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Profissional orienta sobre problemas e vantagens da gestação coletiva de matrizes

O atual sistema de alojamento de matrizes em jaulas gestacionais foi apontado e defendido por especialistas do setor como o mais adequado, muito em razão do controle da supervisão técnica, manejo diário de alimentação, controle do escore corporal, índices zootécnicos e ausência de brigas.

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Foto: Giuliano De Luca/ OP Rural

Buscar alternativas sustentáveis, éticas e humanitárias de aliar produtividade com respeito aos animais é uma constante na cadeia suinícola mundial, principalmente quando se trata de sistemas de criação de matrizes suínas. Oferecer um ambiente confortável, com instalações adequadas, livre de fatores que possam gerar desconforto ou estresse, permite que as fêmeas exerçam comportamentos próprios da espécie, convivam em harmonia e expressem todo seu potencial reprodutivo.

Por muito tempo, o atual sistema de alojamento de matrizes em jaulas gestacionais foi apontado e defendido por especialistas do setor como o mais adequado, muito em razão do controle da supervisão técnica, manejo diário de alimentação, controle do escore corporal, índices zootécnicos e ausência de brigas.

Diretora técnica da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, Charli Ludtke: “Compreender e proporcionar todas as necessidades das matrizes suínas é fundamental para que elas tenham qualidade de vida” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Entretanto, com o desenvolvimento de novas tecnologias esse modelo começou a ser revisado devido aos efeitos causados à integridade física e psicológica dos animais, dada a restrição do espaço que as matrizes ficam, muitas vezes em gaiolas inadequadas ao seu tamanho. “Compreender e proporcionar todas as necessidades das matrizes suínas é fundamental para que elas tenham qualidade de vida. Quando oferecido conforto térmico, mental e fisiológico, as matrizes suínas conseguem expressar seu máximo desempenho zootécnico”, afirma a médica-veterinária e diretora técnica da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Charli Ludtke. Ela foi uma das palestrantes do Seminário sobre sistemas de alojamento de matrizes suínas durante a 6ª edição do Congresso e Central de Negócios Brasil Sul de Avicultura, Suinocultura e Laticínios (Avisulat), que aconteceu entre os dias 28 e 30 de novembro, em Porto Alegre, RS.

Atualmente o modelo indicado para novos projetos de alojamento de fêmeas suínas é em sistema de gestação em grupos, que já demonstra uma melhora da eficiência reprodutiva e da longevidade das matrizes, mostrando que animais em equilíbrio com seu meio podem ser mais produtivos do que quando alojados em sistemas de gaiolas, destaca a profissional. “É essencial que o produtor desenvolva monitorias de rotina, que contemplem a saúde dos animais, as instalações e os protocolos de gestão, condições de bem-estar animal e identificação de pontos fracos e fortes dentro do sistema de produção. É preciso reforçar medidas de biossegurança, uso responsável de antimicrobianos e melhorias das boas práticas de manejo rotineiramente”, reforça Charli, que é mestra em Ciências dos Alimentos e doutora em Inspeção de Produtos de Origem Animal.

Como implementar medidas de bem-estar na granja

Para adotar medidas de bem-estar animal na granja é preciso considerar os princípios da boa alimentação, que envolvem água e ração à vontade, boas instalações, com local de descanso, facilidade de movimento e conforto térmico, boa saúde, com ausência de doenças, lesões e dor causada pelo manejo, evitar situações de estresse e também a possibilidade do suíno expressar um comportamento adequado. “A adoção de práticas que promovam o bem-estar na criação determina os ganhos de produtividade em todas as fases de produção”, ressalta Charli.

