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Professora defende “mudança de mentalidade” na gestão de propriedades leiteiras
“Impacto desta consciência terá reflexo em toda a cadeia produtiva, agregando mais valor ao leite e derivados”, avalia

“Com qualidade, o Brasil se tornará competitivo no mercado internacional e poderá também exportar produtos com maior valor agregado a países mais exigentes”. A conclusão é de Mônica Maria Oliveira Pinho Cerqueira, professora titular da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela foi uma das palestrantes da oitava edição do Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite. Organizado pelo Nucleovet – Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas -, o SBSBL aconteceu em novembro de 2018, em Chapecó, SC.
A palestra “Legislação sobre Qualidade do Leite: Mudança, impactos e perspectivas para cadeia láctea” foi ministrada por Mônica, que é médica veterinária e mestre em veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente, além de professora da Escola de Veterinária da mesma instituição, também ocupa a vice-presidência do Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite (CBQL) e é coordenadora Técnica do Laboratório de Análise da Qualidade de Leite da UFMG (LabUFMG).
No Brasil, pontua Mônica, são recentes as ações para definição de critérios de qualidade de leite cru. A legislação, acredita ela, representa um dos pontos importantes de todo o processo produtivo, mas as verdadeiras “molas propulsoras” da melhoria da qualidade do leite, em qualquer país do mundo, são os produtores e a indústria. “O impacto desta consciência terá, sem dúvida, reflexo em toda a cadeia produtiva, agregando mais valor ao leite e derivados, com produtos mais seguros e padronizados”, sugere.
Para a professora, é preciso lembrar que tudo começa na produção primária, obtendo-se leite com maior teor de sólidos, menores CCS e CBT, ao menor custo e de forma sustentável. “O caminho está traçado e o êxito depende apenas de nós e da integração de todos os elos da cadeia produtiva. É preciso fazer acontecer”, afirma a palestrante.
Qualidade agrega valor
A qualidade, afirma Mônica, anda junto com a eficiência e traz lucratividade. “Quem ganha, em primeiro lugar, é a vaca. Teremos animais saudáveis, com maior longevidade, maior produção, leite de melhor qualidade e maior teor de sólidos totais, é o que buscamos”, disse. A palestrante lembrou ainda que os processos de seleção no Brasil basearam-se fundamentalmente em volume, mas hoje a necessidade é de sólidos. Conforme ela, não dava-se atenção à qualidade da matéria-prima. “Qualidade não tem volta, depende de nós tê-la ou não no leite. A indústria, por melhor que seja, não consegue resolver alguns problemas relativos ao leite que recebe do campo”.
Para Mônica, é preciso mudar a forma de ação dentro da propriedade. “A gestão não vem sendo feita. Quando pedimos qual o custo de produção, muitas vezes ouvimos respostas de que, se fizer contas, pára de produzir. É preciso lembrar que temos problemas muito sérios de produtividade e qualidade do leite”, sustenta.
O futuro da qualidade do leite vai depender da gestão de pessoas, de processos e de dados, acredita a palestrante. “É preciso rever processos, pois a qualidade é definida nos detalhes”. Ela ainda critica as prorrogações das normativas que determinam os padrões mínimos para qualidade do leite no Brasil. “As prorrogações não melhoram os padrões, esse pagamento hoje premia quem não faz nada”, lamenta.
A cadeia leiteira no Brasil, diz ela, está muito atrelada a normativas. “Temos que ir além, melhorar muito mais do que está previsto em lei”. Isso, acredita Mônica, depende da mudança de mentalidade, implantar processos de gestão e qualidade dentro das propriedades. “O leite mantém o sustento de milhares de famílias que dependem da atividade, por isso o nosso maior desafio é a gestão”, avalia.
Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2019.

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Contribuições ao Fundesa-RS sobem 4,43% com atualização da UPF em 2026
Reajuste eleva valores pagos por produtores e indústrias nas cadeias de carnes, leite e ovos. Nova lei sancionada em dezembro passa a valer a partir de março.

Já estão em vigor os novos valores de contribuição do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul, atualizados pela Unidade de Padrão Fiscal (UPF). A UPF é um indexador utilizado para a correção de taxas e tributos cobrados pelo Estado, e seu valor é atualizado anualmente pela Receita Estadual com base no IPCA-E. Para 2026 o reajuste foi de 4,43%, ficando a UPF fixada em R$28,3264, ante R$27,1300 de 2025.
Atualmente, indústria e produtores contribuem em igual parte para o fundo, considerando cabeças abatidas, e produção de ovos e leite. Com a atualização da UPF, a contribuição por bovino abatido, por exemplo, passa de R$1,4324 para R$1,496, sendo R$0,748 cabendo ao produtor e o mesmo valor à indústria, que fica responsável pelo recolhimento e pagamento ao Fundesa. A tabela com todos os valores e respectivas cadeias produtivas está disponível no site.
Esse reajuste considera apenas a atualização da UPF e não é o mesmo que está previsto na Lei 16.428/2025, sancionada pelo governador em 19 de dezembro. Pelo princípio de anterioridade, a lei só poderá ser implementada 90 dias após a sanção. “Neste período, o Fundesa está articulando com a Secretaria da Agricultura o formato para permitir a contribuição dos produtores que não recolhiam, bem como a modificação do sistema de cobrança utilizado pelo fundo”, explica o presidente do Fundesa, Rogério Kerber.
Para saber mais sobre o projeto aprovado na Assembleia legislativa, clique aqui.
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CooperAliança e Sebrae lançam projeto de ultrassonografia de carcaça
Iniciativa foi apresentada aos cooperados com o objetivo de elevar ainda mais a qualidade da carne produzida pela cooperativa e agregar valor ao produto final.

