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Bovinos / Grãos / Máquinas Segundo Conab

Produção de grãos no país deve chegar a 251,4 milhões de toneladas

Desempenho recorde na agricultura deve-se, principalmente, às colheitas de soja e milho

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A produção brasileira de grãos deverá ser de 251,4 milhões de toneladas na safra 2019/2020. O desempenho recorde na agricultura deve-se, principalmente, às colheitas de soja e milho, responsáveis por cerca de 88% da produção. Os dados constam no 10º Levantamento de Grãos realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e divulgado nesta quarta-feira (08).

Nesta safra, a Conab estima a maior colheita já registrada para a oleaginosa, com uma produção de 120,9 milhões de toneladas. O bom resultado foi obtido, apesar dos problemas climáticos registrados principalmente no Rio Grande do Sul, com registro de produtividade média nacional maior que a da safra passada. O reflexo da boa produção pode ser visto nas exportações do produto. Nos primeiro semestre deste ano o país exportou 60,3 milhões de toneladas do grão, aumento de 38% em comparação com o mesmo período do ano passado. A elevação da cotação do dólar frente ao real contribuiu para esse número, aumentando a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional. A soja e os demais produtos do agronegócio contribuíram para um saldo de aproximadamente US$ 36 bilhões de dólares na balança comercial, algo em torno de R$ 190 bilhões.

A produção de milho também deve ser a maior já registrada. Com a colheita realizada em 25% da 2ª safra do cereal, a expectativa que o Brasil tenha uma produção superior a 100 milhões de toneladas. Resultado atingido mesmo com o atraso do plantio da soja, que impacta no plantio do milho, fazendo com que parte da semeadura tenha sido feita fora da janela ideal. Em Mato Grosso, principal estado produtor, as condições climáticas foram menos favoráveis que na safra passada, o que não permitiu às lavouras expressarem todo seu potencial produtivo.

Mas, o crescimento na área plantada deve compensar as influências negativas na cultura. Este aumento pode ser consequência dos preços praticados no mercado, em patamares remuneratórios ao produtor, que incentivou o plantio. Nesta ampliação do produto, o Brasil passa registrar uma terceira safra do cereal, puxada pela região produtora de Sergipe, Alagoas e pelo nordeste da Bahia (Sealba). Com a semeadura concluída, o desempenho depende das condições climáticas nos próximos meses.

Outro produto que já registra o plantio da 3ª safra concluído é o feijão. Mas, para a leguminosa, o clima tem maior influência nas áreas do Norte e Nordeste do país, uma vez que a produção registrada no Centro-Oeste é irrigada. Com o cultivo das três safras do produto, consumo e produção mantêm-se alinhados, próximo a 3 milhões de toneladas.

Culturas de inverno

Com o plantio das principais culturas finalizando, a Companhia segue acompanhando o desenvolvimento das lavouras e o impacto do clima. Destaque para o trigo, que apresenta expressivo crescimento na área plantada, chegando a 2,32 milhões de hectares, um aumento de 13,7%, podendo chegar a uma produção de 6,3 milhões de toneladas.

Fonte: Conab
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Bovinos / Grãos / Máquinas Sanidade Vegetal

Plantas voluntárias de milho favorecem sobrevivência e reprodução da cigarrinha do milho

Para evitar prejuízo aos agricultores, Embrapa, Adapar e IDR lançam campanha inédita para eliminação de plantas voluntárias do milho

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Divulgação/Yvi Leise

A sanidade da lavoura faz toda a diferença para que o agricultor tenha bons resultados e não gaste dinheiro com produtos desnecessários. Para reforçar esta importância, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), a Embrapa Milho e Sorgo, o IDR-Paraná, o Sindicato Rural e o Conselho de Sanidade Agropecuária de Marechal Cândido Rondon estão lançando uma campanha inédita para que agricultores eliminem as plantas voluntárias de milho presente nas lavouras.

O que acontece, explica o engenheiro agrônomo e fiscal da Adapar, Anderson Lemiska, é que estas plantas voluntárias  favorecem a sobrevivência e reprodução da cigarrinha do milho, que é o vetor da doença chamada enfezamento do milho. A doença é causada por patógenos chamados de molicutes (Spiroplasma kunkelii e Phytoplasma), que infectam os tecidos do floema das plantas. “Existem diversas medidas de controle e prevenção. E esta campanha é uma delas”, afirma.

