínima para o país se manter na liderança global. “O esforço que nos trouxe até o topo não será o mesmo que vai nos manter lá. Chegar à liderança é diferente de se manter na liderança”, afirmou. Para ele, a rastreabilidade individual coloca o Brasil em igualdade de condições com grandes players do mercado, como Austrália, Estados Unidos, Canadá, Argentina e Uruguai.

O projeto piloto gaúcho já envolve dezenas de propriedades e inclui o rebanho da Embrapa Pecuária Sul. O Fundesa tem aportado recursos para a compra de brincos, extratores e outros materiais, além de apoiar a execução operacional do sistema. A expectativa é que a experiência do estado ajude a antecipar desafios técnicos, operacionais e regulatórios que devem surgir em outras regiões do país.

De acordo com o diretor do Departamento de Saúde Animal do Mapa, Marcelo Mota, o cronograma nacional prevê que, até o final de 2027, a base tecnológica do PNIB esteja pronta para uso em todo o território brasileiro. A implantação completa do sistema está prevista para ocorrer de forma gradual até 2033.

Durante os encontros com produtores e frigoríficos, foram esclarecidas dúvidas sobre a migração do atual Sisbov para o novo modelo de identificação individual, informalmente chamado de “Sisbov 2.0”. O processo exigirá revisão de normas existentes e criação de novas regras, para acomodar a realidade operacional do setor e garantir segurança jurídica e sanitária.

Para o governo gaúcho, o objetivo é construir um modelo compatível com a diversidade produtiva do estado, que reúne grande número de pequenos produtores, além de intensa movimentação de animais em exposições, feiras e remates. “Temos total interesse em desenvolver um formato que dialogue com a realidade do produtor gaúcho e que possa servir de referência nacional”, afirmou o secretário adjunto da Seapi, Márcio Madalena.

Ao final das discussões, o presidente do Fundesa, Rogério Kerber, destacou que o avanço do PNIB no estado é resultado de diálogo e cooperação entre setor público e iniciativa privada. “A tarefa é complexa e exige cuidado, dedicação e alinhamento. O mais importante é que esse processo foi iniciado de forma transparente e conjunta, o que aumenta as chances de sucesso”, salientou.

Fonte: O Presente Rural com Seapi

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Congresso Mundial Brangus reúne 13 países e destaca crescimento da raça no Brasil

Evento em Londrina (PR) integra genética, mercado e visitas técnicas em diferentes sistemas de produção.

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Fotos: Grafaels/Divulgação

A abertura do Congresso Mundial Brangus foi realizada na quarta-feira (18), no Parque de Exposições Governador Ney Braga, em Londrina, reunindo delegações de 13 países, criadores e técnicos de diversas regiões do país. O encontro é organizado pela Associação Brasileira de Brangus e marca uma das maiores edições do evento.

Segundo o presidente da entidade, João Paulo Schneider da Silva, sediar o congresso representa um marco para a raça no país. Ele destacou a responsabilidade de receber delegações internacionais e a consolidação do Brangus no cenário pecuário brasileiro.

O presidente do congresso, Ladislau Lancsarics, afirmou que a edição atual se diferencia pelo volume de participantes estrangeiros e pela qualidade dos animais apresentados. A programação inclui visitas técnicas em propriedades distribuídas por diferentes biomas, com foco na adaptação da raça a distintos sistemas produtivos.

Expansão da raça

O diretor Sebastião Garcia Neto destacou que o evento foi estruturado para integrar conteúdo técnico e oportunidades comerciais, com julgamentos, fóruns e leilões ao longo da programação.

A associação registra atualmente 357 sócios, com crescimento de 43% no último ano. A raça está presente em 18 estados brasileiros e soma cerca de 580 mil registros. No mercado de genética, o Brangus ocupa a terceira posição em venda de sêmen no país, com mais de 870 mil doses comercializadas em 2024.

A abertura contou ainda com a participação de autoridades locais e estaduais. O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Marcelo Janene El-Kadre, destacou a articulação entre entidades do setor para viabilizar o evento. O prefeito Thiago Amaral ressaltou a ligação histórica do município com a produção agropecuária.

Representando o governo estadual, o secretário da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Marcio Nunes, afirmou que a raça tem ganhado espaço pela precocidade, adaptação e desempenho produtivo.

Programação inclui visitas técnicas em três estados

Antes da abertura oficial, o congresso promoveu seis giras técnicas desde 12 de março, com visitas a propriedades no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. As atividades reuniram mais de 1,6 mil participantes, que acompanharam diferentes modelos de produção com a raça.

Após a etapa em Londrina, a programação segue com visitas a fazendas nos dias 22, 24 e 25 de março, além de julgamentos de animais e leilões, consolidando o evento como vitrine da genética Brangus no país.

Fonte: O Presente Rural com Associação Brasileira de Brangus
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ABCZ tem contas de 2025 reprovadas por associados em AGO

Votação ocorreu em Uberaba (MG) e seguiu normas estatutárias, sem imputação direta de responsabilidade.

