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Suínos / Peixes Saúde Animal

Prevalência de lesões pulmonares ao abate nos principais Estados produtores de suínos do Brasil

É necessário implementar medidas de controle e prevenção mais eficientes para que as perdas sejam minimizadas no processo como um todo

Publicado em

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por William Costa, médico veterinário e gerente técnico nacional da Ceva Saúde Animal e Cíntia Maria Sartori, médica veterinária e coordenadora técnica regional da Ceva Saúde Animal

As pneumonias são uma das principais causas de condenação ao abate, além de indicar perdas econômicas durante todo o processo de produção (creche e terminação). Entre 50 e 70% dos pulmões de suínos em idade de abate apresentam algum tipo de lesão macroscópica sugestiva de pneumonia. Embora nem sempre o agente etiológico dessas pneumonias seja identificado, acredita-se que sejam causadas pelo M. hyopneumoniae ou por esta bactéria associada a outros agentes infecciosos que podem agravar o quadro clínico respiratório nas granjas e as lesões encontradas ao abate.

A pleuropneumonia suína costuma estar relacionada com a presença do agente Actinobacillus pleuropneumoniae (APP). Quanto maior a prevalência de pleurisia dorsocaudal, mais chances de o APP estar envolvido no processo. Estudos científicos indicam que a cada 1% no aumento do nível de pleurite num grupo de suínos, são perdidas em média 70 gramas por carcaça, considerando perdas em ganho de peso diário e de toalete no frigorífico.

As perdas econômicas das ações combinadas de agentes causadores de broncopneumonias e pleurites/pleurisias são elevadas e implicam principalmente em perdas no ganho de peso diário e na utilização dos alimentos (maior conversão alimentar), aumento na mortalidade, maiores gastos com medicamentos e vacinas, e perdas no abate por condenações relacionadas com pneumonias, pleurites e/ou abscessos. Estima-se que estas perdas econômicas atinjam a cifra de R$ 216 milhões anuais na cadeia suinícola brasileira.

Avaliações nos Estados Produtores

A monitoria sanitária de abate é uma ótima ferramenta para rastrear os problemas respiratórios encontrados no campo. Para que os dados gerados no frigorífico sejam utilizados de maneira correta, o ideal é que as monitorias sejam realizadas com um número representativo de amostras e que vários lotes sejam avaliados ao longo do tempo. Desta maneira, é possível obter um histórico da granja que aliado aos resultados de campo, possibilita uma adequada avaliação das doenças respiratórias.

Durante o ano de 2018, foi realizado um amplo trabalho de avaliações de pulmões e anexos ao abate, utilizando o aplicativo CLP – Ceva Lung Program com a finalidade de avaliar a prevalência de lesões pneumônicas nos principais estados produtores de suínos do país.

Este aplicativo utiliza como base a escala de Madec para avaliação de broncopneumonia e a metodologia italiana SPES para avaliar as pleurisias. Ambos os sistemas estabelecem uma forma de pontuação de acordo com a extensão das lesões, além de que, são conhecidos mundialmente e amplamente utilizados nas monitorias de abate.

Estudo

Foram avaliados 58.889 pulmões de lotes comerciais de suínos no Brasil. Os estados em estudo foram: Rio Grande do Sul (1.539 pulmões), Santa Catarina (13.540 pulmões), Paraná (11.896 pulmões), São Paulo (2.862 pulmões), Espírito Santo (2.324 pulmões), Minas Gerais (23.469 pulmões), Goiás (895 pulmões), Mato Grosso (1.384 pulmões) e Mato Grosso do Sul (980 pulmões). O estado que mais denotou lesões de broncopneumonia foi Goiás, onde 70,8 % dos pulmões analisados apresentaram este padrão de lesão. Enquanto a região do Mato Grosso apresentou o menor percentual entre os estados avaliados – 43,28%. O percentual médio da superfície afetada dos pulmões pneumônicos variou entre 4,45 e 9,6% entre os estados.

Considerando as lesões de pleurisias, o Mato Grosso apresentou maior índice para pleuropneumonia e São Paulo e Espírito Santo os menores com 0,5 e 0,2 respectivamente. Sendo o grau máximo, SPES 4, o de maior prevalência em todos os estados em questão.

