Conectado com

Notícias Rio Grande do Sul

Produtores obtêm renda com projeto de integração pecuária-floresta na região da Campanha

Implantação do sistema vem se mostrando uma alternativa com diferentes ganhos para o produtor, na sustentabilidade dos sistemas de produção, na geração de renda extra para a propriedade e no bem-estar animal. Projeto Silvipastoril foi implementado em 15 Unidades Demonstrativas (UDs) no município de Bagé (RS), região tradicional na produção pecuária.

Publicado em

em

Processamento da madeira em área da Unidade Demonstrativa - Fotos: Fernando Goss

A integração entre pecuária e floresta vem se mostrando uma alternativa com diferentes ganhos para o produtor, na sustentabilidade dos sistemas de produção, na geração de renda extra para a propriedade e no bem-estar animal, entre outros. Com objetivo de testar esse sistema no Sul do Rio Grande do Sul, foi iniciado há dez anos o projeto Silvipastoril da região da Campanha, uma iniciativa da Embrapa Pecuária Sul e Emater/RS, com recursos do Plano ABC do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

No projeto foram instaladas 15 Unidades Demonstrativas (UDs) no município de Bagé (RS), região tradicional na produção pecuária. O produtor Reginaldo Martins da Silva, da localidade de Joca Tavares, foi um dos escolhidos para abrigar as unidades. Em sua propriedade de 200 hectares, foram instaladas duas UDs, de 1,5 hectare cada, com dois arranjos de espaçamento diferentes, uma com as árvores plantadas em linhas com 16 metros entre elas, e outra com 8 metros. Segundo o produtor, durante a maior parte do período de desenvolvimento das árvores, foi possível manter pastagens suficientes para a alimentação animal.

Na área com menor espaço, de oito metros entre as linhas de árvores, a diminuição da incidência de luz solar, dificultou o desenvolvimento das pastagens nos últimos tempos. “Por isso decidimos fazer o raleio, que é a eliminação de uma linha de árvores, aumentando o espaçamento para 16 metros. O objetivo é que a área volte a ter pastoreio novamente”, ressaltou. Para o produtor, mesmo que em pequenas áreas o resultado de utilizar esse sistema é muito proveitoso, pois além de poder manter a área para alimentação animal, é possível agregar rendimento, tanto com a utilização da madeira na propriedade, como na venda.

A madeira está sendo desdobrada na propriedade em uma serra móvel, em uma parceria entre o produtor e um empresário local, e parte das tábuas, mourões e outros produtos obtidos nesse primeiro corte serão utilizados em melhorias na fazenda e o excedente comercializado. Segundo Nilson Camponagara, da empresa contratada, cerca de 80% da madeira cortada tem uso na propriedade. “A parte central, mais nobre, é transformada em tábuas, e as laterais têm vários usos também. Até os 20% restantes podem ser usados como lenha”, disse.

Segundo o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Hélio Tonini, está sendo feita uma avaliação econômica nas propriedades que fizeram esse primeiro desbaste. “Nos levantamentos iniciais esse desbaste pode representar entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. É importante ressaltar que é apenas a primeira receita, depois vai representar mais ganho com a comercialização do restante da madeira”. Tonini salientou que uma nova fase de avaliação será feita agora, com estudos sobre a relação entre o desenvolvimento das pastagens a partir desse desbaste e também avaliações dos impactos no solo com o uso do componente florestal no sistema.

Para o Gerente regional em Bagé da Emater/RS e um dos idealizadores do projeto, Rodolfo Perske, com esse trabalho já foi possível identificar os melhores espaçamentos para a implantação de áreas de integração na região. Especialmente na relação entre o desenvolvimento das pastagens com o sombreamento, resultados que dão subsídios para a implantação de áreas silvipastoris no futuro. “Alguns produtores já estão obtendo receitas, mesmo que a maior parte da produção de madeira demora quinze, vinte anos para ficar grossa e com alto valor agregado. Porém, antes desse tempo, existe o que nós já havíamos projetado que eram os desbastes, os raleios que estão sendo trabalhados juntamente com os agricultores”.  Segundo ele, árvores intermediárias, ou seja, as que não são objeto final do projeto, serão aproveitadas, para construção de mourões, tábuas e tramas, objetos para uso da própria atividade agropecuária.

Rodolfo Perske também cita ganhos para a produção pecuária. Uma delas é o conforto térmico para os animais, seja na proteção ao calor no verão seja dos ventos no inverno, que geram maior produtividade e bem-estar animal. “Além disso há a questão do sequestro do carbono que o componente florestal propicia, contribuindo para a mitigação da emissão de gases na atividade pecuária”, salientou.

A implantação desse projeto contou com o apoio da Prefeitura de Bagé, Universidade Regional da Campanha (Urcamp) e do Instituto Federal do Rio Grande do Sul – Campus Bagé.

