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Produção sustentável de aves dominou a Eurotier 2022

Visitantes conheceram as principais novidades para o setor em áreas como biosseguridade, sustentabilidade, sanidade, bem-estar animal e custos de produção e cuidados ambientais.

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Fotos: O Presente Rural

A Eurotier 2022, realizada no mês de novembro, na Alemanha, apresentou algumas das principais novidades para a avicultura em áreas como biosseguridade, sustentabilidade, sanidade, bem-estar animal e custos de produção e cuidados ambientais. Um aspecto digno de ser mencionado em relação à feira é a grande extensão territorial onde ela foi realizada. Foram mais de 250 mil metros quadrados e aproximadamente 1,8 mil expositores participando.

Bruno Veiga, diretor comercial da Sauvet

Conforme ressalta o diretor comercial da Sauvet e zootecnista Bruno Veiga, a grandeza da feira tem início na ampla extensão territorial do evento. “O tamanho da feira e a quantidade de expositores chamou a atenção de todos que visitaram a Eurotier”.

Bruno destacou que os expositores procuraram enaltecer a produção sustentável, preocupação com o clima, bem-estar animal e segurança alimentar. “Essas temáticas foram o grande foco dos expositores, que são empresas de tecnologia que oferecem diversas opções de solução para ajudar o produtor no controle das informações. São tecnologias muito avançadas e que impressionaram também”, afirma.

O zootecnista expõe que muito do que foi apresentado pode ser aproveitado na avicultura brasileira. “As novidades em equipamentos, tecnologia de informação e aditivos para melhor desempenho animal já estão sendo aplicadas na avicultura brasileira e o que vem chegando de novidade será adaptado à nossa realidade”, reflete.

Ele explica ainda que algumas novidades em subprodutos utilizados como fonte alternativa em nutrição não devem ser aproveitadas no Brasil. “Em muitos aspectos, a nossa realidade é um pouco diferente da Europa, pois aqui no Brasil temos grande oferta de grãos. No entanto, é sempre importante estar atento às novas tecnologias de substituição e avaliar sua viabilidade para o mercado brasileiro”, explica.

Outro tema apresentado foi o de diminuir o excedente de nutrientes na nutrição para ajudar nas questões de custos e nas questões ambientais. Bruno argumenta que o consumidor tem feito escolhas baseadas em fatores como poluição e bem estar animal. “É o consumidor que direciona o mercado. À medida que o consumidor exige o mercado de produção de proteína precisa mudar junto e procurar novas tecnologias que melhorem esses fatores”, expõe.

Ele lembra ainda que durante a Eurotier foi possível visualizar uma gama de aditivos e medidas para reduzir as emissões de CO2. “A avicultura brasileira está atenta a essa demanda e já vem implementando tecnologias há anos e deve intensificar as medidas nos próximos anos produzindo mais e melhor”, observa.

Com relação a tecnologias ou medidas profiláticas (preventivas), que visam auxiliar nas questões de saúde animal, o zootecnista diz que durante a Eurotier o que se viu na ampla maioria das empresas foram opções de aditivos naturais. “Esses insumos visam melhorar a saúde e performance animal sem o uso de aditivos químicos e antibióticos”.

Bruno explica ainda que conversou com produtores europeus, durante a feira, e que foi possível constatar que essas medidas já estão adiantadas no velho continente e que eles já têm mais experiência no uso desses aditivos. “Segundo os produtores europeus, eles sofrem muito com a legislação que é bastante severa. Aqui no Brasil já vemos muitas opções de aditivos com essa finalidade e a tendência é que mais opções cheguem nos próximos anos. É importante que isso seja testado e avaliado dentro do nosso sistema de produção e o que for viável seja mantido e regulamentado”.

Fernando Gnoatto, diretor da Inobram Automações

Tratamento de dejetos
Os mais de 106 mil congressistas, oriundos de 141 países, que tiveram o privilégio de participar da Eurotier acompanharam a exposição de inúmeras tecnologias para o tratamento de dejetos de aves que visam a geração de energia.

Conforme Fernando Gnoatto, diretor da Inobram Automações, muitas da novidades que foram apresentadas lá podem ser aplicadas na avicultura brasileira. “Essas tecnologias são uma grande oportunidade para aproveitar os dejetos, cuidar do meio ambiente e utilizar a energia produzida para diminuir custos de produção”, explica. “Eurotier 2022 foi uma vitrine do que há de melhor e mais moderno em tecnologias para o agronegócio, tudo em prol de aumentar produção com bem-estar animal e menos impacto ambiental”, destaca.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital de Avicultura Corte e Postura. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Carne de frango recua após três meses de avanço

Queda em novembro foi puxada pela oferta elevada de frango vivo e pela demanda mais fraca na segunda quinzena, enquanto o setor se divide sobre o rumo dos preços no fim do ano.

