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Programa de melhoramento da tilápia no Brasil apresenta ganho genético de 3,3% ao ano

Desempenho do animal é avaliado em cima de dados estatísticos, quanto mais cedo são marcados, menor são os erros que podem ocorrer durante o processo.

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Foto: Arquivo/OP Rural

O Brasil se destaca por ser um grande produtor de peixes de cultivo, principalmente de tilápia, espécie que cresceu significativamente nos últimos anos, alcançando uma produção de 534 mil toneladas somente em 2021, volume que representa um crescimento de 9,8% sobre o ano anterior e que corresponde a 63,5% da produção de peixes de cultivo no país.

Para atender a uma demanda cada vez maior do setor produtivo, a genética e a reprodução direcionada contribuem exponencialmente para esse aumento da produtividade. Atualmente, as linhagens de tilápia cultivadas superam em muito o desempenho de seus ancestrais e o melhoramento genético apresenta ganhos acumulativos que colaboram para uma indústria cada vez mais sustentável e lucrativa.

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá e coordenador do Programa de Melhoramento Genético da Tilápia GIFT/Tilamax, Ricardo Pereira Ribeiro: “Hoje a genética produzida em Maringá, no Paraná, representa mais de 70% das tilápias produzidas no Brasil em escala comercial”  – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Conforme o professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e coordenador do Programa de Melhoramento Genético da Tilápia GIFT/Tilamax (PMGT), Ricardo Pereira Ribeiro, a participação da piscicultura na produção de proteína animal brasileira representava 2,45% em 2016. Nos anos seguintes, apresentou um desenvolvimento tímido, alcançando 2,73% em 2020 – deste percentual de crescimento, 1,65% corresponde a produção de tilápia.

Considerada a espécie mais cultivada no Brasil, a tilápia do Nilo foi introduzida no país em cinco linhagens: Bouaké em 1971 pelo Ceará – sustentando a piscicultura brasileira por 25 anos; Chitralada em 1996, Supreme em 2002 e Gift em 2005, todas pelo Paraná; e a Spring em 2016 por São Paulo.

Além do Distrito Federal, das 26 unidades federativas a tilápia não é cultivada oficialmente em seis Estados, sendo eles Acre, Amapá, Amazonas, Paraíba, Pará e Roraima. “No entanto, segundo levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a tilápia está introduzida em todos os Estados brasileiros, sem nenhuma exceção”, expõe Ribeiro.

 Produção global

A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) junto com consultorias internacionais afirma que a produção global de tilápia foi de 6,25 milhões de toneladas em 2021, um crescimento de 13,79% quando comparado com 2019 e de 2% em relação ao último ano. Entre os maiores produtores, o Brasil ocupa o 4º lugar, ficando atrás apenas da China, Indonésia e do Egito.

Existe uma perspectiva de até 2030 o Brasil chegar a ter uma produção próxima de 1,3 milhão de toneladas, alcançando o patamar de segundo maior produtor de tilápia no mundo. “Pelos níveis atuais de produção no país esse valor é perfeitamente alcançável”, vislumbra Ribeiro.

 Programas de genética no país

Atualmente os programas de melhoramento genético no país são desenvolvidos por cinco entidades de pesquisa públicas: no Paraná pela Universidade Estadual de Maringá (UEM); em São Paulo pela Epagri; e em Minas Gerais pelas universidades federais de Lavras (Ufla), Minais Gerais (UFMG) e dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Na iniciativa privada desenvolvem programas de melhoramento genético Aquamerica, Aquabel/Aquagen, Royal Fish/SP, Copacol/PR, Piscicultura Sgarbi/PR e Veg Tilápia.

 Melhoramento genético em ambiente de cultivo

De acordo com Ribeiro, o primeiro programa de melhoramento genético em ambiente de cultivo no país foi iniciado pela UEM, em 2005, após a importação de 600 exemplares de 30 famílias da linhagem Gift, originária da Malásia. Nesse programa, os pesquisadores batizaram o objeto do estudo de linha Tilamax.

