Avicultura
Programa Ovos RS impulsiona desenvolvimento do setor de postura
Presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destaca as conquistas e as ações desenvolvidas para fomentar o consumo de ovos ao longo da última década.

Com o objetivo de apoiar o desenvolvimento, a evolução técnica e a melhoria contínua da qualidade nos estabelecimentos produtores de ovos do Rio Grande do Sul, a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) criou em 2012 o Programa Ovos RS. Após uma década de existência, o projeto continua a avançar e expandir suas iniciativas em prol da avicultura gaúcha de postura, impulsionando o setor a novos patamares. Em 2022, o setor figurou entre os seis maiores estados produtores e o segundo maior exportador de ovos do país, de acordo com informações da Central de Inteligência de Aves e Suínos (Cias) da Embrapa Suínos e Aves.
Para desenvolver o Programa Ovos RS, a Asgav atua em duas frentes de trabalho. A primeira é com o módulo de Melhorias na Produção para aprimorar a qualidade dos ovos por meio de consultoria especializada e cursos de boas práticas de produção e certificações, além de parcerias estratégicas com universidades e profissionais das áreas de Zootecnia e Medicina Veterinária para fortalecer o conhecimento técnico e científico na implementação das melhores práticas na produção de ovos. “O objetivo desse módulo é estabelecer e reforçar a importância da implantação e do cumprimento das legislações vigentes para a produção de alimentos. Neste contexto, o programa serve como um instrumento de apoio na busca por melhorias no sistema de produção, abrangendo aspectos como sanidade, biossegurança e qualidade”, ressaltou o presidente executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, durante a 4ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos (Conbrasul), que aconteceu de 18 a 20 de junho, em Gramado, RS.
O segundo módulo tem como objetivo desmistificar, incentivar e promover o consumo de ovos, para isso, a Asgav fomenta projetos, desenvolve peças publicitárias e atividades de marketing, intensificando as ações durante a Semana do Dia Mundial do Ovo e no Egg Music Festival – Universidades, evento esse que em três edições reuniu estudantes de 12 instituições de ensino superior e alcançou mais de 65 mil pessoas.
Selo Ovos RS
Uma das conquistas mais importantes do programa é o Selo Ovos RS, um selo de referência que reconhece a conformidade dos estabelecimentos com os requisitos técnicos e sanitários alcançados pelo programa. De acordo com Santos, o Selo Ovos RS é concedido aos produtores de ovos que aderiram ao programa e passaram pela visita técnica da equipe. Aqueles estabelecimentos que alcançam uma taxa de aprovação de no mínimo 70% na vistoria, conforme os critérios do checklist aplicado, têm o direito de utilizar o Selo Ovos RS nas embalagens de ovos.
A equipe técnica responsável pelas estimativas é composta por alunos de graduação, mestrado e doutorado em Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade de Passo Fundo (UPF), do Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter) e da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). “Essa parceria entre a Asgav e as universidades contribui para a formação dos estudantes, ao mesmo tempo em que garante a realização de perícias técnicas de alta qualidade”, afirma Santos.
Atualmente, o Selo Ovos RS é utilizado nas embalagens de 14 estabelecimentos participantes do programa. Além disso, as informações, relatórios e planos de ação gerados a partir das visitas são compartilhados com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e com a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul (Seapdr/RS), visando o constante aprimoramento das práticas relacionadas à produção de ovos.
O presidente executivo da Asgav destaca o sucesso do programa e a importância de valorizar a qualidade do ovo produzido pelos avicultores gaúchos. “Estamos muito satisfeitos com os resultados alcançados pelo Programa Ovos RS. Nossa parceria com os estabelecimentos produtores tem contribuído para elevar os padrões de produção e oferecer ovos de alta qualidade aos consumidores. Além disso, ao desmistificar e promover o consumo de ovos, estamos fomentando uma alimentação mais saudável e nutritiva”, enaltece.
