Notícias
Produtores rurais do Mato Grosso cobram melhorias no fornecimento de energia elétrica
Encontros da Aprosoja MT reuniram quase 1,2 mil participantes e mapearam gargalos como oscilações e interrupções.

A Comissão de Política Agrícola da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) conduziu 38 reuniões com a concessionária de distribuição de energia elétrica de MT, a Energisa em 35 núcleos da entidade, com o objetivo de ouvir os principais gargalos enfrentados pelos produtores rurais em relação à qualidade do fornecimento de energia elétrica nas propriedades. Ao todo, cerca de 1.195 produtores rurais participaram dos encontros, representando as quatro regiões do estado.
Durante os encontros, foram apresentadas demandas recorrentes do setor, como desafios relacionados à comunicação com a concessionária, como dificuldades no atendimento presencial, ineficiência dos canais digitais e necessidade de maior agilidade no suporte ao produtor. Outro ponto levantado foi a expansão da rede trifásica e a redução das interrupções no fornecimento, consideradas essenciais para garantir maior segurança, previsibilidade e produtividade no campo, especialmente em atividades que dependem diretamente de energia, como irrigação, armazenagem e beneficiamento.
O diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol, destaca que a iniciativa tem como foco aproximar a entidade dos produtores e buscar soluções efetivas junto à concessionária.
“A Aprosoja MT, com seus 35 núcleos e cerca de 9.500 associados, sempre identificou demandas muito semelhantes quando o assunto é energia e a concessionária Energisa. Diante disso, a diretoria decidiu criar esses grupos com o objetivo de promover um diálogo mais ágil e permitir um mapeamento mais preciso dos problemas. A partir dessa iniciativa, foi possível garantir que esses grupos tenham acesso mais rápido às soluções e, na maioria dos casos, especialmente quando se tratam de questões simples, atender com maior agilidade os produtores. Assim, a entidade tem conseguido ampliar cada vez mais o mapeamento dos principais gargalos enfrentados no campo e, junto à Energisa, estruturar ações que proporcionem respostas mais rápidas. Isso vale tanto para situações pontuais, como quedas de energia, quanto para demandas mais estruturais, como a melhoria da qualidade do fornecimento em municípios que ainda não atendem de forma eficiente às necessidades produtivas, especialmente em atividades como armazenagem e beneficiamento de algodão. Essa carência é ainda mais evidente em regiões mais afastadas, nas fronteiras agrícolas”, salientou.
Considerando as principais demandas levantadas, como oscilações, interrupções no fornecimento e a necessidade de modernização da rede, a expectativa da entidade é avançar na construção de soluções práticas que atendam às necessidades do produtor rural.
“A Aprosoja MT conseguiu identificar, junto aos seus delegados e associados, que, na maioria dos casos, tratam-se de problemas relativamente simples, que, com uma comunicação mais ágil, já permitiriam restabelecer rapidamente o fornecimento de energia aos produtores. A Energisa tem observado isso ao atuar em situações como limpeza de redes, substituição de transformadores ou quedas de postes. Ou seja, são ações simples que já vêm apresentando resultados positivos. Já em relação aos gargalos mais complexos, a entidade tem avançado no mapeamento dessas demandas, levando-as à diretoria da Energisa. Nesse contexto, não se trata de problemas pontuais, mas de dificuldades recorrentes que atingem a maioria dos municípios e núcleos da Aprosoja MT. Hoje, o estado de Mato Grosso precisa de respostas mais efetivas do sistema de energia para continuar crescendo, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento industrial”, afirmou o diretor administrativo Diego Bertuol.
Após a coleta das demandas, o coordenador de Relacionamento da Energisa MT, Jorge Sírio, ressaltou que as reuniões contribuem para aprimorar o atendimento e fortalecer a atuação conjunta com o setor produtivo.
“Temos ampliado nosso relacionamento com os produtores rurais em Mato Grosso por meio de grupos organizados, encontros presenciais, visitas técnicas e canais diretos de comunicação. Essa proximidade permite entender melhor as demandas de cada região e tornar o atendimento mais ágil e assertivo. Com o apoio dos produtores, conseguimos identificar ocorrências com mais precisão e atuar de forma mais eficiente no campo. Também estamos fortalecendo parcerias com prefeituras e a Aprosoja MT para intensificar ações de manutenção, como a limpeza de faixa, que é fundamental para reduzir interrupções no fornecimento. A partir de abril, vamos ampliar esse trabalho conjunto, reforçando nosso compromisso com a qualidade da energia e com o desenvolvimento do setor rural”, afirma Jorge Sírio, coordenador de Relacionamento da Energisa MT.
As reuniões fazem parte de uma estratégia da Aprosoja MT de fortalecer a representatividade dos produtores e garantir que as demandas da base sejam organizadas e levadas de forma estruturada à concessionária.

Notícias
Garantia-Safra libera pagamento para produtores afetados por seca ou excesso de chuva
Benefício atende agricultores familiares com perdas comprovadas na produção de feijão, milho ou mandioca.

O governo federal divulga no dia 15 de abril a lista dos municípios cujos agricultores receberão, neste mês de abril, parcela do programa Garantia-Safra 2024-2025. A norma entra em vigor nesta quinta-feira (16).

