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Produtores de Goiás mudam manejo da soja após perda de eficiência dos sistemas convencionais

Projeto Regenera Cerrado une ciência e práticas de campo para recuperar solo, reduzir dependência química e buscar estabilidade produtiva em meio aos desafios climáticos.

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Foto: RRRufino

A agricultura regenerativa deixou de ser apenas um conceito experimental para ganhar espaço em propriedades comerciais do Cerrado brasileiro. No Sudoeste de Goiás, produtores de soja e milho passaram a rever modelos tradicionais de manejo após enfrentarem aumento de doenças, perda de eficiência agronômica e instabilidade produtiva em áreas dependentes de uso intensivo de insumos químicos.

O movimento ocorre dentro do projeto Regenera Cerrado, iniciativa que reúne produtores rurais, pesquisadores e instituições técnicas em torno da validação científica de práticas voltadas à recuperação da saúde do solo e à construção de sistemas produtivos mais resilientes.

A proposta combina indicadores agronômicos, análise de solo, práticas regenerativas e acompanhamento técnico em áreas comerciais de produção. A coordenação técnico-científica é da Embrapa, com execução operacional do Instituto BioSistêmico (IBS).

Mudança começou após desgaste do sistema produtivo

Produtor rural Cláudio Augusto Alves Leão Póvoa: “Chegou um momento em que percebemos que repetir o mesmo manejo não resolvia mais os problemas” – Foto: Divulgação

Para o produtor rural Cláudio Augusto Alves Leão Póvoa, a mudança de percepção ocorreu quando o modelo convencional deixou de responder da forma esperada no campo. “Chegou um momento em que percebemos que repetir o mesmo manejo não resolvia mais os problemas. As doenças aumentavam e a produtividade ficava instável. Foi quando buscamos novas alternativas e começamos a repensar todo o sistema de cultivo”, afirma.

Segundo ele, o projeto trouxe respaldo técnico para percepções que já vinham sendo observadas na prática. “O Regenera Cerrado apresentou respostas científicas para aquilo que a gente já vinha percebendo no dia a dia. Isso nos dá mais confiança para continuar evoluindo no manejo”, relata.

A principal mudança, segundo o produtor, ocorreu na forma de enxergar o solo dentro do sistema produtivo. “Passei a enxergar o solo como um organismo vivo. A partir disso, todas as decisões passaram a considerar os impactos de longo prazo, não apenas o resultado imediato”, ressalta.

Solo, clima e estabilidade produtiva

A agricultura regenerativa reúne práticas como uso de plantas de cobertura, rotação de culturas, incremento de matéria orgânica, redução de revolvimento do solo e integração biológica dos sistemas produtivos. O objetivo é melhorar a estrutura física, química e biológica do solo, aumentando a capacidade de retenção de água e reduzindo a vulnerabilidade climática.

Produtor rural Charles Peeters: “Na minha propriedade já existe uma estrutura de sistema produtivo mais equilibrado, pois resolvemos implementar opções de manejo mais sustentáveis. No entanto, quero entender os motivos e saber como é possível continuar evoluindo com as práticas regenerativas” – Foto: Divulgação

No Cerrado, onde períodos prolongados de estiagem e altas temperaturas afetam diretamente a produtividade das lavouras, produtores passaram a associar essas práticas à busca por maior estabilidade econômica.

O produtor rural Charles Peeters afirma que decidiu aderir ao projeto após acompanhar resultados obtidos por outros agricultores da região. “Na minha propriedade já existe uma estrutura de sistema produtivo mais equilibrado, pois resolvemos implementar opções de manejo mais sustentáveis. No entanto, quero entender os motivos e saber como é possível continuar evoluindo com as práticas regenerativas”, explica.

Na propriedade, o manejo inclui consórcios com braquiária, plantas de cobertura e aumento do aporte de matéria orgânica no solo. Segundo Peeters, a meta é construir um sistema menos dependente das oscilações climáticas. “Em outras palavras, o objetivo é consolidar um ambiente que se mantenha produzindo bem, independentemente da condição climática”, afirma.

