Avicultura Exemplo a ser seguido
Produção AGP free é sucesso em cooperativa do Paraná
Foram obtidos melhores resultados em ganho de peso diário, queda na taxa de mortalidade e redução de gasto com tratamento de enterites

Se adaptar às exigências do mercado global ao longo dos anos, se mantendo quase há uma década como maior
exportador de frangos do mundo tem feito com que o Brasil, e principalmente a avicultura nacional, ocupasse um lugar de destaque no mercado internacional. Três são os principais temas quando o assunto é produção de frangos: redução do custo de produção, biosseguridade e a restrição do uso dos antibióticos promotores de crescimento (AGP). Sobre este último quesito, muitas incertezas podem surgir. Para sanar as dúvidas a respeito disso, o médico veterinário e gerente do Fomento de Frangos de Corte da Cooperativa Coopavel, PR, Eduardo Leffer, falou sobre o assunto durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que aconteceu em abril em Chapecó, SC.
O profissional explica que a adesão na produção de frangos sem uso de AGP vem aumentando nos principais centros de produção avícola. Ele diz que, por exemplo, a Europa baniu o uso desde 2006 e até mesmo os EUA, que eram considerados conservadores a respeito do assunto, já estão produzindo em torno de 50% dos frangos AGP free. “No Brasil, são poucas as empresas que estão se dedicando a produção AGP free. Estima-se que menos de 20% da produção de frangos brasileira atende esse segmento. O receio de um aumento no custo de produção e redução da produtividade tem sido as principais barreiras a esse tipo de produção”, conta.
Leffer comenta que na cooperativa em que atua são produzidos 250 mil frangos/dia e desde dezembro de 2017 se dedica a produção AGP free, motivada por atender demandas dos mercados mais exigentes e obter know-how neste tipo de criação. “No momento da decisão de se retirar os AGPs, a integração passava por muitos desafios: baixo índice de produtividade, associados à alta conversão alimentar, mortalidade (principalmente por enterite necrótica) e sinais de desafio por Gumboro”, lembra.
Melhores índices
Porém, para que pudessem controlar os desafios sanitários e ainda dar suporte à retirada dos AGPs, foram desenvolvidas várias ações nas áreas de sanidade, administrativa, nutrição, manejo e ambiência. “Em substituição ao AGP, foram incluídos os probióticos, ácidos orgânicos e óleos essenciais à ração”, informa. O médico veterinário conta que comparando os resultados de 2017, ainda utilizando AGP, com os de 2018, já sendo AGP free, foram obtidos bons resultados, como aumento de 2,5 gramas no ganho de peso diário das aves, queda na taxa de mortalidade em 0,6% e redução de gasto com tratamento de enterites em 33%.
Novos procedimentos
As principais ações gerenciais realizadas, com o objetivo de reduzir os desafios sanitário e promover a melhoria da performance das aves AGP free, foram a alteração do perfil da equipe, a redefinição da estrutura de trabalho, o suporte de especialistas, o aumento da imunidade das aves, maior foco na biosseguridade, priorização do vazio sanitário, padronização do manejo, fornecimento de mais informações sobre o assunto ao produtor, melhorando o relacionamento, e maior interação entre as áreas envolvidas na produção, como frigorífico, fomento, nutrição, incubatório e matrizeiro.
Leffer explica que não foram realizadas ações planejadas especificadamente para a substituição dos AGP, mas diversos procedimentos para se obter melhoria geral dos resultados, ficando difícil saber o peso de cada um no resultado final. “Não obstante, é possível afirmar que os lotes AGP free apresentaram uma excelente qualidade intestinal, mesmo diante de alto desafio por enterite bacteriana, desde que, claro, sejam respeitadas as boas práticas de produção”, afirma.
Segundo o médico-veterinário, a evolução dos resultados de performance, sanidade e custos obtidos na integração, sempre levando em consideração a realidade e histórico da empresa, tem deixado todos otimistas quanto ao potencial da produção AGP free.
Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Avicultura
Simpósio de Avicultura arrecada mais de R$ 10 mil para entidade em Chapecó
Valor foi obtido com vendas durante o evento e destinado à associação que apoia hospitais da região.

O Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) realizou, entre os dias 7 e 9 de abril, o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), em Chapecó. Durante o evento, os participantes tiveram acesso à NúcleoStore, loja com produtos personalizados cuja arrecadação é destinada a uma instituição local a cada edição.
Foram comercializados itens como bótons, camisetas, meias, lixocar e mousepads, com comunicação voltada ao setor avícola. Ao todo, a iniciativa arrecadou R$ 10.723,93, valor integralmente destinado à Associação de Voluntários do Hospital Regional do Oeste (Avhro).

A Avhro completa em 2026 24 anos de atuação, destacando-se como uma das principais entidades de voluntariado da região oeste – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação
A ação integra as iniciativas do Nucleovet para associar eventos técnicos a atividades de apoio à comunidade. Segundo a presidente da entidade, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o objetivo é ampliar o impacto das ações realizadas durante o simpósio.
A presidente da Avhro, Édia Lago, informou que parte dos recursos já foi aplicada na melhoria da estrutura da sede da instituição. Entre as ações, está a revitalização de um espaço externo, com reorganização da área de acesso, o que deve facilitar o fluxo de veículos e ambulâncias.
A Avhro completa 24 anos de atuação em 2026 e reúne mais de 300 voluntárias. A entidade presta apoio ao Hospital Regional do Oeste (HRO), ao Hospital da Criança de Chapecó e ao Hospital Nossa Senhora da Saúde, em Coronel Freitas, com ações voltadas ao atendimento de pacientes e suporte às famílias.
Entre as atividades desenvolvidas estão a produção anual de cerca de 43 mil fraldas descartáveis, 350 enxovais de bebê, além de roupas hospitalares e outros itens utilizados nos atendimentos. A associação também organiza a entrega de cestas básicas para pacientes em tratamento oncológico.
Outro eixo de atuação é o brechó solidário, que destina roupas gratuitamente a pessoas em situação de vulnerabilidade e apoia ações emergenciais. A entidade também participa de campanhas de doação para municípios afetados por desastres em diferentes regiões do país.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, iniciativas que conectam o setor agropecuário a ações sociais têm ganhado espaço no Brasil, reforçando o papel do setor além da produção.
Avicultura
Queda na demanda externa reduz 36% das exportações brasileiras de ovos
Embarques somaram 1,87 mil toneladas em março, o menor volume desde dezembro de 2024, enquanto a receita recuou 27% frente a fevereiro.

As exportações brasileiras de ovos registraram forte retração em março, refletindo a redução da demanda dos principais mercados importadores. Dados da Secex, compilados por pesquisadores do Cepea, indicam que o país embarcou 1,87 mil toneladas de ovos in natura e processados no período.

Foto: Giovanna Curado
O volume representa queda de 36% em relação a fevereiro e equivale à metade do registrado em março do ano passado, quando os embarques somaram 3,77 mil toneladas. Trata-se do menor patamar mensal desde dezembro de 2024.
Apesar da retração mais acentuada no volume, o faturamento recuou em menor intensidade. As vendas externas geraram US$ 4,53 milhões em março, redução de 27% frente ao mês anterior e de 48% na comparação anual.
A diferença entre a queda em volume e em receita indica sustentação relativa dos preços médios de exportação, ainda que insuficiente para compensar a perda de ritmo nos embarques.
Avicultura Recorde histórico
Exportação de carne de frango soma 1,45 milhão de toneladas no 1º trimestre
Volume supera em 0,7% o recorde de 2025, mas preços internos recuam em março e voltam a reagir em abril com alta de fretes e demanda inicial do mês.





