Bovinos / Grãos / Máquinas
Projeto inspirado em lavouras promete aumentar em até 10 vezes a produção de carne por hectare
Idealizado para transformar a forma de produzir proteína animal, promete entregar até 50 arrobas por hectare ao ano, elevando a produtividade a patamares inéditos e quase inimagináveis na atividade.

O agronegócio tem sido palco de inovações que desafiam os paradigmas da pecuária tradicional. Em um cenário de margens cada vez mais reduzidas, surge uma proposta ousada: aumentar em até 10 vezes a produção de carne por hectare. O projeto Lavoura de Carne, idealizado para transformar a forma de produzir proteína animal, promete entregar até 50 arrobas por hectare ao ano, elevando a produtividade a patamares inéditos e quase inimagináveis na atividade.
O responsável por apresentar a iniciativa, o médico-veterinário Rogério Semchechem, consultor técnico comercial da DSM, destaca que o programa se inspira nos princípios da agricultura de precisão. Segundo ele, o programa Lavoura de Carne é pautado em uma base que conduz todo o processo para alcançar os resultados. “O objetivo é trabalhar o conceito de lavoura de carne exatamente da mesma forma que temos a agricultura de precisão em uma lavoura de grandes culturas, como soja e milho. É preciso fazer análise de solo, trabalhar com toda a adubação, fazer a correção que o solo precisa de acordo com o que a lavoura de pasto vai necessitar. O principal conceito da lavoura de carne é trabalhar no mesmo molde de agricultura de precisão”, aponta.
O projeto se estrutura em três etapas fundamentais para garantir os resultados expressivos. A primeira fase envolve a implementação da pastagem, combinando adubação, seleção criteriosa de forrageiras e o uso estratégico de ureia para manter a qualidade e produtividade da área. “Ela é baseada em três etapas fundamentais que a gente considera. A primeira é a implementação da pastagem, que engloba adubação, escolha da pastagem, escolha da forrageira, uso de semente de qualidade e utilização de ureia para gente conseguir ter uma manutenção e maior produtividade dessa lavoura de pasto”, explica Semchechem.

Na sequência, a suplementação correta dos animais é ressaltada como ponto decisivo para potencializar o desempenho do rebanho. “A segunda etapa é ter uma suplementação correta, utilizando produtos com tecnologias, como suplementos. O programa Lavoura de Carne pode ser encaixado com vários tipos de suplemento, a depender do objetivo traçado pelo pecuarista. É um projeto personalizável, que leva em conta cada região, cada característica do pecuarista”, menciona. Essa flexibilidade permite a adaptação do programa às diversas realidades do campo.
O monitoramento dos resultados compõe a terceira etapa e é considerado um dos pilares do projeto. “A terceira etapa e um dos pontos fundamentais também do projeto é o monitoramento de resultado, onde queremos observar que esses pecuaristas que utilizam o projeto produzam de 10 a 20 vezes mais que a pecuária tradicional. A pecuária tradicional produz de 3 a 5 arrobas por hectare por ano. Pecuaristas que trabalham com o projeto Lavoura de Carne produzem até 50 arrobas por hectare por ano, variando de 30 a 50 arrobas em 12 meses. O grande benefício é o aumento significativo da produtividade”, garante o médico veterinário.
Custos