Viabilidade econômica entra no centro da discussão

Apesar do avanço das práticas regenerativas, produtores afirmam que a adoção dessas tecnologias depende diretamente da capacidade de manter rentabilidade no campo. O debate sobre sustentabilidade, segundo eles, não pode ser dissociado da viabilidade econômica das propriedades.

Foto: Divulgação

Peeters destaca que a agricultura regenerativa precisa entregar resultado agronômico e financeiro ao mesmo tempo. “Vale reforçar que a sustentabilidade também passa pela rentabilidade. Portanto, é preciso produzir bem, gastar melhor e garantir a continuidade do negócio”, salienta.

A busca por sistemas mais eficientes ocorre em um momento de aumento da pressão sobre custos de produção, volatilidade climática e necessidade crescente de atender critérios ligados à sustentabilidade e rastreabilidade exigidos por mercados consumidores e cadeias globais do agronegócio.

Dentro desse cenário, projetos como o Regenera Cerrado tentam aproximar ciência e realidade produtiva, transformando práticas regenerativas em ferramentas aplicáveis em larga escala nas principais regiões agrícolas do país.

Como é feita a seleção das propriedades?

Foto: Shutterstock

As propriedades rurais selecionadas para participar do Regenera Cerrado são disponibilizadas como áreas de pesquisa de campo pelas instituições envolvidas, funcionando como verdadeiros laboratórios a céu aberto.

Para integrar o projeto, é fundamental que o produtor demonstre comprometimento com a iniciativa e disponibilidade de área para a aplicação dos protocolos metodológicos definidos pelos pesquisadores, sem comprometer de forma significativa a rotina produtiva da fazenda.

Sobre o Projeto Regenera Cerrado

Idealizado pelo Instituto Fórum do Futuro em 2022, o Regenera Cerrado tem como propósito disseminar práticas de agricultura regenerativa validadas cientificamente, oferecendo um modelo escalável de produção de soja e milho para o Brasil e o mundo.

Foto: Divulgação/OPR

Na segunda fase de trabalho, o projeto segue com o patrocínio da Cargill, conta com a coordenação técnico-científica da Embrapa e execução operacional do Instituto BioSistêmico (IBS), além da parceria de sete instituições nacionais e 8 fazendas localizadas na região de Rio Verde, no sudoeste goiano.

As instituições parceiras são: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), Grupo Associado de Pesquisa do Sudoeste Goiano (GAPES), Instituto Federal Goiano, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de Brasília (UnB).

Fonte: Assessoria Instituto Fórum do Futuro

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Regulamentação dos defensivos ganha força no agro

Representantes do setor defendem regras claras para acelerar registros e ampliar a segurança jurídica.

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A regulamentação da Lei dos Defensivos Agrícolas e os desafios para sua implementação foram tema de audiência pública realizada na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal. O debate, promovido por requerimento do senador Jaime Bagattoli (PL-RO), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, discutiu a aplicação da Lei nº 14.785/2023, alterada pela Lei nº 15.070/2024, que estabelece novas regras para pesquisa, registro, produção, comercialização e fiscalização de defensivos agrícolas no Brasil.

Deputado Rafael Simões: “Não é possível sermos competitivos enquanto levamos oito anos para aprovar uma molécula que já foi aprovada e utilizada em outros países. Precisamos que os órgãos caminhem juntos para garantir eficiência e segurança jurídica ao produtor rural.”

Durante a audiência, Bagattoli afirmou que a legislação busca tornar o processo regulatório mais eficiente, reduzindo a burocracia e ampliando a segurança jurídica, sem alterar os critérios de proteção à saúde e ao meio ambiente. O senador também manifestou preocupação com a demora na regulamentação da norma e defendeu que o processo de registro de novos insumos seja mais ágil.

