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Produtores atingidos por clima extremo devem ter dívidas prorrogadas, afirma Mapa
Ministério da Agricultura solicita convocação do CMN e articula soluções de curto e longo prazo junto ao Congresso Nacional.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa que, na última terça-feira (29), o ministro Carlos Fávaro recebeu, em audiência institucional, o presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados (CAPADR), deputado federal Rodolfo Nogueira, acompanhado dos parlamentares federais Zucco, Marcelo Moraes, Afonso Hamm, Heitor Schuch, Bohn Gass e Alceu Moreira, bem como do senador Luis Carlos Heinze e a coordenadora do Movimento SOS Agro, Graziela de Camargoem, para reunião realizada na sede do Ministério.
A pauta do encontro teve como foco central a discussão de ações emergenciais e estruturantes voltadas ao amparo dos produtores rurais impactados por eventos climáticos adversos.
Como encaminhamento imediato, o Mapa oficiará o Ministério da Fazenda, solicitando a convocação extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN), com a finalidade de deliberar sobre a aplicação do Manual de Crédito Rural no sentido de viabilizar a prorrogação das dívidas de custeio, de investimento e das Cédulas de Produto Rural (CPR) contratadas pelos produtores atingidos. Também foi proposta a flexibilização do limite de 8% de crédito rural por instituição financeira, previsto no referido manual, para que estas possam conceder prorrogações de parcelas de custeio de investimento, com vencimento em 2025, reiterando o pleito já encaminho, por meio dos ofícios Nº 255/2025/GAB-GM/GM-MAPA/MAPA e N° 358/2025/GAB-GM/GM-MAPA/MAPA.
Adicionalmente, foi anunciada a constituição de um grupo de trabalho interinstitucional, com a participação do Mapa, da CAPADR, da Comissão de Agricultura do Senado Federal e com convite estendido ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), bem como ao Ministério da Fazenda. Esse colegiado terá como missão a formulação de propostas de medidas de caráter estrutural, incluindo a criação de fundos destinados à recuperação de áreas degradadas e à renegociação de dívidas de longo prazo decorrentes de perdas provocadas por fenômenos climáticos extremos.
Representando o Mapa também estavam o chefe de Gabinete do ministro Carlos Fávaro, Wilson Taques, o assessor especial do ministro, Carlos Ernesto Augustin, o secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, o secretário-adjunto de Política Agrícola, Wilson Vaz, a chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos, Flávia Rodrigues.

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Nova ferramenta digital amplia combate à cigarrinha-do-milho no Paraná
Com mapa interativo e série histórica, plataforma melhora tomada de decisão e fortalece manejo nas lavouras.

Desde fevereiro, os produtores rurais do Paraná têm mais uma ferramenta de combate à cigarrinha-do-milho, praga que causa prejuízo nas lavouras do cereal. A plataforma CigarrinhaWeb centraliza os dados do monitoramento do inseto que transmite o complexo de enfezamentos, conjunto de doenças que gera perda de produtividade, queda na qualidade dos grãos e, em casos severos, até o tombamento das plantas.
A partir destas informações, produtores e técnicos poderão definir estratégias de manejo e controle da praga. Isso porque a plataforma fornece um panorama confiável da distribuição e densidade populacional do inseto no Paraná. O site também armazena a série histórica, criando uma base de dados para futuras pesquisas.
“A cigarrinha-do-milho é uma ameaça à produção. Apoiar o desenvolvimento desta plataforma significa equipar o produtor com informação atualizada e em tempo real. É um investimento no conhecimento que se transforma em ferramenta prática para a defesa da nossa produção, dando transparência e agilidade ao monitoramento desta praga”, afirma o presidente do Sistema Faep.
“Só em defensivos, foram gastos 76 milhões de dólares em 2024. Ou seja, se a plataforma tiver impacto de 10%, essa pesquisa já se paga várias vezes”, destaca o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa.
A ferramenta, que posiciona o Paraná entre os Estados com iniciativas estruturadas de monitoramento de uma das principais pragas da cultura do milho, é resultado do trabalho da Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada – Complexo de Enfezamento do Milho (Rede CEM), formada pelo Sistema Faep, Fundação Araucária, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Na prática
O site exibe um mapa interativo com a localização das armadilhas adesivas instaladas nas regiões do Paraná e o número de insetos capturados em cada uma, com atualizações semanais. A plataforma consolida e torna públicos dados que antes ficavam restritos a produtores ou instituições individuais.
O método de monitoramento com armadilhas adesivas é antigo e consolidado. No entanto, o Paraná se destaca como o único Estado a consolidar e disponibilizar publicamente esses dados por meio de uma plataforma digital interativa.
Há anos, o Sistema Faep trabalha para orientar os produtores rurais em relação à cigarrinha do milho. Antes mesmo da plataforma digital CigarrinhaWeb, essa frente de trabalho resultou na cartilha “Manejo da cigarrinha e enfezamentos na cultura do milho”.
Desenvolvido junto com a Embrapa Milho e Sorgo, o material traz orientações práticas, que ajudam o agricultor a identificar e a controlar o inseto, de forma didática. Gratuita e disponível no site do Sistema Faep, a publicação também contempla fotos que exemplificam os sintomas causados pelas doenças transmitidas pela cigarrinha do milho. Paralelamente, a entidade tem em seu catálogo o curso “Manejo Integrado de Pragas (MIP) – Milho”, voltado para a necessidade de monitorar a lavoura, com foco na identificação da cigarrinha.
Todos os cursos do Sistema Faep são gratuitos e oferecem certificado aos concluintes.
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Nova rodovia em Palotina melhora acesso ao complexo agroindustrial da C.Vale
Contorno viário foi liberado após acordo entre Estado, cooperativa e município e recebeu R$ 170 milhões em investimentos.

