Suínos
Produção de carne suína deve crescer em 2026 com apoio do mercado externo
Embora alguns mercados apresentem desafios específicos, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

A suinocultura brasileira inicia 2026 com preços internos em acomodação, movimento considerado típico para o período, mas com margens ainda sustentadas pelos custos favoráveis da ração. O cenário aponta para crescimento da produção e das exportações, embora alguns mercados apresentem desafios específicos, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.
No mercado doméstico, a expectativa é de ajuste nos preços do suíno vivo no início do ano. Mesmo assim, a diferença entre os valores de venda do animal e os custos de engorda permanece confortável, o que deve garantir a manutenção das margens da atividade ao longo dos primeiros meses de 2026.

Os custos de produção seguem em patamar favorável, apoiados pelo bom desenvolvimento da safra de grãos na América do Sul. O milho de verão apresenta desempenho positivo na Região Sul, enquanto a safra de milho safrinha, apesar de ainda ter pontos em definição, tem perspectiva geral de boa produção.
Para 2026, a projeção é de crescimento de 2% na produção brasileira de carne suína e de aumento de 5% nas exportações. Caso esse cenário se confirme, haverá espaço para um leve avanço do consumo doméstico. Com a produção dos Estados Unidos praticamente estagnada e a oferta europeia em retração, o Brasil tende a se beneficiar de uma possível ampliação das importações em mercados como Japão, Filipinas, Vietnã e outros países, incluindo destinos da América do Sul.
O cenário é mais desafiador em relação à China. Apesar de ter sido o segundo principal destino da carne suína in natura brasileira em 2025, o país enfrenta um ambiente menos favorável em 2026, principalmente em razão do excesso de oferta no mercado interno.
Outro ponto de atenção é o México, sexto maior destino da carne suína brasileira. Em 2025, o país importou cerca de 77 mil toneladas, mas o potencial de crescimento ficou mais limitado após a definição de uma cota de importação de 51 mil toneladas para países que não possuem acordo de livre comércio.

Suínos
Vacinação combinada avança no controle de doenças respiratórias na suinocultura
Associação de antígenos contra Mycoplasma hyopneumoniae e PCV2 reduz estresse no manejo, melhora a resposta imunológica e contribui para o desempenho produtivo.

A busca por eficiência produtiva na suinocultura moderna passa pelo controle sanitário de agentes respiratórios de alta relevância econômica. Entre eles, Mycoplasma hyopneumoniae (M. hyo) e o circovírus suíno tipo 2 (PCV2) destacam-se pela ampla distribuição e pelo impacto conjunto sobre o desempenho e o bem-estar dos animais. A presença de ambos agrava quadros clínicos e subclínicos, contribuindo para a manifestação do Complexo de Doenças Respiratórias dos Suínos (CDRS).

Foto: Ari Dias
O M. hyo é reconhecido como o agente primário da pneumonia enzoótica. A infecção leva à perda da integridade dos cílios brônquicos, inflamação persistente e comprometimento da troca gasosa, com reflexos diretos sobre a conversão alimentar e o ganho médio de peso diário. Já o PCV2, particularmente em sua variante genotípica d, atualmente predominante em rebanhos comerciais, exerce efeito imunossupressor significativo. Essa característica favorece infecções secundárias e amplifica os efeitos deletérios de coinfecções respiratórias. A concomitância desses agentes na granja representa não apenas uma ameaça sanitária, mas também um fator de comprometimento do bem-estar fisiológico e comportamental dos suínos.
Diante desse quadro, torna-se essencial adotar estratégias preventivas que reduzam a pressão infecciosa sem comprometer o equilíbrio fisiológico dos animais. É nesse contexto que o avanço da imunoprofilaxia, nas últimas duas décadas, consolidou a vacinação como o principal pilar de controle das enfermidades na granja. Ainda assim, o sucesso dessa prática depende de um manejo vacinal cuidadoso, capaz de equilibrar a eficácia imunológica e o bem-estar dos animais. Contenções repetidas e manipulações intensas elevam os níveis plasmáticos de cortisol, hormônio associado à resposta ao estresse, o que inibe a atividade de linfócitos e compromete a eficiência da resposta vacinal. Por essa razão, a simplificação dos protocolos, por meio de formulações combinadas e de dose única, não apenas reduz o estresse físico e comportamental, mas também potencializa a eficácia imunológica.
Nesse cenário de aprimoramento contínuo, a evolução recente da tecnologia vacinal introduziu um novo paradigma: a vacinação combinada, que reúne antígenos contra M. hyo e PCV2 em uma única formulação. Essa abordagem vai além da conveniência operacional, refletindo uma compreensão mais integrada da imunidade, da fisiologia e do comportamento animal. Do ponto de vista imunológico, a combinação de antígenos exige formulações cuidadosamente elaboradas. O desafio técnico está em garantir que a resposta imune contra um agente não interfira na do outro, mantendo níveis adequados de soroconversão, duração de imunidade e proteção tecidual.

