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Produção e consumo brasileiro de ovos bate recorde histórico em 2021 e crescimento tende a ser ainda maior em 2022

Presente em mais de 96% dos lares brasileiros, há anos o ovo deixou de ser vilão e passou a fazer parte da alimentação dos brasileiros com mais frequência. Esse comportamento se reflete no aumento do consumo, que em 2021 atingiu mais uma marca histórica.

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Divulgação/Grupo Katayama

Em franco crescimento, a produção brasileira de ovos alcançou outro patamar em 2021, com projeções de recordes históricos para o segmento. Conforme estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção deverá alcançar extraordinárias 54,5 bilhões de unidades ou o equivalente a 1.728 ovos por segundo, número 1,8% superior ao registrado no ano anterior, com 53,5 bilhões de ovos. Já o volume projetado para 2022 poderá chegar até 56,2 bilhões de unidades, ou seja, 3% maior em relação a 2021.

Enquanto o consumo per capita está previsto em 255 unidades, número 1,5% maior que o consumo registrado em 2020, quando chegou a 251 unidades por habitante/ano, e superior à média mundial que é de 230 ovos por habitante/ano. A mudança no perfil alimentar do brasileiro, a versatilidade do ovo e o aumento do preço de outras proteínas ajudaram a impulsionar o crescimento do setor. Tanto é que a ABPA projeta para este ano um aumento ainda maior: espera-se que cada brasileiro consuma 262 ovos, um incremento de 2,5% maior do que o esperado para o ano passado.

Uma das principais indústrias avícolas do país, a Katayama Alimentos, com sede em Guararapes (SP), estima um aumento de 15% na produção anual de 1,15 bilhão de ovos, com a construção de dois novos aviários com capacidade para adicionar 280 mil aves ao plantel existente – que hoje soma 4,4 milhões de aves, entre recria e postura. E para esse ano a previsão é de estabilidade no plantel, após incremento de 10% de aves de postura no ano passado. Em receita obteve aumento de 25% em relação a 2020 e para 2022 projeta crescimento 20% superior a 2021.

Engenheiro de produção e diretor comercial do Grupo Katayama, Gilson Tadashi Katayama: “Tivemos um crescimento no número de clientes, não tivemos nenhuma ruptura de fornecimento e conseguimos mesmo com a pandemia e com todos os custos entregar um produto com muita qualidade e segurança”

Apesar dos resultados positivos, o engenheiro de produção e diretor comercial do Grupo Katayama, Gilson Tadashi Katayama, relata que a alta nos insumos impactou bastante o segmento, que teve dificuldade para repassar os custos ao consumidor. “Nós tivemos um aumento considerável de custos de produção, principalmente em insumos e ração, onde o milho e a soja são os componentes principais, com uma valorização que nunca tínhamos visto antes, inclusive com falta em algumas vezes até de matéria-prima, principalmente importadas, o que fez com que tivéssemos que fazer algumas substituições. Tudo isso refletiu em um aumento drástico no custo da produção, o qual não conseguimos repassar nos preços ao consumidor. É claro que em 2021 tivemos um preço médio superior a 2020 mais, mesmo assim, esse acréscimo de crescimento na receita não foi suficiente para cobrir os custos da produção”, salienta

Referência no segmento, a Katayama Alimentos possui uma estrutura moderna, automatizada, habilitada para exportação, inclusive para o exigente mercado japonês, e um rigoroso sistema de biosseguridade, mantendo, desde 2013, todas as aves livres de antibióticos. Produz ovos brancos, vermelhos, enriquecidos, de codorna, líquidos pasteurizados e desidratados (em pó), mantendo todos os lotes rastreáveis, além de oferecer também ovos caipiras e ovos caipiras orgânicos. A produção está concentrada em uma área de 725 hectares, onde estão localizados 22 galpões com aves de postura e outros sete com aves de recria. Para a engrenagem rodar 365 dias por ano sem exceção conta com 430 colaboradores.

