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Produção mundial de trigo diminui na projeção do USDA para 2026/27
Estimativa de 819,969 milhões de toneladas representa queda de 2,8% frente à temporada anterior.

Os preços do trigo registraram avanço, influenciados pela expectativa de menor oferta global após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduzir a projeção para a safra norte-americana, que pode alcançar o menor volume desde 1970/71.

Foto: Breno Lobato
De acordo com o Cepea, no mercado brasileiro, a disponibilidade limitada da safra anterior (“velha”) contribuiu para a sustentação dos preços. Por outro lado, a desvalorização do dólar frente ao Real favoreceu as importações e reduziu o espaço para altas mais intensas no mercado doméstico.
Em seu relatório mais recente, o USDA estimou a produção mundial de trigo da safra 2026/27 em 819,969 milhões de toneladas, uma redução de 0,01% em relação à previsão divulgada em junho. Na comparação com a temporada 2025/26, a produção global deve recuar 2,8%.
Segundo o órgão norte-americano, a redução está relacionada principalmente às menores projeções para as safras dos Estados Unidos e do Canadá. O movimento foi parcialmente compensado por revisões positivas nas estimativas de produção da Rússia e da Ucrânia.
Para os Estados Unidos, o USDA reduziu a previsão de produção em 0,5% na comparação com o relatório anterior e em 22,6% frente à safra 2025/26, para 41,81 milhões de toneladas. Caso a estimativa seja confirmada, o volume será o menor registrado pela triticultura norte-americana desde a temporada 1970/71.

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Tecnologia no pós-colheita ajuda produtor a reduzir perdas e preservar valor dos grãos
Monitoramento de umidade, temperatura e qualidade permite decisões mais precisas e reduz impactos financeiros após a saída da lavoura.

Como não foram fornecidas declarações de fontes ou entrevistados, o texto abaixo foi reestruturado sem a inclusão de falas atribuídas, evitando a criação de aspas não documentadas.
O agronegócio brasileiro passou por uma profunda transformação tecnológica dentro das propriedades rurais nas últimas décadas. Ferramentas como GPS, agricultura de precisão, drones, sensores e softwares de gestão mudaram a forma de plantar, monitorar e colher, elevando os níveis de produtividade e eficiência das lavouras.

Foto: Marcos Marques
Agora, uma nova etapa da competitividade começa a ganhar protagonismo no setor: o manejo realizado após a colheita. Em um ambiente marcado por margens mais apertadas e compradores cada vez mais rigorosos em relação à qualidade dos grãos, processos como secagem, armazenagem e monitoramento da umidade passaram a exercer influência direta sobre a rentabilidade da safra.
Apesar disso, parte do setor ainda trata o pós-colheita como uma atividade operacional, e não como uma etapa estratégica da produção agrícola.
Dados da Motomco mostram que aproximadamente 58,3% dos descontos aplicados na recepção da soja estão relacionados ao excesso de umidade nos grãos, um indicador que pode ser monitorado e gerenciado pelo produtor ainda na propriedade, antes mesmo do embarque da carga para as unidades armazenadoras.
As diferenças regionais ajudam a explicar o impacto desse fator sobre a renda do produtor. Na Região Sul, 63,5% das cargas de soja chegam aos armazéns com teores de umidade entre 12% e 15%, faixa próxima ao padrão de referência de 14% adotado pelo mercado.
No Centro-Oeste, porém, o cenário é distinto. Como a colheita frequentemente coincide com períodos de maior incidência de chuvas, 48,3% das cargas são recebidas com umidade superior a 17,8%, exigindo processos adicionais de secagem e aumentando os descontos aplicados durante a classificação dos grãos.

Foto: Divulgação/Gov.br
Em safras marcadas por adversidades climáticas, os impactos econômicos podem ser ainda mais expressivos. Enquanto os índices de impurezas tendem a permanecer dentro dos limites aceitáveis graças à evolução tecnológica das colhedoras, o percentual de grãos avariados pode superar 30% da carga em determinadas regiões produtoras.
Na prática, toda a água excedente presente nos grãos é descontada diretamente do peso líquido comercializado, reduzindo o volume efetivamente remunerado ao produtor e transferindo para o pós-colheita uma parcela crescente da competitividade da produção agrícola brasileira.
Em muitos casos, porém, o produtor sequer sabe que está exposto a esse tipo de perda. Sem ferramentas de monitoramento, a decisão sobre o momento de colher, secar ou armazenar continua sendo baseada na percepção visual ou na experiência acumulada ao longo dos anos, sem dados precisos sobre a real condição dos grãos.
Adoção de tecnologias no pós-colheita
Para o engenheiro agrônomo Roney Smolareck, o que impede hoje a adoção de tecnologias no pós-colheita já não é mais uma barreira financeira, mas sim cultural. “Em muitos casos, a resistência está relacionada ao modelo de gestão. Empresas e propriedades que ainda operam com estruturas mais tradicionais tendem a adotar novas tecnologias de forma mais lenta”, explica.