Para se ter uma ideia da situação, em 2019 pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo estiveram nos municípios de Marechal Cândido Rondon e Mercedes, no Oeste do Paraná, e em algumas lavouras de milho observaram alta incidência da cigarrinha do milho (Dalbulus maidis) e sintomas típicos dos enfezamentos, além de tombamento e morte súbita de plantas. Para verificar a presença dos patógenos nas lavouras, foram coletadas dezenove amostras de folhas de milho que foram submetidas a exame laboratorial por meio de análise molecular. Do total amostrado, onze amostras (57,9%) acusaram a presença de espiroplasma e não foi detectada a presença de fitoplasma.

O relato de problemas relacionados aos sintomas de enfezamentos na região Oeste Paranaense são recentes e até o momento ocorreu em áreas isoladas. “Dessa forma, os produtores devem ficar atentos e realizar o manejo adequado para evitar a presença de cigarrinha do milho em sua propriedade e assim mitigar os danos causados pelos enfezamentos”, comenta o fiscal da Adapar.

Neste contexto, explica Lemiska, a Adapar recomenda aos produtores da cultura do milho busquem informações, sobre as pragas em questão, para a identificação do seu vetor (transmissor) e a realização de monitoramento nas áreas com a cultura, visando auxiliar o diagnóstico por um profissional de agronomia e a necessidade de recomendação de controle. “Vale lembrar que, caso seja recomendado o controle químico, o profissional deve prescrever agrotóxico cadastrado na Adapar e o agricultor utilizar o produto conforme prescrito no receituário agronômico, respeitando as recomendações de dose, cultura, praga e intervalo entre aplicações. Deve-se evitar uso irregular e desnecessário de agrotóxico, fato que pode acelerar a resistência das pragas, elevar o custo de produção e a contaminação ambiental”, informa.

Medidas preventivas de controle

De acordo com a pesquisadora da Embrapa, Dagma Dionísia da Silva, em diferentes lavouras e híbridos foi possível observar variação na incidência e na severidade dos danos pelos enfezamentos. “As  cigarrinhas infectadas migram de lavouras mais velhas para mais novas e transmitem os patógenos para plântulas e plantas jovens sadias, ou seja, ainda no início do ciclo de desenvolvimento da cultura. Esse fato, associado às várias épocas de plantio e a fatores climáticos, provavelmente contribuiu para a incidência de enfezamentos na safra de milho 2018/19”, explica.

A pesquisadora comenta que na região visitada, a colheita antecipada de soja e a colheita regional de fumo proporcionaram a semeadura de milho no período de outubro a dezembro, favorecendo a criação de intensa “ponte verde” entre as lavouras, o que favoreceu as populações de cigarrinha e a transmissão dos patógenos, aumentando a incidência de enfezamentos. “Além do milho tiguera, pesquisas mostram que a cigarrinha pode utilizar outras culturas como o sorgo, a Braquiária ruziziensis e o milheto para abrigo, sobrevivendo no sorgo e na braquiária por até três semanas e no milheto por até cinco semanas”, diz. Dagma explica que em áreas em que foi realizado o tratamento de sementes (TS) e pulverizações contra insetos na fase de inicial do cultivo, pode ter ocorrido redução na ocorrência da cigarrinha e, consequente, redução na incidência de enfezamentos.

Dessa forma, ela sugere algumas medidas preventivas para reduzir a ocorrência de enfezamentos na safrinha de milho 2020:

– Participar de reuniões técnicas para conhecer as questões fitossanitárias relacionadas à cultura do milho, bem como sobre a identificação da presença do inseto vetor (cigarrinhas), os sintomas das doenças nas plantas e sobre o manejo e as medidas preventivas para evitar a presença de cigarrinhas e pragas nas lavouras;

– Eliminar as tigueras/plantas invasoras de milho em outros cultivos, os quais permitem a sobrevivência e multiplicação da cigarrinha, Dalbulus maidis, e agem como fonte de inóculo para os enfezamentos. Vale ressaltar que, além da cigarrinha, outros insetos e patógenos de outras doenças também podem sobreviver no milho tiguera.

