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Programa Jovem Agricultor Aprendiz revela talentos para o futuro do campo

Histórias de jovens que mudaram de rumo, descobriram a vocação rural e hoje atuam como produtores, instrutores e profissionais do agro reforçam o papel do programa do Sistema Faep na sucessão e na inovação das propriedades paranaenses.

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Fotos: Divulgação/Sistema Faep

Em 2005, uma jovem de 15 anos do município de Paula Freitas, na região Sul do Paraná, decidiu se inscrever no recém-criado Programa Jovem Agricultor Aprendiz (JAA) do Sistema Faep. Daniele Miroslava Kloc, filha de produtores rurais, sempre teve o campo como cenário de sua infância e adolescência. Enquanto colegas buscavam outras áreas, a jovem queria provar que a mulher podia ocupar qualquer espaço no agronegócio.

“Sempre me chamou atenção que todas as mulheres optavam por outras áreas. Tinha vontade de provar que a mulher poderia estar onde quisesse”, lembra Daniele, que desde cedo, se apaixonou pelo estudo dos solos e pela gestão da propriedade. A experiência no JAA só reforçou a vocação para cursar Agronomia.

Daniele (em pé, de jaqueta azul e verde) atualmente é uma das instrutoras do JAA no Paraná

Hoje, 20 anos depois, Daniele é instrutora do próprio programa que a inspirou. Durante as aulas, ela transmite aos jovens o mesmo entusiasmo pelo campo que sentiu ainda adolescente. Além disso, toca com o marido a propriedade da família, onde cria ovinos, caprinos, galinhas caipiras, gado de corte, e ensina ao filho a importância do trabalho rural.

“O que ajuda a inspirar esses jovens é o fato de eu estar na propriedade. Falo sobre a importância de acreditar e permanecer no campo. Eles não são apenas moradores, mas empresários rurais. É possível trabalhar com tecnologia, empreender e ainda ter uma vida conectada com a natureza”, afirma Daniele.

O JAA surgiu exatamente para isso: preparar adolescentes de 14 a 18 anos para atuar com segurança, eficiência e responsabilidade no meio rural. Lançado pelo Sistema Faep em 2005, o programa nasceu a partir de experiências-piloto em municípios como Astorga, Rolândia, Palmas e Tijucas do Sul, e, desde então, passou por constantes aprimoramentos. Hoje, oferece cursos de gestão, bovinocultura, fruticultura, mecanização, olericultura e piscicultura, além de oficinas práticas sobre agrofloresta, meliponicultura e trânsito rural, sempre com foco na aplicação prática e no desenvolvimento integral dos jovens.

“O JAA é uma das iniciativas mais transformadoras do Sistema Faep. Em 20 anos, vimos jovens que poderiam ter deixado o campo se tornarem profissionais, empreendedores e até instrutores que multiplicam esse conhecimento. Isso mostra a força da educação para o futuro do agronegócio e para a sucessão na propriedade”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema Faep.

Ao longo de 20 anos, mais de 64 mil jovens já passaram pelo programa, com uma distribuição equilibrada entre os gêneros: 50,95% homens e 49,05% mulheres. Esses números mostram o pioneirismo do JAA, refletindo o compromisso em oferecer oportunidades iguais, mostrando que, no campo, mulheres e homens têm espaço para aprender, crescer e assumir papéis de liderança.

Retorno como instrutores

Entre os exemplos de jovens que enxergaram oportunidades de carreira dentro do agronegócio a partir do JAA, está Vinicius Romagnollo, de São Pedro do Ivaí, na região Norte do Paraná. Filho de produtores rurais, ele morou na propriedade até os 18 anos e iniciou no JAA aos 14, em 2013, no módulo “Preparando para gestão”. “Eu já mexia com lavoura de grãos, tinha vontade de ser produtor, mas não sabia se queria fazer faculdade. Foi uma baita experiência”, lembra.

Romagnollo (à frente) é instrutor do JAA desde 2022

O contato com a dinâmica do agronegócio, aliado ao estímulo da instrutora, despertou em Romagnollo o interesse por uma graduação. Em 2015, aproveitou a chance de cursar o módulo específico de mecanização agrícola. “Ali decidi seguir uma faculdade em que pudesse trabalhar na área. O JAA deu visão profissional e confirmou minha escolha”, conta.

