Bovinos / Grãos / Máquinas
Produtividade e reprodução: desafios, oportunidades e suas fronteiras
Desde a pesquisa ao produto final nos deparamos com várias fases de desafios para superar a produtividade
Artigo escrito por Carlos Eduardo Godoy, médico veterinário e gerente de Marketing da Biogénesis Bagó
No Brasil, assim como em boa parte da América Latina, temos características interessantes no que se refere aos desafios e às oportunidades da pecuária e também para a modernização do agronegócio. Realizar comparativos entre a produção atual e os índices de produção desejáveis é o primeiro passo na busca pelos resultados alcançáveis.
Nossa cadeia produtiva possui diversos elos que passam despercebidos, os quais chamamos de “elos invisíveis da produção”. Desde a pesquisa ao produto final nos deparamos com várias fases de desafios para superar a produtividade. O ideal é que cada uma delas seja explorada em seu potencial máximo para assim compormos o ciclo da cadeia com máxima eficiência.
Produzir a melhor carne do mundo passa pelo anseio de se conhecer a fundo as características desse produto na visão dos nossos clientes. A pecuária na América Latina cresce a uma taxa anual de 3,7%, superior à média de crescimento global (2,1%). Nos últimos anos, a demanda total por carnes aumentou em 2,45%. As exportações de carne cresceram em 3,2%, cifra superior à elevação da taxa de produção, que foi de 2,75% (FAO, 2012).
Os elos invisíveis da cadeia produtiva envolvem importantes desafios. De acordo com levantamento realizado pelo Cepea em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), são a compra de animais, que representa 55% dos custos, a suplementação mineral, em torno de 12%, a mão de obra, com 11,7%, gastos administrativos, com 3,4%, e a dieta com 3,1% o que afeta severamente a produtividade se ocorrer falta de gestão dentro das propriedades. O aumento do risco de pragas e doenças que saltam às fronteiras dos países e as ameaças associadas aos impactos negativos das mudanças climáticas sobre o setor pecuário também precisa ser considerado entre os fatores focais.
É de grande importância dar atenção à gestão dentro das propriedades pecuárias e esse nível de trabalho tem considerável diferenciação nos países da América do Sul e mais precisamente no Brasil.
Muito a avançar
Na pecuária brasileira ainda existem muitos desafios e fronteiras a serem alcançadas, pois em grande parte do país predomina a pecuária extensiva que depende basicamente das pastagens, restringindo a suplementação alimentar ao fornecimento de sais minerais. Nesse modelo, não há investimento em melhoria das pastagens, que em grande parte, encontra-se em estágios de degradação. A produtividade anual é abaixo de 120 kg de peso vivo ou quatro arrobas por hectare/ano. As taxas de desmama são menores que 60%, com idade de abate dos machos e idade ao primeiro parto da matriz maior que os 42 meses de idade. O ganho médio de peso diário dos animais durante as águas situa-se entre 0,4 e 0,5 kg/animal e, na época da seca, eles podem chegar a perder uma arroba.
Do outro lado, o que se busca é uma fronteira produtiva em que a gestão da propriedade é feita com excelência e a preocupação com a manutenção e melhoria dos processos são levados à risca, tais como pastagens, uso de fertilizantes, rotação dos animais, suplementação mineral, suplementação por proteinados e rações a pasto (semiconfinamento) e em confinamento, e utilização de um calendário sanitário personalizado para a propriedade. A produtividade anual alcançada então nessas fronteiras é acima de 180 kg de peso vivo ou seis arrobas por hectare/ano. As taxas de desmama são maiores que 75%, com idades de abate dos machos e ao primeiro parto da matriz entre 24 e 36 meses. O ganho médio de peso diário dos animais durante as águas fica entre 0,6 e 1,0 kg/animal e, na época da seca, de 0,5 a 0,8 kg/dia a pasto ou, ainda, acima de 1,0 kg por dia em confinamento.
Outra fronteira produtiva a ser explorada é na antecipação as prenhes das matrizes da propriedade, encurtando o período de estação de monta, elevando o número de animais nascidos de inseminação artificial, reduzindo a dependência por touros de repasse e estreitando o intervalo entre partos. Essas são as premissas de um bom protocolo de IATF – Inseminação Artificial em Tempo Fixo – com ressincronização, que confere taxas de prenhes surpreendentes logo na primeira aplicação, com resultados acima de 70%, em média. Ou seja, de cada 100 vacas inseminadas, tem-se confirmada, num intervalo máximo de 30 dias (prazo do primeiro diagnóstico precoce de gestação), prenhes positiva em 70 delas.
Por que se contentar com pouco se é possível conseguir mais, superando as fronteiras produtivas?
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