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Foto: Divulgação/Freepik

Os preços da carne de frango caíram em novembro, interrompendo três meses seguidos de alta, apontam levantamentos do Cepea.

De acordo com agentes consultados pelo Centro de Pesquisas, a maior disponibilidade de frango vivo para abate ao longo do mês acabou elevando a oferta de carne no mercado atacadista.

Além disso, o movimento sazonal de enfraquecimento da demanda na segunda quinzena do mês causou queda nos valores no período – o que pressionou a média mensal.

No atacado da Grande São Paulo o frango inteiro congelado teve média de R$ 7,77/kg em novembro, baixa de 2,1% frente à de outubro.

Para as próximas semanas, as expectativas de colaboradores do Cepea são divergentes. Uma parte do setor está otimista e à espera de reações nos preços, fundamentados no possível aquecimento na venda de aves neste período de final de ano.

Outros agentes, porém, estão atentos à oferta de animal vivo acima da procura, que tenderia a manter o mercado da carne pressionado.

Fonte: Assessoria Cepea
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Avicultura

Calor extremo desafia a produtividade das aves e expõe falhas no manejo térmico

Pesquisa aponta que o estresse por calor afeta não só o consumo, mas também o metabolismo das aves, ampliando perdas e exigindo novas estratégias de controle nas granjas.

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Foto: Shutterstock

Artigo escrito por Jean François Gabarrou, gerente científico Phodé Animal Care. 

A temperatura ideal no final da fase de criação de frangos de corte depende da densidade, mas gira em torno de 20°C. Para poedeiras, esta temperatura é de apenas 17°C. A redução da densidade permite aceitar de 2 a 4°C a mais. Com ventilação dinâmica, é possível lidar com 4 a 6°C a mais, sem impacto significativo no desempenho dos animais. Com o uso de resfriamento evaporativo (pad cooling), uma redução de até 8°C é possível a menos que a umidade seja muito alta. Independentemente do equipamento, temperaturas acima de 28°C acabam afetando o conforto dos animais.

Se nos referirmos à tolerância das aves ao Índice de Temperatura e Umidade (THI), apenas países de clima temperado fora do verão poderiam criar aves com alto desempenho. No entanto, as regiões com maior demanda por ovos e carne de frango são justamente países quentes, como os do Oriente Médio e África – ou regiões quentes e às vezes úmidas, como América Latina, Sudeste Asiático e China.

Para ajudar as aves a lidar com esse estresse térmico inevitável, existem diferentes estratégias que geralmente precisam ser combinadas:

  • Ventilação dinâmica e sistemas de resfriamento à base de água
  • Eletrólitos para corrigir perdas minerais devido ao aumento da ingestão de água
  • Antioxidantes, que predominam entre os aditivos alimentares
  • Agentes anti-inflamatórios para reduzir a temperatura corporal dos animais

Mas será que realmente identificamos todos os problemas relacionados ao estresse térmico? Será que deixamos algo passar?

Utilizando um modelo com animais alimentados em condições termoneutras (22°C), comparados a animais submetidos a estresse térmico crônico (32°C) e um terceiro grupo mantido a 22°C, mas com a alimentação restrita ao mesmo nível do grupo com estresse térmico, pesquisadores conseguiram decompor o efeito do estresse térmico em dois componentes:

  • Um efeito devido à redução da ingestão de ração, explicando mais de 60% da perda de desempenho.
  • Um efeito direto do estresse térmico que altera as vias metabólicas, produzindo mais gordura e menos proteína, aumentando a produção de radicais livres e citocinas no sangue que promovem inflamação. Também se observa uma leve hipertermia, que pode levar à morte súbita nos animais mais pesados.

Redução da ingestão de ração durante o estresse térmico

Como as estratégias para prevenir mortalidade tardia se concentram em evitar a sobreposição entre a termogênese induzida pela dieta e os picos de calor, a queda na ingestão de ração é frequentemente considerada uma consequência inevitável. No entanto, a redução na ingestão de ração é um efeito distinto do estresse térmico e deve ser tratada como uma questão comportamental.

Durante o estresse térmico, os animais tendem a ofegar e abrir as asas para se resfriarem. Esse comportamento compete com a ingestão de água e ração e aumenta o risco de alcalose. Muitos acreditam que simplesmente fornecer água à vontade é suficiente, especialmente porque a ingestão de água aumenta durante o estresse térmico. Mas, se observarmos de perto os padrões de consumo, vemos que a ingestão de água aumenta no início da tarde, durante o aumento da temperatura, mas diminui levemente no pico de calor.

