Avicultura Postura
Profissional dá dicas para avicultor ter programa de postura de sucesso
Estar atento a diversos pontos desde o início da produção garantem bons resultados ao produtor

Uma galinha de boa rentabilidade inicia com uma franga de boa rentabilidade. Possui o tipo e peso corporal corretos no início do ciclo de produção, permite que a ave alcance todo o potencial genético esperado. Quando se fala em avicultura de postura é importante que o avicultor tenha em mente que problemas que ocorrem durante o período de crescimento não podem ser corrigidos depois do início da produção dos ovos.
Estar atento a diversos pontos desde o início da produção garantem bons resultados ao produtor. “O galpão de cria e pinteiro devem ser bem limpos e desinfetados antes da chegada das pintainhas. É preciso programar um vazio sanitário do galpão de no mínimo três semanas três os lotes. Antes da limpeza e desinfecção é preciso remover todo o alimento e esterco, e é preciso iniciar um programa de controle de roedores. Este é também o momento ideal para fazer as reformas necessárias de equipamentos e galpão. É preciso ainda limpar o galpão com jato de água sob pressão, utilizando detergente para eliminar a matéria orgânica e depois de ter limpado tudo, o galpão deverá ser desinfetado com pulverização ou espuma, utilizando um detergente aprovado”, aconselha o zootecnista e gerente de Serviços Técnicos da Hy-Line do Brasil, Marcelo Surian Checco. Ele falou sobre os principais manejos de poedeiras comerciais durante o crescimento em um dos podcasts da FACTA (Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia Avícolas).
Outro conselho repassado pelo profissional foi quanto a temperatura do galpão, que ajuda a melhorar a efetividade do desinfetante utilizado na limpeza do local. “Adicionalmente, é preciso pulverizar o galpão cinco dias antes da chegada das aves, para assegurar as condições sanitárias”, informa. Ele acrescenta que o tempo para terminar a preparação do galpão para a chegada das pintainhas deve ser de no mínimo 48 horas. “Permita um tempo suficiente para que a temperatura do ar e do equipamento estejam apropriadas para as aves”, diz.
De acordo com Checco, é preciso que o produtor encha os comedouros ao nível máximo de ração inicial ou pré-inicial de boa qualidade, de preferência na forma moída ou peletizada. “Lembre de ajustar os comedouros e as guias para permitir que as aves tenham acesso desde o primeiro dia. Assegure-se que todos os bebedouros estejam funcionamento apropriadamente e ajuste-os para que as pintainhas possam beber com facilidade”, alerta. O profissional diz que é preciso que a água de bebida precisa contar vitaminas e eletrodos para que as aves recuperem a perda de peso ocorrida durante a viagem. “Coloque o alimento sob o papel antes da chegada das pintainhas ou logo após o alojamento nas gaiolas. Aves criadas no piso devem ter pratos ou bandejas extras com alimento ou o avicultor podem colocar o alimento sob o papel”, aconselha.
Outra dica dada pelo zootecnista foi que as pintainhas e poedeiras devem vir de lotes e matrizes sãs e livres de doenças transmitidas verticalmente, o que é muito importante para a saúde humana e das aves. “As aves devem ainda possuir níveis adequados de anticorpos maternais para uma proteção precoce, contra desafios de várias doenças. As pintainhas devem ter peso corporal adequado, umbigo bem cicatrizado e devem ser livres de defeitos físicos. Além disso, todas as pintainhas devem ser vacinadas no incubatório, de acordo com o programa eleito pelo produtor”, diz.
Temperatura ideal
Checco explica que é preciso que o avicultor siga as recomendações de temperaturas dos guias de manejo para linhas, uma vez que a criação em gaiola e em piso possuem diferenças. “A pintainha recém-nascida não pode regular a própria temperatura corporal e, portanto, o produtor deve conceder condições ambientais apropriadas. A umidade do ar na primeira semana deve ser de no mínimo 40 a 60% para prevenir desidratação”, informa.
O profissional conta que aves criadas em gaiolas requerem um manejo mais cuidadoso da temperatura e da umidade, já que elas não podem buscar por uma área cômoda tão facilmente como as aves criadas no piso. “As aves criadas no piso, em galpões com aquecedores ou calefação, é preciso que o avicultor observe o comportamento delas, para garantir que a temperatura está correta”, diz.