Entre os maiores produtores de tilápia o Brasil ocupa o 4º lugar, ficando atrás apenas da China, Indonésia e do Egito – Foto: Shutterstock

Conforme o docente da UEM, o programa de seleção tem como objetivo aumentar a taxa de crescimento da espécie, para isso, o ganho em peso médio diário é utilizado como referencial para critério de seleção. Porém, outras características, como medidas corporais e mortalidade na idade comercial são coletadas para incrementar o número de informações por animal. “Usamos a velocidade de crescimento como critério de seleção porque o ganho genético por geração é muito alto, justamente porque neste peixe nunca foi feito melhoramento genético. Por isso não dá para abrir mão, do ponto de vista econômico, de uma característica que tem um impacto de valor muito alto e ganho genético significativo na melhoração. Além disso, nós coletamos dados de mais de 20 características associadas ao crescimento, o que possibilita mudar o foco da pesquisa em qualquer estágio do programa. Atualmente possuímos dados de 13 gerações e até a décima geração avaliamos o desempenho dos animais apenas em tanques-rede”, pontua Ribeiro.

O coordenador do programa conta que a reprodução dos animais é feita entre novembro e dezembro, a microchipagem em fevereiro e março, e de abril a outubro os animais são avaliados em uma densidade de 75kg/m³.

As informações individuais de desempenho e da forma dos animais em tanques-rede são obtidas por meio de microchips implantados na cavidade visceral. Esses animais são acompanhados individualmente, com biometrias mensais, cujas informações de desempenho de todas as gerações do programa de melhoramento, desde a sua implantação em 2005, são armazenadas em um banco de dados.

Com base nestas informações e com o uso da metodologia das equações dos Modelos Mistos de Henderson podem ser apontados os valores genéticos aditivos para ganho em peso diário. “Por meio dos componentes de variâncias e parâmetros genéticos utilizados na seleção anual dos animais (machos e fêmeas) é possível promover a substituição total do plantel de reprodução em atividade”, ressalta.

 Núcleo de seleção

De cada família são selecionados as quatro melhores fêmeas e os dois melhores machos para a reprodução individual. “Esses animais serão reproduzidos em um grupo de hapas (estrutura parecida com tanques-rede) de água doce de um metro cúbico por um, em que são colocados um macho e uma fêmea nestes ambientes e toda semana é avaliado a desova, coletados os ovos fertilizados e transferidos em bandejas para o incubatório, separadas por família, para darem início à reprodução de crescimento, formando assim irmãos completos de uma família”, explica o professor da UEM.

Até os alevinos serem microchipados são criados em hapas de um metro cúbico separados por família, a fim de reduzir erros no processo. “O desempenho do animal é avaliado em cima de dados estatísticos, quanto mais cedo são marcados, menor são os erros que podem ocorrer durante o processo. Diferente de outros animais, que são marcados quando nascem, o peixe nasce muito pequeno e não existe uma marcação efetiva e eficiente para marcá-los, havendo uma interferência antes da marcação pode gerar um erro no final da avaliação do programa, o qual denominamos de defeito comum de família – que pode ser porque esse animal foi criado em um ambiente melhor ou porque a mãe dele é geneticamente superior. Hoje os erros são minimizados chipando os animais jovens. Em 2005 essa identificação era feita quando os animais atingiam 15 gramas, o que demorava cerca de dois meses para chegar neste peso. Atualmente microchipamos com cinco gramas, aproximadamente 45 dias de idade. O chip tem uma margem de erro de 3 a 5% e a gente leva isso em consideração no ganho estatístico dos animais durante a avaliação”, relata Ribeiro.

Para não ter efeito de número, a quantidade de indivíduos de cada família é uniformizada. “São produzidas por cada família em torno de 200 larvas, sendo genotipadas apenas 40 animais de cada família”, afirma. “Com o peixe chipado acabamos com aquele erro comum de família, sendo todos os exemplares colocados juntos em um mesmo ambiente para fazer a avaliação de desempenho em sistema de produção aberta, para que os animais possam sofrer os mesmos eventos técnicos que a prole produtiva”, frisa Ribeiro.

Em 2021 foram avaliados 25.556 animais de 766 famílias, gerando cerca de 30 mil dados, formando uma matriz de avaliação. “Hoje posso avaliar um indivíduo da atual geração a partir dos dados dos animais que chegaram da Malásia em 2005”, menciona Ribeiro.

 Multiplicação

No PMGT, quatro bisavós podem gerar de 200 a 500 avós, estas produzem de 62,5 mil a 100 mil matrizes, que podem dar origem a cerca de 50 milhões de quilos de peixes. “Entender esse processo é muito importante para dimensionar o grau de seleção imposto no sistema de reprodução”, ressalta Ribeiro.

