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Produção de carne suína deve crescer 4,6% e manter trajetória de alta até 2026, aponta ABPA

Combinação de maior produção, exportações aquecidas e ampliação da oferta interna reforça o protagonismo da carne suína no mercado brasileiro.

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O setor de carne suína brasileiro deve entrar em um novo ciclo de expansão entre 2025 e 2026, com crescimento simultâneo na produção, nas exportações, na oferta interna e no consumo per capita. As projeções fazem parte do panorama divulgado à imprensa nesta quarta-feira (03) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que aponta para um aumento contínuo da relevância do país no mercado global e para a consolidação da proteína como componente estratégico da indústria de alimentos no Brasil.

Segundo os dados, a produção nacional, poderá chegar até 5,55 milhões de toneladas e avançar para até 5,7 milhões de toneladas em 2026. Caso confirmadas, as projeções representam um crescimento de 4,6% entre 2024 e 2025 e mais 2,7% de 2025 a 2026.

Exportações lideram crescimento
A expansão do setor tem forte impulso das vendas internacionais. Para 2025, a ABPA projeta até 1,49 milhão de toneladas, com novo avanço para até 1,55 milhão de toneladas em 2026. “Caso estes números se confirmem, o Brasil poderá assumir o 3º lugar entre os países maiores exportadores de carne suína no mundo”, adianta o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

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Na prática, o desempenho coloca as exportações como o motor da cadeia, com altas robustas de 10% entre 2024 e 2025 e 4% entre 2025 e 2026, ritmo superior ao da produção total.

A ABPA indica que a demanda internacional seguirá aquecida, mantendo o Brasil entre os principais fornecedores globais de carne suína, especialmente para mercados asiáticos e latino-americanos.

Mercado interno 
Mesmo com o forte apetite do mercado externo, a disponibilidade de carne suína no mercado doméstico também deve crescer. O volume disponível ao consumidor brasileiro, terá aumento de até 4,06 milhões em 2025 e até 4,15 milhões em 2026.

Isso representa altas de 2,7% e 2,2%, respectivamente, reforçando que a oferta interna continuará ampliada sem comprometer o equilíbrio com as exportações.

O consumo per capita também segue essa tendência de crescimento, passando de 18,6 quilos por pessoa em 2024 para até 19 quilos em 2025, com projeção de alcançar até 19,5 quilos em 2026.

Os reajustes significam crescimento de 2,3% no primeiro ano projetado e 2,5% no seguinte, reflexo de preços mais competitivos, maior

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variedade de cortes e do avanço da carne suína em canais de varejo e food service.

Perspectivas
Os números indicam um cenário de confiança para o setor nos próximos anos. “A combinação de competitividade da cadeia, custos relativamente mais estáveis e abertura de mercados vem fortalecendo o Brasil como um dos principais players globais da proteína suína”, reforça Santin.

O presidente da ABPA avalia que o desafio para o país será manter produtividade, sanidade e eficiência logística para acompanhar o ritmo de expansão previsto e sustentar a capacidade de abastecer simultaneamente mercado interno e externo.

Se as projeções se confirmarem, o país poderá fechar 2026 com um salto acumulado superior a 7% na produção, consolidando mais um ciclo de crescimento da suinocultura brasileira.

Fonte: O Presente Rural

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Tilvalosina e seus benefícios no controle das doenças respiratória em suínos

Estudos apontam que antibiótico combate Mycoplasma hyopneumoniae e ajuda a modular a resposta imunológica dos animais.

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Fotos: Divulgação/ECO Animal Health

Artigo escrito por José Lino Castro Jr., DVM, Swine Technical Services Manager, South and Southeast Asia, ECO Animal Health.

Para sobreviver na presença de patógenos nocivos, a natureza forneceu aos organismos vivos uma ferramenta especializada para se proteger, que a ciência denomina sistema imunológico (Fig. 1). O sistema imunológico é dividido em duas partes: o sistema imunológico inato e o sistema imunológico adaptativo.

O sistema imunológico inato é equipado com barreiras físicas e células de defesa residentes, incluindo macrófagos e neutrófilos. O sistema imunológico adaptativo é equipado com células T e células B. Quando um patógeno ultrapassa as barreiras físicas, ele aciona o sistema imunológico inato para ativar simultaneamente as células de defesa residentes para neutralizar o patógeno.

