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Probióticos na tilapicultura: ciência aplicada ao desempenho e sustentabilidade

Pesquisas comprovam que microrganismos vivos melhoram ganho de peso, reduzem mortalidade e tornam a produção mais eficiente e sustentável frente aos desafios sanitários da cadeia.

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Foto: Divulgação/Biochem

Artigo escrito por Murilo Mora de Assis, zootecnista e gerente Técnico de Serviços da Biochem do Brasil Nutrição Animal

A tilapicultura consolidou-se como uma das cadeias aquícolas mais relevantes do mundo e, no Brasil, representa mais de 60% da produção de pescado cultivado. A espécie Oreochromis niloticus apresenta rápido crescimento, adaptação a diferentes sistemas de cultivo e boa aceitação de mercado, sendo fundamental para a segurança alimentar e a geração de renda no setor. No entanto, essa relevância vem acompanhada de desafios complexos. O aumento da densidade de estocagem, a intensificação dos sistemas e as variações na qualidade da água expõem os peixes a maior risco de surtos bacterianos, sendo as infecções por Streptococcus agalactiae, Francisella noatunensis, Aeromonas hydrophila e Lactococcus petauri as mais frequentes. Além disso, o estresse nutricional decorrente de dietas de menor custo e a necessidade de reduzir o uso de antibióticos reforçam a busca por soluções inovadoras que garantam desempenho, saúde e sustentabilidade.

Nesse cenário, os aditivos nutricionais, especialmente os probióticos, têm se destacado. Definidos como microrganismos vivos que, quando fornecidos em quantidades adequadas, conferem benefícios ao hospedeiro e ao ambiente, os probióticos atuam não apenas na modulação da microbiota intestinal, mas também na melhoria da qualidade da água, na exclusão competitiva de patógenos, na produção de metabólitos antimicrobianos e na estimulação de respostas imunes específicas e não específicas. Estudos recentes demonstram que dietas suplementadas com cepas de Bacillus subtilis, B. licheniformis, Bacillus coagulans e Lactobacillus plantarum melhoram o ganho de peso, reduzem a conversão alimentar, fortalecem parâmetros hematológicos e aumentam a sobrevivência em desafios com patógenos.

Métodos de aplicação

Os métodos de aplicação dos probióticos em tilapicultura são diversos, adequando-se tanto ao manejo alimentar quanto à qualidade da água. A inclusão em ração extrusada é amplamente estudada devido à facilidade de incorporação, à homogeneidade na dose e à constância do fornecimento, especialmente para cepas específicas do gênero Bacillus, que em estudos recentes tem demonstrado resistência ao processo de extrusão e mantendo sua viabilidade durante o armazenamento. Essa característica viabiliza a produção de rações comerciais enriquecidas, prontas para uso no campo.

Alternativamente, probióticos podem ser incorporados em rações via agentes de fixação, como óleos ou carboximetilcelulose, diretamente nas propriedades. A aplicação via água, conhecida como biorremediação, é utilizada para reduzir compostos nitrogenados como amônia e nitrito e estabilizar o microbioma aquático. Estudos de campo indicam reduções de até 25% na concentração de amônia em viveiros tratados, além de ganhos adicionais em desempenho quando associada à alimentação probiótica.

Microrganismos

Dentre os microrganismos estudados, Bacillus coagulans destaca-se por sua capacidade de formar esporos e produzir ácido lático, combinando resistência tecnológica para sobreviver à extrusão com a ação moduladora da microbiota intestinal, semelhante à das bactérias ácido-láticas. Ensaios indicam que dietas extrusadas com B. coagulans a 108 UFC/g promovem aumento de até 12% no peso médio, redução de 0,08 pontos na conversão alimentar e incremento de 18% na sobrevivência após desafio com Aeromonas hydrophila. Além disso, os peixes apresentam maior atividade antioxidante e integridade intestinal, evidenciando o potencial dessa cepa como ferramenta multifuncional.

Resultados

Os resultados científicos mostram que a integração de probióticos ao manejo nutricional e sanitário traz benefícios que vão além do desempenho individual, reduzindo mortalidade, melhorando conversão alimentar e contribuindo para a estabilidade da água, com retorno econômico ao produtor e reforço da sustentabilidade da cadeia. No caso do B. coagulans, sua dupla função de esporulação e produção de ácido lático amplia o uso em sistemas de produção diversos, desde intensivos em tanques-rede até semi-intensivos em viveiros escavados, abrangendo matrizes e peixes para engorda.