– Selecionar para o plantio, sementes de híbridos de milho com resistência/tolerância aos enfezamentos, adaptados e recomendados para as épocas de plantio em cada região. Essa é até o momento, a  medida mais eficaz para manejo e convivência com os enfezamentos. Informações podem ser obtidas junto às empresas de produtoras de sementes e em publicações sobre o assunto;

– Evitar a semeadura de milho em datas variadas na mesma região, para evitar as ‘pontes verdes’. Atenção às áreas menores onde já existe histórico de ocorrência de cigarrinha e enfezamentos de forma a evitar que os plantios realizados fora de época proporcionem “ponte verde” no milho e, permitam que as populações de cigarrinha se concentrem nessas áreas;

– Monitorar a presença de cigarrinha nas lavouras em todas as safras e considerar o histórico de ocorrência de insetos; e

– Ficar atento à presença de cigarrinhas nas fases iniciais da lavoura, pois quanto mais cedo a planta for infectada, maior é a poderão ser os danos econômicos nas lavouras. Dessa forma, o tratamento de sementes associado ao controle químico da cigarrinha pode ser uma medida inicial para o manejo do vetor e, por consequência, da doença.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Segundo Conab

Produção de grãos sinaliza recorde final de 253,7 milhões de toneladas

Isto representa um crescimento de 4,8% ou o equivalente a 11,6 milhões de toneladas sobre a produção da safra passada

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Arquivo/OP Rural

A produção de grãos da safra 2019/20 do Brasil caminha para o desfecho final de mais um recorde, com a marca de 253,7 milhões de toneladas. Isto representa um crescimento de 4,8% ou o equivalente a 11,6 milhões de toneladas sobre a produção da safra passada. O carro-chefe dos grãos é comandado pela soja e milho, que garantem quase 90% da produção nacional. Os dados podem ser conferidos no 11º Levantamento de Grãos realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e divulgado nesta terça-feira (11).

Com o final próximo da colheita da primeira e segunda safra das commodities, o estudo passa a analisar as culturas de terceira e de inverno, de olho no comportamento climático que vem favorecendo as lavouras até agora. A soja já tem garantida a produção recorde estimada em 120,9 milhões de toneladas,  com  ganho de 5,1%.

Também o milho total, recorde assegurado pelos seus 102,1 milhões de toneladas, já encerrou a primeira safra e caminha para o fechamento da segunda, dependendo de 1,5% da contribuição das lavouras cultivadas na região do Sealba (Sergipe, Alagoas e nordeste da Bahia).

Enquanto isso, as culturas de inverno (aveia, canola, centeio, cevada trigo e triticale) finalizam o plantio neste mês. A estimativa é de crescimento de 12,1% na área plantada, com destaque para o trigo, que sinaliza um crescimento de 14,1% e alcance de 2,33 milhões de hectares. A depender da ajuda climática, a produção deve chegar a um recorde de 6,8 milhões de toneladas. O Brasil só ultrapassou a marca dos 6 milhões de toneladas de trigo em 4 ocasiões na série histórica, sendo esta a maior, caso se confirmem as estimativas.

Os demais produtos que integram a cadeia de grãos, como algodão, arroz e feijão, caminham também para a finalização da colheita, com um desempenho de produção acima do produzido no último período. O arroz deve crescer 6,6% e colher 11,2 milhões de toneladas. Dessas, 10,3 milhões em áreas de cultivo irrigado.

Por sua vez, o algodão aumenta 5,4%, prevendo uma produção de 2,93 milhões de toneladas de pluma. E o feijão total cresce 5,4%, alcançando 3,18 milhões de toneladas, dependendo da terceira safra que está em fase de colheita. Mais da metade dessa colheita (1,9 mi t) é da espécie comum cores.

Exportações

A história de recordes da safra continua. No caso da soja, o mercado indica uma estimativa de exportações sem igual este ano, com 82 milhões de toneladas, devido à expectativa de câmbio elevado e as negociações antecipadas que estão ocorrendo.

Também o arroz tem boas perspectivas de mercado, com exportações recordes e crescimento do consumo interno, o que leva à redução nas estimativas de estoques de passagem do setor. Para a safra atual, com uma balança comercial superavitária estimada em 400 mil toneladas e crescimento do consumo, projeta-se preço elevado ao longo de todo o período de comercialização da nova safra.

