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Produtores conhecem mais sobre os 25 da Lar Cooperativa na avicultura

No dia 09 de setembro de 2024, a Lar comemora 25 anos de atuação no setor avícola. Neste período, muitos foram os desafios superados e tantas outras conquistas celebradas, refletindo a resiliência e a capacidade de adaptação da cooperativa. Com uma visão voltada para o futuro, a Lar continua a buscar inovação e excelência em todas as suas atividades, garantindo seu papel de destaque no agronegócio brasileiro e mundial.

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Presidente da Lar Cooperativa, Irineo da Costa Rodrigues: "Foram investidos um total de R$ 1,08 bilhão entre 2020 e 2023 para expandir a capacidade de abate diário das quatro plantas indústrias de 691 mil para 1,1 milhão de aves/dia" - Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

“A avicultura tem uma importância enorme para o nosso país, sobretudo para o estado do Paraná, e é ainda mais importante para a nossa região, por ser geradora de empregos e renda”, exalta o presidente da Lar Cooperativa, Irineo da Costa Rodrigues na abertura da sua palestra sobre as duas décadas e meia da avicultura da Lar durante o Congresso de Avicultores e Suinocultores O Presente Rural, realizado de forma híbrida em meados de junho.

No dia 09 de setembro de 2024, a Lar comemora 25 anos de atuação no setor avícola. Neste período, muitos foram os desafios superados e tantas outras conquistas celebradas, refletindo a resiliência e a capacidade de adaptação da cooperativa. Com uma visão voltada para o futuro, a Lar continua a buscar inovação e excelência em todas as suas atividades, garantindo seu papel de destaque no agronegócio brasileiro e mundial.

Presidente da Lar Cooperativa, Irineo da Costa Rodrigues: “O que nós queremos é ter uma cooperativa que funcione bem”

Ao longo dessas últimas duas décadas, Rodrigues salienta que a cooperativa alcançou importantes marcos dentro da atividade, que a posicionaram entre as maiores empresas agropecuárias da América Latina, entre eles a construção da Unidade Produtora de Pintainhos, eliminando a dependência do mercado para aquisição de pintos de um dia; a separação e ampliação da Unidade Produtora de Recria; a construção e modernização dos incubatórios, com adoção de tecnologias de ponta; o desenvolvimento de parcerias de intercooperação com a Copagril e, mais recentemente, com a Primato; a implantação do segundo turno de produção na Unidade Industrial de Aves (UIA); a introdução de uma segunda linha de abate na UIA; o início das operações aos sábados e domingos, aumentando a capacidade produtiva; a aquisição de três novas unidades industriais de aves; a otimização das plantas de abate, permitindo o processamento de até 1,1 milhão de aves por dia; e o desenvolvimento e expansão da linha de produtos industrializados, incluindo a instalação de uma fábrica de linguiças. “Esses marcos foram fundamentais para o crescimento e a consolidação da indústria avícola da Lar Cooperativa, com foco na inovação e na melhoria contínua dos processos produtivos”, pontua Rodrigues.

A Lar Cooperativa, que completou 60 anos de existência em 19 de março de 2024, é a cooperativa singular que mais emprega no país, com um total de 23.535 mil funcionários, dos quais 19.238 mil atuam na avicultura. Além disso, a cooperativa conta com 13.787 mil associados, reafirmando sua posição como a 2ª maior cooperativa do Paraná e a 3ª maior empresa de abate de aves no Brasil.

Fotos: Divulgação/Lar/Arquivo OPR

A diversificação de atividades é um dos pilares da Lar Cooperativa, que atua na produção de grãos, aves, suínos, leite e ovos. A cooperativa também possui operações no Paraguai há 28 anos e na produção de sementes em Santa Catarina e no Mato Grosso, onde está presente há 22 anos. Com 60 unidades de recebimento de grãos, a Lar registrou um total de 6,7 milhões de toneladas de grãos recebidas em 2023. Além disso, a cooperativa conta com 36 unidades de atendimento ao produtor, garantindo suporte e infraestrutura para seus associados. “O que nós queremos é ter uma cooperativa que funcione bem, que atenda bem o seu associado e que seja um local de trabalho adequado para o nosso quadro de funcionários. Também temos interesse pela comunidade e queremos, junto com as outras cooperativas, construir uma região cada vez melhor e mais próspera”, salienta Rodrigues.