Médico-veterinário Rogério Semchechem: “A nível nacional a gente tem uma média de 20 a 30% de eficiência de pastejo. Com o projeto Lavoura de Carne, um manejo bem definido, a gente consegue chegar a valores de 60%” – Foto: Giuliano De Luca/OP Rural
Apesar do resultado potencial, Rogério explica que os custos para a implementação do projeto são mais elevados em relação a lavouras com menos tecnologia. No entanto, além do incremento na produção, o projeto também busca otimizar os custos através do aumento da taxa de lotação e da eficiência do pastejo. “A Lavoura de Carne está relacionada com o aumento de investimento, porém com uma maior taxa de lotação e maior desempenho, esse custo maior é diluído. A gente tem dois fatores: o aumento da taxa de lotação e o aumento do desempenho. Isso está muito correlacionado com a forragem escolhida. Se é uma forragem que oferece maior quantidade e maior qualidade, os animais têm mais forragem para consumir e você consegue aumentar o número de animais, que é aumento da taxa de lotação”, detalha o especialista. Ele também ressalta a melhoria na eficiência do pastejo, que pode dobrar a média nacional, atingindo valores de até 60%. “Um outro ponto que a gente trabalha bastante no projeto Lavoura de Carne para o aumento da taxa de lotação é melhorando a eficiência de pastejo dos animais na pastagem. A nível nacional a gente tem uma média de 20 a 30% de eficiência de pastejo. Com o projeto Lavoura de Carne, um manejo bem definido, a gente consegue chegar a valores de 60%, que parece pouco, mas é dobrar o que a gente tem de média nacional. Então a gente consegue colher essa forragem de forma muito mais eficiente, sem deixar resíduo pra trás que poderia ser consumido naquele momento e sem ter desperdício de pastagem”, amplia.
Margens de lucro
Em um contexto de desafios econômicos, a busca por soluções inovadoras se torna indispensável para manter a rentabilidade das propriedades. “A gente vê que em toda a atividade pecuária, ano a ano, as margens estão reduzindo e ficando mais apertadas. O produtor precisa melhorar a sua produtividade para manter o mesmo resultado financeiro, a mesma lucratividade, já que suas margens vêm diminuindo. Os pecuaristas têm aceitado muito bem a ideia do projeto e estão vindo procurar a tecnologia para aumentar a lucratividade. Grande parte dos nossos produtores, além de pecuaristas, são agricultores. E a atividade pecuária mantém uma estabilidade de receita dentro da propriedade. Porém, essa estabilidade de receita tem que vir acompanhada com mais lucratividade”, conclui Rogério Semchechem.
O acesso à edição digital do Bovinos, Grãos & Máquinas é gratuito. Para ler a versão completa on-line, basta clicar aqui. Boa leitura!

Bovinos / Grãos / Máquinas
Leite A2 chega gratuitamente à população e melhora qualidade de vida no interior paulista
Projeto pioneiro beneficia cinco mil moradores em Novo Horizonte e amplia acesso a alimento de melhor digestibilidade.

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, por meio do Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), foi parte determinante para que a cidade de Novo Horizonte, localizada no interior paulista, distribuísse, gratuitamente, leite do tipo A2 para a população. De acordo com os dados do município, o projeto pioneiro no Estado já beneficiou cerca de 5 mil habitantes, com o fornecimento de mais de 13 mil litros de leite.
Esta variedade é recomendada às pessoas que sofrem com desconforto gastrointestinal ao ingerir a bebida e derivados. Pioneiro na identificação do leite A2 no país, o laboratório de Genética e Biotecnologia do IZ realiza análises que garantem a pureza, possibilitando sua certificação e garantindo mais segurança ao consumidor.
“A parceria foi fundamental para consolidar o que nós temos em Novo Horizonte. O Instituto disponibilizou o espaço (Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento de Genética e Biotecnologia do IZ) para realizar os exames nas vacas e identificá-las como A1 e A2, além de realizar a aferição da qualidade e pureza do leite A2”, relatou o prefeito da cidade, Fabiano Belentani.

