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Produtores de leite estão deixando atividade no Paraná

Segunda maior bacia leiteira do Estado vai, aos poucos, perdendo produtores por falta de sucessão, falta de investimentos em tecnologia e qualidade do leite

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Leme Comunicação

Oscilação de preço, falta de sucessão familiar e necessidade de alto investimento em tecnologia. Esses são apenas alguns dos motivos que levaram, nos últimos anos, a uma significativa queda no número de produtores de leite em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná. O município é o segundo maior produtor de leite do Estado.

 Na Associação Leite Oeste, em três anos, o número de produtores associados caiu e 150 para 92. Já a Cooperativa Agroindustrial Leite Oeste (Coopermilch), que faz a venda do leite dos produtores cooperados a laticínios, teve baixas ainda maiores, de acordo com o presidente Alceu Bergmann. “Chegamos a reunir 200 cooperados, mas baixamos para uma média de 80 produtores. Em captação de leite, já chegamos a 45 mil litros por dia. Hoje estamos, em média, na casa dos 12 a 15 mil litros ao dia”, informa.

Esta é uma realidade que não se restringe apenas a Marechal Rondon. Um mapeamento da produção leiteira do município, junto a Toledo e Cascavel, que juntos formam a segunda maior bacia leiteira do Estado, revelou que existem hoje na região cerca de mil propriedades produtoras de leite. Juntas, elas produzem aproximadamente 350 milhões de litros ao ano, no entanto, o número de salas de ordenha já foi muito maior. “Muitos produtores saíram da atividade por diferentes fatores. Tivemos um período muito grande de oscilação no mercado leiteiro e houve um período em que o mercado do leite não atendeu mais o preço do campo, o que fez com que muitos produtores quebrassem e saíssem da atividade”, expõe Bergmann. 

Por ser uma tarefa bastante pesada, os produtores de mais idade também acabaram se aposentando e saindo da atividade. A falta de sucessão familiar, de acordo com o presidente da Associação Leite Oeste, Ervino Krause, foi outro fator determinante para a significativa redução de produtores de leite no município. “Além daqueles que não têm sucessão, os pequenos produtores que não tinham segurança para fazer investimento em tecnologia também deixaram de produzir”, aponta.

Apesar da redução na quantidade de produtores, o presidente da Leite Oeste opina que o leite foi parar, em sua maioria, em outros resfriadores. “O rebanho foi trocando de proprietário”, diz.

Tecnologia e qualidade

A necessidade de tecnificar a propriedade e cada etapa da produção leiteira, a fim de atingir os patamares de qualidade exigidos pela indústria e, principalmente, pelos consumidores, é outro motivo que levou à diminuição no número de produtores. “Tivemos uma recuperação no mercado, mas ainda há muita insegurança, por isso o produtor tem receio de investir”, avalia Bergmann.

Ele diz que hoje, com as novas normativas que entrarão em vigor acerca da qualidade do produto a ser entregue nos laticínios, é indispensável que o produtor faça investimentos em tecnologia para atender os requisitos de qualidade, tendo em vista que as normas são, de certa forma, rigorosas.

A falta de um controle rigoroso de qualidade no leite culmina em um produto rejeitado pelos compradores ou que sofre descontos no momento da venda. “Essa qualidade, porém, precisa existir em toda a cadeia. Não adianta o produtor se empenhar em cumprir todas as exigências e produzir um leite de extrema qualidade se o freteiro, por exemplo, não seguir este mesmo padrão. O fator qualidade é outro que levou à desistência de muitos, pois este é um produto muito perecível, que facilmente pega cheiro e gosto”, analisa Krause.

Com a diversificação de atividades nas propriedades, o leite tornou-se uma das opções entre tantas para quem quer viver no campo, não sendo mais a principal delas. A redução no número de produtores em Marechal Rondon, município que, no passado, teve sua economia pautada na produção leiteira e na troca do “cheque do leite”, preocupa os envolvidos na cadeia produtiva. “E não apenas nós que produzimos, mas todos aqueles que consomem e deve preocupar também quem vive aqui, pois sem dúvida a diminuição do número de produtores de leite impacta na economia local”, acredita Bergmann.

