Conectado com

Notícias

Professor da Flórida apresenta sobre uso eficiente de nutrientes na agricultura e busca parcerias no Brasil

Promovida pelo Departamento de Estado norte-americano em articulação com o Labex-EUA da Embrapa e a Embaixada dos EUA, a visita teve como objetivo discutir possibilidades de cooperação entre instituições de ensino e pesquisa brasileiras e a Universidade da Flórida nas áreas de adaptação às mudanças climáticas e de mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Publicado em

em

Foto: Breno Lobato

Professor de forragicultura e pastagens da Universidade da Flórida há 10 anos, o pernambucano José Carlos Dubeux é reconhecido internacionalmente como uma autoridade em eficiência no uso de nutrientes em sistemas agrícolas, com ênfase na mitigação e adaptação às mudanças climáticas, emissões de metano da pecuária e sistemas de Integração Lavoura-Pecuária. Acompanhado pelo conselheiro agrícola da Embaixada dos Estados Unidos (EUA) em Brasília, Michael Conlon, ele visitou a Embrapa Cerrados (DF) na última quarta-feira (20), quando apresentou a palestra “Colaboração entre Brasil e EUA em pesquisa agrícola: lições do passado e construindo o futuro à frente”. Dubeux divulgou a iniciativa Fertilize 4 Life, uma parceria entre a Embrapa e instituições de pesquisa agrícola norte-americanas, e compartilhou experiências de pesquisas desenvolvidas na Flórida.

Promovida pelo Departamento de Estado norte-americano em articulação com o Labex-EUA da Embrapa e a Embaixada dos EUA, a visita teve como objetivo discutir possibilidades de cooperação entre instituições de ensino e pesquisa brasileiras e a Universidade da Flórida nas áreas de adaptação às mudanças climáticas e de mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE), com o desenvolvimento de projetos e práticas agrícolas sustentáveis que sejam viáveis tanto no Brasil como nos EUA.

Michael Conlon lembrou que a guerra na Ucrânia tem levado ao aumento nos preços internacionais dos fertilizantes, e tanto o Brasil como os EUA são grandes importadores desses insumos. Nesse contexto, segundo o conselheiro agrícola, a Fertilize 4 Life deverá ser uma iniciativa transformadora.
“A ideia é nos aproximarmos da Embrapa e trabalharmos junto com os pesquisadores do USDA (United States Department of Agriculture) e da Universidade da Flórida, realizando workshops sobre a eficiência do uso dos fertilizantes. Temos quatro projetos que serão desenvolvidos nos próximos quatro anos, com investimento de US$ 1,2 milhões do governo norte-americano. A prioridade número um de trabalho da Embaixada com os pesquisadores brasileiros são as mudanças climáticas e a segurança alimentar, e isso se encaixa muito bem a essa iniciativa”, afirmou.

Ao fazer um breve histórico da transformação agrícola brasileira nos últimos 30 anos e apresentar dados evidenciando a atual pujança do setor no País, José Carlos Dubeux lembrou que Brasil e EUA, juntos, alimentam um quarto da população mundial. Ele apontou como razões do sucesso agropecuário brasileiro a disponibilidade de recursos naturais, o esforço e o compromisso político em modernizar o setor, o espírito empreendedor dos agricultores, a pesquisa realizada pela Embrapa e outras instituições, além da colaboração científica com outros países, como EUA e Japão.

Ele apresentou a linha do tempo da colaboração entre brasileiros e norte-americanos no setor agrícola, iniciada em 1862 com o Land Grant Act, nos EUA, que determinava que cada Estado deveria ter uma universidade dedicada à pesquisa em agricultura e engenharia. “Isso alavancou o sistema norte-americano de educação e pesquisa em agricultura”, comentou Dubeux. Desde então, diversos acordos de cooperação foram celebrados com o Brasil, envolvendo a criação de universidades (como a Universidade Federal de Viçosa), investimentos em projetos de pesquisa, extensão rural e infraestrutura, além do intercâmbio e da formação de estudantes, docentes e pesquisadores, ações que contribuíram para o desenvolvimento agrícola brasileiro.

Segundo levantamento na Plataforma Lattes estão atualmente cadastrados 2274 cientistas brasileiros com alguma formação em ciências agrárias nos EUA desde a década de 1950, sendo 369 com atuação na Embrapa, entre ativos e aposentados.