Certificação Ovos Plus Quality
Por meio de uma cooperação técnica com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), a Asgav lançou em janeiro de 2021 o Programa de Certificação Ovos Plus Quality. “Esse programa é uma certificação voluntária idealizada pela Asgav e o Programa Ovos RS, que conta com suporte técnico de um comitê consultivo, composto por representantes de instituições de ensino e pesquisa, técnicos do setor, empresas fornecedoras de serviços e insumos, além de representantes dos produtores de ovos. O processo de avaliação das granjas é conduzido de forma independente pelo Instituto Senai de Mecatrônica, que é um Organismo de Certificação acreditado pelo Inmetro”, detalha Santos.
Os sistemas de produção de ovos podem ser certificados com o selo OPQ (Ovos Plus Quality) em diferentes modalidades, como convencional, caipira, cage-free, codorna e orgânico. “O programa disponibiliza consultoria para certificar a produção convencional, caipira, cage-free e codorna, mas ainda não possui os requisitos necessários para certificar a produção de ovos orgânicos”, expõe Santos, destacando que essa certificação busca promover a qualidade e segurança dos ovos, fornecendo aos consumidores a garantia de que os produtos atendem aos mais altos padrões de qualidade.
Vantagens do Programa Ovos RS
Além de oferecer suporte técnico e orientativo permanente aos participantes do Programa Ovos RS, com atenção especial em atender à legislação de inspeção e sanidade, a fim de garantir que todas as práticas adotadas estejam em conformidade com os mais altos padrões de produção, a Asgav também promove a realização de um programa voluntário de controle de qualidade em ovos. “Essa iniciativa visa manter a excelência do produto e garantir a satisfação dos consumidores”, pontua Santos.
A Asgav também atua como um canal de comunicação entre os produtores e os órgãos oficiais, facilitando a troca de informações e orientações. Realiza encontros anuais de capacitação e inovação técnica do Programa Ovos RS, direcionados aos proprietários, técnicos e profissionais dos estabelecimentos membros, proporcionando oportunidades de aprendizado e atualização. “Esses encontros visam promover a melhoria contínua do setor, fornecendo conhecimentos atualizados, práticas inovadoras e orientações técnicas relevantes para a produção de ovos no Rio Grande do Sul”, salienta Santos.
IOB e Asgav
Durante a 4ª Conbrasul Ovos, a Asgav assinou filiação ao Instituto Ovos Brasil (IOB), em uma parceria que tem como propósito fortalecer o setor a nível nacional e replicar ações que promovam os benefícios do consumo de ovos à saúde da população brasileira. “A partir de agora, o IOB e a Asgav vão trabalhar juntos com o objetivo fortalecer o consumo de ovos no país. Através da troca de experiências e da união de forças, buscamos alcançar um consumo cada vez mais expressivo no Brasil. O foco é oferecer um produto de qualidade e segurança, trabalhando em direção à meta de 365 ovos per capita”, menciona o presidente do IOB, Edival Veras. “Essa parceria representa uma união de esforços para aumentar ainda mais a nossa competitividade, fortalecendo a indústria de ovos do Brasil”, complementa o presidente executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos.
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Avicultura
SBSA reúne mais de 2,5 mil profissionais e reforça debate técnico sobre sanidade, nutrição e mercado avícola
Evento do Nucleovet teve público recorde, feira com mais de 70 empresas e programação focada em biosseguridade, gestão e competitividade internacional do frango brasileiro.

Chapecó, no Oeste catarinense, foi ponto de encontro de debates que movimentam a avicultura no Brasil e no mundo. Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que encerrou na quinta-feira (09), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, com um público recorde de mais de 2,5 mil participantes.

Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o Simpósio reuniu profissionais de diferentes regiões do Brasil e do exterior em uma programação intensa, que percorreu temas estratégicos como gestão e mercado, sanidade, nutrição, abatedouro e sustentabilidade. Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias, lançamento de soluções e troca de experiências, fortalecendo a integração entre indústria, pesquisa e campo.

Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Foram três dias de debates técnicos, painéis estratégicos e momentos de interação que aproximaram ciência, campo e indústria, promovendo um ambiente de construção coletiva do conhecimento. Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas. “Encerramos a 26ª edição do SBSA com um público recorde de mais de 2.500 pessoas. Tivemos discussões relevantes e muitas conexões importantes, tanto na feira quanto na programação científica. Isso mostra a força do setor e a importância do Simpósio como espaço de atualização e relacionamento”, afirmou.
Ela também destacou que o evento acompanha um setor em constante transformação. Ao longo da programação, temas como sanidade, inovação nutricional, gestão de pessoas e cenários globais evidenciaram que a avicultura vai além da produção, exigindo cada vez mais estratégia, tecnologia e qualificação profissional.
Programação científica

Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
A programação científica percorreu os principais desafios e avanços da avicultura moderna, reunindo especialistas em debates que conectaram teoria e prática. Temas como sanidade avícola, controle de doenças emergentes, nutrição de precisão e saúde intestinal evidenciaram a importância do monitoramento constante, do uso de tecnologias e da evolução das estratégias produtivas para garantir desempenho, biosseguridade e sustentabilidade no setor.
Além dos aspectos técnicos, o Simpósio também ampliou a discussão para temas estratégicos, como gestão de pessoas, cenário global e aplicação do conhecimento no campo. As palestras reforçaram que a competitividade da avicultura passa pela qualificação profissional, pela capacidade de adaptação às transformações do mercado e, principalmente, pela conexão entre pessoas, processos e inovação. “O SBSA também mostrou o papel do Brasil no cenário internacional, como maior exportador mundial de carne de frango, com presença em mais de 150 mercados. Isso demonstra a responsabilidade do setor e a necessidade de estarmos sempre atualizados e preparados para os desafios globais”, completou Aletéia.
Ação social

Parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
O SBSA também teve espaço para ações sociais. Nesta edição, o lucro da NúcleoStore (loja de artigos personalizados que, a cada Simpósio, beneficia uma instituição de Chapecó. Os participantes puderam adquirir bótons, camisetas de diferentes estampas com uma comunicação mais lúdica sobre o setor, meias, lixocar e mousepads), será destinado à Associação de Voluntários do Hospital Regional do Oeste (Avhro), enquanto parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó. A iniciativa destaca o compromisso do Nucleovet em transformar seus eventos em plataformas de impacto social, aproximando os participantes da realidade das instituições e incentivando novas formas de contribuição. “Essas ações mostram que o nosso trabalho vai além da técnica. Queremos contribuir com a comunidade e fortalecer o papel social da entidade, conectando conhecimento com propósito”, enalteceu a presidente.
Avicultura
Geopolítica ganha protagonismo nas decisões do agro, aponta especialista no SBSA
Palestra de abertura destaca impacto de conflitos, tarifas e relações de poder no cenário econômico global.

“Decisões políticas, conflitos e alianças internacionais impactam diretamente a economia e os mercados”. A afirmação é do cientista político, professor e palestrante Heni Ozi Cukier (HOC), responsável por conduzir a palestra de abertura do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) e da 17ª Brasil Sul Poultry Fair, organizados pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet). A apresentação ocorreu na noite desta terça-feira (7), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
Com o tema Cenários Globais 2026, a palestra trouxe uma análise dos principais movimentos geopolíticos e econômicos que influenciam o cenário internacional e impactam diretamente setores estratégicos como o agronegócio. Reconhecido por sua atuação na área de relações internacionais, Heni iniciou a apresentação destacando a importância de ampliar a forma de interpretar o cenário global. Segundo ele, analisar o mundo apenas pela ótica econômica já não é suficiente. “Tentar explicar o mundo somente pela economia não funciona. As decisões são influenciadas por relações de poder, interesses políticos e fatores estratégicos. A tomada de decisão, mesmo quando parece racional, está sempre subordinada à política”, pontuou.
