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Programa soja sustentável do Cerrado anuncia startups selecionadas de 2023

De 20 a 22 de setembro, as startups participarão de três dias de imersão em evento presencial de boas-vindas com a participação de produtores rurais, pesquisadores, parceiros e iniciativa privada.

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Foto: Divulgação/Embrapa Cerrados

São sete as startups selecionadas para integrar o portfólio da edição 2023 do Programa Soja Sustentável do Cerrado, resultado da parceria entre o AgTech Garage, parte da rede PwC, e o Land Innovation Fund, com o apoio estratégico da Cargill, CPQD, Embrapa e Embrapii. AgriSoft, Bio2Me, Biome4All, Grão Direto, Já Entendi Agro, Seleção Natural e Vega Monitoramento contarão com até US$ 50 mil cada de aporte financeiro para o desenvolvimento das soluções através do Startup Finance Facility, apoio técnico-científico de uma equipe de pesquisadores selecionados para o Fellowship Cerrado, e contato direto com proprietários rurais que integram o Programa For Farmers. Nesta edição, as selecionadas participarão de um evento inédito de imersão e intercâmbio de conhecimento com a participação de representantes de toda a cadeia de suprimentos agrícolas, na sede do Centro de Inovação da Cargill, em Campinas.

As novas participantes se somarão às 21 startups selecionadas nos quatro primeiros ciclos do programa, ampliando o alcance e a diversidade das soluções de inovação para uma agricultura sustentável, livre de desmatamento e conversão de vegetação no bioma Cerrado. Produtores rurais, parceiros estratégicos e convidados da iniciativa privada participaram do processo de seleção das startups. Seguindo critérios como maturidade da solução, potencial de contribuição para o programa, capacidade de inovação e geração de impacto, os projetos escolhidos propõem soluções para alguns dos maiores desafios das agendas agrícola e ambiental internacionais, com soluções de rastreabilidade, monitoramento e compliance, recuperação de solos, biodiversidade e capacitação técnica para a ampliação de práticas agrícolas sustentáveis no campo.

“O PSSC foi pensado para oferecer às empresas participantes o suporte financeiro, tecnológico e de conhecimento necessários para a criação de soluções inovadoras para o desenvolvimento agrícola sustentável, livre de desmatamento e conversão de vegetação nativa”, explica Ashley Valle, diretora do Land Innovation Fund. “O programa é uma inovação em si mesmo ao integrar todos os elos da cadeia de suprimentos agrícola, apoiando e conectando parceiros-chaves para gerar impacto positivo no desenvolvimento de soluções em linha com as exigências da agenda agrícola, climática e ambiental globais”, completa.

Evento de imersão:

De 20 a 22 de setembro, startups, produtores rurais, pesquisadores, parceiros e representantes da iniciativa privada estarão reunidos pela primeira vez para participar de uma imersão no Programa Soja Sustentável do Cerrado Edição 2023. A iniciativa inédita visa aproximar os múltiplos atores da cadeia de suprimentos agrícolas, oferecendo aos participantes uma visão 360º das demandas, desafios e oportunidades para uma agricultura alinhada às pautas de sustentabilidade e mitigação das mudanças climáticas.

Serão três dias de intercâmbio de conhecimento, rodas de conversa e troca de experiência a partir da trajetória de inovação e empreendedorismo das sete novas startups selecionadas para integrar o portfólio do Programa, com a contribuição de representantes de toda a cadeia de suprimentos agrícolas . Produtores rurais do For Farmers virão de todo o país para participar do encontro e conhecer melhor as soluções a serem desenvolvidas neste novo ciclo. Para completar o entendimento da indústria de alimentos, participam também parceiros comerciais da Cargill, que acrescentam ao evento o olhar de quem fornece para o consumidor final.

“A Cargill está no centro de cadeia de alimentos e esse encontro foi pensado para conectar todos os elos, potencializando o alcance das soluções em desenvolvimento pelo Programa Soja Sustentável do Cerrado. Ao reunir produtores, startups, academia, investidores e indústria, conseguimos aproximar as demandas do mercado e as necessidades do agronegócio de quem pensa e faz inovação neste país, catalisando esforços, expertises e investimentos em favor de uma agricultura sustentável e livre de desmatamento”, afirma Eric Geglio, Global Land Use Manager da Cargill.