Fonte: Conab
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Bovinos / Grãos / Máquinas Tecnologia

Pesquisa mostra o retrato da agricultura digital brasileira

Ausência de infraestrutura de conectividade é o maior entrave da agricultura digital para 61% dos entrevistados

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Divulgação/iStock

Uso de ferramentas digitais para comercialização, interesse por soluções digitais, gargalos em infraestrutura de conectividade e falta de conhecimento sobre as tecnologias disponíveis são alguns tópicos extraídos da pesquisa realizada com mais de 750 participantes entre produtores rurais, empresas e prestadores de serviço sobre tendências, desafios e oportunidades para a agricultura digital no Brasil. O trabalho foi feito por meio de parceria entre a Embrapa, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e revelou que 84% dos agricultores brasileiros já utilizam ao menos uma tecnologia digital como ferramenta de apoio na produção agrícola

Os resultados, recém-consolidados, mostram que a facilidade de comunicação e de acesso à informação, proporcionada pela internet, são a porta de entrada hoje para introduzir o agricultor nessas novas tecnologias. Mas aplicações mais especializadas, capazes de ampliar o acesso a mercados, reduzir custos ou ainda agregar valor à produção já estão no radar dos produtores rurais, com potencial de expansão.

Por meio de painéis interativos (dashboards), é possível analisar todos os resultados da pesquisa de forma estratificada. A consultas podem ser feitas a partir das informações sobre o perfil do agricultor e do prestador de serviço, como tamanho da área cultivada e tempo na atividade, para cada unidade da federação. Os dados completos também estão disponíveis para consulta no sumário executivo. O estudo foi realizado no âmbito do projeto de cooperação  “Inteligência estratégica para pequenos negócios rurais: agregação de valor e tecnologia”, coordenado pela Secretaria de Inovação e Negócios (SIN) da Embrapa e firmado em parceria com o Sebrae. Seu objetivo é ajudar a orientar novas pesquisas e inovações além de subsidiar estratégias de mercado.

A pesquisa amostral, aplicada por meio de um questionário on-line, ficou disponível entre abril e junho deste ano e contou com a participação de 504 agricultores, de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal. A maioria deles, 72%, cultivam áreas de até 50 hectares, com agricultura, pecuária e silvicultura, e 69% têm mais de dez anos de experiência na atividade rural.

Seja para agilizar a comunicação na hora de contratar um serviço, pesquisar o preço de um insumo ou para enxergar a propriedade com outros “olhos”, mapeando a lavoura e planejando a atividade, a pesquisa mostra um retrato atual de como esses produtores rurais estão utilizando a internet, aplicativos de celular, drones, entre outras tecnologias, e também um panorama das suas expectativas e dificuldades.

Mais de 70% dos produtores rurais que responderam à pesquisa disseram que acessam a internet para interesses gerais sobre agricultura. Já as redes sociais, como o Facebook, e os serviços de mensagem, como o WhatsApp, foram apontados por 57,5% deles como meios utilizados para obter ou divulgar informações relacionadas à propriedade, comprar insumos ou vender sua produção.

“Essas ferramentas são utilizadas em atividades gerais com o objetivo de ajudar no planejamento e na gestão da propriedade, mas foi possível observar também que uma boa parte dos produtores rurais já utiliza outras aplicações a partir de sensores remotos e de campo, eletrônica embarcada, aplicativos ou plataformas digitais para fins específicos em uma cultura ou sistema de produção”, explica o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária (SP) Édson Bolfe, que coordenou o estudo.

Cerca de 40% dos produtores disseram que vêm usando essas novas tecnologias como canal para a compra e venda de insumos e da produção e, ainda, em torno de um terço deles utiliza soluções digitais com o objetivo de mapear a lavoura e a vegetação e para a previsão de riscos climáticos. “Outras aplicações das tecnologias aparecem em número menor, mas vemos como áreas com tendência de crescimento aquelas voltadas para o bem-estar animal, citada por 21,2% dos respondentes; e para certificação ou rastreabilidade dos alimentos, mencionada por 13,7% deles”, completa Bolfe. Ele ressalta ainda que 95% dos produtores registraram na pesquisa que desejam mais informações sobre agricultura digital.

Informação

Se os produtores se mostram ávidos pelas tecnologias digitais, algumas barreiras ainda desestimulam sua adoção. Os resultados da pesquisa indicam que o valor do investimento para a aquisição de equipamentos e aplicativos assusta o agricultor. Esse aspecto  é apontado por 67,1% deles como uma das dificuldades. A questão aparece à frente de problemas estruturais, como a qualidade de conexão na área rural.

Para o engenheiro-agrônomo e sócio da startup IZagro Murilo Bettarello, a preocupação vem da visão de que essas novas tecnologias foram feitas somente para produtores rurais com alta capacidade de investimento. “Há ainda a percepção de que são tecnologias caras, mas existem muitas aplicações de baixo custo que já fazem a diferença e podem iniciar o agricultor nessa jornada da agricultura digital”, acredita. Segundo ele, falta a informação sobre avanços tecnológicos chegar ao produtor, principalmente médios e pequenos.