Após se formar em Engenharia Agrícola na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2022, Romagnollo retornou ao JAA como instrutor, conduzindo turmas dos módulos “Gestão rural” – antigo “Preparando para gestão” – e “Mecanização agrícola”, além de outros cursos do Sistema Faep. Hoje, ele concilia a atividade de instrutoria com o trabalho na propriedade dos pais, cultivando soja e milho.

“O JAA abriu minha visão para o mundo, pois foi a primeira oportunidade de sair da propriedade. Mesmo quem não vai seguir no agro leva aprendizados para a vida”, destaca Romagnollo.

Já em Prudentópolis, na região Centro-Sul do Paraná, Gian Ricardo Grechinski tinha planos de deixar o campo e fazer curso técnico em informática. Mas, no último ano do Ensino Médio, o JAA mudou o rumo de sua trajetória. Os módulos de gestão e olericultura abriram sua visão para as oportunidades do meio rural e despertaram o interesse pela Agronomia.

A experiência foi tão marcante que Grechinski ingressou na faculdade já com a meta de se tornar instrutor do Sistema Faep. “Sempre gostei de ensinar e pensei em usar esse conhecimento para transformar a realidade das propriedades rurais”, lembra. Formou-se em 2018 e, dois anos depois, voltou às salas de aula como instrutor. “É especial poder dizer aos alunos que já estive no lugar deles, com as mesmas dificuldades. Isso aproxima e mostra que o jovem pode trilhar esse caminho, basta acreditar e se dedicar”, afirma.

Hoje, além do JAA, ele atua em cursos voltados para o cultivo de morango, sua área de especialização, e se dedica à suinocultura, atividade da família há 30 anos. “O JAA também ajudou na questão da sucessão e da gestão para a viabilidade do negócio rural”, complementa.

Para Grechinski, o programa foi determinante na escolha profissional e também na forma de enxergar a propriedade rural como um negócio viável e lucrativo. “Hoje, sei que é possível viver bem no campo, empreender em pequenas áreas e transformar a realidade local. Resumindo, o JAA prepara a nova geração para o futuro do campo”, conclui.

Mudança de rota

Para outros jovens, o programa serviu de ponto de virada. Paola Cristine Arboit, de Mangueirinha, no Sudoeste do Estado, entrou no JAA em 2018, planejando cursar Medicina. Apesar de ter crescido na propriedade da família, não pensava em trabalhar na área.

Paola desistiu de cursar Medicina para seguir no agronegócio

“Eu via o agro como algo comum da rotina da família, mas não entendia a dimensão e a importância que tem para o Brasil e para o mundo. Com o JAA, compreendi melhor esse universo e passei a valorizar ainda mais estar presente e trabalhar no campo”, conta. “Eu estava decidida a cursar Medicina, mas percebi que não me identificava com essa profissão. No JAA, conheci a função do engenheiro agrônomo e todas as áreas em que pode atuar. Então percebi que, escolhendo essa profissão, estaria fazendo algo que realmente gosto e ainda daria continuidade à nossa propriedade”, complementa.

Hoje, prestes a se formar em Agronomia, Paola atua ao lado do pai na propriedade, onde a família cria bovinos de leite e cultiva soja, milho, feijão e trigo. Ela reconhece que o programa ampliou sua visão sobre planejamento e organização dentro da propriedade, além de despertar sua verdadeira vocação.

“O JAA aproxima teoria e prática, traz aos jovens uma visão técnica daquilo que muitos já vivenciam no dia a dia, estimula a permanência nas propriedades e abre espaço para inovação. É uma forma de preparar as novas gerações para enfrentar os desafios do agro e aproveitar as oportunidades que o setor oferece”, afirma.

Outra história inspiradora é a de Ellen Elaine Wojcik, de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), que participou dos módulos de gestão do JAA em 2012 e de pecuária leiteira em 2013. Na época, Ellen acreditava que seguiria carreira na fotografia e até fez um curso na área. Apesar de ajudar a família nas atividades rurais, não se via no agro. Mas tudo mudou com a experiência no programa. “O JAA mostrou que essa área tinha mais a oferecer do que eu imaginava. Abriu minha mente para novas possibilidades. Foi aí que deixei a fotografia de lado e decidi buscar uma carreira ligada ao campo e aos animais”, conta Ellen.