Em conclusão, a tilapicultura brasileira, dada sua importância econômica e desafios sanitários e nutricionais, encontra nos probióticos um aliado estratégico. Evidências demonstram que cepas como Bacillus coagulans sustentam crescimento e eficiência alimentar, reforçam saúde e resiliência frente a patógenos e variações ambientais, articulando nutrição, sanidade e sustentabilidade e consolidando a produção de tilápias de forma competitiva e responsável, alinhada às exigências do mercado e da biosseguridade moderna.

O acesso é gratuito e a edição pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Peixes

Portos do Paraná firma parceria para fortalecer pesca artesanal no litoral

Projeto “Olha o Peixe” vai apoiar comunidades pesqueiras na venda direta do pescado, com capacitação e melhorias na cadeia produtiva.

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Fotos: Claudio Neves/Portos do Paraná

Para fortalecer a pesca artesanal no litoral paranaense e incentivar o consumo consciente do pescado, a Portos do Paraná iniciou uma parceria com o projeto “Olha o Peixe”. O novo programa vai auxiliar comunidades na comercialização de pescados sem a necessidade de intermediários. A proposta também inclui a capacitação e o apoio técnico aos pescadores, com o propósito de melhorar a cadeia produtiva das comunidades. O contrato, firmado em fevereiro, terá duração de dois anos. “Os pescadores artesanais são o principal público-alvo das ações da Portos do Paraná e do Olha o Peixe, que hoje é uma referência nacional na comercialização e valorização do pescado artesanal”, disse o coordenador de Comunicação, Educação e Sustentabilidade da Portos do Paraná, Pedro Pisacco Cordeiro.

Os primeiros seis meses serão de imersão em 14 comunidades do Litoral para conhecer a realidade dos pescadores e entender as dificuldades, as expectativas, as necessidades e os interesses de cada grupo.

Foto: Divulgação

A partir disso, serão elaboradas e aplicadas capacitações e orientações técnicas. Após os estudos, o projeto será implantado em três comunidades. O objetivo é proporcionar a regularização dos produtos, utilizando boas práticas e manejo sanitário para a comercialização dos pescados, por meio de estratégias de vendas que serão repassadas nos treinamentos, em três comunidades previamente selecionadas. A última etapa será o acompanhamento dos resultados.

“A gente sempre brinca que no Paraná é mais fácil termos acesso a um salmão, que vem de outro país, do que ao peixe daqui do nosso litoral. Temos pescadinha, bagre, tainha, linguado, robalo, camarões, ostra e siri. São muitas espécies”, afirmou o diretor-executivo e idealizador do Olha o Peixe, Bryan Renan Müller.

A lógica do projeto é pescar melhor, vendendo a um preço justo, e não pescar em grande quantidade por um valor extremamente baixo. “O objetivo é valorizar a produção local sem aquela relação de exploração, na qual o pescador entrega o peixe ao atravessador por um preço muito menor do que o oferecido no mercado”, declarou Pisacco. “Se valorizamos a cultura tradicional aumentando a remuneração do pescador, incentivamos as futuras gerações a continuarem na pesca artesanal, mantendo essa cultura viva”.

Como funciona

Cada peixe entregue ao mercado por meio do projeto traz um rótulo de identificação informando o local de origem, a identificação do pescador e a embarcação utilizada durante a captura. Também são informadas as características da carne, como sabor (suave ou intenso) e a possibilidade de haver espinhas, por exemplo. “A gente trabalha com mais de 30 espécies do litoral do Paraná, muitas delas pouco conhecidas aqui. Buscamos a popularização desse leque de sabores oferecendo muita qualidade”, explicou Müller.

O projeto possui o selo de autorização sanitária estadual, o Susaf (Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte), e o selo de inspeção municipal, o SIM (Serviço de Inspeção Municipal).

Uma das grandes vantagens de se consumir o pescado artesanal é o frescor do produto. “É um peixe que chega com gostinho de mar, vindo direto da canoa do pescador. É diferente de um produto que está congelado e que não tem a mesma qualidade”, disse Müller.