Foto: Lucas Fermin/SEED
Segundo ele, essa diferença fica evidente nas novas fronteiras agrícolas brasileiras. Regiões como o Matopiba já contam com uma geração de produtores e gestores que iniciou suas operações com foco em eficiência operacional, integração de sistemas e gestão baseada em dados. “Esses produtores já nasceram em um ambiente tecnológico. Eles entendem que pequenas perdas durante a secagem, armazenagem e movimentação dos grãos podem representar impactos financeiros significativos ao final da safra”, pontua.
Essa percepção, no entanto, vem avançando também entre as propriedades mais tradicionais. À medida que o foco do produtor deixa de ser apenas produtividade e passa a incorporar indicadores de rentabilidade, cresce a compreensão de que decisões relacionadas às etapas do pós-colheita e comercialização podem impactar o resultado financeiro tanto quanto o desempenho obtido na lavoura.
Mudança de mentalidade
Um exemplo dessa mudança de mentalidade é do produtor de Rondon do Pará, Marcos Marques, que cultiva cerca de 1.300 hectares de soja, milho, sorgo e gergelim. Assim como aconteceu com seu pai e seu avô, ele passou boa parte da carreira concentrando sua atenção na produção dentro da porteira, sem grande visibilidade sobre o que acontecia com os grãos após a colheita.

Foto: Shutterstock
Há quatro anos, decidiu investir em armazenagem própria e em tecnologias de monitoramento de umidade e temperatura. Com isso, passou a tomar decisões baseadas em informações geradas dentro da própria fazenda, reduzindo a dependência de medições realizadas por terceiros. “Depois que eu comprei o silo e coloquei mais tecnologia voltada pro pós-colheita na fazenda, pude perceber o tanto que eu perdia lá para trás. Não dá nem para mensurar o tamanho do ganho, mas a diferença é muito grande”, relata.
Para ele, o principal benefício foi o controle sobre as informações e o aumento da segurança comercial nas negociações com compradores e portos. “Já tivemos situações em que a carga chegou ao porto e os números não batiam. Como temos equipamentos aferidos e laudos próprios, conseguimos comprovar a qualidade do produto. Isso traz muito mais segurança para negociar”, ressalta.
Exigências dos mercados consumidores
A preocupação crescente com o pós-colheita também está ligada às exigências dos mercados consumidores, que demandam cada vez mais rastreabilidade e preservação de características específicas dos grãos. Na soja, o desafio está em preservar teores de proteína e óleo.
No milho e no sorgo, a manutenção do amido é fundamental para setores como alimentação animal e produção de etanol. No trigo, a qualidade da farinha depende diretamente das características tecnológicas do grão. Já na cevada, uma secagem inadequada pode comprometer o poder germinativo necessário para a maltagem, reduzindo significativamente seu valor comercial.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Nesse cenário, o uso de dados em tempo real vem substituindo controles manuais em toda a cadeia de armazenagem. Sensores conectados, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial e plataformas integradas de monitoramento permitem acompanhar indicadores críticos de qualidade e antecipar riscos operacionais.
Segundo Smolareck, essa transformação já pode ser observada na própria estrutura das unidades armazenadoras. “O que antes era uma simples sala de classificação, hoje muitas vezes funciona como um laboratório de qualidade equipado com computadores, equipamentos integrados e sistemas automatizados de coleta e processamento de dados. Há alguns anos, muita gente questionava a necessidade de monitorar a lavoura com GPS, mapas e sensores. Hoje isso faz parte da rotina das propriedades mais eficientes. Com o pós-colheita, estamos vendo um movimento semelhante. A diferença é que agora a disputa acontece depois que o grão sai do campo”, enfatiza.
Notícias
Safra de grãos deve atingir 360,1 milhões de toneladas no Brasil
Levantamento da Conab aponta crescimento de 2,2% na produção em relação ao ciclo anterior, impulsionado pela maior área cultivada no país.