De acordo com o diretor comercial, a somatória de incertezas geradas pela pandemia do coronavírus desequilibrou toda cadeia produtiva, gerando muitas dificuldades para o setor. Mas a junção de esforços para a manter a atividade em pleno funcionamento foi essencial para fechar o balanço positivo. “Em razão da pandemia vivemos dias de preocupação com relação a saúde de todos os colaboradores, porque apesar de termos estabelecido protocolos sanitários bastante rigorosos dentro da empresa, não conseguimos controlar o que acontecia fora. Mas, felizmente, apesar de todo esse cenário ruim que atravessamos ao longo desse ano conseguimos superar todos esses desafios e fechamos o ano com números positivos e até mesmo com certo crescimento. Todos os colaboradores da Katayama foram fundamentais para que chegássemos no fim do ano ilesos diante de tamanha tempestade”, afirma.

Embora tenha sido um período de grandes desafios, a Katayama conseguiu se fortalecer no mercado, entregando produtos com qualidade e segurança ao consumidor final. “Conseguimos ao longo de 2021 fortalecer a nossa marca e ampliar a penetração no mercado do nosso segmento. Tivemos um crescimento no número de clientes, não tivemos nenhuma ruptura de fornecimento e conseguimos mesmo com a pandemia e com todos os custos entregar um produto com muita qualidade e segurança”, destaca.

Cenário promissor

Com perspectivas de uma supersafra de grãos 2021/2022, podendo chegar a 291 milhões de toneladas, Gilson demonstra otimismo frente as possibilidades desse cenário se concretizar, mas também um pouco de realismo, uma vez que a região Sul do país, que é a que mais contribui para a oferta da safra verão, mais uma vez enfrenta escassez hídrica ocasionada pela baixa precipitação pluviométrica, o que pode prejudicar os resultados nas lavouras.

“Eu acredito que 2022 traga melhores resultados que trouxe 2021. Temos perspectivas de uma safra melhor, apenas o que preocupa um pouco é a estiagem no Sul do país, no entanto temos uma safra em bom desenvolvimento nos Estados produtores do Centro-Oeste, do Norte e Nordeste, com a janela de plantio da soja dentro da normalidade e com a possibilidade de um plantio da safrinha de milho satisfatório, então as perspectivas e projeções são bastante positivas em termos de oferta para o ano que vem e isso se traduz em uma menor pressão em cima dos preços, aliado a isso tem outros insumos sinalizando uma certa estabilidade ou até mesmo queda”, avalia.

Conforme o engenheiro de produção, em decorrência da turbulência enfrentada pelo setor houve uma redução dos alojamentos e o ano de 2021 tende a fechar com número menor do que no ano anterior e isso pode trazer uma certa redução na oferta de ovos. “Esse cenário pode fazer com que tenhamos uma maior capacidade para estabelecer um patamar de preços mais compatível com o custo da atividade”, pondera.

Aumento de consumo

Presente em mais de 96% dos lares brasileiros, há anos o ovo deixou de ser vilão e passou a fazer parte da alimentação dos brasileiros com mais frequência. Esse comportamento se reflete no aumento do consumo, que em 2021 atingiu mais uma marca histórica, com previsão de fechar o ano em 255 unidades por pessoa. Gilson diz que esse aumento tem duas vertentes: aumento da oferta doméstica e prazo de validade do produto. “Quando aumenta o consumo quer dizer que vamos ter maior oferta de produto para abastecer a população brasileira. Porém, o consumo per capita não se pode traduzir numa pressão sobre preços. O ovo é um produto que não tem como armazenar por muito tempo, tem que ser consumido logo, então com certeza isso vai se traduzir em números altos per capita, mas será que isso vai ser sustentado? Imagino que pela história de 2021 e pelo sofrimento que os produtores passaram não creio que acontecerá esse aumento tão comentado pela ABPA”, opina.

Comportamento do setor

De acordo com Gilson, na avicultura de postura o produtor quando tem resultado positivo se mantém, do contrário reduz a produção. “É sempre assim na avicultura, se o produtor ganha dinheiro ele fica feliz e aloja bastante, se não ganha reduz o plantel. Olhando para o cenário atual a perspectiva é que uma redução na produção em 2022, porque ano passado todo mundo tirou o pé do acelerador. Nós mesmos tínhamos projetos de expansão e aguardamos para investir. É um momento de cautela, antes de investir precisamos ver como esse cenário econômico e político vai se desdobrar nos próximos três primeiros meses do ano”, pondera.