Pesquisador do Instituto de Zootecnia, Anibal Eugênio Vercesi Filho: “Em alguns indivíduos, a BCM-7 é considerada fator de risco, pois pode afetar o processo digestivo e desencadear a inflamação das mucosas gástrica e intestinal” – Foto: Divulgação/IZ-APTA
Inicialmente, o projeto beneficiou os alunos matriculados na rede de ensino municipal e depois se expandiu para os demais setores, como unidades de saúde e postos de assistência social. “Nós fornecemos o alimento na merenda escolar, na saúde para pacientes crônicos e idosos e também na assistência social”, comenta o prefeito.
Como é o caso da senhora Fátima Aparecida, beneficiada com a distribuição do leite A2 no município. Há cinco anos, ela precisou passar por uma cirurgia delicada por conta de um câncer de intestino. Depois do procedimento, Fátima até tentou o consumo da bebida, e somente com o A2 foi possível a ingestão sem ocasionar qualquer desconforto intestinal. “Eu tinha tomado vários tipos de leite, e nenhum deu certo. Até chegar o A2, que foi muito bom para mim, porque, se eu tomo, de fato, não acontece nada: não tenho diarreia, cólica, nem nada”, relata.
Variedade do leite A2
Estimativas apontam que parte dos brasileiros tem algum tipo de problema intestinal com o consumo de leite. O pesquisador Aníbal Eugênio Vercesi Filho, diretor da Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento de Genética e Biotecnologia do IZ, ressalta que, durante a digestão do leite que contém beta-caseína A1, se forma um peptídeo, a beta-casomorfina 7 (BCM-7), e isso pode inflamar o intestino. “Em alguns indivíduos, a BCM-7 é considerada fator de risco, pois pode afetar o processo digestivo e desencadear a inflamação das mucosas gástrica e intestinal, causando sintomas como inchaço, gases, dor abdominal e diarreia. Este peptídeo não é formado com a digestão do leite A2”, menciona.
A nutricionista da Diretoria de Segurança Alimentar da SAA, Sizele Rodrigues, explica que esse problema é muito comum logo nos primeiros anos de vida. “A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é o tipo de alergia alimentar mais comum em crianças até três anos de idade e é caracterizada pela reação do sistema imunológico às proteínas do leite, principalmente à caseína e às proteínas do soro”, aponta.
Sizele ainda ressalta que pesquisas realizadas sobre esta variedade trouxeram resultados positivos, mas é fundamental manter a constância para novas descobertas e confirmações. “Alguns estudos já sugerem diversos benefícios na troca do consumo do leite comum pelo A2, que pode fortalecer a imunidade e evitar o aumento da inflamação e dos problemas gástricos. Esse tipo de leite pode sim ser uma alternativa para pessoas com maior sensibilidade no sistema digestivo, por ser notoriamente de mais fácil digestão”, expõe.
Investimento na Pecuária Paulista de Leite
Com a finalidade de apoiar o desenvolvimento da pecuária leiteira paulista, por meio da modernização de técnicas de manejo e da adoção de tecnologias de produção, a Secretaria de Agricultura, por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio (FEAP), mantém a linha de crédito Leite Agro SP.
Em 2025, mais de 60 produtores foram beneficiados pela linha. “A linha representa uma oportunidade para o produtor modernizar sua atividade, melhorar a qualidade do leite e reduzir custos de produção. Com crédito acessível, em condições diferenciadas, o produtor consegue investir em genética, nutrição e infraestrutura, garantindo mais produtividade e competitividade. É o apoio direto do Governo, por meio da SAA, para fortalecer a pecuária leiteira no Estado e assegurar o sustento das famílias no campo”, destaca o secretário executivo do FEAP, Felipe Alves.
Além da linha de financiamento para o produtor, a SAA também possui uma iniciativa que permite ao poder público estadual adquirir produtos diretamente de agricultores familiares, por meio de suas cooperativas: o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS). O leite está entre os produtos que integram o programa. Somente este ano, foram mais de R$ 53 milhões em compras públicas da agricultura familiar.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Agro goiano fecha safra 2024/25 com recordes em grãos e pecuária
Produção atinge 37,3 milhões de toneladas e exportações crescem para 166 países.

Goiás encerra a safra 2024/25 com resultados históricos na produção de grãos e avanços consistentes nas cadeias pecuárias. Dados da Plataforma Aroeira da Secretária de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e do Ministério de Agricultura e Pecuária (Mapa), indicam recordes de produção, ganhos de produtividade e fortalecimento das exportações. A produção total de grãos em Goiás alcançou 37,3 milhões de toneladas na safra 2024/25, o maior volume da série histórica, com crescimento de 23,3% em relação ao ciclo anterior.
Os resultados da última safra refletem um conjunto de medidas de manejo e investimento, voltadas ao fortalecimento das cadeias produtivas, ao uso de tecnologia no campo e à ampliação da competitividade do agro goiano, destaca o titular da Seapa, Pedro Leonardo Rezende. “Os recordes de produção, os ganhos de produtividade e o avanço das exportações mostram um setor estruturado, com capacidade de crescer de forma consistente e sustentável, além de demonstrar a qualidade do produto goiano nos mercados internacionais”, afirma.
Desempenho da agricultura