Uma solução com modo de ação cerebral (aditivo à base de Citrus sinensis) é desenvolvida para ajudar os animais a se adaptar melhor a situações de estresse, mantendo um comportamento adequado. Nessas situações, os animais interrompem o comportamento de ofegância para realizar pequenas refeições de água e ração. Isso lhes permite passar pela fase crítica com mais conforto, limitando a queda na ingestão de ração e reduzindo a mortalidade tardia.

Em uma granja experimental nas Filipinas, onde foi testado o estresse térmico severo, foi avaliado o padrão de ingestão de ração em pintinhos da raça Cobb. A ingestão foi medida a cada 2 horas. O grupo controle apresentou uma forte queda no desempenho durante toda a tarde. O grupo tratado com um aditivo à base de Citrus sinensis também reduziu a ingestão de ração nesse período quente, mas a queda foi aproximadamente duas vezes menor (Gráfico 1).

Gráfico 1. Efeito de um aditivo à base de Citrus sinensis sobre a ingestão de ração em aves durante o estresse térmico

Alteração das vias metabólicas devido ao estresse térmico

Balanço oxidativo

A queda no desempenho causada pelos radicais livres também precisa ser combatida. Em um teste realizado em condições de granja, galinhas poedeiras sob estresse térmico apresentaram, por exemplo, uma melhora na qualidade de frescor dos ovos em mais de 2 unidades Haugh (Gráfico 2), graças à suplementação com um potente antioxidante à base de extratos de sementes e cascas de uva, particularmente rico em proantocianidinas (valor ORAC de 11.000 molTE/g). O efeito antioxidante do produto no metabolismo das aves ajuda a atenuar os efeitos do estresse térmico sobre os radicais livres — conhecidos por reduzir as unidades Haugh e, consequentemente, o frescor dos ovos.

Gráfico 2. Efeito de um antioxidante à base de extratos de sementes e cascas de uva na qualidade e frescor dos ovos

Sub-inflamação

A curcumina é conhecida por seus efeitos anti-inflamatórios naturais. No entanto, trata-se de uma molécula frágil que precisa de proteção para continuar eficaz até atingir seu alvo no intestino. Um aditivo à base de curcumina ajuda a reduzir a temperatura corporal e pode aumentar o peso dos animais em até +7,8% em condições de granja (Gráfico 3).

Gráfico 3. Efeito da suplementação com um aditivo à base de curcumina no peso vivo de frangos de corte aos 35 dias de idade

O estresse térmico limita significativamente o bem-estar das aves e reduz seu desempenho. Dependendo de cada situação, pode-se priorizar uma abordagem comportamental, antioxidante ou anti-inflamatória.

Na maioria das vezes, será necessário combinar estratégias comportamentais (como o manejo da ingestão alimentar) com abordagens antioxidantes ou anti-inflamatórias (apoio fisiológico), pois essas estratégias são complementares e contribuem para manter o desempenho animal, sendo vantajosas também em nível de produtividade na granja.

As referências bibliográficas estão com os autores. Contato: loliva@phode.fr

versão digital está disponível gratuitamente no site oficial de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Fonte: O Presente Rural
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Frango congelado inicia dezembro com preços estáveis no mercado brasileiro

Cotações do Cepea/Esalq permanecem em R$ 8,11/kg pelo terceiro dia seguido, indicando equilíbrio entre oferta, demanda e consumo de fim de ano.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

Os preços do frango congelado no mercado paulista seguem estáveis no início de dezembro, de acordo com dados do Cepea/Esalq divulgados na quarta-feira (03). Pelo terceiro dia consecutivo, o produto é negociado a R$ 8,11/kg, sem variação diária ou mensal registrada até o momento.

Os números mostram que, entre esta segunda e quarta-feira, o valor permaneceu inalterado. A última movimentação no indicador ocorreu no fim de novembro, quando, nos dias 27 e 28, houve avanço de 1,25% no mês, elevando o preço justamente para o patamar atual de R$ 8,11/kg.

A estabilidade sugere um mercado ajustado entre oferta e demanda, sem pressões significativas capazes de alterar as cotações nos primeiros dias de dezembro. Segundo analistas, esse comportamento costuma ser comum no período, quando a indústria observa sinais do consumo de fim de ano e calibra a produção à procura do varejo.

Fonte: O Presente Rural com informações Cepea
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