Durante o programa, atividades práticas envolvendo gestão, liderança e contato direto com a agropecuária despertaram sua vocação pela Medicina Veterinária. Ela lembra do aprendizado sobre planejamento da propriedade e cuidados com os animais, como castração e manejo de bezerros, ensinamentos aplicados na propriedade da família. “Nunca esqueço o dia em que pude colocar esse aprendizado em prática em casa: castrei meu primeiro porquinho, ajudando meu avô, que já não tinha mais condições de fazer isso por questões de saúde. Me senti realizada, porque realmente tinha habilidade e paixão para seguir nessa área”, recorda, emocionada.

Hoje, Ellen é médica veterinária, pós-graduada em clínica médica de pequenos animais, e administra uma clínica em Araucária. Recentemente, o espaço passou por uma ampliação, com mais estrutura e serviços, tornando-se referência no município e já recebendo prêmios.

Do JAA, ela guarda aprendizados que aplica até hoje, como controle financeiro, gestão da equipe e comunicação. “Esses aprendizados foram essenciais para transformar a clínica em referência”, resume. “O JAA foi a porta de entrada que transformou minhas dúvidas em propósito”, define.

Da sucessão à inovação

Entre os casos de transformação promovidos pelo JAA, também estão jovens que assumiram a sucessão das propriedades com visão profissional e inovação. Em Santana do Itararé, no Norte Pioneiro, os irmãos Thiago e Iago Alves transformaram a produção de leite da família em um negócio estruturado e lucrativo.

Os irmãos Thiago e Iago decidiram seguir no campo após formação no JAA

“Logo após comprarmos o sítio, meu pai sofreu um acidente, e eu e meu irmão tivemos que assumir a propriedade junto com nossa mãe. A produção era pequena, o trabalho pesado, e eu não via perspectiva. Eu imaginava que, quando crescesse, teria que buscar outra forma de renda, porque era complicado se sustentar com o sítio”, lembra Thiago. Na época, a família tirava leite manualmente de cinco vacas e produzia queijo para vender na cidade.

A participação no JAA, entre 2005 e 2006, foi decisiva para abrir a visão dos irmãos, que aprenderam técnicas de manejo, fluxo de caixa e gestão. “Ali eu enxerguei que poderia ter um futuro dentro da nossa propriedade como uma empresa, não apenas como um lugar para trabalhar”, afirma Thiago.

Incentivado pela instrutora do JAA, Thiago ingressou no colégio agrícola de Cambará, onde se formou técnico agrícola em 2009. Já com outro olhar sobre o futuro e sem pensar em trabalhar fora, ele decidiu aplicar o conhecimento adquirido na propriedade da família, dando continuidade ao sonho do pai.

Com estudo, dedicação e outros cursos do Sistema FAEP, os irmãos ampliaram e modernizaram a produção leiteira da família. Hoje, a propriedade conta com 75 animais, sendo 35 em lactação, sala de ordenha canalizada e barracão free stall, com capacidade para 50 animais. A produção média é de 30 litros de leite por vaca por dia. Atualmente, Thiago também participa do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faep. “O JAA foi essencial para mudar nossa mentalidade, mostrando que, com conhecimento e trabalho em família, podemos transformar um sonho antigo em realidade. É um programa que pode mudar a vida”, conclui Thiago.

Descobrindo a vocação no campo

Nos Campos Gerais, a vida de Gean Augusto Vesselovitz mudou radicalmente aos 12 anos, quando seus pais deixaram Guarapuava para iniciar a produção de leite em um sítio em Campina do Simão, em meados de 2012. Além da adaptação à rotina no campo, a família não tinha experiência na área. Até que, no primeiro ano do Ensino Médio, Vesselovitz recebeu o convite para participar do JAA do Sistema Faep.

Vesselovitz atualmente trabalha com melhoramento genético de culturas, como soja e milho

“O JAA foi a introdução à agronomia para mim”, recorda. Durante o curso, ele começou a aplicar na propriedade os primeiros aprendizados do programa, como rotação de pastagens em piquete e indicadores de melhoria da qualidade do leite. “Eram coisas básicas, mas, como não éramos daquele meio, foram extremamente importantes”, acrescenta.

