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Bovinos / Grãos / Máquinas

Produção de leite no Brasil emite 52% menos carbono que média global

Estudo com 28 fazendas e 24,3 mil animais mostra pegada média de 1,19 kg de CO₂ por litro, com redução de até 43% em propriedades mais produtivas.

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Foto: Divulgação/Cargill

Um estudo inédito revela que a produção de leite no Brasil apresenta emissões de carbono significativamente menores do que a média global. Intitulado “Benchmarking da Pegada de Carbono”, o levantamento aponta que cada quilo de leite produzido no país gera, em média, 1,19 kg de dióxido de carbono equivalente (COeq). Para efeito de comparação, a média mundial é mais que o dobro, com 2,5 kg de COeq por quilo de leite.

Médico-veterinário com mestrado em Nutrição Avícola, Marcelo Dalmagro: “Além de vital para a sustentabilidade econômica das propriedades leiteiras, a produtividade passa a ser também um parâmetro associado à redução de emissões dentro da porteira” – Foto: Arquivo pessoal

O cálculo adotou o padrão internacional de correção do leite para teores de gordura e proteína, permitindo comparações precisas entre diferentes sistemas produtivos em nível global. De acordo com os pesquisadores, o resultado evidencia que o modelo brasileiro alia produtividade e práticas eficientes a uma produção mais sustentável.

A pesquisa foi conduzida pela Cargill Nutrição e Saúde Animal, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Embrapa Gado de Leite, e utilizou a metodologia de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV). Esse método considera todos os impactos ambientais do sistema produtivo – do berço ao portão da fazenda, oferecendo uma análise completa desde a alimentação do rebanho até o leite pronto para comercialização.

Além disso, o estudo avaliou três sistemas produtivos diferentes, distribuídos em quatro biomas brasileiros, permitindo medir de forma abrangente a pegada de carbono do setor leiteiro em diferentes condições climáticas, solos e práticas de manejo.

Desempenho ambiental do Brasil

O levantamento está entre os mais abrangentes já realizados no setor lácteo brasileiro. Foram analisados 24.349 animais em 28 fazendas distribuídas por sete estados, com produção anual total de 162,1 milhões de litros de leite. A amplitude da base de dados permitiu avaliar diferentes sistemas produtivos e estabelecer parâmetros técnicos comparáveis entre propriedades e regiões, oferecendo um panorama robusto da pegada de carbono da produção nacional.

Os resultados mostram que o desempenho ambiental do Brasil se aproxima de países com sistemas leiteiros consolidados. A pegada média nacional de 1,19 kg de COeq por litro de leite é semelhante à registrada na Alemanha, de 1,2 kg, e se aproxima também da média dos Estados Unidos, estimada em 1,0 kg de COeq. “Esses números evidenciam que o setor leiteiro brasileiro consegue aliar produtividade e eficiência ambiental, mantendo competitividade em nível global”, ressaltam os pesquisadores no estudo.

Produtividade e emissões

A pesquisa reforça a relação direta entre eficiência produtiva e redução das emissões. Na comparação entre os sistemas avaliados, o aumento da produtividade permitiu redução de até 43% nas emissões por litro de leite produzido.

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

Fazendas com produção diária superior a 25 litros por vaca apresentaram pegada média de 0,90 kg de COeq por quilo de leite. Já propriedades com produtividade inferior a esse patamar registraram índice de 1,58 kg de COeq. “Os dados mostram que decisões técnicas relacionadas ao manejo do rebanho, como ajustes de dieta e tecnologias com foco em eficiência produtiva, impactam diretamente os indicadores ambientais da atividade. Além de vital para a sustentabilidade econômica das propriedades leiteiras, a produtividade passa a ser também um parâmetro associado à redução de emissões dentro da porteira”, afirma o médico-veterinário com mestrado em Nutrição Avícola, Marcelo Dalmagro.

Principal fonte de emissão

Foto: Fernando Dias

O estudo identificou o metano entérico como a principal fonte de emissão na produção de leite, responsável por 47% da pegada de carbono. Em seguida, vem a produção de alimentos fora da propriedade, que contribui com 36,8%, e o manejo de dejetos, que representa 8,1% do total.

