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Projeto inspirado em lavouras promete aumentar em até 10 vezes a produção de carne por hectare

Idealizado para transformar a forma de produzir proteína animal, promete entregar até 50 arrobas por hectare ao ano, elevando a produtividade a patamares inéditos e quase inimagináveis na atividade.

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Fotos: Shutterstock

O agronegócio tem sido palco de inovações que desafiam os paradigmas da pecuária tradicional. Em um cenário de margens cada vez mais reduzidas, surge uma proposta ousada: aumentar em até 10 vezes a produção de carne por hectare. O projeto Lavoura de Carne, idealizado para transformar a forma de produzir proteína animal, promete entregar até 50 arrobas por hectare ao ano, elevando a produtividade a patamares inéditos e quase inimagináveis na atividade.

O responsável por apresentar a iniciativa, o médico-veterinário Rogério Semchechem, consultor técnico comercial da DSM, destaca que o programa se inspira nos princípios da agricultura de precisão. Segundo ele, o programa Lavoura de Carne é pautado em uma base que conduz todo o processo para alcançar os resultados. “O objetivo é trabalhar o conceito de lavoura de carne exatamente da mesma forma que temos a agricultura de precisão em uma lavoura de grandes culturas, como soja e milho. É preciso fazer análise de solo, trabalhar com toda a adubação, fazer a correção que o solo precisa de acordo com o que a lavoura de pasto vai necessitar. O principal conceito da lavoura de carne é trabalhar no mesmo molde de agricultura de precisão”, aponta.

O projeto se estrutura em três etapas fundamentais para garantir os resultados expressivos. A primeira fase envolve a implementação da pastagem, combinando adubação, seleção criteriosa de forrageiras e o uso estratégico de ureia para manter a qualidade e produtividade da área. “Ela é baseada em três etapas fundamentais que a gente considera. A primeira é a implementação da pastagem, que engloba adubação, escolha da pastagem, escolha da forrageira, uso de semente de qualidade e utilização de ureia para gente conseguir ter uma manutenção e maior produtividade dessa lavoura de pasto”, explica Semchechem.

Na sequência, a suplementação correta dos animais é ressaltada como ponto decisivo para potencializar o desempenho do rebanho. “A segunda etapa é ter uma suplementação correta, utilizando produtos com tecnologias, como suplementos. O programa Lavoura de Carne pode ser encaixado com vários tipos de suplemento, a depender do objetivo traçado pelo pecuarista. É um projeto personalizável, que leva em conta cada região, cada característica do pecuarista”, menciona. Essa flexibilidade permite a adaptação do programa às diversas realidades do campo.

O monitoramento dos resultados compõe a terceira etapa e é considerado um dos pilares do projeto. “A terceira etapa e um dos pontos fundamentais também do projeto é o monitoramento de resultado, onde queremos observar que esses pecuaristas que utilizam o projeto produzam de 10 a 20 vezes mais que a pecuária tradicional. A pecuária tradicional produz de 3 a 5 arrobas por hectare por ano. Pecuaristas que trabalham com o projeto Lavoura de Carne produzem até 50 arrobas por hectare por ano, variando de 30 a 50 arrobas em 12 meses. O grande benefício é o aumento significativo da produtividade”, garante o médico veterinário.

Custos

Médico-veterinário Rogério Semchechem: “A nível nacional a gente tem uma média de 20 a 30% de eficiência de pastejo. Com o projeto Lavoura de Carne, um manejo bem definido, a gente consegue chegar a valores de 60%” – Foto: Giuliano De Luca/OP Rural

Apesar do resultado potencial, Rogério explica que os custos para a implementação do projeto são mais elevados em relação a lavouras com menos tecnologia. No entanto, além do incremento na produção, o projeto também busca otimizar os custos através do aumento da taxa de lotação e da eficiência do pastejo. “A Lavoura de Carne está relacionada com o aumento de investimento, porém com uma maior taxa de lotação e maior desempenho, esse custo maior é diluído. A gente tem dois fatores: o aumento da taxa de lotação e o aumento do desempenho. Isso está muito correlacionado com a forragem escolhida. Se é uma forragem que oferece maior quantidade e maior qualidade, os animais têm mais forragem para consumir e você consegue aumentar o número de animais, que é aumento da taxa de lotação”, detalha o especialista. Ele também ressalta a melhoria na eficiência do pastejo, que pode dobrar a média nacional, atingindo valores de até 60%. “Um outro ponto que a gente trabalha bastante no projeto Lavoura de Carne para o aumento da taxa de lotação é melhorando a eficiência de pastejo dos animais na pastagem. A nível nacional a gente tem uma média de 20 a 30% de eficiência de pastejo. Com o projeto Lavoura de Carne, um manejo bem definido, a gente consegue chegar a valores de 60%, que parece pouco, mas é dobrar o que a gente tem de média nacional. Então a gente consegue colher essa forragem de forma muito mais eficiente, sem deixar resíduo pra trás que poderia ser consumido naquele momento e sem ter desperdício de pastagem”, amplia.

Margens de lucro

Em um contexto de desafios econômicos, a busca por soluções inovadoras se torna indispensável para manter a rentabilidade das propriedades. “A gente vê que em toda a atividade pecuária, ano a ano, as margens estão reduzindo e ficando mais apertadas. O produtor precisa melhorar a sua produtividade para manter o mesmo resultado financeiro, a mesma lucratividade, já que suas margens vêm diminuindo. Os pecuaristas têm aceitado muito bem a ideia do projeto e estão vindo procurar a tecnologia para aumentar a lucratividade. Grande parte dos nossos produtores, além de pecuaristas, são agricultores. E a atividade pecuária mantém uma estabilidade de receita dentro da propriedade. Porém, essa estabilidade de receita tem que vir acompanhada com mais lucratividade”, conclui Rogério Semchechem.

O acesso à edição digital do Bovinos, Grãos & Máquinas é gratuito. Para ler a versão completa on-line, basta clicar aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China

Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

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Foto: Maurílio Fernandes de Oliveira

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock

O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.

“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa

Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.

Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais

Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

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Foto: Shutterstock

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.

Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.

O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.

Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso

Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.

Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.

Economia cresce, mas desafios permanecem

A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.

A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.

Cenário internacional exige atenção

As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.

Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.

Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.

Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.

Logística reversa preocupa empresas

Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.

Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.

Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação

A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.

Fonte: Assessoria Asbram
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos

Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

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Foto: Shutterstock

A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

Foto: Shutterstock

O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.

Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.

Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

Foto: Shutterstock

incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.

Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário

Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

Foto: Shutterstock

O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.

Cinco produtos representam mais de um terço das exportações

Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.

A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.

Fonte: O Presente Rural
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