Foto: Shutterstock
O aumento da produção e produtividade da safra de grãos 2024/25 resultou em recorde absoluto da colheita de soja, com produção de 20,7 milhões de toneladas, crescimento de 23,0% em relação ao ciclo anterior e liderança nacional em produtividade. A média estadual alcançou 4,2 toneladas por hectare, avanço de 20,0%. Para a safra 2025/26, a previsão indica uma área plantada de 5,1 milhões de hectares.
O milho também apresentou desempenho histórico, com produção de 14,2 milhões de toneladas, crescimento de 25,9% e produtividade média de 7,2 toneladas por hectare, aumento de 11,3%. Para a safra 2025/26, a estimativa aponta produtividade média de 6,9 toneladas por hectare, com área de 2,0 milhões de hectares.
No sorgo, Goiás manteve a liderança nacional, com produção de 1,5 milhão de toneladas, crescimento de 18,6%, expansão de 2,6% na área plantada e aumento de 15,6% na produtividade. Para a safra 2025/26, a produção estimada é de 1,6 milhão de toneladas, em área de 438,1 mil hectares, com produtividade média de 3,9 toneladas por hectare.
O feijão alcançou o melhor resultado desde a safra 2020/21, com produção de 289,9 mil toneladas, crescimento de 5,6% e produtividade média de 2,4 toneladas por hectare. Para a safra 2025/26, a previsão é de produção de 285,2 mil toneladas, em área de 113,4 mil hectares, com produtividade média de 2,5 toneladas por hectare.
Esse movimento de diversificação mantém Goiás na liderança nacional da produção e da área plantada de girassol. Na safra 2024/25, a produção alcançou 74,2 mil toneladas, em área de 47,0 mil hectares, com produtividade média de 1,5 tonelada por hectare. Para a safra 2025/26, a previsão é de manutenção desses patamares, preservando a liderança goiana na produção da oleaginosa.
Cadeias pecuárias
Em 2025, os resultados se mantiveram sólidos na pecuária, com avanços consistentes nas principais atividades produtivas do estado. O Valor Bruto da Produção (VBP) da pecuária bovina atingiu R$ 20,8 bilhões, o maior da série histórica, posicionando Goiás como o terceiro maior estado no ranking nacional. O resultado representa crescimento de 20,4% em relação a 2024 e expansão de 61,0% na última década, com participação de 9,9% no VBP nacional.
Na avicultura, a atividade está presente em 100% dos municípios goianos, com evolução contínua em escala, produtividade e qualidade. Rio Verde se destaca com 11,3 milhões de cabeças, ocupando a sétima posição nacional, enquanto Itaberaí registra 9,2 milhões de cabeças, na décima posição do país.
Comércio internacional
O desempenho do agro goiano também se refletiu no mercado exterior. Entre janeiro e novembro de 2025, o valor acumulado das exportações da agropecuária goiana alcançou R$ 10,4 bilhões, crescimento de 7,6% em relação ao mesmo período de 2024. No mesmo intervalo, o volume exportado chegou a 21,2 milhões de toneladas, aumento de 14,3%. Os produtos do agro goiano foram comercializados a 166 países, com destaque para China, Estados Unidos, Irã e México entre os principais destinos. Os complexos da soja, da carne bovina, dos cereais e complexo sucroalcooleiro concentraram a maior participação nas exportações do período.
Bovinos / Grãos / Máquinas
ACNB divulga calendário das exposições Ouro dos Rankings Nelore 2025/2026
Eventos obrigatórios para os rankings nacionais ocorrerão entre fevereiro e outubro de 2026 em seis estados e devem reunir mais criadores e animais, com foco na evolução genética e no rigor técnico das avaliações.

A Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) anuncia o cronograma das exposições Ouro da edição 2025/2026 dos Rankings Nacionais Nelore, Nelore Mocho e Nelore Pelagens. De participação obrigatória para os criadores que concorrem às classificações nacionais, os eventos ocorrerão entre fevereiro e outubro de 2026 em Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo. São elas:
Ranking Nacional Nelore: abril, em Londrina (PR) ou, em caso de impedimento, em março, em Avaré (SP). Na sequência, estão programadas exposições em Rio Verde (GO), em julho; Vila Velha (ES), em agosto; e em São José do Rio Preto (SP), em outubro.
Ranking Nacional Nelore Mocho: fevereiro, durante a Expoinel Minas, em Uberaba (MG). As etapas seguintes acontecem em Rio Verde (GO), em julho; Vila Velha (ES), em agosto; e São José do Rio Preto (SP), em outubro.
Ranking Nacional Nelore Pelagens também Expoinel Minas, em Uberaba (MG), em fevereiro. O calendário segue por Dourados (MS), em maio; Rio Verde (GO), em julho; e São José do Rio Preto (SP), em outubro.
“O Ranking Nacional 2025/2026 foi estruturado para garantir ainda mais consistência técnica e representatividade. As exposições Ouro são obrigatórias para os criatórios que lideram a evolução genética do Nelore”, destaca Victor Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil.
Os julgamentos das exposições Ouro serão conduzidos por comissões julgadoras tríplices, indicadas pela Diretoria da ACNB.
A expectativa da ACNB é de crescimento do número de expositores e de animais participantes do Ranking Nacional 2025-2026. Na edição 2024/2025, os três rankings nacionais registraram crescimento de participação e elevação do nível técnico. “Esse desempenho cria uma base sólida para o próximo ciclo e amplia a responsabilidade técnica dos rankings. A edição 2025/2026 tende a ser ainda mais competitiva e criteriosa, com maior profundidade de avaliação e participação qualificada dos criadores. Os rankings nacionais refletem não apenas resultados de pista, mas um processo contínuo de evolução genética, planejamento e consistência produtiva que vem sendo construído ao longo dos anos”, complementa Fernando Barros, diretor técnico da ACNB.