O Conselho de Bem-estar de Animais de Fazenda definiu há mais de quatro décadas os princípios que hoje norteiam as boas práticas de bem-estar animal e a legislação relativa ao assunto. É como uma espécie de declaração dos direitos dos animais, que ficaram conhecidos como as cinco liberdades: estar livre de fome e sede, estar livre de desconforto, estar livre de dor doença e injúria, ter liberdade para expressar os comportamentos naturais da espécie e estar livre de medo e de estresse. “Essas premissas de bem-estar vão dizer ao produtor em uma auditoria o que ele precisa fazer na granja para garantir que todos os animais tenham acesso a água e alimento adequados para manter sua saúde e vigor, se o ambiente é adequado para os animais, com condições de abrigo e descanso, como está o comportamento das fêmeas, se estão sendo adotadas medidas que visam garantir prevenção, rápido diagnóstico e tratamento adequado aos animais”, pontua Charli.

O primeiro conjunto de regras relacionadas ao bem-estar animal, e que devem ser seguidas pela cadeia produtiva suinícola nacional, foram estabelecidas a partir da Instrução Normativa nº 113 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), publicada em 16 de dezembro de 2020. O documento traz ao longo de 54 artigos desde como devem ser as instalações até práticas de manejos nas granjas. As orientações estão alinhadas às diretrizes da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) para a produção de suínos, o que dá respaldo maior às exportações do setor.

Com vistas a garantir maior competitividade à suinocultura brasileira, atender os princípios de bem-estar animal, as tendências do mercado internacional alinhada à qualidade de vida das fêmeas suínas durante o período de prenhez, a norma prevê que o modelo de gestação coletiva deve ser adotado em novos projetos de granjas no país. Para as unidades reprodutoras mais antigas, a transição deve ser realizada em 25 anos a partir de 2020. “Para matrizes alojadas em grupo, a baia de gestação coletiva deve conter áreas livres para as atividades (piso ripado) e para o descanso (piso compacto). As granjas tem até 1º de janeiro de 2045 para se adequarem”, informa Charli.

Gaiolas individuais x Baias coletivas

A diretora da ABCS aponta que entre as vantagens do sistema de criação em gaiolas individuais estão a oferta de alimentação individual, fácil supervisão, ausência de brigas, mas ao mesmo tempo cita como desvantagens alta incidência de estereotipias, conduta apática, resultados negativos de interações sociais, lesões podais, infecções urinárias como consequência do baixo consumo de água e movimento reduzido.

Estereotipias se definem como um comportamento repetitivo causado pela frustração, tentativas repetidas de adaptação ou disfunção do sistema nervoso central, em que as matrizes suínas desenvolvem mastigação com a boca vazia, mastigação de pedras, enrolação da língua, morder as barras de ferro, lamber o solo e consumo excessivo de água. “De acordo com um estudo recente, 55,9% dos casos de estereotipias são ocasionadas em gaiolas individuais e em torno de 7,5% são desenvolvidos pelas fêmeas que vivem em grupo”, menciona Charli.

Enquanto que a interação entre os animais, redução de estresse, diminuição de problemas sanitários e de estereotipias são elencadas pela especialista como benefícios do sistema de baias coletivas. Porém, entre as desvantagens, a médica-veterinária expõe desafios estruturais com relação ao piso, eventual aumento de problemas locomotores, aumento de brigas e desafios relacionados à competição por alimentação.

Estratégias para reduzir as agressões

Para diminuir as agressões entre as fêmeas, a diretora técnica da ABCS diz que são recomendados oferecer espaço adicional e piso não escorregadio, alimentar as leitoas antes de misturá-las no grupo, colocar ração no piso na área de agrupamento, evitar introduzir um pequeno número de animais a um grupo grande já estabelecido, misturar animais, previamente familiarizados, na medida do possível, colocar palha ou outros materiais de enriquecimento ambiental adequados para a área de mistura, fornecer oportunidades de escapes e esconderijos, como barreiras visuais (zonas de refúgio), além de buscar a formação de subgrupos por afinidade e ordem de parto.

Sistemas de alojamentos mais adotados no Brasil

Charli expõe que há vários modelos de alojamento coletivo, dos mais simples aos mais sofisticados, que se diferenciam pela forma como o alimento é oferecido às fêmeas suínas.