Exportações

Em exportações, as projeções apontam para embarques totais de 9,5 bilhões de toneladas, número 52,9% superior ao alcançado em 2020, com 6,2 bilhões de toneladas. Para esse ano, as vendas no mercado externo poderão chegar a 10,2 bilhões de toneladas, volume que supera em 6,5% as exportações projetadas para 2021. De janeiro a novembro, as exportações de ovos atingiram 8,8 bilhões de toneladas, o que representa um crescimento de 84,2%, gerando uma receita de R$ 14 milhões no período, conforme informações da ABPA. “No entanto tivemos muita dificuldade na exportação de ovos in natura pela falta de contêiner refrigerado, somado a isso os fretes marítimos subiram absurdamente”, expôs Gilson.

Projetos de expansão

Com um dos sistemas de produção mais modernos da América Latina, totalmente integrado, com tecnologia de ponta na higienização, seleção, classificação e processamento de ovos e instalações aviárias, onde é mantida de forma padronizada as condições ideais de isolamento sanitário, conforto térmico, alimentação e bem-estar das aves, a Katayama Alimentos projeta investimentos audaciosos ao longo de 2022, os quais ainda estão em fase embrionária e deverão ser executados a depender do cenário econômico nos próximos meses para a avicultura no Brasil.

Para alcançar uma penetração ainda maior no mercado brasileiro, a Katayama Alimentos projeta. “São investimentos que estão sendo projetados para aumentar consideravelmente a nossa produção a partir de 2023, alguns ainda em ‘gestação’, aguardando o desenrolar do cenário da avicultura para serem executados”, ressalta Gilson.

Entre eles estão a implantação da nova Unidade Pé de Galinha, que terá investimento na ordem de R$ 80 milhões. A estação terá capacidade inicial para alojar 1,5 milhão de aves de postura, com produção estimada em 450 milhões de ovos por ano, com início da produção previsto para o segundo semestre deste ano.

Ainda em análise está um investimento de R$ 20 milhões para a construção de uma unidade de galinha caipira, com capacidade para 120 mil aves, prevista para entrar em operação até o fim de 2022.

Outro investimento está projetado para a expansão da Terra Nascente Fertilizantes, empresa do Grupo Katayama criada para transformar o dejeto das galinhas poedeiras em fertilizante orgânico. O projeto visa ampliar a estação de produção e de automação para produção de novos produtos, com investimento estimado em R$ 24 milhões.

“Não queremos ser a maior, queremos é fazer o melhor! Dentro dessa filosofia de trabalho temos caminhado bem firmes neste ideal”, evidencia Gilson, salientando que a empresa foi certificada no nível máximo de excelência com a certificação Brand Reputation through Compliance (BRCGS) – norma global que visa garantir a segurança dos alimentos e tem aprovação da GFSI (Global Food Safety Initiative), sendo a primeira do segmento de avicultura de postura no Brasil a obter o certificado para o processo de classificação dos ovos in natura. “É a mais rigorosa certificação em produtos alimentares que existe no mundo e reforça o excelente padrão de qualidade do nosso sistema produtivo”.

Mais informações sobre o cenário nacional de grãos você pode conferir na edição digital do Anuário do Agronegócio Brasileiro.

Avicultura Mesmo com alta de até 21% em março

Preço médio do ovo na Quaresma é o menor em quatro anos

Quedas ao longo de 2025 e janeiro de 2026 no menor patamar em seis anos limitaram efeito sazonal típico do período religioso.

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Foto: Rodrigo Felix Leal

Os preços dos ovos subiram até 21% em março, movimento recorrente no período da Quaresma, quando parte dos consumidores substitui a carne vermelha. Ainda assim, levantamentos do Cepea mostram que o valor médio praticado no período religioso deste ano é o mais baixo dos últimos quatro anos nas regiões acompanhadas pelo Centro de Pesquisas.

De acordo com pesquisadores do Cepea, ao longo de 2025 as cotações recuaram em boa parte dos meses, reduzindo a base de comparação para o início deste ano. Como reflexo desse comportamento, janeiro de 2026 registrou a menor média para o mês dos últimos seis anos em diversas praças monitoradas.