A ativação dessas células, particularmente macrófagos e neutrófilos, desencadeia a liberação de citocinas pró-inflamatórias (por exemplo, IL-1β, IL-6, IL-8, TNFα), levando à inflamação. Enquanto isso ocorre, o sistema imunológico adaptativo também é ativado por macrófagos e células dendríticas, que apresentam fragmentos do patógeno às células T.

As células T respondem de três maneiras: destroem as células infectadas (células T citotóxicas), ativam as células B para produzir anticorpos (células T auxiliares) e regulam a resposta imune adaptati­va geral (células T reguladoras).

Esses processos complexos e interligados continuam até que o patógeno seja eliminado. Uma vez eliminadas, as células T enviam sinais para desligar o sistema imunológico, permitindo que o corpo se cure e se recupere. No entanto, certas bactérias e vírus podem sobrecarregar o sistema imunológico, criando o pior cenário possível, do qual animal pode não se recuperar.

Nesse cenário, há liberação excessiva de citocinas pró-inflamatórias (tempestade de citocinas), desencadeando uma inflamação descontrolada, resultando em danos aos tecidos relacionados à inflamação.

Mycoplasma hyopneumoniae, assim como Actinobacillus pleuropneumoniae, PRRSV, coronavírus respiratório suíno e PCV2 são patógenos suínos capazes de alterar a resposta imune em detrimento do animal.

O Mycoplasma hyopneumoniae causa uma doença em suínos conhecida como Pneumonia En­zoótica. Ela afeta principalmente o trato respiratório, que se mani­festa clinicamente como tosse.

Sintomas

Esta doença é de importância econômica, pois está associada à redução do ganho de peso médio diário, diminuição da eficiência alimentar e aumento do custo com medicamentos. Estima-se que a doença custe US$ 0,84/suíno na terminação de rebanhos infec­tados. Afeta suínos de todas as idades e é comumente observada em suínos de terminação. Myco­plasma hyopneumoniae é um dos principais agentes do Complexo de Doenças Respiratórias dos Suínos, juntamente com outras bactérias e vírus.

Ele pode modular e/ou evadir a resposta imune. Portanto, as lesões pulmonares observadas durante a realização de necrop­sias podem, em parte, ser resulta­do de inflamação descontrolada, devido à capacidade dessa bac­téria de alterar a resposta imu­nológica. Além do manejo otimiza­do da granja e da vacinação, antibióticos com alegações li­cenciadas contra Mycoplasma hyopneumoniae são comumente necessários para controlar ou eliminar a doença.

Controle

Antibióticos adequados incluem macrolídeos, pleuromutilinas, fluoroquinolonas, lincosamidas, tetraciclinas, an­fenicóis e aminoglicosídeos. Esses antibióticos atuam inibindo ou eliminando bactérias. Além disso, alguns macrolídeos, incluindo a tilvalosina, apresentam atividade imunomoduladora e anti-inflamatória in vitro.

Imunomoduladores são substâncias naturais ou sintéticas que ajudam a regular ou normalizar o sistema imunológico. Estudos in vitro demonstram que a tilvalosina modula a liberação de citocinas pró-inflamatórias e reduz o recrutamento e a ativação de células inflamatórias. Um estudo in vitro2 também mostrou que a tilvalosina reduz o estresse oxidativo desencadeado pelo vírus da PRRS.

A tilvalosina também induz apoptose e eferocitose e promove a secreção de mediadores lipídicos pró-resolução (lipoxina e resolvina) que auxiliam no reparo e na cicatrização de tecidos.

No estudo in vivo mais recente realizado em leitões desafiados com Mycoplasma hyopneumoniae e PRRSV, a tilvalosina eliminou infecções pulmonares por Mycoplasma hyopneumoniae e reduziu as citocinas pró-inflamatórias locais e sistêmicas. Os pesquisadores também observaram aumento do IFNα sérico, geralmente suprimido pelo PRRSV, em suínos tratados com tilvalosina.

Esses achados indicam que a tilvalosina pode melhorar a saúde dos suínos, se usada criteriosamente em operações com infecções coexistentes por Mycoplasma hyopneumoniae e PRRSV.

Pontos Principais

  • O sistema imunológico é uma rede de processos complexos e interligados para ajudar o animal a sobreviver na presença de patógenos nocivos.

