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Programa Milho 100% amplia distribuição de sementes no Rio Grande do Sul
Número de agricultores atendidos cresceu 41% em relação à safra anterior. Iniciativa terá investimento de R$ 96,2 milhões e alcançará 472 municípios gaúchos.

O Programa de Recuperação das Lavouras de Milho e Sorgo (Milho 100%) registrou recorde de adesão para a safra 2026/2027 no Rio Grande do Sul. Ao todo, 57 mil agricultores familiares solicitaram participação na iniciativa, número 41% superior ao registrado na edição anterior.
A Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) também confirmou a participação de 850 entidades na operacionalização do programa, entre prefeituras, sindicatos, cooperativas e associações. As instituições atuarão em 472 municípios gaúchos, ampliando a distribuição das sementes aos produtores cadastrados.
O aumento da adesão ocorreu após a ampliação do limite de sementes disponibilizadas por agricultor, que passou a permitir o acesso a até quatro sacas por beneficiário. Na safra anterior, o programa tinha alcance menor.
Para atender a demanda desta edição, o governo estadual destinou R$ 96,2 milhões, provenientes do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper), com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). O investimento permitirá a aquisição de 134.416 sacas de sementes de milho e sorgo, com média de 2,35 sacas por produtor.
Segundo a SDR, a área cultivada com milho no Estado terá cerca de 11% de participação direta do programa nesta safra. As entregas das sementes estão previstas para começarem ainda em julho.
Ampliação da rede de atendimento
Além do número de agricultores beneficiados, a edição 2026/2027 ampliou a rede de entidades envolvidas. São 850 organizações responsáveis por receber e distribuir as sementes aos produtores, em uma estrutura que envolve municípios, cooperativas, sindicatos e associações rurais.
O secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, afirmou que a expansão do programa está relacionada à articulação com as entidades locais. “O crescimento do Milho 100% comprova a importância do programa para a agricultura familiar gaúcha. Chegar a 850 entidades envolvidas e atender praticamente todo o Estado demonstra a capilaridade desta política pública e o trabalho realizado pela SDR na construção de parcerias com municípios, cooperativas e associações”, declarou.
O diretor do Departamento de Agricultura Familiar e Pecuária Familiar (DAFA), Jonas Wesz, atribuiu o resultado ao trabalho de planejamento e execução da equipe técnica da secretaria. “Esse resultado é fruto do trabalho permanente da equipe do Departamento, que atua desde o planejamento até a execução do programa, sempre buscando aperfeiçoar a política pública e ampliar o atendimento aos agricultores e pecuaristas familiares”, afirmou.
Nesta edição, os produtores também terão acesso a diferentes grupos de sementes, fornecidos por 11 empresas, permitindo a escolha de materiais conforme as características das propriedades. “O agricultor poderá escolher a tecnologia mais adequada à realidade de sua propriedade”, disse o coordenador do programa, Vicenti Ney.
Programa sem custo para produtores
Criado para apoiar a recuperação das lavouras de milho e sorgo, o Milho 100% prevê o fornecimento gratuito das sementes aos agricultores familiares cadastrados. A iniciativa faz parte das ações do Plano Rio Grande voltadas à recuperação produtiva do meio rural após eventos climáticos que afetaram o Estado.
A regulamentação da safra 2026/2027 está prevista na Resolução Feaper nº 05/2026. Entre os objetivos do programa estão ampliar a área cultivada, reduzir custos de implantação das lavouras e contribuir para a produção de milho e sorgo no Rio Grande do Sul.

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Exportadores terão acesso a R$ 15 bilhões em crédito para ampliar competitividade
Recursos poderão financiar capital de giro, expansão da produção, inovação e adequação às exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade dos mercados internacionais.

Empresas exportadoras da agropecuária, da agroindústria e de outros setores produtivos poderão acessar até R$ 15 bilhões em linhas de crédito destinadas a reduzir os impactos das instabilidades no comércio internacional e de medidas comerciais unilaterais adotadas por outros países. O Plenário do Senado aprovou, na última quarta-feira (08), o Projeto de Lei de Conversão (PLV) 7/2026, originado da Medida Provisória (MP) 1.345/2026. O texto segue para sanção presidencial.

A proposta amplia o alcance da política oficial de crédito às exportações e autoriza a utilização de recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) para respaldar as operações de financiamento. A medida dá continuidade às ações adotadas pelo governo federal desde 2025 para enfrentar os efeitos do aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e de outras restrições ao comércio internacional.
Além da agroindústria, passam a ser contempladas empresas dos setores da agricultura, pecuária, florestas plantadas, pesca, aquicultura e recursos minerais. Cooperativas e associações também poderão acessar as linhas de crédito, desde que atendam aos critérios de elegibilidade estabelecidos na proposta.