Todas as matrizes do programa são comercializadas para alevinocultores e os filhos dessas matrizes são vendidos para engorda, com exceção dos filhos das famílias que trocam de geração. “Entre a quarta e a sexta geração já conseguimos ter animais com melhor desempenho do que os bisavós”, salienta o professor da UEM.

O PMGT realizou a comercialização de reprodutores para alevinocultores de 18 Estados e do Distrito Federal, mais de dez instituições de pesquisa, ensino ou extensão, dois países (Uruguai e Cuba) e mais de 60 mil matrizes foram distribuídas entre 2020 e 2021. “Para atender a demanda da linha Tilamax vamos repassar 80 mil matrizes para o setor reprodutivo em 2022”, adianta o coordenador do PMGT.

Conforme Ribeiro, o PMGT desenvolvido na UEM já contribuiu com vários programas de melhoramento genético no Brasil e na América Latina, citando iniciativas da Epagri, Ufla, Copacol, piscicultura Sgarbi, AquaAmerica e Cuba. “Hoje temos a grata satisfação de saber que a genética produzida em Maringá, no Paraná, representa mais de 70% das tilápias produzidas no Brasil em escala comercial”, diz, orgulhoso.

Ganho genético

Em relação ao ganho genético acumulado em gramas ao longo dos anos, Ribeiro expõe que desde que os animais foram importados da Malásia, em 2005, foram 129 gramas, usando o mesmo critério de crescimento, o que representa um ganho genético de 3,3% ao ano. “Quando comecei a trabalhar com tilápia dentro do sistema de cultivo, o crescimento levava de 12 a 14 meses e hoje com uma boa nutrição e uso de novos manejos de criação já conseguimos animais terminados com seis meses, pesando de 900 gramas a 1kg”, ressalta.

O primeiro lote abatido da linha Tilamax foi em 2008, conforme Ribeiro, ano em que a tilapicultura apresentou crescimento vertiginoso no país, demonstrando a importância de um programa de melhoramento genético para impulsionar a produção. “Conseguimos aumentar em torno 3,3% o ganho de peso por geração com o PMGT, o que contribuiu para a expansão da atividade no país e para melhores condições de desenvolvimento da cadeia produtiva de forma geral”, destaca.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Fonte: O Presente Rural

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Biosseguridade exige constância e disciplina para proteger a suinocultura brasileira

Especialista alerta, no Congresso da Abraves, que o avanço da produção e do comércio global amplia riscos sanitários e exige ações preventivas cada vez mais rigorosas.

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Fotos: Shutterstock

A biosseguridade permanece como um dos pilares mais estratégicos da suinocultura, especialmente em um cenário de intensificação produtiva, concentração regional de granjas e ampliação dos fluxos comerciais globais.

A biosseguridade reúne um conjunto de práticas voltadas tanto à prevenção da entrada de agentes patogênicos nos sistemas produtivos quanto ao controle da disseminação de doenças já presentes nas granjas. Trata-se de um conceito que ultrapassa os limites da propriedade rural e se estende aos níveis regional, nacional e até global, diante da interconexão sanitária entre os principais países produtores de suínos. “A suinocultura mundial convive com desafios sanitários importantes e interligados. Mesmo países com status sanitário favorável para determinadas doenças não estão livres de riscos, o que reforça a necessidade de vigilância permanente e protocolos rigorosos de biosseguridade”, alertou o médico-veterinário especialista em Saúde e Produção Suína, Maurício Dutra, durante sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em meados de outubro, em Belo Horizonte (MG).

Dados internacionais mostram que grandes produtores, como União Europeia, Estados Unidos, China, Rússia, Vietnã e Brasil, enfrentam a circulação contínua de agentes como PED/TGE, influenza, PCV-2, Aujeszky e PRRS. No entanto, a Peste Suína Africana (PSA) figura como o maior desafio sanitário da atividade, após sua disseminação acelerada na Ásia a partir de 2018.

De acordo com Dutra, o setor não tem observado o surgimento de novos agentes etiológicos nas últimas décadas, mas sim um aumento expressivo na virulência e na capacidade de adaptação de patógenos já conhecidos, o que torna o controle mais complexo. “Os principais desafios continuam sendo enfermidades virais de elevado impacto econômico, seja pela ausência de vacinas efetivas, seja pela elevada letalidade. Isso justifica a adoção de ações efetivas de prevenção”, enfatizou.

