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Produtos antideriva auxiliam produtor na pulverização das lavouras

Ventos acima de 15 km/h são uma realidade frequente, sendo capazes de carregar as gotas pulverizadas por uma distância de 30 ou 40 metros e até quilômetros

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“E o vento levou”, título do clássico do cinema de 1939, resume de forma bastante simples os desafios enfrentados pelo produtor rural no momento da aplicação de agroquímicos na lavoura. Ventos acima de 15 km/h são uma realidade frequente, sendo capazes de carregar as gotas pulverizadas por uma distância de 30 ou 40 metros e até quilômetros, dependendo do método utilizado. Para sanar esse problema, agricultores usam um antideriva. Saiba mais na entrevista com Jeferson Philippsen, gerente de Produtos da OroAgri.

O Presente Rural (OP Rural) – O que é um antideriva? Para que serve? Quais benefícios oferece?

Jeferson Philippsen (JP) – Se trada de uma classe específica de adjuvante agrícola. Como diz o nome, é um produto que, uma vez misturado com a calda de pulverização dos produtos agroquímicos, tem a capacidade de diminuir a perda causada por deriva, que por sua vez é ocasionada por ventos acima de 15km/hora, condição inapropriada para ações de pulverização. Em termos de benefícios, ao utilizar um produto antideriva, teremos uma melhor deposição dos ingredientes ativos no alvo desejado e a consequência disso será o melhor aproveitamento e eficácia dos produtos. Além da redução de perdas, eles evitam a contaminação em áreas vizinhas e otimizam a eficácia dos agroquímicos.

OP Rural – Pode ser usado na agricultura e na pecuária?

JP – Produtos com a capacidade de reduzir deriva são amplamente utilizados na agricultura e podem sim ser utilizados em outras culturas, como nas pastagens. Eu diria que não é a cultura o fator determinante para a decisão de usar ou não o antideriva, mas sim a condição climática no momento da pulverização.

OP Rural – Existem muitos produtos antideriva disponíveis no mercado brasileiro?

JP – Sim, são vários os produtos disponíveis, mas eu diria que o produtor deveria se atentar às faltas promessas. Muitos deles são vendidos como produtos multifuncionais. Se analisarmos tecnicamente um produto (antideriva), comumente um bom antideriva não é classificado como um produto multifuncional. O produtor tem que ficar atento a isso. O ideal que o produtor consulte um engenheiro agrônomo de confiança, que acompanhe estudos e pesquisas disponibilizadas no mercado e avalie a capacidade de cada produto na sua propriedade.

OP Rural – Há marcas nacionais ou são todos importados?

JP – Existem muitas multinacionais atuando no mercado brasileiro. Isso faz com que muitos desses produtos também sejam importados de outros países. Mas da mesma forma, também é comum ter empresas, sendo multinacionais ou não, desenvolvendo e comercializando produtos dentro do Brasil. Então eu poderia dizer que, ser importado ou não, não é um fator determinante a qualidade do produto.

OP Rural – Têm estudos ou indicadores sobre custo e como impacta na lavoura?

JP – Um produto que é antideriva pode custar algo entre R$ 3 e R$ 9 por hectare. Se colocarmos esse investimento na ponta do lápis, estamos falando de algo equivalente a menos de 1% dos custos de produção. É um custo relativamente baixo e que se dilui facilmente nas vantagens que ele proporciona, principalmente se tratando das grandes fazendas que, na verdade, são obrigadas a manter os pulverizadores trabalhando dia e noite, praticamente todos os dias, além de tudo sabendo que as condições climáticas possam não ser as ideais.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas Bem-Estar Animal e Sustentabilidade

A Nova Arquitetura da Pecuária Brasileira

Análise aprofundada sobre como a pecuária brasileira está integrando rastreabilidade, nutrição de precisão e geomonitoramento para redefinir os padrões globais de produção de carne e acessar mercados de alto valor.