De acordo com ele, as aves devem estar distribuídas uniformemente nas áreas de criação. “Quando as aves se agrupam nos indica que a temperatura está baixa ou há corrente de ar excessiva. Em um ambiente frio, as aves piam com um tom angustiante, quando elas tem muito calor, se mostram letárgicas e tratam de se afastar da fonte de calor”, explica. Checco comenta que aves estressadas tanto por frio quanto por calor podem ter a cloaca pastosa ou emplastrada. “Verifique no guia de manejo sobre as regras locais e legislações para cada tipo de criação e produção”, aconselha.
Consumo de ração e água
O zootecnista explica que para aves criadas em gaiolas o produtor pode colocar um papel do fundo delas, por sete a 10 dias, uma vez que isso ajuda as aves a caminhar nas gaiolas, controlar a temperatura, prevenir correntes de ar e permite colocar alimentos suplementar sob o papel. “É preciso colocar alimento na frente do comedouro, para treinar as aves a mover-se para os comedouros permanentes”, afirma.
Já para estimular o consumo de água, o profissional diz que é preciso manter os comedouros tipo copo cheios durante os três primeiros dias ou ajustar a pressão da água para que o comedouro tipo nipple tenha sempre uma gota aparente. Já para as aves criadas em pisos, o avicultor pode utilizar comedouros tipo prato ou de corrente. “Para ambos os sistemas é importante começar a alimentar as aves pondo o alimento sob o papel, papelão ou bandeja perto das linhas de comedouro”, aconselha.
Checco explica que quando o produtor utiliza círculo de criação, o acesso a água pode não ser suficiente. “É preciso promover água com bebedouro suplementar durante a primeira e segunda semanas. Ou até que se abram os círculos para que as aves tenham acesso total a água”, explica.
Alcançando o potencial genético
Segundo o zootecnista, a franga se desenvolve de acordo com a sequência fisiológica. “As frangas que alcançam ou excedem as metas de peso corporal durante a fase de desenvolvimento tem melhor oportunidade de alcançar seu potencial genético como poderia. O crescimento interrompido durante uma das fases de desenvolvimento resultará em aves que carecem de reserva corporal e função dos órgãos para manter uma boa e alta produção como poedeiras adultas”, conta.
Checco explica que o período de crescimento pode ser dividido em períodos, sendo de zero a seis semanas de idade, que é durante esse período em que ocorre a maior parte do desenvolvimento de órgãos do trato digestório e sistema imunológico. “Os problemas que ocorrem nesse período podem ter dificuldade na digestão e absorção de nutrientes ao longo da vida. Pode acontecer também a imunossupressão, por causa de problemas durante esse período, deixando a ave mais sensível as doenças e com menor resposta a vacinação”, conta.
Tem também de seis a 12 semanas, que é o período de crescimento rápido, sendo quando a ave obtém a maior parte dos componentes estruturais adultos, ou seja, ossos, músculos e penas. “As deficiências de crescimento durante esse período evitarão que a ave obtenha suficiente reserva nos ossos e músculos, as quais são necessárias para sustentar um alto nível de produção e para manter uma boa qualidade de casca de ovo. Em torno de 95% do esqueleto está desenvolvido até o final da 13° semana, mais ou menos”, conta. Ele explica que qualquer crescimento compensatório que ocorrerá após esse período não aumentará o tamanho do esqueleto. “A quantidade de reserva mineral disponível para formação da casca do ovo está diretamente relacionada com o tamanho do esqueleto da ave. Reações vacinais, debicagem, manipulação e outras práticas de manejo estressantes podem atrasar o desenvolvimento durante esse período de crescimento rápido”, informa.
Por último há a fase de 12ª 18 semanas, que, de acordo com Checco, é durante este período que a taxa de crescimento diminui, o trato reprodutivo amadurece e se prepara para a produção de ovos. “O desenvolvimento muscular continua e a proliferação das células de gordura ocorrem nesse período. O ganho excessivo nesse tempo pode resultar em uma quantidade exagerada de gordura abdominal, peso corporal baixo e eventos estressantes podem atrasar o início da produção de ovos”, explica.