O palestrante ressaltou, ainda, que “Relações comerciais são, na prática, relações de poder. Existe interdependência econômica, mas essa dependência nunca é neutra. Sempre há interesses e disputas envolvidos”.
Durante a apresentação, HOC também trouxe uma abordagem conceitual sobre geopolítica, destacando que ela vai além do estudo de conflitos. Segundo ele, trata-se de uma forma de compreender o mundo a partir da relação entre espaço geográfico e decisões históricas. “A geopolítica explica como o ambiente, ‘o tabuleiro’, influencia o comportamento, a cultura, a riqueza e as decisões dos países, ‘o jogo’”, contextualizou.
Ao longo da palestra, o especialista apresentou reflexões sobre os principais cenários globais projetados para os próximos anos e discutiu como essas transformações impactam diretamente a competitividade econômica, a logística, o desenvolvimento territorial e a inserção internacional de diferentes regiões e setores.
Para HOC, compreender geopolítica deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade estratégica. “O que acontece no cenário internacional impacta diretamente todos os países, os setores e atividades econômicas. Não dá para olhar o mundo de forma isolada. Nenhum governo, empresa ou setor consegue funcionar plenamente sem entender as forças geopolíticas que moldam o mundo”, acrescentou.
Cenário atual
Ao contextualizar o cenário atual, o palestrante citou o chamado “tarifaço” como um dos principais acontecimentos de 2025, evidenciando o retorno de políticas mais protecionistas no comércio internacional. Segundo ele, o movimento reforça como decisões políticas impactam diretamente cadeias produtivas globais. “Medidas como o aumento de tarifas mostram que o comércio internacional não é regido apenas por lógica de eficiência, mas por interesses estratégicos dos países”, destacou.
O especialista ressaltou que as relações comerciais vão além de trocas econômicas, sendo também expressões de poder e influência. “Relações comerciais são, na prática, relações de poder. Existe interdependência econômica, mas essa dependência nunca é neutra. Sempre há interesses e disputas envolvidos”, afirmou.
HOC destacou que aqueles que conseguem incorporar essas análises ao planejamento estratégico tendem a se posicionar melhor no mercado. “Se antes o foco estava quase exclusivamente na economia, atualmente isso não basta mais. A economia, sozinha, não explica a complexidade do cenário global”, concluiu.
Solenidade de abertura
Antecedendo a palestra, a cerimônia oficial de abertura do evento reuniu lideranças do setor, autoridades e representantes da cadeia produtiva. Em seu pronunciamento, a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destacou o papel do Simpósio como espaço de construção de conhecimento e conexão entre os diferentes elos da cadeia avícola. “Falar de avicultura é, antes de tudo, falar de pessoas. Pessoas que acordam cedo todos os dias, que trabalham com dedicação, responsabilidade e um propósito muito claro: produzir alimento de qualidade e contribuir com a segurança alimentar do mundo”, afirmou.
A presidente ressaltou o protagonismo da proteína avícola no cenário global. Segundo dados da ABPA, a produção mundial de carne de frango alcançou 105,8 milhões de toneladas em 2025, com projeção de crescimento para 107,5 milhões de toneladas em 2026, consolidando o frango como a proteína animal de maior expansão no mundo.
Dentro desse contexto, Aletéia enfatizou a posição estratégica do Brasil. “Somos o segundo maior produtor mundial, com cerca de 15,6 milhões de toneladas, mas ocupamos a liderança nas exportações, com aproximadamente 5,3 milhões de toneladas embarcadas em 2025, gerando uma receita próxima de 9,8 bilhões de dólares. Isso representa cerca de 38% de tudo o que é comercializado entre países”, pontuou.
