Peixes
Programa amplia bolsas e incentiva formação científica na pesca artesanal
Iniciativa do Ministério da Pesca e Aquicultura vai beneficiar mais de 700 estudantes de comunidades pesqueiras em todo o país.

O Ministério da Pesca e Aquicultura lançou uma chamada pública que prevê a ampliação do Programa Jovem Cientista da Pesca Artesanal, com a oferta de mais de 700 bolsas de Iniciação Científica Júnior (ICJ) para estudantes do ensino médio ligados a comunidades pesqueiras artesanais em todo o país. A iniciativa é realizada em parceria com o CNPq.
As inscrições para o programa estão abertas entre 10 de fevereiro e 17 de março de 2026. O investimento total previsto é de R$ 2,5 milhões, com bolsas mensais no valor de R$ 300, pagas durante 12 meses. O início das atividades está previsto para maio deste ano.
O programa tem como objetivo incentivar a formação científica e estimular a permanência de jovens nas comunidades pesqueiras, contribuindo para a qualificação da mão de obra e para o fortalecimento da cadeia produtiva da pesca artesanal. Podem participar estudantes filhos, netos ou dependentes de pescadores com Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) ativo.
Segundo o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, a iniciativa busca ampliar oportunidades educacionais e sociais para jovens que vivem em territórios pesqueiros. De acordo com ele, o programa também contribui para reduzir a evasão escolar e fortalecer a formação profissional nas comunidades tradicionais.
O presidente do CNPq, Olival Freire Junior, destacou que a ação amplia a integração entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais. A proposta envolve a participação de universidades e grupos de pesquisa que atuarão diretamente com os estudantes e suas comunidades.
A iniciativa também integra políticas estruturadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, ampliando o acesso de jovens à pesquisa e inovação em setores estratégicos da produção nacional.
Como participar
Para participar da chamada pública, as propostas devem ser apresentadas por Instituições de Ensino Superior (IES) ou Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs), públicas ou privadas sem fins lucrativos.
As instituições devem possuir cadastro ativo no Diretório do CNPq, manter programas institucionais de iniciação científica voltados ao ensino médio e comprovar experiência prévia em projetos relacionados à pesca artesanal. Também será necessário indicar as escolas parceiras que participarão do desenvolvimento das atividades.
O programa priorizará escolas localizadas em comunidades pesqueiras, regiões costeiras e áreas ribeirinhas tradicionais.
Formação e fortalecimento da cadeia produtiva
O Programa Jovem Cientista da Pesca Artesanal integra o Programa Povos da Pesca Artesanal e busca estimular pesquisas voltadas à realidade das comunidades produtoras. Atualmente, a iniciativa já contempla mais de 450 bolsas distribuídas em nove estados brasileiros.
Além da formação científica, o programa está inserido em um conjunto de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da atividade pesqueira, incluindo ações de extensão produtiva, capacitação profissional, valorização cultural e fortalecimento da sustentabilidade econômica das comunidades artesanais.

Peixes
Nova rede aposta em capacitação técnica para impulsionar aquicultura sustentável no Brasil
Iniciativa coordenada pela Embrapa Pesca e Aquicultura prevê treinamentos, webinários e implantação de Unidades Demonstrativas.

A criação da Rede de Extensão e Inovação Aquícola (Reaqua) tem como principal proposta organizar e ampliar a transferência de tecnologias em aquicultura desenvolvidas pela Embrapa e por instituições parceiras. A iniciativa prioriza o atendimento a técnicos da extensão rural, que inicialmente participarão de capacitações e, em uma etapa posterior, devem atuar na implantação de Unidades Demonstrativas. A rede também busca incentivar o aumento da produção aquícola no Brasil, com ênfase em práticas sustentáveis, principalmente no aspecto ambiental.
O trabalho é coordenado pela zootecnista Marcela Mataveli, que atua na área de transferência de tecnologia da Embrapa Pesca e Aquicultura. Segundo ela, a rede está em fase de estruturação, com avanços na articulação entre instituições e na definição das diretrizes de funcionamento. Entre as ações previstas estão atividades contínuas de atualização tecnológica voltadas às cadeias produtivas do tambaqui, da tilápia e do camarão, com realização de webinários, seminários técnicos e formações híbridas destinadas principalmente aos agentes de extensão rural em todo o país.
Atualmente, a rede reúne instituições de 13 estados, incluindo o Itaipu Parquetec, e há expectativa de ampliação, principalmente com a inclusão de parceiros da região Nordeste, considerada estratégica para a aquicultura nacional. Conforme Marcela, a participação das instituições parceiras tem sido positiva, mas o fortalecimento do engajamento contínuo segue como prioridade para ampliar o compartilhamento de conteúdos técnicos, resultados de pesquisa e integração entre projetos.
Entre os benefícios previstos, a Reaqua deve oferecer aos técnicos acesso permanente a tecnologias validadas e informações atualizadas sobre as principais cadeias aquícolas. A rede também pretende estimular a troca de experiências entre extensionistas, pesquisadores, universidades e outras instituições, facilitando o contato com pesquisas e tecnologias emergentes antes mesmo de chegarem aos produtores.
Outro ponto destacado é a implantação das Unidades Demonstrativas, que deverão permitir a aplicação prática das tecnologias em condições reais de produção. A proposta é contribuir para o aumento da produtividade e redução dos impactos ambientais, fortalecendo o trabalho de orientação técnica no campo.
Os aquicultores também devem ser beneficiados, já que a rede pretende acelerar a chegada de tecnologias adaptadas às diferentes realidades regionais. Entre os temas que deverão ser trabalhados com os produtores estão manejo produtivo, nutrição, sanidade, qualidade da água e adoção de sistemas sustentáveis. A expectativa é que isso resulte em maior produtividade, uso mais eficiente de insumos, redução de custos e menor impacto ambiental.
A primeira atividade da Reaqua será um webinário, previsto para março, com foco no cultivo multitrófico. O tema foi definido de forma participativa entre os integrantes da rede.
Peixes
Tilápia apresenta variações positivas e mantém estabilidade nas principais regiões produtoras
Cotações mostram reajustes moderados, com Norte do Paraná registrando o maior valor médio por quilo no período analisado.