Lições da Peste Suína Africana

Embora a PSA esteja ausente no Brasil há mais de 40 anos, o especialista ressaltou que o país pode e deve aprender com experiências internacionais e com seu próprio histórico. A enfermidade, descoberta em 1921 e endêmica na África, provocou três grandes ondas de disseminação global. Na segunda delas, nas décadas de 1960 e 1970, o Brasil foi afetado após a introdução do vírus por restos de alimentos provenientes de voos internacionais. “A contaminação teve início em 1978, e o país só foi declarado livre em 1984, após perdas diretas estimadas em US$ 13 milhões, além de impactos sociais e econômicos expressivos, como falência de pequenos produtores, desemprego e queda de cerca de 40% no consumo de carne suína”, relembrou Dutra.

Foto: Ari Dias/AEN

O controle da doença, segundo ele, só foi possível com a adoção rigorosa de práticas de biosseguridade em duas fases distintas – emergencial e de erradicação, que deixaram como legado instrumentos ainda vigentes, como o monitoramento das Granjas de Reprodutores Suídeos Certificados (GRSC) e a regionalização sanitária para a Peste Suína Clássica.

Atualmente, mesmo com a existência de vacinas vivas contra a PSA, a baixa eficiência e o risco de reversão de virulência mantêm a biosseguridade como principal ferramenta de prevenção. Dutra destacou medidas como quarentena para animais de reposição, desinfecção adequada de caminhões, barreiras sanitárias com banho e troca de roupas e o controle rigoroso da entrada ilegal de produtos de origem animal no país.

PED e PRRS reforçam importância da prevenção

Outras enfermidades também reforçam o papel central da biosseguridade. A Diarréia Epidêmica Suína (PED), embora não seja nova, reemergiu com alta virulência após adaptação viral, causando mortalidade de até 100% em leitões lactantes sem imunização prévia. “Mesmo com vacinas disponíveis, a prevenção depende fortemente de cuidados com fômites, meios de transporte e contaminação alimentar”, explicou Dutra.

Já a Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína (PRRS), confirmada laboratorialmente desde 1991, segue como uma das doenças de maior impacto econômico, com perdas estimadas entre USD 6,25 e USD 15,25 por animal vendido. Estratégias combinadas de vacinação, manejo e biosseguridade, incluindo práticas como McRebel, carregamento escalonado e uso de filtros de ar em regiões de alta densidade produtiva, têm mostrado resultados relevantes.

“A adoção integrada dessas medidas caracteriza a chamada ‘nova geração da biosseguridade’, que reduziu significativamente os surtos de PRRS nos Estados Unidos quando aplicada de forma completa”, ressaltou.

Desafios crescentes no Brasil

No contexto nacional, Dutra alertou para o aumento dos desafios sanitários nas últimas décadas, com a presença de influenza desde 2009, Doença de Aujeszky em 2011, cepas multirresistentes de Brachyspira, além do crescimento de casos de salmonelose, Senecavírus Tipo A, encefalomiocardite e diferentes genótipos de PCV-2.

Apesar disso, levantamentos indicam que ainda há espaço relevante para avanços na adoção plena das práticas de biosseguridade no país. “Essas práticas têm sido eficientes, mas a jornada é longa, árdua e contínua. Novos desafios surgem com cepas mais virulentas, reemergência de doenças e novas formas de transmissão”, afirmou.

Para Dutra, o fato de enfermidades como PSA, PED e PRRS ainda serem exóticas no Brasil representa uma oportunidade estratégica. “Temos o privilégio de aprender com os erros e acertos de outros países e agir de forma proativa e responsável, protegendo cada sistema de produção e a sustentabilidade da suinocultura brasileira”, concluiu.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

ABCS aposta em campanha para impulsionar consumo de carne suína

Iniciativa busca ampliar demanda interna diante da pressão sobre preços e aumento da produção.

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A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) decidiu lançar uma edição especial da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” como resposta estratégica ao atual cenário da suinocultura, marcado pelo aumento da produção, retração do consumo interno e pressão sobre os preços pagos ao produtor, apoiando assim os produtores em um cenário desafiador.

Apesar do bom desempenho das exportações em 2026, que cresceram expressivamente no primeiro trimestre, o volume exportado não tem sido suficiente para equilibrar o mercado doméstico. Isso ocorre porque o setor enfrenta dois fatores simultâneos: o aumento da produção e a retração do consumo interno. Essa combinação pressiona as cotações e impacta diretamente a rentabilidade do produtor, exigindo ações coordenadas para estimular a demanda dentro do país.