Esses dados destacam que a maior parte das emissões está ligada à própria digestão das vacas e à cadeia de produção de ração, reforçando a importância de estratégias de manejo e alimentação para reduzir impactos ambientais.

Desempenho da atividade leiteira

A pesquisa também avaliou o desempenho da atividade leiteira em diferentes biomas brasileiros, mostrando como clima, solos e sistemas de manejo influenciam a pegada de carbono. O Pampa registrou a menor média, com 0,99 kg de COeq por litro de leite, seguido pelo Cerrado, com 1,12 kg, pela Mata Atlântica, com 1,19 kg, e pela Caatinga, com 1,50 kg, refletindo desafios distintos de cada região para eficiência produtiva e sustentabilidade.

Realização do estudo

Realizado entre 2022 e 2024, o levantamento seguiu rigorosamente as normas internacionais ISO 14040, 14044 e 14067, garantindo padronização metodológica e comparabilidade dos dados entre diferentes sistemas produtivos e regiões. Segundo os pesquisadores, esse cuidado técnico permite avaliar com precisão a pegada de carbono do leite brasileiro e orientar políticas e práticas que conciliem produtividade e redução de emissões.

Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas Em menos de um ano

Indonésia se torna segundo maior destino dos miúdos bovinos do Brasil

País asiático importou mais de 12 mil toneladas do produto entre janeiro e maio, movimentando US$ 19,5 milhões.

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Foto: Divulgação

Menos de um ano após a abertura do mercado para os miúdos bovinos brasileiros, a Indonésia já ocupa a segunda posição entre os principais compradores do produto, atrás apenas de Hong Kong. Entre janeiro e maio de 2026, o país asiático importou mais de 12 mil toneladas, movimentando US$ 19,5 milhões.

O rápido avanço das compras está ligado ao tamanho do mercado indonésio. Com população superior a 284 milhões de habitantes, a Indonésia importou mais de 70 mil toneladas de miúdos bovinos em 2025, em negócios que ultrapassaram US$ 150 milhões.

Os embarques brasileiros para o mercado internacional também seguem em expansão. Nos cinco primeiros meses deste ano, o Brasil exportou mais de 106 mil toneladas de miúdos bovinos para 117 países, gerando receita de US$ 256 milhões. Em 2025, as exportações do produto alcançaram 267 mil toneladas, com faturamento de US$ 605 milhões.

Foto: Divulgação/Freepik

A autorização para a entrada dos miúdos bovinos brasileiros na Indonésia foi concedida em agosto de 2025. Desde então, o número de frigoríficos habilitados a exportar para o país aumentou gradualmente. Em setembro do ano passado, 17 plantas foram incluídas na lista de exportadores autorizados, elevando para 38 o total de unidades aptas a atender o mercado indonésio. Em janeiro deste ano, outras 14 plantas foram habilitadas, totalizando 52 estabelecimentos autorizados.

O crescimento das exportações ocorre em meio à ampliação das relações comerciais entre os dois países. Atualmente, a Indonésia é o 11º principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Entre janeiro e maio deste ano, as compras de produtos agropecuários brasileiros superaram US$ 1 bilhão, com destaque para o complexo soja, fibras e produtos têxteis, além de fumo e derivados.

Embora tenham consumo mais restrito no mercado brasileiro, os miúdos bovinos encontram demanda significativa em diversos mercados internacionais. As exportações desses produtos ampliam o aproveitamento comercial dos animais abatidos e representam uma importante fonte adicional de receita para a cadeia da carne bovina.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Reinserção de produtores é caminho estratégico para fortalecer a pecuária sustentável no Brasil

Regularização ambiental, rastreabilidade, assistência técnica e acesso ao crédito são apontados como fatores decisivos para ampliar a inclusão produtiva e manter a competitividade da carne bovina brasileira.