Representando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ana Lígia Aranha Lenat destacou que a lei trouxe maior previsibilidade ao setor ao estabelecer critérios técnicos mais modernos para o registro de defensivos agrícolas e bioinsumos. Segundo ela, a regulamentação é importante para evitar interpretações divergentes que possam afetar a competitividade da agropecuária.

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Goulart, afirmou que o novo marco legal torna o sistema mais eficiente sem reduzir as exigências relacionadas à saúde e ao meio ambiente. Ele informou que o Brasil leva, em média, cerca de sete anos para aprovar novas moléculas, enquanto em outros países esse processo dura aproximadamente quatro anos.

A gerente-geral de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Cássia de Fátima Rangel Fernandes, também defendeu a regulamentação da lei. Segundo ela, a medida deve reduzir divergências entre os órgãos responsáveis, aumentar a previsibilidade do processo e garantir maior segurança jurídica. A representante informou ainda que a Anvisa vem reduzindo o número de análises pendentes.

Representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Grilli Felizardo afirmou que a regulamentação é necessária para garantir estabilidade regulatória, previsibilidade aos investimentos e maior integração entre os órgãos responsáveis pelo processo.

O deputado Rafael Simões (União-MG), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária, também participou da audiência. Produtor rural, ele defendeu a regulamentação da lei e afirmou que a demora na aprovação de novas moléculas pode reduzir a competitividade do Brasil em relação a outros países.

Fonte: Assessoria FPA
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Trigo disponível no mercado segue valorizado

De acordo com o Cepea, vendedores com estoques mantêm preços mais altos, especialmente em São Paulo, enquanto compradores priorizam a nova safra.

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Foto: Luiz Magnante

A oferta restrita de trigo continua sustentando as cotações no mercado spot brasileiro. De acordo com pesquisadores do Cepea, a liquidez permanece baixa nesta época do ano, com poucas negociações no mercado.

Segundo o Cepea, as indústrias moageiras estão abastecidas e, por isso, não demonstram necessidade de comprar grandes volumes no curto prazo. A prioridade tem sido a negociação de lotes da nova safra, com entrega prevista entre setembro e outubro de 2026.

Ainda conforme o Cepea, os produtores e vendedores que mantêm estoques, especialmente no estado de São Paulo, onde a disponibilidade do cereal é mais limitada, seguem ofertando o trigo a preços mais elevados, o que mantém as cotações sustentadas no mercado paulista.

Fonte: Assessoria Cepea
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Superávit da balança comercial alcança US$ 2,27 bilhões na primeira semana de julho

Resultado foi impulsionado pelo crescimento de 40,6% das exportações na comparação com o mesmo período de 2025.

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Fotos: Cláudio Neves

Na primeira semana de julho de 2026, comparada a julho do ano de 2025, as exportações cresceram 40,6% e somaram US$ 5,89 bilhões. As importações cresceram 10,4% e totalizaram US$ 3,62 bilhões. Assim, a balança comercial registrou superávit de US$ 2,27 bilhões, com crescimento de 149,0%, e a corrente de comércio aumentou 27,3%, alcançando US$ 9,51 bilhões.

Foto: Claudio Neves

No acumulado entre janeiro até a primeira semana de julho deste ano, em comparação a janeiro/julho de 2025, as exportações cresceram 11,8% e somaram US$ 190,66 bilhões. As importações cresceram 5,4% e totalizaram US$ 146,03 bilhões. Como consequência destes resultados, a balança comercial apresentou superávit de US$ 44,63 bilhões , com crescimento de 39,2%, e a corrente de comércio registrou aumento de 8,9%, atingindo US$ 336,70 bilhões.

Até a primeira semana de julho, o desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de 1,5% em agropecuária, que somou US$ 0,95 bilhões; crescimento de 81,7% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 1,76 bilhões e, por fim, crescimento de 39,4% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 3,17 bilhões. A combinação destes resultados levou o aumento do total das exportações.

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Fonte: Agência Gov
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