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Enquanto o agronegócio brasileiro demonstra uma performance macroeconômica robusta, com um crescimento de 11,6% no PIB setorial até o terceiro trimestre de 2025, uma transformação mais silenciosa e tecnicamente sofisticada está ocorrendo no nível operacional. A imagem tradicional da pecuária extensiva está sendo substituída por um modelo de intensificação sustentável, onde a tecnologia não é um acessório, mas o núcleo de uma nova arquitetura produtiva. Um exemplo emblemático é a operação da Agropecuária Vista Alegre (Better Beef Confinamento) que abriga 136 mil bovinos por ano sob um sistema controlado, uma infraestrutura que desafia as percepções convencionais e sinaliza uma mudança de paradigma: a produção de proteína animal em larga escala, com maior qualidade e menor impacto ambiental.

O Desafio da Escala como Vetor de Inovação

Com o maior rebanho comercial do planeta, estimado em 238 milhões de cabeças, e um volume de exportações que superou US$ 26,1 bilhões em 2024, a pecuária brasileira está submetida a um rigor de avaliação regulatória, socioambiental e de mercado proporcional à sua escala produtiva. O desafio intrínseco não é apenas manter a produção, mas garantir sua legitimidade e sustentabilidade em um mercado global cada vez mais exigente. A resposta do setor tem sido a transição de promessas para ações mensuráveis e auditáveis.

O diferencial competitivo do Brasil está emergindo de sua capacidade de implementar práticas ESG (Ambiental, Social e de Governança) que são verificáveis em toda a cadeia de valor. Isso inclui certificações de bem-estar animal e, crucialmente, sistemas de rastreabilidade que oferecem uma visibilidade sem precedentes, muito além da simples origem do animal. O que antes era considerado um discurso de marketing tornou-se uma realidade operacional auditável, fundamental para a gestão de risco e o acesso a mercados premium.

O Modelo de Integração Vertical do Better Group

Liderança, neste contexto, significa a conversão de conceitos estratégicos em operações concretas e eficientes. O Better Group exemplifica essa abordagem através de um modelo de integração vertical que alinha a produção primária (campo) com o processamento industrial. Esta estrutura permite um controle de qualidade e uma consistência que são difíceis de alcançar em cadeias de suprimentos fragmentadas.

Artigo escrito por Everton Gardezan, gerente de Marketing do Better Group.

Na Agropecuária Vista Alegre (Better Beef Confinamento), o maior confinamento coberto da América Latina, a aplicação da ciência, tecnologia e bem-estar é evidente. A operação, que maneja cerca de 40 mil animais simultaneamente, é baseada em um sistema sinérgico de práticas avançadas:

Nutrição de Precisão: Dietas são formuladas e ajustadas dinamicamente para cada lote de animais, otimizando a conversão alimentar e a saúde do rebanho, em vez de uma abordagem de alimentação padronizada.

Ambiente Controlado: A estrutura coberta mitiga o estresse térmico, um fator crítico em climas tropicais que afeta diretamente o ganho de peso e o bem-estar animal. Isso se traduz em maior eficiência produtiva e consistência na qualidade da carne.

Monitoramento Contínuo: Sensores e sistemas de vigilância operam 24/7, permitindo a detecção precoce de anomalias sanitárias ou comportamentais, possibilitando intervenções proativas em vez de reativas.

Validação por Terceiros: O reconhecimento através do prêmio Top Produtor Carne Angus 2022 serve como uma validação externa da eficácia dessas práticas, certificando a qualidade superior do produto final.

O resultado agregado é um sistema onde a saúde e o bem-estar animal, a qualidade da carne e a eficiência de recursos não são objetivos conflitantes, mas resultados interdependentes de um processo bem gerenciado.

Rastreabilidade como Ferramenta de Gestão de Risco e Responsabilidade

A distinção fundamental entre intenção e compromisso reside na capacidade de auditoria. Em 2025, o frigorífico Better Beef processará mais de 335 mil animais sob um rigoroso sistema de monitoramento socioambiental que válida a origem de cada fornecedor. Em colaboração com plataformas de inteligência geoespacial como a da Agrotools, cada propriedade fornecedora é submetida a uma análise de conformidade multifatorial.

