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Primato adentra em novos mercados e prevê faturamento de R$ 6 bilhões até 2033
Em uma entrevista franca e esclarecedora, o presidente Anderson Sabadin explica os planos dessa jovem cooperativa com sede no Oeste do Paraná.

O presidente da Cooperativa Primato, Anderson Sabadin, concedeu uma entrevista exclusiva nos estúdios do jornal O Presente Rural, em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, no dia 10 de janeiro. Durante a entrevista o presidente enalteceu um dos principais objetivos da jovem cooperativa que é duplicar de tamanho a cada três anos. A conversa completa você pode ler abaixo ou acessar a entrevista em vídeo clicando aqui.
O Presente Rural – Ano novo, governo novo, projetos novos. O que esperar de 2023 na área econômica, na área do agronegócio?

Anderson Sabadin, presidente da Primato – Fotos: O Presente Rural
Anderson Sabadin – O desejo da primata é que nós consigamos evoluir a renda das pessoas. Isso envolve, além do produtor, do cooperado, também os colaboradores, não só da Primato. Acreditamos que o trabalhador, ganhando mais, ele passa a consumir mais alimentos e isso melhora a qualidade de vida, isso melhora e transforma a vida das famílias e das pessoas. Esse é o desejo da cooperativa Primato. Somos uma região que produz milho, soja, trigo e automaticamente isso se transforma em proteína animal por meio das indústrias, que agregam trabalho e renda. Precisamos de um clima favorável. Obviamente temos algumas variáveis que não controlamos e essas variáveis interferem diretamente no nosso negócio, como a questão de sanidade, dólar, juros, inflação, enfim, fatores econômicos. Temos que estar preparados na gestão à frente dessas empresas cooperativas, representando nossos cooperados.
O Presente Rural – Hoje 10 de janeiro e não choveu o esperado? Nessa safra já há prejuízo? Como que estão as lavouras?
Anderson Sabadin – Graças a Deus, agora na última semana uma chuva nos ajudou. São regiões pontuais, não tem chovido em todo o Oeste (do Paraná), mas informações do Deral (Departamento de Economia Rural), inclusive, mostram uma perda estimada em torno de 15 a 20%, principalmente aqui na região de Toledo.
Mas você tem soja a patamares ainda aquecidos. Você tem um contexto que, mesmo frente a uma safra recorde prevista na região Mato Grosso e em todo o país, a gente tem os preços ainda se mantendo, o que não seria normal em outro momento. O produtor de grãos vem usufruindo de bons preços e ele tem ganhos expressivos tanto no milho quanto na soja. A relação de troca é excelente, tanto em milho quanto soja. Frente a uma estimativa de safra cheia, a exemplo da soja, talvez quando começar a colher (o milho segunda safra) a gente tenha uma queda no preço. A decisão é do produtor, mas a gente percebe que muito produtor não tem feito contrato futuro. Ele está esperando.
O Presente Rural – A que fatores que o senhor atribui as safras cheias e preços elevados?
Anderson Sabadin – A China não importava milho nosso. Se nós olharmos os volumes de outubro, novembro e dezembro, a China importou volumes extraordinários de milho. Isso automaticamente fez com que o patamar de preço de milho se mantivesse e até voltasse a subir. A China é um grande produtor de milho, mas agora, para nossa surpresa, ela vem comprar milho aqui. Esse milho que sai daqui chega lá a R$ 130 e mesmo assim eles estão produzindo volumes bastante significativos (de carne suína). Voltaram a produzir volumes da época de antes da Peste Suína e isso faz com que tenha um consumo expressivo de milho.
Claro que a gente é a favor do livre mercado, mas a gente tem que prestar um pouco de atenção, porque a nossa região consome um volume expressivo de milho que vai buscar no Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. A gente tem grandes empresas sendo instaladas lá que estão fazendo esmagamento de milho, para produção de etanol. Esse milho daqui a pouco não vem mais pra nossa região, começa a ter saída pela região Norte, Pará. (Nesse cenário), a gente começa a ter um custo alto de milho e soja para transformar em proteína.