Os financiamentos poderão ser destinados ao capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos, ampliação da capacidade produtiva e investimentos em inovação tecnológica. Os recursos também poderão financiar a adaptação de produtos, serviços e processos às exigências dos mercados internacionais, incluindo requisitos sanitários, fitossanitários, ambientais, de rastreabilidade e de conformidade regulatória.
O limite autorizado é de até R$ 15 bilhões, provenientes principalmente do superávit financeiro do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), apurado em 31 de dezembro de 2025, além de outras fontes orçamentárias. As operações serão realizadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou por instituições financeiras habilitadas, enquanto o Conselho Monetário Nacional (CMN) ficará responsável por definir encargos, prazos e critérios para concessão dos financiamentos.
O texto aprovado também reorganiza o modelo de compartilhamento de riscos entre os fundos garantidores, com o objetivo de fortalecer a segurança das operações de crédito e ampliar o acesso ao financiamento para empresas exportadoras.
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USDA projeta produção mundial de trigo menor para safra 2026/27
Estimativa de 819,969 milhões de toneladas representa queda de 2,8% frente à temporada anterior.

Os preços do trigo registraram avanço, influenciados pela expectativa de menor oferta global após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduzir a projeção para a safra norte-americana, que pode alcançar o menor volume desde 1970/71.

Foto: Breno Lobato
De acordo com o Cepea, no mercado brasileiro, a disponibilidade limitada da safra anterior (“velha”) contribuiu para a sustentação dos preços. Por outro lado, a desvalorização do dólar frente ao Real favoreceu as importações e reduziu o espaço para altas mais intensas no mercado doméstico.
Em seu relatório mais recente, o USDA estimou a produção mundial de trigo da safra 2026/27 em 819,969 milhões de toneladas, uma redução de 0,01% em relação à previsão divulgada em junho. Na comparação com a temporada 2025/26, a produção global deve recuar 2,8%.
Segundo o órgão norte-americano, a redução está relacionada principalmente às menores projeções para as safras dos Estados Unidos e do Canadá. O movimento foi parcialmente compensado por revisões positivas nas estimativas de produção da Rússia e da Ucrânia.
Para os Estados Unidos, o USDA reduziu a previsão de produção em 0,5% na comparação com o relatório anterior e em 22,6% frente à safra 2025/26, para 41,81 milhões de toneladas. Caso a estimativa seja confirmada, o volume será o menor registrado pela triticultura norte-americana desde a temporada 1970/71.
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Tecnologia no pós-colheita ajuda produtor a reduzir perdas e preservar valor dos grãos
Monitoramento de umidade, temperatura e qualidade permite decisões mais precisas e reduz impactos financeiros após a saída da lavoura.

Como não foram fornecidas declarações de fontes ou entrevistados, o texto abaixo foi reestruturado sem a inclusão de falas atribuídas, evitando a criação de aspas não documentadas.
O agronegócio brasileiro passou por uma profunda transformação tecnológica dentro das propriedades rurais nas últimas décadas. Ferramentas como GPS, agricultura de precisão, drones, sensores e softwares de gestão mudaram a forma de plantar, monitorar e colher, elevando os níveis de produtividade e eficiência das lavouras.

Foto: Marcos Marques
Agora, uma nova etapa da competitividade começa a ganhar protagonismo no setor: o manejo realizado após a colheita. Em um ambiente marcado por margens mais apertadas e compradores cada vez mais rigorosos em relação à qualidade dos grãos, processos como secagem, armazenagem e monitoramento da umidade passaram a exercer influência direta sobre a rentabilidade da safra.
Apesar disso, parte do setor ainda trata o pós-colheita como uma atividade operacional, e não como uma etapa estratégica da produção agrícola.
Dados da Motomco mostram que aproximadamente 58,3% dos descontos aplicados na recepção da soja estão relacionados ao excesso de umidade nos grãos, um indicador que pode ser monitorado e gerenciado pelo produtor ainda na propriedade, antes mesmo do embarque da carga para as unidades armazenadoras.
As diferenças regionais ajudam a explicar o impacto desse fator sobre a renda do produtor. Na Região Sul, 63,5% das cargas de soja chegam aos armazéns com teores de umidade entre 12% e 15%, faixa próxima ao padrão de referência de 14% adotado pelo mercado.
No Centro-Oeste, porém, o cenário é distinto. Como a colheita frequentemente coincide com períodos de maior incidência de chuvas, 48,3% das cargas são recebidas com umidade superior a 17,8%, exigindo processos adicionais de secagem e aumentando os descontos aplicados durante a classificação dos grãos.