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Brasil ocupa posição estratégica na produção mundial de alimentos, com o maior rebanho comercial bovino do mundo e liderança nas exportações de carne bovina - Foto: Divulgação

A reinserção de pecuaristas na cadeia formal da carne bovina deixou de ser apenas uma discussão sobre conformidade socioambiental e passou a ocupar espaço estratégico nas agendas ligadas ao futuro da pecuária brasileira. Em um ambiente de negócios cada vez mais influenciado por exigências de rastreabilidade, regularização ambiental e transparência, ampliar as condições para que produtores retornem aos mercados formais é visto como uma forma de fortalecer a inclusão produtiva, ampliar a sustentabilidade e aumentar a competitividade da carne bovina nacional.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “Encontrar soluções para apoiar esses produtores é fundamental para o desenvolvimento sustentável da atividade” – Foto: Clever Freitas

Mais do que retomar relações comerciais, esse processo envolve a criação de mecanismos que permitam aos produtores se adequar às novas exigências do setor. Isso inclui acesso à assistência técnica, regularização ambiental, instrumentos de monitoramento, crédito e maior segurança jurídica.

Segundo a presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes, o Brasil reúne características que o colocam em posição privilegiada na produção mundial de alimentos, mas enfrenta desafios importantes para garantir que um número maior de produtores consiga atender às exigências atuais. “O Brasil ocupa posição estratégica na produção mundial de alimentos, com o maior rebanho comercial bovino do mundo e liderança nas exportações de carne bovina. Ao mesmo tempo, o segmento enfrenta desafios ligados à regularização ambiental, à rastreabilidade e ao cumprimento de critérios socioambientais cada vez mais valorizados pelos compradores”, afirma.

Foto: Divulgação

Ela destaca que muitos pecuaristas acabam afastados dos mercados formais não por falta de capacidade produtiva, mas por dificuldades de acesso às ferramentas necessárias para se adequar às novas regras. “Nesse contexto, muitos pecuaristas acabam afastados dos mercados formais por dificuldades em atender a essas demandas, especialmente em regiões onde o acesso à informação, à assistência técnica e aos instrumentos necessários para adequação ainda é limitado”, explica.

Para Ana Doralina, a exclusão desses produtores produz efeitos que ultrapassam os limites das propriedades rurais e afetam toda a cadeia produtiva. “Estamos falando de desafios relacionados à inclusão produtiva, ao acesso ao conhecimento e à construção de uma pecuária cada vez mais alinhada às expectativas da sociedade e dos mercados. Encontrar soluções para apoiar esses produtores é fundamental para o desenvolvimento sustentável da atividade”, ressalta.

Ela acrescenta que é preciso oferecer condições para que o processo de adequação ocorra com

Foto: Divulgação

maior previsibilidade. “Também é necessário criar condições para que eles avancem em seus processos de regularização e requalificação com segurança jurídica, acesso a crédito e instrumentos que ampliem a previsibilidade, o que contribui para fortalecer toda a cadeia”, diz.

Requalificação exige cooperação e instrumentos de apoio

Nos últimos anos, ganharam espaço programas voltados à requalificação de fornecedores, iniciativas de monitoramento socioambiental, instrumentos de regularização ambiental e linhas de crédito destinadas à adequação produtiva. Essas ações têm permitido que propriedades antes afastadas dos mercados formais retomem relações comerciais e ampliem sua capacidade de atender às exigências dos compradores.

Foto: Shutterstock

Apesar disso, especialistas avaliam que os avanços ainda precisam ganhar escala para acompanhar a dimensão da pecuária brasileira.

Entre as medidas consideradas prioritárias estão a ampliação da assistência técnica, o acesso a tecnologias de monitoramento e rastreabilidade, a oferta de crédito compatível com as necessidades dos produtores e a criação de incentivos capazes de reconhecer os avanços obtidos nas propriedades.

A cooperação entre empresas, instituições financeiras, governos e organizações da sociedade civil também é apontada como fundamental para ampliar o alcance dessas iniciativas. “A reinserção é possível e gera resultados positivos para toda a cadeia, mas, para avançarmos de forma consistente, é necessário ampliar a cooperação entre os diferentes atores, garantindo condições para que mais produtores possam se adequar e permanecer competitivos em um ambiente de negócios cada vez mais exigente”, afirma Ana Doralina.

