Bovinos / Grãos / Máquinas
Produtividade leiteira em Israel supera em quatro vezes a média brasileira
Dados mostram média de 2.632 litros por bovinos leiteiros no país, frente a mais de 12 mil litros no sistema israelense.

Israel mantém, há anos, um dos mais altos índices de produtividade leiteira por vaca do mundo. O dado chama atenção porque o país opera sob condições desafiadoras para a atividade: clima quente, escassez territorial e custos elevados de produção. A comparação com o Brasil, que possui uma das maiores cadeias agropecuárias globais, frequentemente surge no debate técnico. Afinal, se o país dispõe de ampla base produtiva e diversidade de sistemas, por que os indicadores médios ainda são tão distintos?
Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE, o Brasil produziu 35,7 bilhões de litros de leite em 2024, estabelecendo novo recorde nacional. O volume reforça a relevância econômica da cadeia. No entanto, quando o foco se desloca para a eficiência individual, a leitura muda. A produtividade média brasileira ficou em aproximadamente 2.632 litros por vaca ao ano – índice em crescimento ao longo dos anos, mas ainda distante das referências internacionais mais intensivas.
Dados da Israel Cattle Breeders Association (ICBA) indicam produtividade média superior a 12 mil litros por vaca ao ano. A diferença entre os sistemas não é marginal. É estrutural.
Produtividade média e heterogeneidade brasileira

Foto: Arnaldo Alves/AEN
A média nacional brasileira é reflexo de diversidade modelos de produção existentes no país. O setor leiteiro opera sob múltiplas configurações, como sistemas intensivos confinados, semi-confinamento, produção a pasto em diferentes níveis de tecnificação, pequenos produtores familiares e grandes operações empresariais.
Essa heterogeneidade é uma característica central da cadeia. Embora existam propriedades altamente tecnificadas, com produção comparável às melhores referências globais, a ampla variação entre sistemas dilui os indicadores médios.
Israel, em contraste, desenvolveu um modelo mais padronizado. A variabilidade operacional é significativamente menor, o que contribui para maior estabilidade dos resultados produtivos.
Estresse térmico e impacto produtivo
O estresse térmico é uma das variáveis de maior impacto sobre o desempenho leiteiro em ambientes quentes. Uma meta-análise publicada no Journal of Dairy Science, que integrou mais de 30 estudos sobre efeitos do calor na alimentação, produção de leite e eficiência alimentar, mostra que altas temperaturas influenciam diretamente em consumo de matéria seca, eficiência alimentar, fertilidade, saúde metabólica e persistência de lactação.

Foto: Fernando Dias
Israel enfrenta calor intenso, mas investiu fortemente em sistemas de resfriamento e em manejo voltado ao conforto animal. De acordo com doutor Israel Flamenbaum, estudioso especialista em estresse térmico que publicou artigo sobre o tema em 2021, ventilação, aspersão e são estratégias de mitigação térmica são amplamente adotadas. O objetivo é reduzir os efeitos fisiológicos do calor sobre os animais.
No Brasil, o estresse térmico também é fator permanente em grande parte das regiões produtoras. A adoção ampla de sistemas agressivos de climatização encontra limitações associadas a custo energético, estrutura física e viabilidade econômica, especialmente em sistemas a pasto.
Eficiência reprodutiva e estabilidade produtiva
Desempenho reprodutivo é determinante para a sustentabilidade produtiva em sistemas leiteiros intensivos. Indicadores como taxa de prenhez, dias em aberto e intervalo entre partos influenciam diretamente a produção ao longo da lactação, a eficiência econômica e a longevidade produtiva.
Ainda de acordo com publicações daquele país, Israel trabalha esses índices sob regime de monitoramento contínuo. A tomada de decisão ocorre com base em dados individuais, permitindo ajustes rápidos e redução de perdas associadas a falhas reprodutivas.
No Brasil, a variabilidade ambiental, nutricional e estrutural entre propriedades impõe maior dispersão nos resultados reprodutivos, fator que impacta a eficiência média do sistema.
Eficiência alimentar e conversão produtiva