Dessa forma, o mercado iniciou 2026 em patamar inferior ao observado em 2025. A reação verificada em fevereiro e março, embora expressiva em termos percentuais, não foi suficiente para que a média de preços desta Quaresma superasse a registrada em anos anteriores.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Avicultura brasileira reforça controles sanitários diante de novo cenário regional

Com avanço da influenza aviária em países vizinhos, setor intensifica monitoramento e reduz margem de erro.

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Foto: Giuliano De Luca/O Presente Rural/ChatGPT

A avicultura brasileira não parte do zero. Ao contrário, construiu ao longo de décadas um dos sistemas sanitários mais consistentes entre os grandes produtores globais. O status livre de influenza aviária em plantéis comerciais, mantido até aqui, é resultado de protocolos consolidados de biosseguridade, vigilância ativa e integração entre setor privado e serviço veterinário oficial. Ainda assim, o ambiente ao redor mudou. A confirmação recente de focos de influenza aviária de alta patogenicidade na Argentina, país vizinho e relevante na produção regional, reposiciona o risco e exige respostas mais rápidas, mesmo de cadeias já estruturadas.

O movimento não é de ruptura, mas de ajuste fino. Programas de controle de Salmonella vêm sendo revisados com maior rigor na granja, na fábrica de ração e no abate; o monitoramento de micotoxinas ganha centralidade pela relação direta com integridade intestinal e suscetibilidade a patógenos; e protocolos de biosseguridade são reforçados em pontos críticos, como o trânsito de pessoas, insumos e veículos. O que antes operava com margem de segurança passa a trabalhar com tolerância mínima a desvios, pressionado ainda por exigências sanitárias mais objetivas dos mercados importadores.

A consequência é uma cadeia mais sensível e interdependente. Sanidade, nutrição, manejo e logística deixam de operar como compartimentos técnicos e passam a responder como um sistema único, no qual qualquer falha – seja na qualidade da matéria-prima, na ambiência ou na execução de protocolos – pode comprometer desempenho, habilitação sanitária e fluxo de exportação. É nesse nível de precisão que a avicultura brasileira opera hoje: não para alcançar um padrão, mas para sustentá-lo sob pressão crescente.

Nessa reportagem especial produzida com exclusividade pelo jornal O Presente Rural, o foco está nos ajustes que a cadeia vem fazendo para manter esse padrão. A partir dos debates do Simpósio Facta, em Toledo (PR), do Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos, em Limeira (SP), e do Simpósio Brasil Sul de Avicultura, em Chapecó (SC), o material identifica onde estão hoje os principais pontos de atenção sanitária.

O leitor encontrará o que está mudando na prática: reforço de biosseguridade, revisão de programas sanitários e maior rigor no monitoramento, da granja ao abatedouro. Não se trata de reconstruir o sistema, mas de reduzir a margem de erro em um ambiente mais exigente, dentro e fora do país.

Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Escassez de mão de obra expõe falhas de liderança e gestão na avicultura

Painel no 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura defendeu integração entre tecnologia, propósito e método para reduzir turnover e sustentar a produtividade nas granjas e na indústria.

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Durante o painel, os palestrantes abordaram os impactos da escassez de profissionais no campo e na indústria, destacando a necessidade de repensar estratégias de atração, formação e retenção de talentos na avicultura - Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

A escassez de mão de obra e os desafios relacionados à gestão de pessoas na cadeia produtiva pautaram o debate do painel “Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura” durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que contou com a participação dos especialistas Delair Bolis, Joanita Maestri Karoleski e Vilto Meurer, além da coordenação de Luciana Dalmagro, na última terça-feira (07), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Os palestrantes abordaram os impactos da carência de profissionais no campo e na indústria, destacando a necessidade de repensar estratégias de atração, formação e retenção de talentos na avicultura. O debate também trouxe reflexões sobre as transformações tecnológicas e a necessidade de integração entre gestão de pessoas e inovação como caminho para manter a competitividade do setor.

A executiva Joanita Maestri Karoleski, conselheira, mentora e ex-CEO da Seara, iniciou o Painel Gestão de Pessoas com uma análise estratégica sobre as transformações estruturais que impactam a disponibilidade e o perfil da mão de obra na avicultura e no agronegócio. Segundo ela, o cenário atual vai além da escassez de profissionais. “Nós estamos vivendo uma mudança estrutural. Não é um fenômeno pontual. Temos o envelhecimento da população, a queda nas taxas de natalidade e, ao mesmo tempo, uma transformação profunda na forma como as novas gerações enxergam o trabalho”, destacou.

