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Produtor obterá classificação do solo da sua propriedade no celular

Aplicativo permitirá que produtores rurais classifiquem os solos de diferentes áreas de sua fazenda

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Divulgação/Embrapa

Um aplicativo para dispositivos móveis permitirá que produtores rurais classifiquem os solos de diferentes áreas de sua fazenda. Com isso, cada talhão da propriedade poderá receber destinação adequada de acordo com o tipo de solo.

Idealizado pela Embrapa Solos (RJ) em parceria com a Embrapa Informática Agropecuária (SP), o SmartSolos vai permitir que o produtor rural tenha a classificação do solo em tempo real. A tecnologia apresenta os resultados respondendo aos dados que o produtor insere no sistema. Após criar uma conta simples, o usuário faz, na primeira etapa, uma descrição geral de sua propriedade carregando dados e até fotos do solo e do perfil, por exemplo. Informações como data e localização geográfica são inseridas de maneira automática pelo sistema. No fim dessa fase, o produtor obterá uma classificação aproximada.

Na etapa mais detalhada, deverão ser inseridos dados obtidos com análises de laboratório como as características físicas e químicas do solo. Com todas essas informações, o SmartSolos classifica até o quarto nível do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS).

A classificação do solo é imprescindível aos produtores, pois permite estabelecer relação direta com o crescimento da planta, além de ajudar a definir áreas adequadas para construção de estradas ou aterro sanitário, entre outras funcionalidades.

Para entender melhor a importância da classificação dos solos, o pesquisador José Coelho, da Embrapa Solos, recorre a uma metáfora automobilística. “Ao pensar em um Fusca, por exemplo, o associamos a várias características, como carro redondo, econômico, sem porta-malas etc. O mesmo acontece com o solo. Com o sistema, é possível associá-lo a um pacote de informações sobre a sua química, física e mineralogia. Isso é fundamental para o correto uso, manejo e a conservação”, pontua o cientista, que é um dos idealizadores do sistema.

Os pesquisadores Stanley Oliveira e Glauber Vaz, da Embrapa Informática Agropecuária, desenvolveram dois sistemas diferentes que atuam na tecnologia. O primeiro, chamado de “especialista”, opera segundo as regras do SiBCS e classifica o solo conforme o usuário insere as informações necessárias. Já o sistema denominado “inteligente” utiliza algoritmos de inteligência artificial para predizer uma classificação, mesmo na ausência de algumas informações.

O foco do trabalho agora é na camada de apresentação do aplicativo, que está sendo desenvolvida em parceria com uma empresa terceirizada. “É a partir dessa camada que o usuário poderá interagir e utilizar todas as funcionalidades do aplicativo SmartSolos”, revela Luís de França, da Embrapa Solos.

Tecnologia dinâmica

França informa que o SmartSolos foi projetado para ser uma tecnologia dinâmica, com capacidade de evoluir com o tempo e se adaptar a novas funcionalidades. “Futuramente, os resultados das análises laboratoriais, por exemplo, poderão ser enviados automaticamente ao aplicativo”, exemplifica.

Outra evolução prevista é a utilização das informações para atualizar bancos como a biblioteca de solos (Soloteca) e outros utilizados em pesquisas científicas. “Há um enorme potencial para integração em várias iniciativas de pesquisa”, acredita França.

A expectativa dos pesquisadores é que o aplicativo não seja apenas um classificador de solos, mas um agregador que reúna em uma mesma plataforma vários aplicativos a serem desenvolvidos ou adaptados para dispositivos móveis. O SmartSolos deverá ser capaz de adaptar a informação de solos não apenas às tecnologias atuais, mas também às tecnologias emergentes (impressão 3D, realidade virtual, novas interações com o Big Data etc).

O aplicativo deverá apresentar múltiplas interfaces a fim de fornecer informações úteis de forma acessível para públicos diferenciados como agricultores, estudantes, técnicos, professores e pesquisadores.

França lembra que, há poucos anos, não existiam aplicativos sobre a terra no Brasil. “Hoje, já há um bom número de apps e a tendência é de crescimento. Boa parte desses produtos tem como foco a interpretação de análise de solos e recomendação de corretivos e fertilizantes (Nutrisolo, Solo Certo, Solum, etc.), ou a visualização de mapas específicos, classificação textural, etc.”, conta o pesquisador.