Várias cooperativas foram para o MS, para o MT, e a própria Primato tem uma unidade em Dourados. E por quê? Precisamos originar lá para trazer o grão pra cá. A grande dificuldade é que daqui a pouco não temos milho. Aí vem inclusive a importância do Paraguai enquanto fornecedor, enquanto canal. Já se discute uma saída pelo Pacífico para a exportação de grãos. Então, talvez no futuro nós vamos ter mais milho vindo aqui do Paraguai e talvez até da própria Argentina do que do MS do MT.

Da esquerda para a direita, jornalista Giuliano De Luca, jornalista Ana Paula Wilmsen e o presidente da Primato, Anderson Sabadin
O Presente Rural – Presidente, fala um pouquinho da estrutura da Primato e os números.
Anderson Sabadin – É uma alegria falar da Primato. Você perguntou e eu já sorri. É uma cooperativa jovem, tem 25 anos, representamos 9.583 cooperados e 80% dos cooperados são pequenos produtores. Quando a Primato foi constituída, o foco dela era esse a nossa região (de Toledo). Hoje temos unidades no Oeste e Sudoeste do Paraná, no Oeste de Santa Catarina e vai até Dourados.
É uma cooperativa que iniciou com leite e suínos, em 1997. Vinte e nove produtores se reuniram e constituíram a Primato. A partir daí, ela montou uma loja agropecuária pequeninha, montamos a primeira fábrica de ração, montamos outras unidades. Hoje temos mais de 40 unidades de negócios, desde supermercado, restaurante, posto de combustíveis, recebimento de grãos, fábricas de ração.
Produzimos, em média, 30 mil toneladas de ração por mês. Produzimos mineral (para bovinos) em Dourados. Também atuamos lá na linha de gado de corte, que é um mercado que nos interessa bastante. Junto com isso, estamos agora recentemente felizes com a inauguração do Frigorífico da Firmeza em Assis Chateaubriandt. A Primato passa a entregar, a partir de março, agora 50 mil suínos por mês para a Central Frimesa. Isso é um volume bastante expressivo. Nos próximos três anos, quatro anos, a gente precisa dobrar de tamanho.
A Primato, no último exercício de 2022, faturou R$ 1,2 bilhão. Esse ano a previsão já é chegar em R$ 1,7 bilhão e em 2024 chega a R$ 2 bi. A nossa previsão é de dobrar de tamanho a cada três anos. A cooperativa também vem participando e fazendo um processo de capitalização. É fundamental a cooperativa ter geração de caixa. A Primato lançou um projeto em 2020 em que as sobras são capitalizadas até 2033 para fazer frente aos projetos que nós temos de aberturas de unidades de recebimento de cereais até a abertura de um frigorífico.
Nosso projeto até 2033 prevê chegar a R$ 6 bilhões de faturamento com R$ 150 milhões de sobras e patrimônio líquido de R$ 1,5 bilhão. E o principal: chegar aos 10 mil cooperados. Nós não queremos crescer em número de cooperados, queremos sim melhorar a qualidade do atendimento e do serviço. A gente quer entregar o melhor atendimento, queremos evoluir a prestação de serviço. Esse é um objetivo estratégico.
Temos que atingir um volume maior de suínos, temos uma expansão de avicultura. Hoje a Primato aloja 2,5 milhões de aves estático. Parece pouquinho, mas já é um volume expressivo. A cooperativa não tem frigorífico. Existe um parceiro, uma aliança estratégica que coloca a marca Primato no frango. O mesmo trabalho acontece na tilápia Primato. Tem tilápia, não tem frigorífico, mas tem uma aliança, a gente manda a tilápia e eles industrializam e colocam a marca Primato. O grande desafio nosso hoje comercial é vender o que produzimos. A gente tem que comercializar esse produto que vem do nosso campo, agregar renda ao produtor e ao colaborador.
O Presente Rural – Anderson, você falou de um planejamento estratégico de vários anos. E para 2023 existe algum projeto, alguma ação específica?