  • Alguns patógenos, incluindo Mycoplasma hyopneumoniae, alteram a resposta imune, causando danos teciduais relacionados à inflamação.

  • Além de seu efeito antimicrobi­ano, acredita-se que a imunomod­ulação seja um atributo importante de alguns antibióticos macrolídeos na melhoria dos resultados clínic­os.

  • In vitro, a tilvalosina auxilia na imunomodulação por meio de:

    • Modulação da liberação de cito­cinas.

    • Redução do estresse oxidativo.

    • Modulação do recrutamento e ativação de células inflamatórias.

    • Indução de apoptose e eferoci­tose.

    • Aumento da secreção de medi­adores lipídicos pró-resolução.

  • In vivo, a tilvalosina combate doenças respiratórias por meio de:

    • Redução da carga de micoplas­ma dos pulmões.

    • Redução de citocinas pró-in­flamatórias locais e sistêmicas.

As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: [email protected]

A edição digital do jornal está disponível gratuitamente para leitura online no portal de O Presente Rural, acesse clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Suinocultura precisa reforçar biosseguridade e planejamento financeiro para sustentar competitividade, diz presidente da ACCS

Losivanio Luiz de Lorenzi defende formação de reservas de capital, cooperação entre os elos da cadeia e manutenção do elevado status sanitário para ampliar mercados.

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Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi: "Mais importante do que ampliar estruturas continuamente é formar reservas de capital para enfrentar momentos de crise" - Foto: Divulgação/ACCS

A suinocultura brasileira precisa intensificar os investimentos em biosseguridade, fortalecer o planejamento financeiro nas propriedades e ampliar a cooperação entre produtores, cooperativas e agroindústrias para preservar sua competitividade. A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi.

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Segundo o dirigente, o cenário econômico exige cautela na tomada de decisões relacionadas à expansão das granjas. Ele recomenda que os produtores priorizem a sustentabilidade financeira do negócio e evitem comprometer sua liquidez com investimentos acima da capacidade de pagamento. “É preciso crescer com planejamento estratégico e financeiro. Mais importante do que ampliar estruturas continuamente é formar reservas de capital para enfrentar momentos de crise”, afirma.

Losivanio observa que as oscilações do mercado têm se tornado mais intensas e, por isso, a capacidade de atravessar períodos adversos depende cada vez mais de uma gestão financeira sólida.

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Biosseguridade como vantagem competitiva

Na avaliação do presidente da ACCS, a sanidade animal permanece como um dos principais ativos da suinocultura brasileira no mercado internacional. Ele destacou que a manutenção de elevados padrões de biosseguridade é determinante para preservar e ampliar o acesso aos principais destinos das exportações.

Como exemplo, cita o desempenho das vendas externas para o Japão. Entre janeiro e maio deste ano, Santa Catarina aumentou em 32 mil toneladas os embarques de carne suína para o mercado japonês em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto o incremento das exportações brasileiras no período foi de 60 mil toneladas.

Para Losivanio, esses resultados refletem o reconhecimento internacional do status sanitário

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alcançado pelo país e, especialmente, por Santa Catarina, que obteve em 2007 o reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação.

O dirigente também defende que outros estados avancem na erradicação de enfermidades para fortalecer a posição do Brasil no comércio global de proteínas animais.

Integração da cadeia e sucessão no campo

Além dos desafios sanitários e econômicos, Losivanio ressalta a importância de uma atuação conjunta entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva. Na sua avaliação, a lógica de concorrência entre produtores, cooperativas e agroindústrias deve dar lugar a estratégias colaborativas capazes de fortalecer todo o setor.

Ele também chama atenção para a necessidade de incentivar a sucessão familiar nas propriedades rurais, apontando a permanência das novas gerações na atividade como um fator relevante para garantir a continuidade e o desenvolvimento da suinocultura brasileira.

Fonte: O Presente Rural
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ABCS lança plataforma inédita de inteligência de mercado para a suinocultura brasileira

Ferramenta reúne dados nacionais sobre o setor, ampliando a transparência e apoiando decisões estratégicas em toda a cadeia.

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A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) lançou, na quinta-feira (25), durante evento em Florianópolis (SC), o ABCSData Insights, plataforma inédita de inteligência de mercado que reúne, em um único ambiente, dados estratégicos da suinocultura brasileira. A ferramenta consolida informações sobre rebanho, custos de produção, emprego, comércio exterior, crédito rural, mercado, abates, sanidade, entre outros indicadores, oferecendo uma visão integrada do setor e de seu impacto econômico e social.

