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Programa sanitário exige mapeamento dos desafios de cada fazenda

Cuidados com sanidade vão muito além de aplicação de medicamentos; pecuarista precisa entender a realidade da própria fazenda para realizar os corretos procedimentos e ter o rendimento esperado

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Uma certeza entre os especialistas em pecuária é que um dos investimentos mais baratos dentro de uma propriedade é a sanidade. As vantagens em realizar os processos preventivos, evitando assim doenças e possíveis perdas, são inúmeras. Mesmo com este conhecimento, ainda existe pecuarista que peca neste quesito, que pode ser considerado um dos mais importantes. O médico veterinário Matheus Marinho falou sobre sanidade e a proteção necessária para produção de alta performance durante a Intercorte, etapa Cuiabá 2018, que aconteceu em abril.

O profissional comenta que sanidade é um dos pontos que menos custa para fazer algo bem feito. “Mas na hora que eu vou comprar, parece que estamos investindo tanto nisso. O que precisamos fazer é olhar para quanto custa um programa sanitário”, afirma. Ele apresentou um estudo desenvolvido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) que mostra que as propriedades que produzem de uma a três arrobas por hectare no ciclo completo gastam em torno de R$ 3,09 por arroba produzida para ter esse desempenho. “As propriedades que produzem mais de 20 arrobas, ou seja, uma produção altíssima de carne por área produzida, gastam R$ 3,17. Então, é um investimento que vemos que não muda muito, lógico que considerando por arroba”, comenta.

Marinho diz que se for considerado o custo por área, ele será maior, porém a produtividade justifica esse gasto a mais. “Custo é a despesa sobre a produtividade. Se eu invisto esse valor, mas tenho boa produtividade, ótimo”, afirma. Ele informa que na cria os valores variam um pouco mais, e passam a ser R$ 2,60 para 3 arrobas e R$ 4,12 para 20 arrobas. “Mas ainda assim não é um valor tão discrepante”, diz.

Com uma tabela, o profissional mostrou que itens como vacinas, controle, antibióticos e antiparasitários, além de medicamentos em geral, são os quesitos que menos impactam nos custos de produção. “Juntando tudo isso deu 2,6% dos custos. Então é o seguro mais barato que existe, porque eu gasto pouco com isso”, afirma.

Marinho apresenta alguns exemplos de como a sanidade impacta nas fases da produção. A cria é um deles. “Toda vez que eu vou lidar com um bezerro, eu tenho que lembrar que estou lidando com uma categoria extremamente sensível ao fator sanidade”, lembra. “Temos muita coisa que influencia na vida desse bezerro, desde falha na transmissão da imunidade passiva – o colostro –, até a cura do umbigo”, diz. O médico veterinário alerta que um animal que não mama colostro é um bezerro que corre o risco de desenvolver mais doenças. Além disso, ainda é preciso se atentar à cura do umbigo, que é uma porta de entrada para diversos tipos de infecção. “Temos que fazer isso da maneira correta”, expressa.

Enfermidades

Uma enfermidade comum em bovinos e que ainda se fala pouco no Brasil é a coccidiose, comenta Marinho. Porém, nos últimos anos essa passou a ser uma doença mais investigada por pesquisadores. O médico veterinário comenta que um estudo feito pelo professor Elias Facury, da Universidade Federal de Minas Gerais, mostrou que em todas as fazendas analisadas havia a presença de coccidiose. “O levantamento foi feito em propriedades de diversos Estados, como MT, PA, MS, GO, MG e SP”, conta. Ele informa que não eram em todos os animais das propriedades que tinham o agente, mas era mais da metade – em torno de 60%.

Marinho explica que a coccidiose causa, principalmente, a conhecida diarreia de sangue. “As características mais visíveis da doença são difíceis de aparecer, somente de 5 a 10% dos bezerros vão demonstrar o sinal. Os outros 90 a 95% vão ser animais que aparentemente estarão saudáveis, porém com o desempenho abaixo do esperado”, explica. Ele diz que dessa forma, um bezerro que poderia ganhar 800 gramas por dia vai ganhar somente 500 gramas. “Isso porque tem o parasita lesionando o intestino dele”, conta.