Ainda vale a pena

Ele comenta que, apesar dos aspectos negativos, ainda vale a pena produzir leite, especialmente aos pequenos produtores que têm como foco entregar um produto de qualidade. “O pequeno produtor sempre vai ter uma renda mensal, o que era conhecido no passado como cheque do leite, diferente de outras atividades como frango e suínos que demandam de altos investimentos e um ciclo de produção mais demorado”, compara. “Não tem nada que se pague tão rápido como uma vaca de leite. Uma vaca em uma lactação, no valor bruto, se paga e ainda sobra dinheiro”, afirma.

Krause opina que quem melhor sobrevive na atividade hoje é o tirador de leite. Entretanto, este tipo de produção deve acabar com o tempo, tendo em vista a resistência à tecnificação. “O pequeno produtor tem a mesma chance que o grande produtor tem, mas falta muita iniciativa em buscar treinamento de mão de obra e melhorar a forma de produzir, por isso é importante se atentar para como melhorar dentro de sua propriedade”, enaltece.

Mesmo que o produtor esteja recebendo menos do que há alguns anos, o presidente da Leite Oeste afirma que há projeção de aumento para o momento, o que reforça o fato de ser viável a produção de leite para aqueles que primam por qualidade e tecnologia em sua propriedade. “O que dita esse preço para nós é a oferta e a demanda e a demanda vai se dar pelo poder aquisitivo médio/alto de quem vai consumir doce de leite, queijo, os produtos industrializados. O leite fluído tem uma oscilação de consumo muito pequena”, menciona.

O que pode melhorar a condição de renda dos produtores hoje, salienta Krause, é o fim da vacina contra febre aftosa, que poderia garantir ao Paraná status de zona livre de febre aftosa sem vacinação – objetivo que os setores público e privado trabalham para conquistar. “Hoje o produtor está recebendo, em média, R$ 1,30, mas já chegamos a receber R$ 1,70, todavia, como trata-se de um alimento, jamais o preço do leite irá disparar”, avalia.

Fonte: O Presente

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Certificação sustenta expansão do mercado brasileiro de leite A2

Instituto de Zootecnia atende algumas das principais empresas do setor e assegura a autenticidade dos produtos antes de chegarem ao consumidor.

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Fotos: Shutterstock

O Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, é referência nacional na certificação de leite A2. O instituto atende algumas das principais marcas brasileiras do segmento, entre elas Letti, Xandô e Fazenda Bela Vista, empresas que estão entre as principais do mercado nacional. A instituição garante que o leite A2 que chega às gôndolas do mercado tenha sido submetido a análises laboratoriais que comprovam suas características.

O instituto garante segurança ao consumidor, agrega credibilidade aos produtos e contribui para o fortalecimento e a expansão desse nicho no país. “A maior parte dos produtos comercializados com essa certificação no país é validada pelo trabalho desenvolvido aqui. Por meio do trabalho do IZ, realizamos análises que comprovam que o leite é efetivamente do tipo A2, para algumas das principais empresas do setor”, comenta o pesquisador Aníbal Vercesi Filho, diretor técnico da Divisão de Genética e Biotecnologia do instituto que é referência em estudos na área.

Benefícios da ingestão e importância da certificação

Foto: Divulgação

O leite A2 tem despertado interesse de consumidores por não conter a proteína beta-caseína A1, diferente do leite convencional, que normalmente apresenta uma combinação desta e outras proteínas. Estudos comprovam que pessoas com sensibilidade à proteína A1 apresentam melhor digestibilidade e menos desconfortos gastrintestinais ao consumir leite A2, preservando as características nutricionais do produto.

Com o consumo do leite A2 ganhando relevância em virtude de sua maior digestibilidade para pessoas sensíveis a proteínas presentes no leite mais comum, a certificação dos produtos realizada pelo IZ torna-se parte essencial do processo, ao garantir que o consumidor esteja consumindo de fato o que procura. “A indústria envia periodicamente amostras dos produtos para análise. No caso do leite, por exemplo, é enviada uma amostra identificada com lote, data de fabricação e todas as informações necessárias para rastreabilidade”, explica Vercesi.

Uma vez que o tipo de leite produzido depende do perfil genético da vaca, o pesquisador conta que o IZ oferece também a certificação dos animais produtores de leite A2. “É possível, por exemplo, analisar o material genético de um animal para verificar se ele possui características associadas à produção de leite A2”, salienta.