Fonte: Embrapa Pecuária Sul

Notícias

Reforma tributária passa a taxar insumos do agro e pressiona custos no campo

Tributação de até 10% sobre fertilizantes, sementes e defensivos preocupa setor produtivo.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

Desde 1º de abril, insumos essenciais à produção agropecuária, como fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas, deixaram de contar com a isenção dos impostos Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A mudança faz parte da reforma tributária, em vigor desde o início do ano. Diante do início da tributação, o Sistema Faep pede que o governo federal prorrogue o prazo para cobrança.

“O momento de iniciar a cobrança é totalmente descabido. Há diversos fatores geopolíticos que estão influenciando negativamente o fornecimento dos insumos, gerando transtornos no meio rural e alta dos custos ao produtor rural. Por isso, é necessária a revisão dessa medida e a prorrogação do prazo para a tributação”, diz o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Com o fim da isenção, esses insumos passaram a ser tributados em 0,925%, podendo chegar a até 10%, dependendo do regime tributário adotado pelo produtor. Na prática, a medida encarece diretamente o custo de produção, especialmente em culturas intensivas em tecnologia, como soja, milho e algodão.

Esse aumento do imposto sobre fertilizantes ocorre em um momento em que Rússia e China, maiores fornecedores do produto no mundo, estão restringindo as exportações. O Brasil é diretamente impactado por esse cenário global. Atualmente, 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que torna o setor vulnerável a oscilações de preços e restrições de oferta causadas por fatores geopolíticos, como conflitos internacionais.

Meneguette atenta para o fato de que, do ponto de vista econômico, tributar insumos estratégicos equivale a tributar a produção antes mesmo do plantio. Além disso, o resultado é um aumento do custo marginal da produção agrícola, que tende a se propagar ao longo de toda a cadeia, resultando em inflação e alta dos alimentos a população.

“É fundamental a suspensão temporária ou a prorrogação da cobrança de PIS e Cofins sobre fertilizantes e insumos estratégicos, enquanto persistirem condições adversas no mercado internacional. Isso é uma decisão estratégica para o setor continuar produzindo com qualidade e eficiência”, complementa o presidente do Sistema Faep.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
Continue Lendo

Notícias

Copel cria canal exclusivo para produtor rural após articulação do Sistema Faep

Agricultores e pecuaristas relatam atendimento mais ágil, que permite reduzir impactos das quedas de energia e prejuízos no campo.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

Desde 6 de abril, os produtores rurais do Paraná têm um canal exclusivo de comunicação com aCopel. O Copel Agro faz parte de um plano de ações da empresa voltado à redução dessas ocorrências no campo. A iniciativa atende a reivindicação do Sistema Faep, diante dos recorrentes episódios de queda de energia em áreas rurais do Paraná e dos prejuízos milionários dentro da porteira.

A expectativa é que, com o Copel Agro, as respostas aos produtores rurais sejam rápidas com atendimento das demandas com mais eficiência. O canal conta com 30 especialistas disponíveis 24 horas por dia para atender os agricultores. O contato pode ser feito pelo telefone 0800 643 76 76 ou pelo WhatsApp (41) 3013-8970. O atendimento é exclusivo para produtores rurais, especialmente aqueles que atuam com proteína animal, como frango, suíno, leite e peixe.

“Nos últimos meses, as quedas de energia causaram prejuízos enormes aos nossos produtores rurais. Diante dos relatos constantes desses problemas, o Sistema Faep buscou a Copel para a construção de um plano com ações que ajudem o agricultor e pecuarista no momento de queda de energia. Esse canal faz parte desse trabalho, com perspectiva de facilitar e dar agilidade no contato, principalmente na hora de notificar problemas”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa é uma conquista importante para os nossos produtores rurais, pois a energia é um insumo fundamental nas atividades dentro da porteira. Vamos continuar acompanhando o cenário, para garantir mais investimentos no meio rural”, complementa.

Max Alberto Cancian, produtor de tilápias de Marechal Cândido Rondon

Max Cancian aprovou o novo canal de comunicação da Copel, com resultados rápidos e atendimento humanizado

Apesar de estar disponível há poucos dias, o serviço já tem registrado resultados positivos. O produtor de tilápias Max Alberto Cancian, de Marechal Cândido Rondon, na região Oeste do Paraná, utilizou o novo canal e aprovou a iniciativa, principalmente o atendimento humanizado. “Um profissional entende melhor o que estamos passando. Conseguimos explicar a gravidade da situação. Na minha experiência, a resposta foi rápida”, conta.

Cancian relata que as quedas de energia ocorrem de duas a três vezes por semana na região, gerando prejuízos. “Já tive muitos equipamentos queimados por causa da oscilação. Esse tipo de perda até é ressarcido pela Copel, mas o gasto com diesel para manter o gerador ligado é alto e não é reembolsado, o que acaba sendo repassado ao consumidor final”, afirma. “Esse novo canal é uma ferramenta importante, mas o ideal é melhorar o serviço para que o produtor não precise acioná-la”, completa.