Mercado interno
Aletéia também salientou a relevância do mercado interno, com consumo per capita de 47,3 quilos por habitante ao ano, um dos mais elevados do planeta. “Estamos presentes em mais de 150 mercados, levando alimento de qualidade, segurança sanitária e confiança para milhões de pessoas, ao mesmo tempo em que abastecemos o mercado interno com uma proteína acessível, eficiente e essencial”, destacou.
Segundo ela, esse cenário ilustra a responsabilidade do setor e a importância de eventos como o SBSA. “É com esse espírito de relevância e de compromisso com o futuro que nos reunimos neste encontro de conexão, troca e construção coletiva”, afirmou.
A presidente também destacou o papel social da entidade e o impacto das ações desenvolvidas junto às instituições beneficentes. “Nosso compromisso vai além do técnico. Buscamos transformar nossos eventos em plataformas de impacto social, valorizando o trabalho das entidades e ampliando o alcance dessas ações na comunidade”, ressaltou.
Aletéia lembrou que a edição deste ano tem um significado especial. “Celebramos os 55 anos do Nucleovet e os 65 anos da Sociedade Catarinense de Medicina Veterinária (SOMEVESC), com uma trajetória construída com base em conhecimento, cooperação e desenvolvimento do setor”, concluiu.
O prefeito de Chapecó, Valmor Scolari, também comentou o impacto do evento para o município e para o setor produtivo. “Para Chapecó, é uma honra receber profissionais e representantes do setor produtivo e empresarial de diferentes regiões. Trata-se de um grande evento, que movimenta a economia e fortalece o conhecimento científico no município. Ficamos muito felizes com essa parceria com o Nucleovet”, afirmou. O prefeito também ressaltou a importância de iniciativas que incentivam o apoio às entidades beneficentes.
Ação social
Tradicionalmente, o Nucleovet promove ações sociais em seus eventos. Nesta edição do Simpósio, todo o lucro arrecadado com a NúcleoStore, loja de artigos personalizados, será doado à Associação de Voluntários do Hospital Regional do Oeste (Avhro) e parte das inscrições do simpósio à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó. O Nucleovet também realizou uma apresentação institucional para ilustrar a importância das ações sociais desenvolvidas pela entidade. A iniciativa teve como objetivo mostrar aos participantes de diversas regiões do Brasil e também do exterior, o impacto das ações realizadas ao longo do ano, bem como o trabalho das instituições beneficiadas.
Representando a Avhro, participaram a presidente Édia Lago e a vice-presidente Maria Assunta Mesalira. Pela Rede Feminina de Combate ao Câncer, estiveram presentes a presidente Nelsi Terezinha Lanzarini Rigo e a vice-presidente Liliane Sales Pedroso. Também acompanharam a solenidade representantes do Nucleovet: o vice-presidente Marcelo Rocha Nogueira, a tesoureira Claudia Moita Zechlinski dos Santos, a diretora social Celita Mattiello e a coordenadora da NúcleoStore, Amanda Santos, que reforçaram o convite para contribuição à causa
Avhro
A Avhro completa em 2026 24 anos de atuação, destacando-se como uma das principais entidades de voluntariado da região oeste. Sob a presidência de Édia Lago, a associação conta atualmente com mais de 300 voluntárias e tem como objetivo auxiliar o Hospital Regional do Oeste (HRO), o Hospital da Criança de Chapecó e o Hospital Nossa Senhora da Saúde, em Coronel Freitas, contribuindo para o bem-estar físico, social, psicológico e humanitário da comunidade.
Rede Feminina
A Rede Feminina de Combate ao Câncer atua há 43 anos em Chapecó e, desde 2007, mantém uma Casa de Apoio que oferece hospedagem, alimentação e transporte gratuitos para mulheres e crianças em tratamento oncológico vindas de outras cidades da região. O espaço conta com 14 apartamentos com banheiro, além de toda a estrutura necessária para acolhimento, incluindo alimentação, lavanderia e transporte até as unidades de saúde.