Ao concluir o JAA, Vesselovitz já tinha certeza sobre sua vocação. Cursou Agronomia na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), onde se formou em 2020. Em 2019, iniciou um estágio na GDM Seeds, multinacional especializada em melhoramento genético de sementes, e, antes mesmo de receber o diploma, passou em um processo seletivo para o cargo de supervisor de desenvolvimento de produtos.

Nos primeiros anos de carreira, ele trabalhou com o desenvolvimento de novas variedades de soja para o Sudoeste do Paraná e Oeste de Santa Catarina, conduzindo ensaios a campo com dezenas de cultivares, gerenciando equipes e tomando decisões estratégicas baseadas em produtividade, sanidade e ciclo das plantas.

Essa experiência prática e a constante busca por aprendizado, inclusive no inglês, abriram portas para oportunidades internacionais. Em 2022, ele participou de um intercâmbio nos Estados Unidos pela empresa, onde visitou propriedades em 12 Estados ao longo de 50 mil quilômetros. “Foi um período incrível, que permitiu conhecer métodos de trabalho diferentes, aprimorar meu inglês e ampliar a visão sobre produção agrícola em larga escala”, comenta.

Hoje, Vesselovitz é especialista agronômico no setor de estratégia da GDM, trabalhando com melhoramento genético de soja, milho, trigo e girassol, com atuação em localidades como Argentina, Estados Unidos, Europa, África do Sul e China. “Participar do JAA foi o ponto de partida para tudo que construí. O programa não ensina apenas técnica, mas também responsabilidade, visão estratégica e capacidade de colocar a teoria em prática. É uma experiência que molda caráter e abre portas”, conclui Vesselovitz.

Programa do Sistema Faep fomenta inovação entre as novas gerações

Nos últimos anos, novas turmas do JAA continuam a transformar vidas e consolidar histórias de sucesso no agronegócio. No Oeste do Paraná, Marcus Vinicius Batista da Silva, egresso de 2017, em São João do Ivaí, e Carlos Eduardo Silva Ramos, de 2019, em Jussara, têm trajetórias distintas, mas compartilham um ponto em comum: ambos já tinham contato com o meio rural, mas ainda sem a certeza do caminho profissional.

Marcus Vinícius desistiu de ingressar na carreira de engenheiro civil e optou pela Agronomia

Marcus Vinicius cresceu em uma família produtora de soja e milho e, inicialmente, pensava em cursar Engenharia Civil. Já Carlos Eduardo ajudava a mãe e o padrasto nos aviários de frangos de corte, ainda sem planos futuros. Para ambos, o JAA foi um divisor de águas.

“O programa permitiu conhecer equipamentos, culturas da região e a importância da agricultura para o Brasil e o mundo”, lembra Marcus Vinicius. Além do conhecimento técnico, o JAA também desenvolveu habilidades como comunicação, liderança e trabalho em equipe. Hoje, ele cursa Agronomia, e, graças à indicação do instrutor no JAA, trabalha como consultor na Cooperativa Cocari, onde aplica diariamente os aprendizados do programa.

Carlos Eduardo, por sua vez, viu no JAA um caminho para descobrir sua paixão pelo agro. “O programa mostrou que o campo poderia ser meu futuro, com a valorização do jovem no meio rural”, recorda. Após o JAA, ele cursou Zootecnia, que concluiu este ano, e atualmente trabalha na Cooperativa C.Vale. Além disso, é vice-presidente da Associação Brasileira de Zootecnistas Jovens. “No meu dia a dia profissional, levo do JAA lições de liderança, disciplina e a importância de ouvir os produtores”, afirma.

Ambos destacam momentos marcantes do JAA que reforçaram o aprendizado prático. Marcus Vinicius lembra das gincanas finais, que uniam teoria e prática de forma divertida e colaborativa, enquanto Carlos Eduardo recorda atividades de manejo e sanidade, que, mais tarde, puderam ser aplicadas durante a graduação.

O legado do JAA é claro para os dois: transformar o contato com o campo em propósito e futuro. “A experiência mais marcante que pude ter na carreira”, resume Marcus Vinicius. “O JAA me mostrou que o campo não é apenas um lugar de trabalho, mas um espaço de realização e futuro”, complementa Carlos Eduardo.