O encontro acontecerá na sede do Centro de Inovação da Cargill, em Campinas, e inclui a visita ao centro de pesquisa do CPQD, palestras com especialistas da Embrapa e do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e depoimentos de startups dos ciclos anteriores do PSSC. No dia 22, as startups terão ainda um dia de trabalho na sede do AgTech Garage, em Piracicaba, para dar início ao planejamento das atividades anuais a partir das contribuições e conhecimento adquiridos ao longo do evento de imersão.

“O Programa Soja Sustentável do Cerrado põe em prática os pilares de inovação, solução integrada e foco na fazenda que norteiam o trabalho do Land Innovation Fund. O evento de imersão e boas-vindas reforça e reafirma o nosso compromisso em criar condições para a conservação do bioma, através do desenvolvimento de soluções de inovação para uma agricultura sustentável alinhada às crescentes exigências do mercado internacional”, afirma Mariana Galvão, Diretora adjunta de Programas e Projetos.

PSSC – Edição 2023

Nesta nova edição do Programa, a Cargill ficará responsável por agregar valor de mercado na validação e avaliação das soluções, além de oferecer suporte em eventos e workshops, e no engajamento com agricultores, aproximando empreendedores e produtores rurais. Ficará a cargo da Embrapa o suporte contínuo de especialistas para o desenvolvimento das soluções, com participação na análise das propostas, na realização de mentorias e masterclasses.

A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) será responsável pela ponte entre startups e empreendedores com os centros de pesquisas para o desenvolvimento dos projetos selecionados, além de cofinanciar iniciativas pontuais com recursos não reembolsáveis. Uma das unidades Embrapii, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD) apoiará empreendedores que trabalhem com Inteligência Artificial, Blockchain, Conectividade, IoT e outras tecnologias que estejam na área de expertise da instituição.

“O PSSC conecta produtores, pesquisadores, especialistas e mercado criando condições para que o empreendedor tenha acesso a múltiplas expertises para desenvolver, testar e escalar suas soluções”, explica o CEO do AgTech Garage e sócio da PwC, José Tomé. “A interseção inédita do For Farmers com o Fellowship Cerrado e o aporte financeiro do SFF, somada à participação de três instituições de referência em pesquisa e desenvolvimento do país – Embrapii, CPQD e agora Embrapa – e o apoio de uma trade como a Cargill colocam o Programa na fronteira da inovação junto ao ecossistema empreendedor”, completa.

Resultados alcançados:

Desde que foi lançado, em março de 2021, o Programa Soja Sustentável do Cerrado recebeu 253 aplicações de 17 estados do Brasil, além do Distrito Federal. Somados os cinco ciclos anunciados até agora, 28 startups foram selecionadas para integrar o portfólio do programa, com soluções que abrangem toda a propriedade rural, desde a área produtiva até a floresta em pé. Desse total, 18 projetos implementados por 22 startups foram selecionados para receber apoio financeiro do Startup Finance Facility. Além disso, startups selecionadas para o integrar o portfólio receberam recursos adicionais advindos de instituições parceiras de mais de R$ 2,4 milhões para o aprimoramento das soluções. Participaram do Programa 29 pesquisadores do Fellowship Cerrado e 20 produtores rurais do For Farmers.

Conheça as startups e as iniciativas selecionadas:

AgriSoft: a proposta da empresa dedicada ao desenvolvimento de sistemas administrativos digitais é incorporar critérios e protocolos de monitoramento de sustentabilidade aos softwares de gestão de fazenda, fornecendo ferramentas para a mensuração e o acompanhamento de práticas agrícolas responsáveis. Inicialmente desenvolvidos para gerir aspectos operacionais e financeiros das propriedades rurais, a proposta da AgriSoft é incorporar uma nova abordagem de gestão agrícola, abrangendo critérios e protocolos de sustentabilidade aos serviços oferecidos pela empresa.

Bio2Me: no Brasil, há mais de 650 milhões de hectares cobertos por vegetação nativa que podem se tornar uma valiosa fonte de receita para o produtor rural. A proposta da Bio2Me é administrar áreas de conservação ambiental – incluindo reserva legal – para construir uma cadeia de valor sustentável a partir da produção de bioativos advindos de áreas preservadas. Conectando produtores a investidores, a Bio2Me pretende gerar uma alternativa de receita complementar à abertura de novas áreas agrícolas a partir do uso de baru, fava d’anta, açaí, carnaúba e outros frutos nativos encontrados no bioma.