O SiBCS, automatizado em linguagem acessível, além de poupar tempo e minimizar eventuais erros humanos, poderia, por exemplo, utilizar o reconhecimento de voz para entrada de dados, dispensando a digitação; organizar a saída de resultados em diferentes formatos de arquivo (.txt, .doc, .xls), e compartilhá-los instantaneamente (e-mail, wifi, Bluetooth, 4G). Além disso, o SmartSolos vai fazer a correspondência das classes de solo do SiBCS com as classes de solo de outros sistemas taxonômicos como o World Reference Base (WRB), da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), com um simples toque na tela do smartphone.

A importância da classificação do solo

“Sabendo a classificação do solo de determinada área conhecemos várias informações a respeito dele”, diz o pesquisador da Embrapa Solos Mauricio Rizzato Coelho. Ao separar na paisagem uma área de latossolo vermelho-amarelo distrófico, por exemplo, os estudiosos sabem que ele geralmente ocorre em relevo plano, sem problemas de mecanização, é pobre em nutrientes, precisa de adubação e calagem; no entanto, não costuma ter problemas em sua estrutura física. As atualizações na classificação da terra no Brasil são feitas a cada dois anos, quando são realizadas as reuniões de classificação e correlação de solo (RCC).

Pesquisadores e especialistas em solos de diversas instituições percorrem o roteiro da viagem de campo para descrever a terra, discutir seus atributos e sua classificação, bem como fazer correlações in situ entre ocorrências das classes de solos, sua natureza e propriedade, além de suas características geoambientais, vulnerabilidades e potencialidades para uso agrícola.

As RCCs são grande oportunidade de troca de conhecimento e aprimoramento, já que levam os cientistas para locais da ocorrência da terra a ser estudada. “Essa itinerância e prática são os diferenciais em relação aos demais eventos da área de ciência do solo, repercutindo nos resultados alcançados”, avalia Maria de Lourdes Mendonça, chefe-geral da Embrapa Cocais (MA).

A próxima reunião será em outubro de 2019, quando a caravana de cientistas vai percorrer o Maranhão, estado particularmente interessante para os estudiosos das ciências naturais por abrigar três biomas: Amazônia, Cerrados e Caatinga, além de diversos ambientes de transição, campos inundáveis, restingas e manguezais. Há também grande diversidade em geologia, geomorfologia, clima, vegetação e, consequentemente, dos solos.

Fonte: Embrapa Solos
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Uso da metafilaxia para o controle do complexo respiratório bovino

Metafilaxia nada mais é que a utilização de um antimicrobiano de longa ação destinado exclusivamente a grupo de animais em situação de risco

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 Artigo escrito por Eduardo Rezende, coordenador de Marketing e Comunicação Científica da J.A Saúde Animal

A pecuária bovina é de grande importância na economia nacional e ainda é exercida em grande parte no sistema tradicional de criação extensiva, criado solto em pastagens naturais ou cultivadas. Entretanto, a cada dia que passa, há maior investimento dos pecuaristas em sistemas de criação intensiva, nos quais muitas vezes o gado é criado confinado, o que aumenta a suscetibilidade a determinados problemas sanitários.

Dentre esses problemas, os respiratórios são os mais comuns em animais adultos nesse tipo de sistema de criação, ocorrendo o mesmo em bezerros até 9 meses de vida. Nesse contexto, a broncopneumonia é a enfermidade de maior destaque dentre todas as respiratórias, caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, parênquima e pleura pulmonar, geralmente consequente a uma invasão por agentes infecciosos bacterianos ou virais.

Existem alguns fatores que impactam no aumento da morbidade de enfermidades respiratórias.  O estresse decorrente do transporte e do agrupamento em lotes faz com que haja aumento dos níveis de cortisol, depressão do sistema imunológico do animal e, consequentemente, maior suscetibilidade as doenças. Outro fator é a superpopulação, comum nesse sistema de criação, que induz ao aumento nos níveis de umidade do ar e o incremento no tempo de sobrevivência dos patógenos.

Um grupo muito frequente de agentes responsáveis pelas broncopneumonias são as Pasteurellas spp, que embora façam parte da microbiota normal do trato respiratório superior de muitos bovinos, em situações propícias de estresse (transporte, superlotação e desmama de bezerros, por exemplo), conseguem proliferar e adentrar no trato inferior (que é naturalmente estéril), causando assim a enfermidade. Um grande problema é que nem sempre esse acometimento é visível, podendo haver casos subclínicos, com disfunção pulmonar pequena ou inexistente, dificultando a identificação pelo pecuarista.