O sistema de verificação é projetado para garantir a aderência a critérios críticos de sustentabilidade, incluindo:
O objetivo deste sistema não é declarar a perfeição, mas sim estabelecer um framework transparente para a melhoria contínua e a remediação de não-conformidades. Trata-se de transformar o compromisso ESG em um processo operacional, gerenciável e, acima de tudo, auditável.

A Construção de um Novo Paradigma para a Pecuária Global

Enquanto o debate global sobre modelos de produção de alimentos responsáveis continua, o Brasil avança na implementação de soluções concretas em escala industrial. O modelo que emerge da pecuária brasileira moderna está ganhando relevância internacional por sua capacidade de integrar tecnologia de ponta com a realidade operacional local, transformando desafios ESG em diferenciais competitivos.

Este sistema demonstra que o bem-estar animal e a eficiência produtiva são complementares e que a sustentabilidade é uma jornada de otimização contínua, não um estado final. A confiança dos mercados mais exigentes é construída não sobre declarações, mas sobre a solidez de sistemas auditáveis e a transparência dos dados. A pecuária brasileira está, assim, estabelecendo um novo padrão, onde a ação e a evidência falam mais alto que qualquer promessa.

Fonte: Artigo escrito por Everton Gardezan, gerente de Marketing do Better Group.
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Brasil bate recorde de exportação de bovinos vivos e reacende debate sobre impactos da atividade

Audiência pública na Câmara vai reunir nesta semana especialistas e entidades para discutir riscos sociais, econômicos, ambientais e sanitários associados ao transporte marítimo de animais vivos.

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A exportação de bovinos vivos voltou ao centro do debate público em Brasília após o Brasil registrar, em 2025, o maior volume já embarcado por via marítima. De janeiro ao final de novembro, 952 mil bois foram enviados ao exterior, superando o total de 2024, quando 948 mil animais deixaram o país. Mantido o ritmo, o volume deve ultrapassar a marca de um milhão de cabeças até o fim do ano, consolidando o país como o maior exportador global nessa modalidade, segundo dados do Comex Stat.

Foto: Shutterstock

O crescimento do setor, porém, reacende questionamentos sobre seus riscos socioeconômicos, sanitários e ambientais. Esses temas estarão no centro da audiência pública convocada pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) da Câmara dos Deputados, marcada para esta quinta-feira (11), às 10 horas. O requerimento é da deputada federal Duda Salabert (PDT/MG). Entre os participantes confirmados estão representantes da organização internacional Mercy For Animals e integrantes do Grupo de Trabalho Animal da Frente Parlamentar Ambientalista.

A sessão discutirá problemas estruturais relacionados ao transporte marítimo de animais vivos, incluindo condições de bem-estar, impactos ambientais, consequências econômicas e potenciais riscos à saúde pública.

As críticas ao modelo ganharam força após mais um episódio envolvendo falhas graves no deslocamento de gado. O navio Spiridon II, que partiu do Uruguai em 20 de setembro com três mil vacas, foi impedido de atracar na Turquia por irregularidades sanitárias e de identificação. Sem autorização para desembarque, a embarcação só obteve permissão para descarregar os animais em 23 de novembro, na Líbia.

Durante o período de espera, relatos indicaram condições precárias: acúmulo de fezes e urina, odor intenso, carcaças sobre o convés, escassez de água e alimento e presença de vacas gestantes e bezerros recém-nascidos sem assistência veterinária.

O debate também ocorre em meio ao avanço de duas propostas legislativas voltadas a desestimular a exportação de animais vivos por meio de tributação diferenciada, alinhada aos riscos da prática. Ambas conquistaram vitórias recentes no Congresso: o PLP 23/2024, de autoria da deputada Luciene Cavalcante, e o PL 786/2024, apresentado pelo deputado Nilto Tatto.

