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Probióticos ganham espaço na piscicultura como aliados da saúde e da produtividade

Uso contínuo melhora saúde dos peixes, reduz doenças e contribui para sustentabilidade.

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Fotos: Shutterstock

A piscicultura brasileira cresce a passos largos, especialmente no cultivo de tilápias, tornando o país um dos maiores produtores mundiais da espécie. Esse avanço, porém, traz um desafio constante: manter a saúde dos peixes e a qualidade da água em sistemas de produção cada vez mais intensivos. Nesse cenário, os probióticos surgem como aliados estratégicos, capazes de reduzir perdas, melhorar o desempenho animal e equilibrar o ambiente de cultivo.

O tema foi debatido pelo engenheiro em Biotecnologia Felipe Castro Ramírez durante o 4º Simpósio de Piscicultura do Oeste do Paraná (Simpop), realizado nos dias 16 e 17 de julho, em Toledo (PR). Em sua apresentação, Ramírez destacou os benefícios dos probióticos, os cuidados na escolha dos produtos e a importância de aplicá-los de forma consistente ao longo de todo o ciclo produtivo.

Segundo Ramírez, compreender os conceitos por trás desses microrganismos é essencial para sua correta aplicação. “Prebióticos são alimentos que estimulam o crescimento dos microrganismos; probióticos são os próprios microrganismos que trazem benefícios ao hospedeiro; e pós-bióticos são compostos resultantes da atividade microbiana, que também exercem efeitos positivos”, explicou.

Embora os três elementos tenham funções complementares, o uso de probióticos tem se mostrado o mais promissor para enfrentar os desafios sanitários e ambientais de sistemas de alta densidade.

Benefícios à saúde intestinal e ao ambiente

Na piscicultura, os probióticos podem ser incorporados à ração ou aplicados diretamente na água. No trato intestinal, fortalecem a barreira contra patógenos, equilibram a microbiota e estimulam o sistema imunológico dos peixes, reduzindo os impactos de doenças comuns em sistemas intensivos. No ambiente, auxiliam na biorremediação, degradando matéria orgânica e reduzindo compostos tóxicos, como amônia e nitrito, que comprometem o bem-estar e o desempenho produtivo.

Entre os mais utilizados estão os bacilos, como Bacillus subtilis e Bacillus licheniformis, reconhecidos pela resistência a variações de pH e temperatura. “Graças à capacidade de formar esporos, os bacilos suportam condições adversas e permanecem ativos por mais tempo, atuando como biorremediadores do ambiente”, ressalta Ramírez.

Já lactobacilos e bifidobactérias, mais sensíveis, atuam diretamente no intestino, melhorando a digestão, estimulando a absorção de nutrientes e fortalecendo a imunidade. “Apesar de sensíveis, esses microrganismos modulam a microbiota intestinal e são aliados estratégicos na prevenção de doenças”, detalha o profissional.

Desafios da produção intensiva

Sistemas de alta densidade, como o de cultivo de tilápia, aumentam o estresse animal e favorecem a disseminação de doenças. “Quando o equilíbrio se rompe, há aumento de patógenos oportunistas, redução da absorção de nutrientes e maior vulnerabilidade do sistema imunológico. É justamente aí que os probióticos entram, restaurando a estabilidade do sistema e reduzindo perdas”, afirma Ramírez.

Resultados observados em campo

Engenheiro em Biotecnologia Felipe Castro Ramírez: “Probióticos não são uma solução isolada, mas parte de um manejo inteligente e sustentável” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Testes de campo apontam ganhos consistentes com o uso contínuo de probióticos, incluindo melhor conversão alimentar, redução de incidência de doenças e diminuição significativa de compostos tóxicos na água. “Observamos redução de até 40% nos níveis de amônia, queda de picos de nitrito e melhor metabolização da matéria orgânica. No aspecto zootécnico, a conversão alimentar variou entre 1,4 e 1,7, com menor incidência de doenças, mesmo em períodos de maior circulação de patógenos, como a Francisella”, destaca o engenheiro em Biotecnologia.

Recomendações ao produtor

Apesar do avanço, Ramírez alerta que a escolha dos probióticos não deve ser guiada apenas por preço ou concentração de microrganismos. “Nem sempre mais microrganismos significam mais benefícios. O que importa é o efeito positivo comprovado em campo. Produtores devem realizar testes comparativos e adotar produtos com resultados consistentes em sua própria realidade”, aconselha.

Além disso, reforça que a aplicação deve ser contínua, não apenas em momentos críticos. O uso pontual pode trazer benefícios temporários, mas não garante a estabilidade necessária para sistemas intensivos.

Tendência irreversível

Para o profissional, a adoção de probióticos é uma tendência irreversível na piscicultura. Além de promover saúde e bem-estar animal, esses microrganismos respondem à demanda do mercado por práticas mais sustentáveis, reduzindo a dependência de antibióticos e tratamentos químicos. “O futuro da aquicultura passa pela biotecnologia. Probióticos não são uma solução isolada, mas parte de um manejo inteligente e sustentável, capaz de garantir produtividade sem comprometer o equilíbrio dos sistemas de cultivo”, enfatiza Ramírez.