Leite A2 fomentando políticas públicas

Foto: Fredox Carvalho

A atuação com o tema começou aos poucos no IZ, mas ganhou corpo e hoje vem atingindo grandes feitos, tendo conquistado a confiança do setor privado e inspirado também políticas públicas. “Um caso muito interessante é o de Novo Horizonte, que implantou um programa de distribuição de leite A2 para creches, hospitais e outras instituições públicas”, comenta o pesquisador.

Atendendo crianças, pacientes em tratamento e pessoas em situação de maior vulnerabilidade, a política pública estruturada pelo município conta com acompanhamento técnico e monitoramento dos resultados. “Atualmente são distribuídos cerca de 10 mil litros de leite A2”, contabiliza Vercesi, acrescentando que cidades vizinhas já começam a se inspirar pelo programa.

Laticínios de búfalas

Além de todo trabalho com o leite A2, outro número chama atenção no IZ. O instituto participa de 100% das certificações de produtos bubalinos no Brasil. “Isso inclui principalmente produtos lácteos, mas também temos tecnologia para certificar carne de búfalo quando necessário”, detalha o especialista.

De acordo com ele, se um produto é comercializado como sendo de búfalo, o Instituto consegue comprovar cientificamente essa informação, garantindo que não haja fraudes, como misturas de matérias-primas de outra origem, por exemplo. O Instituto participa ainda da certificação de novos produtos para entrarem no mercado, como o lançamento recente de leite em pó de búfala.

Também no caso das búfalas, a genética pode ser usada para identificar animais com aspectos produtivos desejados, trazendo mais ganhos ao produtor. “Existe um exame genético que identifica animais com potencial para produzir leite com características mais adequadas para a fabricação de queijos, o que pode refletir em um rendimento até 10% maior”, menciona Vercesi.

Para o pesquisador, sem todo o trabalho de validação realizado pelo IZ o mercado dependeria exclusivamente de certificações privadas, dificultando o acesso ao mercado por parte dos produtores. O Instituto surge como uma alternativa pública, técnica e reconhecida pelo setor. “Nosso papel é gerar conhecimento, desenvolver tecnologia e oferecer ferramentas de certificação que dão segurança ao consumidor e agregam valor aos produtos”, expõe Vercesi.

Instituto de Zootecnia

O Instituto de Zootecnia (IZ) é vinculado à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo responsável por coordenar a pesquisa científica agropecuária paulista.

Com atuação voltada ao desenvolvimento de tecnologias para a produção animal, o instituto realiza pesquisas em áreas como genética e melhoramento animal, biotecnologia, nutrição, manejo de pastagens, qualidade do leite, reprodução e sustentabilidade, contribuindo para o aumento da produtividade, da competitividade e da inovação na pecuária brasileira.

Fonte: Assessoria Instituto de Zootecnia
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O fundo que ajudou a transformar a sanidade animal em patrimônio do Rio Grande do Sul

Referência nacional em gestão compartilhada, o Fundesa-RS completa duas décadas investindo em prevenção, indenizações e ações que garantem a competitividade da proteína animal gaúcha.

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Foto: Fernando Dias

Nos últimos 20 anos, o Fundesa-RS tem sido apontado como modelo de referência nacional em responsabilidade compartilhada, uma vez que é abastecido e gerido pelas entidades que representam produtores e indústrias da proteína animal. O Fundo, através de seus componentes e juntamente com o Serviço Veterinário Oficial, foi peça-chave para o reconhecimento do Rio Grande do Sul como área livre de Peste Suína Clássica e de Febre Aftosa sem Vacinação. O patrimônio sanitário obtido no estado vem contribuindo para a abertura de novos mercados e o reconhecimento da proteína animal gaúcha.

Foto: Divulgação/ACBB

Diante do cenário global de alerta, com o aumento da incidência de doenças infectocontagiosas graves como a Influenza Aviária, a Peste Suína Africana e a Febre Aftosa em diversas partes do mundo, o setor produtivo gaúcho agiu de forma preventiva. Foi por iniciativa das próprias cadeias produtivas – aves, suínos e pecuária de corte e leite – que surgiu a necessidade de fortalecer o fundo.

