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Projeto ajudará a definir legislação e tecnologias para destinação de animais mortos

Para auxiliar produtores e órgãos regulamentadores, a Embrapa Suínos e Aves (SC) tem atuado na avaliação de algumas práticas e tecnologias apontadas como rotas tecnológicas, como a compostagem acelerada, a biodigestão anaeróbia, a desidratação,

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Um problema que afeta a maioria das propriedades rurais produtoras de suínos, aves e bovinos é a destinação de carcaças de animais que morrem por causas rotineiras ou catastróficas. A preocupação se deve especialmente à falta de uma regulamentação específica para a remoção e destinação que atenda os aspectos sanitários, ambientais e econômicos. 

Para auxiliar produtores e órgãos regulamentadores, a Embrapa Suínos e Aves (SC) tem atuado na avaliação de algumas práticas e tecnologias apontadas como rotas tecnológicas, como a compostagem acelerada, a biodigestão anaeróbia, a desidratação, a incineração e a reciclagem industrial de carcaças (rendering) para a produção de farinhas, gorduras, fertilizantes e outros coprodutos de valor agregado. No entanto, essas rotas tecnológicas necessitam de uma validação para que possam ser indicadas oficialmente pelos órgãos regulamentadores.

A avaliação das rotas é realizada no âmbito do projeto Tecnologias para destinação de carcaças (TEC-DAM), que conta com a participação da Embrapa Gado de Leite (MG) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
 

Biosseguridade e análise de risco são fatores essenciais 

Há duas estratégias para a correta destinação de animais mortos: o tratamento dentro do estabelecimento agropecuário ou a remoção para centrais de tratamento. Em ambos os casos, é necessário avaliar o cenário e as condições em que a morte ocorreu, lembrando que óbito de animais por doenças de notificação obrigatória deve ser comunicada ao Serviço Veterinário Oficial do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). 

Ao tratar o problema dentro do estabelecimento agropecuário, o produtor pode optar pelas soluções tecnológicas já mencionadas, as quais estão sendo validadas pelo projeto. Por outro lado, a estratégia de remoção ainda carece de regulamentação específica no Brasil. Atualmente, este tema é objeto de um Grupo de Trabalho instituído pelo Mapa com participação da Embrapa (Portaria N.º 216/2016) e do Projeto de Lei N.º 5.851/2016 que tramita na Câmara dos Deputados.

A opção pela remoção dos animais mortos deve ser feita de maneira criteriosa, seguindo recomendações de biosseguridade, oficialmente legalizadas e regulamentadas, com rastreabilidade acompanhada pelo Serviço Veterinário Oficial. “Caso o processo ocorra de forma incorreta pode causar impactos negativos, tanto na disseminação de enfermidades nos rebanhos, quanto fechar as portas para o mercado exportador”, destaca o pesquisador da Embrapa Nelson Morés, integrante do projeto TEC-DAM.  

Por outro lado, se feita de maneira correta, a remoção pode trazer impactos positivos para as cadeias produtivas, com benefícios econômicos, ao meio ambiente e aos trabalhadores nas propriedades. “A regulamentação da coleta e transporte de animais mortos pode gerar ganhos de escala nos processos de tratamento disponíveis para aplicação dentro da porteira quando utilizados em centrais de tratamento, como unidades regionais de compostagem, usinas de biogás, fábrica de fertilizantes orgânicos e organominerais”, explica o cientista.

O projeto TEC-DAM prevê também análise de risco, ferramenta importante utilizada pela epidemiologia veterinária para identificar e quantificar riscos de processos ou de sistemas de produção para uma ou diversas doenças infecciosas. O uso dessa ferramenta possibilitará aos gestores públicos e privados a tomada de decisão com maior segurança e melhor conhecimento dos riscos do processo de destinação de animais mortos fora das propriedades. Além de considerar os riscos do processo de remoção e transporte, o estudo envolverá também análise de risco no processo de produção de farinhas e gorduras para nutrição animal. 

A equipe do projeto está elaborando uma proposta de critérios mínimos para mitigar riscos de contaminação e disseminação de agentes infecciosos em granjas de suínos para abate, com impactos positivos para a biosseguridade geral das granjas. Assim, serão criadas as condições mínimas necessárias para a implementação de estratégias de coleta e transporte de animais mortos, caso venham a ser regulamentadas pelos órgãos oficiais.
 