Além do mais, quando o intestino desse animal que foi afetado cicatriza, as consequências ele leva para o resto da vida dele. “Em gado de corte são poucos os estudos, mas em gado de leite existem pesquisas mostrando que uma bezerra que tem coccidiose no início da vida, mais tarde, quando ela cria e começa a produzir, produz menos leite do que uma vaca que não teve o problema”, comenta. De acordo com o profissional, isso é bastante comum.

Entre os impactos da coccidiose estão principalmente o peso e a baixa produção. Marinho conta que um estudo desenvolvido na Alemanha com 330 bezerros mostrou que os animais que adoeciam e logo recebiam o tratamento ganharam 3,4 quilos a mais do que animais que não recebiam nenhum tipo de tratamento. “Então, é melhor tratar do que não fazer nada? Sim, o animal se recupera mais rápido e volta a engordar. Porém, animais que tiveram um tratamento preventivo, ganharam mais que o dobro do peso desses animais nos primeiros meses de vida”, informa. “Isso nos demonstra que realmente esperar o animal adoecer para então tratar não compensa”.

Parasitas

Outro ponto importante tratado por Marinho é a incidência de parasitas no rebanho. Ele informa que um estudo feito em 2014 mostrou que no Brasil o prejuízo em gado de corte com os principais parasitas estava em torno de R$ 34 bilhões. “Isso considerando uma taxa de câmbio de R$ 3,10. Se atualizarmos essa taxa, esse número sobe um pouco”, comenta. O médico veterinário acrescenta que se pensar em um rebanho de gado de corte de mais ou menos 190 milhões de cabeças, o prejuízo chega a ser de R$ 200 cabeça/ano. “Quanto custa uma dose de um bom vermífugo? É um valor muito pequeno de investimento para eu correr o risco de perder esses R$ 200 cabeça/ano”, afirma.

Para exemplificar melhor, o profissional apresentou outro estudo, este desenvolvido pela Universidade Federal de Pelotas, em que foi feita uma análise com bezerros Angus com 90 dias de idade, e durante 60 dias acompanharam o ganho de peso dos animais. “Em uma parte foi usado um vermífugo com o princípio ativo bastante conhecido, e em outros não. Óbvio que os animais em que foram aplicadas as doses ganharam mais peso. O estudo mostra que foi o dobro do peso dos bezerros onde não foi aplicada nenhuma dose”, informa.

Marinho comenta que é importante o pecuarista usar o protocolo correto para que ele possa otimizar esse ganho de peso dos animais, para que possa ter um bezerro que vai fazer a diferença no desmame. “Será um animal que vai pesar até 30 quilos a mais na hora que for desmamar, e isso vai impactar por toda a vida dele”, diz.

Verminose

O profissional conta que outro detalhe que tem sido bastante estudado nos últimos anos é o impacto da verminose na ingestão dos alimentos. “Começamos a pensar, será que o animal que está acometido por verminose como igual ao outro?”, conta. Em um estudo desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, Marinho explica que foi realizada uma infestação artificial nos animais para que todos tivessem o mesmo nível de verminose. “Dois dias depois começamos a analisar e o esperado era que os animais comessem 100% da quantidade de comida fornecida, porém eles estavam comendo 95% da comida. Depois de 20 dias da infestação, o consumo caiu para 63%. Ou seja, o animal com alta infestação de verminose, que a gente não vê e o animal aparenta estar sadio, cai em 30% a ingestão de alimento”, diz.

Para resolver, o médico veterinário comenta que parte dos animais foram tratados com vermífugo e vitamina D, e outra parte somente com vermífugo. “Algo interessante que notamos, é que 15 dias após o início do tratamento, os animais que receberam apenas o vermífugo recuperaram 76% da alimentação. Já aqueles que foram tratados com vermífugo e suplementação de vitaminas passaram a comer 85% a mais. Ou seja, nós conseguimos estimular os animais a comer mais”, conta. Dessa forma, foi possível impactar no ganho de peso dos bovinos. Além do mais, cita, ainda foi possível notar que os animais que receberam somente o vermífugo tiveram um ganho de peso de 500 gramas por dia nos 20 dias após a aplicação, enquanto que aqueles que receberam a vitamina junto com o vermífugo ganharam mais de 700 gramas por dia.