Após debates dos Conselhos Técnicos Operacionais das cadeias, entidades como Farsul e Fetag, em assembleias com seus associados, definiram a proposta de atualização das taxas de contribuição. As deliberações começaram ainda em 2021 após o reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

O objetivo foi garantir a ampliação dos recursos em caso de focos de doenças no estado. O saldo do

Foto: Shutterstock

Fundesa, de R$ 188,9 milhões (dado de abril/2026), não suportaria um evento de grande monta. Por isso, os integrantes do fundo aprovaram também, em 2024, a adesão a um seguro pecuário contra a febre aftosa, pioneiro e inédito no país.

Uso de recursos

Ao longo dos anos, o Fundesa-RS foi responsável pela completa informatização das Inspetorias de Defesa Agropecuária, pela reforma e revitalização de prédios das unidades no interior, na capacitação de técnicos e aquisição de insumos e equipamentos.

Foto: Shutterstock

Entretanto, um aspecto da atuação do Fundesa é mais visível ao produtor: as indenizações. Só na pecuária leiteira foram mais de R$ 53 milhões ao longo dos 20 anos do Fundo, indenizando produtores pelo sacrifício de animais em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (PNCEBT).

Conforme as regras do Fundo, aprovadas por todas as entidades que compõem o Conselho Técnico Operacional da Pecuária Leiteira, os valores tabelados para as indenizações têm base na idade e na pureza racial do rebanho, podendo chegar a R$ 4.548,00 por cabeça no caso de fêmeas puras de origem com idade entre 25 e 36 meses.

Adicionalmente, o Fundo estabeleceu o pagamento do benefício de “Risco Alimentar”, garantindo aos estabelecimentos submetidos a vazio sanitário uma compensação de 25% sobre o volume médio da sua produção mensal de leite por um período de até seis meses.

Para ter direito à indenização, o produtor precisa estar em dia com as contribuições ao Fundo. No

Foto: Divulgação

setor leiteiro, esse recolhimento é realizado de forma integrada pela indústria que processa o leite e, a partir de 2026, também pela existência de animais após a Declaração Anual de Rebanho. Também é necessária a apresentação de laudo oficial emitido por técnico da Secretaria da Agricultura.

Transparência

O Fundesa-RS é reconhecido nacional e internacionalmente pela transparência absoluta na gestão dos valores e rigor na prestação de contas. A responsabilidade na aplicação dos recursos é comprovada pela apresentação trimestral de contas às entidades representativas, aos órgãos de controle e à Assembleia Legislativa.

A atualização dos valores, instituída pela Lei 16.428/2025, representa um investimento prudente do próprio setor produtivo para proteger o seu maior ativo: a sanidade do rebanho. Enquanto o mundo enfrenta desafios sanitários crescentes, o Rio Grande do Sul reafirma, através da união de seus produtores, que a segurança do setor produtivo é prioridade máxima e está acima de qualquer conjuntura temporária.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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Nova raça desmama bezerros com 292 kg a pasto e mira mercado de carne premium

Cruzamento entre Senepol e Angus já supera o Nelore em 1,5 arroba na desmama. Projeto prevê produzir até 120 touros por ano.

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Foto: Divulgação

A busca por animais que combinem eficiência produtiva, adaptação às condições tropicais e elevado padrão de qualidade da carne tem impulsionado novos programas de melhoramento genético na pecuária de corte. No Paraná, o pecuarista Diogo Bianchi, de Luiziana, aposta nesse conceito ao desenvolver um trabalho de seleção da raça Senangus, resultado do cruzamento entre Senepol e Angus, com foco em atender tanto às demandas dos sistemas de produção quanto do mercado de carne premium.

À frente da Senangus Criação de Bovinos, Bianchi estruturou o projeto a partir da experiência acumulada com biotecnologias reprodutivas e da atuação em sistemas intensivos de produção. Segundo ele, a vivência prática mostrou que ainda havia espaço para desenvolver um animal capaz de reunir maior precocidade, qualidade de carne e adaptação às condições brasileiras.

A percepção surgiu durante o trabalho com rebanhos Nelore, quando identificou oportunidades de incorporar características voltadas ao desempenho de carcaça e à valorização da carne sem abrir mão da eficiência produtiva.