Entre aqueles que oferecem livre acesso dos animais à ração, ela menciona o sistema Mini Box, no qual a ração é fornecida em comedouros lineares, com divisórias individuais ou diretas no piso, por meio da utilização de drops. “As divisórias individuais são metálicas e reduzem as disputas no momento do arraçoamento, tornando mais uniforme a alimentação entre os animais. “Para cada matriz é necessário assegurar que exista um mini box de 45 a 50 centímetros de largura e a altura da divisória deve estar no nível da paleta do animal”, salienta a especialista.

Ainda é importante assegurar que as fêmeas tenham acesso à ração ao mesmo tempo. “Alimentar as matrizes uma vez ao dia, de preferência, no mesmo horário, vai deixar as fêmeas dominantes ocupadas por mais tempo, reduzindo assim interações negativas”, sugere.

Entre os modelos mais tecnológicos está o Sistema Eletrônico de Alimentação, em que o arraçoamento é feito de forma individual e o fornecimento é automático. “Neste sistema é necessário realizar o treinamento das fêmeas para que elas aprendam a entrar na máquina para se alimentar, bem como treinar os trabalhadores das granjas para que façam o monitoramento do maquinário. A manutenção das estações de alimentação diariamente, sobretudo dos mecanismos de entrada e saída das gaiolas e dos brincos eletrônicos das fêmeas, é fundamental para o seu bom funcionamento”, pontua.

Falhas observadas nos sistemas

Independente do sistema adotado pela granja, Charli reforça que a falta de supervisão, de atenção individual das matrizes e a falta de checagem diária adequada nas baias coletivas pode deixar passar despercebido problemas de saúde, como casos de aborto.

A especialista também destaca que falhas como não verificar se as matrizes estão consumindo ração suficiente, não fazer a inspeção diária para rápida tomada de ações corretivas com os animais que apresentam problemas, falhas na detecção do retorno do cio, culminando na detecção tardia de fêmeas vazias, grupos de gestação desuniformes em tamanho, ordem de parto e condição corporal, falta de manutenção dos equipamentos eletrônicos ou má qualidade do treinamento dos colaboradores no que diz respeito aos equipamentos eletrônicos geram perdas expressivas nas granjas. “É importante que o produtor tenha um plano de ação para evitar que as essas falhas continuem sendo cometidas na granja”, expõe Charli.

A diretora técnica da ABCS aponta que as principais falhas encontradas nos sistemas de gestação coletiva estão na densidade inadequada das baias de alojamento (superpopulação), número insuficiente de baias de enfermaria para alojar as matrizes com problemas, desenhos inadequados das baias, com ângulos quadrados, bebedouros e comedouros mal posicionados, que dificultam a formação de hierarquia e definição das zonas de alimentação, defecação e descanso, bem como pisos de má qualidade ou com necessidade de manutenção.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Produção de carne suína avança e reforça novo ciclo de expansão no setor

Crescimento no volume abatido e o aumento no peso médio das carcaças indicam consolidação da oferta, mesmo diante da pressão recente sobre os preços pagos ao produtor.

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O IBGE publicou, no último dia 12, dados preliminares de abate do quarto trimestre de 2025, confirmando o crescimento da produção das três proteínas no ano passado em relação a 2024. No abate de suínos, com aumento de 3,39% em cabeças e 4,46% em toneladas de carcaças (tabela 1) no acumulado do ano de 2025, fica evidente a retomada do crescimento da produção de forma consistente. Mesmo em um ano em que um dos destaques foi o incremento significativo do peso médio das carcaças (93,07kg contra 92,11kg de 2024), chama a atenção, no mês dezembro/25, o menor peso do período (90,23kg), indicando haver relativa baixa retenção de animais nas granjas na virada do ano.

Tabela 1. Abate brasileiro MENSAL de suínos, 2024 e 2025, em cabeças e toneladas de carcaças (total e peso médio em kg) e diferença em relação ao mesmo mês anterior. *Dados de julho a setembro de 2024 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE.