Segundo pesquisas, 68% dos animais considerados sadios por meio da inspeção visual apresentavam acometimento pulmonar no abate, inclusive responsável por redução de aproximadamente 80g de ganho médio de peso por cabeça (GMD). Conclui-se então que a detecção visual não tem acurácia suficiente para diagnosticar os casos positivos, não sendo indicado o tratamento baseado apenas nesse tipo de diagnóstico quando houver manifestação clínica de doenças respiratórias, poderão ser observados depressão, queda no apetite, aumento da frequência respiratória, dificuldade respiratória, febre, secreção nasal, narinas secas, orelha caída, magreza e morte súbita.

Soluções

Assim sabemos que a aplicação de tratamentos eficazes para as afecções pulmonares é fundamental para o controle da enfermidade e que não é tão fácil fazer o diagnóstico assertivo dos animais doentes, sendo necessário lançar mão de uma forma de tratamento mais estratégica, principalmente naqueles no início da doença ou em casos subclínicos. A metafilaxia é uma das formas de tratamento que reduz os casos clínicos e subclínicos, além de consequentemente reduzir o impacto da enfermidade no ganho de peso.

Metafilaxia nada mais é que a utilização de um antimicrobiano de longa ação, em doses terapêuticas, injetável e destinado exclusivamente a um grupo de animais em situação de risco, para que não se estimule a resistência antimicrobiana. A utilização desse tipo de medicação é altamente desejável na entrada do confinamento ou até mesmo em situações de surto da doença em bezerros, com destaque aos mantidos em instalações coletivas.

Uma excelente opção de metafilático é a Benzilpenicilina Benzatina, antimicrobiano da classe dos Beta-Lactâmicos, que em concentrações elevadas tem potencial bactericida de amplo espectro, ou seja, elimina bactérias Gram positivas e Gram negativas. A utilização de produtos à base desse ativo deve ser feita por via intramuscular em dose única na entrada do confinamento, lembrando sempre de não ultrapassar a dose máxima de 20 ml por local de aplicação.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Com coronavírus

Momento é de o produtor cuidar da fazenda, afirma pesquisador da Embrapa Gado de Leite

Para Glauco Carvalho, momento exige que o produtor de leite contenha gastos dentro da fazenda e reveja gestão; mercado pós covid-19 ainda é incerto

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 Quando a pecuária de leite no Brasil ensaiava uma ligeira recuperação, surgiu o novo coronavírus e tudo mudou de repente. As perspectivas para o setor, segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Glauco Carvalho, não são muito diferentes do resto da economia: “É difícil prever o que irá acontecer, pois não sabemos nem quanto tempo deve durar esse contexto, mas a expectativa é de retração”.

Os analistas não acreditam que a crise terminará tão de repente quanto surgiu. “Deve ocorrer um longo período de desconforto, com as pessoas evitando aglomerações e a retomada será lenta”, diz Carvalho, que acredita em “fissuras” no comércio global, com Estados Unidos e China aumentando a polarização e cada país olhando para os próprios problemas domésticos. “Não sairemos desta crise sem sequelas”, declara.

O setor leiteiro já vinha sofrendo desde 2013 com o cenário econômico ruim. A produção brasileira andou praticamente de lado nos últimos anos e 2020 iniciou com baixo crescimento devido à seca na região Sul do país, com a piora na rentabilidade dos produtores. “Começamos agora a entressafra, que prometia melhores ganhos aos produtores, mas toda a cadeia produtiva terá de se ajustar ao novo cenário”, avalia Carvalho. Ainda segundo o pesquisador, é provável que haja um recuo na produção, o que ajuda a estabelecer um piso nos preços do leite.

Segundo relatório da Embrapa Gado de Leite, há pelo menos quatro impactos na cadeia do leite neste momento de pandemia. O primeiro é o efeito pânico, que levou o consumidor de forma desenfreada às compras para garantir estoques de alimentos. “Houve incremento na demanda por lácteos com maior vida de prateleira, como o leite UHT e o leite em pó, que apresentaram maior volume de vendas e elevação de preços. Superado o pânico, as compras voltaram a ocorrer de forma mais regular. A pressão de demanda recuou, houve ligeiro aumento dos estoques e os preços perderam força”, explica Carvalho.