No ano passado, a Lar Cooperativa alcançou uma receita líquida de R$ 21,79 bilhões. Para 2024, a previsão é de R$ 21,50 bilhões, devido à queda na produção de grãos causada por condições climáticas adversas.

Expansão da atividade

Com 2.815 aviários localizados nas regiões Oeste e Norte do Paraná, a Lar conta com 1.337 produtores integrados, abrangendo 81 municípios. A unidade de recria de aves da cooperativa possui capacidade instalada de 2,5 milhões de matrizes por ano, distribuídas em 17 núcleos integrados.

Entre 2020 e 2023, a Lar investiu R$ 114 milhões na instalação de nove núcleos, adicionando capacidade para 1,5 milhão de matrizes por ano. Além disso, a integração de ovos férteis inclui 17 núcleos com capacidade de 1,1 milhão de aves/ano e mais 13 núcleos próprios da cooperativa.

Em Guaíra, os associados da Lar investiram em oito núcleos com capacidade de produção de 92,75 milhões de ovos por ano. Outros núcleos estão localizados em Itaipulândia (três núcleos, 72 milhões de ovos/ano), Matelândia (dois núcleos, 36 milhões de ovos/ano) e São Miguel do Iguaçu (quatro núcleos, 72 milhões de ovos/ano), permitindo à cooperativa que 95% da produção de ovos férteis seja própria. “Nestes núcleos nossos associados investiram cerca de R$ 300 milhões”, frisou Rodrigues.

Para ampliar a capacidade de incubação, a Lar investiu R$ 65 milhões em Santa Helena, aumentando a capacidade para 16 milhões de ovos por mês. Em Itaipulândia, foram investidos R$ 80 milhões, elevando a capacidade para 20,1 milhões de ovos por mês. “Com esses investimentos, a capacidade total de incubação da Lar é de 36,1 milhões de ovos férteis por mês, ou um milhão de ovos por dia, suficientes para a produção de pintainhos necessários para o abate de 1,1 milhão de aves por dia”, evidencia.

Na industrialização e produção de ração, nos últimos três anos, a Lar investiu R$ 416,3 milhões para aumentar a capacidade para 115 mil toneladas por mês. Com sete indústrias, a capacidade total de produção de ração é de 260 mil toneladas/mês. “Para essa produção, são necessários 28,8 milhões de sacas de milho e 555 mil toneladas de farelo de soja por ano, resultando na entrega de 165 mil cargas de ração por ano, totalizando 2,5 milhões de toneladas de ração anualmente”, detalha o presidente da Lar.

Investimento em expansão e modernização

Entre 2020 e 2023, a Lar Cooperativa realizou investimentos significativos para ampliar sua capacidade de abate de aves. Foram aplicados R$ 290 milhões na Unidade Industrial de Aves em Matelândia, elevando o abate diário de 332 mil para 500 mil aves, operando sete dias por semana. Em Cascavel, um investimento de R$ 104,7 milhões aumentou a capacidade de abate diário de 150 mil para 225 mil aves, também operando todos os dias da semana.

Na Unidade Industrial de Aves em Rolândia, foram investidos R$ 298,5 milhões para elevar o abate diário de 163 mil para 195 mil aves, funcionando seis dias por semana. Já em Marechal Cândido Rondon, um aporte de R$ 387 milhões aumentou o abate diário de 161 mil para 195 mil aves, também com operação de seis dias por semana. “Foram investidos um total de R$ 1,08 bilhão entre 2020 e 2023 para expandir a capacidade de abate diário das quatro plantas indústrias de 691 mil para 1,1 milhão de aves/dia”, detalha.

Além dos investimentos em abate, a Lar também ampliou e renovou sua frota de caminhões. De 2021 até maio de 2024, foram investidos R$ 120 milhões na aquisição de 277 veículos. Segundo o presidente da Lar Cooperativa, de 2016 a 2023 a cooperativa investiu um total de R$ 2,48 bilhões em recria de aves, incubatórios, indústrias de rações, aquisições de unidades industriais avícolas, ampliações de abate e renovação de frota.

A cadeia produtiva da Lar envolve um capital de giro de R$ 1,3 bilhão por mês para aquisição de grãos. O custo operacional diário das quatro unidades industriais é de R$ 4 milhões, refletindo a magnitude e a eficiência da operação da cooperativa.