Esta presumida baixa retenção de animais nas granjas no mês de dezembro/25 não resultou em sustentação dos preços pagos ao produtor no início de 2026. Outros fatores, como a queda sazonal da demanda interna e de exportação, típica de início de ano, e os estoques remanescentes de 2025 resultaram em queda dos preços das carcaças e do animal vivo em todas as praças do Brasil (gráficos 1 e 2), o que parece ter se agravado com o “efeito manada”, quando muitos produtores tentam antecipar as vendas para fugir de preços mais baixos, mas, com maior oferta, acabam acelerando a queda das cotações. Além disso, a carne de frango também apresentou queda expressiva nas cotações desde a virada do ano, o que acaba reduzindo a competitividade da carne suína no varejo (gráfico 3).

Gráfico 1. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, mensal, nos últimos 12 meses. Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 2. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, mensal, de março/25 a 18 de fevereiro de 2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 3. Cotação média mensal do FRANGO RESFRIADO em São Paulo (SP), em R$/kg de carcaça, nos últimos seis meses. Média de fevereiro até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

No último boletim, de janeiro/26, já havíamos demonstrado o crescimento expressivo das exportações de carne suína in natura no ano de 2025, com incremento de quase 12% em relação a 2024. Conforme a tabela 2, a seguir, as três proteínas tiveram, em 2025, crescimento na produção, exportação e disponibilidade interna.

Tabela 2. Produção brasileira, exportação (in natura) e disponibilidade interna mensal, em toneladas de carcaças, das três proteínas de janeiro a dezembro de 2025 e diferença do total acumulado em relação a 2024 *Dados de produção de outubro a dezembro de 2025 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE e da Secex.

A propósito das exportações de carne suína, o ano de 2026 começou bem, com o mês de janeiro/26 totalizando mais de 100 mil toneladas de carne suína in natura embarcada, um crescimento de 14,2% em relação a janeiro de 2025, com aumento expressivo dos embarques para Filipinas e Japão e China confirmando sua trajetória de queda (tabela 3).

Tabela 3. Principais destinos da carne suína brasileira in natura exportada em janeiro de 2026, comparado com janeiro de 2025. Ordem dos países estabelecida sobre volumes de 2026. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Sobre a carne bovina, que dentre as 3 proteínas teve no ano passado o maior crescimento percentual de produção e exportação, o que se observou ao longo do ano de 2025 foi uma relativa estabilidade nas cotações do boi gordo (gráfico 4).

Gráfico 4. Indicador mensal do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 2 anos, com destaque para a maior cotação do período (até o momento) que foi em novembro/24 Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Porém, a tão esperada virada do ciclo pecuário, com redução de abate e alta do preço deve ocorrer em 2026 e já mostra sinais no gradativo aumento das cotações do boi gordo nas últimas semanas (gráfico 5), quando a arroba subiu mais de 20 reais em poucos dias.

Gráfico 5. Indicador DIÁRIO do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 30 dias úteis (até 18/02/26). Fonte: CEPEA

Para 2026 o mercado de carne bovina será um importante fator de equilíbrio, justamente porque é a única proteína que deve ter retração na produção, reduzindo a oferta no mercado doméstico e, consequentemente, determinando preços maiores que no ano passado, o que deve contribuir para sustentar os preços da carne suína. Entretanto, existe um alerta para as exportações de carne bovina que têm a China como destino de mais da metade dos embarques e que estabeleceu, para 2026, uma cota de 1,1 milhão de toneladas que, quando ultrapassada, terá uma sobretaxa de 55%, inviabilizando as exportações para aquele mercado que comprou em torno de 1,7 milhão de toneladas no ano passado. Esta situação pode determinar uma redução das exportações de carne bovina brasileira e, consequentemente, uma maior oferta no mercado doméstico a partir da metade do ano. Alguns analistas também apontam esta alta momentânea da cotação do boi gordo justamente por causa desta cota estabelecida pela China, o que fez com que os frigoríficos exportadores antecipassem o abate para aproveitá-la antes que se esgote.