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Desenvolvida para democratizar o acesso a informações confiáveis, a plataforma reúne dados provenientes de fontes oficiais, como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Receita Federal e outras instituições de referência. As informações são organizadas de forma dinâmica, permitindo consultas, análises e exportação de dados para estudos, apresentações e planejamento estratégico.

Entre os principais indicadores disponíveis estão cotações de suínos, custos de produção, exportações, abates, condenações sanitárias, modelos de produção, emprego formal, crédito rural, estabelecimentos sob inspeção federal e o cenário empresarial da cadeia produtiva. O objetivo é transformar dados dispersos em inteligência acessível, contribuindo para decisões mais assertivas e maior transparência em todos os elos da suinocultura.

O lançamento ocorre em um momento em que o mercado demanda cada vez mais informações qualificadas para apoiar investimentos, gestão de riscos e competitividade. Com atualização contínua, o ABCSData Insights foi desenvolvido para se tornar uma das principais referências nacionais em dados da suinocultura brasileira. Além de reunir informações em um único ambiente, a plataforma permite análises detalhadas da formação e composição dos custos de produção. Essas

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “A verdadeira sustentabilidade no agronegócio moderno exige transparência e responsabilidade” – Foto: Divulgação

informações permitem que produtores, empresas, instituições financeiras e investidores identifiquem oportunidades de ganho de eficiência e acompanhem a evolução da atividade com maior precisão.

A cadeia movimenta bilhões de reais anualmente, fortalece a indústria de alimentos, impulsiona os setores de logística, comércio e serviços e contribui significativamente para a geração de emprego e renda. Os dados disponíveis mostram que o setor sustenta cerca de 280 mil empregos indiretos e mais de 42 mil empregos diretos, além de evidenciar o elevado grau de profissionalização da atividade, baseada majoritariamente nos modelos de integração com agroindústrias e cooperativas.

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a plataforma representa um avanço na governança e na transparência da cadeia produtiva. “A verdadeira sustentabilidade no agronegócio moderno exige transparência e responsabilidade. Ao disponibilizarmos dados auditáveis e unificados para produtores, empresas, consumidores e investidores, fortalecemos a governança da cadeia e ampliamos a confiança no setor. O ABCSData Insights é uma resposta à crescente demanda por informações confiáveis e posiciona a suinocultura brasileira entre os segmentos mais avançados em inteligência de mercado”, conclui.

ABCS também lança agenda política com demandas da suinocultura 

A ABCS também lançou o documento “Demandas da Suinocultura para Candidatos 2026”, uma agenda institucional que consolida as principais prioridades da cadeia produtiva para subsidiar o diálogo com candidatos, parlamentares e representantes do poder público durante o processo eleitoral. A publicação reúne os posicionamentos defendidos pela suinocultura brasileira em temas estratégicos para o desenvolvimento do setor, como bem-estar animal, defesa agropecuária, meio ambiente, integração com as agroindústrias, rotulagem de alimentos, economia e tributação. O objetivo é garantir uma atuação coordenada das entidades representativas, levando propostas técnicas e alinhadas às discussões que impactam a atividade.

Além de organizar as demandas prioritárias da cadeia em um único documento, a agenda servirá como base para reuniões, audiências e debates com representantes dos poderes Executivo e Legislativo, fortalecendo a interlocução institucional da suinocultura em âmbito nacional. A iniciativa também busca ampliar a segurança jurídica, contribuir para um ambiente de negócios mais competitivo e assegurar maior previsibilidade para produtores e demais elos da cadeia.

Embora tenha sido elaborada para o período eleitoral, a publicação foi concebida como um instrumento permanente de representação institucional, reunindo argumentos técnicos e diretrizes que darão continuidade à defesa das pautas estratégicas da suinocultura, independentemente das mudanças de governo e de mandato. “Com esse material o produtor vai poder mais qualidade e clareza r alinhar o seu discurso e prioridades com o seu candidato, tendo diálogo, para que possamos unificar a cadeia e mostrar como a suinocultura e o associativismo são essenciais e estruturantes pro agronegócio brasileiro”, frisou a consultora de relações governamentais, Luciana Lacerda.

Fonte: Assessoria ABCS
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