Entender a própria realidade

Quando o assunto é sanidade, o médico veterinário afirma que é preciso que cada pecuarista entenda a realidade da própria fazenda. “Não é porque o meu vizinho está fazendo que eu vou fazer e vai dar certo para mim também. É importante o produtor buscar assistência técnica, o apoio de um médico veterinário e empresas que podem ajudar para entender quais os desafios, qual a dinâmica das doenças dentro da propriedade e como é possível extrair o melhor desse produto ou desse protocolo que será usado na fazenda”, comenta.

Marinho reitera a importância de o pecuarista conhecer a própria fazenda. “Uma cerca muda tudo, a gestão de uma para outra também. Sanidade não é receita de bolo. Não saiam por aí fazendo alguma coisa porque alguém falou que é muito bom. Conheçam a sua fazenda, façam testes e avaliações. Isso vai permitir a vocês saber se esses investimentos que comentei são viáveis na propriedade de vocês e vão gerar o retorno esperado”, sugere.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Bovinos / Grãos / Máquinas Em Marechal Cândido Rondon

Palestra sobre avanços e atual cenário do mercado de lácteos encerra programação do Dia Leite

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, no município de Marechal Cândido Rondon (PR), o evento acontece na próxima quarta-feira (1º) no formato híbrido, com participação presencial e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

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Foto: Ari Dias/AEN

Reflexões sobre o mercado do leite encerra o ciclo de palestras da primeira edição do Dia do Leite, evento que será realizado na próxima quarta-feira (1º) pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, no município de Marechal Cândido Rondon (PR). Promovido no formato híbrido, haverá participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

Engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara Setorial do Leite, Vicente Nogueira Netto: “A retomada da atividade econômica é ainda a melhor oportunidade para o setor” – Foto: Berrante Comunicação

A palestra de encerramento inicia às 13h30 e será ministrada pelo engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (CSLEI/Mapa) pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Vicente Nogueira Netto, que vai trazer informações relevantes sobre a cadeia leiteira para estimular a reflexão dos participantes com relação ao atual cenário do mercado de lácteos.

De acordo com Netto, todos os elos da cadeia produtiva acompanham diariamente diversas informações e indicadores para entender o comportamento do mercado de lácteos e assim identificar as melhores oportunidades do setor, tanto para as cooperativas como para seus cooperados. De encontro a isso, vai abordar em sua palestra como ocorreu a evolução nacional da cadeia leiteira, os desafios existentes no setor, os avanços da produção de leite na região Sul do país, especialmente no Paraná, que hoje é segundo maior produtor nacional, a importância socioeconômica da cadeia leiteira para o desenvolvimento da agropecuária, sua capacidade de gerar emprego e renda, além do atual cenário de preços e custos de produção.

“O momento atual certamente é muito desafiador para todas as cadeias produtivas de proteína animal, especialmente para o mercado de leite que é ainda muito dependente do mercado interno. Assim, em um cenário macroeconômico de estagnação, o mercado de lácteos tende a sentir os efeitos da perda do poder de compra do consumidor. Além disso, há ainda o forte aumento do custo de produção ocorrido nos últimos dois anos e que tende a persistir até o final de 2022”, ressalta Netto.

No entanto, mesmo com todos os desafios, a cadeia produtiva de lácteos tem passado por grandes transformações, otimizando processos e buscando se consolidar no mercado com a adoção de tecnologias e melhor aproveitamento dos insumos e uso mais eficiente dos recursos de produção. “A retomada da atividade econômica é ainda a melhor oportunidade para o setor, por isso toda a atenção aos indicadores macroeconômicos é importante para identificar a retomada e, em sequência, a melhora no consumo por conta do fortalecimento do consumidor. Esse é um cenário que pode trazer muitas oportunidades para as cooperativas, na exploração de novas tendências de consumo, adoção de novas tecnologias para atendimento aos cooperados, na união para fortalecer e otimizar operações e no posicionamento de mercado”, analisa Netto.