Considerações Finais

Os resultados desta pesquisa demostram que os problemas respiratórios continuam sendo um dos maiores desafios encontrados na suinocultura atual, devido a sua alta prevalência em todos os estados brasileiros analisados. É necessário implementar medidas de controle e prevenção mais eficientes para que as perdas sejam minimizadas no processo como um todo. A utilização de uma boa ferramenta para acompanhamento de abate, aliada com indicadores zootécnicos e acompanhamento dos sinais clínicos à campo, são extremamente importantes para auxílio na tomada de decisões.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

Quais são os níveis de microminerais e vitaminas praticados nas rações comerciais para suínos em fase de crescimento e terminação no Brasil?

Níveis elevados praticados destes oligolementos pode sugerir uma tentativa de ajuste nutricional às modernas demandas que os animais detêm

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito pelo Dr. Danyel Bueno Dalto, Agriculture and Agri-Food Canada, Sherbrooke, e Dr. Caio Abércio da Silva, professor da Universidade Estadual de Londrina

As dietas comerciais para suínos são comumente formuladas com níveis de vitaminas e microminerais superiores aos recomendados pelas tabelas de referência, visando assim garantir margens de segurança, minimizando os riscos frente as possíveis variações nos níveis endógenos dos ingredientes, diferenças de biodisponibilidade, flutuações no consumo diário e/ou degradação de vitaminas devido às condições desfavoráveis de estocagem.

Carente de uma validação cientifica efetiva, atribui-se que os valores praticados pela indústria da nutrição animal para os níveis de microminerais e vitaminas correspondam a duas vezes as recomendações de referência. Não obstante serem escassas as informações a respeito, um estudo pioneiro identificou que os níveis de suplementação de vitaminas utilizados pela indústria suinícola americana guardavam um grande empirismo. Nesta linha, um estudo subsequente, também realizado nos Estados Unidos, ratificou que os níveis de suplementação de microminerais e vitaminas utilizados pela indústria suinícola daquele país apresentava grandes variações para a maioria dos nutrientes, independente da fase de produção.

Estas informações contrastam com os contínuos esforços que seguem buscando atualizar e identificar os níveis mais ajustados às necessidades nutricionais do suíno moderno. Uma grande limitação no que diz respeito aos minerais traços e, principalmente, às vitaminas é o fato que a maioria das pesquisas realizadas neste sentido datam das décadas de 40 e 50 e, portanto, foram baseadas num modelo animal muito distante do suíno atual. Neste contexto, pesquisadores reportam, especificamente para as vitaminas, que margens de segurança destas nas rações poderiam ser introduzidas, respeitando, todavia, o custo real de cada vitamina.

Particularmente, este tema é, do ponto de vista econômico, mais apelativo para as fases de crescimento e terminação, cujos gastos com a alimentação são muito expressivos, o que remete a compreender que os eventuais desvios nos níveis destes oligoelementos (especialmente quando acima das recomendações de referência), sem uma correspondente resposta no desempenho zootécnico, podem ter repercussões financeiras negativas para o segmento.

Nesse contexto, o objetivo do presente estudo foi identificar os níveis de microminerais e vitaminas presentes em rações comerciais utilizadas nas fases de crescimento e terminação pela indústria suinícola brasileira, fomentando informações que poderão auxiliar nutricionistas e pesquisadores nas ações em prol da melhora dos aspectos técnicos e econômicos no segmento.

Material e Métodos

Este levantamento foi realizado nos meses de Junho a Dezembro de 2019, estando envolvidas como colaboradoras 15 empresas produtoras de premix/núcleo para suínos, com atuação nas diversas regiões do Brasil, e 15 cooperativas/agroindústrias do setor suinícola brasileiro.

Os dados coletados compreenderam os níveis mínimos de garantia de microminerais e vitaminas dos produtos de linha de empresas de premixes/núcleos, juntamente com sua indicação de uso, e os níveis de microminerais e vitaminas das rações finais utilizadas pelas cooperativas e integrações. Cada empresa participante também informou a fase na qual o produto (premix/núcleo e/ou ração) era indicado, compreendendo a idade do animal ou sua faixa de peso ou ainda a categoria atendida. As fases, portanto, avaliadas corresponderam a: crescimento (71 a 120 dias de idade) e terminação (121 dias de idade até o abate).