A produção de grãos da safra 2025/26 está estimada em 360,1 milhões de toneladas, volume 2,2% superior ao registrado na temporada passada, o que representa um acréscimo de 7,8 milhões de toneladas de grãos a serem colhidos. O resultado reflete a maior área destinada para o cultivo de grãos no país, projetada em 83,5 milhões de hectares, enquanto a produtividade média nacional das lavouras deve se manter estável, prevista em 4.311 quilos por hectare. Os dados estão no 10º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, divulgado nesta terça-feira (14/7) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Foto: Divulgação
A colheita das três safras de milho no atual ciclo está estimada em 141,7 milhões de toneladas, volume 0,4% superior ao ciclo passado. A primeira safra do cereal já está quase toda colhida, e a produção está estimada em 29,6 milhões de toneladas. Já na segunda safra do grão, a colheita atinge 38,9% da área destinada para cultura, índice inferior à média dos últimos 5 anos. Principal produtor do grão, Mato Grosso registrou condições climáticas favoráveis durante o ciclo, proporcionando um bom desenvolvimento da segunda safra de milho. Já em Goiás, Minas Gerais e Piauí os veranicos ocorridos em abril e maio influenciaram no desempenho da cultura. Neste cenário, a Conab espera que sejam colhidas 109,43 milhões de toneladas na segunda safra do cereal. Para a terceira safra, espera-se uma produção de 2,7 milhões de toneladas. No momento, as baixas precipitações que vêm ocorrendo, especialmente em Sergipe e Alagoas, trazem reflexos à evolução das lavouras.
O algodão tem produção prevista em 4,06 milhões de toneladas de pluma, com 8,1% da área já colhida, 78,4% em maturação e 13,5% em formação de maçãs. As boas condições climáticas favorecem o bom desenvolvimento das lavouras, refletindo em um ganho na produtividade de 2,8% em relação à safra 2024/25. Essa melhora no desempenho médio das lavouras compensou a diminuição em 3,2% na área plantada, que neste ciclo foi próximo a 2 milhões de hectares.

Foto: Shutterstock
Com colheita finalizada, a soja alcança uma produção de 180,6 milhões de toneladas, avanço de 5,3% em relação à safra passada, resultado do aumento de 2,7% na área cultivada, aliado ao bom pacote tecnológico utilizado pelos produtores, e às condições climáticas favoráveis. O arroz também tem colheita encerrada e apresenta uma produção de 11,1 milhões de toneladas, 13,1% abaixo do volume produzido na safra passada, reflexo de uma menor área destinada ao produto. No caso do feijão, a produção total estimada é de 3 milhões de toneladas, 1,4% inferior ao ciclo anterior. Mesmo com a redução prevista para estes dois importantes produtos para o consumo dos brasileiros, o volume a ser colhido garante o abastecimento no mercado doméstico.
Já o trigo, produto de destaque entre as culturas de inverno, se encontra em fase final de plantio. A expectativa da Conab é de uma redução de 23,5% no volume a ser colhido, estimado em 6 milhões de toneladas. O resultado reflete tanto a menor área destinada ao cereal como a expectativa de uma menor produtividade média a ser registrada nas lavouras neste ciclo.
Mercado

Foto: Divulgação
Neste 10º levantamento, a Companhia ajustou as estimativas para o estoque de passagem de milho na safra 2025/26, uma vez que a produção total do cereal foi reajustada para 141,7 milhões de toneladas. Com isso, a nova expectativa é de um estoque próximo a 14,5 milhões de toneladas em 31 de janeiro de 2027. A atualização da safra de algodão também possibilitou ajustes na expectativa de exportação da fibra, podendo chegar a 3,38 milhões de toneladas, resultando em um estoque final de 2,67 milhões de toneladas.
No caso da soja, o estoque final foi ajustado para 8,8 milhões de toneladas, diante um aumento no processamento do grão e das exportações, estimadas em julho em 62,57 milhões de toneladas e 116,3 milhões de toneladas respectivamente.
Outras informações sobre o cultivo e as condições de mercado sobre as principais culturas cultivadas no país podem ser encontradas no 10º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26.
Notícias Boitel
Novo modelo pioneiro de engorda terceirizada ganha cada vez mais espaço na pecuária brasileira
Empresa opera três unidades no interior paulista e foi pioneira no Brasil na adoção da cobrança por matéria seca fornecida aos animais

