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Avicultura

Produção de aves sem promotores de crescimento ganha adeptos

A nova proposta é um foco maior na ave que nos produtos, mas conhecendo-os mais à fundo e utilizando suas maiores vantagens

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Artigo técnico por Giankleber Diniz, médico veterinário, mestrado em Saúde Animal e diretor de Negócios da Tectron

A produção de carne sem aditivos antibióticos e livres de resíduos é, sem dúvida, o direcionamento que o consumidor atual dita como sua exigência. Isso não se trata mais de futuro, mas sim de presente na produção brasileira. Tanto da Europa, que já vem alguns anos à frente na produção com os chamados “alternativos a antibióticos”, como nos Estados Unidos, onde já temos datas para a retirada dos antibióticos da produção avícola, essa nova modalidade de produção é crescente.

Com base nesses acontecimentos mundiais e exigências de boa parte dos mercados importadores de nossa carne, há algumas tecnologias que têm colaborado com essa produção ao redor do mundo. Necessitamos buscar minimizar alguns efeitos advindos da retirada dos promotores de crescimento de um alimento, como perda de integridade intestinal, crescimento de patógenos indesejáveis no trato gastrointestinal que afetam a produção (ex.: clostridium sp), diminuição de ganho de peso, aumento da conversão alimentar, aumento na incidência de salmonelas e patógenos transmitidos por alimento.

Dentre as diversas tecnologias disponíveis no mercado, algumas merecem considerações especiais: ácidos orgânicos, probióticos, prébióticos, óleos essenciais, extrato de plantas ou especiarias, metabólitos nutricionais, misturas entre as classes e controladores de estresse (além de produtos que aumentam a digestibilidade dos nutrientes para minimizar o efeito de fatores não digestíveis e anti-nutricionais, favorecendo a integridade do trato gastrointestinal, como o uso de enzimas).

Todas as tecnologias apresentam suas vantagens e desvantagens. Trazendo a experiência de estar dando suporte ao controle da integridade intestinal dos animais na América Latina nos últimos 24 anos, vemos que buscamos utilizar esses conceitos sem preocuparmo-nos com a ave e suas necessidades, de acordo aos desafios que enfrenta e seu período de desenvolvimento. Utilizando essa proposta, mesmo com o uso de promotores de crescimento, pode-se obter a máxima resposta de cada tecnologia. A nova proposta é um foco maior na ave que nos produtos, mas conhecendo-os mais à fundo e utilizando suas maiores vantagens (“que pagam a conta”).

Os parâmetros avaliados para estabelecer esse novo programa levam em conta os pontos mais fortes de cada tecnologia, as necessidades e desafios das aves (ou suínos) de acordo a sua idade, os desafios da empresa em questão.

Exemplos de Parâmetros

Os pontos mais fortes de cada tecnologia: cada tecnologia apresenta vantagens sobre um controle ou efeito principal. Abaixo alguns exemplos:

Ácidos, probióticos, metabólitos nutricionais – controle de salmonelas

Óleos essenciais – suporta ácidos; performance; uniformidade

Óleos com extratos de plantas ou especiarias – performance

Metabólitos nutricionais – aumento de imunidade

Controladores de estresse – minimizar efeitos do sistema de criação

Proteases – diminuição de proteínas não digestíveis (substrato de bactérias)

As necessidades das aves (ou suínos) de acordo a sua idade: em cada fase do desenvolvimento dos animais eles apresentam uma necessidade específica. Exemplos dessas necessidades abaixo em frangos de corte e suínos (mas ocorre da mesma maneira em perus, reprodutoras e poedeiras):

