Suínos Suinocultura
Profissionais são orientados sobre como mitigar riscos da entrada de PSA no Brasil
Médico veterinário e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Diogo Magnabosco, explica que a doença é viral com um alto poder de disseminação e que é importante diminuir ao máximo a potencialidade de risco da entrada da doença no Brasil, investindo pesado na biosseguridade.

Com alto poder destrutivo e índice de mortalidade a PSA se tornou uma dor de cabeça para muitos países e um grande medo para outros. Diversos protocolos e planos já foram desenvolvidos por países para evitar que a doença entre e dissemine seus rebanhos de suínos, assim como aconteceu na China. Durante o 13° Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que pela primeira vez aconteceu de forma totalmente on-line, o médico veterinário e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Diogo Magnabosco, falou sobre como mitigar o risco da entrada da doença na América Latina.
Ele explica que a doença é viral com um alto poder de disseminação que assolou em 2018 e 2019 boa parte do rebanho de suínos da China, eliminando praticamente metade dos animais daquele país e de outros países da Ásia. “Isso gerou uma crise intensa e foi possível ver o impacto econômico causado por ela e gerou preocupações desse vírus, que já é pandêmico, poder se espalhar para outros continentes, como a América Latina”, comenta.
Para ele, quando se fala nesta doença é importante falar sobre a transmissão dela, que acontece principalmente em forma de contato com secreções de animais contaminados. “As vias comuns de contato são direto entre os animais, mas também através de materiais que podem carregar o vírus através do sêmen de animais e a alimentação, ou mesmo da carcaça desse animal, quando falamos dos asselvajados”, informa. Dessa maneira, diz, há o suíno selvagem e também o doméstico como sendo possíveis representantes da disseminação da doença. “Como potencial risco a gente tem algumas formas que possam vir a acontecer em animais vivos, insumos, alimentos e pessoas”, explica.
Magnabosco conta que se tratando de animais vivos é importante falar sobre os animais de vida livre e selvagem, especialmente quando se vê as ocorrências que vem acontecendo na Europa. “Esse perfil de transmissão de animais vivos, que são os causadores dos surtos na Europa, e vemos ao longo dos anos aumentando as ocorrências principalmente na Alemanha, mas também está presente em outros países do leste europeu. Dessa forma, a doença se mostra com um grande potencial de risco e um problema grave”, avalia.
Dessa forma, explica o médico veterinário, é preciso que aqui no Brasil o produtor também fique atento, visto que estes animais de vida livre também estão espalhados por todo o território nacional. “Dessa maneira, devemos ficar alertas com a possibilidade destes animais serem aqueles que possam vir a disseminar a doença. Não temos casos no Brasil, há alguns anos já não temos a PSA aqui, mas o grande problema está relacionado a entrada e permanência em animais selvagens”, diz.
Quando se fala de animais voltados a suinocultura industrial, há a importação de animais, que podem ser um potencial transmissor ou gerador de ocorrência no Brasil, explica Magnabosco. “Animais que venham vivos, temos um controle intenso, mas são potenciais riscos que devem ser levados em consideração”, afirma.
Além disso, insumos ligados a alimentação animal também merecem atenção. “Pode acontecer a sobrevivência de alguns patógenos em aditivos alimentares. O vírus da PSA tem uma potencial chance de sobreviver em alguns dos principais insumos utilizados na suinocultura”, diz. Da mesma maneira, menciona, é importante entender que parte dos insumos utilizados em nutrição animal são oriundos da China e da Europa, países que estão acometidos pelo surto. “É muito difícil controlar, porque as grandes fábricas estão nestes locais”, comenta. O médico veterinário diz que os insumos usados na indústria pode ser um risco, uma vez que o Brasil é um grande importador de produtos para a indústria de alimentos. “É importante se atentar que este também é um fator considerado para mitigação da doença”, comenta.