JAA forma jovens para o futuro do campo paranaense

O Programa Jovem Agricultor Aprendiz (JAA) foi criado pelo Sistema FAEP para atender à demanda por capacitação profissional de jovens inseridos no meio rural paranaense. Inicialmente voltado para filhos de agricultores, o programa oferece formação prática e teórica, preparando-os para desempenhar atividades agrossilvipastoris de forma qualificada e consciente.

As primeiras turmas-piloto, realizadas em 2004, permitiram identificar desafios, como evasão escolar e dificuldade de contratação, além de apontar soluções eficazes, como parcerias com universidades e a melhoria da infraestrutura. Desde então, o JAA passou por constantes atualizações, ampliando conteúdo, carga horária e módulos especializados, sempre alinhado às necessidades da juventude rural e à realidade das propriedades familiares.

O programa combina formação em gestão rural com módulos específicos, preparando os jovens para o mercado de trabalho. No JAA, os participantes adquirem não apenas conhecimento técnico, mas também habilidades de liderança e empreendedorismo, podendo escolher áreas de atuação compatíveis com seus interesses e com a cadeia produtiva regional.

Em 2023, o programa ampliou suas ações com oficinas educativas, fortalecendo habilidades práticas e desenvolvimento pessoal. Com isso, o programa busca desenvolver conhecimentos e atitudes que contribuem para a qualidade de vida, a participação social e o crescimento sustentável das comunidades rurais. “O JAA prioriza metodologias ativas, estimulando a participação, a construção coletiva do conhecimento e a aplicação prática do aprendizado. As aulas criam um ambiente de confiança e acolhimento, propício ao desenvolvimento de cada participante”, resume Márcia Pereira Salles, técnica do Sistema Faep responsável pelo programa. “Com mais de 20 anos de história, o JAA consolidou-se como referência nacional na formação de jovens rurais, promovendo inovação, sustentabilidade, valorização cultural e desenvolvimento profissional no meio rural paranaense”, conclui.

Fonte: Assessoria Sistema Faep

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Baixa adoção de sementes certificadas liga sinal vermelho no trigo do Rio Grande do Sul

Avanço genético das cultivares não chega ao campo e compromete o desempenho de mais da metade das áreas plantadas.

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Foto: Cleverson Beje

O Rio Grande do Sul é o maior produtor de trigo do Brasil, responde por quase metade da produção nacional. São milhares de famílias envolvidas em um ciclo que inicia no plantio e termina na mesa das famílias brasileiras, passando pelo melhoramento genético, produtores de sementes, agricultores, moinhos, indústrias alimentícias e o comércio. Segundo estimativas de mercado da StoneX, a safra brasileira 2025/26 deve alcançar 7,5 milhões de toneladas, impulsionada principalmente pelo desempenho do Rio Grande do Sul.

Só no Rio Grande do Sul, a produção deve superar 3,7 milhões de toneladas, com produtividade média próxima de 3.261 kg/ha e área estimada de 1,14 milhão de hectares, segundo levantamento da Emater/RS-Ascar. “O agricultor diante das adversidades climáticas da safra de verão, precisou definir com cautela em quais culturas investir no inverno”, salienta Arthur Machado, Desenvolvedor de Mercado da Associação dos Produtores de Sementes e Mudas do Rio Grande do Sul (Apassul). Para ele, o trigo deveria ser uma aposta atrativa, impulsionada pelas cultivares mais produtivas, de alta qualidade industrial e com maior tolerância a doenças, fruto de anos de aprimoramento genético feito no RS.

No entanto, o que deveria ser um motivo de orgulho vem acompanhado de preocupação. Segundo estimativas da APASSUL, a taxa de uso de sementes certificadas caiu para o menor patamar dos últimos anos, chegando em 48%, considerando a safra gaúcha atual. Isso significa que mais da metade das áreas de trigo no Estado ainda são semeadas com sementes salvas ou de origem desconhecida, um cenário que compromete a qualidade, a rastreabilidade, a segurança alimentar e a padronização exigida pela indústria. Em outras palavras, de cada 10 hectares cultivados, apenas 4,8 utilizam sementes certificadas, o que impacta diretamente o desempenho das lavouras e a reputação do trigo gaúcho.