Anderson Sabadin – Claro, a Primato tem algumas novidades. A gente está fazendo um trabalho de implantação da genética Duroc dentro da cooperativa. É uma carne que já vem com marmoreio melhor. Isso, obviamente, chega à Central Frimesa e agrega valor em cortes diferenciados. A gente também reforça a questão do frango. A cooperativa procura ter uma conversão (alimentar) melhor, uma mortalidade baixa no frango, um trabalho que é feito pela equipe técnica da cooperativa. Também vai entrar em operação uma casa do produtor, onde ele vai ter insumos agrícolas, máquinas, equipamentos, tudo em um só lugar. Nossa nutrição animal é um grande diferencial na região. Hoje, a Primato ultrapassa grandes cooperativas da região Oeste do Paraná em volume de ração comercializada, porque nós temos um produto que na hora que é tratada a vaca entrega um volume maior de leite, na hora que é tratado suíno, entrega uma conversão melhor. Estamos entre as melhores conversões (alimentares) do grupo Frimesa, que tem grandes cooperativas associadas.
O Presente Rural – A Primato tem um projeto de integração do gado de corte. Explique para nós?
Anderson Sabadin – A Primato tem um projeto de integração de gado, onde a cooperativa concede o bezerro, manda a ração e o produtor presta o serviço e é bonificado pelo resultado que ele tem com esse bezerro. Esse projeto é piloto, com quatro mil animais. Foi desafiador porque a gente começou o projeto no momento em que o bezerro estava caro. Foi lá ainda o final de 2020. Quando você compra um bezerro caro é difícil diluir os custos. A gente passou por isso, mas nesse momento o bezerro está barato e talvez ali na frente a gente vai ter resultados também expressivos. São projetos que a cooperativa vem trabalhando, olhando o nosso produtor, que às vezes está com uma estrutura parada e, com determinação muito profissional, usar para produzir um bovino de engorda, com uma responsabilidade grande no sentido de manejar esse animal, tratar mais vezes e entregar um animal em menos tempo.
O Presente Rural – A Primato tem a produção de proteína animal como foco bem específico nisso, inclusive com a carne bovina. O senhor falou de frigorífico. Qual a expectativa para a Primato ter os próprios frigoríficos ou as parcerias que são feitas hoje cumprem o que espera a cooperativa?
Anderson Sabadin – A primeira coisa que a gente vê são as alianças. Elas são estratégicas. A gente vê assim a região, que tem boas estruturas para nos atender, inclusive pelas cooperativas, sem ter necessidade de nós termos, pelo capital investido e pelo custo financeiro, que hoje é altíssimo. A gente montou os projetos e é importante que, com muita humildade, eu estou falando porque a cooperativa Primato é jovem. Agora, o papel nos permite refletir, pensar e analisar. Temos dois projetos, um ao lado da fábrica aqui na rodovia BR-163, em Toledo. É um projeto que prevê a possibilidade de até dois frigoríficos naquele local, um de bovinos e outro de aves. Também olhamos estrategicamente para Cascavel, que hoje é um polo, tem a ferrovia. Então temos uma área também que a gente vem estudando para ser montadas plantas frigoríficas. Esse projeto ele começou a ser estudado há dois anos. Ele já foi desenhado em cima das duas áreas para plantas para abate de bovinos e de frango, tanto em Toledo quanto em Cascavel. As duas áreas estão identificadas. A gente tem que estudar agora, pensando lá na frente. Nesse momento a gente está pensando assim: começamos novos projetos, novas unidades, mas é fundamental a gente capitalizar a cooperativa. Cooperativa forte vai fazer com que o produtor evolua nas atividades e ganhe dinheiro.
O Presente Rural – A Primato começou há poucos anos com os grãos. Fale a respeito.