Frangos de Corte

Pré-inicial

– Desenvolvimento dos órgãos do sistema digestivo

– Desafios iniciais de salmonelas

– Uniformidade que se perpetuará até o fim do lote

– Desenvolvimento imunitário

Inicial

– Crescimento exponencial de clostridium sp

– Manutenção de desempenho inicial

– Fase crítica no controle da coccidiose

– Desenvolvimento da imunidade à campo

Crescimento

– Mudança nutricional brusca

– Necessidade de alto desempenho

– Foco em conversão alimentar

– Manter integridade intestinal

Abate

– Manter integridade intestinal sem antibióticos

– Segurar aumento da conversão alimentar – digestibilidade

– Minimizar excreção de salmonelas

– Diminuição do estresse – efeitos em qualidade da carne

Suínos

Reprodutoras

– Ingestão adequada de nutrientes

– Manutenção de saúde intestinal devido a leitegada

– Minimização de estresse – produção de leite e ingestão

– Manutenção de condição corporal adequada

Creche

– Minimizar o agrupamento dos animais – estresse

– Ingestão de alimento na primeira etapa da creche

– Controle de diarreias

– Expressão máxima do ganho de peso e uniformidade

– Formação imunitária

Crescimento

– Desafios de patologias respiratórias e entéricas

– Buscar melhor conversão alimentar

– Aumento dos ácidos graxos voláteis – GPD

– Minimizar o agrupamento dos animais – estresse.

Terminação

– Minimização de estresse – efeitos na qualidade da carne

– Conversão alimentar baixa

– Diminuir excreção de salmonelas

– Expressar melhor ganho frente à imunocastração

Os desafios da empresa em questão: cada empresa tem seus desafios específicos e necessita uma avaliação especial. É o que estamos fazendo nesses anos com o melhor aproveitamento econômico das tecnologias. Abaixo alguns exemplos desses desafios:

Aves

– Desafio específico de salmonella heidelberg

– Foco em mercados específicos (ex.: peito para Inglaterra; exportação Suíça, cortes especiais ao Japão)

– Uso de determinadas vacinas que necessitam replicação ambiental

– Uso de matérias-primas chamadas alternativas

– Criação em dark house

– Desafios de doenças imunosupressoras

– Incidência de condenações

– Incidência de PSE (Pale Soft Exudative Meat)

Suínos

– Linhagem fêmea com dificuldades de ingestão de ração

– Leitegadas desuniformes

– Perda exagerada de peso na maternidade

– Desafios entéricos na creche

– Pouco desempenho de creche

– Perdas devido ao agrupamento de animais no crescimento

– Desafios respiratórios na entrada do crescimento

– Problemas entéricos no crescimento

– Alta conversão alimentar

– Alta incidência de condenações de abatedouro

– Incidência de PSE

– Alta incidência de salmonelas.

O primeiro passo para o uso desse conceito de uso está na formação de uma equipe de avaliação da empresa, das tecnologias disponíveis e a alocação de cada tecnologia à fase ideal de vida do animal. No caso de empresas migrando a produção sem o uso de promotores, o cuidado é redobrado e as avaliações necessitam maior cuidado. Testes internos, às vezes feitos em experimentos de piso (Floor Pens – boxes), onde os desafios são bem diferentes do campo em suas diferentes nuances, podem trazer visões errôneas do resultado esperado. Existe muita literatura científica para meta-análises e previas avaliações das tecnologias disponíveis.

Podemos dizer que, com esse novo conceito, chamar essas tecnologias de “alternativas ao uso dos antibióticos” torna-se um grande erro ou, no mínimo, falta de aproveitamento de altas tecnologias à disposição da produção de proteína animal.

Produtos de alta tecnologia estão à disposição para buscar efeitos que mesmo os antibióticos não trazem, como os ácidos orgânicos micro encapsulados, probióticos de alta concentração, metabólitos nutricionais capazes de aumentar significativamente a imunidade dos animais e comprovados por diversas pesquisas científicas, controladores de estresse que modificam visualmente o comportamento dos animais ou mesmo enzimas com alta relação de custo-benefício e eficácia comprovada ou ainda misturas de óleos essenciais a extratos de plantas ou especiarias com efeitos sobre o desempenho e conversão alimentar.

 

Mais informações você encontra na edição impressa de Aves de junho/julho de 2016 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Avicultura Saúde Animal

O que fazer quando a salmonella se torna uma realidade no plantel?

Além do conhecimento dos vírus e bactérias que podem afetar a criação, saber como evitar esses patógenos é de extrema importância

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Divulgação

Artigo escrito por Rafael Soares, médico veterinário, mestrando em Produção Animal e coordenador Técnico da Divisão Animal da BTA Aditivos

A primeira preocupação dos criadores de frangos de corte, antes mesmo do alojamento, é combater os problemas sanitários do lote futuro. Além do conhecimento dos vírus e bactérias que podem afetar a criação, saber como evitar esses patógenos é de extrema importância.