Dentro de cada fase foram avaliados os seguintes microminerais e vitaminas: cobalto (Co), cobre (Cu), cromo (Cr), ferro (Fe), iodo (I), manganês (Mn), selênio (Se), zinco (Zn), vitamina A (vitA), vitamina D (vitD), vitamina E (vitE), vitamina K (vitK), tiamina (vitB1), riboflavina (vitB2), niacina (vitB3), ácido pantoténico (vitB5), piridoxina (vitB6), biotina (vitB7), ácido fólico (vitB9), cobalamina (vitB12), colina e ácido ascórbico (vitC).

Os dados foram compilados e submetidos à análises estatísticas descritivas. Para cada fase de produção foram calculadas taxas entre as médias dos níveis de suplementação de microminerais e vitaminas obtidos no presente estudo e os valores registrados nas Tabelas Brasileiras de Suínos e Aves para as fases correspondentes; e também a relação destes com os valores obtidos no levantamento realizado junto à indústria suinícola americana, estabelecendo um processo comparativo com estas referências.

Resultados

Os níveis de microminerais variaram entre 1,1 e 1,3 vezes os valores indicados pela TBSA para a fase de crescimento (Tabela 1) e entre 1,3 e 13,0 vezes para a fase de terminação (Tabela 2). Em relação a USA, os presentes níveis representaram entre 0,9 e 2,3 vezes os valores obtidos para ambas as fases. Para a fase de crescimento, os presentes valores são similares às indicações da TBSA, mas para a fase de terminação, exceto pelo Se, os valores foram largamente superiores. Quando comparados aos valores da USA, os níveis de Mn e I foram largamente superiores. Com exceção do Cu (70,3-74,1%), Mn (64,1%; apenas crescimento) e Co (109,4-136,0%), poucas amplitudes de variação (entre 20,2 e 49,0%) foram observadas para microminerais entre as empresas.

Os níveis de vitaminas lipossólúveis (Tabelas 1 e 2) representaram entre 0,9 e 1,4 vezes os valores indicados pela TBSA e entre 0,9 e 1,5 vezes os valores obtidos por USA. Enquanto na ração de crescimento os níveis de vitD e vitE foram superiores aos valores USA mas similares à TBSA, na ração de terminação os níveis de vitA e vitD foram superiores aos valores da TBSA e apenas a vitD foi superior a USA. Grandes amplitudes de variação foram observadas apenas para vitE (73,7%) nas rações de crescimento e para todas as vitaminas lipossólúveis (entre 50,4 e 63,5%), exceto pela vitA (35,7%), nas rações de terminação.

Os níveis de vitaminas hidrossólúveis (Tabelas 1 e 2) representaram entre 0,9 e 2,2 vezes os valores indicados pela TBSA e entre 0,8 e 2,0 vezes os valores obtidos por USA. Exceto pelas B5 (apenas crescimento), B3 e B6, os presentes níveis foram muito superiores aos recomendados pela TBSA, enquanto os níveis da vitamina B7 foram particularmente superiores aos valores USA. Exceto pela vitamina B3 (41,7%) e B6 (48,8%; apenas terminação), grandes amplitudes de variação foram observadas para as demais vitaminas desse grupo (entre 50,0 e 145,00%) entre as empresas.

Tabela 1 – Média, coeficiente de variação (CV), valor mínimo (Min), percentil 25% (25%), mediana, percentil 75% (75%), valor máximo (Max), proporção em relação a valores de referência brasileiro (Taxa TBSA) e proporção em relação à valores norte-americanos (Taxa US) das concentrações de microminerais e vitaminas adicionadas à rações de crescimento (71 à 120 dias de idade).

Tabela 2 – Média, coeficiente de variação (CV), valor mínimo (Min), percentil 25% (25%), mediana, percentil 75% (75%), valor máximo (Max), proporção em relação a valores de referência brasileiro (Taxa TBSA) e proporção em relação à valores norte-americanos (Taxa US) das concentrações de microminerais e vitaminas adicionadas à rações de terminação (121 dias de idade até abate).