A palestrante explicou que os profissionais mais jovens chegam ao mercado com expectativas diferentes, valorizando propósito, desenvolvimento e flexibilidade. “As novas gerações não estão apenas buscando emprego, mas sim significado no que fazem. Isso exige adaptação das empresas e, principalmente, das lideranças”, afirmou.

Nesse contexto, Joanita trouxe uma provocação central do painel: o problema pode não estar na falta de pessoas, mas na forma como as

Conselheira, mentora e investidora, com mais de 30 anos de experiência em posições de alta liderança, Joanita Maestri Karoleski: “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

organizações estão estruturadas. “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor”, pontuou.

Ela destacou ainda que um dos principais desafios está na capacidade de integrar diferentes gerações dentro das organizações. “Pela primeira vez, temos três ou até quatro gerações convivendo simultaneamente dentro das mesmas empresas, com expectativas e formas de trabalhar muito distintas entre si. Isso exige líderes preparados para lidar com essa complexidade”, explicou.

Outro ponto abordado foi a necessidade de reposicionar o capital humano como elemento central da estratégia empresarial. “Ainda vemos empresas que dão mais atenção à compra de equipamentos do que ao desenvolvimento das pessoas. O capital humano precisa estar na agenda estratégica, inclusive nos conselhos administrativos, porque é ele que sustenta o crescimento no longo prazo”, afirmou.

Joanita também apresentou caminhos para enfrentar o desafio, estruturados em diferentes níveis organizacionais, desde o conselho até a operação. Segundo ela, o desenvolvimento de lideranças, especialmente na média gestão, é um dos fatores mais críticos para transformar a realidade das empresas.

A mentora também deixou uma reflexão sobre o futuro do trabalho na avicultura. “A pergunta não é mais onde estão as pessoas. A

Com 39 anos de experiência na agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel: “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

pergunta é: por que alguém escolheria trabalhar aqui e não em outro lugar? Quando conseguimos responder isso, começamos a resolver o problema de forma consistente”, salientou.

Relacionamento empresa x profissionais

Com 39 anos de experiência na agropecuária e trajetória de longa data na BRF, onde encerrou sua carreira como diretor de produção agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel, demonstrando práticas voltadas à realidade do campo e da indústria, com foco em estratégias de captação e retenção de pessoas.

Segundo o palestrante, o enfrentamento da escassez de mão de obra passa pela forma como as empresas se relacionam com seus profissionais. “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo”, afirmou.

Vilto destacou que, diante da escassez de mão de obra, o papel da liderança ganha ainda mais relevância dentro das organizações. Segundo ele, o gestor precisa ir além do conhecimento técnico e assumir uma atuação estratégica na condução das equipes. De acordo com o especialista, três pilares sustentam a atuação de um bom gestor: liderança, conhecimento técnico e método de gestão. “Não basta conhecer o processo produtivo. É preciso saber liderar pessoas, construir confiança, mobilizar equipes e estabelecer uma comunicação clara e eficiente”, enfatizou.

Entre os principais atributos da liderança, Vilto destacou a capacidade de engajar pessoas e gerar senso de pertencimento. “O profissional precisa sentir que faz parte do resultado, desenvolver o sentimento de dono e entender a importância do seu trabalho dentro do sistema produtivo”, explicou.

No campo da motivação, o especialista ressaltou que o engajamento está diretamente ligado a três fatores fundamentais: saber, poder e querer. “Para executar bem uma função, o profissional precisa ter conhecimento, condições adequadas de trabalho e, principalmente, vontade de fazer. É essa combinação que gera engajamento”, afirmou.

Retenção de talentos

Vilto também chamou atenção para a importância do propósito como elemento central na retenção de talentos. “Propósito é o significado do trabalho. Quando a pessoa entende o impacto daquilo que faz no resultado final, ela se envolve mais e permanece na atividade”, destacou.