Anderson Sabadin – A Primato entrou na área agrícola faz quatro anos. No início, como eu falei, era leite, suínos. Veio a ração, as lojas agropecuárias, o varejo e a agricultura. A previsão para este ano é receber 5 milhões de sacas de grãos. A gente já caminha nesse projeto também. A atividade agrícola tem se desenvolvido muito bem. A Primato não vende grãos, só compra. Então a gente ainda tem um caminho a percorrer para atuar mais forte com soja, com milho, mais unidades de recebimento de cereais, unidades essas que vão receber e que amanhã vão transformar essa proteína vegetal em carne ou leite, que é um destaque da Primato, com cerca de 40 milhões de litros de leite produzidos. A cooperativa já teve muito mais produtor de leite. Hoje diminuiu o número de produtores, mas aumentamos o volume produzido e com mais qualidade, que é esse o grande desafio nosso.
O Presente Rural – Acredito que essa é uma realidade do leite, reduzir o número de produtores e aumentar a quantidade produzida.
Anderson Sabadin – Pegando teu gancho, eu vejo que é uma realidade nossa, dos negócios. Ou a cooperativa Primato cresce ou ela desaparece. Isso é muito claro. O grande desafio nosso é crescer com sustentabilidade. Precisamos ser eficientes, ter escala, pegando teu gancho. Se nós não tivermos escala e sermos eficientes, a cooperativa vai desaparecer. O produtor é o mesmo caso. Ele tem que produzir mais leite para diluir o custo. Antigamente uma granja com 50 matrizes suínas era uma granja grande, uma grande é de 1,5 mil matrizes. Nos Estados Unidos, uma granja de 3 mil matrizes é pequena. Qual é o nosso número amanhã? Será o número adequado à viabilidade do projeto.
O Presente Rural – Sua trajetória na cooperativa tem 23 anos, dois agora como presidente. É também uma preocupação do senhor manter a cooperativa muito próxima do cooperado? Como você define a sua marca enquanto presidente nesses dois anos de gestão?
Anderson Sabadin – Eu quero crer que tenho a oportunidade de estar presidente, mas ela sempre teve planejamento. Então, isso vem da época dos três presidentes anteriores. A gente segue um planejamento. O planejamento existia, a gente revisou e apresentou um projeto para 2033. Fizemos reuniões de campo extraordinários e aprovamos esse projeto. E o produtor confiou nele, então essa é a nossa responsabilidade. Por isso que o cabelo fica branco, para conseguir cumprir aquilo que nós falamos (risos). A gente vem reduzindo despesa para se tornar mais eficiente. E esse é o grande desafio, enxugar a máquina, fazendo mais e agregando mais, tendo uma solução ao produtor, gerando dinheiro para ele. A gente tem que facilitar a vida do produtor, mas eu vejo que tem que gerar renda. Tudo que nós estamos fazendo deve gerar renda. Você perguntou da marca: é a confiança. Eu vejo que o produtor precisa confiar na cooperativa. Eu sou muito humilde em falar assim: a cooperativa nossa é jovem. Tudo que nós lançamos são pequenas sementes.
O Presente Rural – Tem uma nova atividade da Primato, agora como instituição financeira. Por que decidiram por esse caminho?
Anderson Sabadin – Faz dois meses que nós abrimos a Primato Cred. Abrimos uma cooperativa de crédito. A Primato agora também é uma instituição financeira. Com muita humildade, com muito aprendizado, olhando quem faz bem feito, usar de referência, copiar. Claro, muito humilde, muito simples, com boas práticas para atender o nosso cooperado, porque hora ele chega na cooperativa. Ele precisa de um crédito e ele tem que ir até o banco. E nós sabemos hoje, inclusive, que os bancos encurtaram as linhas para o produtor. Um único banco não consegue fazer uma operação muito grande. Então a Primato quer ser mais uma opção. Ela não vai ser a única, mas ela vai ser mais uma. É um projeto novo.
O Presente Rural – Onde a sustentabilidade entra nos projetos da Primato?