A Maximus Agronegócio projeta abater cerca de 110 mil animais em 2026, ultrapassando pela primeira vez a marca de 100 mil cabeças em um ano. A empresa atua com três unidades de confinamento localizadas em Sertãozinho, Clementina e Sales, todas no interior de São Paulo, e aposta em um modelo de engorda terceirizada baseado na cobrança por quilo de matéria seca fornecida aos animais.
A modalidade, introduzida no Brasil há quase dez anos pelo zootecnista e proprietário da empresa, Neto Sartor, é hoje o principal formato de contrato utilizado pela Maximus. Em 2025, 89,5% da prestação de serviço de engorda da companhia foi realizada com base no modelo de matéria seca, em vez das tradicionais cobranças por diária ou por arroba produzida.
A modalidade proposta se coloca como uma alternativa à resistência ainda presente na relação entre pecuaristas e o modelo de boitel: a insegurança sobre o custo-benefício da engorda, desempenho dos animais e regras comerciais para animais de diferentes padrões raciais que ingressarão no ciclo de engorda em confinamento. No modelo adotado pela Maximus, o produtor paga pelo alimento efetivamente fornecido ao seu lote, enquanto o resultado da operação é acompanhado a partir da eficiência de transformar alimento em carne.
“Quando o confinamento cobra por diária, existem interesses conflitantes entre quem presta o serviço e quem coloca o animal no sistema. É sabido que os ganhos de peso (tanto vivo quanto em carcaça) são proporcionais ao consumo, ou seja, animais que consomem mais tendem a ganhar mais peso. Assim, no modelo de diária fixa, o produtor quer que o gado consuma o máximo possível, enquanto para o confinamento (nesse modelo) o objetivo é que os animais tenham o menor consumo possível desde que o resultado de ganho agrade o seu cliente, afinal, isso melhora o seu resultado financeiro. Na matéria seca, os dois lados têm o mesmo objetivo: maior consumo possível e a melhor eficiência em transformar kg de matéria seca em carcaça”, afirma Sartor.
Além de dar mais clareza à relação comercial, o formato reduz algumas interferências como o peso de entrada dos animais, a distância viajada ou as características raciais dos indivíduos que irão compor o lote. Em viagens mais longas, por exemplo, a perda de peso no transporte, comumente chamada de “quebra de viagem”, pode alterar significativamente o peso do lote no desembarque, mas esse fator não interfere nos custos de engorda desses animais.
Segundo o diretor da Maximus Agronegócio, Pablo Campos, a intenção é fazer com que a engorda terceirizada seja percebida pelo pecuarista como ferramenta de gestão e não apenas como uma alternativa temporária para falta de estrutura própria.
“O produtor deposita um patrimônio importante quando manda seus animais para um confinamento. Por isso, ele precisa entender exatamente a composição da conta, quais são as regras e qual resultado pode esperar. O boitel só se sustenta quando gera valor para o pecuarista”, afirma.
Modelo surgiu a partir de dificuldades do mercado

A origem da Maximus está diretamente ligada a essa necessidade de construir uma relação mais previsível entre confinamento e produtor. Antes de criar a empresa, Sartor atuava como consultor e enfrentava dificuldades para encontrar operações que recebessem os animais de seus clientes com regras claras, transparência comercial e condições adequadas para diferentes perfis de rebanho.
Na época, ele observava obstáculos recorrentes, como divergências sobre peso de entrada, impacto das viagens, critérios de cobrança e limitações para receber animais com características distintas. A partir dessa experiência, decidiu empreender e montar o seu próprio boitel para então servir ao mercado como uma alternativa que solucionava estes mesmos desafios. Após visitar uma operação de engorda terceirizada nos Estados Unidos, Neto se inspirou em um modelo semelhante e o adaptou à realidade brasileira, criando a cobrança por quilo de matéria seca fornecida aos animais.
A empresa iniciou suas atividades em 2017, em uma unidade arrendada no município de Sabino, também no interior paulista. Logo no início, prestou serviço de quarentena à exportação de gado vivo para dois navios que deixaram o Brasil pelo Porto de Santos, mas em março de 2018 a Maximus retornou ao planejamento inicial e redirecionou a estrutura para a engorda de bovinos.
Até o final daquele ano, a empresa abateu cerca de 20,3 mil animais. Em 2019, primeiro ano completo na operação de engorda, o volume avançou para aproximadamente 34,7 mil cabeças, seguidos de outros 43 mil animais em 2020. Em 2025, a operação encerrou o ano com 96.993 animais abatidos.
A expansão levou à formação da atual estrutura, composta pelas unidades de Sertãozinho, Clementina e Sales. A empresa agora trabalha na padronização de processos, no fortalecimento da gestão, da governança e na integração das operações para sustentar o próximo ciclo de crescimento.
Além da prestação de serviço de engorda, ao longo de sua história, a Maximus se especializou também em atender marcas especificas de carne com foco em volume, regularidade de fornecimento e padronização de carcaça.
A companhia também oferece antecipação de recebíveis para clientes com animais nas unidades.