Foto: Gisele Rosso
Outro indicador relevante em sistemas de alta performance é a eficiência alimentar, expressa na relação entre leite produzido e matéria seca ingerida. Essa métrica condensa múltiplas variáveis: qualidade e estabilidade da dieta, saúde ruminal, conforto animal e condição metabólica.
Sistemas mais controlados tendem a apresentar maior previsibilidade na conversão alimentar. Israel opera sob lógica de redução de variabilidade nutricional, com ajustes frequentes e monitoramento rigoroso de consumo. No Brasil, oscilações de clima, manejo e qualidade de dieta contribuem para maior variação nos índices de conversão alimentar.
Economia da produção e capacidade de intensificação

Foto: Divulgação/OP Rural
Indicadores produtivos não podem ser analisados isoladamente do ambiente econômico. Dados do CEPEA mostram que o produtor brasileiro convive com significativa volatilidade de preços. Em 2025, os valores pagos ao produtor acumularam queda expressiva em termos reais, pressionando margens e restringindo capacidade de investimento. A intensificação produtiva exige elevado investimento em infraestrutura, custo operacional intensivo, maior demanda energética, nutrição de precisão e mão de obra qualificada. E no Brasil, nem sempre essa equação apresenta viabilidade uniforme em cenários de instabilidade econômica.
Israel opera sob lógica distinta, com cadeia altamente organizada e maior previsibilidade estrutural, além de um rebanho muito menor.
Leitura técnica comparativa
A análise comparativa entre Brasil e Israel aponta diferenças fundamentais: Israel apresenta elevada eficiência média e menor variabilidade sistêmica. Já o Brasil apresenta ampla variabilidade entre sistemas produtivos. A distinção central reside menos na capacidade tecnológica e mais na consistência operacional.
Elementos transferíveis ao sistema brasileiro
Apesar das diferenças estruturais, diversos aspectos do modelo israelense encontram aplicação prática no contexto brasileiro: uso sistemático de indicadores zootécnicos, gestão reprodutiva disciplinada, nutrição de precisão, monitoramento metabólico, estratégias economicamente viáveis de conforto térmico, além de redução de variabilidade operacional. São práticas já observadas em propriedades brasileiras de alto desempenho.
Eficiência como construção sistêmica
Os dados oficiais reforçam uma constatação objetiva: o Brasil já demonstra capacidade técnica para operar em padrões globais de excelência. O principal desafio reside na redução da dispersão dos resultados. Israel mantém liderança não apenas por elevados índices produtivos, mas pela estabilidade sistêmica dos indicadores. A produtividade elevada, nesse contexto, emerge como consequência direta de controle das variáveis que impactam o desempenho biológico.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Feicorte abre debates sobre o futuro da pecuária e o protagonismo do Brasil no mercado global
Programação aborda tecnologias de precisão, sustentabilidade e tendências que devem moldar a produção de carne nos próximos anos.

O futuro da produção pecuária no Brasil será debatido ao longo desta semana, na Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte), que teve início nesta terça-feira (23), em Presidente Prudente (SP). O evento, que segue até sexta-feira (26), tem como tema central “O Boi Brasileiro: Um Mundo de Oportunidades” e reúne especialistas nacionais e internacionais para abordar genética, sustentabilidade, nutrição, sanidade, manejo, tecnologias de precisão e o papel do Brasil no abastecimento global.

Carla Tuccilio, CEO da Verum e organizadora da Feicorte: “Para 2026, esperamos que a Feicorte seja o espelho da evolução da carne brasileira” – Foto: Divulgação
A abertura do encontro contou com a presença da CEO da Verum e organizadora da Feicorte, Carla Tuccilio, que destacou o esforço coletivo para a realização do evento. “Essa edição nasce de um esforço coletivo e tenho certeza de que teremos um grande encontro. Agradeço a todos que contribuíram para essa Feicorte, especialmente à nossa equipe, que vem trabalhando incansavelmente”, destacou.
Segundo ela, o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, tem na pecuária uma de suas principais forças econômicas ao movimentar mais de R$600 bilhões ao ano. Nesse contexto, o tema desta edição propõe um olhar estratégico sobre como transformar a vocação produtiva do país em rentabilidade real, com a tecnologia como fator decisivo dentro da porteira. “Para 2026, esperamos que a Feicorte seja o espelho da evolução da carne brasileira, sustentada em três pilares: força, que representa a potência produtiva do maior rebanho comercial do mundo; brasilidade, valorizando nossa identidade, genética e forma única de fazer pecuária; e inovação, porque o futuro exige tecnologia, sustentabilidade e visão estratégica”, afirmou.
DNA feminino da carne
Iniciada pelo painel DNA feminino da carne, a programação do evento foi pensada nos principais elos da cadeia produtiva. “A mulher representa força e dedicação na