De acordo com ele, ainda há incertezas quanto a retomada da economia, especialmente por se tratar de um ano de eleições. Mesmo assim a economia está começando a dar sinais de retomada, o que tende a ser a maior oportunidade para o setor. “Além disso, a valorização das commodities lácteas ao redor do mundo, devido ao aumento da demanda, abriu oportunidades para exportações, que também tende a ser uma oportunidade a ser explorada pelas cooperativas”, enfatizou.

Com uma vasta experiência no setor lácteo nacional, Netto foi chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente da Federação Pan-Americana de Leite (Fepale), e atualmente é sócio-diretor da Tropical Genética de Embriões.

Ciclo de palestras

A programação engloba três palestras, que vão trazer um panorama geral do cenário atual da bovinocultura leiteira. O credenciamento inicia às 09 horas, em seguida, às 09h30, haverá a abertura com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella.

O ciclo de palestras inicia às 10 horas, com o secretário de Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), Norberto Anacleto Ortigara, que vai tratar sobre a “Importância do status sanitário das propriedades leiteiras no Paraná”. Com uma vasta experiência no âmbito da agricultura, Ortigara é técnico agrícola e economista, com especialização em Economia Rural e Segurança Alimentar, e desde 1978 é servidor público da Seab.

Em seguida, às 11 horas, o economista doutor em Economia Aplicada e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, abordará o tema “Leite 4.0: desafios e oportunidades”. Professor nos cursos de MBA e mestrado em Administração da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Martins se dedica a estudar a competitividade do setor leiteiro e foi idealizador do Ideas For Milk, o primeiro ecossistema de inovação criado no agronegócio brasileiro.

O encerramento da programação do Dia do Leite está previsto para as 15 horas.

Quem faz acontecer

O Dia do Leite é uma realização do Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O evento tem patrocínio ouro da Sicredi; prata da Biochem, Imeve e Prado Saúde Animal; e bronze da AB Vista, Anpario e Syntec. E conta ainda com o apoio do Sistema Ocepar, Câmara do Leite, Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa e da Associação Brasileira do Produtores de Leite.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Em 1º de junho

Importância do status sanitário do Paraná abre ciclo de palestras do Dia do Leite

Inédito em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, a primeira edição do Dia do Leite acontece em 1º de junho no formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

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Fotos: Divulgação

Segundo maior produtor do país, o Paraná produz por ano cerca de quatro bilhões de litros de leite, ficando atrás apenas de Minas Gerais. Essa cadeia produtiva engloba 86% dos pequenos agricultores familiares do Estado, mas, nos últimos anos, principalmente em decorrência da paralisação dos negócios pela pandemia da Covid-19, os elevados custos de produção e as intempéries climáticas prejudicaram o desenvolvimento de toda a cadeia leiteira, que não cresceu aos níveis projetados e desejados.

Secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara: “A moderna tecnologia está chegando ao campo e, onde já é aplicada, os produtores conseguem produtividade média comparada à dos grandes produtores mundiais”

Porém, mesmo com todas as dificuldades, o Estado mantém vivo o desafio de tornar o leite mais uma cadeia vitoriosa, tanto para abastecer o mercado interno com preços mais acessíveis ao consumidor quanto para abocanhar mais fatias do mercado internacional. “É preciso ousadia no setor comercial para não perder mercados conquistados e para prospectar novos. Não se pode mais ficar dependente apenas do incerto mercado doméstico”, afirma o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara, que será um dos palestrantes do Dia do Leite, evento realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa.

Inédito em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, a primeira edição do Dia do Leite acontece em 1º de junho no formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

Sob a temática “A importância do status sanitário das propriedades leiteiras do Paraná”, Ortigara vai abrir o ciclo de palestras às 10 horas, após a abertura do evento com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella. “O cuidado com a sanidade tem uma história de pelo menos 50 anos, período em que todas as forças do Estado se uniram para cumprir as exigências e seguir as regras estipuladas. Isso culminou com a certificação de livre de febre aftosa sem vacinação, concedida pelo OIE em 27 de maio de 2021. Junto com ela, veio o reconhecimento do Paraná como área livre de peste suína clássica independente. Mas o Estado aprendeu que, ao se vencer um desafio, outros se apresentam, exigindo a mesma força de vontade e a mesma união de todos para serem superados. O mais imediato é manter o status. Para isso, o cadastro de rebanho é fundamental. A campanha termina em 30 de junho”, menciona.