Fotos: Shutterstock
Estudos recentes demonstram que vacinas desenvolvidas sob esse princípio atingiram resultados expressivos. Em pesquisa publicada por Sagrera et al. (2025), leitões vacinados com uma formulação combinada apresentaram soroconversão mais precoce e consistente, mesmo na presença de anticorpos maternos, além de redução quase total da viremia e da excreção viral fecal. Também foi observada menor incidência e gravidade de lesões pulmonares, evidenciando controle eficaz sobre ambos os patógenos em nível clínico e subclínico.
Outros estudos, conduzidos por Trampe et al. (2025) e Krejci et al. (2025), reforçaram essas conclusões ao demonstrar proteção cruzada frente aos principais genótipos de PCV2 (a, b e d) e redução significativa nas cargas virais em órgãos linfóides e pulmonares. Além disso, foi confirmada proteção duradoura de até 23 semanas, um diferencial relevante para cobrir o ciclo produtivo completo, especialmente em sistemas de terminação prolongada.
Esses resultados comprovam que a associação de antígenos atualizados, como o PCV2d, e cepas de M. hyo de alta imunogenicidade pode gerar imunidade robusta e duradoura sem comprometer a resposta individual a cada agente. Sob a ótica produtiva, o uso de vacinas combinadas também contribui para o bem-estar animal. Ao permitir a proteção simultânea contra diferentes agentes em uma única aplicação, essas soluções reduzem o número de intervenções no manejo, diminuindo o estresse dos animais. Como resultado, observam-se efeitos positivos no desempenho produtivo, como melhor ganho de peso, maior uniformidade dos lotes e respostas imunológicas mais consistentes, especialmente quando a proteção contra Mycoplasma hyopneumoniae é efetiva.

Sob a perspectiva das boas práticas de produção, a vacinação combinada contribui ainda para a segurança operacional. A simplificação dos protocolos reduz o risco de erros na preparação ou aplicação de doses, assegura maior padronização e permite que a equipe de manejo direcione mais tempo a atividades preventivas e de monitoramento. Em um cenário de crescente demanda por sistemas produtivos sustentáveis, a eficiência sanitária aliada à redução do estresse animal traduz-se em ganhos econômicos e éticos.
A integração de antígenos atualizados, especialmente o PCV2d, hoje predominante em granjas comerciais, amplia o espectro de proteção e confere às vacinas combinadas relevância epidemiológica imediata. Essa evolução tecnológica permite respostas imunológicas mais adequadas à realidade de campo, considerando as pressões infecciosas e a diversidade genética dos agentes circulantes. A consistência observada nas respostas sorológicas e nos parâmetros produtivos indica que a vacinação combinada não apenas substitui esquemas anteriores, mas estabelece um novo padrão de equilíbrio entre imunidade, desempenho e bem-estar animal.
A trajetória da imunização contra M. hyopneumoniae e PCV2 ilustra como a inovação científica pode transformar o conceito de prevenção em uma estratégia integrada de produção. As vacinas combinadas representam, portanto, mais do que uma ferramenta técnica: são a expressão de uma suinocultura orientada por ciência, responsabilidade sanitária e respeito ao bem-estar animal.
Suínos
Registro genealógico de suínos cresce 20,8% no Brasil em 2025
Relatório do SRGS mostra avanço da base genética da suinocultura, com mais de 340 mil registros emitidos no ano.