Foto: Divulgação
atividade e em diversos setores da economia. Por isso, iniciamos o encontro com um debate de alto nível, evidenciando a história e experiência das profissionais que ajudam a construir a pecuária nacional”, realçou.
O espaço reuniu profissionais do setor que abordaram as transformações da pecuária brasileira e trouxeram perspectivas sobre temas estratégicos relacionados à qualidade da carne, genética, hábitos de consumo, saúde, experiência gastronômica e à contribuição das mulheres para uma cadeia cada vez mais alinhada às demandas do mercado.
Participaram do painel a especialista em churrasco e primeira sommelier de carnes do Brasil, Larissa Morales, que compartilhou sua experiência na gastronomia e destacou que sua relação com o churrasco começou ainda na infância, acompanhando os preparos em família; a pecuarista Clélia Pacheco, selecionadora da raça Bonsmara, que trouxe ao debate uma reflexão sobre a presença feminina no agro e os desafios enfrentados por mulheres que assumem a gestão das propriedades rurais; a nutricionista Letícia Moreira, pioneira mundial na adoção da dieta carnívora em modalidades de alta resistência; e a diretora técnica da DGT Brasil e referência em avaliação de carcaça, Liliane Suguisawa, que relembrou sua atuação profissional, marcada por uma relação histórica com o evento e com a pecuária de corte brasileira.
Novas ferramentas de seleção genética
O cientista norte-americano e Chief Scientific Officer da Acceligen, Tad Sonstegard, apresentou os avanços da edição gênica aplicada ao desenvolvimento de bovinos de corte mais eficientes, sustentáveis e adaptados às condições tropicais.

Foto: Divulgação
Com ampla experiência internacional em biotecnologia animal, o pesquisador detalhou o cronograma de introdução das primeiras soluções comerciais no Brasil, com destaque para linhagens voltadas à tolerância ao calor e à resistência a doenças. “Os primeiros produtos de sêmen e embriões chegarão ao mercado nos próximos anos, começando pelo Angus Slick, que foi classificado como não transgênico pela CTNBio no Brasil e terá os dados iniciais de sua descendência nacional consolidados em 2027”, explicou.
Beef Hour das Raças celebra diversidade genética e qualidade da carne
A Beef Hour das Raças foi um dos momentos de maior destaque do primeiro dia da Feicorte. A tradicional degustação reuniu 18 variedades, proporcionando aos participantes uma experiência que conectou genética, pecuária e atributos de qualidade dos diferentes produtos apresentados.
Participaram da edição deste ano as raças bovinas Nelore, Tabapuã, Brahman, Sindi, Gir, Guzerá, Brangus, Senepol, Angus, Bonsmara, Montana, Wagyu, Caracu, Canchim e Texas Longhorn. Como novidade, a Beef Hour também contou com cortes de búfalo e de cordeiro da raça Suffolk, ampliando a diversidade de experiências gastronômicas e sistemas produtivos representados no evento.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Pecuária sustentável ganha selo oficial e incentivo no crédito rural
Certificação em boas práticas amplia a competitividade das fazendas e assegura benefício financeiro para produtores de médio e grande porte.

O Programa Boas Práticas Agropecuárias para Bovinos e Bubalinos de Corte (BPA Bovinos e Bubalinos de Corte), desenvolvido pela Embrapa, recebeu reconhecimento oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A homologação foi publicada no Diário Oficial da União em 08 de junho e representa um marco para a pecuária brasileira, tornando o BPA o primeiro programa de produção animal do país a obter esse tipo de chancela do governo federal.

