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Produtores de leite alertam para colapso do setor sem medidas contra produto importado
Gadolando considera insuficientes medidas do governo federal contra leite de fora.

De cada 10 produtores de leite do Rio Grande do Sul, sete deixaram a atividade nos últimos 10 anos. Houve um decréscimo de 100 mil para 30 mil produtores no período. Os dados da Emater/RS e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag/RS), e comprovados por meio de notas fiscais junto à indústria, foram destacados pelo presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, durante entrevista coletiva, no último domingo (27), no pavilhão do Gado Leiteiro, durante a 46ª Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS).
O dirigente ressaltou a defasagem de preço entre o custo do leite para o produtor e o que é pago pela indústria. O custo para o produtor soma mais de R$ 2,25 o litro, enquanto que a indústria paga 2,17 ao produtor. Tang destacou que as medidas anunciadas pelo governo federal contra o leite importado são ineficazes, porque vão ao encontro apenas de subprodutos derivados do leite e de baixo consumo junto à população. A principal reivindicação do setor diz respeito a medidas protetivas contra a importação, principalmente de leite em pó, queijo mussarela e leite de caixinha UHT.
O presidente da Gadolando destacou a necessidade urgente de redução dos custos de produção do leite, além de um mecanismo que limite a importação do produto. “Nós estamos correndo o risco até de soberania, por se tratar de um produto básico. Ok, agora ficou fácil importar, mas amanhã ou depois, com produtores locais quebrados, se os países deixarem de exportar leite para cá ficaremos na mão”, projetou.
Marcos Tang também questionou se as questões ambientais e sanitárias estão sendo adequadamente fiscalizadas para este volume todo de leite importado, já que a quantidade produzida é incompatível com o tamanho destas áreas nos países do Prata. No final da coletiva, foi hasteado no centro do pavilhão do Gado Leiteiro uma faixa preta de protesto com os dizeres: “Estão Matando os Produtores de Leite. Será Difícil Recuperar o Setor”.

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Nova regra da União Europeia exige rastreabilidade digital de produtos do agro brasileiro
Regulamento que entra em vigor no fim do ano obriga exportadores a comprovar, com dados georreferenciados, que produtos não têm origem em áreas desmatadas.

A entrada em vigor do Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), prevista para 30 de dezembro deste ano para grandes operadores, deve ampliar as exigências sobre a rastreabilidade de produtos agropecuários exportados pelo Brasil. A norma determina que empresas comprovem, por meio de informações georreferenciadas, que commodities como soja e carne bovina não são provenientes de áreas desmatadas.
A mudança ocorre em um momento de forte presença do agronegócio brasileiro no mercado internacional. Em 2025, o setor registrou exportações recordes de US$ 169,2 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A União Europeia permanece como o segundo principal destino dos produtos brasileiros.

Fotos: Shutterstock
Segundo Diogo Bochnia Zuliani, professor do curso de Agronegócio da EAD UniCesumar, cadeias como as de soja e carne bovina serão as mais impactadas pelas novas exigências, devido ao grande número de fornecedores e intermediários envolvidos na comercialização.
“Exportadores de commodities como carne bovina e soja precisarão apresentar provas técnicas e georreferenciadas de origem. Como essas cadeias possuem múltiplos intermediários, a ausência de um sistema robusto de rastreabilidade pode levar o produto a ser classificado como de risco, reduzindo sua competitividade ou até impedindo o acesso ao mercado europeu”, ressalta.
Fiscalização passa a ser baseada em dados georreferenciados
Até agora, a comprovação da origem dos produtos era feita principalmente por meio de documentos como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), notas fiscais e auditorias documentais. Com o EUDR, a verificação passa a incorporar informações digitais capazes de acompanhar toda a trajetória do produto. “Na prática, cruza-se a geolocalização da fazenda com imagens de satélite e mapas de cobertura florestal. A carga precisa manter um vínculo documental e digital ininterrupto com a origem, passando por armazéns, frigoríficos, transporte e portos”, explica Zuliani.
Desafio varia conforme o perfil do produtor

Na avaliação do especialista, grandes empresas já vêm investindo em sistemas de rastreabilidade e monitoramento. Para pequenos produtores, entretanto, a adaptação dependerá do apoio de cooperativas, assistência técnica e da organização das informações necessárias para comprovar a origem da produção. “O papel mais estratégico da tecnologia é proteger quem produz corretamente. Ela separa o produtor regular daquele que contamina a cadeia com produtos de origem duvidosa”, pontua.
Brasil reúne condições para ampliar o monitoramento
A adoção de tecnologias de monitoramento em larga escala pode facilitar o atendimento às novas exigências. Em maio de 2026, um estudo conduzido por universidades norte-americanas com a ferramenta Fields of the World mostrou que sistemas de inteligência artificial identificaram corretamente 97% das áreas de produção agrícola brasileiras a partir de dados espaciais, indicando a viabilidade técnica desse tipo de monitoramento no país.
Para Zuliani, a integração de informações ambientais e de rastreabilidade pode fortalecer a posição do Brasil no comércio internacional. “A garantia de origem transforma sustentabilidade em evidência verificável. Se o país utilizar a integração de dados e o monitoramento ambiental como estratégia nacional, demonstrará que produz em escala com segurança jurídica e responsabilidade ambiental. Essa conformidade deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e pode se tornar um diferencial competitivo no mercado internacional”, afirma.
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El Niño pode impulsionar produtividade agrícola no Sul do Brasil, aponta estudo
Fenômeno tende a aumentar as chuvas na região Sul, enquanto eleva o risco de estiagem no Centro-Oeste e pode pressionar os preços de alimentos in natura.

