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Produtores precisam ficar atentos no período de transição

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Uma pesquisa divulgada recentemente, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, revelou que o Brasil é o quinto maior produtor de leite do mundo, ficando atrás apenas da União Europeia, Estados Unidos, Índia e China. No ano de 2013, foram produzidas 32,4 milhões de toneladas de leite contra 31,5 milhões em 2012. 

As previsões são muito otimistas para o mercado de lácteos brasileiro e mundial. O consumo per capita nacional ainda é pequeno se comparado ao consumo de neozelandeses e americanos. Contudo, é bem superior ao registrado na Índia e China. Estudos preveem que em 2020 todos os países vivenciarão aumento de consumo de leite por habitante. Em adição, no ano de 2050, a população mundial ultrapassará os nove bilhões de consumidores de leite e seus derivados. 

Para atender à demanda crescente deste alimento de alto valor biológico, todos os segmentos envolvidos na cadeia produtiva precisam atuar com eficiência. Dentre as categorias e fases, uma das mais negligenciadas, embora essencial para o sucesso da produção, é o período de transição, mais especificamente, o pré-parto. 

É importante ressaltar que os distúrbios metabólicos que acometem as vacas nesta fase são inter-relacionados. Dentre tais distúrbios, grande atenção deve ser dada à hipocalcemia, caracterizada pela rápida depleção das concentrações de cálcio no sangue, devido à grande demanda de cálcio para a glândula mamária no início da lactação. Este distúrbio faz com que as vacas apresentem tremores de cabeça, contração muscular e falta de coordenação motora. Quando caem no chão, normalmente ficam prostradas. 

Geralmente é observado em vacas de alta produção, a partir da segunda lactação.  Animais que apresentam tal enfermidade estão mais sujeitos a outros distúrbios como retenção de placenta, cetose e mastite. 

No Brasil, estudos mais recentes têm mostrado incidência de hipocalcemia ao redor de 4,5%. Nos EUA é semelhante, embora possa dobrar sua ocorrência em alguns locais. Este percentual dependerá da idade, raça, alimentação, dentre outros fatores. Estudos americanos mostram perdas da ordem de 500 kg de leite/vaca/lactação e incremento do período seco de aproximadamente cinco dias. 

Vacas multíparas apresentam maior dificuldade de ingerirem alimento nas últimas três semanas que antecedem o parto. Em adição, apresentam menor capacidade de absorção intestinal de cálcio. Aquelas que produzem maior proporção de colostro, notadamente rico em cálcio, tendem a apresentar hipocalcemia com maior frequência. A alimentação tem papel marcante sobre tal distúrbio e, por isso, será mais discutida.

O período seco corresponde aos últimos 60 dias que antecedem o parto. Este pode ser dividido em dois momentos. Em contagem regressiva, o primeiro vai do 60º dia até o 21º e o segundo, do 21º dia até o dia do parto. O período mais crítico ocorre nas últimas três semanas, momento compreendido por uma redução significativa na ingestão de matéria seca, a qual pode ultrapassar 30%. Os motivos que justificam este fato são: menor espaço ocupado pelos alimentos em decorrência do grande crescimento fetal e pressão dos órgãos digestivos e alterações hormonais (aumento da concentração sanguínea de corticóides e estrógeno e redução de progesterona).

Para evitar um balanço energético negativo a dieta formulada precisa conter maior teor de proteína bruta e densidade energética.  

No momento do parto, é fundamental que os animais estejam com escore corporal variando de 3,25 a 3,75, numa escala de 1 a 5.  Para alcançar este objetivo o consumo de concentrado irá variar de 3,0 a 4,0 kg/dia, aproximadamente. O concentrado deverá conter macro e microminerais, bem como vitaminas. Dentre os macrominerais, destaque para Enxofre (S), Cloro (Cl), Potássio (K) e Sódio (Na). Os dois primeiros apresentam carga negativa e os dois últimos, carga positiva. A diferença catiônica-aniônica da dieta deverá apresentar valores entre -10 e -15 meq/100 g MS. Para isto, a quantidade de ânions (S + Cl) precisa ser maior que as de cátions (K + Na). 