Os preços da tilápia registraram leve variação positiva em diferentes regiões produtoras do país na semana de 09 a 13 de fevereiro, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Nos Grandes Lagos e em Morada Nova de Minas, o quilo do pescado foi comercializado a R$ 9,62, com altas semanais de 0,63% e 0,43%, respectivamente. No Norte do Paraná, o valor médio chegou a R$ 10,24/kg, com variação de 0,10% no período.
No Oeste do Paraná, a tilápia foi negociada a R$ 8,74/kg, registrando aumento de 0,15%. Já na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, o preço médio ficou em R$ 9,82/kg, com alta de 0,31% na comparação semanal.
Peixes
Aditivos nutricionais ganham espaço e reduzem dependência de antibióticos na aquicultura
Estudos ligados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo destacam soluções que melhoram imunidade e equilíbrio intestinal dos peixes cultivados.

A adoção de aditivos funcionais na nutrição de organismos aquáticos tem avançado no Brasil como alternativa para tornar os sistemas de produção aquícola mais sustentáveis, eficientes e seguros. Entre os principais produtos utilizados estão probióticos, prebióticos, simbióticos, pós-bióticos e fitobióticos, que possuem funções distintas no fortalecimento da saúde e no desempenho produtivo dos peixes.
Pesquisas desenvolvidas pelo Instituto de Pesca (IP-Apta), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, indicam que os probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal, fortalecimento do sistema imunológico, melhora do desempenho zootécnico e redução da incidência de doenças, diminuindo também a necessidade do uso de antibióticos nos cultivos.
Os prebióticos, por sua vez, são compostos não digeríveis que servem de alimento para microrganismos benéficos presentes no intestino dos peixes, estimulando sua multiplicação e atividade. Quando utilizados em conjunto, probióticos e prebióticos formam os simbióticos, que ampliam os efeitos positivos sobre a saúde e o desenvolvimento dos animais cultivados.
Já os pós-bióticos são formados por substâncias produzidas pelos probióticos, sem a presença de microrganismos vivos, auxiliando no fortalecimento da imunidade dos peixes. Os fitobióticos, de origem vegetal, incluem extratos e óleos essenciais que favorecem a digestão, ajudam a equilibrar a microbiota intestinal e reforçam o sistema imunológico dos organismos aquáticos.
As pesquisas conduzidas pelo Instituto de Pesca ao longo de mais de uma década avaliam o impacto desses aditivos no crescimento, na saúde e na imunidade de espécies cultivadas no país, com destaque para a tilápia-do-nilo, principal espécie da aquicultura brasileira. Os estudos buscam aprimorar o desempenho produtivo e reduzir impactos ambientais nos sistemas de criação.
O avanço tecnológico e a adoção de soluções nutricionais vêm ganhando espaço na aquicultura nacional, acompanhando a demanda por sistemas produtivos mais eficientes e alinhados às exigências sanitárias e ambientais.
Segundo o pesquisador e diretor da unidade de Aquicultura do Instituto de Pesca, Leonardo Tachibana, o desenvolvimento de soluções que melhorem o desempenho produtivo e a saúde dos peixes, sem causar impactos negativos ao meio ambiente, é um dos principais desafios e objetivos das pesquisas voltadas ao setor.