Anderson Sabadin – A Primato vem bem focada no ESG. Fechamos uma parceria agora para entregar a sustentabilidade do nosso negócio. Temos uma granja onde a gente está montando biodigestores, que ficam prontos entre seis a oito meses. A gente vai abastecer com biometano oito caminhões da frota Primato em um projeto piloto, além de produzir biofertilizante. Inclusive a gente conversou com o BNDS para a venda do crédito de carbono. O BNDS já fala que (o agronegócio) vai ser uma avenida para venda e comercialização de crédito de carbono. E a Primato tem interesse e acreditamos que isso vai virar renda. Não estamos falando de uma aposta aleatória. A gente vem trabalhando para isso virar renda e eu acredito que isso não está longe. Temos uma estrutura cooperativa olhando a governança, deixando muito claro essa questão de governança.
O Presente Rural – O que o agronegócio pode esperar do novo governo federal?
Anderson Sabadin – Eu, Sabadin, tenho um posicionamento político. A cooperativa deve ser apartidária, está no estatuto. Acredito que nós temos que ter valores. Se nós olharmos alguns fatos que aconteceram com o Brasil, nos entristece. Não tem como não olhar para trás e não perceber a história.
Nós temos produtores que acreditam nos mais variados partidos. Não venho falar de partido, eu falo de valores, de valores que têm vínculo conosco, com a região, com a família, que defendem o agro, e isso que é primário.
Nós temos um governo atual que foi eleito, que é um governo popular. Então, se nós pensarmos olhando o agro, saber de como é que está a esperança da Primato? Excelente. A gente vive um momento excelente. Eu acredito que a população em si vai comer melhor, até porque (a eleição) tem um efeito psicológico. O governo que foi eleito vai facilitar isso. Até se brinca a questão da picanha. Se ele vai fazer ou não, não sei, mas tem um efeito psicológico nas pessoas. Nós que produzimos, produzimos pra vender. Então alguém tem que comer. Claro que o governo que sai deixa o momento estruturado, financeiramente, um país com inflação controlada. Grandes economias não estão com controle total da inflação. O governo atual vai assumir em um momento que o nosso país não tem como não ir bem, não tem como. Eu não vejo o agro perder. A gente tem que ter um cuidado para que não tenhamos, eu diria, consequências de atos como aconteceram no final de semana (invasão nos três poderes). A favor e contra, foi errado. Talvez alguém vai falar, mas tinha gente do outro lado, junto ou não. Isso a gente não discute, mas é errado. Imaginem entrar na sua casa e sair quebrando as coisas. Está errado.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

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Reforma tributária passa a taxar insumos do agro e pressiona custos no campo
Tributação de até 10% sobre fertilizantes, sementes e defensivos preocupa setor produtivo.

Desde 1º de abril, insumos essenciais à produção agropecuária, como fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas, deixaram de contar com a isenção dos impostos Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A mudança faz parte da reforma tributária, em vigor desde o início do ano. Diante do início da tributação, o Sistema Faep pede que o governo federal prorrogue o prazo para cobrança.
“O momento de iniciar a cobrança é totalmente descabido. Há diversos fatores geopolíticos que estão influenciando negativamente o fornecimento dos insumos, gerando transtornos no meio rural e alta dos custos ao produtor rural. Por isso, é necessária a revisão dessa medida e a prorrogação do prazo para a tributação”, diz o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Com o fim da isenção, esses insumos passaram a ser tributados em 0,925%, podendo chegar a até 10%, dependendo do regime tributário adotado pelo produtor. Na prática, a medida encarece diretamente o custo de produção, especialmente em culturas intensivas em tecnologia, como soja, milho e algodão.
Esse aumento do imposto sobre fertilizantes ocorre em um momento em que Rússia e China, maiores fornecedores do produto no mundo, estão restringindo as exportações. O Brasil é diretamente impactado por esse cenário global. Atualmente, 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que torna o setor vulnerável a oscilações de preços e restrições de oferta causadas por fatores geopolíticos, como conflitos internacionais.
