Notícias Rio Grande do Sul
Produtores obtêm renda com projeto de integração pecuária-floresta na região da Campanha
Implantação do sistema vem se mostrando uma alternativa com diferentes ganhos para o produtor, na sustentabilidade dos sistemas de produção, na geração de renda extra para a propriedade e no bem-estar animal. Projeto Silvipastoril foi implementado em 15 Unidades Demonstrativas (UDs) no município de Bagé (RS), região tradicional na produção pecuária.

A integração entre pecuária e floresta vem se mostrando uma alternativa com diferentes ganhos para o produtor, na sustentabilidade dos sistemas de produção, na geração de renda extra para a propriedade e no bem-estar animal, entre outros. Com objetivo de testar esse sistema no Sul do Rio Grande do Sul, foi iniciado há dez anos o projeto Silvipastoril da região da Campanha, uma iniciativa da Embrapa Pecuária Sul e Emater/RS, com recursos do Plano ABC do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
No projeto foram instaladas 15 Unidades Demonstrativas (UDs) no município de Bagé (RS), região tradicional na produção pecuária. O produtor Reginaldo Martins da Silva, da localidade de Joca Tavares, foi um dos escolhidos para abrigar as unidades. Em sua propriedade de 200 hectares, foram instaladas duas UDs, de 1,5 hectare cada, com dois arranjos de espaçamento diferentes, uma com as árvores plantadas em linhas com 16 metros entre elas, e outra com 8 metros. Segundo o produtor, durante a maior parte do período de desenvolvimento das árvores, foi possível manter pastagens suficientes para a alimentação animal.
Na área com menor espaço, de oito metros entre as linhas de árvores, a diminuição da incidência de luz solar, dificultou o desenvolvimento das pastagens nos últimos tempos. “Por isso decidimos fazer o raleio, que é a eliminação de uma linha de árvores, aumentando o espaçamento para 16 metros. O objetivo é que a área volte a ter pastoreio novamente”, ressaltou. Para o produtor, mesmo que em pequenas áreas o resultado de utilizar esse sistema é muito proveitoso, pois além de poder manter a área para alimentação animal, é possível agregar rendimento, tanto com a utilização da madeira na propriedade, como na venda.
A madeira está sendo desdobrada na propriedade em uma serra móvel, em uma parceria entre o produtor e um empresário local, e parte das tábuas, mourões e outros produtos obtidos nesse primeiro corte serão utilizados em melhorias na fazenda e o excedente comercializado. Segundo Nilson Camponagara, da empresa contratada, cerca de 80% da madeira cortada tem uso na propriedade. “A parte central, mais nobre, é transformada em tábuas, e as laterais têm vários usos também. Até os 20% restantes podem ser usados como lenha”, disse.
Segundo o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Hélio Tonini, está sendo feita uma avaliação econômica nas propriedades que fizeram esse primeiro desbaste. “Nos levantamentos iniciais esse desbaste pode representar entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. É importante ressaltar que é apenas a primeira receita, depois vai representar mais ganho com a comercialização do restante da madeira”. Tonini salientou que uma nova fase de avaliação será feita agora, com estudos sobre a relação entre o desenvolvimento das pastagens a partir desse desbaste e também avaliações dos impactos no solo com o uso do componente florestal no sistema.
Para o Gerente regional em Bagé da Emater/RS e um dos idealizadores do projeto, Rodolfo Perske, com esse trabalho já foi possível identificar os melhores espaçamentos para a implantação de áreas de integração na região. Especialmente na relação entre o desenvolvimento das pastagens com o sombreamento, resultados que dão subsídios para a implantação de áreas silvipastoris no futuro. “Alguns produtores já estão obtendo receitas, mesmo que a maior parte da produção de madeira demora quinze, vinte anos para ficar grossa e com alto valor agregado. Porém, antes desse tempo, existe o que nós já havíamos projetado que eram os desbastes, os raleios que estão sendo trabalhados juntamente com os agricultores”. Segundo ele, árvores intermediárias, ou seja, as que não são objeto final do projeto, serão aproveitadas, para construção de mourões, tábuas e tramas, objetos para uso da própria atividade agropecuária.
Rodolfo Perske também cita ganhos para a produção pecuária. Uma delas é o conforto térmico para os animais, seja na proteção ao calor no verão seja dos ventos no inverno, que geram maior produtividade e bem-estar animal. “Além disso há a questão do sequestro do carbono que o componente florestal propicia, contribuindo para a mitigação da emissão de gases na atividade pecuária”, salientou.
A implantação desse projeto contou com o apoio da Prefeitura de Bagé, Universidade Regional da Campanha (Urcamp) e do Instituto Federal do Rio Grande do Sul – Campus Bagé.

Notícias
Brasil se despede do pesquisador conhecido por ser o pai do Feijão Carioca
Responsável pela avaliação e difusão da variedade mais consumida do país, agrônomo do IAC ajudou a redefinir padrões de produtividade e qualidade do feijão brasileiro.

