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Produtividade no agro cresce cinco vezes mais que na indústria com avanço da inteligência artificial no campo

Uso de dados, conectividade, genética e gestão transforma operação agrícola brasileira e amplia eficiência do setor em meio à digitalização das fazendas.

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Foto: Divulgação

A transformação tecnológica no campo brasileiro começa a produzir efeitos concretos nos indicadores econômicos do país. Impulsionada por inteligência artificial, conectividade, sensores, genética e gestão orientada por dados, a agropecuária registrou crescimento de produtividade muito superior ao observado em outros setores da economia brasileira nos últimos meses.

Fotos: Shutterstock

Dados do FGV IBRE mostram que a produtividade por hora efetivamente trabalhada na agropecuária cresceu 9,9% no quarto trimestre de 2025. No mesmo período, a indústria avançou apenas 1,8%, desempenho cerca de cinco vezes inferior ao registrado pelo agro. No acumulado do ano, o crescimento da produtividade no setor superou 13%.

O avanço reflete uma mudança estrutural no modelo produtivo do campo brasileiro, que deixou de operar prioritariamente com base em experiência empírica e decisões reativas para adotar sistemas orientados por informação, monitoramento em tempo real e integração tecnológica.

Segundo o especialista em Inteligência Artificial e Inovação Gui Zanoni, a eficiência recente do agro é resultado de uma combinação de fatores que alteraram profundamente a lógica operacional das propriedades rurais. “O primeiro ponto é o uso de dado, porque o agro passou a operar como uma estrutura orientada por informação, sem espaço para decisão baseada em percepção. O segundo é a evolução genética, que aumentou a produtividade de culturas e rebanhos em uma escala que nem sempre é percebida fora do setor”, afirma.

Ele também destaca o avanço da gestão empresarial no campo e a pressão competitiva internacional como fatores centrais para essa transformação. “O agro opera exposto ao mercado global e precisa manter eficiência para continuar relevante”, ressalta.

Tecnologia muda lógica da operação agrícola

tecnologia

A mecanização, durante décadas considerada símbolo máximo da modernização agrícola, deixou de ser o principal diferencial competitivo das propriedades rurais. Segundo especialistas, o ganho de eficiência agora está na capacidade de interpretar dados e transformar informações em decisões operacionais. “A mecanização virou o ponto de partida, não o diferencial, porque o ganho de eficiência hoje está na inteligência que opera sobre a máquina”, explica Zanoni.

Na prática, essa mudança envolve o uso crescente de tratores autônomos, drones para monitoramento de lavouras, sensores de solo, plataformas integradas de gestão e sistemas capazes de ajustar operações em tempo real com base em dados georreferenciados.

O modelo reduz desperdícios, melhora o uso de insumos, amplia previsibilidade e diminui margens de erro ao longo do ciclo produtivo. “A força mecânica perde espaço para a capacidade de interpretar informação e transformar isso em produtividade”, pontua.

Investimentos em tecnologia crescem no agro

Foto: Divulgação/Freepik

A aceleração da digitalização também aparece no volume de investimentos direcionados ao setor. Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP) projeta R$ 25,6 bilhões em investimentos em tecnologia no agro brasileiro em 2025.

O volume representa crescimento de 21% em relação ao ano anterior. Parte relevante desses recursos está sendo destinada a ferramentas de coleta e análise de dados, integração de sistemas e aplicações de inteligência artificial nas operações agrícolas.

A digitalização das propriedades também altera a forma como produtores administram riscos climáticos, logística, custos e comercialização da produção.

Desigualdade tecnológica ainda limita expansão

Apesar do avanço acelerado, o acesso às tecnologias ainda ocorre de maneira desigual no campo brasileiro. Grandes propriedades continuam concentrando maior capacidade de investimento, infraestrutura e acesso ao crédito rural.

Segundo Zanoni, o aumento das agtechs, cooperativas e plataformas digitais começa a reduzir parte dessa distância, principalmente entre médios produtores. “A tecnologia começou no topo da pirâmide porque exige investimento e escala, mas esse acesso tem avançado com a atuação de agtechs, cooperativas e soluções digitais que chegam ao produtor por meio do celular e de plataformas mais acessíveis”, afirma.

Infraestrutura ainda é gargalo

Mesmo com a expansão da conectividade rural, especialistas apontam que a infraestrutura digital segue como um dos principais entraves para a ampliação da agricultura orientada por dados no país. “O principal limite hoje não é só custo, é infraestrutura, porque sem conectividade não existe operação digital no campo, e ainda há regiões onde o acesso à rede não acompanha a velocidade da transformação tecnológica”, ressalta Zanoni.

A avaliação é de que a digitalização do agro brasileiro ainda está em processo de expansão e tende a acelerar nos próximos anos, principalmente em culturas de larga escala e sistemas integrados de produção.