O Serviço de Registro Genealógico dos Suínos (SRGS), vinculado à Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), publicou o Relatório 2025, documento que reúne os principais números e análises sobre a evolução do registro genealógico no país. Ao longo de 2025, foram emitidos 340.762 registros genealógicos, resultado 20,83% superior ao registrado em 2024. O resultado representa o fortalecimento da base genética da suinocultura brasileira, em um cenário cada vez mais orientado por dados, eficiência e rastreabilidade.
Os animais cruzados concentraram a maior parte dos registros, representando 59,33% do total, seguidos pelos puros de origem (37,05%) e pelos puros sintéticos (3,62%). Entre as raças puras, Large White e Landrace lideraram as emissões do ano, demonstrando a importância dessas raças nos programas de melhoramento genético adotados no país. No ranking dos estados que mais importaram em 2025, Santa Catarina liderou com 32% das emissões, seguido por Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. Com relação às importações de suínos, neste ano foram importados 1.063 animais.
Outro dado importante é a predominância de fêmeas registradas, que representaram mais de 95% do total em 2025. Esse perfil está diretamente ligado à organização das granjas, à estrutura das pirâmides genéticas e ao uso crescente de tecnologias reprodutivas, como as centrais de sêmen. A diretora técnica da ABCS e superintendente do SRGS, Charli Ludtke, explica que ao reunir dados, tendências e análises, o Relatório SRGS 2025 reforça que “O registro genealógico é uma ferramenta estratégica para garantir transparência, confiabilidade e valorização genética. Em um mercado cada vez mais exigente, o registro se consolida como base para decisões técnicas, fortalecimento da produção e crescimento sustentável da suinocultura brasileira”.
Suínos
20º Encontro Regional Abraves-PR acontece nesta semana em Toledo
Evento reúne profissionais de diferentes regiões do país para discutir tendências, tecnologias e desafios da produção de suínos.

O Paraná, responsável por 21,5% dos abates de suínos do Brasil, recebe nesta semana, em Toledo (PR), especialistas, pesquisadores e profissionais da cadeia produtiva para o 20° Encontro Regional da Abraves-PR. O evento reúne lideranças da suinocultura para discutir temas que vão da sanidade e da gestão de pessoas ao avanço da inteligência artificial aplicada à produção animal.
A vigésima edição do encontro, promovida pela Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos – Regional Paraná (ABRAVES-PR), acontece nesta quarta a quinta-feira (11 e 12) e tem como tema “Suinocultura: ciência que direciona, propósito que inspira e ações que transformam”. A programação reúne profissionais, pesquisadores e empresas para discutir tendências, desafios e tecnologias que impactam diretamente a produção.
Entre os responsáveis pela programação científica, Everson Zotti destaca que o encontro foi estruturado para dialogar com as demandas mais atuais da atividade. “Vamos abordar temas como gestão de pessoas, inteligência artificial e sanidade. A proposta é levar conteúdos aplicáveis à rotina dos profissionais, mostrando como ferramentas digitais podem otimizar processos, melhorar a organização do tempo e aumentar a produtividade”, afirma.
A programação também reserva espaço para discutir o avanço da inteligência artificial no agronegócio, tema que tem ganhado relevância na produção animal. “Queremos aprofundar o debate sobre tecnologias e ferramentas de IA voltadas ao campo. Os palestrantes vão mostrar como essas soluções já estão transformando a forma de produzir e gerir no agro”, complementa Zotti.
Para a presidente da ABRAVES-PR, Luciana Diniz, o encontro se consolida como um espaço de integração entre profissionais de diferentes regiões do país. “O Encontro Regional não se limita ao Paraná. Recebemos participantes de várias regionais, atraídos pela qualidade técnica da programação, pela troca de experiências e pelo networking que a ABRAVES proporciona em dois dias intensos de conhecimento”, destaca.
Ao reunir especialistas, empresas e lideranças do setor, o XX Encontro Regional da ABRAVES-PR reforça o papel estratégico do Paraná no desenvolvimento da suinocultura brasileira e se consolida como um dos principais fóruns técnicos da área no país.
Paraná em destaque na suinocultura brasileira
O protagonismo do Estado ajuda a explicar a relevância do encontro. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024 foram abatidos 12,4 milhões de suínos no Paraná, número que representa um crescimento de 79% na última década, acima da média nacional, de 55%.
Além da liderança na produção, o Estado também se destaca no mercado internacional de genética suína. Segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Paraná consolidou sua posição como o maior exportador brasileiro de suínos reprodutores de raça pura.
Em 2025, o Estado respondeu por 62,1% da receita nacional com exportação de suínos de alto valor genético, somando US$ 1,087 milhão, com destaque para embarques destinados ao Paraguai. O material genético paranaense também abastece mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia, evidenciando o alto nível sanitário e tecnológico da produção paranaense.