Discussão

De modo geral, os níveis de microminerais e vitaminas utilizados pela indústria suinícola brasileira nas fases de crescimento e terminação são superiores aos recomendados pela TBSA. Apesar desses resultados serem esperados, os níveis médios de suplementação utilizados (considerando as fases de crescimento e terminação conjuntamente) pela indústria brasileira foram 17, 58 e 31% superiores, respectivamente, às recomendações da TBSA para vitaminas lipossolúveis, vitaminas hidrossolúveis e microminerais, não superando a expectativa de que estes valores fossem em torno de duas vezes a recomendação. No entanto, os níveis de cobre para a fase de terminação superaram estas médias.

Em relação aos níveis utilizados pela indústria americana para as fases de crescimento e terminação, os resultados para as vitaminas lipossolúveis mostram que os níveis brasileiros variaram ligeiramente entre os limites inferiores e superiores. Para as vitaminas hidrossolúveis esses níveis tenderam a serem majoritariamente inferiores, enquanto para os microminerais as variações oscilaram entre 20 e 60% superiores.

Os níveis supra nutricionais de Cu praticados nas dietas de suínos em fase de terminação, observados nesse estudo, também foram relatados em outro estudo de 2016, que trata que nestas dosagens o objetivo do mineral é a ação como promotor do crescimento. No entanto, segundo o NRC (2012), níveis de suplementação acima de 250 mg/Kg podem ser tóxicos para os suínos, não existindo evidências que nestas condições venham a promover algum benefício adicional.

Os níveis recomendados pela TBSA para I e Mn são muito superiores aos recomendados pelo NRC (2012), e os níveis utilizados pela indústria suinícola brasileira mostram-se largamente superiores aos níveis do USA. Apesar de perdas de desempenho serem observadas apenas com níveis de suplementação extremamente elevados (800 mg/Kg para I e 500 mg/Kg para Mn), a utilização de níveis semelhantes aos observados no presente estudo para I e Mn para as fases crescimento e terminação não encontra base científica.

Quanto ao selênio (Se), os níveis utilizados na América do Norte seguem a legislação vigente, que limita seu uso ao nível máximo de 0.3 mg/Kg. No Brasil, apesar de não haver normas claras a esse respeito, os níveis utilizados pela indústria são apenas ligeiramente superiores. No entanto, o potencial efeito positivo de níveis mais elevados deste mineral tem gerado uma pressão da indústria norte-americana para alterações nos limites legais. De fato, a grande variabilidade na concentração endógena de Se nos ingredientes, associado ao intenso metabolismo dos suínos modernos, sugere que a suplementação com 0.3 mg/Kg de Se pode ser sub-ótima para suportar o sistema antioxidante demandado pela genética e pelas condições adversas que são frequentes, como o estresse pelo calor, a alta pressão de infecção, e mesmo a pressão oxidativa causada pela ovulação em porcas hiper-prolíficas.

O presente estudo demonstrou que a indústria suinícola brasileira utiliza a suplementação com Co, Cr, colina e vitC de forma mais disseminada, comparado à indústria suinícola americana. Adicionalmente, a indústria brasileira faz uso de todas as vitaminas hidrossolúveis nestas fases, enquanto nos EUA a maioria não registrou a utilização das vitaminas B1, B6, B7, B9 e/ou colina no crescimento e terminação.

Conclusões

As grandes amplitudes de variação no uso de microminerais e vitaminas observadas entre as empresas, especialmente para vitaminas hidrossolúveis, reflete existir uma postura de precaução ou segurança diante de possíveis variações quantitativas e/ou qualitativas destes elementos nas dietas finais oferecidas aos animais.

Em geral, os níveis elevados praticados destes oligolementos pode sugerir uma tentativa de ajuste nutricional às modernas demandas que os animais detêm. Todavia, há indicativos de que a diversidade dos níveis utilizados não tem um amplo respaldo científico, apontando para uma lacuna, que deve ser explorada com mais pesquisas e investimentos.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Mercado

PSA preocupa, mas é oportunidade para Brasil conquistar novos mercados

Para lideranças, algo que garantiu ao Brasil o aumento das exportações foi gozar de um privilegiado status sanitário

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Arquivo/OP Rural

Identificado em suínos de subsistência na China em setembro de 2018 o vírus da Peste Suína Africana deixou o mercado mundial em pânico. Isso porque a PSA é uma doença altamente contagiosa e que não tem cura nem tratamento. O vírus da PSA foi identificado pela primeira vez na África, no início do século 20, e se estima que chegou à Europa em 1957 por meio de restos de alimentos servidos em aviões contendo produtos derivados de suínos contaminados com PSA. No Brasil, o vírus foi identificado em 1978 em suínos de subsistência, em Paracambi, no Rio de Janeiro. A PSA foi erradicada e o Brasil é considerado livre da doença desde 1984.