Outro ponto abordado foi a necessidade de adaptação das estratégias de gestão ao perfil das diferentes gerações presentes nas empresas. Segundo ele, cada geração possui comportamentos, expectativas e formas de relacionamento com o trabalho distintas, o que exige uma liderança mais flexível e preparada para lidar com essa diversidade.

O palestrante enfatizou que a capacitação contínua é essencial para o desenvolvimento das equipes. Ele apresentou práticas como integração estruturada, programas de mentoria, treinamentos progressivos e trilhas de carreira como ferramentas importantes para alinhar aprendizado, produtividade e crescimento profissional.

Vilto também reforçou que a formação de adultos exige metodologia adequada. “O adulto aprende de forma diferente. É necessário utilizar métodos que conectem teoria e prática”, explicou.

O especialista sintetizou que a retenção de pessoas está diretamente ligada à combinação entre gestão eficiente e propósito. “Pessoas motivadas, com clareza de propósito e inseridas em um modelo de gestão simples e bem estruturado, geram melhores resultados e reduzem significativamente o turnover”, concluiu. Vilto também apresentou ferramentas práticas para formação e desenvolvimento de equipes, destacando metodologias utilizadas na extensão rural que podem ser aplicadas na agroindústria. “Existem métodos que funcionam muito bem para capacitação de pessoas, como o método do arco e técnicas de transferência de tecnologia. São ferramentas que ajudam a desenvolver profissionais de forma mais eficiente e que podem ser utilizadas dentro das empresas”, explicou.

Médico-veterinário Delair Bolis: “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Ele reforçou, ainda, que a combinação entre pessoas, propósito e gestão é determinante para o futuro do setor. “Pessoas motivadas, com propósito claro e inseridas em um modelo de gestão eficiente geram melhores resultados. Esse é o caminho para aumentar a produtividade e reduzir os impactos da escassez de mão de obra”, destacou.

Uso estratégico da tecnologia

O médico-veterinário Delair Bolis, presidente da MSD Saúde Animal no Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com mais de 25 anos de atuação na indústria de saúde animal, seguiu o debate salientando que a escassez de mão de obra é uma realidade estrutural e crescente na avicultura, tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. De acordo com Bolis, o setor precisa compreender que esse não é um problema temporário. “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos”, afirmou.

Bolis chamou atenção para a defasagem dos modelos de trabalho frente às transformações do mercado. “Nós ainda operamos, muitas vezes, com estruturas que não acompanharam a evolução do setor. A questão não é só falta de pessoas, mas se o modelo de trabalho ainda é competitivo e atrativo para elas”, destacou.

Diante desse cenário, o especialista reforçou que as principais ferramentas de transformação estão no uso estratégico da tecnologia e no desenvolvimento de lideranças. “O que está sob nosso controle é como tecnificar os processos e preparar pessoas com maior capacidade de utilizar essa tecnificação para melhorar sistemas, processos e a própria liderança”, pontuou.

O palestrante alertou que a tecnificação precisa ser aplicada com critério. “Não se trata de tecnificar tudo que é possível, mas sim aquilo que precisa ser modernizado. A tecnologia precisa estar conectada à estratégia e às pessoas, não apenas à automação indiscriminada”, explicou.

Outro ponto comentado foi a mudança no perfil das funções dentro da cadeia produtiva. “Com menos pessoas no campo, cada profissional passa a ser responsável por mais processos. Não é mais sobre executar tarefas isoladas, mas sobre entender e gerir o processo como um todo”, ressaltou.

Bolis também abordou a importância do fator humano na eficiência operacional. “Quem entende de pessoas melhora processos. A liderança passa a ter um papel ainda mais decisivo, porque ela conecta tecnologia, pessoas e resultados. O futuro não será definido pela disponibilidade de mão de obra, mas pela nossa capacidade de reinventar o trabalho dentro da avicultura”, evidenciou.

A mediação do painel foi conduzida pela produtora rural, empreendedora e referência em liderança e sustentabilidade no agronegócio, Luciana Dalmagro, que contribuiu para integrar diferentes visões sobre o tema. “Foram grandes ensinamentos, falando de aspectos de liderança, habilidades que as pessoas que estão iniciando no mercado precisam desenvolver e, para quem está há mais tempo, os profissionais mostraram a importância do olhar humanizado para os colaboradores”, acrescentou.

Fonte: Assessoria Nucleovet
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