Foto: Divulgação
Criado em 2015 por pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, o manual passou por atualização em 2023, incorporando novas diretrizes voltadas à sustentabilidade, ao bem-estar animal, à eficiência produtiva e ao uso de tecnologias digitais nas propriedades.
Segundo a pesquisadora da Embrapa, Vanessa Felipe de Souza, o reconhecimento fortalece a credibilidade da iniciativa e amplia sua importância para a cadeia pecuária. “Esse programa se destaca porque poderá servir como referência para outros guias de boas práticas, além de gerar mais confiança para o produtor e conceder benefícios às fazendas certificadas”, afirma.
Produção mais eficiente e sustentável
O BPA Bovinos e Bubalinos de Corte reúne um conjunto de normas e procedimentos destinados a tornar os sistemas produtivos mais competitivos e rentáveis, ao mesmo tempo em que busca garantir a oferta de alimentos seguros e produzidos de forma sustentável.
As orientações abrangem áreas como manejo sanitário, bem-estar animal, gestão da propriedade e adoção de ferramentas digitais para aumentar a eficiência da atividade.
Por apresentar diretrizes adaptáveis a diferentes realidades, o programa pode ser implementado por produtores de pequeno, médio e grande porte, em diversas

Foto: Divulgação
regiões do país e em distintos sistemas de produção.
Além do manual técnico, a Embrapa também desenvolveu dois aplicativos específicos: um voltado aos produtores rurais e outro destinado aos técnicos credenciados responsáveis pelo acompanhamento das propriedades.
Certificação pode reduzir juros do custeio
Entre os benefícios da adesão ao programa está a possibilidade de acesso a incentivos financeiros. Produtores de médio e grande porte certificados pelo BPA terão direito a desconto de 0,5 ponto percentual nas taxas de juros do custeio agrícola previstas no Plano Safra 2026.
Além do incentivo econômico, a certificação contribui para a organização da propriedade, melhoria dos processos produtivos e fortalecimento da sustentabilidade da atividade pecuária.
Como participar
Os produtores interessados podem conhecer as diretrizes do programa por meio do site oficial do BPA Bovinos e Bubalinos de Corte ou procurar a Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), além das unidades descentralizadas da instituição espalhadas pelo país.
A rede de apoio inclui centros da Embrapa nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, permitindo que a iniciativa alcance diferentes sistemas produtivos e realidades da pecuária brasileira.
Bovinos / Grãos / Máquinas Em menos de um ano
Indonésia se torna segundo maior destino dos miúdos bovinos do Brasil
País asiático importou mais de 12 mil toneladas do produto entre janeiro e maio, movimentando US$ 19,5 milhões.

Menos de um ano após a abertura do mercado para os miúdos bovinos brasileiros, a Indonésia já ocupa a segunda posição entre os principais compradores do produto, atrás apenas de Hong Kong. Entre janeiro e maio de 2026, o país asiático importou mais de 12 mil toneladas, movimentando US$ 19,5 milhões.
O rápido avanço das compras está ligado ao tamanho do mercado indonésio. Com população superior a 284 milhões de habitantes, a Indonésia importou mais de 70 mil toneladas de miúdos bovinos em 2025, em negócios que ultrapassaram US$ 150 milhões.
Os embarques brasileiros para o mercado internacional também seguem em expansão. Nos cinco primeiros meses deste ano, o Brasil exportou mais de 106 mil toneladas de miúdos bovinos para 117 países, gerando receita de US$ 256 milhões. Em 2025, as exportações do produto alcançaram 267 mil toneladas, com faturamento de US$ 605 milhões.

Foto: Divulgação/Freepik
A autorização para a entrada dos miúdos bovinos brasileiros na Indonésia foi concedida em agosto de 2025. Desde então, o número de frigoríficos habilitados a exportar para o país aumentou gradualmente. Em setembro do ano passado, 17 plantas foram incluídas na lista de exportadores autorizados, elevando para 38 o total de unidades aptas a atender o mercado indonésio. Em janeiro deste ano, outras 14 plantas foram habilitadas, totalizando 52 estabelecimentos autorizados.
O crescimento das exportações ocorre em meio à ampliação das relações comerciais entre os dois países. Atualmente, a Indonésia é o 11º principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Entre janeiro e maio deste ano, as compras de produtos agropecuários brasileiros superaram US$ 1 bilhão, com destaque para o complexo soja, fibras e produtos têxteis, além de fumo e derivados.
Embora tenham consumo mais restrito no mercado brasileiro, os miúdos bovinos encontram demanda significativa em diversos mercados internacionais. As exportações desses produtos ampliam o aproveitamento comercial dos animais abatidos e representam uma importante fonte adicional de receita para a cadeia da carne bovina.