Opções

Durante muitos anos, a compostagem foi a única tecnologia recomendada oficialmente no Brasil como destinação das carcaças. “Entretanto, com o crescimento da escala de produção, essa prática se mostrou insuficiente para absorver todo o volume de carcaças e garantir o manejo adequado desses resíduos. Com isso ocorreram outros tipos de descartes, resultando em problemas ambientais e trabalhistas”, conta Krabbe. 

A avaliação das tecnologias está sendo realizada considerando os diferentes tipos de público, de acordo com a escala de produção. Para pequenas escalas de produção, os pesquisadores chegaram ao consenso de que a compostagem tradicional, em leiras ou células de compostagem, é uma rota tecnológica segura, eficiente e de baixo custo de instalação e operação. No entanto, devem ser operadas em local apropriado dentro da propriedade rural. 

“Estamos trabalhando para validar as boas práticas de manejo de composteiras com o intuito de reduzir a mão de obra, a exposição dos trabalhadores a esse tipo de resíduo e também melhorar o processo de compostagem para a redução de patógenos”, ressalta o pesquisador.

Ele cita que entre as inovações avaliadas estão a compostagem de carcaças inteiras de bovinos e equipamentos de trituração de carcaças, buscando novas soluções para os pequenos produtores com animais de médio e grande porte. Outro trabalho que a equipe pretende disponibilizar ainda no primeiro semestre de 2017 é a calculadora para dimensionamento e formulação das unidades de compostagem, visando auxiliar produtores e técnicos no planejamento da propriedade rural.
 

Larga escala

Para escalas de produção maiores, outras soluções tecnológicas já estão sendo validadas pela equipe para ser implantadas e operadas dentro dos limites da propriedade rural, destacando-se a compostagem acelerada, a desidratação e a biodigestão anaeróbia.

A compostagem acelerada é o mesmo processo de compostagem que ocorre no sistema tradicional (em leiras), mas realizado por equipamentos que possibilitam maior controle de processo (temperatura, umidade e aeração). Quando operado conforme as recomendações técnicas, o tempo de compostagem é reduzido em relação à tradicional. Os cientistas verificaram que a trituração prévia das carcaças de animais mortos também aumenta a eficiência do processo. 

Todo o material em compostagem deve ainda passar por uma etapa de maturação (dentro ou fora do equipamento) e o fertilizante orgânico obtido ao final do processo deve atender os parâmetros de qualidade e critérios de uso estabelecidos nas normativas que regulamentam o tema.

A biodigestão anaeróbia de animais mortos também pode ser recomendada, desde que atenda às seguintes condições: (a) as carcaças devem ser previamente trituradas para facilitar o processo; (b) as carcaças devem passar por um tratamento térmico que garanta a inativação de patógenos antes de entrarem no biodigestor; (c) a quantidade de carcaças a ser adicionada deve respeitar a capacidade operacional de cada modelo de biodigestor. O uso do biofertilizante (efluente do biodigestor) também deve seguir as normativas e recomendações técnicas oficiais para a sua reciclagem segura como fonte de nutrientes para a agricultura.

Já o uso de desidratadores é recomendado como alternativa para o tratamento térmico e redução do volume dos animais mortos. A temperatura e o tempo de desidratação devem ser definidos de acordo com a destinação do material desidratado: compostagem ou biodigestão anaeróbia, obrigatoriamente. 

Os equipamentos incineradores, apesar de não serem apropriados para o tratamento da mortalidade rotineira de animais nas propriedades rurais devido ao seu elevado custo de operação, são recomendados para o tratamento de resíduos com elevado risco biológico. Esses equipamentos devem atender parâmetros de qualidade relacionados às emissões de gases e demais resíduos conforme regulamentação do Conselho Nacional do Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente (Conama/MMA 316/2002).
 