Dimensão atual

Atualmente, são processadas 1,1 milhão de aves por dia, totalizando 29,5 milhões de aves por mês. Isso gera 74 mil toneladas de produto acabado e mais 3,5 mil toneladas de industrializados por mês. Desse volume, 63% fica no mercado interno e 37% é exportado. Em termos de faturamento, 55% vêm do mercado interno e 45% do mercado externo.

Os principais destinos da produção da Lar no Brasil são Rio de Janeiro (19,54%), São Paulo (14,19%), Paraná (15,44%), Santa Catarina (14,74%) e Rio Grande do Sul (11,65%), totalizando 75,55% do volume de vendas. Os outros 24,45% são destinados aos demais estados brasileiros. No mercado externo, os principais destinos são China, União Europeia, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Coreia do Sul, México, África do Sul, Japão, Reino Unido e Singapura. Com habilitação para exportar para 151 países, já embarca seus produtos para mais de 90 países.

Investimentos até 2026

Até 2026, Rodrigues adianta que estão previstos novos investimentos. Para os integrados no Oeste do Paraná, serão quatro núcleos para recria de aves com capacidade para 130 mil matrizes/galos, com um investimento de R$ 75 milhões, e 4 núcleos para ovos férteis com a mesma capacidade, com um investimento de R$ 100 milhões, totalizando R$ 275 milhões.

No Oeste do Paraná, a Lar também planeja a ampliação da capacidade de congelamento na Unidade Industrial de Aves em Marechal Cândido Rondon, a conclusão da subestação de energia da Unidade Industrial de Aves em Cascavel, tratamento de efluentes e reuso da água nestas mesmas unidades; além de uma unidade premix para atender fábricas de rações e automação de processos nas indústrias.

No Norte do Paraná, haverá a instalação de um incubatório com capacidade de oito milhões de ovos, totalizando um investimento de R$ 390 milhões. Além disso, Rodrigues antecipa que há a oportunidade de operar as Unidades Industriais de Aves em Rolândia e Marechal Cândido Rondon também aos domingos.

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Fonte: O Presente Rural

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Preços do frango podem reagir após período de demanda enfraquecida no início do ano

Custos equilibrados de milho e competitividade frente à carne bovina reforçam cenário mais positivo.

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Com o fim do período tradicionalmente mais fraco para o consumo, o mercado de frango pode entrar em uma fase de estabilização e recuperação de preços nas próximas semanas. A expectativa é de que a queda observada nos valores da ave seja interrompida após o feriado de Carnaval, acompanhando a melhora da demanda doméstica.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o ambiente segue favorável para o setor, sustentado por exportações aquecidas, elevada competitividade da carne de frango em relação à bovina e custos equilibrados de ração.

No campo da oferta, o ritmo de crescimento pode perder força a partir deste período, dependendo do volume de alojamentos realizados em janeiro. Caso tenham sido menores do que a forte colocação registrada em dezembro, a disponibilidade de aves tende a se ajustar gradualmente. As aves alojadas no fim de dezembro influenciam diretamente a oferta até meados de fevereiro.

As exportações continuam com perspectiva positiva e devem seguir contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda, reforçando o suporte aos preços no mercado interno.

Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável. A primeira safra de milho apresentou resultado acima das expectativas e, até o momento, a safrinha mantém boas perspectivas. No entanto, o plantio da segunda safra ainda está em fase inicial no Cerrado, e não há definição sobre o percentual que poderá ficar fora da janela ideal, que se encerra no fim do mês.

Mesmo com expectativa de boa oferta de milho e demanda doméstica firme, a tendência é de um mercado equilibrado para o cereal, sem espaço para oscilações expressivas. Ainda assim, as condições climáticas nos meses de março e abril continuarão sendo determinantes para o comportamento dos preços.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Ovos retomam alta e frango mantém preços estáveis no pós-Carnaval

Equilíbrio entre oferta e demanda sustenta cotações dos ovos, enquanto setor avícola monitora consumo para possível reação em março.

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O mercado de ovos voltou a registrar alta após cinco meses consecutivos de queda nos preços. Levantamentos do Cepea indicam que, em algumas regiões acompanhadas, a média parcial até 18 de fevereiro apresenta avanço superior a 40% em relação a janeiro.