Fonte: O Presente Rural

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Crédito rural da agricultura empresarial soma R$ 477,2 bilhões na safra 2025/2026

CPR liderou as modalidades de financiamento, enquanto a Região Sul concentrou o maior volume de recursos contratados.

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Foto: Gilson Abreu/AEN

O crédito rural destinado à agricultura empresarial totalizou R$ 477,2 bilhões na safra 2025/2026, encerrada em junho deste ano. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e consideram as operações realizadas entre julho de 2025 e junho de 2026, excluindo os financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Imagem criada por Jaqueline Galvão/ChatGPT/OP Rural

A Cédula de Produto Rural (CPR) foi a principal modalidade de financiamento utilizada pelos produtores, respondendo por R$ 205,2 bilhões, o equivalente a 43% do total contratado. Na sequência aparecem as operações de custeio, com R$ 150,3 bilhões (31,5%), investimento, com R$ 50,5 bilhões (10,6%), comercialização, com R$ 37,9 bilhões (7,9%), e industrialização, que movimentou R$ 33,3 bilhões (7%). Somadas, as operações de CPR e custeio alcançaram R$ 355,5 bilhões, representando 74,5% de todo o crédito concedido na safra.

Na divisão por segmentos, os médios e grandes produtores enquadrados na categoria “Demais Empresarial” concentraram R$ 210,9 bilhões em financiamentos, correspondentes a 44,1% do total. Já o Pronamp respondeu por R$ 61,5 bilhões, ou 12,9% das concessões.

Ao longo da safra foram registrados 534.828 contratos de crédito rural para a agricultura empresarial. Desse total, 161.968 correspondem a operações por meio de CPR. As operações de custeio responderam por 263.896 contratos, enquanto os financiamentos para investimento somaram 97.105 contratos.

Nos programas de investimento, as aplicações chegaram a R$ 50,5 bilhões. O RenovAgro e o Pronamp lideraram os desembolsos, ambos com cerca de R$ 5,2 bilhões, seguidos pelo Moderfrota, com R$ 4,2 bilhões, e pelo Inovagro/Moderagro, com R$ 3,9 bilhões.

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Entre as fontes de recursos, os Recursos Obrigatórios responderam por R$ 53,9 bilhões dentro das fontes controladas. Já entre as fontes não controladas, destacaram-se a LCA Livre, com R$ 67,1 bilhões, e a Poupança Rural Livre, com R$ 63,2 bilhões.

Regionalmente, a Região Sul concentrou o maior volume de crédito, com R$ 81,2 bilhões distribuídos em 146.956 contratos. O Sudeste aparece na sequência, com R$ 75,9 bilhões, praticamente empatado com o Centro-Oeste, que registrou R$ 75,8 bilhões. Apesar disso, o Centro-Oeste apresentou o maior valor médio por operação, de R$ 1,19 milhão. No Sul, o tíquete médio foi de R$ 552,2 mil.

O boletim também mostra que os recursos equalizáveis somaram R$ 53,6 bilhões na safra, o equivalente a 58,6% da programação prevista para o período, de R$ 91,4 bilhões. Desse total, R$ 28,4 bilhões foram destinados ao custeio, R$ 24,5 bilhões aos investimentos e R$ 663 milhões à comercialização.

Conforme o Mapa, os dados divulgados são provisórios e não apresentam comparações com safras anteriores em razão das restrições previstas para o período de defeso eleitoral.

Acesse os dados clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural com Mapa
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Curitiba recebe 22ª Reunião da Relare sobre inoculantes microbianos para a agricultura

Evento promovido pela Embrapa vai reunir cerca de 300 especialistas e recebe resumos científicos até 10 de agosto.

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Foto: Antonio Neto/Embrapa

A cidade de Curitiba (PR) vai sediar, nos dias 19 e 20 de agosto, a 22ª Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare). O encontro será realizado no Centro de Eventos Sistema Fiep e deve reunir aproximadamente 300 participantes, entre pesquisadores, estudantes, representantes da indústria, consultores e órgãos de fiscalização.

Promovida pela Embrapa, em parceria com a CropLife Brasil e a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPiiBio), a reunião conta ainda com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Microrganismos Promotores de Crescimento de Plantas para Sustentabilidade Agrícola e Ambiental (INCT Microagro) e da Fundação Araucária.

A programação será dedicada às discussões técnicas sobre o uso de microrganismos benéficos na agricultura, com foco em protocolos para análise da qualidade de inoculantes, padronização de metodologias e validação de novos produtos biológicos. O objetivo é promover o intercâmbio de informações técnico-científicas relacionadas ao desenvolvimento e à adoção de tecnologias que contribuam para a sustentabilidade da produção agropecuária.

A comissão organizadora também está recebendo trabalhos científicos na modalidade de resumo. O prazo para submissão termina em 10 de agosto, por meio do sistema de inscrição do evento. Os trabalhos aprovados serão apresentados em sessão de pôsteres e publicados nos anais da 22º Relare.