A formação de um El Niño nos próximos meses, com possibilidade de atingir intensidade forte a muito forte, deve favorecer a produtividade das safras de soja e milho no Sul do Brasil durante a temporada 2026/27. O aumento das chuvas na região, previsto para o ciclo de verão, historicamente está associado a melhores rendimentos das lavouras. A avaliação consta de um estudo elaborado pelo Santander.

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN-PR
A análise cruzou dados de produtividade agrícola desde 1962 com o Índice Oceânico Niño (ONI), indicador que mede a intensidade do fenômeno no Oceano Pacífico. Os resultados mostram que episódios de El Niño costumam elevar o volume de chuvas no Sul justamente no período mais importante para o desenvolvimento das culturas de verão, refletindo em produtividades de soja e milho acima da tendência histórica. O comportamento também foi observado em eventos de grande intensidade, como o registrado em 2015/16.
O levantamento destaca, no entanto, que os efeitos do El Niño variam entre as regiões produtoras. Enquanto o Sul tende a ser beneficiado pelo aumento das precipitações, áreas do Centro-Oeste podem enfrentar condições mais secas, ampliando a variabilidade climática ao longo da safra. “O mesmo evento climático pode ao mesmo tempo beneficiar produtores do Sul do Brasil e pressionar o Centro-Oeste, onde as condições tendem a ficar mais secas. O que o El Niño realmente eleva é a volatilidade, e é justamente aí que uma leitura mais precisa do cenário se torna mais relevante”, afirma o economista e autor do estudo, Adriano Valladão.

Foto: Divulgação
Além dos impactos sobre a produção agrícola, o estudo avalia possíveis reflexos sobre a inflação dos alimentos. A maior pressão deve ocorrer sobre frutas, verduras e legumes, produtos mais sensíveis às oscilações climáticas de curto prazo. Já os alimentos industrializados e semiprocessados tendem a apresentar comportamento semelhante ao observado em períodos de neutralidade climática.
Segundo as projeções, a inflação dos alimentos consumidos nos domicílios deve atingir o pico em fevereiro de 2027, cerca de cinco pontos percentuais acima do nível projetado para agosto de 2026, com impacto estimado de 0,75 ponto percentual no IPCA. A expectativa é de desaceleração gradual ao longo de 2027 e 2028.
O estudo ressalta ainda que o cenário-base já incorpora parte desses efeitos climáticos, de modo que as principais incertezas estão relacionadas à intensidade e à duração do El Niño, fatores que poderão determinar a magnitude dos impactos sobre a produção agrícola e os preços dos alimentos.
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Governo libera R$ 24,4 milhões para fortalecer cooperativas da agricultura familiar no Rio Grande do Sul
Recursos beneficiarão 24 cooperativas com investimentos em agroindustrialização, ampliação da produção e comercialização de alimentos.

O governo do Rio Grande do Sul formalizou, nesta quinta-feira (02), a assinatura de 24 contratos do Programa de Apoio à Agricultura Familiar e Camponesa. A iniciativa destina R$ 24,4 milhões para investimentos em cooperativas de diferentes regiões do Estado, com foco na ampliação da produção, na agroindustrialização, na comercialização de alimentos e na geração de renda no meio rural.
Os financiamentos são realizados com recursos do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper), por meio do Badesul, com aporte do Fundo Social do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), conforme o Decreto Estadual nº 58.833/2026. O programa prevê subsídio de 100% sobre os financiamentos, permitindo que as cooperativas realizem os investimentos sem custos financeiros.
Os recursos serão aplicados na ampliação da capacidade produtiva, na agregação de valor aos produtos, no fortalecimento das cadeias produtivas e na melhoria da comercialização. A iniciativa beneficia agricultores familiares, assentados da reforma agrária e comunidades tradicionais, fortalecendo a economia regional e a produção de alimentos no Estado.
Durante a cerimônia, o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, afirmou que a liberação dos contratos foi antecipada para garantir a execução dos investimentos ainda neste ano, antes do período de restrições eleitorais. “O Rio Grande do Sul nunca investiu tanto no desenvolvimento rural. Esses recursos fortalecem as cooperativas, ampliam as oportunidades para a agricultura familiar e se somam a outras iniciativas voltadas ao aumento da produção e da renda no campo”, destacou.
O presidente em exercício e diretor de Operações do Badesul, Flávio Lammel, destacou que os investimentos contribuirão para agregar valor à produção e fortalecer a estrutura das propriedades rurais. “Nosso papel é apoiar projetos que ampliem a competitividade da agricultura familiar e promovam o desenvolvimento regional”, disse.
Representando o BNDES, a chefe do Departamento de Inclusão Produtiva e Educação, Celina Rangel Tura, afirmou que os recursos integram as ações voltadas à recuperação econômica do Rio Grande do Sul. “Essa entrega representa mais um esforço conjunto para apoiar a reconstrução do Estado e fortalecer um programa estratégico para a agricultura familiar”, afirmou.
As 24 cooperativas contempladas atuam em diferentes cadeias produtivas e estão distribuídas em diversas regiões do Rio Grande do Sul, reforçando o papel da agricultura familiar no abastecimento de alimentos e no desenvolvimento econômico local.