Desafios globais

Alguns desafios para a agricultura mundial foram apontados pelo professor, como a população mundial projetada de 9,7 bilhões de habitantes em 2050. O maior crescimento populacional se dará em países menos desenvolvidos, notadamente na África, cuja população deve aumentar 93% entre 2010 e 2050.

As mudanças climáticas são outro grande desafio, com a constatação de níveis atmosféricos de GEE muito acima dos observados até 1950 e o aumento das temperaturas médias globais – dos últimos 10 anos, nove foram os mais quentes da história, de acordo com dados apresentados por Dubeux. Além disso, a demanda por alimentos será 60% maior em 2050, ao mesmo tempo em que a disponibilidade de água será 40% menor que os níveis atuais.
Para alimentar quase 10 bilhões de pessoas no futuro, segundo o professor, será necessário um incremento massivo de produtividade, com redução acentuada no uso da água, menor superfície de terra, fertilizantes muito mais eficientes, novas tecnologias agrícolas e variedades mais produtivas e nutritivas.

Ele lembrou que 86% dos fertilizantes utilizados no Brasil em 2022 foram importados, o correspondente a mais de 39,2 milhões ton, enquanto a produção nacional foi de pouco mais de 6,5 milhões ton, de acordo com dados do IBGE. No ano passado, foram importados 76% do nitrogênio, 55% do fósforo e 94% do potássio utilizados nos adubos, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. “Boa parte dos fertilizantes importados vêm de regiões com instabilidade política, e os preços tendem a aumentar. É um desafio para a agricultura brasileira”, disse.

Para Dubeux, o caminho é aumentar os níveis de eficiência de uso dos nutrientes dos atuais 50% para pelo menos 70% até 2040. Para isso, será preciso avançar na tecnologia de fertilizantes, realizar investimentos em pesquisa, utilizar produtos biológicos e biofertilizantes para atender à demanda por nutrientes e lançar mão de alternativas como os sistemas integrados e o uso de espécies leguminosas.

Fertilize 4 Life

Diante desses desafios, a Embrapa, o Agricultural Research Service (ARS) e o Foreign Agricultural Service (FAS) do United States Department of Agriculture (USDA), o Institute of Food and Agricultural Sciences (IFAS) da Universidade da Flórida e o International Fertilizer Development Center (IFDC) se reuniram para construir a iniciativa Fertilize 4 Life, que tem como objetivo geral aumentar a eficiência dos sistemas agrícolas.

Lançada em abril deste ano, durante o aniversário de 50 anos da Embrapa, a iniciativa conta com quatro projetos, todos com a participação de pesquisadores brasileiros e norte-americanos, sendo dois deles liderados por pesquisadores da Embrapa Cerrados. Já estão garantidos US$ 1,2 milhões financiados pelo USDA/FAS, mas os responsáveis buscam aumentar o valor investido para até US$ 5 milhões.

O projeto 1, “Manejo de precisão, ‘Big Data’ e inteligência artificial”, visa integrar informações existentes nas propriedades do solo e metodologias de recomendações de nutrientes; desenvolver recomendações específicas de adubação com taxa variável, com base na remoção de nutrientes e propriedades do solo; além de avaliar se as ferramentas desenvolvidas atendem às necessidades do setor produtivo.

Já o projeto 2, “Produtos biológicos, biologia do solo e saúde do solo”, vai desenvolver metodologias para avaliar a saúde do solo nos EUA e no Brasil, bem como estratégias para aumentar a eficiência de uso de fertilizantes baseada em bioprodutos. O projeto é liderado pela pesquisadora Iêda Mendes.

Os objetivos do projeto 3, “Novos produtos, incluindo fertilizantes e bioestimulantes”, incluem a identificação das atuais limitações e o desenvolvimento de uma estrutura para novas formulações; o desenvolvimento de novas formulações organo-minerais e de protocolos de teste para novos produtos; melhorar a produtividade das culturas e reduzir o impacto ambiental de formulações organo-minerais; além da avaliação socioeconômica e ambiental dos novos produtos.

Por fim, o projeto 4. “Uso mais eficiente das fontes de nutrientes existentes”, do qual Dubeux participa, busca avaliar a reciclagem de nutrientes e a eficiência de uso de fertilizantes por culturas de cobertura e sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF); novos acessos de leguminosas para uso como forrageiras ou plantas de cobertura; e a performance de pastagens mistas de gramíneas e leguminosas em monocultivo em sistemas ILP para aumentar a eficiência do uso de nutrientes. A liderança do projeto é do pesquisador Marcelo Ayres.
O professor acredita que o projeto 4, ao contemplar a introdução de leguminosas em sistemas de pastagens e o aumento da eficiência de uso dos nutrientes, pode contribuir para o desafio brasileiro de recuperar cerca de 40 milhões ha de pastagens degradadas.