Essa demanda por mais informação já era percebida pelo Sebrae e aparece agora na pesquisa. A falta de conhecimento sobre quais são as tecnologias mais apropriadas foi mencionada como uma dificuldade por quase 41% dos produtores rurais. “Existem muitas ferramentas que o agricultor desconhece ou não compreende para que servem”, afirma o analista de Competitividade no Agronegócio do Sebrae Victor Ferreira. Uma das estratégias que serão desenvolvidas a partir do estudo é a criação de conteúdos para melhorar a informação para o agricultor sobre as soluções digitais disponíveis. As informações ficam no portal e em outros canais de acesso, como a plataforma de apoio à inteligência DataSebrae.

De acordo com a pesquisa, 40,5% dos agricultores utilizam tecnologias digitais para atividades de compra e venda. Segundo o analista do Sebrae, os produtores estão descobrindo novas formas de comunicar o seu produto, por meio de mídias sociais digitais e plataformas de marketplace, e isso tem feito com que se posicionem de maneira diferente, seja no negócio, na própria família ou com os clientes. Essa demanda por ferramentas para comercialização da produção acelerou ainda mais com a pandemia do novo coronavírus e as medidas de distanciamento social.

É o caso de agricultores do norte da Bahia, organizados na Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc). Por meio da parceria com startups de Salvador e São Paulo, eles estão conseguindo levar seus produtos a base de frutas nativas, como umbu e maracujá da caatinga, para novos mercados. “O uso das ferramentas digitais foi intensificado e a resposta tem sido muito interessante durante a pandemia, quando reduziram as vendas para lojas físicas”, explica a presidente da Coopercuc, Denise Cardoso. A queda chegou a quase 70%, mas ela estima que com a comercialização em plataformas digitais já foi possível reverter essa perda em torno de 30%.

Conectividade se reflete na produtividade

Além de ouvir os produtores rurais, a pesquisa também teve a participação de 249 empresas e prestadores de serviços. Mais da metade atua de alguma forma associada a cooperativas ou outras entidades ligadas ao produtor, oferecendo, entre as principais soluções, aquelas voltadas para o planejamento das atividades, para mapeamento e planejamento do uso da terra, gestão da propriedade, estimativas de produção ou produtividade e compra e venda de insumos, de produtos e da produção.

Fatores ligados ao investimento por parte dos agricultores para ter acesso às tecnologias, falta de capacitação dos usuários e dificuldades com mão de obra foram algumas das limitações apontadas para expandir o setor. De acordo com Victor Ferreira, há exemplos de tecnologias digitais que já tiveram seus custos reduzidos, que podem beneficiar pequenos e médios produtores e abrir mercado para as empresas e prestadores de serviço. Uma das estratégias propostas para aprimorar a conexão com as necessidades do agricultor é por meio de um programa de consultoria em inovação e tecnologia, o Sebraetec. “Queremos colocar essas novas tecnologias no portfólio do programa e oferecer, por exemplo, subsídios para facilitar que cheguem ao agricultor”, completa.

No entanto, a deficiência na infraestrutura de conectividade nas áreas rurais ainda é o principal entrave hoje para o desenvolvimento da agricultura digital, mencionada por 61,4% dos profissionais da área que responderam à pesquisa. Neste momento, somente os grandes produtores estão conseguindo investir em soluções para melhorar o acesso à internet nas propriedades.

“Quando o assunto é expansão da digitalização no campo, a principal barreira ainda é a conectividade. A extensa dimensão territorial do Brasil, a falta de infraestrutura nas zonas rurais e o alto investimento, fator que inviabiliza principalmente pequenos e médios produtores de terem acesso à internet, ainda permanecem sendo os principais impeditivos dessa expansão”, afirma Sergio Rocha, fundador e CEO da Agrotools, agtech que fornece soluções digitais baseadas em plataforma geográfica.

Segundo ele, incentivar a conectividade no campo é essencial para garantir o aumento de produtividade. “O desenvolvimento de novas tecnologias não deve parar. São elas que provam que vale a pena investir na conectividade no campo, pois, com ela, a acessibilidade do produtor a soluções de produtividade, de inteligência, de gestão vai aumentar muito, visto que trazem muitos benefícios”, prevê.