O segundo ponto é o fechamento de canais de food service (alimentação fora do lar), prejudicando a venda de queijos e outros refrigerados. “Laticínios dependentes deste canal e empresas e cooperativas que atuam na captação, mas não na fabricação de lácteos, aumentaram a ofertar de leite no spot (venda entre empresas), provocando expressiva queda nos preços do leite cru neste mercado”, diz. Outro ponto é quanto a queda do PIB e a redução da renda da população, que parece ser o mais preocupante e menos previsível dos choques, podendo deixar sequelas por um longo período. “O impacto será maior conforme a duração da pandemia. Se for curta há possibilidade de recuperação. Caso contrário, o horizonte ficará mais sombrio”, avalia.

O último impacto refere-se à consolidação setorial, na produção primária e na indústria. “É um processo que já vem ocorrendo no Brasil, mas dependendo da duração da pandemia pode se acelerar. Laticínios e produtores com dificuldades operacionais e financeiras podem deixar a atividade. É importante neste momento uma gestão refinada, com corte de gastos, descarte de animais menos produtivos e muito diálogo com os fornecedores e clientes. Todos estão no mesmo barco”, comenta Carvalho.

Preços baixos, custo alto

De acordo com o relatório da Embrapa Gado de Leite, o preço de leite ao produtor registrou alta de 1% em abril, fechando a R$ 1,45/litro. Na comparação com abril de 2019, o valor foi 2,7% inferior. Além disso, a relação de troca continua pior que a observada no ano passado. Em abril deste ano foram necessários 47,6 litros de leite para aquisição de 60 kg de mistura. Em abril/2019 esse valor era de 32,7 litros. “Essa relação do preço do leite com o preço do concentrado piorou muito e tem afetado a rentabilidade do produtor nesse momento”, comenta o pesquisador. Ele diz que uma grande preocupação dos produtores está atrelada ao custo de produção e a conseguir gerenciar este custo. “Temos um cenário desafiador”, afirma.

Já no varejo, os preços de leite e derivados apresentaram alta de 3,8% no mês. Destaque para o leite UHT, que teve alta de 9,59%. Já o queijo caiu 1,48%. Na comparação com o mesmo mês de 2019, o preço do UHT está 13,36% maior, enquanto o do queijo está 4,08% menor.

As oportunidades frente à Covid-19

Carvalho destaca que mesmo neste momento de dificuldade, sempre existem oportunidades que podem ser aproveitadas pelo pecuarista. “Hoje, os produtores de leite vão ter que olhar para dentro da propriedade. O momento exige um acompanhamento de custo feito de forma muito detalhada”, diz. Outra oportunidade hoje que pode ser observada é quanto ao mercado de carne bovina, que continua bastante aquecido. “Existe a possibilidade de o produtor justamente descartar animais. Ele pode direcionar alguns animais para o abate, e isso gera caixa e diminui custos”, observa.

O momento também é oportuno para o produtor olhar para dentro da propriedade na questão de biosseguridade e, a partir disso, conseguir uma melhor qualidade do leite e segurança de alimentos. “O produtor pode aproveitar o momento e internalizar conceitos, mas também planejar melhor a estrutura dentro da fazenda, seja na parte de maquinários, funcionário, para ver se ele consegue uma maior produtividade, melhor mão de obra e ter mais capital investido”, afirma.

Para Carvalho, a oportunidade hoje está muito mais em o produtor olhar para dentro e ver onde ele pode cortar custos, onde pode buscar para produzir com qualidade superior e ter uma bonificação maior. Além disso, de acordo com o pesquisador, é uma boa ocasião para o produtor fazer contrato com os laticínios. “É um momento de o produtor estreitar o relacionamento com a empresa que coleta o leite, tentar fazer alguma forma de contrato. É o momento para ele criar algo rentável”, declara.

Mudanças nos hábitos de consumo de alimentos

Entre os consumidores, o efeito imediato da crise, desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a pandemia, foi de correria às padarias e supermercados. É o que Carvalho chama de “efeito pânico”, com as pessoas comprando produtos estocáveis, como o leite UHT e leite em pó. Os preços desses produtos tiveram um aumento, mas, na medida em que a população percebeu que o abastecimento não seria comprometido, as compras voltaram ao normal, com os preços se estabilizando e, posteriormente, recuando. A pandemia teve como consequência uma radical mudança nos hábitos do consumidor, atingindo em cheio os food services (restaurantes, pizzarias, lanchonetes, food trucks). Segundo o pesquisador, os produtos que mais perderam com isso foram os queijos e outros lácteos refrigerados.