Segundo Ortigara, a cadeia de leite será vitoriosa quando souber mostrar ao mundo a sanidade de excelência e quando refinar ainda mais a visão estratégica para olhar e aproveitar as oportunidades que o mundo oferece. “Poucos ou quase nenhum setor tem a capacidade de mostrar o Brasil competente e competitivo no mundo, que não o agropecuário, que responde por mais de um terço da produção bruta do Paraná. Por isso, abocanhar uma fatia maior do mercado de leite e de alimentos em geral depende de todos e de cada um”, exalta.

Estratégias em conjunto

Secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara: “O Estado aprendeu que, ao se vencer um desafio, outros se apresentam, exigindo a mesma força de vontade e a mesma união de todos para serem superados”

De acordo com o gestor da Seab, é necessário estabelecer estratégias em conjunto – produtores e indústria – para que a produção e a renda individuais se mantenham em equilíbrio, ainda que as influências externas tendam a fazer com que penda para um ou outro lado. “E é preciso, também, fortalecer a união para garantir força de pressão quando, por conveniência ou inconveniência, importações inoportunas atrapalharem os negócios. Para isso, o Estado faz valer a expertise e as boas condições de criação, com forragens de qualidade superior, sobretudo nas regiões dos Campos Gerais, Oeste e Sudoeste. A moderna tecnologia está chegando ao campo e, onde já é aplicada, os produtores conseguem produtividade média comparada à dos grandes produtores mundiais. Onde ainda não chegou, é preciso caminhar rápido, pois o mercado acabará excluindo quem não tiver um mínimo de profissionalismo”, expõe.

Melhores pastagens, medições de temperatura inteligentes, umidade controlada, internet das coisas aplicada ao campo estão no limite entre a sustentabilidade do negócio e a competitividade no mercado ou a paralisação no tempo e o sucateamento. “As técnicas de manejo foram aperfeiçoadas ao longo do tempo e hoje possibilitam, inclusive, que se tenha rastreabilidade total, que vai desde o conhecimento profundo da saúde do animal até a entrega ao consumidor na gôndola do mercado”, ressalta Ortigara.

O secretário estadual diz que, cada vez mais, o conceito de conforto e bem-estar animal tem recebido a atenção dos pecuaristas, o que também proporciona um leite de melhor qualidade. Ele também destaca que investimento em equipamentos mais modernos e que reduzam os custos de produção, como o uso de energia renovável ou um bom sistema de irrigação, além da atualização das normas sanitárias de acordo com os modernos conhecimentos, proporcionando garantia de animais saudáveis e de boa qualidade do produto aos consumidores.

Confiança

A confiabilidade que o Estado transmite é retribuída na forma de investimentos. Um deles, segundo o secretário, é o aporte de R$ 500 milhões em uma moderna indústria de queijo pelas cooperativas Frisia, Capal e Castrolanda nas proximidades de Ponta Grossa. “Nas regiões Oeste e Sudoeste, várias agroindústrias de transformação do leite também estão se instalando ou expandindo, como a maior fábrica de queijos do país em São Jorge D´Oeste, muitas delas com o auxílio fundamental do Estado”, exalta.

Esse cenário propicia aumento de geração de empregos, em mais salários e em mais pessoas em condições de consumidor. “É preciso agregar valor e vender pelo preço justo, que é aquele que cobre os custos e dá margem de investimento e de vida digna a quem produz”, salienta Ortigara.

Ciclo de palestras

O Dia do Leite inicia às 09 horas com o credenciamento. Após, às 09h30, está marcada a solenidade de abertura com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella.

A partir das 11 horas, o economista doutor em Economia Aplicada e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, abordará o tema “Leite 4.0: desafios e oportunidades”. Professor nos cursos de MBA e mestrado em Administração da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Martins se dedica a estudar a competitividade do setor leiteiro e foi idealizador do Ideas For Milk, o primeiro ecossistema de inovação criado no agronegócio brasileiro.

E no período da tarde, a partir das 13h30, o engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara do Leite da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Vicente Nogueira Netto, vai ministrar a palestra “Reflexões sobre o mercado do leite”.