A dieta aniônica é eficiente quando resulta numa leve acidose metabólica. Na tentativa de manter a neutralidade, o organismo lança mão do equilíbrio entre cátions e ânions. Haverá redução nas concentrações sanguíneas de HCO3 e leve queda no pH sanguíneo, com isto vários mecanismos fisiológicos passam a ser mais ativos, e todos eles levando a um aumento nas concentrações sangüíneas de cálcio.

Em função da menor aceitabilidade destes sais aniônicos, a preferência deve ser por aqueles cujo efeito sobre o consumo seja menos significativo. A quantidade de sais fornecida por animal dependerá dos ingredientes que compõe o concentrado, bem como os alimentos volumosos fornecidos.

O volumoso recomendado neste período é a silagem de milho, por apresentar menor teor de Potássio. Se a dieta é formulada com ração ou núcleo que contém sais aniônicos, o animal não deverá ter acesso a suplemento mineral que contenha sódio, pois isto contribuiria para incremento de cátions. Caso o volumoso seja capim, será preciso incrementar a quantidade de sais aniônicos, em função do maior teor de Potássio.

É muito importante consultar um técnico da sua confiança, o qual definirá a quantidade correta de sais aniônicos. O fornecimento destes sais deve ser interrompido no parto, momento em que voltam a receber dieta convencional. 

A Guabi desenvolveu produtos, especialmente, para atender as exigências nutricionais de bovinos de raças leiteiras de alto potencial genético. Um deles é a Lactage Pré-Parto, uma ração aniônica formulada com 20% PB, enriquecida com sais aniônicos, minerais e vitaminas A, D e E. Indicada para novilhas e vacas secas, nas últimas três semanas que antecedem o parto.  

Para aqueles que possuem os alimentos concentrados, a Guabi indica o Ruminúcleo Pré-Parto 100 ADE, um núcleo aniônico, para diluir com alimentos concentrados. Sua inclusão é de 10% (100 kg/t de ração). O núcleo é formulado com 2,5% de fósforo, macro e microelementos minerais e vitaminas A, D, E. Indicado nos últimos 21 dias que antecedem o parto para previnir distúrbios metabólicos no pós-parto.

         
Sobre a Guabi
Com 40 anos no mercado, a Guabi é hoje uma das maiores produtoras de rações e suplementos do país e conta com seis unidades fabris localizadas em Sales Oliveira (SP), Pará de Minas (MG), Anápolis (GO), Além Paraíba (MG), Goiana (PE) e Pecém (CE).

Fonte: Ass. de Imprensa GUABI

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ABPA abre inscrições para prêmio de pesquisa aplicada durante o SIAVS 2026

Reconhecimento valoriza estudos com impacto prático na avicultura e suinocultura e prevê experiência internacional aos vencedores.

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Foto: Alf Ribeiro

Estão abertas as inscrições para o Mérito ABPA de Pesquisa Aplicável, reconhecimento científico que a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) promoverá durante o SIAVS 2026 – Salão Internacional de Proteína Animal, maior evento da avicultura e da suinocultura do Brasil, que será realizado entre os dias 04 e 06 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP).

A iniciativa contempla duas distinções, voltadas à valorização de pesquisas com efetiva aplicabilidade prática para a cadeia produtiva da proteína animal:

  • Mérito ABPA de Pesquisa Aplicável – Grandes Áreas, destinado a trabalhos científicos com impacto nas áreas de produção, manejo e ambiência; nutrição; tecnologia e processos; sanidade; sustentabilidade; e saúde pública.
  • Mérito ABPA de Pesquisa Aplicável – RAM (Resistência aos Antimicrobianos), voltado exclusivamente a estudos que abordem estratégias, ferramentas, indicadores e práticas relacionadas ao uso responsável de antimicrobianos e ao enfrentamento da resistência microbiana na produção animal, tema estratégico para o setor e alinhado aos princípios internacionais de One Health – no âmbito da  campanha “Uso Consciente, Futuro Responsável”, mantida pela ABPA.