A história recente do feijão no Brasil passa, de forma decisiva, pelo trabalho do pesquisador Luiz D’Artagnan de Almeida, que faleceu em 02 de janeiro. A trajetória profissional do agrônomo no Instituto Agronômico (IAC) está diretamente associada à avaliação, validação e difusão do feijão carioca, variedade que se tornou dominante no consumo nacional e transformou o mercado do grão no país.
D’Artagnan ingressou no IAC em 1967, instituição vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, onde construiu toda a sua carreira até a aposentadoria, em 2002. Atuou na antiga Seção de Leguminosas, área estratégica em um período em que a pesquisa pública buscava ampliar a oferta de alimentos básicos com maior produtividade e regularidade de qualidade.
O ponto de inflexão ocorreu ainda na década de 1960. Em 1966, o engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa de Agricultura da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), encaminhou ao IAC um lote de grãos de feijão com coloração rajada, até então pouco conhecida comercialmente. O material foi submetido a avaliações técnicas conduzidas por D’Artagnan, ao lado dos pesquisadores Shiro Miyasaka e Hermógenes Freitas Leitão Filho.
As análises envolveram não apenas o desempenho agronômico, mas também características culinárias, um diferencial para a época. Os resultados indicaram um material adaptado às condições de cultivo e com boa aceitação para consumo, abrindo caminho para sua adoção em escala mais ampla.
Em 1969, o feijão carioca foi oficialmente lançado, sob a responsabilidade direta de D’Artagnan, e incorporado ao projeto de produção de sementes básicas da CATI. A partir desse marco, a variedade ganhou espaço rapidamente nas lavouras e no mercado consumidor.
Na década de 1970, com a criação do Programa de Melhoramento Genético do Feijão, o material consolidou sua liderança. O feijão carioca passou a responder por cerca de 66% do consumo nacional, alterando padrões de oferta, produtividade e preferência do consumidor. O avanço teve impacto direto na organização do mercado, na estabilidade de preços e na segurança alimentar, ao fortalecer um alimento central na dieta brasileira.
Pelo papel desempenhado nesse processo, Luiz D’Artagnan de Almeida tornou-se conhecido entre colegas e produtores como o “pai do Carioquinha”, apelido que traduz o alcance prático de sua contribuição científica. Ao longo da carreira, recebeu diversas homenagens pelo trabalho desenvolvido no IAC e pelo legado deixado à pesquisa agrícola e à alimentação no Brasil.
Notícias
Governo projeta superávit comercial de até US$ 90 bilhões em 2026
Estimativa supera o saldo positivo de 2025, de US$ 68,3 bilhões.

O Brasil deve terminar 2026 com superávit comercial de US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões em 2026. As estimativas foram divulgadas na última terça-feira (o6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a previsão indica um resultado superior ao registrado em 2025, quando a balança comercial brasileira fechou com saldo positivo de US$ 68,3 bilhões.
Apesar do superávit elevado, o resultado do ano passado representou uma queda de 7,9% em relação a 2024, quando o saldo foi de US$ 74,2 bilhões.
Para 2026, o Mdic estima exportações entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões. As importações devem variar de US$ 270 bilhões a US$ 290 bilhões. Com isso, a corrente de comércio (soma de exportações e importações) pode alcançar entre US$ 610 bilhões e US$ 670 bilhões.
Superação de expectativas
O superávit de 2025 ficou acima das expectativas do mercado, que projetavam cerca de US$ 65 bilhões, e é considerado o terceiro melhor resultado da série histórica, atrás apenas dos saldos registrados em 2023 e 2024.
As projeções oficiais para a balança comercial são atualizadas trimestralmente. Segundo o Mdic, novas estimativas mais detalhadas sobre exportações, importações e saldo comercial de 2026 serão divulgadas em abril.
Notícias
Produzir mais em menos área é desafio central do agro diante do crescimento populacional
Intensificação produtiva, manejo do solo e eficiência no uso de recursos despontam como estratégias-chave para garantir segurança alimentar e sustentabilidade.

Com a população mundial projetada para atingir 9,9 bilhões de pessoas até 2054, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o agronegócio enfrenta um dos maiores desafios de sua história: aumentar a produção de alimentos sem ampliar o uso de recursos naturais na mesma proporção. Dados da Food and Agriculture Organization (FAO) indicam que, para atender essa demanda, será necessário produzir 60% mais alimentos, além de consumir 50% mais energia e 40% mais água.
No Brasil, onde a área agrícola corresponde a cerca de 7,6% do território nacional, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a intensificação produtiva tem se consolidado como caminho estratégico. Para o engenheiro agrônomo e empresário Luís Schiavo o foco deve estar na eficiência do uso do solo e na adoção de práticas agronômicas sustentáveis. “Não se trata apenas de produzir mais, mas com qualidade. O aumento da eficácia em áreas menores é essencial para garantir segurança alimentar, reduzir custos e preservar biomas importantes, como florestas e áreas de conservação”, afirma.

Foto: Jonathan Campos/AEN
Entre as principais estratégias para alcançar esse equilíbrio está o manejo adequado do solo. A manutenção da cobertura vegetal, especialmente no período de plantio, tem papel fundamental na proteção da estrutura da terra, na conservação da umidade e no estímulo à atividade microbiana. “O solo coberto funciona como um sistema vivo. A palhada atua como um colchão de matéria orgânica que reduz impactos mecânicos, protege contra a erosão causada pela chuva e favorece a ciclagem de nutrientes”, explica.
Outra prática destacada por Schiavo é a rotação de culturas, técnica que contribui para a fertilidade do solo, reduz a incidência de pragas e doenças e melhora o aproveitamento de nutrientes. Um exemplo comum no campo brasileiro é a sucessão entre soja e milho safrinha. “Após a colheita, o solo permanece enriquecido com nitrogênio, o que favorece diretamente o desenvolvimento do milho. Esse tipo de rotação preserva as características físicas, químicas e biológicas garantindo produtividade consistente ao longo das safras”, pontua.
Segundo o engenheiro agrônomo, investir em tecnologia, manejo eficiente e insumos adequados é decisivo para tornar o agro mais competitivo e sustentável. “Quando o produtor otimiza os fatores de produção, ele melhora a relação custo-benefício, preserva recursos naturais e contribui para um modelo agrícola mais equilibrado. É uma equação em que todos ganham: o produtor, o consumidor e o planeta”, ressalta.