É nesse contexto que a ABCS antecipa a campanha Bom de Preço, Bom de Prato,  apostando de forma rápida e certeira no fortalecimento do consumo interno como principal alavanca para reequilibrar o mercado. A iniciativa reforça ao consumidor brasileiro que a carne suína é uma proteína com excelente custo-benefício, acessível, versátil, saborosa e adequada ao dia a dia, buscando ampliar sua presença na mesa das famílias e, consequentemente, aumentar sua venda no pequeno, médio e grande varejo.

A edição especial da campanha intitulada “A melhor escolha do momento” tem início imediato e deve alcançar milhões de consumidores com ações coordenadas em todo o país. A estratégia está estruturada em três frentes principais: varejo, influência digital e mobilização da cadeia produtiva. No varejo, a iniciativa prevê materiais de ponto de venda e comunicação em loja, com foco em destacar o custo-benefício e a versatilidade da carne suína, incentivando a decisão de compra e o aumento do giro da proteína.

Já no ambiente digital, a campanha contará com conteúdos e vídeos produzidos em parceria com influenciadores, como o médico, Dr. Bruno Monteze, o nutricionista, Jefferson Jorge, a nutrichef, Clariana Colaço, e o chef de cozinha Jimmy Ogro, que juntos somam mais de 3 milhões de seguidores nas redes, ampliando o alcance da mensagem e aproximando o produto do cotidiano do consumidor.

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “A antecipação da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” representa, portanto, um movimento importante para fortalecer o consumo interno, equilibrar o mercado e dar mais sustentação à suinocultura brasileira” – Foto: Divulgação/ABCS

A terceira frente envolve a ativação de toda a cadeia, com a disponibilização gratuita de materiais e conteúdos para o sistema ABCS os demais agentes da cadeia que queiram se juntar a força tarefa de promover o consumo, permitindo a replicação da campanha em diferentes regiões e ampliando sua escala nacional.

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que com essa iniciativa, a ABCS reforça seu compromisso com o setor, mostrando ao produtor que está atenta ao cenário e atuando de forma proativa para enfrentar os desafios. “A antecipação da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” representa, portanto, um movimento importante para fortalecer o consumo interno, equilibrar o mercado e dar mais sustentação à suinocultura brasileira”, concluiu.

A ABCS realizou na última quarta-feira (22), uma reunião para entregar essa campanha e explicar a estratégia de utilização para todo o Sistema, contribuintes do FNDS e varejos parceiros, onde o presidente da ABCS, reforçou a importância da participação de todos para multiplicar a campanha, convocando os presentes para que a iniciativa chegue a todos os brasileiros.

A ABCS também aproveitou a ocasião para apresentar um panorama de mercado atual, para ajudar a explicar o momento que o setor tem vivido. Ao final, o presidente da Asemg, Donizetti Ferreira, parabenizou a ABCS pela campanha e reforçou a necessidade do engajamento de todos: “Acreditamos que vai nos ajudar a alavancar o consumo, é só nos dedicarmos a replicar o material”. Renato Spera, presidente da Asumas, concordou: “Achei fantástico. A campanha será crucial para atravessarmos a crise.” Iuri Pinheiro Machado, diretor executivo da Agigo também parabenizou a ABCS por acelerar essa campanha diante do momento atual, e da demanda dos suinocultores, segundo ele: “A crise sempre gera oportunidade, e essa é uma grande oportunidade para ganhar mais espaço no varejo pela competitividade da carne suína”, finalizou.

Fonte: Assessoria ABCS
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Exportação recorde não segura queda das cotações do suíno

Alta de 32,8% nos embarques em março não impediu recuo dos preços no mercado interno, com pressão da oferta e piora na rentabilidade do produtor.

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O Brasil segue mantendo crescimento significativo de exportações de carne suína. Em março deste ano o país exportou 152,2 mil toneladas entre in natura e processados (tabela 1), 32,8% acima do embarcado em março/25. O volume ficou 1,4% superior ao até então recorde mensal, que havia sido atingido em setembro/25. Março também foi o mês com a maior média diária embarcada de carne suína in natura (5.980 toneladas/dia útil), a maior da série histórica da Secex, iniciada em 1997.