Ele entende que o trabalho da Fertilize 4 Life será uma via de mão dupla, uma vez que os EUA têm a aprender com o Brasil, líder em agricultura tropical, e o País, por sua vez, poderá se beneficiar das tecnologias que estão sendo utilizadas na pesquisa agrícola norte-americana. “Brasil e EUA são duas superpotências não só na produção de alimentos, mas também na pesquisa agrícola. A ideia é que a gente se junte nessa parceria não apenas para reduzir a dependência da importação de fertilizantes e aumentar a eficiência de uso dos nutrientes, mas principalmente para ajudar outras regiões do mundo como a África, aplicando as lições aprendidas nesses projetos”, afirmou o professor.

O pesquisador Marcelo Ayres apontou diversas possibilidades de colaboração dos pesquisadores da Embrapa Cerrados na iniciativa. “Os projetos ainda estão em construção e têm muita relação com as linhas de trabalho de nossa Unidade. Vislumbramos grandes oportunidades”, observou.

Experiências nos EUA

Na segunda parte da apresentação, Dubeux falou sobre as pesquisas desenvolvidas por ele na estação experimental de Marianna, da Universidade da Flórida. Os primeiros trabalhos se deram na linha da intensificação sustentável de sistemas de produção pecuária, com foco nos serviços ecossistêmicos de pastagens, na integração de leguminosas forrageiras, nos sistemas de ILP e no desenvolvimento de um sistema de 365 dias de pastejo por ano – um desafio para o clima da região Norte da Flórida, que apresenta uma estação quente e outra fria, com temperaturas que podem chegar a -8°C.

Para avaliar os serviços ecossistêmicos proporcionados pela cobertura do solo fornecida pelas pastagens, ele se juntou a professores que atuam nas áreas de sensoriamento remoto, inteligência artificial e aprendizado de máquina para correlacionar a cobertura vegetal com os serviços ambientais, calibrar medidas no campo e desenvolver um sistema para mapear e avaliar serviços ambientais em áreas extensas.

Devido aos diversos benefícios do uso das leguminosas, como a fixação biológica do nitrogênio atmosférico, melhoria da ciclagem de nutrientes no solo e do desempenho animal, formação de matéria orgânica do solo e habitat para insetos polinizadores, o trabalho de Dubeux buscou integrar essas espécies em pastagens.

Ele conduziu um experimento que comparou três sistemas sob pastejo por bovinos – gramínea (Bahiagrass) com adubação nitrogenada nas estações quente e fria; gramínea sem adubação na estação quente e gramíneas (aveia e centeio) e trevos com adubação reduzida na estação fria; e gramínea com a leguminosa Arachis glabrata sem adubação na estação quente e gramíneas e trevos com adubação reduzida na estação fria.

Não houve diferença significativa no desempenho animal durante a estação fria, mas o sistema com leguminosas apresentou maiores ganhos na estação quente, indicando a possibilidade de redução da quantidade de adubo nitrogenado quando se utiliza essas espécies forrageiras. “Esta é a ideia da intensificação sustentável: produzir mais com menos recursos”, observou, acrescentando que no sistema com a leguminosa também foram observadas menores emissões de metano entérico por kg de ganho de peso dos animais e menores concentrações de nitrato no solo. Além disso, foram identificadas 18 espécies de abelhas, a maioria nativas da região, e o sistema com leguminosa foi o que contou com o maior número de indivíduos.

As fezes dos animais do experimento foram marcadas com o isótopo 13C para verificar os percentuais de alimento originados da leguminosa e das gramíneas. O estudo constatou a elevada seletividade dos bovinos pela leguminosa, o que justificaria o ganho superior em peso no sistema com a espécie forrageira. Também foi verificada a quantidade de adubo nitrogenado ciclada em excretas (fezes e urina) e na serapilheira, apontando eficiência bem superior das pastagens mistas de gramíneas e leguminosas (80% de nitrogênio retornado) em relação às pastagens adubadas (apenas 40% do nitrogênio retornado).

Dubeux e equipe desenvolveram o sistema de 365 dias de pastejo, utilizando o pastejo diferido (reserva de massa seca no pasto) de limpograss (Hemarthria altissima) por 60 dias (agosto a outubro) e uma área com forrageiras de clima frio e clima quente, com suplementação. O pastejo é feito de outubro a janeiro. Segundo o professor, o sistema utiliza pouca quantidade de insumo, entre fertilizantes, máquinas, sementes.