O avanço da pesquisa e o desenvolvimento de formulações específicas para espécies como a tilápia ampliam as possibilidades de aplicação. Agora, o desafio é difundir conhecimento e estimular práticas baseadas em evidências, para que cada vez mais produtores possam usufruir dos benefícios dessa tecnologia.

O acesso é gratuito e a edição pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Peixes

Preço da tilápia registra leves altas regionais e mantém média de R$ 9,63/kg

Triângulo Mineiro apresentou a maior variação positiva no período analisado pelo Cepea.

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O preço médio nacional da tilápia foi cotado em R$ 9,63 por quilo na semana de 16 a 20 de fevereiro, conforme levantamento do Cepea. O indicador é considerado referência para o mercado brasileiro da piscicultura.

Entre as regiões acompanhadas, o maior valor foi registrado no Norte do Paraná, onde a cotação chegou a R$ 10,24/kg. No Triângulo Mineiro, o preço ficou em R$ 9,89/kg, com alta de 0,72%.

Em Morada Nova de Minas, a tilápia foi comercializada a R$ 9,64/kg, avanço de 0,25%. Já na região dos Grandes Lagos, o valor ficou em R$ 9,63/kg, com leve alta de 0,08%.

O menor preço entre as praças monitoradas foi observado no Oeste do Paraná, com média de R$ 8,74/kg, registrando elevação de 0,10% no período.

Os dados são divulgados pelo Cepea, vinculado à ESALQ/USP, e têm atualização automática.

Fonte: O Presente Rural
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Selo Pesca Artesanal passa a valer e beneficia pescadores em todo o país

Certificação exige inscrição no RGP e no CAF e promete aumentar renda ao ampliar participação em compras governamentais e no mercado privado.

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Foto: Denis Ferreira Netto

Foi publicada, na última sexta-feira (20), a Portaria do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) que atualiza as regras do Selo Nacional da Agricultura Familiar (SENAF) e institui o Selo Pesca Artesanal.  A iniciativa é uma parceria entre o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e o MDA.

Foto: José Fernando Ogura

A iniciativa tem como objetivo fortalecer as etapas de distribuição e comercialização dos produtos oriundos da pesca artesanal, ampliando o acesso a mercados e agregando valor à produção.

De acordo com o diretor do Departamento de Inclusão Produtiva e Inovações do MPA, Quêner Chaves, o selo abre novas oportunidades tanto no setor privado quanto em programas de compras governamentais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).“Essa ação possibilita o aumento da renda dos pescadores e pescadoras e garante a qualidade do produto aos consumidores”, afirmou.

Quais são os requisitos?

Para obter o selo, é necessário atender às exigências estabelecidas na portaria, entre elas:

  • Estar inscrito no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), na categoria de Pescador(a) Profissional Artesanal, com licença em situação ativa ou deferida, emitida pelo Ministério da Pesca e Aquicultura;
  • Estar inscrito no Cadastro da Agricultura Familiar (CAF), do MDA;
  • Estar com os produtos regularizados junto aos órgãos de fiscalização sanitária competentes.

Quem pode solicitar?

  • Pescadoras e pescadores artesanais;
  • Organizações cuja maioria dos membros seja formada por pescadoras e pescadores artesanais.

Como solicitar?

Mais informações sobre o processo de solicitação estão disponíveis no site: vitrine.mda.gov.br.

Quando passa a valer?

As novas disposições já estão em vigor desde sexta-feira. Com o selo, pescadoras e pescadores certificam que seus produtos atendem aos padrões de qualidade exigidos pelo mercado e são oriundos de comunidades tradicionais, valorizando não apenas o trabalho das famílias envolvidas, mas também a economia e a cultura locais.

Fonte: Assessoria MPA
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Peixes

Piscicultura brasileira ganha radiografia atualizada com lançamento do Anuário 2026

Publicação reúne números atualizados por estado, análises de mercado, consumo, tecnologias e balanço dos principais fatos de 2025. Lançamento será transmitido ao vivo pelo YouTube nesta terça-feira (24), a partir das 15 horas.

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Foto: Ari Dias

A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) lança na terça-feira (24), a partir das 15 horas, a 10ª edição do Anuário Brasileiro da Piscicultura, principal publicação da cadeia produtiva de peixe de cultivo no país.

Consolidado como a mais importante referência estatística do setor, o Anuário 2026 traz, em primeira mão, os dados atualizados da produção nacional, o desempenho da atividade nos últimos anos, a produção por estado, além de informações sobre consumo, mercado e tendências.

Nesta edição comemorativa, a publicação apresenta um panorama completo da piscicultura brasileira, destacando os avanços do setor, o crescimento da atividade, a adoção de novas tecnologias e as oportunidades que impulsionam a cadeia produtiva em solo nacional. O material também reúne os principais acontecimentos de 2025 e análises estratégicas sobre o cenário atual e as perspectivas para os próximos anos.

O evento contará com transmissão ao vivo pelo YouTube da Peixe BR, acesse clicando aqui.

Fonte: Assessoria Peixe BR
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