Três anos depois de identificado novamente na China, o vírus tem causado grandes mudanças no mercado nacional e internacional. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, desde 2018, quando foi notificada na China, a PSA apareceu em outros países do sudoeste asiático, como Vietnã e já chegou a Europa ocidental (Alemanha). Ele explica que a demanda chinesa por carne suína com a redução do rebanho de lá fez com que aos poucos a maior parte das exportações brasileiras fossem direcionadas para aquele país e que o Brasil batesse recordes de exportações em 2018 e 2019, com a expectativa de aumentar também em 2021.

“A China não só substituiu a Rússia, que até 2017 foi o maior destino de nossas exportações, como fez com que quase dobrasse as nossas exportações em três anos. Este crescimento das exportações ajudou a sustentar o aumento da produção brasileira de carne suína que, só no ano de 2020 aumentou em 8,5% em relação ao ano anterior”, conta.

Lopes informa que o impacto principal sentido pelo produtor brasileiro é sobre o aumento da demanda mundial, que fez com que aumentassem as exportações nacionais, ajudando a sustentar os preços pagos ao produtor no Brasil. “Por outro lado, a tragédia observada no rebanho chinês fez com que reforçássemos as medidas de biosseguridade no país e nas granjas”, diz.

De acordo com ele, mesmo com a maior demanda da China e do aumento dos embarques, a disponibilidade de carne suína no mercado interno tem aumentado ano a ano e essa foi a proteína que mais conquistou espaço na mesa do consumidor nestes últimos anos. “Isso aconteceu, pois, a carne suína se mostrou extremamente competitiva na gondola dos supermercados, especialmente quando comparada com a carne bovina, cujo preço explodiu nos últimos anos”, afirma.

A PSA no mundo

Segundo a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), o vírus está presente na África, Europa e Ásia. Entre 2016 e o ano passado 30% dos países destes continentes relataram a doença. Na Europa, muitos países reportaram a doença pela primeira vez em 2016. Entre os países estão a Moldova, República Checa, Romênia, Hungria, Bulgária, Bélgica, Eslováquia, Sérvia, Itália, Polônia e Grécia. Já na Ásia, entre os países que reportaram o vírus, de acordo com a OIE, estão a China, Mongólia, Vietnã, Camboja, Hong Kong, as Coreias, Mianmar, Filipinas, Indonésia e Índia.

Segundo relatório da OIE, a Europa foi responsável por 67% dos surtos relatados entre 2016 e 2020. No entanto, o maior impacto em termos de perdas de animais foi observado na Ásia (82%). Além disso, importantes diferenças são vistas a nível regional. Países africanos relataram surtos apenas em suínos, na Ásia foram principalmente em suínos, enquanto na Europa os relatos foram principalmente em javalis.

De acordo com a Embrapa Suínos e Aves, a PSA é transmitida principalmente pelo contato direto entre suínos infectados e suscetíveis (domésticos ou asselvajados, como os javalis) ou através da ingestão de produtos de origem suína contaminados com o vírus. Na Europa, o ciclo de infecção mais comum detectado é o de suínos que se infectam ao ingerir produtos cárneos de origem suína contaminados com o vírus da PSA, como salames e embutidos, oriundos de restos da alimentação humana. Após alguns dias, os animais iniciam a eliminação viral por meio das secreções e excreções. Além disto, o vírus persiste no sangue e nos tecidos após a morte, tornando-se fonte de infecção para outros suínos.