O objetivo do Mérito é estimular pesquisas que extrapolem o ambiente acadêmico e apresentem aplicabilidade concreta, contribuindo para ganhos de eficiência, segurança sanitária, sustentabilidade e competitividade internacional da avicultura e da suinocultura brasileiras.

Os trabalhos inscritos serão avaliados por comissão julgadora composta por especialistas com reconhecida atuação técnica e acadêmica. Entre os critérios considerados estão:

  • Relevância estratégica para o setor
  • Grau de inovação
  • Consistência metodológica
  • Aplicabilidade prática
  • Potencial de impacto na cadeia produtiva

Após a etapa de avaliação, os trabalhos selecionados serão apresentados durante a programação oficial do SIAVS, ampliando sua visibilidade junto a empresários, pesquisadores, autoridades sanitárias e representantes nacionais e internacionais.

Como forma de reconhecimento, o primeiro autor do trabalho vencedor em cada uma das duas distinções participará, com apoio da organização, de uma experiência internacional em uma das principais feiras globais de alimentos, podendo escolher entre a SIAL Paris 2026, em Paris, ou a Gulfood 2027, em Dubai. A iniciativa proporciona imersão no ambiente internacional de negócios e inovação, fortalecendo a formação estratégica dos pesquisadores.

As inscrições devem ser realizadas conforme as orientações disponíveis no site oficial do evento, onde também constam regulamento completo, prazos, formato de submissão e demais informações, acesse clicando aqui.

Fonte: Assessoria ABPA
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Abertura de 525 mercados para o agro gera oportunidade histórica ou risco de expansão sem margem?

Diversificação de destinos pode gerar até US$ 375 bilhões em exportações, mas exige gestão de custos e precificação para garantir rentabilidade.

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Fotos: Claudio Neves

A abertura de 525 novos mercados internacionais para o agronegócio brasileiro, com potencial estimado de até US$ 375 bilhões por ano em exportações, consolida o país como um dos principais fornecedores globais de alimentos e reforça sua relevância estratégica no comércio internacional. Do ponto de vista institucional e geopolítico, trata-se de um avanço inegável. Do ponto de vista empresarial, no entanto, o aumento do acesso não pode ser confundido com geração automática de valor econômico.

A experiência mostra que expansão de mercado, quando não acompanhada por gestão rigorosa de custos e precificação adequada, tende a pressionar margens e aumentar a exposição financeira das empresas.

Exportar implica estruturas logísticas mais complexas, exigências sanitárias específicas, custos regulatórios adicionais, riscos cambiais, prazos de recebimento mais longos e maior dependência de capital de giro. Esses fatores alteram substancialmente o custo total da operação e não podem ser tratados como extensões do mercado doméstico.

Um dos erros mais recorrentes nas estratégias de internacionalização do agro é a ausência de segregação clara entre custos locais e custos de exportação. Quando a empresa utiliza uma estrutura de custos média para formar preços em diferentes mercados, acaba diluindo despesas específicas de cada canal e comprometendo a leitura real da rentabilidade por contrato, por produto e por país. O resultado é a celebração de volumes crescentes de vendas acompanhada por deterioração gradual das margens operacionais, muitas vezes percebida apenas quando o caixa

Foto: Divulgação

começa a ficar mais pressionado.

Outro ponto crítico é a formação de preços em ambientes de maior volatilidade. Oscilações cambiais, variações nos custos de frete internacional, alterações em tarifas e mudanças nos prazos de pagamento impactam diretamente a margem final, especialmente em contratos de médio e longo prazo. Sem mecanismos de proteção financeira e sem modelos de precificação que incorporem cenários de risco, a empresa transfere parte significativa da incerteza para dentro do próprio resultado.