Foi nesse contexto que passou a investir no Senangus, raça recentemente homologada pelo Ministério da Agricultura por meio da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol). A proposta é reunir, em um único animal, a rusticidade, fertilidade, habilidade materna e adaptação ao clima tropical do Senepol, desenvolvido nas Ilhas Virgens Americanas, com o elevado marmoreio e a qualidade de carne característicos do Angus. “Cada raça tem suas particularidades. Quando reunimos o melhor das duas, conseguimos um animal moderno e eficiente para o cruzamento industrial, com potencial para oferecer carne premium e capacidade de adaptação”, afirma Bianchi.

Projeto começou em 2019

Os primeiros passos do projeto foram dados em 2019, quando Diogo Bianchi realizou inseminações em vacas Senepol para avaliar o potencial do cruzamento. O desempenho dos primeiros animais foi determinante para ampliar os investimentos na nova genética.

Segundo o pecuarista, os bovinos apresentaram elevada rusticidade, adaptação ao pastejo e bom desempenho reprodutivo, características que chamaram atenção quando comparadas a outros sistemas já utilizados na propriedade. “Fiquei impressionado com a rusticidade, principalmente. Eles acompanhavam a vacada Nelore, subiam morro e se mantinham altamente produtivos”, aponta.

Além dos resultados obtidos a campo, a estratégia também levou em conta a demanda do mercado. A preferência por bovinos de pelagem preta, valorizados em diferentes segmentos da pecuária de corte e no mercado de exportação de animais vivos, reforçou a decisão de incorporar a genética Angus ao programa de seleção. Sem abrir mão da adaptação ao clima tropical, o objetivo passou a ser reunir atributos como ganho de peso, rendimento de carcaça e qualidade da carne em um mesmo animal.

Bezerros desmamam com até 292 quilos apenas a pasto

Com a ampliação do uso de biotecnologias reprodutivas, o projeto ganhou escala. Em 2024, foram transferidos 125 embriões Senangus, formando uma geração que confirmou o potencial observado nos primeiros cruzamentos.

Na desmama, os bezerros alcançaram média de 292 quilos aos 6,5 meses de idade, criados exclusivamente a pasto. De acordo com Bianchi, o desempenho superou o observado em animais Nelore criados nas mesmas condições. “O Senangus bateu 1,5 arroba a mais que o Nelore nessa fase”, destaca.

Atualmente, o programa de seleção trabalha com duas composições genéticas. Uma delas reúne aproximadamente 75% de sangue Angus, voltada para sistemas que priorizam qualidade de carne. A outra concentra cerca de 75% de genética Senepol, direcionada à produção de touros para cobertura a campo, especialmente em rebanhos zebuínos de regiões com maior desafio ambiental, como Norte e Nordeste.

As fêmeas Senangus também terão papel estratégico na formação de rebanhos puros, contribuindo para a expansão da raça em condições tropicais. O projeto ainda mira outra tendência da pecuária mundial: o cruzamento entre bovinos de corte e rebanhos leiteiros, conhecido como beef on dairy. Segundo Bianchi, a proposta é ampliar o uso da genética em propriedades leiteiras interessadas em agregar valor aos bezerros machos e às fêmeas descartadas. “Estamos criando uma solução que atende desde o pecuarista de corte até o produtor de leite que busca agregar valor à produção”, ressalta.

Estrutura do projeto

A estrutura operacional é versátil, utilizando arrendamento e parcerias. A iniciativa “Parceria entre Amigos”, criada por Bianchi, em parceria com criadores como Mário Aluísio Zafanelli, da Fazenda São Francisco, de Alto Paraíso (PR), permite a disseminação da genética.

O projeto é conduzido em área arrendada, onde também são desenvolvidas outras frentes como o Nelore Bianchi, voltado à sucessão familiar. Paralelamente, presta serviços reprodutivos, principalmente IATF e transferência de embriões. “Em até 10 anos, a meta é alcançar um plantel de 200 matrizes Senangus e uma produção anual entre 100 e 120 touros, consolidando a raça como alternativa viável e competitiva no cenário nacional”, prevê o proprietário da Senangus.

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