A Salmonelose é uma das principais doenças das aves, causada por bactérias de um gênero de duas espécies, a Salmonella bongori e a Salmonella entérica. Esta última apresenta seis subespécies: salamae, arizonae, diarizonae, indica, houtenae e enterica.

Dos mais de 1.500 sorovares da espécie entérica está a Salmonella Gallinarum (Tifo aviária) que causa anemia e deixa a ave com cristas e barbelas pálidas ou arroxeadas e penas arrepiadas. Além disso provoca apatia, anorexia, diarreia amarelo-esverdeada e febre. Já a Salmonella Pullorum (Pulorose) pode apresentar sinais subclínicos como diarreia, desidratação, queda de consumo de ração, perda de peso e diminuição da produção de ovos. Tanto a S. Gallinarum como a S. Pullorum causam doenças clínicas nas aves, mas sem impacto sobre seres humanos.

A subespécie Enterica ainda tem maior importância para a saúde pública. Isso porque a Salmonella enteritidis e a Salmonella typhimurium, presentes nesta subespécie, estão entre as doenças mais prevalentes em aves e que podem contaminar os humanos caso haja o consumo de alimentos de origem animal. Os sintomas mais comuns são diarreia, vômito, dor abdominal, cansaço e perda de apetite nas pessoas.

Barreiras para evitar contaminação externa

Ciente deste desafio, o produtor deve estar municiado de barreiras para diminuir a presença de salmonella atuando já no momento do recebimento de pintinhos que devem estar livres de salmonelas. A garantia da sanidade destas aves vai depender de como está o processo de biosseguridade tanto nas granjas matrizeiras como no incubatório.

O primeiro ponto a ser avaliado pelos produtores é o isolamento das granjas. O ideal é ter um único portão de acesso, evitando desta forma, o livre trânsito de pessoas, veículos e animais no interior do núcleo de produção. As construções devem ser sempre protegidas por barreiras naturais e físicas, tendo o conhecimento da direção do vento no momento da construção. Isso é importante para que haja diminuição de contaminações por vias aéreas.

O cuidado com o ambiente de produção é muito importante. Para isso, é preciso observar as ações de higienização no local. Logo após a saída do último lote é preciso entrar com a limpeza e a desinfecção das instalações, que visam diminuir os riscos de infecções e realizar a quebra do ciclo de agentes infecciosos. Nesta fase, a limpeza é tão importante quanto a desinfecção. A remoção de detritos e gorduras dos lotes passados é imprescindível para o sucesso da desinfecção.

É importante destacar que o vazio sanitário ideal é de, no mínimo, 15 dias após concluídos todos os procedimentos de limpeza e desinfecção. Um controle da biosseguridade adequado nas granjas deve abranger o controle de tráfego e fluxo, ou seja, a observação de tudo que venha de fora e que entrará na granja para eliminar todo risco de contaminação.

O programa de vacinação é outro ponto de atenção. É necessária a elaboração de um programa de vacinação com foco no controle dos desafios sanitários da região e basear-se em resultados técnicos e laboratoriais. A vacinação deve dar proteção suficiente contra doenças intercorrentes na região, além da vacinação obrigatória em pintos de um dia contra a doença de Marek.

A vacinação nos programas de controle de S.enteritidis tem um grande efeito para redução da contaminação dentro dos lotes de matrizes e contribui eficazmente para eliminar a transmissão vertical. Para o êxito da vacinação é necessário:

  • Seguir o cronograma proposto
  • Respeitar os prazos de validade das vacinas, as vias de aplicação e as diluições indicadas
  • Realizar treinamento sistemático e educação contínua da equipe sobre boas práticas de vacinação
  • Manusear e conservar as vacinas de forma adequada
  • Manter a qualidade da água na vacinação (T °C e pH)
  • Limpar e desinfetar os utensílios utilizados pelos vacinadores

O programa de biosseguridade precisa ser averiguado e monitorado para que ocorra a identificação dos pontos críticos e dos níveis de contaminação. Assim, será possível estabelecer as estratégias de controle e as monitorias que devem ser feitas nos animais, no ambiente e nos insumos que são utilizados no sistema de produção. A água e as rações oferecidas as aves devem ser enviadas para laboratórios de patologia animal credenciados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento (MAPA), com o acompanhamento do Médico Veterinário Oficial do Ministério da Agricultura. O principal objetivo desta análise deve ser a identificação de Salmonella spp. e outras enterobactérias patogênicas.