O encerramento da programação do Dia do Leite está previsto para as 15 horas.

Quem faz acontecer

O Dia do Leite é uma realização do Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O evento tem patrocínio ouro da Sicredi; prata da Biochem, Imeve e Prado Saúde Animal; e bronze da AB Vista, Anpario e Syntec. E conta ainda com o apoio do Sistema Ocepar, Câmara do Leite, Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa e da Associação Brasileira do Produtores de Leite.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Final das águas: a segunda janela de oportunidade para uma safra bovina produtiva

Uma característica desta fase é a sementeira dos pastos, indicando o fim do ciclo produtivo

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Foto: Assessoria

Por Lauriston Bertelli

Uma pecuária de corte lucrativa e sustentável é o desejo de todo pecuarista. Para isso, é fundamental criar o conceito de safra bovina, um formato que conduz um plano de trabalho para uma visão do todo, ou seja, com começo, meio e fim.

Considerando o conceito de safra, fica evidente a necessidade de planejar e realizar os processos produtivos respeitando as janelas que compõem o ano pecuário. São quatro momentos distintos e todos com sua devida importância.

Para ficar claro, existem quatro janelas no ciclo pecuário:

 

Janela 1 – período das águas;

Janela 2 – transição 1: saída das águas para o período da seca;

Janela 3 – período da seca;

Janela 4 – transição 2: saída de seca para período das águas.

 

Neste artigo vamos focar na janela 2 ou transição 1, que é o momento onde de fato se consolida ou não a sustentabilidade do ciclo produtivo. Esta é a fase que termina no período chuvoso, o mais produtivo do sistema de produção a pasto, e entra no período da seca, que via de regra é o “fantasma” da pecuária brasileira.

Este período coincide com o inicio do outono, fase de diminuição das chuvas e reduções do fotoperíodo e das temperaturas médias, o que induz a limitação da produtividade das forrageiras, encaminhando para uma fase de crescimento forrageiro praticamente nulo.

Uma característica desta fase é a sementeira dos pastos, indicando o fim do ciclo produtivo. O momento é oportuno para uma avaliação de todos os pastos para verificação do estoque atual de forragens, com o objetivo de enfrentar o período da seca de forma planejada.

Nesta transição, em algumas regiões ainda podem ocorrer chuvas suficientes para algumas práticas zootécnicas, como o pastejo diferido ou até uma possível fertilização nitrogenada, práticas que estendem a produção e a qualidade das pastagens.

Recomenda-se, portanto, a implementação desta rotina em todas as propriedades de produção de bovinos de corte que têm metas produtivas anuais e com o conceito “safra”, com compromisso de efetuar as ações dentro da “janela” correta.

É importante destacar também que neste período existem pastagens que ainda apresentam uma coloração verde e que já estejam sementeadas ou sementeando, nas quais os níveis nutricionais já estão em decréscimo. Este é o momento de virar a chave da suplementação de águas para a suplementação de transição.

Para este período, é possível utilizar três tipos de suplementação, cujos produtos devem ser aditivados preferencialmente com aditivo natural:

 

1- Suplemento na dosagem de 2 a 3 gramas por quilo de peso corporal, contendo 35% de proteína total e bem balanceado com macrominerais e microminerais;

2- Suplemento na dosagem de 4 a 6 gramas por quilo de peso corporal, contendo 18% de proteína total e bem balanceado com macrominerais e microminerais;

3 – Em caso de animais em pré terminação, pode-se iniciar uma terminação intensiva a pasto (TIP).

 

Esta suplementação vai permitir prolongar a fase de ganho de peso por mais 45 a 60 dias, indo ao encontro do máximo ganho por animal.

Se a avaliação das pastagens for feita adequadamente, as práticas zootécnicas vão sustentar a produção por hectare ou por área.

Estas avaliações podem ser feitas utilizando lombo de mulas, cavalos, quadriciclos, drones ou até mesmo por imagens de satélites. Por isso, não existe razão para não fazê-las onde quer que esteja a propriedade.

A utilização desta metodologia é um caminho fundamental para o sucesso na safra bovina.

 

Lauriston Bertelli Fernandes é criador, zootecnista, ex-presidente da ASBRAM e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Premix

 

Fonte: Assessoria
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