Suínos
Produtividade catarinense caminha ao lado da sustentabilidade social e ambiental
Produtores, cooperativas e indústrias unem tecnologia, pesquisa e práticas responsáveis para garantir produtividade e preservar o meio ambiente na suinocultura catarinense.

Confira o quarto episódio da Expedição Suinocultura: Rotas do Brasil- Santa Catarina, clicando aqui.
Em Santa Catarina, produzir suínos nunca foi apenas uma questão de mercado. O estado que lidera a suinocultura nacional sabe que o futuro da atividade depende do equilíbrio entre produtividade e responsabilidade ambiental. O quarto episódio da série Expedição Suinocultura: Rotas do Brasil mostra como tecnologia, gestão e consciência estão transformando desafios ambientais em oportunidades.
Se décadas atrás os dejetos eram vistos apenas como problema, hoje eles são parte de um sistema mais inteligente, que integra energia, fertilidade do solo e redução de impactos. O meio ambiente deixou de ser obstáculo e passou a ser pilar de uma suinocultura competitiva e respeitada.
Produzir não é mais suficiente
Mário Faccin, maior suinocultor independente do Brasil, resume bem o espírito do tempo: “hoje não importa apenas o que eu produzo, mas como eu produzo”. A frase ecoa o que bancos, consumidores e mercados internacionais vêm exigindo: suínos criados de forma ética, com cuidado ambiental, respeito ao bem-estar animal e valorização das pessoas.
A mudança é visível. Energia solar, compostagem acelerada, reuso da água e sistemas de biosseguridade rígidos já são rotina em muitas propriedades. Cooperativas e indústrias somam esforços para certificar processos, enquanto a pesquisa organiza protocolos nacionais de sustentabilidade.
O papel da ciência
Em Concórdia, a Embrapa Suínos e Aves atua como referência mundial. Foi ali que se estruturaram soluções para problemas críticos, como a destinação de animais mortos – um desafio sanitário e ambiental que ganhou tecnologias específicas e protocolos de segurança.
Mais recentemente, a instituição lidera a construção de um protocolo brasileiro de sustentabilidade da suinocultura, reunindo indicadores, métricas e parâmetros para dar transparência à cadeia. O trabalho abrange desde o uso eficiente da água e a mitigação de gases de efeito estufa até a redução de antibióticos e perdas em frigoríficos. É a ciência ajudando a transformar exigências em diferencial competitivo.
A visão do campo
Nas propriedades rurais, sustentabilidade deixou de ser discurso. Em Braço do Norte, por exemplo, produtores transformam dejetos em fertilizante para pastagens de bovinos, num ciclo que reduz impactos e gera retorno econômico. Para famílias como os Marin, energia limpa e fertirrigação são realidades que reduzem custos e reforçam a imagem de uma atividade que respeita o meio ambiente.
Lideranças associativas reforçam que a consciência ambiental é hoje parte do perfil do produtor catarinense. Para erguer um novo galpão, é preciso primeiro obter licenças ambientais. Fiscalizações e controles laboratoriais garantem qualidade do solo e da água. E, mais importante, há um sentimento de que preservar não é opção, mas condição de sobrevivência da atividade.
A indústria e os mercados
Nas agroindústrias, o olhar sobre sustentabilidade é igualmente pragmático. Com quase 5 mil propriedades integradas, sistemas cooperativos como a Aurora destacam que nenhuma granja opera sem licenciamento ambiental. O aproveitamento integral dos dejetos, a busca por biodigestores viáveis e a gestão criteriosa dos recursos fazem parte da rotina.
O mercado internacional também pressiona: países importadores querem garantias de que a carne suína brasileira respeita padrões ambientais e sociais. Para os líderes catarinenses, mostrar ao mundo a competência técnica e a responsabilidade ambiental do estado é, ao mesmo tempo, obrigação e oportunidade.
Uma nova lógica de futuro
O episódio mostra que sustentabilidade deixou de ser um apêndice para se tornar essência da atividade. Santa Catarina, com pouco mais de 1% do território nacional, entendeu que só poderia se consolidar como potência mundial se cuidasse do ambiente que a sustenta.
Hoje, suinocultura e sustentabilidade caminham juntas. O campo se transforma em laboratório vivo de inovação, onde tradição, ciência e consciência se encontram. E é dessa convergência que nasce a confiança de que o futuro da atividade está garantido – sólido, respeitado e em sintonia com as demandas da sociedade.

Suínos
Mato Grosso consolida protagonismo na suinocultura com recordes de exportação em 2025
Estado acompanha desempenho histórico do Brasil, amplia presença em mercados internacionais e reforça sua força produtiva mesmo sem expansão do plantel.

O ano de 2025 foi marcado por resultados expressivos para a suinocultura brasileira, impulsionados principalmente pelos recordes de exportação alcançados pelo país. Mato Grosso acompanha esse desempenho positivo e registra números históricos tanto em exportações quanto em abates, evidenciando a força de recuperação da atividade após os desafios enfrentados em 2022 e 2023.
Um dos marcos mais relevantes de 2025 foi o reconhecimento do Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação. A conquista amplia as expectativas de abertura de novos mercados e reforça o trabalho sério e contínuo realizado pelo país, especialmente por Mato Grosso, na manutenção de um elevado status sanitário.
Outro destaque do ano foi a mudança no perfil dos compradores da carne suína brasileira. Tradicionalmente lideradas por China e Hong Kong, as exportações passaram a contar com maior protagonismo das Filipinas, além do fortalecimento de mercados exigentes como Japão, México e outros países.

Presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho: “Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa”
Segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a produção nacional deve atingir 5,47 milhões de toneladas em 2025, alta de 2,0% em relação a 2024.
Mesmo com a expansão da oferta, os preços pagos ao produtor reagiram positivamente. Dados do Cepea mostram que, até o terceiro trimestre, as cotações ao produtor independente subiram 10,8% na comparação anual, sustentadas pela boa demanda.
No acumulado de janeiro a novembro, as exportações brasileiras de carne suína cresceram 10,8%, superando o volume de 2024 — que já havia sido um ano recorde. As Filipinas consolidaram-se como o principal destino, representando 24,5% da receita, seguidas por Japão, China e Chile.
De acordo com os dados compilados pelo Data Hub da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), as exportações de carne suína passaram de US$ 59,97 milhões entre janeiro e novembro de 2024 para US$ 68,55 milhões no mesmo intervalo de 2025. O setor manteve crescimento impulsionado pela ampliação de mercados compradores, sobretudo na Ásia.
“Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa. O cenário demonstra a capacidade produtiva do país: sempre que desafiado, o produtor brasileiro responde com eficiência, qualidade e volume, garantindo o atendimento dos mercados interno e internacional”, pontua o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho.
Para 2026, o principal ponto de atenção do setor está relacionado aos custos de produção. O plantio da safra 2025/2026 ocorre de forma atrasada em função de problemas climáticos e da falta de chuvas, o que gera preocupação quanto à safrinha de milho no Centro-Oeste. O risco de menor produtividade e qualidade do grão acende um alerta, já que o milho representa um dos principais componentes do custo da suinocultura.
“Diante desse cenário, a orientação é para que os produtores estejam preparados para enfrentar possíveis elevações nos custos ao longo do ano. No mercado, a expectativa é de estabilidade tanto nos preços do suíno quanto no consumo interno e nas exportações, que devem permanecer firmes. Assim, o ambiente comercial tende a ser equilibrado, embora com atenção redobrada aos impactos dos custos de produção”, ressalta, Tannure.
Em Mato Grosso, mesmo sem crescimento significativo do plantel, a produção estadual continua em expansão, acompanhando a demanda e evitando desabastecimento. O desempenho reforça a resiliência e a força do produtor mato-grossense.
Suínos
Mercado do suíno inicia janeiro com variações moderadas
Cotações do suíno vivo registram altas e quedas pontuais entre estados, sem movimentos bruscos, segundo o Cepea.

Os preços do suíno vivo apresentaram comportamento misto nesta segunda-feira (05), conforme o Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq. Entre os principais estados produtores, as variações diárias foram moderadas, refletindo ajustes pontuais do mercado no início de janeiro.
Em Minas Gerais, na modalidade posto, o suíno foi cotado a R$ 8,44/kg, com queda de 0,24% no dia e leve alta acumulada de 0,12% no mês. No Paraná, na modalidade a retirar, o preço subiu 0,36% frente ao dia anterior, alcançando R$ 8,26/kg, embora ainda acumule recuo de 0,12% em janeiro.
No Rio Grande do Sul, a cotação recuou 0,60% no dia, para R$ 8,24/kg, registrando também a maior queda mensal entre os estados acompanhados, com baixa acumulada de 0,72%. Em Santa Catarina, o preço ficou em R$ 8,32/kg, com retração diária de 0,12% e queda de 0,36% no acumulado do mês.
Já em São Paulo, na modalidade posto, o suíno vivo foi negociado a R$ 8,91/kg, com recuo de 0,45% no dia e estabilidade no resultado mensal até o momento. Segundo o Cepea, o cenário indica um mercado ainda ajustando oferta e demanda no início do ano, sem movimentos bruscos nas cotações.
Suínos
Suinocultura projeta 2026 com exportações em alta e margens sustentadas
Com demanda externa aquecida, preços firmes no mercado interno e crescimento moderado da produção, o setor deve ampliar embarques e manter rentabilidade ao produtor, segundo projeções do Cepea.

Após o bom desempenho registrado em 2025, a suinocultura brasileira mantém projeções otimistas para 2026. A ampliação da demanda externa somada ao crescimento moderado da produção e à manutenção de preços firmes devem assegurar margens atrativas ao longo do ciclo.
Cálculos do Cepea indicam cerca de 1,44 milhão de toneladas de carne suína embarcadas no próximo ano, o que representaria um crescimento de 6,3% sobre 2025.
Esses números podem, inclusive, melhorar a posição do Brasil no ranking dos maiores exportadores mundiais da proteína, desde 2023, o País ocupa o 3º lugar, conforme dados do USDA.

Foto: O Presente Rural
Segundo pesquisadores do Cepea, a expectativa é de abertura e consolidação de novos mercados, além da expansão do valor total exportado. Entre os parceiros comerciais do Brasil, as Filipinas devem continuar sendo o principal, adquirindo 7% a mais da carne suína nacional em 2026.
Já para a China, o 2º maior destino, o total embarcado deve seguir em queda, dada a demanda decrescente do país nos últimos anos – entre 2021 e a parcial de 2025, o total enviado ao país caiu mais de 70%.
Nas Américas, o México deve continuar ampliando a demanda por carne brasileira. No mercado doméstico, os preços podem seguir em patamares elevados no próximo ano. Ao mesmo tempo, estimativas do Cepea apontam que a dinâmica de menor volatilidade deve ser mantida – em 2025, as cotações permaneceram praticamente estáveis em algumas praças por quatro ou até seis semanas ininterruptas.
A expectativa de preços firmes se sustenta na continuidade da demanda aquecida. Segundo a ABPA, o consumo per capita da proteína suinícola é projetada em 19,5 quilos em 2026, incremento de 2,5% frente ao ano anterior.
Do lado da produção de carne suína, o Cepea estima aumento de 4%, chegando a 5,88 milhões de toneladas. Assim como em 2025, o Cepea projeta um bom ano ao produtor, favorecido pelos preços firmes do animal.