Projeto-piloto 

Santa Catarina foi o primeiro estado a propor uma ação-piloto para avaliar a estratégia de remoção e transporte de animais mortos das granjas. A Secretaria de Estado de Agricultura e órgãos como a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e a Embrapa apresentaram ao Mapa um projeto-piloto para a remoção, transporte e uso de carcaças de animais mortos na fabricação de farinhas destinadas exclusivamente à produção de fertilizante. O projeto piloto inicia suas atividades em março de 2017. “Durante a execução desse projeto-piloto, será identificada uma unidade de produção de farinhas já existente e que passará a constituir uma Unidade de Referência Tecnológica, com dedicação exclusiva ao processamento de animais mortos”, explica Everton.

A proposta estabelece que todo o processo seja supervisionado pela Cidasc, Mapa e Embrapa. O projeto prevê, ainda, rastreabilidade desde a propriedade rural até a destinação dos produtos gerados, que serão gorduras destinadas exclusivamente para biodiesel e farinhas para fertilizantes organominerais. A Embrapa tem por objetivo apoiar o projeto piloto com ações de pesquisa e transferência de tecnologia para acompanhar a qualidade dos produtos gerados (resíduo cárneo farelado e gorduras para biocombustível), validar a biosseguridade da logística de recolhimento e propor inovações para agregação de valor com fertilizantes organominerais.

Outro ponto positivo desse projeto é que ele permite acelerar as pesquisas de forma prática, mantendo as cadeias produtivas isentas dos produtos gerados e permitirá uma avaliação técnica e econômica do processo. Todo o trabalho seguirá normas de biossegurança, mitigando riscos.

A elaboração da proposta contemplou o cumprimento de rigorosos critérios de manuseio a campo, durante o transporte e industrialização, até mesmo com a criação do Documento de Trânsito de Animais Mortos (DTAM), a ser integrado no sistema de controle oficial.

Ainda segundo o pesquisador da Embrapa, as atividades relativas à produção de farinhas produzidas a partir de animais mortos e seu uso na alimentação animal estão em estágio avançado de execução. Resultados preliminares indicam que o processo de produção de farinha controla de maneira eficiente os microrganismos. Os aspectos de oxidação se assimilam ao sistema convencional de produção de farinhas e podem ser controlados através de uso de antioxidantes. “A contaminação por aminas biogênicas (substâncias tóxicas), entretanto, tem sido uma das principais preocupações, mesmo quando as carcaças são mantidas sob refrigeração”, destacou Everton. Sob esse aspecto, uma importante ferramenta auxiliar é o uso de análise por espectroscopia de infravermelho (NIR). Esse é um método rápido e de baixo custo, que está sendo desenvolvido para auxiliar no sentido de uma melhor compreensão dos processos e na tomada de decisão quanto ao uso mais apropriado dessas farinhas.
 

O problema

O Brasil tem hoje um dos maiores rebanhos comerciais do mundo, com excelente participação no cenário internacional. A perspectiva, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), é que até 2020 a produção nacional de carnes venha a suprir 44,5% do mercado mundial. Essa produção gera, além de um saldo positivo na exportação, um volume superior a um milhão de toneladas de animais mortos, em todas as regiões brasileiras. 

Os resíduos dessa mortalidade devem ser manejados adequadamente de forma a mitigar os riscos ao meio ambiente e ao status sanitário dessas cadeias. “Isso sem esquecer os cuidados com a saúde humana e o bem-estar do trabalhador”, destaca Everton.

O pesquisador ressalta também que a normatização do recolhimento e do processamento industrial das carcaças de animais mortos ainda depende da conclusão de uma análise científica que vai estabelecer quais os riscos que essa alternativa pode trazer ao status sanitário das cadeias de produção animal  e à segurança dos alimentos. Há ainda um trabalho de definição de boas práticas de armazenamento, recolhimento e processamento de animais mortos e a destinação adequada dos coprodutos oriundos desses resíduos. 
 

Material 

Em fevereiro, a Embrapa Suínos e Aves disponibilizou a cartilha “Tecnologias para destinação de animais mortos nas granjas”, que orienta sobre  práticas e rotas analisadas até o momento. Além da cartilha, a Unidade mantém um espaço específico no portal com publicações, vídeos e informações sobre o projeto. 

Fonte: Embrapa

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Tecnoshow cria Pavilhão de Tecnologia para levar sensores, apps e startups ao campo

Espaço reúne soluções próprias da cooperativa, hubs de inovação e empresas com tecnologias embarcadas, enquanto plots e dinâmicas mostram pesquisas agrícolas e pecuárias na prática.