Evolução Genética: um salto que não pode ser desperdiçado

Nos últimos anos, o avanço genético das cultivares de trigo foi impressionante. As novas variedades apresentam maior resistência a doenças, estabilidade produtiva e melhor perfil industrial, adequando-se a todas às exigências previstas pelos rigorosos controles industriais. “A semente é o início de tudo. Sem ela, não há genética, produtividade, qualidade industrial ou segurança alimentar. O que está em jogo é o futuro do trigo gaúcho e a credibilidade de toda a cadeia produtiva”, pondera Arthur Machado.

Desde a safra de 2013, o uso de sementes certificadas manteve-se acima de 60%, reflexo dos avanços do melhoramento genético que proporcionaram o desenvolvimento de cultivares com maior potencial produtivo e melhor qualidade industrial. Esse salto tecnológico proporcionou retorno econômico mais consistente e ganhos de sustentabilidade para muitos triticultores do Estado, ampliando a competitividade do trigo gaúcho no mercado nacional. “Mas diante do cenário produtivo geral é preciso que um número maior de produtores invista em sementes de alta qualidade, para que a produção de trigo do RS seja – realmente – maior e melhor”, salienta o Pedro Basso, CEO da SCV e Conselheiro para Trigo e Soja da Apassul.

Segundo dados da Embrapa Trigo, por exemplo, há programas contínuos de pesquisa e desenvolvimento em novas cultivares e manejos. Contudo, todo esse potencial depende de uma base sólida. “O uso insuficiente de sementes certificadas impede que esse salto tecnológico chegue ao campo de forma consistente”, afirma Giovani Faé, agrônomo e pesquisador da Embrapa Trigo de Passo Fundo/RS. Na prática, segundo ele, sementes salvas ou de origem incerta rompem a rastreabilidade do sistema “Por isso, não faz sentido o que alguns produtores fazem, agindo apenas por um ganho momentâneo, quando escolhem sementes sem origem certificada e de baixa qualidade, sem pensar em toda a cadeia produtiva que é prejudicada”, pondera Faé.

A cadeia do trigo é uma das mais integradas e estratégicas do agronegócio brasileiro. Ela tem papel fundamental na segurança alimentar do país – pois impacta diretamente grande parte da indústria de alimentos. A Cadeia do Trigo gera valor em cada elo. “Os obtentores e multiplicadores de sementes asseguram a pureza genética e a rastreabilidade; o agricultor planta o futuro, investindo em tecnologia e na sustentabilidade do sistema de plantio direto; os moinhos transformam o grão em farinha padronizada e de alta qualidade; e a indústria alimentícia converte esse insumo em emprego, renda e alimento”, explica Arthur Machado. A demanda do mercado interno fez com que a indústria moageira intensificasse as importações, isto porque o Brasil não produz, ainda, o trigo suficiente para suprir a demanda interna. Segundo a Secex/Cepea, até maio de 2025 o Brasil já havia importado 3,092 milhões de toneladas de trigo, o maior volume em 24 anos. Além disso, dados oficiais trazidos pelo analista de mercado da Embrapa Trigo, Alvaro Dossa, mostram que o Brasil gastou mais de US$ 11,3 bilhões na compra (líquida) de trigo nos últimos 10 anos.

Um alerta e uma oportunidade

O trigo gaúcho vive um momento decisivo. Este é um alerta que a Apassul vem fazendo. A redução no uso de sementes certificadas, somada à entrada de produtos substitutivos em uma mesma área de cultivo, aliado às pressões de custo, falta de crédito e às instabilidades climáticas, acendem um alerta sobre o futuro da cultura no país. “Se o produtor não investe em sementes de qualidade certificada, não há como garantir a produtividade”, afirma Márcio Só e Silva, CEO da Semevinea Genética Avançada. Mas, em cada desafio, segundo a Apassul, há também uma oportunidade. O agricultor que escolhe a semente certificada não está apenas produzindo mais, está garantindo rastreabilidade, inovação e segurança para sua lavoura e para toda a sociedade. “O trigo produzido a partir de sementes certificadas e manejado de forma adequada contribui para o sequestro de carbono. Ou seja, é um produto que impacta positivamente toda a cadeia de forma sustentável. Este é um grande ativo, que parece não estar sendo percebido como merece pelo mercado e por uma parcela dos produtores infelizmente”, pondera Giovani Faé, da Embrapa Trigo. Para ele, apesar dos grandes desafios que o produto brasileiro sofre quando sai da porteira para fora, como o pesado valor logístico, por exemplo, ainda assim, o produtor que investe em sementes com genética superior associado a um manejo que cuida do solo, ele consegue obter ganhos que valem a pena. “O Rio Grande do Sul tem potencial de aumentar em mais de 40% hoje sua produção de trigo de alta qualidade e gerando retorno ao produtor. Mas não há mágica, o produtor tem que fazer a sua parte usando sementes com procedência e genética garantida”, afirma Faé.