Os efeitos da PSA no mercado mundial

De acordo com o diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Luis Rua, a PSA começou a alterara a dinâmica do mercado em 2018. “Quando a gente falava até 2018, a produção de carne suína no mundo era de um pouco mais de 51% vinda da China. Efetivamente quando começaram os focos, isso mudou”, comenta. Ele explica que os focos se espalharam pela China e outros países da Ásia, como Vietnã e Filipinas, que são grandes consumidores da proteína. “Estes países passaram por problemas em 2018, 2019 e 2020 e, assim, vimos uma redução na produção mundial de carne suína, obviamente puxada pela China, que produzia 54 milhões de toneladas e esse número vem caindo. No ano passado o país produziu 38 milhões de toneladas, é uma diferença de 16 milhões de déficit de produção animal na China”, observa.

O diretor comenta que quando se olha para a China, que antes produziu 54 milhões de toneladas de carne suína em 2019 e no ano passado foi para 38 milhões de toneladas, há um grande déficit. Ainda mais quando as projeções mostram que em 2021 o país asiático deva produzir 42 milhões de toneladas. “Ainda é um déficit de 12 milhões de toneladas. E notamos que a China continua a crescer, a economia como um todo. Quando a China se recuperar totalmente, e ela vai, aos parâmetros anteriores, a demanda chinesa já vai ser maior que os 54 milhões de toneladas que eles produziam antes. Estimamos que eles consumam na casa das 59 milhões de toneladas daqui três anos. De alguma maneira, 54 milhões não é mais suficiente para a China”, afirma.

Rua diz que é preciso lembrar que existe a urbanização, crescimento da renda média, mais pessoas para o consumo, e tudo isso faz com que as estimativas de exportações chineses aumentem. “Mesmo a China voltando, ainda vai haver capacidade forte de importação. Isso, de alguma forma, nos dá o entendimento que o mercado asiático vai puxar as importações de carne suína do mundo”, comenta. Ele observa que o mundo todo está exportando mais para a China desde o início da PSA. “8% do que a China importava antes era do Brasil. Em 2020 nós aumentamos mais proporcionalmente que outros mercados, e passamos para 10% do que a China importou ano passado. Estamos com expectativas maiores. Se olharmos no acumulado desse ano até março, estamos exportando de maneira geral 22% a mais e para a China são 36% a mais que o mesmo período do ano passado. Então continuamos crescendo a participação no mercado chinês”, conta.

Outro ponto observado pelo diretor foi que não a doença não está acometendo somente a China e países da Ásia, mas também da Europa. “Antigamente a China produzia 54 milhões de toneladas e a União Europeia 24 milhões. Até 2018 estes dois dominavam 3/4 da produção mundial de carne suína”, afirma. Rua diz que como a doença acabou se espalhando por países europeus, isso também dificultou as negociações deles. “Países como a Alemanha, por exemplo, estão banidos de exportar para a China”, comenta.

O Brasil, assim, tem aproveitado este cenário para conquistar novos mercados e aumentar suas exportações para aqueles que já negociava. “Nós triplicamos o volume das nossas exportações para o Japão, um mercado que paga mais e é mais exigente. O Vietnã triplicou o volume de exportação de 2019 para 2020. O Brasil, de alguma forma, tem aproveitado esse dinamismo das importações do trade mundial de carne suína para conseguir um cher maior nas exportações mundiais”, afirma. Rua conta que em 2020 os Estados Unidos e o Canadá aumentaram as exportações totais em cerca de 19% enquanto o Brasil aumentou 36%.

Rua ainda destacou que este é o momento de o Brasil valorizar algo valioso que possui: o status sanitário. “Como diz o presidente (Ricardo) Santin, a gente trabalha e reza para não ter nenhuma dessas doenças aqui. Trabalhamos muito forte para evitar qualquer tipo de enfermidade nesse sentido. E isso tem permitido para o Brasil avançar de maneira significativa no mercado internacional”, menciona. Além disso, ele ainda destaca que existe no Brasil um grupo de trabalho para prevenção a peste suína africana. “Trabalhamos em um plano de ação. Não queremos usar nunca esse plano. A ideia é nunca precisar usar, mas estamos preparados”, afirma.