A CooperAliança, em parceria com o Sebrae, lançou um novo projeto voltado à utilização da ultrassonografia de carcaça por cooperados de bovinos. A iniciativa foi apresentada aos cooperados com o objetivo de elevar ainda mais a qualidade da carne produzida pela cooperativa e agregar valor ao produto final, desde a propriedade até a indústria.
Segundo o médico-veterinário da CooperAliança, Renan Guilherme Mota, a ultrassonografia de carcaça é uma ferramenta estratégica no processo de melhoramento genético dos rebanhos. “Quando utilizamos a ultrassonografia na matriz, ela permite e viabiliza o melhoramento genético focado em características de carcaça, como área de olho de lombo, espessura de gordura subcutânea e marmoreio. Essas características estão diretamente relacionadas à musculosidade, ao padrão dos cortes, ao rendimento de carcaça e ao desempenho do animal”, explica.
Renan destaca ainda que os dados obtidos vão além da qualidade da carne. Por exemplo, essas informações também estão ligadas à fertilidade, precocidade sexual e ao desempenho reprodutivo. Ou seja, é uma ferramenta que agrega tanto para a indústria, em qualidade, perfil de carcaça, tamanho dos cortes e rendimento de desossa, quanto para o produtor, em desempenho, reprodução e fertilidade.
Para o consultor do Sebrae, Heverson Morigi Miloch, o projeto representa uma oportunidade concreta de evolução na pecuária dos cooperados. “O objetivo é atender esses produtores para que, por meio da seleção genética, eles possam identificar e trabalhar com os animais mais adequados para a produção e para a entrega aqui na CooperAliança.”
Heverson também destaca o apoio financeiro oferecido. O Sebrae vai subsidiar 50% do custo, além de facilitar as formas de pagamento. “Isso garante que mais produtores possam participar, fortalecendo a união, melhorando a produção na ponta e elevando a qualidade da do animal que chega até a CooperAliança.”
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Concurso de Carcaças Angus valoriza boas práticas e eleva padrão da carne bovina
Iniciativa reuniu produtores de diferentes regiões e avaliou mais de 4,1 mil novilhas com critérios técnicos de qualidade.

Realizado entre os meses de outubro e dezembro, o Concurso de Carcaças Angus teve como foco estimular a adoção de boas práticas pecuárias e valorizar a produção de carne bovina de alta qualidade no Brasil. A iniciativa reconhece produtores que se destacam no manejo, na genética e no acabamento de animais da raça Angus, contribuindo para a padronização do produto e para a elevação dos padrões de qualidade exigidos pelo mercado.

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A ação foi promovida pela Associação Brasileira de Angus, em parceria com a Minerva Foods, e reuniu produtores de diferentes regiões do país. As avaliações técnicas das carcaças ocorreram em unidades localizadas em Barretos, no interior de São Paulo; Bataguassu, no Mato Grosso do Sul; Rolim de Moura, em Rondônia; Palmeiras de Goiás, em Goiás; e Tangará da Serra, no Mato Grosso.
Ao longo do concurso, os produtores encaminharam animais previamente selecionados para análises que levaram em conta critérios técnicos como conformação, acabamento e rendimento de carcaça. A iniciativa reforça o papel da genética Angus como instrumento de agregação de valor à pecuária de corte brasileira e de alinhamento às demandas de consumidores e mercados cada vez mais atentos à qualidade, à padronização e à origem da carne.
Neste processo, foram observados aspectos como padrão racial, faixa etária e nível de acabamento, assegurando uma avaliação criteriosa e

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alinhada aos mais elevados protocolos de qualidade. A partir desses parâmetros, cada carcaça foi classificada, permitindo o cálculo do desempenho médio dos lotes avaliados e a valorização objetiva dos melhores resultados. “O Concurso de Carcaças é uma ferramenta estratégica para fortalecer a pecuária de qualidade no Brasil. Ao incentivar boas práticas, reconhecer o trabalho dos produtores e valorizar a raça Angus, criamos um ciclo virtuoso que beneficia toda a cadeia produtiva e para o posicionamento da carne brasileira nos mercados mais exigentes do mundo”, frisou o gerente executivo de Relacionamento com Pecuaristas da Minerva Foods, Rostyner Costa.
Nesta edição, mais de 4,1 mil novilhas foram avaliadas, número recorde do concurso promovido pela Companhia, refletindo o crescente engajamento dos produtores e a consolidação da iniciativa como referência no setor. Os vencedores receberam um troféu e um avental personalizado da Associação Brasileira de Angus, como forma de reconhecimento pela excelência alcançada.