Na área de sistemas de ILP, os estudos surgiram como uma oportunidade, pois tanto na Flórida como na Geórgia e no Alabama houve a especialização em cultivos agrícolas como algodão, amendoim e milho na estação quente, totalizando cerca de 1,6 milhões ha, mas somente em 5% dessa área são cultivadas plantas de cobertura na estação fria (outubro a abril), o que leva a problemas de erosão e lixiviação de nutrientes. “Daí a possibilidade de integrar essas áreas com a pecuária. De outubro a abril é a época em que se pode produzir forragem de melhor qualidade e ter ganhos de 1kg/dia a pasto”, disse.

As pesquisas buscaram responder a perguntas relacionadas à resistência dos produtores da Flórida em adotar sistemas de integração: é possível pastejar culturas de cobertura sem afetar negativamente a produtividade da cultura agrícola? O pastejo compacta o solo? a intensidade de pastejo na cultura de cobertura afeta a cultura agrícola? qual a importância dos resíduos acima e abaixo na terminação da cultura de cobertura? a cultura de cobertura e o manejo do pastejo afetam a lixiviação de nitratos?

Segundo Dubeux, não houve alteração na produtividade do algodão em rotação com plantas de cobertura pastejadas; no caso do amendoim, a produtividade até aumentou. “São dados importantes porque mudam a percepção da ILP na região”, comentou. Além disso, o cultivo de plantas de cobertura no sistema reduziu a compactação do solo em relação aos monocultivos de algodão e amendoim, e o pastejo não afetou a compactação.

Ao comparar diferentes intensidades de pastejo (leve, moderado e superpastejo), o professor mostrou que o pastejo leve resultou em maior produção de biomassa e de massa de raízes da cultura de cobertura. E após quatro anos de plantio, as plantas de cobertura e o manejo do pastejo diminuíram a lixiviação de nitratos, um sério problema na região. Outra constatação do estudo foi que o resíduo das culturas de cobertura abaixo do solo (raízes) foi mais importante que o resíduo acima do solo, pois promoveu o desaparecimento de maior quantidade de nitrogênio.

A pesquisa tem utilizado ureia marcada com isótopo 15N nas culturas de cobertura para compreender por que o pastejo dos animais diminui a lixiviação de nitrato. As excretas dos animais marcadas com 15N são coletadas, verificando-se o nitrogênio recuperado, e aplicadas no solo para avaliar a dinâmica do nitrogênio nas forragens, no solo e nos gases (amônia e óxido nitroso).

Dubeux também falou sobre um trabalho com decomposição de raízes e emissão de GEE, no qual estuda a dinâmica das raízes nas estações fria e quente e os gases das excretas dos animais e do solo. A equipe utiliza câmaras no campo e marca a serapilheira com 13C para avaliar a dinâmica da formação da matéria orgânica do solo (MOS) e como a cultura de cobertura contribui para esse processo e no suprimento de nutrientes para as culturas do algodão e do amendoim.

Além das pesquisas, o professor também atua em projetos de extensão, como o chamado Southeast Grazing Exchange, no qual pecuaristas e produtores com terras agrícolas disponíveis se cadastram para fazer parcerias em sistemas de ILP.

Ao final da apresentação, Dubeux sintetizou que a intensificação sustentável dos sistemas de produção animal frente às mudanças climáticas é essencial para se produzir mais alimentos com menos recursos. O uso de leguminosas, culturas de cobertura de sistemas de integração, como mostrados pelo professor, são exemplos de como é possível aumentar a eficiência dos sistemas de produção. Além disso, os ecossistemas de pastagens funcionais podem fornecer diversos serviços ambientais. “Num futuro próximo, o mercado vai reconhecer e valorizar alimentos produzidos de forma sustentável”, finalizou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados

Notícias

Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo

Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação

A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.

“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.

Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como acessar

O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.

“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.

“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.

A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

Fonte: Assessoria Sistema Faep
Continue Lendo

Notícias

Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras

Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

Publicado em

em

Fotos: Claudio Neves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

Fonte: Agência Brasil
Continue Lendo

Notícias

EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

Publicado em

em

Foto: Allan Santos/PR

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação

A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.

Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.

Brasil entre os países com maior alíquota proposta

Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.

A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação

dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.

Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.

Instrumento de pressão comercial

A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.

A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.

Consulta pública antes da decisão final

As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.

As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.

Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.