Para Rua, a questão mais importante em toda essa situação que tem acontecido no mercado mundial nos últimos anos é o quanto os outros países perceberam que o Brasil é confiável. “Nós temos o produto para disponibilizar. É importante destacar que no ano passado exportamos mais e isso ajudou na segurança alimentar de diversos países. Mesmo assim, nós não esquecemos do nosso consumidor, o brasileiro. Continuamos vendendo para o mercado doméstico, sendo que 75% do que a gente produz fica aqui para o nosso consumidor. Então mesmo com o aumento das exportações, nós não descuidamos do consumidor brasileiro e, ao mesmo tempo, a gente pôde ajudar na segurança alimentar de muitos países. Nós não deixamos o mercado desabastecer e oferecemos um alimento seguro, saudável e acessível”, menciona.

Conquistando mais mercados

Essa situação também permitiu que o Brasil avançasse na conquista de novos mercados para o produto carne suína. Isso lembra uma situação similar que aconteceu na avicultura, entre 2004 e 2005, quando houve surtos de influenza aviária em diversos países e o Brasil aproveitou a oportunidade, vendendo para novos mercados e se tornando assim líder nas exportações mundiais. “O Brasil tinha o status sanitário, um produto de qualidade, acessível e que era competitivo. Com isso, passamos na liderança das exportações de carne de aves”, conta.

Mas, Rua comenta que para o suíno a situação pode não ser exatamente a mesma – fazendo o Brasil se tornar líder nas exportações – mas que é preciso aproveitar a oportunidade que apareceu e, novamente, aproveitar o status sanitário privilegiado que o país tem. “Na carne suína ainda estamos longe de sermos líderes na exportação, mas mês após mês nós viemos avançando e ganhamos mais espaço no mercado mundial”, afirma. O diretor frisa que mesmo a China sendo o destino da maioria das exportações brasileiras, o trabalhando que vem sendo feito por aqui é para abrir novos mercados. “Viemos trabalhando forte nisso e o nosso status sanitário sempre deve ser colocado como um ponto fundamental”, avalia.

De acordo com Rua, a expectativa é que cada vez mais o Brasil ganhe mais mercados. “O Brasil vem aumentando a sua participação, exportando para países com bastante valor agregado, como é o caso do Japão e dos Estados Unidos, que são mercados que pagam bem e isso é importante também quando consideramos novos mercados”, diz.

Outro ponto positivo para o Brasil, segundo o diretor, foi quanto a sensatez do setor produtivo nacional. “Crescimento bom é aquele crescimento sustentável. A gente não pode fazer loucura e o setor aprender muito dessa questão no passado. O setor teve essa maturidade de entender que existe a oportunidade que deve ser aproveitada, mas de uma forma inteligente e saudável, confiando no nosso status e no produto”, comenta.

“A gente não torce e nem comemora a desgraça alheia, mas é uma oportunidade de mercado e temos trabalhado forte para manter o nosso status sanitário, trabalhando com o Mapa e as Relações Exteriores para incrementar o número de mercados. Cada vez que abre mercado, expande um pouco as exportações e isso afeta positivamente para o nosso produtor, tanto o de insumos quanto para o suinocultor”, conclui.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nova edição

Suinocultura: muito além da carne

Nova edição mostra como suinocultor brasileiro é muito mais do que somente um produtor de carne, mas também um agente presente nos cuidados com o meio ambiente

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O Presente Rural

Está disponível na versão digital a nova edição de Suínos e Peixes de O Presente Rural. Nesta edição mostramos como a suinocultura brasileira é muito mais do que somente produção de carne. O suinocultor não produz somente a proteína animal, mas também trabalha a favor do meio ambiente e da preservação ambiental. Dessa forma, você, leitor, verá exemplos na prática de produtores que investiram na suinocultura e no meio ambiente, a partir de energia solar, biogás, entre outros.

Há ainda matérias sobre os cuidados que o produtor deve tomar quanto a chegada do frio, do nascimento dos suínos até a terminação. Além disso, há um encarte especial falando sobre a história da Agriness – como tudo começou até se tornar o que é hoje – e o prêmio Melhores da Suinocultura, que conheceu os vencedores de 2020.

Os artigos técnicos escritor por profissionais renomados do setor falam sobre diversos assuntos do setor suinícola e de peixes, como nutrição, bem-estar, tecnologias e novidades.

Além disso, a edição tem as novidades das principais empresas nacionais e internacionais do setor, como contratações, novos produtos e mudanças.

Você pode ler a edição na íntegra e gratuitamente aqui.

Fonte: O Presente Rural
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CONBRASUL/ASGAV

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