Tecnologias que devem revolucionar o campo

Bolfe conta que os agricultores e prestadores de serviços que participaram da pesquisa colocaram nos primeiros lugares da lista de desejos as soluções para melhorar o planejamento e a gestão da propriedade, que devem vir principalmente por meio de aplicativos e plataformas web. “Mas há também uma forte expectativa por tecnologias que dependem de inovações em sensores e outros equipamentos e técnicas mais avançadas, como inteligência artificial, internet das coisas, automação, robótica, big data, criptografia e blockchain”, destaca o pesquisador.

São soluções com potencial de provocar grande impacto nos sistemas produtivos, em termos de aumento da produtividade, eficiência e redução de custos, qualidade da produção, redução de impacto ambiental e acesso ao mercado. “É a nova agricultura. Existe uma projeção para 2030 indicando que haverá uma intensa revolução no campo e ela já começou”, comenta Francisco Severino, gerente técnico corporativo da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana). A Cooperativa firmou uma parceria com a Embrapa no fim de 2019 para inovar o modelo de trabalho, melhorando a produtividade e, consequentemente, a renda dos produtores, com o uso de tecnologia blockchain e soluções em sensoriamento remoto.

Satélites e drones em expansão no agro 

 Outro exemplo de tecnologia que avança em conhecimento e tem grande potencial de expansão nos próximos anos são as baseadas em dados ou imagens geradas por sensores remotos, como os satélites e drones. Cerca de 37% das empresas e prestadores de serviços entrevistados atuam nessa área. A tecnologia também já é utilizada por 17,5% dos produtores rurais.

Para a pesquisadora do Inpe Ieda Sanches, o levantamento mostrou ainda um interesse bastante relevante em várias soluções para a agricultura que podem ser viabilizadas com a ajuda do sensoriamento remoto, tanto aéreo quanto orbital. São aplicações para detecção e controle de plantas daninhas, pragas e doenças, falhas de plantio e para estimativa de produção e produtividade.

Essa demanda real do produtor e dos prestadores de serviços, segundo ela, vai contribuir para que sejam aprofundadas ainda mais as pesquisas nessa área do conhecimento. Os resultados também devem ajudar em novas ações na área de ensino e capacitação. “Existem muitas ferramentas gratuitas, como imagens e sistemas de processamento, que nem sempre são do conhecimento de todos”, afirma ela, que acredita que é preciso ampliar a divulgação das técnicas já consolidadas.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Instrumentação (SP) Lúcio André de Castro Jorge, o mercado global de drones de 2016 a 2020 foi da ordem de US$ 32,4 bilhões, especificamente para agricultura. “Nesse período, o aumento no uso de drones na agricultura foi de 172%. A projeção da expansão até 2025 é exponencial”, revela.

Para ele, a pesquisa mostrou essa tendência. “Se considerarmos novos lançamentos de sensores previstos nos nanosatélites e nos microsatélites, em 2022 deverá haver um salto significativo no uso dessas tecnologias”, calcula.

O pesquisador lembra que recentemente houve uma explosão de demandas por uso de drones na pulverização agrícola e no controle biológico.“Com a regulamentação da legislação para uso dos drones nessas aplicações [em consulta pública neste momento] espera-se que haja uma melhor utilização da tecnologia. Acredita-se que os pulverizadores costais sejam substituídos por drones, principalmente pela redução de contaminação de operadores e melhor eficiência das aplicações. No controle biológico, várias culturas se beneficiarão da tecnologia, inclusive com menos impacto ambiental”, explica.

Para ele, os pequenos e médios produtores dependem muito de políticas públicas que favoreçam a inserção de tecnologias como essa. Uma alternativa apontada pelo pesquisador para os pequenos é a adoção da tecnologia via cooperativas de crédito e prestadores de serviço, que poderão atender vários grupos de uma região.

Castro Jorge informa que o mercado relativo apenas à fabricação de drones é de 12 bilhões de dólares em negócios, com geração de emprego para mais de 100 mil profissionais no Brasil, sendo 26% só na agricultura, um negócio de US$ 2 bilhões no País até 2020. Assim, o pesquisador acredita que os preços dos veículos aéreos não tripulados devem se tornar mais acessíveis, com a disponibilização de treinamentos acompanhando a demanda, permitindo a adoção pelos pequenos produtores.

Fonte: Embrapa Informática Agropecuária
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