Rosimeri Draghetti, piscicultora de Santa Helena

Depois de acumular prejuízos, Rosimeri Draghetti identificou melhoras no atendimento da Copel com o novo canal

A piscicultora Rosimeri Draghetti, de Santa Helena, também percebeu melhora no atendimento. Antes de adquirir um gerador, ela acumulou prejuízos com a mortalidade de peixes causada pela falta de energia. “A comunicação antes era muito ruim. Na propriedade não temos sinal de telefone, só internet, e o atendimento pelo WhatsApp demorava bastante. Já ficamos até três dias sem energia. Agora, ao entrar em contato, fui direcionada para esse canal específico do produtor rural”, afirma.

Rosimeri lembra que as longas interrupções sempre geraram preocupação, mesmo com o uso de gerador. “A última queda foi às 22h30 e a energia só voltou às 7h43 do dia seguinte. Desta vez, voltou em duas horas. Isso é importante, pois o gerador é para emergência, não para sustentar a produção por mais de 24 horas”, relata.

Mais ações previstas

O plano elaborado pela Copel em parceria com o Sistema Faep e outras entidades do setor produtivo prevê um conjunto de ações voltadas à melhoria do atendimento e do fornecimento de energia no meio rural. Desde o início do ano, Sistema Faep, Ocepar e Fiep realizam reuniões semanais com a Copel para estruturar um plano alinhado às demandas.

De acordo com Luiz Eliezer, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabelece limite médio de oito horas sem energia por ano no Paraná. No entanto, nas propriedades rurais, esse número pode chegar a 40 horas anuais.

“As principais reclamações dos sindicatos rurais envolvem quedas de energia, oscilações e demora no religamento. Levamos essas demandas para as reuniões para que o plano atenda, de fato, às necessidades do produtor. A energia é um insumo essencial ao agricultor, que representa cerca de 25% dos custos de produção”, destaca Eliezer.

As ações previstas serão implementadas a curto, médio e longo prazos e foram estruturadas com base em temas considerados prioritários: poda de vegetação, financiamento, reforço de equipe, comunicação, cadastro, capacitação técnica, tecnologia, geração distribuída, investimentos em subestações e cronograma.

Outro avanço envolve um projeto de lei que retira dos produtores rurais a responsabilidade pelo manejo da vegetação próxima às redes de energia elétrica. O projeto de Lei 189/2026, de autoria dos deputados estaduais Hussein Bakri, Alexandre Curi, Fábio Oliveira, Moacyr Fadel e Evandro Araújo, altera a Lei Estadual 20.081/2019 e estabelece que a poda, manejo e supressão de árvores, em um raio de até 15 metros das redes de distribuição passem a ser responsabilidade das concessionárias. O projeto já está em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e deve ser aprovado ainda neste mês.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
Continue Lendo

Notícias

Moatrigo 2026 debate efeitos das canetas emagrecedoras no mercado de alimentos

Engenheira de alimentos Cristina Leonhardt analisa como a difusão da semaglutida altera padrões de consumo, reduz ingestão de ultraprocessados e pressiona reformulações no setor de alimentos.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Freepik

A popularização dos medicamentos agonistas de GLP 1, impulsionada pela recente expiração da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, pode transformar o setor alimentício no Brasil, tanto nos padrões de consumo quanto nas estratégias das empresas. O tema integra a programação do Moatrigo 2026, que será realizado na segunda-feira (13), em Curitiba (PR), promovido pelo Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo PR), reunindo lideranças e representantes da cadeia moageira do trigo.

Foto: Divulgação/Freepik

A palestra “O impacto dos medicamentos GLP 1 nos negócios de alimentos brasileiros” será conduzida por Cristina Leonhardt, engenheira de alimentos com mais de 20 anos de experiência em inovação. Cristina apresentará uma leitura técnica e atualizada sobre como esses medicamentos, originalmente indicados para diabetes, mas amplamente usados para emagrecimento, estão mexendo com padrões de consumo e desafiando empresas de alimentos no país.

Mudanças de consumo já aparecem nos dados
Estudos indicam redução consistente na ingestão entre usuários dos GLP 1 e uma alteração clara nas escolhas alimentares. As tendências mostram queda na procura por processados, maior interesse por alimentos frescos e ácidos e impacto direto em categorias como snacks salgados, uma das mais sensíveis ao novo padrão.

Segundo Cristina, parte dessas mudanças permanece mesmo após o fim do tratamento, o que sinaliza efeitos estruturais para o setor, e

Foto: Divulgação/Freepik

não apenas um ajuste momentâneo.

A palestra também discutirá como empresas de alimentos já começam a reagir ao movimento, com desenvolvimento de produtos mais alinhados a esse novo perfil de consumo, incluindo itens ricos em fibras e proteínas. A especialista apresentará ainda caminhos estratégicos e éticos para que as fabricantes brasileiras se adaptem a diferentes cenários futuros.

Fonte: Assessoria Sinditrigo PR
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.