Uniformidade e peso corporal
De acordo com Checco, a uniformidade e o peso corporal são outros itens que o avicultor precisa prestar muita atenção. “A uniformidade dos pesos corporais de um lote é tão importante quanto alcançar a meta do peso corporal. A meta de uniformidade é de 85% em média durante o período de crescimento. Outro desafio que resulta na baixa uniformidade é que as franjas começam a produzir o ciclo em diferentes tempos e as aves de menor peso produzirão ovos menores que o normal”, conta.
O profissional explica que as causas de baixa uniformidade podem ser enfermidades, amontoamento que conduz em competição por comedouros e bebedouros, nutrição inadequada, rejeição do alimento devido a má qualidade, manejo do alimento ou do tratador, manejos estressantes, erro de debicagem e qualquer restrição de água ou alimento.
“Para corrigir essa uniformidade é preciso um correto manejo. É preciso iniciar com um programa de monitoramento de peso desde a primeira semana de idade. Deve-se pesar individualmente pelo menos 100 aves semanalmente. Continue pesando todas as semanas até que as aves alcancem o tamanho corporal maduro das 32 semanas. Depois, pelo menos a cada cinco semanas, durante o resto do período de produção”, aconselha.
Já para lotes criados em gaiolas, as gaiolas de todos os níveis e locais devem ser selecionadas. “Todas as aves de dentro das gaiolas devem ser pesadas separadamente. E as mesmas gaiolas selecionadas devem ser pesadas todas as semanas. Selecione gaiolas no início e ao final da linha dos comedouros e nos níveis altos e baixos”, diz. Os lotes criados em piso, explica o zootecnista, devem ser pesadas somente ao acaso. “Mas o avicultor pode escolher aves de diferentes lados do galpão. É preferível monitorar o peso do animal semanalmente, já que dessa forma o produtor pode identificar rapidamente os problemas de crescimento. O problema deve estar associado a uma troca de alimento ou uma prática de manejo estressante, permitindo que se tome uma ação corretiva”, afirma.
O profissional orienta que o avicultor pese as aves antes de uma troca de ração programada. “As trocas programas na formação de alimento sempre devem se basear no alcance das metas de peso corporais e não idade do lote. Os lotes com aves de baixo peso ou com uniformidade baixa devem permanecer com uma formulação mais rica em nutrientes”, diz. Além disso, ele explica que lotes que irão receber alguma vacinação injetável ou durante ondes de calor ou estresse calórico devem ser colocados novamente formulações mais concentradas para compensar a perda de apetite.
Checco afirma que é essencial que o avicultor preste muita atenção aos primeiros manejos das aves para obter sucesso e melhores resultados em lotes de poedeiras. “O crescimento de um lote com peso corporal e conformação corporal adequados irá permitir um período de postura bem-sucedido. Problemas como baixo número de ovos e má qualidade da casca durante a postura frequentemente estão relacionados com problemas ocorridos durante o período de crescimento”, conclui.
Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2020 ou online.

Avicultura
Embarques de carne de frango crescem 5,3% em fevereiro
Alta em receita mensal chega a 8,6%, China reassume liderança nos embarques mensais.

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 493,2 mil toneladas em fevereiro, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é o maior já registrado para o mês de fevereiro, superando em 5,3% o total embarcado no mesmo período do ano passado, com 468,4 mil toneladas.
O saldo em dólares também é o maior já registrado para o mês de fevereiro. Ao todo, foram US$ 945,4 milhões, número 8,6% superior ao alcançado no mesmo período do ano passado, com US$ 870,4 milhões.

Foto: Ari Dias
No ano, a alta acumulada chega a 4,5%, com 952,3 mil toneladas embarcadas no primeiro bimestre deste ano, contra 911,4 mil toneladas no mesmo período do ano passado. Em receita, o crescimento comparativo é de 7,2%, com US$ 1,819 bilhão em 2026, contra US$ 1,696 bilhão nos dois primeiros meses de 2025. É o melhor desempenho já registrado no período, tanto em volume quanto em receita.