E como funciona o financiamento para que a pesquisa continue? É preciso que o produtor entenda a lógica para manter o ciclo do aprimoramento genético em constante evolução na cadeia do trigo, pois o investimento em desenvolvimento genético é vital. Dessa forma, o valor do royalty de germoplasma faz parte dessa equação gira em torno de R$ 11 a R$ 12 por saca de 40 kg, o que equivale, em média, a cerca de R$ 0,30 por kg. “É difícil determinar com precisão quanto desse montante é reinvestido, especificamente, em pesquisa e desenvolvimento para o trigo, mas estima-se que empresas do setor destinem, em média, cerca de 20% do faturamento em P&D, parcela que sustenta programas de melhoramento genético e inovação”, podera o desenvolvedor de mercado da Apassul, Arthur Machado.

Fonte: Assessoria Apassul
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Lista preliminar de espécies exóticas gera preocupação no campo

Produtores apontam riscos para cadeias como tilápia, pirarucu, frutas e florestas plantadas se cultivos tradicionais forem classificados como invasores.

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Foto: Shutterstock

A lista de espécies exóticas elaborada pela Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), foi tema de intenso debate nesta quarta-feira (10) na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado. Após atuação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e de entidades do setor produtivo, o governo anunciou a suspensão temporária do processo de elaboração do documento.

João Paulo Capobianco, ministro substituto do Meio Ambiente, representou a pasta na audiência em lugar da ministra Marina Silva, inicialmente convidada para esclarecer pontos críticos da resolução. Diante da ausência da ministra, os senadores aprovaram novo requerimento de convocação, apresentado pelo senador Jorge Seif (PL-SC), também responsável por propor a realização da audiência.

Seif reforçou as críticas à falta de diálogo e de transparência do Executivo. “O governo avançou com uma lista dessa magnitude sem transparência e sem diálogo mínimo com quem será diretamente afetado. O setor produtivo ficou sabendo depois, quando o impacto já estava colocado na mesa”, afirmou. O senador também alertou para riscos econômicos e jurídicos: “A inclusão de espécies como tilápia, pirarucu, mangueira, jaqueira, goiabeira e eucalipto criaria um ambiente de completa insegurança jurídica. Isso afetaria licenciamento ambiental, acesso a crédito e certificações sanitárias.”

Senador Zequinha Marinho: “Isso comprometeria a competitividade do Brasil no mercado internacional”

O presidente da CRA, senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), compartilhou a preocupação, ressaltando que classificar espécies de alto valor produtivo, como a tilápia, como invasoras criaria entraves para financiamento, licenciamento e exportações. “Isso comprometeria a competitividade do Brasil no mercado internacional”, afirmou.

O senador Jaime Bagattoli (PL-RO) lembrou que cultivos como pinus e eucalipto foram incentivados pelo antigo IBDF desde a década de 1960 justamente para impulsionar economias regionais. Ele destacou que “essas espécies não avançaram sobre áreas nativas e hoje sustentam cadeias industriais inteiras, com ciclos produtivos mais curtos que os europeus”. Para ele, considerar essas culturas prejudiciais traria impacto desproporcional sobre estados do Sul.

Senador Jaime Bagattoli: “Essas espécies não avançaram sobre áreas nativas e hoje sustentam cadeias industriais inteiras, com ciclos produtivos mais curtos que os europeus”

Bagattoli também chamou atenção para diferenças agroclimáticas que impedem generalizações. “Manga, castanheira e mogno não se desenvolvem no Sul, assim como espécies amazônicas como pirarucu e tambaqui não se adaptam ao frio. A simples classificação como ‘invasora’ não reflete a realidade produtiva do país”, afirmou.