A inauguração do contorno viário de Palotina, realizada no dia 20 de março, reuniu autoridades federais, estaduais e municipais, além de representantes da C.Vale. A nova rodovia, com 15,2 quilômetros de extensão, foi liberada para o tráfego logo após a solenidade.

A obra foi viabilizada por meio de um acordo entre o Governo do Paraná, a C.Vale e o município, após ficar 26 meses paralisada por impasses contratuais. Pelo modelo adotado, a cooperativa assumiu a gestão da obra, contratou a empreiteira e realizou os pagamentos, sendo ressarcida pelo Estado com créditos de ICMS. Segundo o governador Ratinho Junior, esse formato permitiu antecipar a conclusão em cerca de dois anos.
Com investimento de R$ 170 milhões, o contorno viário passa a concentrar o tráfego de caminhões, carretas e ônibus que antes cruzavam a área urbana de Palotina para acessar o complexo agroindustrial da C.Vale. A mudança deve reduzir congestionamentos, especialmente nos horários de troca de turno das indústrias, e aumentar a segurança no trânsito.
O transporte de trabalhadores e cargas na região é intenso. Atualmente, cerca de 7.500 pessoas se deslocam diariamente em 155 linhas intermunicipais e 111 linhas circulares dentro do município.
A nova rodovia foi denominada PR-975, em homenagem a Marcelino Neis, primeiro prefeito eleito de Palotina. Já o viaduto no acesso ao complexo agroindustrial recebeu o nome de Darcy Ioris, ex-integrante da diretoria da cooperativa.
Após a liberação, cerca de 30 veículos leves e pesados da C.Vale foram os primeiros a utilizar o trecho. A partir de agora, o fluxo de cargas e de passageiros passa a ser direcionado para o contorno, facilitando o acesso ao complexo e retirando o tráfego pesado das vias urbanas.
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Copercampos inicia programa para formar jovens e preparar sucessão no campo
Projeto com duração de dois anos reúne 10 participantes e une formação prática e teórica em gestão rural.

Na última sexta-feira (20), a Copercampos realizou a assinatura dos contratos do Programa Jovem Aprendiz Rural, consolidando mais uma etapa de uma iniciativa inovadora voltada à formação e qualificação de jovens para atuação no campo. Ao todo, 10 jovens dos municípios de Campos Novos, Ibiam e Erval Velho passam a integrar o projeto, que terá início oficial nesta segunda-feira (23).
Desenvolvido em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola de Santa Catarina (CIEE/SC), Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), e Sescoop/SC, o programa é considerado pioneiro no Brasil. A proposta une formação teórica e prática, com foco na sucessão familiar e no fortalecimento do agronegócio regional.
De acordo com a diretora administrativa da Copercampos, Alessandra Fagundes Sartor, o principal objetivo do projeto é preparar os participantes para a gestão das propriedades rurais. “Esses jovens vão estar sendo preparados para a gestão dentro das suas propriedades, das propriedades de suas famílias”, explica.
Durante a vigência de dois anos, os jovens serão contratados como aprendizes pela Copercampos, com direito a salário e benefícios, participando de um processo estruturado de qualificação profissional. A formação inclui o curso de cooperativismo ministrado pelo CIEE/SC, além de atividades práticas voltadas à gestão rural com acompanhamento técnico da Epagri.
Os encontros com profissionais da Epagri serão realizados semanalmente nas propriedades das famílias, garantindo acompanhamento próximo e aplicação prática dos conteúdos. “A Epagri entra com a parte de supervisão técnica, orientação técnica com a equipe deles, o CIEE na parte de educação e de formação, e a Copercampos como empregador, contribuindo para que os nossos sócios tenham seus filhos mantidos nas propriedades e preparados para a sucessão”, ressalta Alessandra.
O programa reúne jovens ligados à suinocultura, todos filhos de associados da Copercampos que atuam na atividade. A iniciativa busca incentivar a permanência no campo, promovendo conhecimento, gestão e inovação. “Esses jovens são nossos funcionários durante dois anos, trabalhando dentro das propriedades de suas famílias, dando retorno e entendendo melhor o processo de gestão”, completa a diretora.
A supervisora de Gestão de Talentos da Copercampos, Vanuza Fagundes Bevilaqua, destaca que o projeto vai além do cumprimento de cotas legais. “Nós sempre olhamos o jovem aprendiz não só como cumprimento de cota, mas como um preparo dentro da cooperativa. E agora estamos unindo isso à sucessão familiar, porque o produtor rural é o motivo da cooperativa existir”, afirma.
Segundo Vanuza, o programa é estruturado em quatro etapas ao longo dos dois anos: diagnóstico da propriedade, planejamento, gestão do negócio e desenvolvimento de liderança. “O jovem vai passar por fases como descoberta, planejamento da rotina, análise de custos, margens, marketing rural e, por fim, a liderança, com foco na sucessão familiar. Ao final, ele apresenta um plano de gestão com as melhorias implantadas. O jovem vai ter todo um acompanhamento semanal, com entregas e orientação técnica dentro da propriedade. Não é algo superficial, há aprofundamento e aplicação prática do que está sendo aprendido”, destaca.
Ao final do programa, os jovens deverão apresentar um projeto de melhoria para suas propriedades, consolidando o conhecimento adquirido ao longo do período. A iniciativa reforça o compromisso da Copercampos com a formação de novas lideranças no meio rural, incentivando a permanência dos jovens no campo com mais preparo, visão de gestão e perspectivas de crescimento.
A expectativa da cooperativa é que o programa sirva de modelo para outras regiões. “Nossa intenção é que possamos servir de exemplo para outras cooperativas e ampliar esse projeto para outros municípios onde a Copercampos atua”, conclui Alessandra.