Sobre a rentabilidade da suinocultura, mesmo com o milho e o farelo de soja com preços relativamente estáveis, fica evidente uma queda na relação de troca do suíno com estes insumos (gráfico 6), obviamente agravada pelo recuo significativo das cotações do suíno. Mesmo antes de acabar fevereiro já é possível afirmar que a relação de troca caiu pelo quinto mês consecutivo. Este quadro, na maioria dos casos, ainda não determina prejuízo na atividade, mas acende uma luz de alerta no setor.

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO : MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de janeiro/24 a fevereiro/26. Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de fevereiro de 2026 até dia 18/02/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que o movimento de baixa das cotações do suíno vivo e das carcaças dá sinais de que está no fim, com preços estabilizando em meados de fevereiro. “É fato que a suinocultura brasileira retomou o crescimento da produção e o aumento das exportações já não é suficiente para enxugar o mercado. A concorrência com as outras carnes se tornam um fator muito importante neste contexto, sendo que o mercado de carne bovina, com a esperada virada de ciclo pecuário, pode ser o fiel da balança para sustentar os preços do suíno em patamar que permita manter margens financeiras positivas, mesmo com maior oferta de carne suína no mercado doméstico ao longo de 2026”, conclui.

Fonte: Assessoria ABCS
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ACCS alerta para insegurança jurídica mesmo com retomada nos preços da suinocultura

Mercado de suínos dá sinais de recuperação com exportações aquecidas, mas a Associação Catarinense de Criadores de Suínos cobra segurança no campo e critica entraves trabalhistas e o chamado custo Brasil.

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O cenário para a suinocultura brasileira desenha-se com otimismo nas granjas, impulsionado pelo reequilíbrio de preços e recordes de exportação previstos para este ano. No entanto, fora da porteira, o setor produtivo acende um forte sinal de alerta para os desafios políticos, trabalhistas e de segurança jurídica no campo. A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, que traçou um panorama detalhado sobre as projeções de mercado e os entraves que o agronegócio enfrenta atualmente.

Retomada de preços e exportações em alta

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi: “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”

O ano começou com a tradicional oscilação de preços, mas a perspectiva de estabilização já é uma realidade. Segundo o presidente da ACCS, a queda registrada na primeira quinzena de janeiro está sendo superada pela reação das bolsas do setor. “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”, projeta Losivanio.

A expectativa de alta nos valores pagos ao produtor é sustentada por uma combinação de fatores: a menor oferta de suínos no mercado, a manutenção do peso normal de abate e o ritmo acelerado das exportações, que em fevereiro devem ultrapassar a marca de 100 mil toneladas.

Outro elemento que protegeu a margem do suinocultor independente durante a recente baixa foi a queda no preço do milho. Além disso, não houve um crescimento desordenado da produção nos últimos dois anos. O principal freio para novas expansões foi a taxa de juros, já que, segundo o dirigente da ACCS, iniciar um projeto robusto na suinocultura hoje exige um investimento mínimo de R$ 10 milhões, tornando a captação de recursos cara e, muitas vezes, inviável.

O ciclo da carne bovina e a sanidade

O bom momento da carne suína também encontra respaldo no ciclo da pecuária de corte. Com as exportações de carne bovina batendo recordes e o volume de abates superando o de nascimentos de bezerros, a recuperação da oferta de bovinos será lenta — um ciclo que leva cerca de quatro anos. Essa dinâmica mantém a carne suína em um patamar competitivo e altamente atrativo.

Apesar dos ventos comerciais favoráveis, a ACCS reforça que o dever de casa sanitário é inegociável para garantir a estabilidade do setor. “Nós temos que olhar muito a questão da biosseguridade, da sanidade, para que a gente não seja acometido por alguma intempérie de doença, como aconteceu em vários países, e que a gente possa perder esses mercados importantes”, alerta.