Meneguette atenta para o fato de que, do ponto de vista econômico, tributar insumos estratégicos equivale a tributar a produção antes mesmo do plantio. Além disso, o resultado é um aumento do custo marginal da produção agrícola, que tende a se propagar ao longo de toda a cadeia, resultando em inflação e alta dos alimentos a população.
“É fundamental a suspensão temporária ou a prorrogação da cobrança de PIS e Cofins sobre fertilizantes e insumos estratégicos, enquanto persistirem condições adversas no mercado internacional. Isso é uma decisão estratégica para o setor continuar produzindo com qualidade e eficiência”, complementa o presidente do Sistema Faep.
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Copel cria canal exclusivo para produtor rural após articulação do Sistema Faep
Agricultores e pecuaristas relatam atendimento mais ágil, que permite reduzir impactos das quedas de energia e prejuízos no campo.

Desde 6 de abril, os produtores rurais do Paraná têm um canal exclusivo de comunicação com aCopel. O Copel Agro faz parte de um plano de ações da empresa voltado à redução dessas ocorrências no campo. A iniciativa atende a reivindicação do Sistema Faep, diante dos recorrentes episódios de queda de energia em áreas rurais do Paraná e dos prejuízos milionários dentro da porteira.
A expectativa é que, com o Copel Agro, as respostas aos produtores rurais sejam rápidas com atendimento das demandas com mais eficiência. O canal conta com 30 especialistas disponíveis 24 horas por dia para atender os agricultores. O contato pode ser feito pelo telefone 0800 643 76 76 ou pelo WhatsApp (41) 3013-8970. O atendimento é exclusivo para produtores rurais, especialmente aqueles que atuam com proteína animal, como frango, suíno, leite e peixe.
“Nos últimos meses, as quedas de energia causaram prejuízos enormes aos nossos produtores rurais. Diante dos relatos constantes desses problemas, o Sistema Faep buscou a Copel para a construção de um plano com ações que ajudem o agricultor e pecuarista no momento de queda de energia. Esse canal faz parte desse trabalho, com perspectiva de facilitar e dar agilidade no contato, principalmente na hora de notificar problemas”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa é uma conquista importante para os nossos produtores rurais, pois a energia é um insumo fundamental nas atividades dentro da porteira. Vamos continuar acompanhando o cenário, para garantir mais investimentos no meio rural”, complementa.

Max Cancian aprovou o novo canal de comunicação da Copel, com resultados rápidos e atendimento humanizado
Apesar de estar disponível há poucos dias, o serviço já tem registrado resultados positivos. O produtor de tilápias Max Alberto Cancian, de Marechal Cândido Rondon, na região Oeste do Paraná, utilizou o novo canal e aprovou a iniciativa, principalmente o atendimento humanizado. “Um profissional entende melhor o que estamos passando. Conseguimos explicar a gravidade da situação. Na minha experiência, a resposta foi rápida”, conta.
Cancian relata que as quedas de energia ocorrem de duas a três vezes por semana na região, gerando prejuízos. “Já tive muitos equipamentos queimados por causa da oscilação. Esse tipo de perda até é ressarcido pela Copel, mas o gasto com diesel para manter o gerador ligado é alto e não é reembolsado, o que acaba sendo repassado ao consumidor final”, afirma. “Esse novo canal é uma ferramenta importante, mas o ideal é melhorar o serviço para que o produtor não precise acioná-la”, completa.

Depois de acumular prejuízos, Rosimeri Draghetti identificou melhoras no atendimento da Copel com o novo canal
A piscicultora Rosimeri Draghetti, de Santa Helena, também percebeu melhora no atendimento. Antes de adquirir um gerador, ela acumulou prejuízos com a mortalidade de peixes causada pela falta de energia. “A comunicação antes era muito ruim. Na propriedade não temos sinal de telefone, só internet, e o atendimento pelo WhatsApp demorava bastante. Já ficamos até três dias sem energia. Agora, ao entrar em contato, fui direcionada para esse canal específico do produtor rural”, afirma.