Segundo ela, o fortalecimento dessa agenda depende da construção de instrumentos capazes de

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atender às diferentes realidades da produção pecuária brasileira. “Isso passa pelo fortalecimento de mecanismos de monitoramento, pela ampliação da assistência técnica e pela construção de instrumentos que deem escala aos processos de regularização e requalificação, sempre respeitando as particularidades dos diferentes territórios e sistemas produtivos”, destaca.

A presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável avalia que a reinserção de produtores deve ser encarada como uma estratégia de longo prazo, capaz de gerar ganhos econômicos, sociais e ambientais. “A reinserção de produtores deve ser encarada como uma agenda de futuro para a pecuária brasileira. Quanto maior for nossa capacidade de incluir, orientar e apoiar esses profissionais, mais preparada estará a cadeia para responder aos desafios globais e fortalecer sua posição competitiva”, afirma.

Ela conclui que a combinação entre regularização ambiental, rastreabilidade, assistência técnica, instrumentos financeiros e segurança jurídica pode ampliar o alcance dessa agenda e fortalecer a imagem da carne bovina brasileira nos mercados nacional e internacional. “Ao combinar regularização ambiental, rastreabilidade, assistência técnica, acesso a instrumentos financeiros e segurança jurídica, criamos as condições necessárias para ampliar a escala dessa agenda e gerar valor para todos os elos da cadeia, fortalecendo a imagem da carne bovina brasileira e contribuindo para uma produção cada vez mais sustentável”, salienta.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Mais leite, menos dinheiro: produtor recebe menos mesmo com captação recorde

Indústria adquiriu 6,78 bilhões de litros no primeiro trimestre de 2026, enquanto o preço médio pago ao produtor caiu 18,8% em relação ao ano passado.

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Foto: Juliana Sussai

O primeiro trimestre de 2026 trouxe uma combinação incomum para a cadeia leiteira brasileira: a indústria captou mais leite do que nunca para o período, mas os produtores receberam menos pelo produto em comparação ao ano passado.

Foto: Aires Marga

Entre janeiro e março, os estabelecimentos que atuam sob algum tipo de inspeção sanitária – federal, estadual ou municipal, adquiriram 6,78 bilhões de litros de leite cru, segundo as Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O volume representa aumento de 2,6% em relação ao mesmo período de 2025 e configura a maior captação já registrada para um primeiro trimestre desde o início da série histórica do instituto. Na comparação com os últimos três meses do ano passado, porém, houve retração de 8%, movimento considerado típico da sazonalidade da produção leiteira.

Enquanto a oferta cresceu, a remuneração dos produtores seguiu em direção oposta. O preço líquido médio pago pela

Foto: Divulgação

indústria foi de R$ 2,24 por litro, valor 18,8% inferior ao observado no primeiro trimestre de 2025.

Apesar da queda anual, os números mostram uma recuperação ao longo do trimestre. O litro de leite saiu de R$ 2,10 em janeiro para R$ 2,44 em março, indicando uma reação dos preços após o início mais fraco do ano.

Paraná lidera crescimento da captação

Entre os estados, o maior aumento absoluto na aquisição de leite ocorreu no Paraná. A indústria paranaense captou 88,74 milhões de litros a mais do que no primeiro trimestre do ano passado.

Foto: Divulgação

Na sequência aparecem o Rio Grande do Sul, com acréscimo de 60,24 milhões de litros, Santa Catarina, com 44,56 milhões de litros adicionais, Minas Gerais, com aumento de 26,63 milhões de litros, e o Ceará, que ampliou a captação em 12,76 milhões de litros.

O desempenho dos estados do Sul reforça a importância da região para a cadeia leiteira nacional. Além de concentrar parte significativa da produção, os três estados mantêm forte presença de cooperativas e indústrias de processamento, o que contribui para a ampliação da captação mesmo em um ambiente de preços mais baixos.

Os dados do IBGE mostram que a produção de leite segue em expansão no país, mas também evidenciam um desafio recorrente do setor: aumentar o volume produzido não significa, necessariamente, maior rentabilidade para quem está na atividade. Em 2026, pelo menos no início do ano, os tanques ficaram mais cheios, mas a remuneração do produtor continuou distante dos níveis observados há um ano.

Fonte: O Presente Rural
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