Bovinos / Grãos / Máquinas
Pressão nos preços dos fertilizantes desafia produtores rurais no Brasil
Escalada nos custos dos insumos reduz poder de compra e força agricultores a repensar investimentos, enquanto mercado global segue instável.

A disparada nos preços dos fertilizantes voltou a colocar o agronegócio brasileiro em estado de alerta. Após meses de relativa estabilidade, os custos dos insumos escalaram abruptamente. A relação de troca, que mede quantas sacas de grãos são necessárias para adquirir uma tonelada de fertilizante, já se equipara aos níveis registrados durante a crise logística e geopolítica de 2022, marcada pela guerra na Ucrânia e também pela guerra entre Irã e Israel, além de interrupções nas cadeias globais. Portanto, é importante enfatizar que, mesmo diante de tempos difíceis, o produtor rural deve investir em tecnologias para que haja aumento de produtividade.
Segundo levantamento do Itaú BBA, os aumentos foram significativos. O cloreto de potássio acumulou alta de 24% no ano, chegando a US$ 365 por tonelada, enquanto o MAP (fosfato monoamônico) já é negociado a US$ 717,50, após elevações consecutivas em abril e maio. A uréia, por sua vez, registrou oscilação: subiu 9% em abril e recuou 1,9% no início de maio, refletindo incertezas de oferta, especialmente da Ásia. Essa combinação de preços em elevação com um mercado global ainda instável colocou o produtor em posição delicada, justamente no momento de decisão sobre a próxima safra.

Foto:Divulgação/Arquivo OPR
Apesar de a China, principal exportadora de fertilizantes do mundo, ter sinalizado uma flexibilização nas restrições de exportação impostas em 2023, os efeitos ainda são modestos. A liberação de cargas segue em ritmo lento, e a prioridade continua sendo o abastecimento do mercado interno chinês, o que mantém o cenário externo com baixa previsibilidade. Sem alívio consistente na oferta, a pressão sobre os preços segue firme, num contexto cuja cotação da soja não acompanha a mesma trajetória de valorização. Resultado: o produtor precisa de mais sacas para adquirir a mesma quantidade de soluções nutricionais, o que reduz a atratividade dos investimentos no manejo completo e eleva o risco de queda na produtividade média das lavouras.
O momento é de cautela e esforços. Muitos produtores já avaliam estratégias para reduzir a dependência de pacotes mais caros, apostando em nutrição de manutenção ou no uso mais eficiente dos recursos aplicados ao solo. No entanto, essas decisões demandam acesso técnico qualificado e análise detalhada de cada talhão.
Com a volta da relação de troca aos patamares críticos de alguns anos atrás, a agricultura brasileira, mais uma vez, se vê diante de um dilema: produzir com custos mais elevados e margens comprimidas ou reduzir investimento e arriscar desempenho agronômico. A resposta para essa equação, cada vez mais, passa por informação, gestão e confiança nas boas práticas técnicas.

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Pecuária sustentável ganha selo oficial e incentivo no crédito rural
Certificação em boas práticas amplia a competitividade das fazendas e assegura benefício financeiro para produtores de médio e grande porte.

O Programa Boas Práticas Agropecuárias para Bovinos e Bubalinos de Corte (BPA Bovinos e Bubalinos de Corte), desenvolvido pela Embrapa, recebeu reconhecimento oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A homologação foi publicada no Diário Oficial da União em 08 de junho e representa um marco para a pecuária brasileira, tornando o BPA o primeiro programa de produção animal do país a obter esse tipo de chancela do governo federal.

Foto: Divulgação
Criado em 2015 por pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, o manual passou por atualização em 2023, incorporando novas diretrizes voltadas à sustentabilidade, ao bem-estar animal, à eficiência produtiva e ao uso de tecnologias digitais nas propriedades.
Segundo a pesquisadora da Embrapa, Vanessa Felipe de Souza, o reconhecimento fortalece a credibilidade da iniciativa e amplia sua importância para a cadeia pecuária. “Esse programa se destaca porque poderá servir como referência para outros guias de boas práticas, além de gerar mais confiança para o produtor e conceder benefícios às fazendas certificadas”, afirma.
Produção mais eficiente e sustentável
O BPA Bovinos e Bubalinos de Corte reúne um conjunto de normas e procedimentos destinados a tornar os sistemas produtivos mais competitivos e rentáveis, ao mesmo tempo em que busca garantir a oferta de alimentos seguros e produzidos de forma sustentável.
As orientações abrangem áreas como manejo sanitário, bem-estar animal, gestão da propriedade e adoção de ferramentas digitais para aumentar a eficiência da atividade.
Por apresentar diretrizes adaptáveis a diferentes realidades, o programa pode ser implementado por produtores de pequeno, médio e grande porte, em diversas