E ainda, alimentos trazidos por pessoas transportados via aeroporto, navio ou via terrestre também representam riscos. “Alimentos trazidos por viajantes tem um potencial grande de risco da entrada da doença. Há um grande potencial de risco de entrada via aeroporto. Outra fonte é o descarte de alimentos e transporte que vem de forma marítima. São todos riscos de alimentos que podem entrar no país, ser usados para alimentação de animais de subsistência e gerar um potencial causador da doença”, afirma. Segundo o profissional, as fronteiras terrestres secas são o grande desafio. “Precisamos ter cuidado e entender que há a possibilidade de isso se arrastrar por fronteira seca”, diz.
De acordo com Magnabosco, quando se fala em pessoas, são viajantes regulares que trazem consigo alimentos ou profissionais que fazem visitas a suinoculturas fora do Brasil e possam trazer consigo a doença e depois podem causar um grande problema. “Todos os cuidados devem ser tomados”, reitera.
Como mitigar o risco?
Para o médico veterinário, é importante diminuir ao máximo a potencialidade de risco da entrada da doença e para isso é preciso investir pesado na biosseguridade. “É o principal elemento. Pode ser voltada aos elementos internos e externos. É o principal agente para limitar ou tentar reduzir o risco de entrada do problema”, menciona.
Segundo ele, é importante ressaltar que hoje existe uma comissão técnica consultiva no Brasil para este assunto. “São várias entidades interessadas, como Mapa e produtores, de todas as áreas buscando trabalhar de maneira conjunta a fim de achar soluções para ajudar na mitigação da doença”, conta. Ele explica que é importante levar em consideração os elementos de risco que podem ser melhorados. “São ações que são feitas. Animais vivos para importação da suinocultura industrial vão para quarentena de forma adequada; animais vivos de vida libre selvagem são monitorados com frequência, limitar estes animais é difícil, mas de qualquer forma o monitoramento é importante. Hoje temos a regulamentação para que sejam comprados animais livres de países de PSA”, informa.
Já quando o assunto é a biosseguridade externa, Magnabosco reitera que é preciso ter cuidado com alimentos de descarte e transporte. “Alimentos que vem em voos comerciais e navios que podem ser utilizados de maneira inadequada e causar problemas. É preciso dar um descarte adequado e não usar e na alimentação animal”, afirma. Para ele, é preciso intensificar a vigilância em aeroportos e fazer ações de informação ao viajante, que pode trazer consigo um problema grave para o sistema de produção como um todo. “Já temos a vigilância agropecuária nacional com cães para identificar em malas a presença de alimentos de origem animal, o que é um grande benefício que evita a entrada desses alimentos no Brasil”, diz.
Sobre os insumos citados anteriormente pelo médico veterinário, ele reitera ser importante conhecer o fornecedor. “É importante ter bons fornecedores quando se trata de alimentação animal. Não é preciso banir, mas controlar”, comenta.
O médico veterinário comenta que é importante estar preparado para o pior. “Ter um plano de contingência. Temos uma equipe que trabalha nisso, com técnicos, laboratório oficial para diagnóstico. Temos que estar prontos e preparados para sermos rápidos”, afirma.
Magnabosco comenta que as medidas tomadas para o enfrentamento da Covid são um bom exemplo de como mitigar uma doença. “Se reduziram os voos comerciais e assim facilitou a possiblidade de mitigar o problema quando estava mais intenso. Além da conscientização da população por problemas sanitários. É preciso implementar medidas preventivas em todos os níveis de biosseguridade, trabalhando em união com todos os elos da cadeia produtiva”, comenta.

Suínos
Mercado do suíno vivo segue firme, com ajustes pontuais nas cotações
Dados do Cepea indicam variações discretas no início do mês, sem mudanças expressivas nas principais regiões produtoras.

O Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, apresentou estabilidade em parte das praças e leves altas em outras nesta segunda-feira (02).
Em Minas Gerais (posto), a cotação ficou em R$ 6,76/kg, sem variação no dia nem no mês. Em Santa Catarina (a retirar), o valor foi de R$ 6,51/kg, também estável.
Já no Paraná (a retirar), o preço atingiu R$ 6,60/kg, com alta de 0,15% no dia e no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação ficou em R$ 6,74/kg, com avanço de 0,15%. Em São Paulo (posto), o indicador registrou R$ 6,91/kg, elevação de 0,14%.
Os dados têm como base levantamento do Cepea.
Suínos
Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido
Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!
Hiperconectividade e decisão de compra
Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.
A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.
Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.
Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.
Rapidez e personalização
Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.
O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.
Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.
“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente, carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”
Suínos
Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN
Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.
Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.
Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.
Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.
No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.
O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN
Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.
Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.
“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.