Biome4All: há cinco milhões de hectares de pastagens degradadas com aptidão agrícola para o cultivo da soja no Brasil. Desse total, estima-se que aproximadamente dois milhões estão situados em três tipos de latossolos. Além disso, há aproximadamente 21,4 milhões de hectares cultivados com soja no Cerrado – 8,5 milhões situados em latossolos sobre os quais não se sabe o estado de degradação. Com a participação no Programa Soja Sustentável do Cerrado, a Biome4All pretende desenvolver um indicador de maturidade microbiológica para avaliação da qualidade do solo do bioma – com foco em latossolos vermelho-amarelo, vermelho-escuro e roxo – e uma ferramenta de predição da predisposição das áreas para degradação, contribuição para uma microbiota mais saudável e resiliente às condições climáticas.

Grão Direto: com uma base com mais de 30 mil produtores cadastrados apenas do Cerrado e mais de quatro milhões de toneladas de soja negociadas em doze meses, a plataforma de comercialização Grão Direto pretende se conectar a especialistas em rastreabilidade para oferecer o serviço agregado de monitoramento da produção agrícola e otimizar a performance de relatórios de compliance. A startup pretende ainda viabilizar a inserção de dados dos fornecedores intermediários à plataforma de serviços, garantindo a ampliação do portfólio de rastreabilidade oferecido pela empresa. Dessa forma, os compradores poderão ter acesso a informações socioambientais de lotes em negociação, assegurando transparência e conformidade ambiental de toda a cadeia de suprimentos.

Já Entendi Agro: a startup de tecnologia da educação especializada no setor agrícola pretende desenvolver um curso dedicado à produção de soja sustentável e livre de desmatamento para capacitação de profissionais do setor. A proposta da empresa é criar conteúdo claro e acessível para técnicos agrícolas e outros profissionais do setor capaz de prepará-los para a utilização de práticas agrícolas sustentáveis no campo. Com a participação no PSSC, a startup pretende produzir seis cursos com cinco videoaulas cada, a partir da contribuição de pesquisadores do Programa Fellowship Cerrado, com a possibilidade de validação e implementação dos produtores rurais que integram o Programa For Farmers.

Seleção Natural: especializada em criação de metodologias, protocolos de pesquisa e monitoramento de espécies da biota brasileira, a Seleção Natural pretende desenvolver uma plataforma para elaborar, de forma simples e automatizada, planos de ação para implantação e cumprimento de compromissos em biodiversidade para produtores rurais e iniciativa privada. Assim, será possível planejar com eficiência as ações prioritárias de conservação, direcionando os recursos financeiros para otimização dos resultados, que poderão ser demonstrados para obtenção de certificações, títulos verdes e pagamentos por serviços ambientais. A proposta é potencializar o uso e o alcance dos serviços ecossistêmicos para a promoção de uma agricultura sustentável e livre de desmatamento.

Vega Monitoramento: informações técnicas desencontradas, falta de compreensão da legislação ambiental e complexidade burocrática de órgãos e ferramentas de dados públicos geram morosidade e podem comprometer o processo de regularização ambiental. A proposta da VEGA é solucionar a escassez de suporte técnico ao produtor rural da cadeia de suprimentos da soja no Cerrado diante da necessidade de adequação às crescentes exigências ambientais vigentes nos mercados nacional e internacional com a criação de uma base de dados regulatória para a região. Com a participação no PSSC, a startup pretende aprimorar o desenvolvimento da plataforma de dados LYRA e acelerar a implementação do aplicativo mobile que facilita o acesso dos usuários às informações socioambientais, mapeadas e categorizadas a partir do uso de tecnologias de sensoriamento remoto, inteligência artificial e machine learning.

Fonte: Assessoria Programa Soja Sustentável

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Agricultura familiar pode ganhar ferramenta de inteligência artificial para gestão das propriedades

Plataforma vai integrar dados produtivos e agroambientais para auxiliar a tomada de decisões no campo.

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Foto: Divulgação

A agricultura familiar poderá contar com uma ferramenta baseada em inteligência artificial para apoiar a tomada de decisões no campo. É o que prevê o Projeto de Lei 240/26, em tramitação na Câmara dos Deputados, que propõe a criação de um sistema voltado à organização, integração, padronização e proteção de dados agroambientais e produtivos.