Segundo o Centro de Estudos, o equilíbrio entre oferta e demanda tem sustentado a recuperação das cotações, mesmo na segunda quinzena do mês, período em que as vendas costumam perder ritmo. Apesar da recente reação, os preços ainda seguem abaixo dos verificados no mesmo período do ano passado, acumulando retração real superior a 30% nas regiões monitoradas.

A expectativa do setor agora está voltada para a Quaresma, iniciada no último dia 18. Pesquisadores do Cepea destacam que, durante os 40 dias do período religioso, o consumo de ovos tende a aumentar gradualmente, já que a proteína ganha espaço como alternativa às carnes. A perspectiva é de que a demanda mais aquecida continue dando sustentação aos preços.

No mercado de frango, a semana de recesso de Carnaval registra estabilidade nas cotações, reflexo da demanda firme. Ainda assim, na média mensal, o valor da proteína congelada negociada no atacado da Grande São Paulo está em R$ 7,00/kg até o dia 18 de fevereiro — o menor patamar real desde agosto de 2023, quando foi de R$ 6,91/kg, considerando valores deflacionados pelo IPCA de dezembro.

Os preços mais baixos refletem as quedas intensas observadas nas primeiras semanas do ano, movimento que já se estende por pouco mais de três meses. O cenário mantém os agentes cautelosos.

De acordo com participantes consultados pelo Cepea, uma possível recuperação dos preços do frango pode ocorrer apenas a partir do início de março, diante da expectativa de maior consumo no começo do mês. Para esta segunda metade de fevereiro, a liquidez deve permanecer no ritmo atual, limitando avanços mais expressivos nas cotações.

Fonte: Assessoria Cepea
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Avicultura gaúcha resiste a crises, mantém relevância e freia expansão diante de incertezas

Mesmo entre pressões climáticas, custos elevados e desafios sanitários, setor mantém posição estratégica no cenário nacional, projeta crescimento moderado nas exportações e adota postura cautelosa para preservar competitividade e rentabilidade em 2026.

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A avicultura do Rio Grande do Sul vive um momento de transição, marcado pela necessidade de ajustar produção, custos e mercados em um cenário que combina instabilidade climática, incertezas sanitárias e mudanças no ambiente regulatório. Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos, traçou um panorama da atividade para 2026 e apontou os principais gargalos que limitam a competitividade do estado, apesar de sua tradição como um dos maiores produtores e exportadores de carne de frango e líder nacional nas exportações de ovos.

De acordo com o dirigente, o setor sofreu nos últimos três anos com situações atípicas que retardaram planos de expansão e reconfiguraram a estrutura produtiva. “As adversidades climáticas e os acontecimentos sanitários retardaram parcialmente o crescimento do setor”, frisa.

Presidente da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Cautela nunca é demais e muita atenção no cenário mundial, pois os conflitos que porventura possam surgir no exterior poderão refletir na nossa atividade” – Foto: Divulgação/Asgav

A perspectiva é de uma retomada gradual. Com os resultados de 2025 ainda sendo fechados, Santos projeta crescimento de 3% a 4% nas exportações de carne de frango, de 10% a 20% nas exportações de ovos, e de 2% a 3% na produção de carne de frango, mantendo uma postura cautelosa. No segmento de ovos, a expectativa é de manutenção da estabilidade na produção. “Havendo uma safra de grãos regular, o custo de produção poderá estabilizar e os ganhos e rentabilidade no mercado interno dependerão da disciplina do setor em analisar o cenário de oferta e procura”, avalia.

A análise do executivo revela uma preocupação central para a necessidade de equilíbrio entre oferta e demanda no mercado doméstico. Ele alerta que, mesmo com condições favoráveis de produção, a rentabilidade vai depender da capacidade do setor de controlar a oferta e de entender o comportamento do consumo.

Cautela para 2026

Em relação a 2026, Santos aposta em um comportamento ainda mais prudente. “O cenário econômico nacional, global e a geopolítica que se molda ultimamente no mundo, nos remete a uma cautela permanente”, pontua, enfatizando que a definição de rumos, seja para crescimento ou estabilidade, exige monitoramento constante do contexto internacional e doméstico. “A tendência é que o estado adote um modelo cauteloso e equilibrado na ampliação da produção”, salienta.

O Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor e exportador de carne de frango do país, mantém estabilidade no abate, com crescimento moderado. A decisão de não acelerar a expansão, segundo Santos, reflete a necessidade de evitar sobredimensionamento diante de um cenário que pode mudar de forma repentina, especialmente por fatores externos.

Exportações e mercados em recuperação

Os episódios sanitários recentes no estado, como a Influenza aviária e a Doença de Newcastle, tiveram impacto bem menor do que inicialmente se previa nas exportações gaúchas. “Tivemos uma queda de 0,77%, comparando 686,3 mil toneladas exportadas em 2025 com 691,6 mil em 2024”, informa, relembrando que em 2024 o estado sofreu redução do volume embarcado de 6,75% em relação a 2023, em um ano marcado por enchentes e o caso de Newcastle.

Para 2026, ele não aponta mercados específicos como puxadores da retomada, mas destaca que a consolidação e reabertura de mercados ainda exigem esforço contínuo, sobretudo na reestruturação de credibilidade e previsibilidade sanitária do estado.

Competitividade frente a Paraná e Santa Catarina

Foto: Rodrigo Felix Leal

O Rio Grande do Sul enfrenta, historicamente, forte concorrência interna com estados como Paraná e Santa Catarina. Santos destaca que o estado mantém sua posição de destaque há décadas, mas reconhece que o ambiente competitivo exige ações estruturais. “Infelizmente, no Rio Grande do Sul, a ‘guerra fiscal’ nos atropelou e a insuficiência de milho nos trouxe um custo de produção elevado”, lamenta.

Para o dirigente, a ausência de políticas de incentivo fiscal adequadas teria contribuído para a perda de competitividade. Ele aponta que o estado passou a se tornar atrativo para empresas de outros estados que direcionam volumes consideráveis de carne de frango para a região gaúcha. “Não obtivemos políticas de incentivo fiscal suficientes que nos ajudassem a reverter os danos da ‘guerra fiscal’. Mas apesar de todas as dificuldades que o Rio Grande do Sul enfrenta, o estado se manter entre os três principais em produção e exportação é algo que merece destaque”, menciona.

Santos ressalta que o estado mantém características favoráveis que podem sustentar o crescimento a médio e longo prazo, como mão de obra qualificada, empreendedorismo, sistema integrado e cooperativado bem-organizado. “Somado a estes fatores se houver o surgimento de uma gestão governamental que nos ofereça condições de maior competitividade vamos poder alavancar o crescimento de forma mais dinâmica da avicultura do Rio Grande do Sul”, projeta o executivo, ressaltando que o estado tem atraído novos investimentos e a manutenção de muitas indústrias de pequeno, médio e grande porte.

Pressões de custos

Além da guerra fiscal e do alto custo do milho, outros itens pressionam a competitividade. Grãos, energia, logística e mão de obra seguem como fatores críticos, mas Santos destaca novos pontos de atenção para 2026. Entre eles, a Reforma Tributária e propostas de mudanças na jornada de trabalho, que podem elevar os custos com pessoal. “São pontos de atenção que podem afetar o custo do setor, e principalmente temos que ficar muito atentos aos reais impactos da efetivação que a Reforma Tributária poderá trazer para a avicultura”, enfatiza Santos.

A leitura do dirigente sugere que o setor está atento ao risco de deterioração da margem produtiva por pressões regulatórias e fiscais, especialmente em um ano eleitoral, quando mudanças podem ser aceleradas ou postas em debate.

Comunicação ampla e contínua

Para o mercado doméstico, Santos acredita que há espaço para crescimento do consumo, mas não sem estratégia. Ele defende a necessidade de ações mais proativas para fortalecer a percepção da carne de frango como alimento essencial na dieta dos brasileiros, apontando para a necessidade de uma política de comunicação mais ampla e contínua, com recursos e estrutura adequados para sustentar campanhas de longo prazo. “Muitos acham que o que se faz hoje é suficiente, que a população já está ciente e saturada com muita informação sobre a carne de frango, mas essa visão não considera o contexto de transformação social e cultural, com muitos outros tipos de alimentos e dietas, novos conceitos e ideologias. O planejamento de algo audacioso, constante e criativo pode alavancar o consumo de carne de frango no Brasil, mas lógico que é preciso um bom investimento”, salienta.

Setor emergente no agro

O segmento de ovos é, para o dirigente, um dos principais vetores de crescimento e consolidação internacional do Rio Grande do Sul. O estado figura entre os principais nas exportações do produto, e Santos avalia que o segmento se tornou um exemplo de setor emergente no agro.