Tabela 1. Exportações brasileiras de carne suína total (in natura e processados) em MARÇO de 2026, em toneladas, comparado a março de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

No acumulado do ano, fechamos o primeiro trimestre de 2026 com 15,3% (+44,5 mil toneladas) a mais de carne in natura que o mesmo período do ano passado (tabela 2), com destaque para as Filipinas, que no período representou mais de 30% do volume exportado.

Tabela 2. Exportação brasileira de carne suína in natura por destino no PRIMEIRO TRIMESTRE de 2026 (em toneladas) comparado com o mesmo período de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Ainda não foram publicados os dados consolidados de abate do primeiro trimestre do ano, mas números preliminares do SIF (Serviço de Inspeção Federal), indicam um crescimento ao redor de 4% em número de cabeças em relação ao mesmo período de 2025, nos estabelecimentos sob esta inspeção. Se considerarmos que as exportações cresceram quase 16% no período, e que os embarques representam em torno de 25% da destinação da produção de carne suína do Brasil, pode-se inferir que quase tudo que se produziu a mais foi exportado, não havendo sobreoferta significativa no mercado doméstico. Porém, as cotações do suíno vivo e das carcaças (gráficos 1 e 2), especialmente nas últimas semanas, “derreteram”, indicando um desequilíbrio entre oferta e demanda.

Gráfico 1. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, diário, nos últimos 30 dias úteis (até dia 20/04/26 em destaque). Fonte: CEPEA.

Gráfico 2. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, diário, nos últimos 60 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA

No acumulado de abril/26, a queda acentuada do preço do suíno, concomitante à alta do boi gordo fez com que a competitividade da carcaça suína em relação à bovina atingisse o melhor patamar desde março de 2022 (gráfico 3). Por outro lado, em relação ao frango resfriado a competitividade da carcaça suína em abril/26 é a melhor desde setembro de 2022 (gráfico 4). Ou seja, no atacado o suíno está relativamente barato em relação ao boi e ao frango. Estas correlações não obrigatoriamente se repetem no varejo na mesma proporção, pois cada proteína e cada elo da cadeia de valor tem sua dinâmica, mas a tendência é que o consumidor, em algum momento, identifique estas diferenças que podem pesar na sua escolha.

Gráfico 3. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do quilograma da carcaça suína e o valor do quilograma da carcaça bovina em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de março/22, último mês em que esteve abaixo de 38%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.

Gráfico 4. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do kg de frango resfriado e o valor do quilograma da carcaça suína em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de setembro/22, último mês em que esteve acima de 78%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.

Com o plantio da segunda safra de milho finalizado a “sorte está lançada”. A irregularidade das chuvas em abril elevou os riscos de perdas. As cotações voltaram a cair (gráfico 5) e a percepção é que a safrinha, mesmo que ainda tenha perdas por clima, será grande. A Conab reviu a safra total de milho 2025/26 para 139,6 milhões de toneladas, mas, segundo o Mbagro, não está descartada uma alta de preços mais a frente caso a condição das lavouras piore.

Gráfico 5. Preço médio diário do MILHO (R$/SC 60kg) em CAMPINAS-SP, nos últimos 30 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA

Mesmo com o recuo das cotações do milho e o farelo de soja estável, a queda acentuada do preço do suíno fez com que a relação de troca com os principais insumos da atividade despencasse para um patamar “perigoso”, abaixo de 5,0; um valor considerado de alto risco para determinar prejuízo na atividade, dependendo da produtividade da granja. A última vez que esta relação de troca esteve abaixo de 5,0 foi em dezembro de 2023 (gráfico 6).

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO: MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de abril/23 a abril/26 (até dia 20/04). Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de abril de 2026 até dia 20/04/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo

Considerações finais

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, apesar das exportações em alta os meses de março e abril/26 são os piores no quesito preço pago ao produtor, desde que saímos da última crise. “O quadro só não é mais grave por conta de uma relativa estabilidade nos preços dos principais insumos (milho e farelo de soja), mas a relação de troca já determina margens negativas na produção. Há um evidente desequilíbrio entre oferta e demanda da carne suína em um cenário que não deve mudar no curtíssimo prazo. Torcemos para que a entrada do inverno e o início da Copa do Mundo de Futebol, além da aproximação das eleições possam aquecer a demanda no médio prazo. Um alento é que a competitividade da carne suína em relação às outras carnes oportuniza expandir o consumo e ocupar mais espaço na mesa do consumidor brasileiro”, conclui.

Fonte: Assessoria ABCS
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