Peixes
Produção no reservatório de Itaipu pode reposicionar o Brasil no mercado de tilápia
Estimativa de produção anual de até 400 mil toneladas da espécie atrai o interesse do setor, mas falta de previsibilidade dificulta decisões de investimento em estruturas, tecnologia e logística.

Com área de 1.350 quilômetros quadrados, o reservatório da Usina de Itaipu reúne condições que despertam o interesse da cadeia produtiva da tilápia. Projeções da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico indicam que o local poderia sustentar uma produção anual de até 400 mil toneladas da espécie, volume capaz de reposicionar o Brasil no mercado de tilápia.
O potencial produtivo, no entanto, esbarra na ausência de regras claras. Sem a revisão do Acordo Bilateral Brasil-Paraguai e sem um cronograma oficial do Ministério da Pesca e Aquicultura, o setor permanece em compasso de espera.
Segundo a FPA, qualquer autorização para o cultivo deve estar condicionada a critérios técnicos sólidos, com licenciamento ambiental, monitoramento permanente e governança binacional. A falta de previsibilidade dificulta decisões de investimento em estruturas, tecnologia e logística.

Peixes
Tilápia mantém estabilidade nas principais regiões produtoras
Levantamento do Cepea mostra variações semanais discretas nos preços pagos ao produtor independente, com leve alta na maioria das praças.
Peixes
Piscicultura encerra 2025 em equilíbrio e vê 2026 mais desafiador no comércio exterior, avalia Embrapa
Receita supera US$ 60 milhões no ano, com leve alta em valor, retração em volume e mudança no perfil e no destino dos embarques. E menor demanda dos Estados Unidos acelera diversificação de mercados e amplia vendas de filés congelados.

As exportações brasileiras da piscicultura encerraram 2025 em um cenário de relativa estabilidade, mesmo diante de um contexto externo adverso. Dados consolidados indicam leve crescimento de 2% na movimentação financeira, que superou US$ 60 milhões no ano, enquanto o volume embarcado recuou 1%, totalizando cerca de 13,7 mil toneladas. O resultado final reflete equilíbrio, apesar do impacto do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a partir do segundo semestre.

Pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Pedroza: “Houve aumento significativo dos embarques para o Canadá, com alta de 108%, além da retomada das vendas para o México” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
De acordo com o pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Pedroza, o efeito das tarifas foi concentrado nos últimos meses do ano. “O tarifaço começou a valer em agosto e afetou diretamente as exportações do terceiro e do quarto trimestres de 2025, que caíram 28% e 34%, respectivamente, na comparação com 2024”, explica.
Ainda assim, o bom desempenho registrado entre janeiro e julho garantiu crescimento no valor total exportado ao longo do ano.
Categorias de produtos
No recorte por categoria de produto, os filés frescos ou refrigerados seguiram como o principal item da pauta exportadora, com avanço de 12% em valor financeiro, passando de US$ 36,6 milhões em 2024 para US$ 41,1 milhões em 2025.
Em contrapartida, os peixes inteiros congelados, segunda categoria mais relevante, registraram queda de 27%, com faturamento recuando de US$ 17,6 milhões para US$ 12,9 milhões.

Foto: Manoel Pedroza
Embora representem volumes menores, outras categorias chamaram a atenção, como os filés congelados, que apresentaram crescimento expressivo e alcançaram cerca de US$ 3 milhões no ano.
Retração nas exportações aos EUA
A retração das exportações de tilápia para os Estados Unidos foi um dos principais destaques negativos de 2025. De acordo com Pedroza, o movimento levou as empresas a buscarem alternativas. “Houve aumento significativo dos embarques para o Canadá, com alta de 108%, além da retomada das vendas para o México”, afirma.
Outro ponto relevante foi o avanço das exportações de filés congelados de tilápia, que cresceram 421%, indicando uma estratégia de diversificação de mercados e adequação a novos perfis de demanda.
Importações ganham território brasileiro
No sentido oposto, as importações também ganharam espaço. O Brasil importou US$ 1,5 milhão em filé de tilápia do Vietnã, equivalente a

Foto: Diego Vargas
374 toneladas, tornando a espécie a terceira mais importada pela piscicultura nacional, atrás apenas do salmão e do pangasius.
Principal destino
Apesar das mudanças ao longo do ano, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino do pescado brasileiro, respondendo por 87% do total exportado em 2025, com mais de US$ 52,1 milhões. O Canadá ocupou a segunda posição, mas com valores significativamente menores, abaixo de US$ 2,4 milhões no período.
2026 pede cautela
Para 2026, a avaliação é de cautela. Segundo Pedroza, a manutenção das tarifas norte-americanas tende a limitar o crescimento das exportações. “Mesmo com a busca por novos mercados, é difícil encontrar, no curto prazo, países que consigam absorver volumes semelhantes aos dos Estados Unidos”, ressalta.

Foto: Jonathan Campos
O mercado europeu surge como alternativa, mas ainda sem perspectiva concreta de retomada das exportações. A expectativa recai sobre o acordo Mercosul-União Europeia, que prevê a eliminação de tarifas para pescados e pode ampliar a competitividade da piscicultura brasileira quando esse fluxo comercial for efetivamente retomado.
Dados consolidados
As informações integram a 24ª edição do Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura, referente a 2025, publicação trimestral elaborada no âmbito do projeto BRS Aqua, coordenado pela Embrapa, em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR).
Peixes
Produção de tilápia no Lago de Itaipu depende de mudança em tratado internacional
Reservatório poderia produzir até 400 mil toneladas de peixe ao ano, mas revisão do acordo ainda não avançou no Congresso.

A criação de tilápias no reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu tem potencial produtivo estimado em 400 mil toneladas de peixe por ano, com faturamento de até R$ 2 bilhões/ano e cerca de 50 mil empregos diretos e indiretos. O projeto, no entanto, enfrenta um entrave institucional: qualquer avanço depende da revisão do Acordo Bilateral Brasil-Paraguai, que hoje proíbe o uso de espécies exóticas no reservatório e precisa ser alterado com aval do Congresso Nacional.

O tema ganhou novo impulso após o Paraguai sancionar, em 22 de dezembro, uma lei que autoriza a criação de espécies exóticas em corpos d’água fechados e semiabertos. Na prática, a medida abre caminho para a tilapicultura no reservatório binacional, antes vedada por restrições legais.
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No Brasil, a iniciativa conta com apoio da direção de Itaipu e do governo federal, por meio do Ministério da Pesca e Aquicultura. Projeções da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), divulgadas pelo Planalto, indicam que o reservatório teria capacidade de sustentar uma produção anual de até 400 mil toneladas de peixe.
Apesar disso, não há ainda tramitação formal no Congresso Nacional. De acordo com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) não existe, neste momento, qualquer movimentação concreta para revisar o acordo.
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