Além das monitorias oficiais são utilizados métodos de swabs estéreis e plaqueamentos para avaliação dos desafios e avaliação da eficiência de um programa de limpeza e desinfecção. Esses monitoramentos podem analisar a carga microbiológica de enterobactérias e presença de salmonela. Com esses resultados é possível fazer um plano de ação para erradicação dessas doenças.

A aplicação de programas de 5S e auditorias são fundamentais para checar o programa de biosseguridade e, se existirem erros, agir rapidamente realizando planos de ações e ajustes nos procedimentos. O 5S auxilia na obtenção de padrões operacionais que contribuem para maior eficiência e excelência na realização das tarefas de biosseguridade. Aliado a isso, as auditorias constantes, com uma frequência mensal ou bimestral, permitem identificar quais os processos ou pontos que necessitam de ajustes ou correções.

A educação continuada deve fazer da produção desde o momento da admissão dos funcionários. É indicada a aplicação das instruções já no processo de integração, mostrando uma visão geral das políticas da empresa, englobando neste momento, a importância da biosseguridade para o setor de produção avícola.

Aditivos para o controle da salmonella

A ração utilizada na granja também pode servir como meio de disseminação de contaminação, pois possui em sua formulação matérias-primas de origem animal e vegetal que servem de atrativos para aves e roedores intrusos, que podem trazer contaminações externas para a fábrica, e consequentemente, para a ração. Por este motivo, atualmente as fábricas de ração utilizam a associação de três pontos principais para controle de contaminantes em sua produção e controle do produto final: através de sistemas de segurança alimentar (BPF e APPCC), tratamentos térmicos como extrusão e peletização (atendendo os parâmetros de umidade, temperatura e tempo de condicionamento) e utilização de aditivos antissalmonelas.

Os aditivos mais utilizados nas formulações de rações para o controle microbiológico são os ácidos orgânicos, sais orgânicos e o formaldeído, que atuam na diminuição do pH intracelular. Com isso, podem causar alteração na permeabilidade da membrana microbiana com o bloqueio do substrato do sistema de transporte de elétrons, eliminando bactérias patogênicas como a Salmonella. A ação dos ácidos orgânicos nas aves ocorre de diversas formas, como na alteração da microbiota intestinal por ação bactericida ou bacteriostática, na melhora das atividades das enzimas digestivas e na redução do pH do trato gastrintestinal que reduz a presença de Salmonella no papo e no ceco. Observa-se ainda um benefício na flora intestinal que leva ao equilíbrio da imunidade, onde os nutrientes e a energia da fórmula da ração serão aproveitadas pelas aves, levando a melhora dos índices zootécnicos.

Treinamentos e planos de contingência

É necessário oferecer treinamentos aos funcionários das normas de biosseguridade pertinentes às suas atividades. E outras atualizações também precisam ser repassadas com periodicidade semestral no tocante às normas de biosseguridade, de acordo com a matriz de treinamento. Quando identificada uma oportunidade ou necessidade o ideal é realizar treinamentos extras com o intuito de oferecer capacitação adicional aos interessados.

É indicado que as empresas avícolas onde o produtor entrega seu produto tenham um plano de contingência para as possíveis emergências nos lotes. Este plano deve contemplar procedimentos extras a serem realizados, até que se tenham os resultados de laboratório se o lote está positivo ou negativo. Com este plano, pode-se bloquear a disseminação da doença para outros lotes até que se elimine as aves, se for o caso.

Em caso de positividade em qualquer uma das análises, oficial ou de rotina da empresa, devem ser adotadas medidas mínimas que incluem:

  • Isolamento do galpão
  • Isolamento dos funcionários por aviário
  • Controle rígido de tráfego e fluxo de veículos e caminhões (deve ser sempre o último a entregar insumos)
  • Fluxo de pessoas deve ser proibido
  • Calçados e roupas devem ser lavados e desinfectados diariamente
  • Adotar a inclusão de pedilúvios extras
  • Controle especial de destino das aves mortas

A prevenção e o controle sanitário são condições fundamentais para diminuir os problemas sanitários nos lotes, tendo em vista que a salmonelose é um desafio para a saúde pública e para a indústria avícola. Portanto, colocar em prática todos os procedimentos de biosseguridade nas granjas é essencial para que se tenha maiores garantias de efetividade.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Produção de destaque