Preocupações políticas e a escala 6×1

Se o mercado responde bem, o ambiente regulatório gera apreensão. Losivanio classifica como “populismo” a possibilidade de o governo intervir limitando as exportações de carne bovina para forçar a queda dos preços no mercado interno, especialmente em um ano eleitoral. Para ele, a solução real seria fomentar o poder de compra e a renda da população, e não proibir embarques.

No campo trabalhista, a proposta de alteração da jornada para a escala 6×1, reduzindo de 44 para 36 horas semanais — é vista com grande preocupação. A dinâmica do agronegócio não se adequa a expedientes engessados, e o peso da carga tributária sobre a folha de pagamento já asfixia quem produz. “A gente vê que o vilão não é o empresário, e sim é o sócio que nós temos, que é o governo”, pontua o presidente.

Ele contrasta a situação brasileira com a de países vizinhos: enquanto a Argentina avança no Congresso com propostas de jornadas de até 12 horas diárias e o Paraguai atrai indústrias brasileiras oferecendo redução de impostos, logística eficiente e segurança jurídica, o Brasil onera cada vez mais o empreendedor com mudanças legislativas constantes.

Insegurança jurídica e a defesa do produtor

O alerta final da entidade recai sobre a insegurança no campo. O aumento da criminalidade e as tensões envolvendo áreas indígenas estão impactando diretamente quem produz. Produtores com histórico de gerações em suas terras e documentação legal estão perdendo acesso ao crédito rural e correndo o risco de perderem suas propriedades. “Nós estamos à beira de um caos muito forte”, desabafa.

Para Losivanio, falta ao poder público uma visão estratégica que valorize o agronegócio, setor que levou o Brasil ao posto de maior exportador de proteína animal do mundo, mesmo operando sob as legislações ambientais mais rigorosas do planeta. “Para dar emprego, nós temos que dar segurança para o nosso empreendedor, para que ele possa continuar acreditando e fazendo esse país crescer”, finaliza o presidente, pedindo uma mudança urgente de postura e de entendimento para garantir o futuro da produção nacional.

Fonte: Assessoria ACCS
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Demanda interna e exportações reforçam perspectiva de alta para o suíno vivo

Diversificação de mercados e consumo aquecido no pós-férias impulsionam mercado, enquanto produção e custo da ração exigem atenção no médio prazo.

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Com a melhora sazonal da demanda interna e um cenário externo considerado favorável, os preços do suíno vivo devem apresentar reação nas próximas semanas. A expectativa é de recuperação no curto prazo, após o fim do período de férias escolares e do Carnaval.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a diferença de preços entre as proteínas também pode contribuir para esse movimento. A carne bovina segue em patamar mais elevado em relação à suína, o que tende a favorecer o consumo da carne de porco no mercado interno.

No comércio exterior, a diversificação de destinos observada desde o ano passado ajuda a reduzir a dependência de mercados específicos. Apesar disso, chama atenção o aumento da participação das Filipinas entre os principais compradores. Ainda assim, o cenário das exportações é considerado positivo e deve continuar colaborando para o equilíbrio da oferta e da demanda.

Para o médio prazo, dois fatores exigem monitoramento: o ritmo de crescimento da produção e os custos com ração.

No caso da produção, a tendência é de continuidade na expansão do envio de animais para abate, movimento sustentado pelas boas margens registradas na suinocultura nos últimos dois anos e pela demanda externa aquecida. Eventuais problemas no fluxo de embarques, embora não sejam o cenário principal, poderiam pressionar o mercado interno, elevando a oferta doméstica e impactando os preços, já que a produção não pode ser ajustada rapidamente no curto prazo.

Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável, mas com pontos de atenção. A previsão de clima positivo para o milho safrinha nos próximos dois meses indica potencial para boa produção. No entanto, parte relevante da área ainda precisa ser semeada, e não há definição sobre quanto ficará dentro da janela ideal de plantio, fator decisivo para o desempenho produtivo.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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