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Fotos: Divulgação/Tecnoshow

Alinhado ao conceito de “O Agro Conecta”, a Tecnoshow Comigo lança na edição deste ano, que acontece entre segunda (06) e sexta-feira (10), o Pavilhão de Tecnologia, um espaço dedicado a integrar as soluções da cooperativa, de empresas parceiras e de hubs de inovação, promovendo a conexão entre tecnologia, produtores e o campo. Entre os destaques, estará a presença do Hub Goiás – Rio Verde, que atua no fomento ao ecossistema de inovação e no apoio a startups com soluções para o agronegócio.

Segundo o gerente de Geração e Difusão de Tecnologia na Cooperativa Comigo, Eduardo Hara, o pavilhão é uma iniciativa pioneira, mas que já estava no planejamento da organização da feira há alguns anos. “Resolvemos materializar essa ideia criando um ambiente que conecta diferentes iniciativas e agentes de inovação, reunindo hubs e empresas ligadas a tecnologias embarcadas em maquinários agrícolas, que podem ser acopladas a tratores e plantadeiras para apoiar etapas como plantio, colheita e semeadura”, detalha.

Entre as inovações desenvolvidas pela cooperativa que os visitantes do pavilhão conhecerão estão o DRIS (Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação) Comigo, lançado na edição passada do evento, voltado à análise foliar e recomendação personalizada de adubação.

Outro destaque é o Super-PEC, um sistema de gestão pecuária integrado voltado a produtores rurais de gado de corte e leite, que permite controlar dados zootécnicos e financeiros na palma da mão, funcionando também offline. Já o aplicativo Comigo Cooperados reúne, em um único ambiente digital, informações como cotações de grãos, romaneios, saldo de insumos e extratos financeiros. “Além disso, teremos telas que mostram como a automação conecta as diferentes etapas das indústrias da Comigo, incluindo o sistema de manutenção preventiva, no qual sensores instalados nos maquinários enviam alertas à equipe técnica sobre a necessidade de intervenções, antecipando soluções e evitando falhas nos equipamentos”, complementa Hara.

Sobre as empresas presentes no pavilhão, o gerente comenta que deverão apresentar novidades voltadas à tecnologia, como sensores que podem ser acoplados a colheitadeiras, plantadeiras e pulverizadores, entre outros maquinários agrícolas, capazes de gerar e transmitir dados em tempo real, conectando operação e tomada de decisão no campo.

O Hub Goiás – Rio Verde também levará startups e negócios inovadores de diferentes regiões do país, ampliando a diversidade de soluções tecnológicas apresentadas ao público. A iniciativa prevê a participação rotativa de startups ao longo dos dias de feira, fortalecendo o ambiente de conexão entre empreendedores, produtores e empresas do setor. “Esse pavilhão é uma ‘semente’ que estamos plantando agora e que deve crescer nos próximos anos, fortalecendo a conexão entre inovação, produtores e o futuro do agro. Queremos estimular essa cultura no setor, atraindo principalmente o público mais jovem, que já tem forte afinidade com tecnologia”, observa Hara.

Agricultura e pecuária

Outro ponto de atração da Tecnoshow Comigo são os plots agrícolas, espaços onde são apresentadas as novidades e soluções do agronegócio do Centro Tecnológico Comigo (CTC) e de empresas e multinacionais expositoras. Assim como no ano passado, os plots da cooperativa estão divididos em agrícola e pecuário.

De acordo com Hara, no plot agrícola da Comigo, além da presença de todo o time de pesquisa de agricultura da Comigo, composto por cinco profissionais, serão apresentados, por meio de representações em miniatura, alguns dos principais experimentos realizados no CTC. “Teremos experimentos de fertilidade do solo, nutrição de plantas, entomologia, fitopatologia e controle de plantas daninhas. Além disso, vamos apresentar o serviço de agricultura de precisão que a Comigo presta aos cooperados”, enumera.

Outro destaque do plot será uma dinâmica agendada para mostrar alguns trabalhos que o produtor pode fazer no campo para identificar fraudes em fertilizantes. Outra novidade é a presença da equipe do Laboratório da Indústria.