Mãe e filha cantam de galo na avicultura brasileira

Dona Dalair e a filha Jheynifer são avicultoras raiz, apaixonadas pelo que fazem

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Giuliano De Luca/OP Rural

Consertar o cano d’água que estourou, providenciar a manutenção dos equipamentos da granja, carregar toras e toras de lenha para manter o aquecedor funcionando, acordar três vezes por noite para observar a criação, no frio congelante ou no calor escaldante do Sul do país. Rotina pesada, encarada de frente por dona Dalair, viúva, chefe de família, produtora rural, e por sua filha Jheynifer, que por trás do título de Miss Marechal Cândido Rondon e das unhas bem pintadas se revela uma guerreira do agronegócio.

Mãe e filha são avicultoras raiz, apaixonadas pelo que fazem. São as responsáveis pelos dois aviários que a família tem no interior de Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná. A região, uma das que mais produz frangos no Brasil, baseado na presença marcante de cooperativas agropecuárias, apresenta exemplos de mulheres que atuam na linha de frente da avicultura, dentro do galpão, no dia a dia das propriedades rurais.

Mas granjas exclusivamente dirigidas por mulheres são mais raras. Para não dizer exclusivamente, o filho de Dalair, Jonathan, moderadamente, ajuda com a lenha nos aquecedores, mas ela já reclama. “Ele até vai colocar lenha nos fornos, só que tem muita força. Coloca aquela lenha com uma vontade que detona aqueles fornos. Eu digo, coloca com carinho”, brinca a avicultora.

Dalair Allebrandt Boroski trabalha na avicultura há cerca de 40 anos. Uma das pioneiras da atividade no Oeste paranaense, casou-se com Haribert Boroski e teve dois filhos, Jheynifer e Jonathan. Depois de 37 anos casados, o destino levou Boroski mais precocemente, há pouco mais de dez anos. Desde então, Dalair e Jheynifer são as responsáveis pelos aviários. Jonathan ajuda, mas trabalha com caminhão, para terceiros, especialmente nas safras. “É o que ele gosta”, diz a produtora.

“Trabalho com avicultura desde que eu tinha 16 para 17 anos. Construímos o primeiro aviário na época da Sadia. Há cerca de 20 anos, quando entrou o frigorífico da Copagril (hoje Lar), colocamos aquele aviário no chão. Começamos tudo de novo. Hoje são dois galpões”, conta. “Eu e meu marido trabalhávamos juntos, até que ele teve um problema no coração. Ele acabou morrendo há cerca de dez anos, quando assumi sozinha os aviários. Foi por necessidade”, lembra Dalair.

Jheynifer, então com 18 anos, encarou a responsabilidade e acompanha a mãe até hoje. De dia, é dona Dalair que cuida das aves. À noite, quando Jheynifer volta do trabalho de uma cooperativa de crédito na cidade, é ela quem se responsabiliza pelas duas granjas. “Ela me ajuda muito, ela é meu braço direito”, orgulha-se Dalair.

Todo o funcionamento da granja é de responsabilidade delas. Fazer parte das atividades adequar as instalações, receber os pintinhos, fornecer água e alimento, estimular os animais, recolher e destinar as aves mortas, manusear os equipamentos da granja, entregar os lotes, administrar os recursos financeiros, decidir por investimentos. Tudo é feito por elas.

A produção atual comandada por mãe e filha é de 34 mil aves por lote. São seis lotes ao ano, somando mais de 200 mil frangos anuais. Números que fazem aflorar o brio de Jheynifer. “Pra mim é um prazer enorme trabalhar na avicultura. Saber que estou contribuindo com a produção de alimentos do Brasil, contribuindo com o crescimento do Brasil, colocando alimento nas mesas das famílias, é muito gratificante”, diz a jovem produtora de 28 anos. “Ela ama isso”, retruca dona Dalair, pautada em seus 57 anos de sabedoria.

Rotina dura

O sucesso na produção é marcado por trabalho árduo. “Acordo às 5h30 da manhã. Minha primeira viagem é para os aviários. Vou lá ver se está tudo certo. É tudo automático, mas sempre pode dar algum problema”, diz a produtora. Na primeira passada do dia pelos galpões, conta Dalair, checa temperatura do ambiente, o funcionamento do sistemas de água e ventilação, observa a saúde dos animais, entre outras situações.