Ele destaca o Programa Ovos RS, que está em sua 13ª edição e reúne módulos técnicos e de promoção. “O programa possui módulos que dão um suporte importante para indústria e produtores, contando com módulo técnico que audita e orienta os estabelecimentos membros do programa a se qualificarem e manterem suas empresas dentro das diretrizes legais de produção”, explica, ressaltando que a iniciativa também promove ações permanentes de incentivo ao consumo de ovos.

Com base nesse modelo, Santos acredita que o estado gaúcho pode ampliar sua participação no mercado externo, desde que mantenha estabilidade nas exportações vigentes e fidelize os mercados importadores. “Com ações de aprimoramento constante, uma boa prospecção de mercados com apoio da ABPA e do Governo Federal, vamos poder ampliar ainda mais nossa participação no mercado externo”, diz, otimista.

Biossegurança como prioridade estratégica

Os episódios recentes de Doença de Newcastle e Influenza aviária reforçaram a importância de biossegurança, um tema que Santos considera central para reduzir riscos sanitários e garantir previsibilidade em 2026. Ele afirma que a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) tem trabalhado com máxima atenção para que o setor atenda aos procedimentos normativos vigentes, além de comunicar continuamente a importância da proteção dos plantéis.

A entidade também atua em iniciativas de conscientização e mobilização política. “Pensando em vulnerabilidade e aumentar a biossegurança no setor é que a Asgav apresentou na ABPA minuta de um Projeto de lei que institui o Dia Nacional da Biosseguridade na Produção Animal, com a proposta sendo aprovada por unanimidade no Conselho Diretivo da entidade e encaminhada à Câmara Federal. O objetivo do PL é evidenciar cada vez mais a importância da biosseguridade, estimular criação de políticas públicas para atender e orientar pequenos produtores de aves domésticas e outras criações de subsistência”, detalha.

Ele reforça ainda que as autoridades ligadas direta e indiretamente com o agro precisam entender o potencial prejuízo de surtos em larga escala e que é melhor investir em prevenção do que enfrentar perdas imensuráveis. “É melhor investir e disponibilizar recursos para prevenção e defesa sanitária, do que, em caso de uma catástrofe, o país sofrer prejuízos imensuráveis com os impactos diretos e indiretos com uma possível incidência expressiva de Influenza aviária”, ressalta.

Gargalos estruturais

Entre os principais obstáculos ao avanço da avicultura gaúcha, Santos destaca a dependência de milho de fora do estado e a falta de incentivos fiscais. Ele também aponta o acesso ao crédito e a necessidade de um fundo de apoio para modernização e adequações de indústrias e aviários como itens críticos para a competitividade. “A falta de incentivos fiscais nos deixam em desvantagem competitiva em relação a outras unidades produtivas da federação”, reforça, acrescentando que as tratativas com o governo do estado avançam lentamente, com dificuldades para liberação de créditos de ICMS e outros mecanismos que poderiam apoiar investimentos.

Orientação para o setor em 2026

Para 2026, a agenda da Asgav junto ao poder público se concentra em fortalecer programas de incentivo e ampliar a defesa sanitária do estado. Santos destaca a importância de um quadro técnico estruturado na defesa sanitária, capaz de executar suas atividades com eficiência.

Ao setor produtivo, ele recomenda cautela e atenção à gestão econômica e ao contexto político, sobretudo em um ano eleitoral. “Cautela nunca é demais e muita atenção no cenário mundial, pois os conflitos que porventura possam surgir no exterior poderão refletir na nossa atividade”, alerta, lembrando que o setor avícola nacional tem forte presença no mercado externo e responde por quase 40% do fornecimento de proteína animal para o mundo, o que reforça a necessidade de previsibilidade e planejamento estratégico.

O executivo reforça ainda que a avicultura do Rio Grande do Sul mantém sua relevância nacional e internacional, mas enfrenta uma combinação de desafios que exigem adaptação e disciplina. “A recuperação das exportações, a consolidação de mercados, a promoção do consumo interno, a segurança sanitária e a necessidade de políticas públicas estruturadas aparecem como eixos centrais para que o setor retome um ritmo de crescimento mais robusto em 2026”, salienta Santos.

versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Fonte: O Presente Rural
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