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Foto: Divulgação/ABCZ

Os associados da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) reprovaram as contas da entidade referente ao ano de 2025, período liderado pelo ex-presidente Gabriel Garcia Cid (gestão 2023-2025). A votação ocorreu na quarta-feira (18), durante Assembleia Geral Ordinária, em Uberaba (MG).

Com a presença de associados, conselheiros e diretores, o ex-presidente prestou conta de sua gestão e, em seguida, o Conselho Fiscal apresentou o seu Parecer exarado após exame do balanço e demonstrações financeiras do exercício anterior, no qual recomendava a aprovação com ressalvas das contas de 2025.

Após as manifestações dos presentes, a Assembleia deliberou, por maioria, pela reprovação das contas de 2025, nos termos das normas estatutárias da entidade.

A ABCZ ressalta que a reprovação das contas não representa, por si só, imputação de responsabilidade ou acusação a quaisquer pessoas, tratando-se de deliberação de natureza técnica e institucional, pautada no cumprimento das normas contábeis e estatutárias aplicáveis. A medida reflete o compromisso dos associados com a transparência, a governança e a adequada gestão do patrimônio da entidade.

Fonte: Assessoria ABCZ
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Nova regra europeia eleva exigências para exportação de carne bovina da Amazônia Legal

Estudo analisou 15 plantas frigoríficas em Mato Grosso e indica desafios no monitoramento de fornecedores indiretos.

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Fotos: Shutterstock

Um levantamento do Radar Verde indica que as novas exigências da União Europeia devem ampliar a necessidade de rastreabilidade nas cadeias de fornecimento de carne bovina exportadas pelo Brasil. A análise, que avaliou plantas frigoríficas da Amazônia Legal habilitadas a exportar para esse mercado, aponta limitações na capacidade de demonstrar, com evidências públicas, o controle socioambiental ao longo da cadeia, especialmente no que se refere aos fornecedores indiretos.

O estudo avaliou 15 plantas frigoríficas pertencentes a oito empresas, todas localizadas em Mato Grosso e habilitadas a exportar para o mercado europeu em 2025. Juntas, essas unidades possuem capacidade de abate de 11.250 animais por dia. Segundo a análise, 13 unidades apresentam baixo nível de controle e duas apresentam controle muito baixo da cadeia, de acordo com os critérios do Radar Verde.

O estudo aponta que, dentro das zonas potenciais de compra de gado dessas plantas, a exposição a áreas com risco de novo desmatamento varia de 31 mil a 2,8 milhões de hectares. A pesquisa identificou, ainda, que 12 plantas frigoríficas demonstram alto nível de controle sobre fornecedores diretos, que são as fazendas que vendem animais diretamente às indústrias.

No entanto, nenhuma empresa apresentou evidências robustas, como auditorias independentes, de monitoramento de fornecedores indiretos, que são as fazendas onde o gado nasce ou é criado antes da fase final de engorda.

De acordo com a análise, essa lacuna pode permitir a circulação de animais por propriedades intermediárias antes da venda às plantas frigoríficas, o que dificulta a rastreabilidade completa da origem da produção.

O relatório também analisa iniciativas brasileiras voltadas à rastreabilidade da cadeia da carne, incluindo plataformas públicas e programas nacionais de identificação animal. Segundo o estudo, embora existam avanços institucionais, nenhuma dessas iniciativas oferece atualmente uma solução completa e imediata para atender às exigências da regulamentação europeia, especialmente no monitoramento de fornecedores indiretos.

Regulamentação europeia exigirá rastreabilidade completa

A União Europeia está adotando novas regras para impedir a entrada de produtos associados ao desmatamento em seu mercado. A chamada Regulamentação Europeia contra o Desmatamento (EUDR) exigirá que empresas comprovem, com dados e geolocalização, que commodities como carne bovina não foram produzidas em áreas desmatadas.

A norma deverá entrar em vigor a partir de 30 de dezembro de 2026 para grandes empresas e de 30 de junho de 2027 para pequenas e microempresas, exigindo sistemas de rastreabilidade capazes de identificar todas as propriedades por onde o gado passou ao longo da cadeia produtiva.

Embora represente uma parcela menor das exportações brasileiras de carne bovina, a União Europeia vem ganhando importância como destino comercial. Em 2025, o bloco importou 128,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, movimentando cerca de US$ 1,06 bilhão e registrando crescimento de 132,8% em relação a 2024.

Nesse contexto, o relatório destaca que o acesso ao mercado europeu tende a depender cada vez mais da capacidade das empresas de demonstrar, com evidências verificáveis, cadeias de fornecimento livres de desmatamento.

Recomendações da análise

O estudo aponta caminhos para avançar na rastreabilidade da cadeia da carne bovina, com foco na integração de bases de dados já existentes, como os registros de movimentação de gado (GTA), os cadastros de propriedades rurais (CAR) e informações sobre desmatamento e áreas embargadas.

Segundo a análise, essa integração pode ampliar a visibilidade sobre a movimentação de gado ao longo da cadeia e contribuir para atender às exigências do mercado internacional.

A análise completa está disponível no site do Radar Verde, em Radar Verde – Análise de exportações de carne bovina para a União Europeia.

Fonte: Assessoria O mundo que queremos
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