Quando um novo lote chega, o trabalho é intensificado. “Até os sete dias a gente vai aos aviários de hora em hora para estimular os pintinhos a comer, beber e se movimentar”, conta Jheynifer. “Se você não cuidar dos primeiros sete dias, pode abandonar o lote”, justifica a avicultora, destacando que na avicultura de corte esse período de desenvolvimento dos animais é fundamental para o resultado final da atividade, na hora de entregar ao frigorífico.

E não para por aí. “À noite, até os 20 dias do pintinho, a gente vai no aviário às 9 horas, à meia-noite, às 3 da manhã e às 5h30”, cita Dalair. O objetivo é saber se tudo está funcionando corretamente, como ventiladores e sistemas de água. “Ser avicultora é bem trabalhoso”, menciona.

Trabalho, aliás, em tempo integral. Durante a criação dos lotes, dona Dalair conta que sai do sítio raramente, desde que o filho esteja na retaguarda. “Quando recebo um novo lote eu saio muito pouco. Praticamente são 45 dias dentro de casa. Saio só para ir ao mercado quando o Jonathan está na propriedade. Não largo (a produção) sozinha, pode acontecer uma pane na luz, por exemplo, e alguém precisa estar em casa para ligar o gerador”, comenta.

“O pintinho é tão meigo”

O trabalho, que exige esforço físico, capacidade técnica e uma boa dose de vocação, é feito com graciosidade por mãe e filha paranaenses. “Cuido melhor dos pintinhos do que dos meus filhos”, diz a divertida avicultora. Em sua opinião, mulheres são mais sensíveis que homens no trato com os animais. “Conversando com minhas amigas que também são avicultoras, sempre digo que como a gente cuida dos filhos, a gente cuida dos pintinhos. Mas também, o pintinho é tão meigo”, confidencia Dalair.

A dedicação de mãe e filha é tamanha que no intervalo entre os lotes, quando as granjas estão despovoadas, elas sentem falta da rotina. “Chego até escutar o alarme da granja disparando. A gente dorme e acorda para ir nas granjas, mas lembra que não tem pintinho”, dizem aos risos as produtoras do Oeste paranaense. Mãe e filha são exemplo de como a força de trabalho da mulher está diretamente ligada aos sucessivos bons resultados da avicultura e do agronegócio brasileiro.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de abril/maio de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura SBSA

E. Coli se comunica com outras bactérias para se tornar multirresistente a antibióticos

O médico veterinário Mateus Matiuzi, abriu o bloco de discussões sobre a sanidade no sistema produtivo de aves

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Arquivo / OP Rural

As atenções de profissionais da avicultura estavam voltadas na tarde desta quarta-feira, 07, para a multirresistência bacteriana ligada a E. coli e os impactos na cadeia de produção de aves. Esse foi o tema da palestra do médico veterinário Mateus Matiuzi, que abriu o bloco de discussões sobre a sanidade no sistema produtivo de aves, um dos pilares da produção brasileira. Ele destacou os desafios aumentados com a retirada de antibióticos como promotores de crescimento na produção de aves.

O 21º Simpósio Brasil Sul de Avicultura é transmitido de Chapecó para as casas e empresas de profissionais do setor de toda a América Latina. O evento online, com tradução para o Espanhol, começou na quarta-feira (06) e segue até amanhã, 08 de abril, discutindo temas de importância para o setor avícola brasileiro e do continente.

De acordo com ele, os sorovares de E. coli que atacam aves são variados, alguns pouco agressivos e outros muito agressivos, e elas trocam informações com outras bactérias, inclusive com salmonella. Por isso, citou, “E coli. podem ser multirresistentes a seis ou sete antibióticos diferentes”, advertiu, frisando essa comunicação entre bactérias para adquirir essa resistência.

Ele destacou que a seleção de organismos resistentes a antimicrobianos ocorre também quando os anitmicrobianos são usados em excesso ou em subdosagens.

O bloco sobre sanidade incluiu ainda a apresentação de Guillermo Zavala, que falou sobre laringotraqueite infecciosa, sua prevenção e formas de controle. As duas apresentações foram seguidas de um debate entre palestrantes e congressistas.

Fonte: O Presente Rural
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