Avicultura
Produção de ovos cresce 7,6% no 1º semestre e sinaliza mudança no ritmo da atividade
Setor mantém avanço relevante no ano, porém indicadores como alojamento de pintainhas e preços no campo apontam para um cenário de ajuste.

A produção brasileira de ovos manteve ritmo acelerado no primeiro semestre de 2025, dando continuidade à expansão expressiva registrada em 2024. Dados do IBGE mostram que o país -produziu 2,447 bilhões de dúzias de ovos entre janeiro e junho deste ano, alta de 7,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Desse total, 83% foram destinados ao consumo direto, com avanço de 9,2%, enquanto os ovos para incubação cresceram apenas 0,8%.
Apesar da atividade aquecida, o setor começa a registrar sinais de desaquecimento. O alojamento de pintainhas – indicador que antecipa o comportamento da produção futura – desacelerou a partir de maio, quando ainda crescia 10% na comparação anual. Em julho e agosto, o número de pintainhas alojadas caiu 5% e 1%, respectivamente, em relação aos mesmos meses de 2024. No acumulado do ano até agosto, o avanço foi modesto, de apenas 1,6%, com cerca de 94,4 milhões de cabeças alojadas.
No mercado, os preços do ovo passaram por um ciclo de alta no início de 2025, seguindo a tendência sazonal do período, mas com maiores magnitudes que em anos anteriores. No atacado, a caixa de 30 dúzias chegou a R$ 248 em março, valor 26% superior ao registrado no mesmo mês de 2024, mesmo diante do crescimento da produção. A partir de abril, no entanto, os preços recuaram, estabilizando-se na faixa de R$ 173 em outubro. Ao produtor, o preço passou de R$ 204/cx em março para R$ 142/cx em outubro.
Esse ajuste nos preços reduziu o chamado “spread” do produtor – relação entre o custo da ração e o preço de venda –, que caiu de 128% em fevereiro para 96% em outubro. Ainda assim, as margens continuam historicamente elevadas, sustentadas pela queda dos custos dos insumos, principalmente milho e farelo de soja. A oferta abundante de milho, favorecida pelo bom desempenho da safrinha e pela estabilidade climática, levou a uma queda de 27% no preço do grão desde março. A soja, por sua vez, também tem perspectiva de boa oferta, embora fatores como o fenômeno La Niña mantenham certa incerteza sobre as regiões Sul do Brasil e Argentina.
No cenário externo, as exportações de ovos, que representam apenas 0,86% da produção nacional, ganharam impulso em 2025. Até setembro, os embarques somaram 46 mil toneladas, alta de 44,8% em relação ao mesmo período de 2024. Os Estados Unidos, afetados pela gripe aviária, foram o principal destino, respondendo por 42% das vendas. México, Japão e Emirados Árabes Unidos também ampliaram as importações. Porém, o setor sentiu os efeitos do “tarifaço” imposto pelos EUA em agosto e dos bloqueios pontuais após o registro de gripe aviária no Rio Grande do Sul.
Para os próximos meses, o setor de postura tende a seguir em trajetória positiva, apoiado na demanda interna aquecida. O consumo per capita brasileiro atingiu 269 ovos em 2024, crescendo em média 4% ao ano na última década, e a previsão é de novos recordes em 2025 e 2026. Com a ração em níveis estáveis e o ovo consolidado como proteína acessível em períodos de restrição de orçamento, a avicultura de postura deve continuar se beneficiando.
Ainda assim, desafios seguem no radar. O setor, bastante fragmentado, tem espaço para ganhar eficiência com adoção de tecnologias, automação e integração vertical. Além disso, a sanidade avícola permanece como ponto crítico. Embora as exportações ainda sejam pouco representativas, um eventual surto de gripe aviária em larga escala poderia comprometer a produção e pressionar o mercado interno, como ocorreu em países como os EUA.
O Brasil, que mantém rigorosos protocolos de biosseguridade, segue vigilante. A adoção de medidas preventivas nas granjas e a colaboração entre produtores e autoridades sanitárias serão fundamentais para garantir a continuidade do crescimento, a competitividade do setor e a confiança internacional no produto brasileiro.

Avicultura
Queda na demanda externa reduz 36% das exportações brasileiras de ovos
Embarques somaram 1,87 mil toneladas em março, o menor volume desde dezembro de 2024, enquanto a receita recuou 27% frente a fevereiro.

As exportações brasileiras de ovos registraram forte retração em março, refletindo a redução da demanda dos principais mercados importadores. Dados da Secex, compilados por pesquisadores do Cepea, indicam que o país embarcou 1,87 mil toneladas de ovos in natura e processados no período.

Foto: Giovanna Curado
O volume representa queda de 36% em relação a fevereiro e equivale à metade do registrado em março do ano passado, quando os embarques somaram 3,77 mil toneladas. Trata-se do menor patamar mensal desde dezembro de 2024.
Apesar da retração mais acentuada no volume, o faturamento recuou em menor intensidade. As vendas externas geraram US$ 4,53 milhões em março, redução de 27% frente ao mês anterior e de 48% na comparação anual.
A diferença entre a queda em volume e em receita indica sustentação relativa dos preços médios de exportação, ainda que insuficiente para compensar a perda de ritmo nos embarques.
Avicultura Recorde histórico
Exportação de carne de frango soma 1,45 milhão de toneladas no 1º trimestre
Volume supera em 0,7% o recorde de 2025, mas preços internos recuam em março e voltam a reagir em abril com alta de fretes e demanda inicial do mês.
Avicultura Mesmo com alta de até 21% em março
Preço médio do ovo na Quaresma é o menor em quatro anos
Quedas ao longo de 2025 e janeiro de 2026 no menor patamar em seis anos limitaram efeito sazonal típico do período religioso.

Os preços dos ovos subiram até 21% em março, movimento recorrente no período da Quaresma, quando parte dos consumidores substitui a carne vermelha. Ainda assim, levantamentos do Cepea mostram que o valor médio praticado no período religioso deste ano é o mais baixo dos últimos quatro anos nas regiões acompanhadas pelo Centro de Pesquisas.
De acordo com pesquisadores do Cepea, ao longo de 2025 as cotações recuaram em boa parte dos meses, reduzindo a base de comparação para o início deste ano. Como reflexo desse comportamento, janeiro de 2026 registrou a menor média para o mês dos últimos seis anos em diversas praças monitoradas.
Dessa forma, o mercado iniciou 2026 em patamar inferior ao observado em 2025. A reação verificada em fevereiro e março, embora expressiva em termos percentuais, não foi suficiente para que a média de preços desta Quaresma superasse a registrada em anos anteriores.