Portaria publicada no Diário Oficial da União inclui agricultores familiares dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minhas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Veja aqui a lista completa.
O benefício, de R$ 1,2 mil, ocorrerá em parcela única. O pagamento começa ainda em abril e ocorre na mesma data do calendário do Bolsa Família.
Benefício
O Garantia-Safra é um programa de seguro destinado a pequenos agricultores com renda de até 1,5 salário-mínimo, que cultivam feijão, milho ou mandioca em áreas de 0,6 a 5 hectares e com o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) ativo e atualizado.
O pagamento é feito aos agricultores com perda comprovada de pelo menos 40% a 50% da produção, em razão do fenômeno da estiagem ou do excesso hídrico e que aderiram ao programa.
O benefício pode ser solicitado via aplicativo CAIXA Tem, lotéricas ou agências da Caixa.
Os agricultores com alguma pendência ou imprecisões cadastrais têm até 30 dias para regularizar a situação e, posteriormente, receber o benefício. A consulta pode ser feita no site do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
O Garantia-Safra é vinculado ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com a finalidade de assegurar condições mínimas de sobrevivência aos agricultores familiares cujas produções sejam sistematicamente afetadas por perdas decorrentes de estiagem ou excesso hídrico.
Notícias
Fim da escala 6×1 será avaliado em comissão da Câmara dos Deputados
PEC retorna à pauta da CCJ após pedido de vista e tem parecer favorável à admissibilidade.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019 que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1) será analisada, nesta quarta-feira (22), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Além do fim da escala 6×1, a proposta prevê reduzir a jornada das atuais 44 para 36 horas semanais em um prazo de dez anos. A sessão está marcada para começar às 14h30. 

A PEC volta à pauta da CCJ depois que a oposição pediu vista da matéria na semana passada. O relator da CCJ, deputado Paulo Azi (União-BA), votou pela admissibilidade da PEC, ou seja, defendeu que a redução da jornada é constitucional.
Se aprovada na CCJ, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), promete criar comissão especial para analisar o texto. A comissão tem entre 10 e 40 sessões do plenário da Câmara para aprovar ou rejeitar um parecer sobre a PEC. Em seguida, o texto pode ir para apreciação do plenário.
Como essa tramitação pode se estender por meses, e diante da tentativa da oposição de barrar a PEC, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso, na semana passada, um projeto de lei (PL) com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais.
O PL com urgência precisa ser votado em até 45 dias ou tranca a pauta do plenário da Câmara.
Motta comentou que é prerrogativa do governo federal enviar um PL com urgência constitucional, mas a Câmara vai seguir com a tramitação da PEC. A Proposta de Emenda à Constituição unificou as propostas do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e da deputada Erika Hilton (PSOL-RJ).
O governo tem defendido que a proposta do Executivo não compete com a PEC em tramitação na Câmara, segundo explicou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
“Se a PEC for aprovada nesse prazo, evidentemente que o PL está prejudicado, não há mais necessidade. Mas o rito da PEC é mais demorado do que o PL. O PL vai avançar e pode ser que entre em vigor a redução de jornada de trabalho e depois se consolide por PEC para impedir eventuais aventureiros do futuro quererem aumentar a jornada como aconteceu na Argentina”, explicou Marinho.
Notícias
Calor extremo já ameaça sistemas de produção de alimentos no mundo
Relatório da FAO e da OMM aponta que mais de 1 bilhão de pessoas já são afetadas pelos impactos do aumento das temperaturas.

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que o calor extremo já está colocando os sistemas agroalimentares globais sob forte pressão e ameaçando os meios de subsistência e a saúde de mais de 1 bilhão de pessoas.
O estudo foi elaborado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). As agências destacam que as ondas de calor estão se tornando mais frequentes, intensas e duradouras, com impactos diretos sobre a agricultura, a pecuária, a pesca e as florestas.
Segundo o relatório, o cenário indica um futuro de maior incerteza, com o aquecimento global em aceleração. Dados recentes mostram que 2025 está entre os três anos mais quentes já registrados, o que tem intensificado eventos climáticos extremos em diferentes regiões do mundo.

Foto: Pixabay
O documento aponta ainda que o calor extremo atua como um “multiplicador de riscos”, agravando secas, incêndios florestais, surtos de pragas e reduzindo a produtividade das lavouras quando são ultrapassados limites críticos de temperatura. Em geral, há queda na produtividade das principais culturas quando os termômetros passam de cerca de 30°C.
O relatório também cita casos como o do Marrocos, que enfrenta seis anos consecutivos de seca, seguidos por ondas de calor recordes.
Outro ponto de alerta é o aumento das ondas de calor marinhas. Segundo o estudo, esses eventos estão mais frequentes e têm reduzido os níveis de oxigênio nos oceanos, afetando estoques pesqueiros. Em 2024, cerca de 91% dos oceanos do mundo registraram ao menos uma onda de calor marinha.

Foto: Divulgação/IDR
As projeções indicam que os riscos tendem a crescer com o avanço do aquecimento global. O relatório estima que a intensidade dos eventos extremos de calor pode dobrar com 2°C de aquecimento e quadruplicar com 3°C, em comparação ao cenário de 1,5°C.
Também foi destacado que cada aumento de 1°C na temperatura média global pode reduzir em cerca de 6% a produção das quatro principais culturas agrícolas do mundo: milho, arroz, soja e trigo.
Diante desse cenário, FAO e OMM defendem maior coordenação entre países e o fortalecimento de sistemas de alerta climático para apoiar agricultores e pescadores na tomada de decisões. As agências afirmam ainda que ações de adaptação, isoladamente, não são suficientes para conter os impactos, e que será necessária uma resposta mais ampla diante da intensificação do calor extremo.