Foto: Divulgação/Gov.br
Em safras marcadas por adversidades climáticas, os impactos econômicos podem ser ainda mais expressivos. Enquanto os índices de impurezas tendem a permanecer dentro dos limites aceitáveis graças à evolução tecnológica das colhedoras, o percentual de grãos avariados pode superar 30% da carga em determinadas regiões produtoras.
Na prática, toda a água excedente presente nos grãos é descontada diretamente do peso líquido comercializado, reduzindo o volume efetivamente remunerado ao produtor e transferindo para o pós-colheita uma parcela crescente da competitividade da produção agrícola brasileira.
Em muitos casos, porém, o produtor sequer sabe que está exposto a esse tipo de perda. Sem ferramentas de monitoramento, a decisão sobre o momento de colher, secar ou armazenar continua sendo baseada na percepção visual ou na experiência acumulada ao longo dos anos, sem dados precisos sobre a real condição dos grãos.
Adoção de tecnologias no pós-colheita
Para o engenheiro agrônomo Roney Smolareck, o que impede hoje a adoção de tecnologias no pós-colheita já não é mais uma barreira financeira, mas sim cultural. “Em muitos casos, a resistência está relacionada ao modelo de gestão. Empresas e propriedades que ainda operam com estruturas mais tradicionais tendem a adotar novas tecnologias de forma mais lenta”, explica.

Foto: Lucas Fermin/SEED
Segundo ele, essa diferença fica evidente nas novas fronteiras agrícolas brasileiras. Regiões como o Matopiba já contam com uma geração de produtores e gestores que iniciou suas operações com foco em eficiência operacional, integração de sistemas e gestão baseada em dados. “Esses produtores já nasceram em um ambiente tecnológico. Eles entendem que pequenas perdas durante a secagem, armazenagem e movimentação dos grãos podem representar impactos financeiros significativos ao final da safra”, pontua.
Essa percepção, no entanto, vem avançando também entre as propriedades mais tradicionais. À medida que o foco do produtor deixa de ser apenas produtividade e passa a incorporar indicadores de rentabilidade, cresce a compreensão de que decisões relacionadas às etapas do pós-colheita e comercialização podem impactar o resultado financeiro tanto quanto o desempenho obtido na lavoura.
Mudança de mentalidade
Um exemplo dessa mudança de mentalidade é do produtor de Rondon do Pará, Marcos Marques, que cultiva cerca de 1.300 hectares de soja, milho, sorgo e gergelim. Assim como aconteceu com seu pai e seu avô, ele passou boa parte da carreira concentrando sua atenção na produção dentro da porteira, sem grande visibilidade sobre o que acontecia com os grãos após a colheita.

Foto: Shutterstock
Há quatro anos, decidiu investir em armazenagem própria e em tecnologias de monitoramento de umidade e temperatura. Com isso, passou a tomar decisões baseadas em informações geradas dentro da própria fazenda, reduzindo a dependência de medições realizadas por terceiros. “Depois que eu comprei o silo e coloquei mais tecnologia voltada pro pós-colheita na fazenda, pude perceber o tanto que eu perdia lá para trás. Não dá nem para mensurar o tamanho do ganho, mas a diferença é muito grande”, relata.
Para ele, o principal benefício foi o controle sobre as informações e o aumento da segurança comercial nas negociações com compradores e portos. “Já tivemos situações em que a carga chegou ao porto e os números não batiam. Como temos equipamentos aferidos e laudos próprios, conseguimos comprovar a qualidade do produto. Isso traz muito mais segurança para negociar”, ressalta.
Exigências dos mercados consumidores
A preocupação crescente com o pós-colheita também está ligada às exigências dos mercados consumidores, que demandam cada vez mais rastreabilidade e preservação de características específicas dos grãos. Na soja, o desafio está em preservar teores de proteína e óleo.
No milho e no sorgo, a manutenção do amido é fundamental para setores como alimentação animal e produção de etanol. No trigo, a qualidade da farinha depende diretamente das características tecnológicas do grão. Já na cevada, uma secagem inadequada pode comprometer o poder germinativo necessário para a maltagem, reduzindo significativamente seu valor comercial.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Nesse cenário, o uso de dados em tempo real vem substituindo controles manuais em toda a cadeia de armazenagem. Sensores conectados, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial e plataformas integradas de monitoramento permitem acompanhar indicadores críticos de qualidade e antecipar riscos operacionais.
Segundo Smolareck, essa transformação já pode ser observada na própria estrutura das unidades armazenadoras. “O que antes era uma simples sala de classificação, hoje muitas vezes funciona como um laboratório de qualidade equipado com computadores, equipamentos integrados e sistemas automatizados de coleta e processamento de dados. Há alguns anos, muita gente questionava a necessidade de monitorar a lavoura com GPS, mapas e sensores. Hoje isso faz parte da rotina das propriedades mais eficientes. Com o pós-colheita, estamos vendo um movimento semelhante. A diferença é que agora a disputa acontece depois que o grão sai do campo”, enfatiza.