Na parte da pecuária, estarão presentes dois pesquisadores, das áreas de nutrição animal e de pastagens, apresentando os trabalhos realizados, além da área de nutrição animal da cooperativa, com as rações, sementes e soluções de pastagem da Comigo.

Sobre os plots das empresas e multinacionais participantes, Hara observa que a feira também é palco para o lançamento de novas variedades de sementes de soja, híbridos de milho e sorgo, além de soluções em defensivos agrícolas, como fungicidas, inseticidas e herbicidas, apresentadas pelas principais empresas do setor.

Dinâmicas de pecuária

Além dos plots, o visitante poderá conhecer durante a Tecnoshow as dinâmicas de pecuária, com programação que mostra na prática as novidades do setor. De acordo com o coordenador de Pecuária da Tecnoshow, José Vanderlei Burim Galdeano, a programação será realizada nas tendas localizadas na pista de grama e conta com palestras, workshops e oficinas, assim como demonstrações em animais.

Para os criadores, os temas abordados nas palestras incluem o panorama da pecuária em ano de eleições; a revolução da ultrassonografia; e o impacto dos aditivos alimentares na produtividade dos animais. Na quinta-feira (09), a programação será toda dedicada à pecuária leiteira, com palestras sobre os mais variados assuntos relacionados ao setor.

Uma novidade deste ano, segundo Galdeano, será uma demonstração promovida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) chamada Receitas do Campo, onde serão produzidos alguns alimentos como farinhas, paçoca de carne, entre outros, ao vivo, simultaneamente com as palestras. “Da parte da Comigo está tudo pronto para mostrarmos nossas novidades aos visitantes. Dividimos o espaço em agricultura e pecuária para atender melhor os diferentes públicos de cooperados”, relata Hara.

Fonte: Assessoria Tecnoshow
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Com crescimento de 10% ao ano, mercado global de cogeração deve atingir US$ 49 bilhões até 2029

Estudo aponta avanço dos equipamentos impulsionado por eficiência energética e metas climáticas, enquanto o Brasil já soma 18,7 GW em biomassa, com predominância do bagaço de cana.

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Foto: Pexels

Em um cenário global pressionado simultaneamente pela escalada da demanda por energia, pela volatilidade dos preços e pela urgência climática, poucas soluções reúnem tantos atributos positivos quanto a cogeração. Não por acaso, o mercado mundial de equipamentos do setor vive um momento de forte expansão.

Segundo estudo recém-divulgado pela Research and Markets, consultoria global sediada em Dublin, na Irlanda, o movimento da geração cresceu de US$ 29,6 bilhões em 2024 para US$ 32,5 bilhões em 2025, com taxa anual próxima de 10%. Montante deverá alcançar US$ 49 bilhões até 2029. Trata-se de uma resposta estrutural a desafios centrais da transição energética.

A cogeração parte de um princípio simples e poderoso: com um único combustível é possível fornecer mais de um tipo de energia, como a elétrica, térmica e gás de processo. Ao elevar significativamente a eficiência dos sistemas, reduz perdas, diminui custos operacionais e proporciona mais resiliência ao setor elétrico, contribuindo para evitar apagões e diminuir emissões de carbono. Em um cenário de consumo energético crescente, esse ganho de eficiência deixa de ser apenas desejável e passa a ser estratégico.

Foto: Divulgação

O estudo da Research and Markets mostra que o avanço da cogeração está diretamente associado à busca por eficiência energética, retorno sobre investimento e atendimento a regulações ambientais cada vez mais rigorosas.

No horizonte à frente, entram em cena outros vetores igualmente relevantes: integração com fontes renováveis, sistemas descentralizados de energia, digitalização e uso de tecnologias inteligentes. Não é coincidência que grandes grupos industriais estejam apostando em soluções capazes de operar com gás natural, biomassa e biogás, combinando confiabilidade operacional com redução progressiva da pegada de carbono.

Esse movimento revela mudanças importantes no debate climático. A transição energética não se fará apenas com a expansão da oferta renovável centralizada, mas também com soluções que aumentem a eficiência do sistema como um todo, aproximem geração e consumo e reduzam a pressão sobre redes e investimentos em infraestrutura. A cogeração ocupa exatamente esse espaço, reforçando a segurança do suprimento, reduzindo riscos sistêmicos e entregando resultados ambientais mensuráveis no curto prazo.

