Peixes
Produção de peixes bate recorde no Brasil
A piscicultura alcançou 724,9 mil toneladas e R$ 7,7 bilhões em valor de produção, com destaque para a tilápia no Paraná, responsável por 38,2% da produção nacional.

A estimativa da produção de peixes em 2024 mostrou um aumento de 10,3%, chegando a 724,9 mil toneladas, o que resultou em um valor de produção de 7,7 bilhões de reais, crescimento de 15,8% em relação ao ano anterior.
O peixe mais produzido no Brasil, desde o início do levantamento da piscicultura, é a tilápia. Em 2024, sua produção correspondeu a 68,9% do total de peixes. Em relação ao ano anterior, foi um aumento de 12,8%, resultando em 499,4 mil toneladas. Quase metade desse total (47,5%) é proveniente da Região Sul, devido principalmente ao Paraná, responsável por 38,2% da produção nacional, ou 190,5 milhões de quilos.
Já a produção brasileira de camarão criado em cativeiro atingiu 146,8 mil toneladas, um crescimento de 15,2% com relação ao ano anterior. O valor de produção foi de R$ 3,1 bilhões, equivalente a um aumento de 16,3%. Essa estimativa corresponde a um recorde na série histórica da produção, que vem crescendo continuamente desde 2017.
Do total, 99,7% são provenientes da Região Nordeste, principalmente do Ceará (57,1%) e do Rio Grande do Norte (21,5%). Ambos os Estados registraram aumentos que, somados, resultam em cerca de 18,0 milhões de quilos. Os maiores produtores municipais estão concentrados nesses dois Estados, começando por Aracati (Ceará), que, com produção de 18,0 mil toneladas, é origem de 12,2% da produção nacional e 21,4% da produção estadual. Na sequência, aparecem Jaguaruana (Ceará), com 8,8% e Pendências (Rio Grande do Norte), com 6,5% da produção nacional.

Peixes
Exportações da piscicultura brasileira caem no 1º trimestre de 2026
Apesar do resultado negativo no trimestre, exportações ganham força no fim de março com retomada do mercado norte-americano.

O comércio exterior da piscicultura brasileira registrou queda no primeiro trimestre de 2026. As exportações somaram US$ 11,2 milhões entre janeiro e março, recuo de 39% em relação aos US$ 18,5 milhões registrados no mesmo período de 2025. Em volume, a retração foi de 41%, passando de 3.900 toneladas para 2.300 toneladas.

Foto: Divulgação/C.Vale
Apesar do resultado negativo no acumulado, os embarques começaram a reagir ao longo do trimestre. Em janeiro, foram exportadas 592 toneladas, com receita de US$ 3 milhões. Em fevereiro, o volume subiu para 711 toneladas, com US$ 3,1 milhões. Já em março, as exportações достигiram 1.006 toneladas e US$ 5,1 milhões.
A recuperação coincide com a redução da tarifa de importação aplicada pelos Estados Unidos no fim de fevereiro, que caiu de 50% para 10%. Com isso, exportadores brasileiros voltaram a embarcar pescado, principalmente filés frescos de tilápia.
Segundo o pesquisador Manoel Pedroza, da Embrapa Pesca e Aquicultura, explica que “A derrubada do tarifaço no mês de fevereiro 2026 permitiu que o Brasil voltasse a exportar pescados para os Estados Unidos com uma tarifa de 10%, o que permitiu aos exportadores brasileiros retomarem os embarques – principalmente de filés frescos de tilápia”.
Outro destaque do período foi o aumento das importações de tilápia do Vietnã. Até o fim de 2025, apenas Santa Catarina e São Paulo compravam o produto. Em fevereiro, Minas Gerais e Rio de Janeiro passaram a importar, seguidos por Pernambuco e Maranhão em março.

Pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Pedroza – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
De acordo com Pedroza, a entrada do produto estrangeiro levanta preocupações sanitárias e econômicas. Há risco de introdução de doenças ainda inexistentes no país e pressão sobre os preços, já que a tilápia vietnamita chega ao Brasil com valores inferiores ao custo de produção nacional. O filé congelado importado tem preço médio de cerca de R$ 21,00 por quilo, sem incluir frete e seguro, favorecido também por subsídios no país de origem e, em alguns estados, isenção de ICMS.
Diante desse cenário, o setor busca diversificar mercados. Países como México e Canadá têm ampliado as compras de tilápia brasileira. A estratégia visa reduzir a dependência dos Estados Unidos, principal destino das exportações, e deve ganhar força nos próximos anos.
Os dados fazem parte do Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura, divulgado trimestralmente pela Embrapa em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR). A publicação reúne informações sobre o desempenho das exportações e importações do setor no país.
Peixes
CNA pede suspensão de pescado do Vietnã por risco sanitário
Entidade cita presença de doenças não notificadas e solicita medida preventiva ao Mapa.
Peixes
Paraná, São Paulo e Minas Gerais lideram produção de tilápia no Brasil
Na lista dos dez principais produtores, o Maranhão foi o estado com o maior índice de crescimento devido ao novo arranjo produtivo local.

Polo produtor de tilápia brasileiro, o Paraná registrou 273,1 mil toneladas em 2025. Esse desempenho representou um crescimento de 9,1% em comparação ao ano anterior e colocou o estado no topo da lista de produção. Esses dados são da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). “Esse movimento vindo de empresas privadas e cooperativas mostram a força do setor no estado. São diversos os fatores que contribuem para o desenvolvimento da atividade que vêm se repetindo nos últimos anos, como agregação de tecnologia, orientação técnica e a participação de grandes cooperativas e agroindústrias”, diz o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros.

Presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros: “Esse movimento vindo de empresas privadas e cooperativas mostram a força do setor no estado – Foto: Divulgação/Peixe BR
Em seguida, São Paulo aparece em segundo lugar na lista. Em 2025, a região totalizou 93,7 mil toneladas, volume 54% maior em relação ao ano anterior. Logo depois, vêm Minas Gerais (77.500 t), Santa Catarina (63.400 t) e Maranhão (59.600 t). O estado nordestino ganhou uma posição e fecha a lista dos cinco primeiros do ranking. “O Maranhão foi estado com o maior índice de crescimento (9,36%) entre os dez maiores produtores, mais até do que o Paraná, e tem demonstrado um arranjo produtivo local que permitiu essa ampliação nos últimos anos”, realça Medeiros.
Nesse grupo, Santa Catarina e Minas Gerais também tiveram aumento relevante, com 7,28% e 6,46%, respectivamente. Em termos de aumento de produção, destaque para o Ceará, que avançou 29,3% e, de novo, ganhou uma posição (18º).