Para submeter o resumo, o participante deve realizar previamente a inscrição no evento, clicando aqui.

Fonte: Assessoria Embrapa
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Expansão dos insumos orgânicos pauta simpósio inédito no Rio Grande do Sul

Evento vai reunir pesquisadores, autoridades e representantes da indústria para discutir mercado, regulação e o aproveitamento de resíduos na produção agrícola.

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1º Simpósio Assiferto RS de Insumos Agrícolas com Base Orgânica acontece em 6 de agosto, em Bento Gonçalves - Foto: Divulgação/Freepik

O crescimento do mercado de insumos agrícolas de base orgânica e os desafios para ampliar o uso desses produtos no campo estarão no centro dos debates do 1º Simpósio de Insumos Agrícolas com Base Orgânica, marcado para 06 de agosto, em Bento Gonçalves (RS). Promovido pela Associação das Indústrias de Fertilizantes Orgânicos do Rio Grande do Sul (Assiferto RS), o encontro reunirá pesquisadores, representantes do poder público e empresas para discutir aspectos técnicos, regulatórios e econômicos do setor.

Presidente da Assiferto RS, Valdecir Ferrari: “Havia um bom tempo que se discute na Associação a realização do simpósio” – Foto: Divulgação/Assiferto

Segundo a entidade, a expansão da demanda por alimentos produzidos com práticas sustentáveis, aliada ao avanço das exigências ambientais e das políticas de sustentabilidade no agronegócio, tem impulsionado o mercado de fertilizantes e condicionadores de solo produzidos a partir de resíduos orgânicos.

De acordo com o presidente da Assiferto RS, Valdecir Ferrari, o simpósio foi criado para ampliar o debate sobre o papel desses insumos na agricultura brasileira. “Havia um bom tempo que se discute na Associação a realização do simpósio. O objetivo é mostrarmos à sociedade, às entidades, ao setor público e ao setor agrícola que, no Rio Grande do Sul, existem empresas organizadas e com tecnologia capazes de converter subprodutos orgânicos em insumos agrícolas de qualidade, solucionando problemas ambientais e mitigando a dependência de nutrientes importados para uso na agricultura”, afirma.

Economia circular e aproveitamento de resíduos

As empresas associadas à Assiferto RS reciclam mais de um milhão de toneladas de subprodutos orgânicos por ano. Após o processamento, esses materiais retornam à cadeia produtiva na forma de fertilizantes sólidos e líquidos, condicionadores de solo e outros insumos utilizados na agricultura.

Segundo Ferrari, o reaproveitamento desses resíduos contribui para reduzir o desperdício de nutrientes e fortalecer modelos de economia circular. “A conexão do setor de insumos agrícolas com base orgânica com a sociedade se dá principalmente no entendimento de que o nosso planeta tem limites de recursos e que, para produzir alimentos, precisamos de nutrientes finitos. A recuperação destes nutrientes por meio do aproveitamento dos subprodutos é de fundamental importância para as futuras gerações”, diz.

Programação

A programação técnica prevê palestras e painéis sobre o mercado de insumos orgânicos, regulação ambiental, inovação tecnológica e perspectivas para o setor. O evento será realizado no Dall’Onder Grande Hotel, em Bento Gonçalves, das 08 horas às 17h30, com inscrições gratuitas.

O simpósio também vai reunir representantes de órgãos públicos, pesquisadores e profissionais ligados à produção de insumos agrícolas de base orgânica para discutir os desafios e oportunidades da atividade no Brasil.

Manhã

08h – Credenciamento/Recepção

08h30  Abertura: Apresentação institucional, tecnologias aplicadas, números e perspectivas da Abertura oficial, com homenagem aos 100 anos de nascimento de José Antonio Lutzenberger

09h – Apresentação institucional, tecnologias aplicadas, números e perspectivas da Associação, Valdecir Ferrari – Presidente da Assiferto RS

09h30 – A importância dos insumos de matriz orgânica, para a sustentabilidade do agro moderno – com Clorialdo Roberto Levrero, presidente da Abisolo

10h15 – Políticas Públicas Ambientais e Legislação Estadual, com Marjorie Kauffmann – Secretária do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul/Fepam

11h – Mesa Redonda

12h – Almoço (por adesão)

Tarde

13h30 – Legislação sobre Insumos Agrícolas – MAPA RS, com Henrique Bley

14h15 – Eficiência no uso de Fertilizantes de Matriz Orgânica, com Fabiano Daniel de Bona – Pesquisador da Embrapa Trigo

15h – Aspectos de Fisiologia Vegetal no uso de Insumos com Base Orgânica – UFPR, com Átila Francisco Mógor

15h45 – Intervalo

16h – O Papel dos Insumos com base Orgânica no Desenvolvimento da Agricultura no RS, com Marcelo Biassusi da Emater

16h45 – Mesa Redonda

17h30 – Encerramento

Fonte: Assessoria Assiferto
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