Rosimeri lembra que as longas interrupções sempre geraram preocupação, mesmo com o uso de gerador. “A última queda foi às 22h30 e a energia só voltou às 7h43 do dia seguinte. Desta vez, voltou em duas horas. Isso é importante, pois o gerador é para emergência, não para sustentar a produção por mais de 24 horas”, relata.
Mais ações previstas
O plano elaborado pela Copel em parceria com o Sistema Faep e outras entidades do setor produtivo prevê um conjunto de ações voltadas à melhoria do atendimento e do fornecimento de energia no meio rural. Desde o início do ano, Sistema Faep, Ocepar e Fiep realizam reuniões semanais com a Copel para estruturar um plano alinhado às demandas.
De acordo com Luiz Eliezer, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabelece limite médio de oito horas sem energia por ano no Paraná. No entanto, nas propriedades rurais, esse número pode chegar a 40 horas anuais.
“As principais reclamações dos sindicatos rurais envolvem quedas de energia, oscilações e demora no religamento. Levamos essas demandas para as reuniões para que o plano atenda, de fato, às necessidades do produtor. A energia é um insumo essencial ao agricultor, que representa cerca de 25% dos custos de produção”, destaca Eliezer.
As ações previstas serão implementadas a curto, médio e longo prazos e foram estruturadas com base em temas considerados prioritários: poda de vegetação, financiamento, reforço de equipe, comunicação, cadastro, capacitação técnica, tecnologia, geração distribuída, investimentos em subestações e cronograma.
Outro avanço envolve um projeto de lei que retira dos produtores rurais a responsabilidade pelo manejo da vegetação próxima às redes de energia elétrica. O projeto de Lei 189/2026, de autoria dos deputados estaduais Hussein Bakri, Alexandre Curi, Fábio Oliveira, Moacyr Fadel e Evandro Araújo, altera a Lei Estadual 20.081/2019 e estabelece que a poda, manejo e supressão de árvores, em um raio de até 15 metros das redes de distribuição passem a ser responsabilidade das concessionárias. O projeto já está em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e deve ser aprovado ainda neste mês.
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Moatrigo 2026 debate efeitos das canetas emagrecedoras no mercado de alimentos
Engenheira de alimentos Cristina Leonhardt analisa como a difusão da semaglutida altera padrões de consumo, reduz ingestão de ultraprocessados e pressiona reformulações no setor de alimentos.

A popularização dos medicamentos agonistas de GLP 1, impulsionada pela recente expiração da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, pode transformar o setor alimentício no Brasil, tanto nos padrões de consumo quanto nas estratégias das empresas. O tema integra a programação do Moatrigo 2026, que será realizado na segunda-feira (13), em Curitiba (PR), promovido pelo Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo PR), reunindo lideranças e representantes da cadeia moageira do trigo.

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A palestra “O impacto dos medicamentos GLP 1 nos negócios de alimentos brasileiros” será conduzida por Cristina Leonhardt, engenheira de alimentos com mais de 20 anos de experiência em inovação. Cristina apresentará uma leitura técnica e atualizada sobre como esses medicamentos, originalmente indicados para diabetes, mas amplamente usados para emagrecimento, estão mexendo com padrões de consumo e desafiando empresas de alimentos no país.
Mudanças de consumo já aparecem nos dados
Estudos indicam redução consistente na ingestão entre usuários dos GLP 1 e uma alteração clara nas escolhas alimentares. As tendências mostram queda na procura por processados, maior interesse por alimentos frescos e ácidos e impacto direto em categorias como snacks salgados, uma das mais sensíveis ao novo padrão.
Segundo Cristina, parte dessas mudanças permanece mesmo após o fim do tratamento, o que sinaliza efeitos estruturais para o setor, e

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não apenas um ajuste momentâneo.
A palestra também discutirá como empresas de alimentos já começam a reagir ao movimento, com desenvolvimento de produtos mais alinhados a esse novo perfil de consumo, incluindo itens ricos em fibras e proteínas. A especialista apresentará ainda caminhos estratégicos e éticos para que as fabricantes brasileiras se adaptem a diferentes cenários futuros.