O que preocupa os economistas é uma terceira onda: a queda no poder aquisitivo da população, que tem efeito direto no consumo de produtos com maior valor agregado (queijos, iogurtes, leite fermentado). Mas, para Carvalho, dados históricos mostram que quando a renda cai, o consumo de produtos lácteos cai em menor proporção. “A maioria dos produtos lácteos é inelástico à renda”, explica.

Ainda assim, na visão do pesquisador, “a terceira onda” pode ser muito prejudicial ao setor e terá como consequência uma reorganização da cadeia, com a redução do número de produtores e laticínios maiores absorvendo os menores. “Haverá uma maior concentração”, explica, “produtores podem sair do mercado, com os mais estabilizados ocupando o espaço deixado, o que já vem ocorrendo de forma natural nas últimas décadas, mas que deve se intensificar”. No entanto, Carvalho aposta na mudança de hábitos do consumidor como uma das consequências da pandemia. “Estamos verificando que as pessoas estão mudando o estilo de vida, consumindo alimentos mais saudáveis e investindo mais na saúde. É a crise nos ensinando”, observa.

Impactos mundiais

No entender dos especialistas, o mercado global também passará por sensíveis mudanças e grandes exportadores como Austrália, Nova Zelândia e Uruguai podem sofrer importantes impactos com o recuo do comércio. Existem riscos de revés na globalização e na abertura de mercados, com a economia mundial encolhendo. Analistas internacionais apontam uma queda de 3% do PIB mundial e no Brasil já se fala em um tombo de até 5%. “Nunca tivemos uma queda tão grande”, frisa Carvalho. “Nossa pior queda foi de 3,5% do PIB, na crise do segundo governo da Dilma; mas a crise atual é diferente e os mecanismos tradicionais de política econômica têm efeito limitado. A duração da pandemia e do isolamento social vai nortear o real impacto econômico”, diz.

A vantagem do Brasil, neste momento, é que o país tem uma população grande e disponibilidade de insumos produtivos. Outro ponto importante é que, na pandemia, a indústria de alimentos sofre menos, já que não pode haver uma paralisação (lockdown) da produção agrícola (as pessoas precisam se alimentar).

Corte de custos e recuperação lenta

Houve também uma redução no preço de alguns insumos da cadeia do leite como o milho e o farelo de soja, embora ainda sigam com valores historicamente altos. Um conselho dado pelo especialista aos produtores é que eles cortem custos. “Sempre há gorduras para cortar”, ressalta Carvalho. A pecuária de leite tem como característica uma recuperação lenta. O rebanho que for reduzido hoje para se adaptar à nova realidade de mercado pode demorar até quatro anos para ser recomposto. Planejamento, organização e cuidados com a própria saúde é o que recomenda o cientista.

Em geral, observa Carvalho, a pecuária leiteira está fazendo o dever de casa. Comparado com outros países, como Alemanha e Estados Unidos, o Brasil está indo bem nestes primeiros meses de pandemia. “Nós, diferente destes países, dependemos basicamente do consumo interno. Se olharmos a dinâmica do nosso mercado, o principal produto é o leite UHT, que tem uma vida de prateleira longa, que é positivo. Mas esta não é a realidade de outros países. Nos EUA, por exemplo, o principal produto deles é o leite pasteurizado, que possui uma vida de prateleira menor”, conta.

O pesquisador diz que a cadeia do leite brasileira conseguiu se organizar bem. “A cadeia conseguiu ir muito bem nesse início de pandemia. Porém, a grande dúvida é: como vai ficar o consumo dentro dos próximos dois ou três meses?” questiona.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Pecuarista deve procurar por genética específica para seus objetivos

Especialista explica quais pontos são fundamentais para que pecuarista consiga selecionar melhores animais e alcançar resultados desejados

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Arquivo/OP Rural

“Não dá para conversar sobre pecuária de corte, rentabilidade e produtividade se a gente não souber onde está pisando”. A afirmação é do professor de Genética e Melhoramento Animal da USP Pirassununga, médico veterinário doutor José Bento Sterman Ferraz. Com esta introdução, durante uma live realizada em maio com a CFM Agro-Pecuária, o especialista explica sobre como está a pecuária no Brasil, a genética e quais pontos são fundamentais para que o pecuarista consiga selecionar os melhores animais e alcançar os resultados desejados.