Avicultura
Painel do SBSA destaca que genética do frango atual exige manejo mais preciso nas granjas
Especialistas apontam que ambiência, sanidade, nutrição e coleta de dados passaram a definir desempenho, conversão alimentar e perdas no abate.

O manejo do frango de corte moderno abriu os debates do painel sobre manejo, na quarta-feira (08), no 26° Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet). Os médicos-veterinários Rodrigo Tedesco Guimarães e Lucas Schneider debateram critérios relacionados ao processo de seleção genética, tecnologias e aspectos de manejo.
Rodrigo fez um comparativo com estratégias usadas no passado e na avicultura atual e propôs uma reflexão sobre a necessidade de adaptação de práticas tradicionais de manejo para que atendam a esse frango moderno e, de fato, garantam a expressão do seu potencial genético.
Na avaliação do especialista, a ave moderna está mais responsiva e isso exige um equilíbrio entre todos os processos. “O progresso genético exige um novo ponto de equilíbrio entre desempenho acelerado e robustez fisiológica. Com a evolução genética, as aves se tornaram ultra-responsivas ao ambiente. Ter apenas água e alimento não é mais suficiente. O sucesso agora exige precisão absoluta em sanidade, nutrição e ambiência”.
Na visão de Rodrigo, o manejo moderno continuará sendo sistêmico, mas exigirá cada vez mais excelência nos índices zootécnicos. “O tempo mais curto entre a eclosão e o abate faz com que cada erro tenha um custo cada vez maior. Isso exige que as oportunidades que se apresentam em cada etapa de produção sejam aprimoradas para melhorar o resultado do processo. É um efeito dominó. O ambiente perfeito vai levar ao enchimento de papo adequado, à obtenção do peso esperado, que consequentemente vai nos garantir uniformidade do lote e rendimento máximo no momento em que esse produto for para abate. Preciso fazer uma coleta criteriosa de dados, agir rapidamente para trazer soluções e ter um manejo estritamente responsivo, contando com equipes bem treinadas”, destacou.

Médico veterinário Lucas Schneider reforçou importância de adotar estratégias para conforto térmico – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Genética moderna exige precisão diária
O médico-veterinário Lucas Schneider reforçou que a evolução genética e os investimentos em granjas têm transformado significativamente o perfil do frango produzido atualmente. Um novo cenário que exige mudanças no manejo tradicional adotado pela cadeia produtiva.
Um dos grandes desafios do setor é romper paradigmas ainda presentes no dia a dia das granjas. “Muitas das práticas que funcionavam no passado já não atendem mais às exigências do frango atual. Precisamos avançar nesses conceitos para extrair o máximo potencial produtivo e garantir maior eficiência e rentabilidade”, ressaltou.
Para isso, é imprescindível que haja uma mudança de mentalidade, que alinhe o manejo às novas características das aves. A assertividade nessas estratégias vai trazer oportunidades como diminuição de custos, aumento da rentabilidade para o produtor e para a empresa, redução de mortalidade, especialmente na fase final, melhora do ganho de peso diário, melhora em conversão alimentar e redução das condenações em planta de abate, que é atualmente o maior custo do setor.
“Há várias estratégias que podemos adotar para atingir esses objetivos, como planejamento de produção, perfil de linhagem, observação do comportamento fisiológico, temperatura do ar, temperatura corporal, tudo focado em melhorar manejo e desempenho”, exemplificou Lucas.
Dentre essas estratégias, o estresse térmico é uma etapa chave. Nesse sentido, a ambiência, que envolve temperatura, ventilação e velocidade do ar, deixou de ser somente questão de conforto térmico e se tornou um limitante produtivo.
Na avaliação do especialista, as aves modernas operam com margens de erro menores, por isso, falhas nos processos produtivos podem resultar em prejuízos até mesmo irreversíveis. “As linhagens respondem de forma diferente ao manejo, por isso aplicar um manejo genérico limita o desempenho. A genética moderna exige precisão diária”, pontuou.