A proposta altera a Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais e estabelece que

Foto: Divulgação

o sistema seja utilizado como suporte à gestão das pequenas propriedades, oferecendo informações que possam contribuir para o planejamento da produção e para a tomada de decisões pelos produtores.

Na justificativa do projeto, o autor da proposta, deputado Carlos Henrique Gaguim (União-TO), afirma que o alto custo das tecnologias baseadas em inteligência artificial ainda limita o acesso dos agricultores familiares a essas ferramentas, ampliando a diferença tecnológica em relação às grandes empresas do agronegócio. “A ausência de apoio estatal nesse campo pode comprometer a competitividade, a sustentabilidade e a permanência desses produtores na atividade rural”, aponta.

Caso seja aprovado, o sistema deverá reunir informações agroambientais e produtivas em uma plataforma

Foto: Divulgação/Freepik

estruturada para subsidiar decisões relacionadas à gestão das propriedades, com foco na melhoria da eficiência e da competitividade da agricultura familiar.

O Projeto de Lei 240/26 será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados. Se aprovado, seguirá para apreciação do Senado antes de eventual sanção presidencial.

Fonte: O Presente Rural
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Dados contestam argumento dos EUA para taxar o Brasil

Estudo recente lança dúvidas sobre a alegação ambiental usada para justificar a sobretaxa.

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Foto: Eufran Amaral

A alegação do governo dos Estados Unidos de que o desmatamento no Brasil justificaria a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros não encontra respaldo em dados ambientais, avalia o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini. Para ele, a questão ambiental está sendo utilizada como argumento para sustentar uma medida de caráter político e comercial. “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa. O próprio governo Trump virou as costas para a agenda ambiental ao retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris”, afirmou Astrini.

Secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini: “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa” – Foto: Divulgação/OC

Segundo o ambientalista, a justificativa perde força diante do fato de que outros países também registram desmatamento, mas não foram alvo de medidas tarifárias semelhantes. “É uma medida puramente política. Não tem relação com a questão ambiental. Trata-se apenas de um pretexto para impor uma barreira comercial ao Brasil”, disse.

Astrini também destaca que a política brasileira de combate ao desmatamento foi reforçada nos últimos anos com a retomada das ações de fiscalização. Entre os fatores apontados por ele está o fortalecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que recebeu recursos do Fundo Amazônia para ampliar as operações de controle.

Os números mais recentes do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), elaborado pelo MapBiomas, indicam redução da perda de vegetação nativa no país. Em 2025, o Brasil desmatou 984.794 hectares, queda de 20,6% em relação a 2024. Foi a primeira vez, desde 2019, que a área desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano.

Apesar da redução, Amazônia e Cerrado concentraram mais de 84% de toda a área desmatada no país. O Cerrado

Foto: Divulgação

permaneceu como o bioma com maior perda de vegetação nativa, com 540.614 hectares desmatados, o equivalente a 54,9% do total nacional, embora tenha registrado redução de 16,9% frente ao ano anterior.

Na Amazônia, a área desmatada somou 289.478 hectares, recuo de 23,5% na comparação com 2024. O Pantanal apresentou a maior redução proporcional entre os biomas, com queda de 48,4%, totalizando 12.260 hectares desmatados.

O MapBiomas, iniciativa formada por universidades, organizações da sociedade civil e empresas de tecnologia voltada ao monitoramento da cobertura e do uso da terra no Brasil, também aponta que a expansão da agropecuária continua sendo o principal fator associado ao desmatamento. Nos últimos

Foto: Divulgação/TV Brasil

sete anos, essa atividade respondeu por mais de 97% da perda de vegetação nativa e, somente em 2025, esteve relacionada a 99% da área desmatada no país.

O levantamento mostra ainda que 99% da área desmatada ligada ao garimpo concentrou-se na Amazônia, principalmente no Pará. Já os desmatamentos associados à implantação de empreendimentos de energia renovável ocorreram quase integralmente na Caatinga, responsável por 97% dessa categoria. Nas áreas urbanas, o desmatamento aumentou 7% em relação a 2024, com maior concentração no Cerrado e na Amazônia, que responderam por mais de 60% da vegetação nativa suprimida para expansão urbana.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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