Áreas de atuação

As atividades iniciais de análise serão feitas em Antonina, nas comunidades pesqueiras de Ponta da Pita, Praia dos Polacos e Portinho. Em Paranaguá, o projeto vai focar nas ilhas do Teixeira, Piaçaguera, Amparo, Eufrasina, Europinha, São Miguel, Ponta do Ubá, Vila Guarani, Valadares e Ilha do Mel (nas comunidades de Ponta Oeste, Encantadas e Brasília). Em Pontal do Paraná, as ações serão na Vila Maciel.

O programa segue cinco Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU):

02 – Fome zero e agricultura sustentável

10 – Redução das desigualdades

11 – Cidades e comunidades sustentáveis

12 – Consumo e produção responsáveis

14 – Vida na água

As imersões nas comunidades estão previstas para começar em abril de 2026.

Oficinas de pesca

Outro projeto desenvolvido pela Portos do Paraná com as comunidades pesqueiras é o Curso de Turismo de Pesca, que chegou à terceira edição no ano passado. A capacitação gratuita integra o Programa de Educação Ambiental da Portos do Paraná e atende ao licenciamento do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). O conteúdo orienta os participantes sobre como receber turistas, preparar embarcações, garantir a segurança no transporte e prestar atendimento de qualidade ao público em geral.

Fonte: AEN-PR
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Santa Catarina produz 63,4 mil toneladas de peixes em 2025

Estado mantém a 4ª posição entre os maiores produtores de peixe de cultivo do Brasil, com crescimento de 7,28% impulsionado principalmente pela tilápia.

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Foto: Pixabay

Santa Catarina tem apenas a 20ª maior extensão territorial do Brasil, mas se destaca quando o assunto é piscicultura. O estado encerrou 2025 como o quarto maior produtor de peixe de cultivo do país, com 63.400 toneladas, volume 7,28% superior ao registrado no ano anterior. As informações são do Anuário Brasileiro de Piscicultura PeixeBR 2026.

Foto: Shutterstock

A tilápia, principal espécie cultivada em território catarinense, lidera a produção. Em 2025, foram 52.700 toneladas, resultado que representa crescimento de 10,94% em relação ao ano anterior.

O desempenho da piscicultura no estado está associado ao avanço das boas práticas de manejo, além de investimentos em genética e nutrição, fatores que contribuem para aumentar a produtividade nas propriedades.

Outro ponto importante é a organização da cadeia produtiva, especialmente com o fortalecimento da indústria de processamento, que amplia a oferta de produtos com maior valor agregado. Essa estrutura tem ajudado a consolidar a piscicultura catarinense e a preparar o setor para enfrentar desafios de mercado e de produção.

Fonte: O Presente Rural com informações Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026
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Tilápia domina a produção de peixes em São Paulo

Municípios do leste paulista concentram os maiores viveiros, enquanto a combinação de gestão e recursos garante estabilidade ao setor.

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Foto: Shutterstock

O estado de São Paulo mantém-se como um dos principais polos da piscicultura no Brasil, com destaque para a produção de tilápia. A força do setor está ligada à estrutura do agronegócio paulista, que combina tecnologia, investimento e ampla oferta de insumos e mercados. De acordo com dados do Anuário Brasileiro de Piscicultura PeixeBR 2026, o estado se beneficia de um sistema de integração que conecta produtores, fornecedores e indústrias, garantindo eficiência e competitividade.

O mapa de produção mostra que os municípios com maior área de viveiros de criação de peixes estão concentrados principalmente na região leste do estado, com Campinas, Amparo e São João da Boa Vista liderando o ranking, com 363 ha, 288 ha e 263 ha, respectivamente. Em termos de quantidade de tanques, municípios como Paraibuna e Santa Clara d’Oeste se destacam, com 1.420 e 1.153 unidades.

A tilápia representa a maior parte da produção estadual, com aproximadamente 88.500 toneladas cultivadas, enquanto espécies nativas somam cerca de 3.500 toneladas e outras espécies totalizam 1.700 toneladas. A combinação de infraestrutura, gestão e disponibilidade de recursos faz com que a piscicultura paulista seja reconhecida pela estabilidade e pelo potencial de crescimento, reforçando seu papel estratégico no agronegócio brasileiro.

Fonte: O Presente Rural com informações Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026
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