Também é preciso considerar o efeito financeiro do crescimento acelerado. A ampliação das exportações exige maior investimento em estoques, transporte, certificações e estrutura comercial, elevando a necessidade de capital de giro. Em um ambiente de juros estruturalmente mais altos, esse custo financeiro passa a ser componente relevante da margem e precisa ser tratado como parte integrante da estratégia de preço, não como despesa posterior absorvida pelo resultado.

Nesse contexto, cresce a importância da análise de margem real, e não apenas do faturamento ou da participação em novos mercados. Empresas que operam com foco exclusivo em volume tendem a mascarar ineficiências operacionais e decisões comerciais mal calibradas, sustentadas temporariamente por crescimento de receita, mas estruturalmente frágeis do ponto de vista financeiro. Crescer sem margem é, na prática, uma forma de destruição de valor em escala ampliada.

Para que a abertura de mercados se traduza em resultado sustentável, é indispensável avançar em três frentes: modelos de custeio mais precisos, que permitam identificar com clareza a rentabilidade por mercado e por canal; políticas de precificação que considerem riscos financeiros, fiscais e logísticos específicos de cada operação; e integração efetiva entre áreas comercial, financeira e operacional na tomada de decisão. Sem essa visão sistêmica, a empresa passa a competir apenas por preço, abrindo mão de margem para ganhar contratos que não se sustentam no médio prazo.

Foto: Divulgação/Porto de Santos

O ano de 2026 tende a ser decisivo nesse processo. A ampliação do acesso a mercados cria oportunidades relevantes, mas também eleva o grau de exigência na gestão. Empresas que dominarem seus custos, entenderem sua estrutura de margem e tomarem decisões baseadas em dados terão condições de transformar expansão em rentabilidade. As demais correm o risco de crescer em complexidade, exposição financeira e dependência de crédito, sem a correspondente geração de valor econômico.

A abertura de 525 mercados é, sem dúvida, uma conquista estratégica para o país. Para as empresas do agro, porém, o verdadeiro diferencial competitivo não estará apenas na capacidade de vender mais, mas na competência de vender com margem, previsibilidade e sustentabilidade financeira. Em um cenário global cada vez mais competitivo, não será o tamanho da operação que definirá a perenidade dos negócios, mas a qualidade das decisões econômicas que sustentam essa expansão.

Fonte: Artigo escrito por Fabiano Coelho, PhD em Ciências Contábeis.
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Exportações agropecuárias ganham alternativa para evitar gargalos no Golfo Pérsico

Exigência sanitária turca levou à criação de certificado específico para cargas em trânsito, permitindo passagem e armazenagem temporária de produtos de origem animal sem interrupção do fluxo ao Oriente Médio e à Ásia Central, mesmo com as restrições no Estreito de Ormuz.

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Foto: Claudio Neves

O Brasil garantiu a continuidade de uma rota alternativa via Turquia para o envio de exportações agropecuárias, diante das restrições no Estreito de Ormuz. A solução foi negociada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Com isso, a estrutura portuária turca segue como opção importante para cargas brasileiras com destino ao Oriente Médio e à Ásia Central, permitindo que as mercadorias sigam viagem sem a necessidade de passar pelo Golfo Pérsico.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR

Essa rota já era utilizada por exportadores brasileiros. No entanto, a Turquia passou a exigir novas regras sanitárias para produtos sujeitos ao controle veterinário oficial, como os de origem animal. Para evitar prejuízos ao fluxo das exportações, foi negociado o Certificado Veterinário Sanitário para Produtos Sujeitos a Controles Veterinários em Trânsito Direto pela República da Turquia ou para Armazenamento Temporário com Destino à Expedição para outro País/Navio.

Na prática, o documento permite que mercadorias brasileiras, especialmente produtos de origem animal, atravessem o território turco ou fiquem armazenadas temporariamente no país antes de seguirem para o destino final.

A medida confere mais segurança e previsibilidade aos exportadores brasileiros em um momento de instabilidade nas rotas internacionais e reforça a atuação do Mapa para manter o comércio agropecuário brasileiro em funcionamento.

Fonte: Assessoria Mapa
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