O caso brasileiro ilustra bem esse potencial. Dados da Cogen (Associação da Indústria de Cogeração de Energia) mostram que o modelo, em especial a partir da cogeração com biomassa, cresce em importância na matriz elétrica nacional.

Em 2025, a capacidade instalada de biomassa alcançou cerca de 18,7 GW, dos quais aproximadamente 70% têm origem no bagaço de cana-de-açúcar. Outras fontes relevantes incluem licor negro (21%), madeira (6%), biogás (2%) e outras biomassas (1%). Trata-se de uma fonte energética fortemente associada à atividade industrial e ao agronegócio, com elevado grau de previsibilidade e baixo impacto ambiental.

A evolução ao longo das últimas duas décadas foi expressiva. Em 2005, a capacidade instalada de biomassa era cerca de 5 GW. Desde então, o crescimento foi contínuo, impulsionado principalmente pela cogeração no setor sucroenergético.

Além de atender ao consumo interno, a biomassa contribui de maneira relevante para a exportação de energia elétrica, reforçando o papel da cogeração como segurança energética. Importante ter em conta que as exportações de energia elétrica bateram recorde em 2025: foram de 28,8 TWh, ante o recorde anterior, que foi de 28,2TWh, em 2023.

Do ponto de vista regional, São Paulo lidera com folga, concentrando cerca de 7,9 GW de capacidade instalada, seguido por Mato Grosso do Sul (2,5 GW) e Minas Gerais (2,2 GW). Esse mapa reflete a integração virtuosa entre produção industrial, geração de energia e aproveitamento de resíduos, um modelo alinhado tanto à lógica econômica quanto às exigências da agenda climática.

Em um país com matriz elétrica majoritariamente renovável, a cogeração cumpre um papel ainda mais relevante: aumenta a segurança energética do sistema, reduz a necessidade de despacho térmico fóssil em momentos críticos e contribui para a descarbonização de setores intensivos em energia.

O avanço global e a experiência brasileira mostram que a cogeração afirma-se como peça-chave para uma transição energética pragmática, que combina inovação, eficiência e resultados concretos. Em tempos de incerteza climática e pressão sobre os sistemas elétricos, soluções que entregam tudo isso ao mesmo tempo precisam estar sempre no centro das decisões de política energética e industrial.

Fonte: Artigo escrito por Leonardo Caio, diretor de Tecnologia e Regulação da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen).
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Depois de cair 12,17%, fretes de soja sobem 30,99% na primeira quinzena de março

Apesar da oscilação no ritmo dos embarques, o volume total transportado entre 1º de fevereiro e 15 de março variou apenas 1,04% no país.

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As chuvas nas principais regiões produtoras em fevereiro reduziram o ritmo de escoamento da soja e provocaram queda relevante na contratação de fretes no período. Em março, mesmo com instabilidade climática, o transporte reagiu com forte aceleração. O movimento é apontado por levantamento da Frete.com, que monitora a dinâmica do transporte rodoviário de cargas no país.

Segundo a plataforma, o volume de fretes de soja recuou 12,17% no Brasil em fevereiro de 2026 na comparação anual. No Centro-Oeste, principal polo produtor, a retração foi de 11,96%. O recuo não indica menor produção, mas atraso logístico causado pelas condições de campo, que dificultaram colheita, carregamento e circulação de caminhões.

Com a melhora operacional, a contratação de fretes acelerou em março. Na primeira quinzena, o volume avançou 30,94% no Brasil e 30,99% no Centro-Oeste frente ao mesmo período de 2025, refletindo a necessidade de recompor o fluxo de escoamento.

Apesar da oscilação entre os meses, o acumulado entre 1º de fevereiro e 15 de março permaneceu praticamente estável. No Brasil, houve leve alta de 1,04% no volume transportado, enquanto no Centro-Oeste a variação foi negativa em 0,48%.

Para Roberto Junior, gerente executivo de Inteligência de Negócios da empresa, o comportamento caracteriza um efeito clássico de demanda reprimida. As chuvas reduziram a capacidade operacional em fevereiro e, quando as condições permitiram, o sistema logístico acelerou para compensar o atraso, concentrando o transporte em março.

Fonte: Assessoria Frete.com
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