Foto: Divulgação
regiões do país e em distintos sistemas de produção.
Além do manual técnico, a Embrapa também desenvolveu dois aplicativos específicos: um voltado aos produtores rurais e outro destinado aos técnicos credenciados responsáveis pelo acompanhamento das propriedades.
Certificação pode reduzir juros do custeio
Entre os benefícios da adesão ao programa está a possibilidade de acesso a incentivos financeiros. Produtores de médio e grande porte certificados pelo BPA terão direito a desconto de 0,5 ponto percentual nas taxas de juros do custeio agrícola previstas no Plano Safra 2026.
Além do incentivo econômico, a certificação contribui para a organização da propriedade, melhoria dos processos produtivos e fortalecimento da sustentabilidade da atividade pecuária.
Como participar
Os produtores interessados podem conhecer as diretrizes do programa por meio do site oficial do BPA Bovinos e Bubalinos de Corte ou procurar a Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), além das unidades descentralizadas da instituição espalhadas pelo país.
A rede de apoio inclui centros da Embrapa nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, permitindo que a iniciativa alcance diferentes sistemas produtivos e realidades da pecuária brasileira.
Bovinos / Grãos / Máquinas Em menos de um ano
Indonésia se torna segundo maior destino dos miúdos bovinos do Brasil
País asiático importou mais de 12 mil toneladas do produto entre janeiro e maio, movimentando US$ 19,5 milhões.

Menos de um ano após a abertura do mercado para os miúdos bovinos brasileiros, a Indonésia já ocupa a segunda posição entre os principais compradores do produto, atrás apenas de Hong Kong. Entre janeiro e maio de 2026, o país asiático importou mais de 12 mil toneladas, movimentando US$ 19,5 milhões.
O rápido avanço das compras está ligado ao tamanho do mercado indonésio. Com população superior a 284 milhões de habitantes, a Indonésia importou mais de 70 mil toneladas de miúdos bovinos em 2025, em negócios que ultrapassaram US$ 150 milhões.
Os embarques brasileiros para o mercado internacional também seguem em expansão. Nos cinco primeiros meses deste ano, o Brasil exportou mais de 106 mil toneladas de miúdos bovinos para 117 países, gerando receita de US$ 256 milhões. Em 2025, as exportações do produto alcançaram 267 mil toneladas, com faturamento de US$ 605 milhões.

Foto: Divulgação/Freepik
A autorização para a entrada dos miúdos bovinos brasileiros na Indonésia foi concedida em agosto de 2025. Desde então, o número de frigoríficos habilitados a exportar para o país aumentou gradualmente. Em setembro do ano passado, 17 plantas foram incluídas na lista de exportadores autorizados, elevando para 38 o total de unidades aptas a atender o mercado indonésio. Em janeiro deste ano, outras 14 plantas foram habilitadas, totalizando 52 estabelecimentos autorizados.
O crescimento das exportações ocorre em meio à ampliação das relações comerciais entre os dois países. Atualmente, a Indonésia é o 11º principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Entre janeiro e maio deste ano, as compras de produtos agropecuários brasileiros superaram US$ 1 bilhão, com destaque para o complexo soja, fibras e produtos têxteis, além de fumo e derivados.
Embora tenham consumo mais restrito no mercado brasileiro, os miúdos bovinos encontram demanda significativa em diversos mercados internacionais. As exportações desses produtos ampliam o aproveitamento comercial dos animais abatidos e representam uma importante fonte adicional de receita para a cadeia da carne bovina.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Reinserção de produtores é caminho estratégico para fortalecer a pecuária sustentável no Brasil
Regularização ambiental, rastreabilidade, assistência técnica e acesso ao crédito são apontados como fatores decisivos para ampliar a inclusão produtiva e manter a competitividade da carne bovina brasileira.