A audiência pública “Exportação de Animais Vivos por Via Marítima: Impactos e Riscos” reunirá diversas organizações da sociedade civil e especialistas, incluindo Mercy For Animals, Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Gaia Libertas, Agência de Notícias de Direitos Animais, Movimento Nacional Não Exporte Vidas e a pesquisadora Maira Luiza Spanholi, da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). O encontro deve ampliar o debate sobre alternativas e novas diretrizes para a atividade no país.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Gadolando aponta ano ruim para o produtor e sugere medidas para um resultado melhor em 2026

Aumentar remuneração, regulamentar importações, campanhas para aumentar consumo e busca de mercados externos são reivindicações para reverter dificuldades do setor leiteiro.

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Foto: Marcos Tang/Divulgação

O presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul, (Gadolando) Marcos Tang, fez um balanço do ano de 2025 para o setor leiteiro, bem como perspectivas para o ano que vem. Se, por um lado, Tang reconheceu que os produtores de leite trabalharam com muito esforço e dedicação com a parceria e assistência da Gadolando, 2025 termina como um ano bastante ruim devido, principalmente, à baixa remuneração paga pelo litro de leite.

Tang enfatizou que trabalhar com um preço muito baixo inviabiliza a sobrevivência da atividade. “Nós amamos as nossas vacas, nós amamos a raça holandesa, nós amamos o setor leiteiro, mas nós não podemos viver só de paixão e amor. Nós precisamos de renda, nós precisamos ter lucro para a própria subsistência”, alerta. O dirigente argumenta que a atividade leiteira é uma das principais atividades econômicas, um trabalho que segura o homem, a mulher, o jovem no campo, e que ela precisa ser adequadamente reconhecida e melhor remunerada. “Nós precisamos parar de entregar o leite, nós precisamos vender o leite, eu sempre tenho defendido isso”, ressalta.

Com relação a 2025, Tang observa que as importações de leite dispararam depois de agosto, causando um problema ainda maior em um cenário onde já houve um aumento da produção local. “Então, isto vem culminar para um desfecho ruim do ano de 2025. A alta da produção local combinada com altos índices de importação, culminaram com um desfecho de ano bastante difícil”, explica.

Marcos Tang Gadolando: “Nós amamos as nossas vacas, nós amamos a raça holandesa, nós amamos o setor leiteiro, mas nós não podemos viver só de paixão e amor. Nós precisamos de renda, nós precisamos ter lucro para a própria subsistência” – Foto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective/Divulgação

Sendo assim, o presidente da Gadolando se posiciona fortemente no sentido de reivindicar medidas urgentes como reduzir as importações de leite e derivados, impondo regras antidumping, uma pauta defendida em parceria com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). “Também defendemos que haja trabalhos conjuntos junto a produtores, indústria, varejo e autoridades no sentido de esclarecer os benefícios do consumo do leite. Nossa posição é a de que o país não seja importador de leite, nós temos um produto de qualidade e podemos, inclusive, sermos exportadores”, avança.

Para 2026, Tang adianta que a ideia é que haja uma regulamentação urgente das importações, se valorize mais o produtor nacional e local e que o setor possa abrir novos mercados externos.”Nós precisamos dar andamento, amadurecer a cadeia e virar um país exportador, mas neste momento, como urgência, clamamos que as autoridades políticas e administrativas tomem alguma medida no sentido de regulamentar as importações para salvar os produtores locais”, reforça.

Por fim, o presidente da Gadolando reitera que, mesmo num quadro difícil, que o produtor possa continuar registrando seus animais, fazendo controle leiteiro e classificação morfológica. “Mesmo com a crise, o produtor tem feito trabalhos maravilhosos, como podemos constatar nos nossos destaques de fim de ano, a evolução genética que o nosso produtor está fazendo. Isso realmente muito nos honra e mostra que o produtor, especialmente o sócio da Gadolando, é um maestro nessa atividade de produzir leite e de criar vacas holandesas desde o seu nascimento até a sua maturidade com excelência e com bem-estar animal”, conclui.

Fonte: Assessoria Gadolando
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