Considerando os dados por país, a China reassumiu a liderança das exportações de carne de frango. Ao todo, foram 49,4 mil toneladas exportadas em fevereiro, número apenas 0,4% menor em relação ao registrado no segundo mês de 2025. Em seguida estão Emirados Árabes Unidos, com 44 mil toneladas (+13,4%), Japão, com 38,2 mil toneladas (+38%), Arábia Saudita, com 33,8 mil toneladas (+7,3%), África do Sul, com 31,3 mil toneladas (+27,6%), União Europeia, com 30,1 mil toneladas (+46,3%), Filipinas, com 30 mil toneladas (+29,2%), Coreia do Sul, com 18,5 mil toneladas (+2,4%), México, com 15,8 mil toneladas (-24,3%), e Singapura, com 15,4 mil toneladas (+20,1%).
“Vimos em fevereiro a consolidação da retomada dos embarques para a China, nos mesmos patamares anteriormente praticados para este destino, comportamento também observado nas exportações para a União Europeia. Os efeitos comerciais do foco de Influenza Aviária registrado, e já superado, na produção comercial do Brasil, em maio do ano passado, foram superados e devem influenciar positivamente o desempenho das exportações nos próximos meses, acompanhando a alta dos embarques para os principais países importadores. Isso comprova a forte demanda internacional que há pela proteína animal do Brasil. Por outro lado, são grandes os esforços para a construção de alternativas logísticas que mantenham o fluxo para destinos afetados pelo conflito no Golfo do Oriente Médio”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
No levantamento por Estado, o Paraná seguiu na liderança, com 211 mil toneladas exportadas em fevereiro, número 13,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Em seguida estão Santa Catarina, com 104,6 mil toneladas (-1,9%), Rio Grande do Sul, com 61,1 mil toneladas (-12,47%), São Paulo, com 28,8 mil toneladas (+6,4%) e Goiás, com 24,5 mil toneladas (+19,36%).
Novo destino para a carne de frango
Os exportadores de carne de frango celebraram o anúncio do Ministério da Agricultura e Pecuária sobre a conquista de acesso ao mercado das Ilhas Salomão para exportações do setor brasileiro.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
País com forte dependência de importações de alimentos e demanda crescente por proteína animal, as Ilhas Salomão possuem aproximadamente 830 mil habitantes e apresentam produção doméstica limitada de frango. Dados da Food and Agriculture Organization (FAO) indicam que a oferta interna do produto dobrou ao longo da última década, passando de cerca de 2 mil toneladas em 2010 para aproximadamente 4 mil toneladas, refletindo um setor em expansão, porém ainda dependente de importações para atender à demanda. Em 2024, as importações de carne de frango somaram cerca de US$ 10,8 milhões, com fornecimento concentrado principalmente na Austrália e nos Estados Unidos.
“A abertura deste mercado coloca o Brasil como alternativa sólida na parceria estratégica para o apoio à segurança alimentar deste país, oferecendo proteína de qualidade produzida com elevados padrões sanitários e grande capacidade de abastecimento”, analisa Santin.
Avicultura
Frango e ovos sustentam desempenho da avicultura e reforçam projeções de crescimento para 2026, aponta ABPA
Produção, consumo interno e exportações registraram resultados históricos em 2025, consolidando o ano como um marco para o setor e criando bases sólidas para a expansão da avicultura brasileira.

As cadeias brasileiras de carne de frango e ovos encerraram 2025 com um desempenho histórico, marcado por recordes de produção, consumo interno e exportações. Projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam avanço em praticamente todos os indicadores, consolidando o ano como um marco para o setor e criando bases sólidas para a expansão em 2026.
O resultado ganha ainda mais relevância em um contexto de desafios logísticos e restrições sanitárias pontuais enfrentados ao longo do ano passado. Ainda assim, segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, a combinação entre resiliência produtiva e competitividade internacional foi determinante para sustentar o desempenho. “O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional”, enfatizou.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “Fechar o ano com resultados positivos é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global, em compasso com a produção do setor esperada para o ano” – Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Na carne de frango, principal segmento da proteína animal brasileira, a produção chegou a 15,320 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 2,2% em relação a 2024. Para 2026, a entidade projeta novo avanço, com volume podendo alcançar até 15,600 milhões de toneladas, alta de 2%. O movimento reflete tanto a estabilidade do consumo doméstico quanto a manutenção do Brasil como fornecedor relevante no comércio internacional.