O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) reforçou o impacto na piscicultura, lembrando que a tilápia diversificou economias regionais e impulsionou renda de pequenos produtores. “Somos o quarto maior produtor de tilápia do mundo e podemos chegar ao primeiro lugar. Uma restrição mal formulada prejudica um setor que emprega, gera renda e funciona muito bem”, disse. Heinze também alertou para riscos de repercussão internacional: “Essa lista pode nos colocar em uma lista negra ambiental. Nenhum país preserva como o Brasil, e precisamos que a política ambiental reconheça isso.”

Capobianco afirmou que a elaboração da lista atende a compromissos assumidos pelo Brasil na COP 15, dentro da meta 6 do Acordo Kunming-Montreal, voltada à redução da introdução de espécies exóticas invasoras até 2030. Ele disse que o intuito é identificar espécies mais agressivas e dialogar com os setores produtivos para mitigar impactos sem inviabilizar a produção. Bráulio Dias, diretor do Departamento de Conservação da Biodiversidade do MMA, esclareceu que a meta se refere à introdução de novas espécies invasoras, não às já consolidadas no país.

Além de espécies da piscicultura como tilápia, tambaqui, pirarucu e camarão-branco, responsáveis por mais de 840 mil toneladas anuais e por mais de 1 milhão de empregos diretos e indiretos, a lista preliminar também inclui culturas tradicionais da fruticultura, como mangueira, goiabeira e jaqueira. No setor de silvicultura, aparecem eucalipto, pinus taeda e pinus caribaea, base da cadeia de papel e celulose e da produção de madeira de reflorestamento.

O debate deve prosseguir no Senado, com a expectativa de que o MMA apresente critérios mais claros, respaldo técnico sólido e diálogo real com o setor produtivo, garantindo proteção à biodiversidade sem comprometer atividades econômicas estratégicas para o país.

Fonte: Assessoria FPA
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Coopavel celebra 55 anos de protagonismo no desenvolvimento agroindustrial

Cooperativa marca mais de meio século de expansão produtiva, fortalecimento regional e contribuição decisiva ao crescimento do agro paranaense.

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Sede da Coopavel, em Cascavel: atualmente, são oito mil funcionários na estrutura da cooperativa - Foto: Coopavel

A Coopavel Cooperativa Agroindustrial comemora na próxima segunda-feira (15), os seus 55 anos de fundação. Uma das mais antigas do Paraná e atualmente uma das 20 maiores do Brasil, a Coopavel historicamente dá inúmeras contribuições ao processo de desenvolvimento agropecuário de Cascavel e dos municípios nos quais atua no Oeste e Sudoeste do Estado.

“Nossa cooperativa é moldada pelos princípios da cooperação, do planejamento, do trabalho e da visão de compartilhamento de oportunidades e prosperidade”, comenta o presidente do Conselho de Administração Dilvo Grolli. Uma missa, às 17h da segunda-feira, 15, no complexo industrial, vai reunir cooperados, diretores e funcionários para agradecer a trajetória de trabalho, realizações e sucesso da Coopavel.

Atualmente com 8,2 mil cooperados e oito mil funcionários, a Coopavel é uma força transformadora em atuação em 21 municípios do Oeste e Sudoeste do Paraná. “Ficamos felizes de contribuir para o fortalecimento do campo, à produção de alimentos e por levar desenvolvimento a tantas comunidades. A Coopavel é uma imensa família alicerçada no trabalho, respeito e valorização das capacidades humanas”, comenta Dilvo, estimando o faturamento da cooperativa em 2025 na casa dos R$ 6 bilhões.

História

A Coopavel foi oficialmente criada em 15 de dezembro de 1970 por um grupo de 42 produtores rurais. Eles buscavam o apoio do cooperativismo para deixar a desfavorável política de preços de grandes empresas nacionais e multinacionais e criar um modelo no qual todos decidem sobre seu futuro e o crescimento da atividade rural. A cooperativa expandiu suas fronteiras e atualmente atua em 18 áreas agroindustriais, o que faz dela uma das mais diversificadas em atuação no Paraná, considerado o estado no qual o cooperativismo está mais aprimorado e fortalecido no País.

Fonte: Assessoria Coopavel
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