O professor conta que em um levantamento reunindo dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA-Esalq/USP, foi possível estimar um quantitativo de vacas de corte no Brasil e a necessidade de touros, considerando a inseminação artificial única e a IATF. “Chegamos a algo parecido com 61 milhões de vacas disponíveis no Brasil. Sabemos que estatística aqui é complicado, mas temos que partir de algum ponto. Com esta quantidade de vacas, nós temos mais ou menos 2,5 milhões de touros disponíveis sendo utilizados no Brasil e uma taxa de reposição de 18%, precisamos de cerca de 430 a 450 mil touros de reposição por ano para dar conta de emprenhar todas essas vacas”, informa.

Ferraz diz que somando os programas de avaliação das associações de criadores com os programas de avaliação do Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP), o país oferece ao mercado cerca de 50 mil tourinhos de reposição por ano. “Então, de onde vem os outro 380 mil? Vem da escolha de animais cabeceira de boiada, sem o devido reconhecimento técnico a respeito do potencial produtivo”, conta.

“Oferecemos 50 mil touros por ano, mas precisamos de 430 a 450 mil. Então, eu acho que o primeiro ponto para a pecuária nacional melhorar, temos que começar a usar máquina com especificação. Os touros e vacas são as nossas máquinas, que usam um insumo muito barato que é o capim e nos devolvem um produto de alto valor agregado que é o bezerro”, comenta. Para Ferraz, é preciso que o país tenha bezerros de valor alto para a cadeia de pecuária de corte. “Esses animais tem que ter especificações técnicas adequadas para produção, tem que ser adaptados ao nosso esquema de Brasil. Somos um continente, onde temos regiões temperadas, frias e tropica. Então temos que saber a necessidade que existe do touro em ser adaptável a essa região e cobrir a vaca, que é a função que ele tem na produtividade de gado de corte”, afirma.

Segundo o professor, infelizmente o pecuarista brasileiro tem algumas interpretações equivocadas, mas que está começando a mudar. “A principal delas é que o bom é ter macho para vender para o abate. Eu também concordo que é bom ter macho para o abate, mas acontece que o maior patrimônio do pecuarista não é o animal de abate, mas sim a vaca. Sem uma boa vaca você não faz um bom cruzamento e não tem um bom resultado”, informa.

Ele aconselha que aqueles que estão começando ou achando que a pecuária não vai bem, devem lembrar que é preciso fazer uma bela vacada e adequada aquilo que querem. “Isso me leva a algo importante: não existe touro ideal ou raça certa. Existem animais adequados ao sistema de produção e aos objetivos do criador”, explica.

Touros Top 1% são os melhores?

O professor comenta que é muito comum os pecuaristas procurarem sempre os touros que são TOP 1%. Mas a pergunta é: eles são realmente os melhores em todas as situações? “Eu sou inimigo dos índices por uma razão muito simples, ele é uma perspectiva que temos de um valor geral do touro, que serve para qualquer criador. Ou seja, qualquer um que vai comprar um touro de reposição, se se guiar pelo índice irá levar um touro de uma qualidade conhecida, seja TOP 1, 2 ou 3”, comenta. Porém, Ferraz afirma que o que acontece é que cada criador tem um objetivo diferente na sua fazenda, para atender ao mercado que ele escolheu. “Então pode ser que o criador pode ter como objetivo a premiação no frigorífico por gordura, por pagamento por peso ou crescimento. Dessa forma, cada criador deve ter o seu índice para definir o que ele quer”, comenta.

Outra forma de índice, explica o professor, é com o DECA. “Esse é você pegar a avaliação genética e dividir em fatias de 10%. No DECA 1 são os primeiros 10%, DECA 2 entre 10 a 20%, DECA 3 entre 20 e 30%. Assim, quem é TOP 1? Quem nasce um a cada 100. Quem é o TOP 0,1%? É quem nasce um a cada mil. Mas a cada mil o que? De índice? Legal, se você está procurando índice, se isso resolve as suas prioridades e objetivos, você está bem coberto. Mas tem animal de índice que é TOP 10, mas que para precocidade sexual ele é TOP 0,1%. Então é preciso saber qual o seu objetivo”, afirma.

Assim, para Ferraz, é preciso que o pecuarista tome cuidado quanto as classificações de TOP 1%. “É preciso que o produtor escolha os touros baseados no percentual sim, mas daquilo que interessa para ele, das diversas características que há no catálogo. É preciso ter cuidado com 0,1%, porque nem sempre esse touro será o melhor para você”, conclui.

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Fonte: O Presente Rural
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