As exportações acompanharam o ritmo. Em 2025, os embarques somaram cerca de 5,324 milhões de toneladas, com expectativa de atingir 5,5 milhões de toneladas em 2026. “O crescimento previsto é de 3,4% em 2026, reflexo da demanda internacional aquecida e da competitividade brasileira”, ressaltou Santin.
Apesar do aumento em volume, a receita total das exportações apresentou leve recuo, somando US$ 9,790 bilhões no ano passado, 1,4% abaixo do registrado em 2024. A redução está associada, sobretudo, a ajustes de preços no mercado global.
Do ponto de vista sanitário, 2025 também foi marcado pelo registro de um foco de Influenza aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais, episódio já superado. Para Santin, o fato de o setor ter fechado o ano com números positivos, mesmo diante desse cenário, reforça a robustez da cadeia. “Fechar o ano com resultados positivos é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global, em compasso com a produção do setor esperada para o ano”, disse.
No mapa das exportações, os Emirados Árabes Unidos lideraram como principal destino da carne de frango brasileira em 2025, com importações de 479,9 mil toneladas, crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior. Na sequência vieram Japão, com 402,9 mil toneladas e recuo de 9,1%; Arábia Saudita, com 397,2 mil toneladas e alta de 7,1%; África do Sul, com 336 mil toneladas, crescimento de 3,3%; e Filipinas, com 264,2 mil toneladas, aumento de 12,5%.
De acordo com Santin, o bom desempenho nos Emirados Árabes Unidos reforça o peso estratégico do Oriente Médio para a avicultura brasileira, enquanto a retração no Japão sinaliza desaceleração em um mercado tradicional. Já o crescimento nas Filipinas evidencia a expansão da presença brasileira em regiões com consumo em trajetória ascendente.
Entre os estados exportadores, o Paraná manteve a liderança nacional, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás, confirmando a concentração regional da produção e da logística de exportação.
Mercado interno aquecido

A disponibilidade interna de carne de frango atingiu cerca de 9,980 milhões de toneladas no ano passado, variação de 3,1% em relação ao ano anterior. Para 2026, a projeção aponta para um aumento de 1,2%, podendo chegar a 10,1 milhões de toneladas. “Esse crescimento deve refletir diretamente no aumento do consumo nacional”, frisou Santin.
O consumo per capita acompanhou essa trajetória, subindo de 45,5 quilos por habitante em 2024 para 46,8 quilos em 2025, com expectativa de atingir aproximadamente 47,3 quilos em 2026. “O crescimento do consumo interno reforça a importância da carne de frango como proteína acessível para o consumidor brasileiro, especialmente em cenários econômicos desafiadores”, salientou o presidente da ABPA.
Avicultura de postura
A produção brasileira de ovos atingiu cerca de 62,250 bilhões de unidades em 2025, alta de 7,9% em relação às 57,683 bilhões de unidades produzidas em 2024. Para 2026, a expectativa é de nova expansão, com a produção podendo alcançar até 66,5 bilhões de unidades, aumento de 6,8% sobre o ano anterior. “Estamos vendo um setor que cresce sobre bases sólidas. A modernização das granjas, o avanço tecnológico e a profissionalização do manejo estão impulsionando sua expansão sustentável”, afirmou Santin.
As exportações do setor alcançaram 40.894 mil toneladas em 2025, o que representa um crescimento de 121,4% em relação às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, a expectativa é de novos avanços, com até 45 mil toneladas exportadas, 12,5% a mais que o volume previsto no ano passado.
A receita chegou a US$ 97,240 milhões, número 147,5% maior em relação ao obtido em 2024, quando chegou a US$ 39,282 milhões. “O mundo está descobrindo o ovo brasileiro. Temos escala, qualidade sanitária e competitividade. É um mercado que tende a crescer e no qual o Brasil tem vantagem”, exaltou Santin.
Entre os principais destinos de 2025, os Estados Unidos encerraram o ano com o maior volume acumulado, totalizando 19.597 toneladas, um salto de 826,7% em relação a 2024. Na sequência, aparecem Japão, com 5.375 toneladas e alta de 229,1%; Chile, com 4.124 toneladas e queda de 40%; México, com 3.195 toneladas, aumento de 495,6%; e Emirados Árabes Unidos, com 3.097 toneladas e crescimento de 31,5%. “O ano foi marcado pela forte evolução das exportações aos Estados Unidos, movimento que perdeu ritmo após a imposição do tarifaço. Em contrapartida, o setor se reorganizou e novos destinos ganharam impulso, como o Japão, um mercado de alto valor agregado que passou a liderar os embarques brasileiros nos últimos meses do ano. Com esses volumes, as exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor, sem comprometer o abastecimento interno, que segue absorvendo cerca de 99% do que é produzido no país”, celebrou Santin.
O presidente da ABPA reforça que com a consolidação da cultura exportadora, a expectativa é de manutenção do fluxo das exportações em patamares positivos ao longo deste ano. “Esse movimento, somado ao contexto climático do início do ano, com temperaturas elevadas, e à proximidade do período de maior demanda da quaresma, deverá contribuir para o equilíbrio da oferta ao mercado interno”, avalia Santin.
Entre os 10 maiores consumidores per capita de ovos

Já o consumo per capita saltou para 287 unidades em 2025, alta de 6,7% em relação a 2024, consumo que fez o Brasil entrar no ranking, pela primeira vez, entre os 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo. Para este ano, a projeção aponta para 307 unidades por habitante, número 7% superior ao registrado no ano passado. “O ovo se firmou como uma proteína nutritiva, acessível e presente no prato das famílias brasileiras. Esse reconhecimento se reflete no aumento do consumo ano após ano”, salientou Santin.
Com produção ampliada, exportações mais que dobradas e forte avanço no consumo interno, 2025 se desenha como um ano-chave para a consolidação do setor no Brasil. E, diferentemente de outras cadeias que enfrentam oscilações cíclicas, o segmento de ovos deve continuar crescendo em 2026. “O setor de ovos está preparado para um ciclo prolongado de expansão. Estamos entregando mais, exportando mais e abastecendo melhor o país. A tendência é que 2026 reafirme essa curva de crescimento”, frisou Santin.
A versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.
Avicultura
Seapi reforça inspeção em propriedades próximas ao foco de gripe aviária no Rio Grande do Sul
Equipes visitam 40 propriedades no entorno da Lagoa da Mangueira para monitorar aves domésticas, orientar produtores e evitar a propagação da doença.

O Serviço de Vigilância Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) está realizando visitas a propriedades com aves domésticas num raio de 10 km do foco de gripe aviária registrado em aves silvestres na Lagoa da Mangueira, em Santa Vitória do Palmar, na Reserva do Taim.
O trabalho começou na quarta-feira (04) e serão 40 propriedades de subsistência em um raio de 10km visitadas. “O objetivo desse trabalho é acompanhar a criação desses animais nas proximidades e identificar rapidamente qualquer suspeita, para evitar que a doença se espalhe. As visitas também servem para orientar os produtores, reforçando a importância de observar sinais da doença nas aves e avisar imediatamente o Serviço Veterinário Oficial caso percebam algo suspeito. Quanto mais rápida a notificação, maior é a chance de evitar que a doença se espalhe”, declara Grazziane Rigon, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal, do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA) da Seapi.
O raio de 10km foi adotado pela Secretaria, baseado no Plano de Contingência do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para focos em aves comerciais. Para aves silvestres não há determinação. “Estabelecemos a vigilância dentro desse raio como uma forma de precaução”, explica Grazziane.
Ações de educação sanitária estão sendo desenvolvidas também junto às autoridades do município e região e nas lojas agropecuárias. Outra medida adotada foi a vistoria a granjas comerciais na área de abrangência da Supervisão Regional de Pelotas para verificação das medidas de biosseguridade.
Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura através da Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou através do WhatsApp (51) 98445-2033.
O foco
O foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (gripe aviária) foi confirmado na terça-feira (03), em aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba. A notificação de animais mortos ou doentes foi atendida pelo Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS), no dia 28 de fevereiro, e as amostras coletadas foram enviadas para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), que confirmou a doença.



